segunda-feira, 23 de outubro de 2017

Trabalho escravo !

Portaria sobre trabalho escravo recebe  críticas no Brasil e no Exterior 

Três projetos foram apresentados no Senado  (PDS 190/2017PDS 191/2017 e PDS 192/2017) para sustar a portaria do Ministério do Trabalho que alterou conceitos relativos ao trabalho escravo (MTB 1.129/2017).  
A portaria tem sido alvo de críticas de fiscais do trabalho, do Ministério Público, de representantes da sociedade, vários senadores,  organizações internacionais como a ONU, a Organização Internacional do Trabalho (OIT), instituições nacionais e internacionais ligadas aos Direitos Humanos.
 Antes da portaria, o trabalho para ser considerado escravo precisava envolver servidão por dívida, condições degradantes, jornada exaustiva e trabalho forçado. 
Segundo os críticos, a nova medida dificulta a fiscalização ao acrescentar à definição de serviço análogo ao escravo critérios como “o cerceamento do uso de qualquer meio de transporte por parte do trabalhador”, ou “a manutenção de segurança armada com o fim de reter o trabalhador no local de trabalho em razão de dívida contraída com o empregador”. 
O Ministério Público do Trabalho (MPT), junto com o Ministério Público Federal (MPF), recomendou na última terça-feira (17) a revogação imediata da portaria, sob a justificativa de que ela contraria o artigo 149 do Código Penal, que determina que a jornada excessiva ou a condição degradante é suficiente para caracterizar a prática de trabalho escravo. De acordo com a nova norma, tais elementos só poderiam ser caracterizados caso haja restrição de liberdade do trabalhador. 
Nesta sexta-feira (20), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) ajuizou ação popular na 22ª Vara Federal Cível da Justiça Federal contra a portaria, pedindo apoio do Ministério Público Federal e solicitando medida liminar antecipada até o julgamento do mérito da questão.

Fontes: Senado / Estadão  

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Justiça Condena Empresa, por Obrigar Funcionária a Ficar Nua

O Tribunal Superior do Trabalho (TST) condenou a Arcos Dourados, franqueadora do MCDonald’s na América Latina, a indenizar funcionária que foi acusada de furto e obrigada pela gerente a se despir na presença de duas colegas.
A funcionária era atendente na época dos fatos e menor de idade, contou na reclamação trabalhista e em depoimento pessoal que foi acusada, juntamente com duas colegas, de furtar dois celulares e R$ 80 de outras empregadas. Segundo seu relato, depois de uma revista na bolsa de todos os empregados do estabelecimento, as três foram chamadas pela gerente, que as obrigou a se despirem no banheiro.
Com a atendente, foram encontrados R$ 150, que ela havia sacado para efetuar um pagamento. Cópia do extrato bancário juntado ao processo comprovou o saque. Depois do procedimento, as duas foram dispensadas.
A empresa, em sua defesa, alegou que não havia prova da revista íntima determinada pela gerência.
O juízo da 20º Vara do Trabalho do Rio de Janeiro considerou que o McDonald’s extrapolou o seu poder de gestão, destacando que a gerente, ao obrigar a trabalhadora a se despir, feriu sua integridade física e sua honra. Segundo a sentença, o empregador não poderia sequer alegar que estava protegendo seu patrimônio, porque os objetos furtados não eram de sua propriedade, e deveria sim “tomar providências, mas não as que tomou”.
O Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (RJ), ao analisar recurso da Arcos Dourados, reformou a sentença. Considerando as peculiaridades do caso, especialmente a imediata identificação da autoria e da comprovação da posse do objeto furtado por uma das envolvidas, o Regional entendeu que “a imediata revista íntima e pessoal sem contato físico, em local reservado e realizado por pessoa do mesmo sexo”, e “acompanhada pela gerência”, foi uma exceção, e excluiu a condenação.
O relator do recurso da atendente ao TST, ministro Mauricio Godinho Delgado, destacou que a situação descrita atentou contra a dignidade, a integridade psíquica e o bem-estar pessoal da empregada, patrimônios morais protegidos pela Constituição Federal, impondo-se, portanto, a condenação ao pagamento de danos morais nos termos do artigo 5º da Constituição Federal e 186 e 927, caput, do Código Civil.
Em relação ao valor arbitrado, observou que, na ausência de lei a respeito, a indenização deve observar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, para evitar tanto a impunidade quanto evitar o enriquecimento ilícito da vítima, e ainda para servir de desestímulo a práticas inadequadas aos parâmetros da lei. Levando em conta essas diretrizes e os fatos escritos no processo, o ministro considerou razoável e adequado o valor fixado na sentença, votando pelo seu restabelecimento.
A empresa justificou o fato em nota.

Fonte : Yahoo
Foto cartaz: Internet

domingo, 15 de outubro de 2017

Sub-representação dos negros na política brasileira

Em setembro, foi publicada uma matéria com reprodução em diversos sites e blogs, sobre a sub-representação dos negros na política brasileira.  Esta pesquisa , neste processo de votação da  reforma política, da a dimensão das dificuldades enfrentadas pelos negros brasileiros que disputarão  uma cadeira  em 2018. Antes de chegarmos a esta bela pesquisa, relembremos seguintes dados:  

- O Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas eleições de 2014, 55% dos 25,3 mil candidatos eram brancos, 34,9% pardos e 9,2% negros.
- Dos 1,6 mil eleitos, 75,6% são brancos, 21% pardos e apenas 3,1% negros. 
- No Congresso Nacional, dos 594 parlamentares, menos de 10% são negros. 
- Na maioria das casas legislativas, são menos de 6% de negros deputados e deputadas . 

