sábado, 18 de agosto de 2018

Mulheres negras e indígenas continuam sendo minoria entre candidatas em 2018


por Mônica Aguiar

De acordo com os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) as mulheres são a minoria entre as candidaturas, representando 30,64% do total - o que é o mínimo obrigatório por meio de cotas. Entre elas, negras e indígenas são uma parcela ainda menor.  Mais uma vez, o  racismo das estruturas de poder no Brasil se revelam .

Conforme o levantamento disponível até o fechamento desta edição, o percentual de mulheres declaradas negras e indígenas representa 11,21% do total, ou seja, 3.057 de 8.362. Este ano, estão na disputa declaradas 2.927 mulheres pretas e 130 mulheres indígenas.

Apesar da expressa minoria,  inspiradas na tragédia ocorrida da com a vereadora carioca, Marielle Franco,  o cansaço da falta de oportunidades, a falta de presença dentro das direções dos partidos políticos, mulheres negras decidiram enfrentar as barreiras da discriminação racial existente na  vida política e  reforçar as bandeiras,  apontando conceitos preconceituosos, discriminatórios,  as violações dos direitos humanos e tantos outros, levando  adiante a luta deixada por Marielle e de outras mulheres negras  que fazem e fizeram parte da vida politica no Brasil. E a partir deste movimento, observamos um aumento significativo na taxa em relação à disputa de 2014, onde as candidaturas femininas negras representavam 9,58% do total - sendo 2.422 mulheres declaradas negras e 85 como indígenas.

Mas mesmo com este aumento significativo, a maioria entre as candidaturas femininas é de mulheres brancas (52%), seguida das pardas (35%).

Eleições 2014 e 2016

Nestas eleições, seis mulheres integram as chapas para a Presidência.  O número é o mesmo registrado na disputa de 2014, com o detalhe de que neste ano, a maioria delas como vices.
Já nas  eleições municipais de 2016, menos de 15% de mulheres negras concorrendo ao cargo de vereadora e menos de 1% ao cargo de prefeita. Marielle Franco fazia deste percentual de  15%.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as mulheres negras são menos de 1% na Câmara dos Deputados. Dos 513 parlamentares, 52 são mulheres, sendo 7 negras, segundo o critério do IBGE, que considera população negra a soma de pretos e pardos. 

Fontes:INESC/IBGE

Regra eleitoral não amplia candidaturas de mulheres


Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que há, em 2018, 8,3 mil candidatas, o que representa 30,64% do total.

Maioria do eleitorado brasileiro, as mulheres continuam representando uma parcela minoritária nas eleições. Mesmo com uma reserva específica de recursos para as campanhas deste ano, o número de candidatas praticamente não se alterou e a proporção oscilou negativamente em relação a 2014. 

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostram que há, em 2018, 8,3 mil candidatas, o que representa 30,64% do total. Em 2014, eram 8,1 mil, ou 31,1% de todas as candidaturas. Os números ainda serão consolidados pelo TSE até a segunda-feira, 20, mas a tendência deve se manter.

As estatísticas indicam que houve pouco impacto na alteração determinada pelo TSE neste ano, de reservar uma fatia de 30% do fundo eleitoral (maior parcela de valores destinado para as campanhas eleitorais - R$ 1,7 bilhão - e formado por recursos públicos) e do tempo de propaganda para as candidatas na disputa proporcional. 

Um levantamento feito pelo Estadão Dados apontou que elas terão 140% mais recursos do que tiveram há quatro anos - em 2014, as legendas repassaram, em média, 12,5% dos recursos disponíveis para suas candidatas a deputado federal e estadual.

Ainda assim, a expectativa entre analistas políticos é que haja um aumento no número de mulheres eleitas. Antes dessa regra, só havia a definição de que 30% das candidaturas dos partidos deveriam ser preenchidas por mulheres, mas o resultado destas eleições mostrou fortes indícios de que as siglas faziam uso de candidatas laranja, que não concorriam de verdade. 

Nas eleições de 2016, por exemplo, o TSE identificou 16 mil candidatos sem voto - 14,4 mil deles eram mulheres. Um levantamento do Movimento Transparência Partidária entre os eleitos nas disputas gerais e municipais de 2008 a 2016 também aponta tendência semelhante. 

Em 2008, antes da reserva de vagas, 9,5% das candidatas conseguiram se eleger. O índice foi para 5,3% em 2010 e 6,1% em 2012. A proporção caiu para 2,7% em 2014 e, em 2016, foi de 5 7%.

Recursos
Pesquisadores das relações entre gênero e política partidária avaliam que neste ano o maior acesso a recursos de campanha deve influir no sucesso eleitoral de mulheres. "Quando a gente coloca cotas para partidos políticos usarem mulheres, a tendência é esses partidos usarem o mínimo", disse Hannah Maruci, pesquisadora do Grupo de Estudos de Gênero e Política da Universidade de São Paulo (USP). 
"Agora a gente trata de dinheiro para campanha. Então a expectativa é que aumente o número de eleitas, principalmente no Legislativo."

