quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Assistência Técnica: qualificação garante renda extra para assentadas

Técnicas de pintura em tecido, fabricação de pães, pastéis e bolos. Nesta semana, cerca de 20 mulheres de assentamentos do município de Sapé, no Território da Cidadania Zona da Mata Norte, na Paraíba, trocaram experiências sobre fontes alternativas de renda. Na capacitação, realizada na Associação do Assentamento Padre Gino, as trabalhadoras também conheceram a estufa do centro de mudas para a horticultura e o minhocário.
A atividade foi promovida pela equipe da Assessoria de Grupo Multidisciplinar em Tecnologia e Extensão (Agemte). A entidade presta assistência técnica em assentamentos do Incra na região e a visita foi acompanhada por duas voluntárias da Bélgica que trabalham na Oxfam, ONG internacional de atuação no campo social.
Sob a supervisão dos técnicos da Agemte, sete mulheres do assentamento Padre Gino, ensinaram as técnicas aprendidas em capacitações anteriores para as mulheres do assentamento 21 de Abril. Três mulheres da oficina Mão na massa, passaram conhecimentos sobre a produção de bolos e quitutes. Outras quatro mulheres do grupo Confecções Gina, direcionado para elaboração de roupas artesanais, ensinaram técnicas para produção e comercialização de roupas artesanais.
Na oficina de confecção de roupas, as mulheres receberam noções de pintura em voil, em algodão e em outros tecidos com técnicas variadas, como a utilização de sal na secagem ao sol e de amarração com linhas para a criação de efeitos visuais diversificados. As assentadas levaram peças brancas para serem pintadas e contribuíram com tintas para tecidos e pincéis.
Horticultura
Antes da oficina de fabricação de massas, as mulheres conheceram a estufa do centro de mudas para a horticultura e o minhocário do Assentamento Padre Gino, que funcionam desde 2005 e foram implantados por meio de um projeto da Universidade Federal da Paraíba (UFPB). As mudas de brócolis, tomate, couve, beterraba, pimentão, alface e jiló são produzidas em bandejas de isopor suspensas em mesas de madeira. As hortaliças e as verduras são comercializadas no próprio assentamento e em pelo menos outros três assentamentos. Todos eles participam da Associação dos Agricultores e Agricultoras da Várzea Paraibana (Ecovárzea), responsável pela feira agroecológica que funciona às sextas-feiras no campus da UFPB em João Pessoa.
"Antes da estufa, a gente plantava as sementes no chão, mas muitas mudas morriam, principalmente no verão. Outro problema era tirar as mudas sem perder as raízes. Agora é difícil a gente perder uma muda", afirmou Maria Albertina de Lima, 41, presidenta da Ecovárzea e integrante do grupo Confecções Gina. Para ela, os encontros de mulheres assentadas fortalecem e aumentam a autoestima dos grupos, que podem conhecer as experiências das companheiras de outros assentamentos.
Mão na Massa
Em seguida as assentadas vestiram toucas descartáveis para, literalmente, colocarem as mãos na massa. Elas apresnderam a fabricar pastéis, coxinhas e outras massas. As receitas compartilhadas foram as mesmas usadas no preparo dos salgados que, juntamente com bolos de cenoura, de chocolate, baeta, macaxeira, mandioca e batata doce, são comercializados pelo grupo Mão na massa na agrovila do Assentamento Padre Gino.
O forno industrial, com capacidade para assar 20kg de bolo por vez, foi adquirido por R$ 700. As prestações foram pagas com a venda das massas fabricadas com matérias-primas do próprio assentamento e também da venda de produtos produzidos no local como: leite, coco, macaxeira, mandioca e batata doce.
Maria Arlinda de Aragão, 54 anos, conta que a renda extra ajuda em pequenas despesas da casa, como na conta do gás. "Minha saúde já não está muito boa e se eu ficasse em casa, parada, eu não ganharia mais esse dinheirinho", disse a assentada, que pretende aperfeiçoar as técnicas de confeitaria de bolos na segunda etapa do III Fórum de Mulheres dos Assentamentos do Litoral Norte, no próximo domingo (21), na Cidade Cristã, em Sapé (PB), que será dedicada a oficinas de capacitação em artesanato e culinária.

Confecções Gina

Em uma das casas do assentamento funciona a Confecções Gina, pequena fábrica de roupas íntimas. O grupo realiza consertos de roupas e confecciona peças como calcinhas, sutiãs, cuecas, vestidos, blusas, almofadas e bolsas, comercializados em Padre Gino, em assentamentos vizinhos e nas feiras da Ecovárzea.
O assentamento possui muitas árvores frutíferas, como cajueiros e pés de graviola, e as assentadas também criam galinhas e gado. À tarde, quando as mulheres deixam as hortas e os roçados onde plantam principalmente feijão, macaxeira, mandioca e batata doce, se inicia o trabalho de corte e costura. "Nós vivemos da agricultura, que é de onde tiramos a maior parte da renda e do que comemos, mas queremos continuar nosso trabalho com as roupas, construir um espaço próprio e comprar novas máquinas de costura", resumiu Paulina Gomes, do grupo Confecções Gina.
O grupo de mulheres possuía uma máquina de costura simples e outras quatro máquinas semi-industriais e industriais foram recebidas como doação. A produção só começou a crescer em 2010, após dois cursos de introdução à costura oferecidos pela Comissão Pastoral da Terra (CPT) e pelo Sebrae, que fornece retalhos de tecido, inclusive de algodão colorido, e restos de banners confeccionados em lona - material que é reaproveitado na confecção de sacolas retornáveis. Paulina conta que o grupo levou ao comitê gestor do Território da Cidadania Zona da Mata Norte um pedido para a construção de uma sede para a fábrica de confecções e para a aquisição de um novo maquinário.

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