Em 2010 a SEPPIR -Ministério de  Promoção da igualdade racial, extinto neste governo de  Temer,   trouxe um estudo sobre a participação das mulheres negras nos espaços de poder . O estudo traça um mapa da presença das mulheres negras, a partir do perfil das candidaturas femininas a postos no Senado Federal, na Câmara dos Deputados e no Poder Executivo nas eleições. Discute, ainda, aspectos da reforma política e sugere ações afirmativas que contribuam de maneira efetiva para a inclusão das mulheres negras nas instâncias e esferas de poder e de decisão política. 

http://www.seppir.gov.br/central-de-conteudos/publicacoes/pub-acoes-afirmativas/a-participacao-das-mulheres-negras-nos-espacos-de-poder

Em 2015, o portal Geledés publicou uma matéria de por Francielle Costacurta com a chamada  " Quem são as mulheres negras na Politica? " 
Eu Monica Aguiar, aqui no meu blog Mulher Negra,  tenho publicado várias matérias sobre a participação das mulheres,  em especial das  mulheres negras na política . 

Sendo,  vejamos o pesquisador Osmar Teixeira Gaspar. Boa leitura !

Para especialista, baixo número de deputados e senadores negros no Brasil só será revertido se houver pressão da sociedade. “A elite branca não nos quer no Parlamento”, diz o senador negro Paulo Paim.

Mais da metade da população brasileira (54%) é composta de cidadãos que se autodeclaram negros – grupo que, segundo o IBGE, reúne pretos e pardos. Mas isso não se reflete na representação política. No estado de São Paulo, por exemplo, dos atuais 94 parlamentares da Assembleia Legislativa, somente quatro são negros, ou seja, o equivalente a 4,2% dos eleitos.

“A ausência de negros no Parlamento representa um contrassenso, em que a minoria passa a resolver os problemas da maioria”, afirma O pesquisador Osmar Teixeira Gaspar realizador do estudo na Faculdade de Direito (FD) da USP, em que buscou entender mais a fundo as causas desse porcentual tão baixo, especialmente dos negros, nas casas legislativas. Os resultados estão em sua tese de doutorado Direitos Políticos e Representatividade da população negra, realizada sob orientação do professor Kabengele Munanga, do Departamento de Antropologia da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP .

O estudo de Teixeira concentrou-se no estado de São Paulo, mas, segundo ele, evidências apontam que a dificuldade de negros serem eleitos é um fenômeno nacional. Ele ouviu candidatos negros vitoriosos e derrotados, eleitores negros e dirigentes de partidos.
Paulo Paim (PT) é hoje o único senador negro do país eleito pelo voto direto. “Até hoje foram eleitos apenas eu e a Benedita da Silva [para o Senado]. Na Câmara, dos 513, no máximo duas dúzias são negros. A representação negra é mínima”, afirma o senador. “A elite branca não quer negros no Parlamento.”

Há um volume significativo de candidatos negros, mas eles quase sempre têm formação escolar incompleta, e, portanto, pouca ou nenhuma estrutura financeira, então, quase nunca conseguem votos suficientes para se eleger, aponta Teixeira.

“No entanto, o trabalho realizado por esses candidatos pobres e negros, sem estrutura financeira e material, e sem o apoio explícito dos partidos políticos, faz com que eles funcionem como verdadeiros cabos eleitorais de outros candidatos brancos e mais ricos”, diz Teixeira.

Segundo o pesquisador, enquanto candidatos brancos e ricos contam com estrutura material e apoio financeiro e econômico do partido ou externa, o que lhes permite um deslocamento mais eficaz e rápido durante a campanha, os candidatos negros e pobres “têm severa dificuldade”.

Outra constatação importante da pesquisa é a disparidade patrimonial de candidatos brancos e negros. Em média, os brancos que disputam eleições estaduais têm patrimônio de R$ 1 milhão. No caso dos negros, com as mesmas condições de escolaridade, a média patrimonial é de R$ 233 mil.

Segundo Teixeira, praticamente todos os negros que chegaram ao Parlamento só tiveram êxito graças à fórmula do coeficiente eleitoral. “Ao final, os votos desses candidatos negros e pobres serão somados à legenda partidária que irá dividi-los e poderá somar um maior número de eleitos. Portanto, o trabalho destes candidatos negros, que acabam sendo numerosos, se dilui. Eles não têm mobilidade para sair de suas bases.”

Histórico dos negros na política
A tese de Teixeira traz uma abordagem histórica dos negros no Brasil pós-abolição da escravatura. O estudo menciona, por exemplo, a decisão de Getúlio Vargas de extinguir, em 1937, a Frente Negra Brasileira como partido político.
Outros partidos extintos na mesma época “se refundaram com outros nomes ou se fundiram em outras siglas”, permitindo que “o grupo oligárquico e politicamente dominante permanecesse ativo”, aponta Teixeira. Apenas os negros não conseguiram encontrar outra maneira de organização política.

Outro aspecto histórico citado foi um documento elaborado pelo governo do estado de São Paulo em 1982, que alertava para o aumento significativo da população negra e sugeria a esterilização massiva de mulheres pretas e pardas sob a alegação de que os brancos já estavam conscientes “da necessidade de se controlar a natalidade”.

O documento, escrito pelo economista Benedito Pio da Silva, do grupo de assessores do ex-governador do estado e ex-prefeito da cidade de São Paulo Paulo Salim Maluf, falava claramente sobre os riscos de predominância de eleitores negros no Brasil. Curiosamente, Pio da Silva era negro.

Cotas como solução?
Para Teixeira, cotas para negros seriam a única maneira de desmascarar a utopia de uma democracia racial no Brasil. “Para se resolver a questão da ausência do negro no Legislativo brasileiro será preciso que se adotem cotas efetivas [de representação]. Cotas de 20% seriam razoáveis”, defende o cientista social.

Lula Guimarães – especialista em marketing político-eleitoral que fez a campanha presidencial de Marina Silva (Rede) em 2014 e de João Doria (PSDB) para prefeito de São Paulo em 2016 – reconhece a importância do sistema de cotas para negros, como o existente em universidades, para corrigir distorções sociais históricas. No entanto, ele questiona se o sistema seria eficaz também na política.

“Obama não foi eleito com o sistema de cotas nos EUA. Na política, creio que as cotas tanto para mulheres como para negros não causariam muito equilíbrio”, afirma.

Ele considera que o desafio principal é a conscientização da sociedade. “A gente deve lutar para que o Brasil tenha políticos mais qualificados e que possam nos representar de maneira mais eficaz porque têm uma formação melhor ou porque representam melhor determinados segmentos da sociedade no sentido profissional, ideológico, e não necessariamente no sentido racial”, diz.

O senador Paim, por sua vez, concorda com a tese de Teixeira. O senador, no entanto, não abraça a causa das cotas com ilusão. Ele destaca que havia no Estatuto da Igualdade Racial um artigo que previa cotas para negros na política, mas que “não teve jeito de passar”. “Tivemos que tirar esse artigo, ou o Estatuto não seria votado. ”

Apesar de defender as cotas para negros no Legislativo, Teixeira não tem nenhuma expectativa de que algum parlamentar apresente um projeto de lei propondo tal medida. Para ele, a ideia só vai prosperar se houver pressão da sociedade.

“É este mecanismo de representação parlamentar que a rigor tem permitido aos estratos mais abastados de nossa sociedade preservarem amplamente os seus seculares privilégios”, afirma. “O aumento dos parlamentares negros no Legislativo pressupõe uma redução de parlamentares brancos naquele mesmo espaço.”


terça-feira, 10 de outubro de 2017

Propaganda racista de sabonete, leva grupo a se lamentar após reação da sociedade

As imagens, publicadas no Face retratavam uma mulher negra que virava branca



Dove, uma das maiores marcas de produtos de cuidados pessoais do mundo, se desculpou após publicar em sua conta do Facebook uma peça publicitária acusada por usuários da rede social de racismo. Nas fotos, já apagadas, uma mulher negra tirava uma camiseta marrom e se transformava em outra mulher, branca, ruiva e com uma roupa mais clara. Em uma terceira fotografia, esta mulher branca se converte em uma jovem morena. "Lamentamos profundamente a ofensa que o anúncio causou", disse a Dove.
Uma maquiadora norte-americana negra, Nay the mua, denunciou na sexta-feira em seu mural: "Estava navegando pelo Facebook e este anúncio da Dove me aparece". Dove respondeu a ela que as imagens pretendiam mostrar os benefícios de um sabonete "para todos os tipos de pele". Dove se desculpou também em seu Twitter: "Uma imagem que publicamos recentemente no  Facebook errou ao representar mulheres negras de forma desrespeitosa. Lamentamos profundamente a ofensa que causou [o anúncio]". 
A queixa recebeu 1,3 milhão de comentários, mais de 3.700 reações e foi 10.180 vezes partilhada desde a última sexta-feira. Alguns usuários se mostraram igualmente indignados e concordaram que, ao se colocar a mulher negra primeiro, parece se representar "o sujo", que fica "limpo e branco" depois de usar o sabão.
Não é a primeira vez que a marca é acusada de difundir campanhas racistas. Em 2011, uma campanha que mostrava três mulheres de diferentes cores de pele também causou polêmica. Segundo algumas pessoas, o anúncio sugeria que após usar um produto Dove a pele de uma mulher negra se tornava mais clara. Também em 2015, um produto da marca anunciava em sua etiqueta que podia ser usado por pessoas com "peles normais e negras".
https://www.youtube.com/watch?time_continue=1&v=GJssvw1LQbI
Fonte e texto: ElPais 

Mulheres são mais propensas a compartilhar


Estudo revela que centro de recompensa no cérebro feminino recebe mais impulsos de bem-estar ao dividir do que homens. Cientistas alegam que diferenças de comportamento não são congênitas, mas fruto de padrões sociais. Mulheres são mais propensas do que homens a compartilhar, pois o gesto ativa com maior intensidade o centro de recompensa do cérebro delas do que do deles, aponta um estudo neurológico suíço publicado nesta segunda-feira (09/10) na revista científica Nature Human Behavior. 

No estudo, pesquisadores bloquearam a atividade no centro de recompensa (núcleo accumbens) com o uso de medicamentos. As mulheres então agiram de forma mais egoísta em testes comportamentais, enquanto os homens se tornaram mais generosos. Os cientistas acreditam que o comportamento distinto entre os sexos se deve a paradigmas ditados pela sociedade.

A equipe de pesquisa da Universidade de Zurique, liderada pelo cientista Alexander Soutschek, realizou um teste comportamental com 21 homens e 19 mulheres, enquanto eles passavam por uma ressonância magnética.

Os participantes tinham de decidir se prefeririam receber uma soma maior de dinheiro para si ou uma quantia menor compartilhada com um participante anônimo. Os participantes decidiam por uma das duas variantes ao pressionarem teclas de seta num teclado. Estudos anteriores também indicaram que as mulheres compartilham dinheiro com mais frequência do que os homens neste teste padrão.

Durante o experimento, os pesquisadores analisaram a atividade do corpo estriado, uma região no centro do cérebro que é responsável pelo processo de avaliação e recompensa e é ativada em todas as tomadas de decisões. A região do cérebro provoca sentimentos positivos ao desencadear a liberação de hormônios de bem-estar, como a endorfina.

O corpo estriado estava particularmente ativo nas mulheres quando compartilharam, segundo os cientistas. Nos homens, por outro lado, estava mais ativo quando tomaram decisões egoístas.

Aspectos culturais

Para verificar os primeiros resultados, a equipe de cientistas realizou um teste de comportamento diferente com outros 65 participantes, sem examinar o cérebro. Desta vez, foi analisado se o comportamento muda quando a atividade do corpo estriado é suprimida por medicação. Metade do grupo recebeu a substância amissulprida, um fármaco antipsicótico antagonista seletivo da dopamina, responsável pela ativação do sistema de recompensas. A outra metade do grupo recebeu um placebo.

No grupo que recebeu o placebo, a maioria das mulheres (51%) decidiu compartilhar o dinheiro. No grupo que recebeu a droga amissulprida, apenas 45% das mulheres repetiram o gesto. Já nos homens, o comportamento social melhorou: sem a medicação, 40% dos homens optaram por dividir o dinheiro, contra 44% com a droga.

Ao todo, porém, os participantes de ambos os sexos se mostraram mais propensos a compartilhar quando têm a informação de que o recebedor anônimo é alguém que eles conhecem.

Os pesquisadores conseguiram, portanto, comprovar neurologicamente pela primeira vez que o cérebro masculino é mais propenso a recompensar decisões egoístas, enquanto o cérebro de mulheres tende a recompensar escolhas sociais.

Essa característica, segundo os cientistas, não é congênita. O centro de recompensas está fortemente ligado aos processos de aprendizagem no cérebro. "A diferença de gênero que observamos em nossos estudos pode ser explicada pelas diferentes expectativas culturais de homens e mulheres", disse Soutschek.

O centro de recompensas no cérebro é considerado um estímulo importante para a ação humana. Comportamentos que ativam o centro e criam sensações positivas e de bem-estar são mais buscados. O mecanismo, porém, também pode ser viciante depois de repetições. Dependendo de qual comportamento é repetido, pode causar um efeito negativo – como no caso do vício no jogo. O mecanismo também deve explicar o vício em drogas, já que estas também ativam o centro de recompensas.

PV/dpa/ots

sexta-feira, 6 de outubro de 2017

Crise Cognitiva ? Rosiane Rodrigues

Por Mônica Aguiar

Eu tenho lido várias reflexões nas mídias sociais  sobre a atual  conjuntura política, econômica  e social do povo negro brasileiro. 
Entre elas podemos destacar pontos importantes, pois falam das amarras que estão sendo constituídas, onde o retrocesso passa ser visível e palpável a cada dia no Brasil. 

Perdas e mais perdas de conquistas.  Resoluções que foram utilizadas na época da ditadura voltam reformuladas e  justificada por uma nova concepção de democracia, avocada da Constituição.
Nestes tantos e tantos desarranjos, estamos vendo  teatros serem fechados por determinação judicial; Lei sendo votada no Congresso Nacional, que tira o direito de fazer criticas nas redes socais aos candidatos no próximo pleito eleitoral.

Neste sentido , estou hoje, 06/10/17, reproduzindo uma reflexão. A primeira de tantas que estarei reproduzindo semanalmente....

Esta reflexão é de Rosiane Rodrigues do Rio de Janeiro. Mulher negra , jornalista, historiadora, escritora .  Religiosa de matriz africana.   

Apreciemos............


Por  Rosiane Rodrigues 

A crise não é apenas ética. Ela é cognitiva. 

Não entender o que está acontecendo é parte do plano - que promove os muitos golpes diários. Neste momento 'barata voa', quando as nossas ficções de democracia e laicidade estão desmoronadas, manter a lucidez e a coerência não é tarefa fácil. 

Vamos enfrentar o racismo - desde que a gente não mexa nas estruturas que mantém o operam o racismo. 

Vamos enfrentar o genocídio - desde que não ataquemos os seus alicerces. 

Vamos exigir laicidade - desde que não combatamos a promiscuidade das relações espúrias entre igrejas e Estados. 

Vamos seguindo, com nossas mentes colonizadas, fazendo o jogo do colonizador - que nos convenceu que um dia tivemos liberdade, que somos iguais (esta é a melhor ficção que eles inventaram!) e que a fraternidade - ahahahahah que nos retorna em forma de esmolas o que nos foi roubado, constituída na prática 'cristã' que apazígua os ânimos - se mantenha como pilar das nossas lutas.

Bom dia, Lock! Bom dia, Montesquieu! Bom dia, Voltaire! Vocês fizeram um excelente trabalho.

Livros de Ficção Científica Escrito por Mulheres



Octavia Butler foi a primeira autora negra de ficção científica a ser reconhecida mundialmente.
Escreveu vários livros feminista, tendo com o tema, geralmente, racismo e preconceito

Pare o que você está fazendo agora e pense em três escritores de ficção científica. 
Pensou? Pois bem, Isaac Asimov, Philip K. Dick e George Orwell provavelmente aparecem nesse breve exercício de memória. Isso traz a tona uma informação meio óbvia, mas que merece ser ressaltada: a literatura de ficção científica é um campo ainda dominado por homens. Em sua maioria, homens brancos com uma visão restrita de mundo.
Isso não significa que as mulheres estão fora desse área de atuação.
Pelo contrário, a história da literatura de ficção científica e de seus subgêneros (cyberpunk, space opera, distopia, viagem no tempo e invasão alienígena) é povoada por grandes escritoras, mulheres que pensaram outras realidades sob cenários surpreendentes e, por meio de suas narrativas, desencadearam reflexões sobre questões sociais como feminismo, política e religião.
Aqui estão 7 escritoras que se aventuraram com sucesso pela ficção científica. Com obras premiadas e carreiras consagradas, elas mostram que esse gênero literário pode ser ainda mais rico e diverso do que você imaginava.

Octavia E. Butler

Filha de uma empregada doméstica e um engraxate, a norte-americana Octavia Butler foi a primeira autora negra de ficção científica a ser reconhecida mundialmente. Ela escreveu contos, ensaios e 15 livros ao longo de sua carreira. Por eles, recebeu mais 20 indicações e diversos prêmios, incluindo Nebula e Hugo - duas das mais prestigiadas honrarias de ficção científica e fantasia. Seu romance mais emblemático, Kindred, acaba de ser publicado no Brasil pela editora Morro Branco depois de 40 anos do lançamento original. A trama é sobre Dana, uma mulher negra que nos anos 70 vive sucessivos episódios de volta no tempo, para os EUA dos início do século 19. Questões de raça e gênero permeiam o livro que já vendeu mais de meio milhão de cópias e que tornou Octavia conhecida como a "Grande Dama da Ficção Científca".

Charlotte Perkins Gilman

Charlotte Perkins Gilman (1860-1935) é uma escritora com obra consagrada, cujos livros trazem o feminismo como espinha dorsal. A obra mais conhecida norte-americana é O Papel de Parede Amarelo, título que se tornou leitura obrigatória em diversas escolas de Ensino Médio nos EUA. Mas aqui, vale ressaltar outro grande título de seu currículo: Herland - A Terra das Mulheres, lançado em 1915 no periódico The Forerunner, publicada Brasil pela editora Francisco Alves e encontrada hoje apenas em sebos. Considerado uma "distopia feminista", o livro conta a história de três rapazes americanos que fazem uma expedição a um país desconhecido (Herland, do título) composto apenas por mulheres e meninas há mais de 2000 anos. Com a imagem cristalizada do ideal de mulher que conheciam, eles se surpreendem com o que encontram nesse novo lugar. Nesse lugar, não há mais guerras e violência e a reprodução assexuada é o que regra as vidas.

 Ayn Rand


Política, filosofia e o conceito de individualismo se entrelaçam na obra de Ayn Rand. Escritora russa de origem judaica, Ayn fugiu da Revolução Comunista de 1917 e se instalou nos Estados Unidos em 1926 onde construiu uma carreira de sucesso como escritora, dramaturga e roteirista. Uma de suas obras mais célebres é A Nascente, que conta a história de Howard Roark, um jovem que se recusa a seguir os padrões de uma sociedade que não compreende seu modo independente de pensar e agir. Roark não abre mão de seus valores e longe da faculdade, acaba pagando um preço alto que envolve desemprego, pobreza e humilhação pública. A trama traz a tona uma ideia que a autora defendeu durante toda a sua trajetória: a de que o homem nasce livre e pode fazer o que desejar.

 Mary Shelley

Nascida em Londres, Mary Shelley (1797-1851) foi pioneira na ficção científica antes mesmo da consolidação do gênero literário com esse nome. Sua obra mais conhecida é Frankenstein, publicada em 1818 e adaptada incontáveis vezes para o teatro, cinema e televisão. O livro conta a história de Victor Frankenstein, um jovem estudante de ciências naturais que, mexendo com tecidos mortos, descobre a fórmula da criação de um ser consciente. Essa descoberta dá origem à Criatura. Victor rejeita o ser que criou e recebe como retribuição o ódio da Criatura - que passa a aterrorizar todos os seus familiares. Frankenstein é a obra-prima de Mary, mas não o único título de sua carreira. Ela escreveu outros romances, livros de memórias e também colaborou com contos e ensaios para publicações como Keepsake Westminster Review.

Suzanne Collins

Nascida em 1962 em Connecticut, nos EUA, a escrita americana Suzanne Collins trabalhou como roteirista de diversos programa infantis antes de escrever Jogos Vorazes, título infanto-juvenil que se tornou fenômeno em todo o mundo no final dos anos 2000. A trama do livro se passa em um futuro distópico onde adolescentes são forçados a participar de um jogo de vida ou morte transmitido pela televisão. A ideia para livro surgiu em um dia que Suzanne estava em frente à TV. Em um canal, ela viu um grupo de competidores de um reality show. No outro, imagens gravadas na Guerra do Iraque. A combinação dos dois temas recebeu ainda influência do mito de Teseu e o Minotauro. O resultado? Sucesso. Como se sabe, o título foi o primeiro de uma trilogia, adaptada posteriormente - e também com sucesso - para o cinema.

Ursula K. Le Guin


No planeta Gethen, todos os habitantes são "ambissexuais". Isso signifca que são todos ao mesmo tempo homens e mulheres. Não há gênero em Gethen e, consequentemente, não há também machismo. A manifestação biológica ocorre somente nos períodos de procriação, quando os todos podem escolher o sexo que vão assumir. Diferente de todos os habitantes, o protagonista Genly tem gênero definido e pode acasalar a qualquer momento. No contexto de Gethen, isso faz dele uma aberração. Em linhas gerais, é essa trama de A Mão Esquerda da Escuridão, publicado em 1969 e considerado a obra-prima da escritora Ursula K. Le Guin. Hoje com 87 anos, a escritora foi a primeira mulher a conquistar os maiores prêmios da ficção científica (Hugo e Nebula). A obra vasta da norte americana reúne 21 romances, 12 livros de poesia, 13 títulos infantis, além de coletâneas de contos, críticas e roteiros.

 Margareth Atwood


Em um futuro próximo, os EUA vivem sob uma ditadura militar, uma teocracia. Os direitos das mulheres são retirados e elas são divididas entre férteis e inférteis. As férteis são mantidas na casa dos comandantes do governo, onde uma vez por mês são estupradas por eles. Essas mulheres agora precisam trazer novas vidas ao país, que passou a se chamar "Gilead". Temas atuais como a opressão sofrida pelas mulheres e o fundamentalismo cristão na política se combinam em O Conto de Aia, romance distópico de Margareth Atwood, lançado em 1985, que voltou aos holofotes neste ano após a premiada adaptação para a TV pelo serviço de streaming Hulu. Considerada um dos principais nomes da literatura contemporânea em língua inglesa, a canadense tem títulos reverenciados não só dentro da ficção científica. Margareth coleciona mais 50 livros no currículo, entre reunião de contos, poesias, títulos infantis e de não-ficção.
Fonte texto : HuffPost Brasil  / Fotos: MONTAGEM/GETTY/DIVULGAÇÃO

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Centenas de Mulheres são Esterilizadas de Maneira Inadequada no Peru

Um grupo de coletivos sociais e organizações não governamentais (ONGs) pediu nessa terça-feira (3) à Promotoria do Peru para acusar o ex-presidente Alberto Fujimori, atualmente preso, por crimes contra a humanidade por ter esterilizado de maneira inadequada ou forçada mais de 236 mil mulheres durante seu governo. A informação é da Agência EFE.

Segundo o relatório entregue pelo Estudo para a Defesa dos Direitos da Mulher (Demus) ao promotor Luis Landa, 211 mil mulheres receberam informações incompletas sobre o processo e as consequências da ligadura de trompas. Mais 25 mil que passaram pelo procedimento não sabiam que ele era irreversível.

As estimativas têm como base o estudo Política de esterilizações com informações incompletas: Peru 1995-2000, do economista Silvio Rendon, da Universidade de Nova York, e as investigações de Camila Gianella, do Instituto CHR Michelsen da Noruega.
O Demus afirma que o relatório contém provas que não tinham sido consideradas até então pelos promotores para mostrar o caráter irregular ou forçado das esterilizações, como por exemplo o considerável número de procedimentos feitos em mulheres menores de 25 anos, analfabetas e indígenas.
María Ysabel Cedano. Lesbiana feminista socialista
defensora de derechos humanos

De acordo com os dados do relatório, 11% das mulheres esterilizadas entre 1995 e 2000 tinha menos de 25 anos, idade na qual a ligadura de trompas não é recomendada como método contraceptivo. Entre as indígenas, o percentual é de 15,6%.

A ONG responsabilizou Fujimori por enviar ao Congresso a Lei Nacional de População de 1996, que descriminalizava as ligaduras de trompas e as vasectomias como método contraceptivo, o que permitiu que só no ano seguinte fossem realizadas no país 100 mil esterilizações.

A diretora do Demus, María Ysabel Cedano, fez críticas a Landa. Segundo ela, já se passaram nove meses desde que as denúncias foram feitas e não houve um pronunciamento do promotor.
"Existem evidências suficientes para que o Ministério Público o denuncie, e o Poder Judicial examine e julgue", disse ela durante entrevista coletiva, acompanhada por um grupo de mulheres que se declaram vítimas de esterilizações forçadas.
Esses procedimentos ocorreram dentro da execução do Programa Nacional de Saúde Reprodutiva e Planejamento Familiar 1990-2000.
A Defensoria do Povo constatou que foram feitas 272.028 operações de ligadura de trompas e 22.004 vasectomias entre 1996 e 2001, quase todas em pessoas de classes baixas e de regiões rurais. Não se sabe quantas foram feitas de modo irregular.
Do total, mais de 2 mil mulheres denunciaram que foram esterilizadas sem consentimento ou sem ser devidamente informadas sobre o procedimento.
A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) determinou que o número de mulheres afetadas é muito alto e que pelo menos uma delas morreu em consequência dessas práticas.
Fujimori cumpre pena de 25 anos de prisão por violações de direitos humanos, como autor imediato, com domínio do fato, dos massacres de 1991 e 1992, quando 25 pessoas foram mortas pelo grupo paramilitar Colina, e pelo sequestro de um empresário e um jornalista em 1992.

Fontes: R7/AG.Brasil/
Foto   e legenda : Twitter   María Ysabel Cedano

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Câncer de mama na Mulher Negra

Estudos entre 2009 e 2014 ja revelavam o risco de câncer de mama em mulheres negras em diversos países 

Outubro é o mês dedicado à conscientização do câncer de mama, que é um dos mais comuns cânceres mais comuns em mulheres, representando 25% de todos os casos de câncer no mundo. Globalmente, são diagnosticados aproximadamente 1,7 milhões de novos casos dos quais meio milhão vão a óbito  . (Emanuelle Goes -  em seu Blog  população negra e saúde) . 

O estudo “Jewels in our Genes”, realizado pela Universidade de Buffalo, nos Estados Unidos, ja revelou três regiões anormais de DNA em mulheres afrodescendentes compartilhados por membros da mesma família. Essa descoberta levanta a hipótese de existir genes de câncer de mama ainda não descobertos e relacionados à raça. O câncer de mama hereditário corresponde de 5 a 10% dos casos da doença.
Os pesquisadores afirmaram que se essas mutações forem exclusivas dos afrodescendentes pode explicar o risco aumentado presente nas mulheres negras na pré-menopausa quando comparado a outros grupos. Os pesquisadores consideraram ainda que há mais genes anormais associados ao câncer de mama que os já conhecidos BRCA1 e BRCA2.
A pesquisa foi realizada entre os anos de 2009 e 2014 e examinou o DNA de 106 famílias de afrodescendentes norte-americanos. Entre os participantes estavam 179 mulheres diagnosticadas com câncer de mama e 76 de suas irmãs que nunca tiveram a doença. Esse estudo é semelhante à pesquisa feita em 1990 com mulheres de ascendência europeia, que levou à descoberta dos genes BRCA1 e BRCA2, que aumentam consideravelmente o risco de desenvolver câncer de mama e ovário.

Embora as mulheres afrodescendentes possam ter mutações BRCA, há suspeitas de outras mutações ligadas ao câncer de mama nessa população específica, por isso esse estudo mostra-se fundamental para a tomada de decisões no que diz respeito à prevenção do câncer de mama em populações específicas.
As mulheres afrodescendentes têm maior incidência de câncer de mama na pré-menopausa e uma taxa de mortalidade maior quando comparadas a outros grupos, como mulheres com ascendência europeia. 

Esse estudo é particularmente importante para as brasileiras, uma vez que 61% dos brasileiros brancos têm herança indígena ou africana.

Cerca de 58 mil mulheres no Brasil são vítimas do câncer de mama, segundo o Instituto Nacional do Câncer - INCA. Na região sul, 25% são acometidas pela doença, quase um quarto da população.
A cada 10 minutos, estima-se que uma mulher seja diagnosticada com a doença. Segundo pesquisas, aproximadamente 50% das pacientes atendidas pelo serviço público descobrem a doença já em estágios mais avançados, também conhecido como metastático. 

Pesquisa recente realizada pela Cancer Research UK (Pesquisas sobre Câncer do Reino Unido) e pela Public Health England (Saúde Pública da Inglaterra), as mulheres negras na Inglaterra têm quase o dobro de chances de serem diagnosticadas com câncer de mama em estaǵio avançado.
A incidência de descoberta da doença em seu último estágio é de 25% em mulheres de origem africana, 22% em mulheres de origem caribenha e apenas 13% em mulheres brancas.
Especialistas afirmam que a razão principal disso é o baixo conhecimento dos sintomas e triagem. De acordo com o Cancer Research UK, há menos probabilidade de mulheres negras irem fazer uma mamografia quando convidadas pelo NHS (o Serviço Nacional de Saúde do país).

O Outubro Rosa é o mês de conscientização sobre o câncer de mama. Ele é internacional, já que o problema ocorre com mulheres do mundo todo. É importante ensiná-las como elas podem se prevenir e fazer o auto-exame.



sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Xenia França mostra força da mulher negra no primeiro álbum solo

Xenia saiu de Candeias na adolescência, para
ser modelo em São Paulo
  (Foto: Tomas Arthuzzi/divulgação)
Por Marília Moreira


No trabalho, cantora fala de racismo e pertencimento e dialoga com sons da musicalidade da diáspora negra

Foram os filmes protagonizados por negros americanos e exibidos na Sessão da Tarde que deram a Xenia França a certeza de que era preciso ganhar o mundo quando ela ainda era muito pequena.


“Minha mãe saia para trabalhar e eu ficava em casa sozinha ouvindo rádio ou vendo TV. Tinha um fetiche por morar nos EUA desde criança, e também, sempre fui muito apaixonada por música”, lembra a cantora baiana de 30 anos, nascida em Candeias, e que tem chamado atenção na cena nacional.


O fascínio era justificado. Afinal, aqueles eram os únicos momentos em que ela conseguia ver pessoas como ela, negras, na TV. 


Nas rádios, vozes como as de Michael Jackson, Bob Marley e Lauryn Hill também exerciam muito encanto. E tinha também as referências locais. “Pra ser a pessoa que eu sou hoje, eu tinha que nascer onde nasci. Na minha infância, a gente ouvia a música do Ilê e do Olodum na rádio. Por mais que a gente não tivesse consciência, essas músicas diziam o que a gente podia ser, era orgulho puro. Essas coisas em uma criança, com mente fresca, causam um impacto tremendo”, acredita. 



Na adolescência, depois de tanto ouvir as pessoas dizerem que ela tinha de ser aventurar na carreira de modelo, Xenia decidiu se inscrever em um concurso de beleza da revista Raça. Não venceu a disputa, mas foi chamada por uma agência de São Paulo, cujo casting era de modelos negros, para trabalhar lá. Se mudou sozinha de Camaçari para a maior cidade do país aos 17 anos, em 2004, com uma única mala em que pôs todos os seus pertences.
“A maioria das agências, na época, eram focadas no padrão branco e tinham cotas para negros. Isso limitava muito o mercado. Fiquei uns três anos direto trabalhando com moda, mas não me sentia nem um pouco feliz, nem representada”, lembra, ao mais uma vez colocar em foco o racismo. “Quando eu conseguia algo e estava no estúdio fotografando, eu estava bem. Fora isso, estava sempre preocupada, não trabalhava muito. Tinha a coisa velada do racismo, então as chances eram poucas. Era muito esforço para uma recompensa muito pequena”.


Mudança
Xenia França é única mulher a integrar a
 big band paulista Aláfia, com a qual fez um mergulho
na música afro-brasileira 
(Foto: Ste Frateschi)
Foi do convívio com amigos músicos, que conheceu quando chegou na cidade, que sua carreira de cantora começou. Até então, o único contato com a música tinha sido enquanto ouvinte e também como integrante de uma fanfarra na Região Metropolitana de Salvador. “Foi o primeiro ambiente que me abriu o portal para meus ideiais artísticos”, recorda.

Em 2011, ela conheceu a galera com quem formou a big band paulista Aláfia. Xenia é a única mulher do grupo composto por outros dez músicos de diversas regiões do país - incluindo Ceará, Bahia, interior e capital de São Paulo. Juntos, eles exploram a música de terreiro, a black music carioca dos anos 70 e o funk do EUA.
Foi a música quem proporcionou a ela relacionar satisfação e recompensa com o trabalho. Não sem muito esforço.


Reconhecimento
Dividir o palco com figuras como Elza Soares e Maria Bethânia e ter seu nome listado ao lado de tantos outros que têm movimentado a cena musical brasileira, é motivo de alegria para ela. “Toda vez que acontece alguma coisa assim eu agradeço. Eu sempre falo: ‘Não dê ousadia a baiano’. Apesar de ser uma surpresa, eu trabalho muito, me esforço mesmo, e não posso dizer que não é isso que quero. Sou perfeccionista. Então, tudo isso é resultado, uma resposta do universo para dizer que eu estou onde quero”, comenta.


É dessa maneira quase obstinada que ela vê o seu primeiro disco solo como um “ritual de passagem”, no qual ela se fez “mulher de uma vez por todas”. Intitulado XENIA, o disco será lançado nesta sexta-feira pelo selo Natura Musical. E nele, ela prova o que diz em uma das faixas: “música preta sou teu instrumento vim pra te servir”.

Estão lá os sons da diáspora negra, como jazz, samba-reggae, R&B, e música de terreiro, com pitadas de música eletrônica e rock. Ao lado de três faixas autorais (Perfeita Pra Você, Miragem e Pra Que Me Chamas?, esta última já liberada no YouTube), estão outras dez de artistas como o paraibano Chico César e o baiano Tiganá Santana. No dia 27 de outubro, ela apresenta o álbum em Salvador, em um show na Arena Sesc Senac Pelourinho.
https://www.youtube.com/watch?v=vRTUoJ7dVe8 
Veja matéria completa em http://www.correio24horas.com.br/noticia/nid/xenia-franca-mostra-forca-da-mulher-negra-no-primeiro-album-solo/ 
Fonte:Correio24horas