A analista faz uma ressalva, no entanto, sobre o uso das verbas do fundo eleitoral destinadas às candidaturas femininas pelas legendas. 

A decisão do TSE, na prática, reservou R$ 515 milhões da reserva de recursos públicos para candidatas em 2018. No entanto, não necessariamente a verba será usada de maneira equânime para as candidatas e não está claro como os partidos podem repartir esses recursos.
 "Alguns partidos não têm claro que destino darão a esse dinheiro."

Marilda Silveira, diretora do Instituto Brasileiro de Direito Eleitoral, concorda com a avaliação de Hannah. "Dirigentes são homens e as mulheres sofreram ao longo dos anos com a redução de sua participação civil", disse. "Existe uma expectativa de aumento, mas não no Legislativo." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

fonte: Estadão Conteúdo

quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Primeira Plataforma Social especificamente voltada para população negra é lançada no Rio


Primeira Plataforma Social para população negra é lançada no ultimo dia de registro e  véspera do início da campanha eleitoral

A Rede social  indicada para a população negra Black & Black,  foi  apresentada  com a versão beta é  uma ideia do CEO da Favela Holding e divulgada por vários jornais incluindo O Globo, Odia, Fatoline .

A plataforma terá o intuito de promover uma maior interação entre negros e negras, mas o  lançamento do projeto aconteceria em 2019, mas foi antecipada a pedido de amigos empreendedores e candidatos a deputado.

A Black & Black está sendo desenvolvida pela empresa de tecnologia Plah, e, conforme seus criadores, será a primeira do mundo indicada para internautas negros construírem uma agenda integrada. Os conteúdos vão abranger as mais diversas atividades como empreendedorismo, empregabilidade, beleza, religião, política, debates, cultura, lazer e saúde.
— A plataforma Black & Balck vai dar acesso a todos os pretos que acharem que ali é um lugar onde ele possa ter visibilidade. É um público específico, fiel e que busca essas mudanças — afirma Celso Athayde, responsável pelo projeto.

Maurício Casimiro é proprietário da 'BelÁfrica', marca que comercializa brincos e acessórios para o público negro. Marjan é DJ e tem uma pequena produtora musical especializada no gênero black. Débora é escritora e sócia da 'Zambi e Sango', marca criada com um amigo africano, que comercializa tecidos e sapatos com estampas africanas. 
Em comum, eles carregam o desejo de empreender com o foco em um público específico: os negros. A partir desta quarta-feira, eles contam com mais uma ferramenta capaz de aproximar os empreendedores do seu público-alvo: a Black & Black, rede social voltada à população negra, que promete evidenciar as atividades de seus usuários.

A rapper Nega Gizza será a presidente da rede social, o objetivo é criar uma plataforma mais simples e específica para as campanhas dos candidatos.

CANDIDATOS NEGROS
Athayde vem investindo há 4 anos na B&B, que ele batizou de corrente global, cujos membros serão chamados de "elo". Quando apresentou um projeto menor para os amigos e candidatos que entenderam que não deveria existir uma rede restrita apenas para eles, mas ser ampliada para todos os candidatos negros do Brasil. Com essa plataforma, eleitores e candidatos poderão interagir sobre os mais variados temas.
— É preciso passarmos a não ter apenas o voto que é comprado, baseado na quantidade de dinheiro que um parlamentar tem. Precisamos de um voto que é baseado no compromisso e na responsabilidade, que essa grande população passa ter em promover essa inclusão na sociedade a partir do espaço político — avaliou Athayde.
O criador da nova rede social garante que o fato dela ser indicada a negros não é uma postura racista ou de segregação. Ele acredita que a B&B será uma forma dos pretos e pardos criarem mais possibilidades de união e defesa de bandeiras. Segundo Athayde, a nova rede social terá mulher negra do Candomblé, da Igreja Batista e que podem ser contra ou a favor do aborto.

— É muito importante que o Celso tenha aceitado lançar a Black & Black neste momento tão importante que vive o nosso país. Já que a rede veio com o intuito de integrar e conectar toda a população negra, então nada melhor do que integrar e conectar eleitores e candidatos já nestas eleições — disse Preto Zezé.

A partir de hoje quinta-feira (16), candidatos já poderão fazer comícios, carreatas e propaganda na internet, desde que não seja paga. Horário eleitoral na TV e no rádio só começa no dia 31 de agosto.

Fonte trechos e fotos :O Globo, Odia, Fatoline 

terça-feira, 14 de agosto de 2018

Por que faltam mulheres negras no mercado de tecnologia?

Silvana Bahia 
Por: sputniknews
Reprodução 

O setor de Tecnologia e Inovação se torna mais relevante a cada dia, no entanto, a diversidade segue sendo um problema na área. A Sputnik Brasil conversou com Silvana Bahia, que coordenou o Pretalab, uma pesquisa que mapeou e discutiu a presença de mulheres negras e indígenas no mercado de tecnologia brasileiro.

O projeto PretaLab nasceu em 2017 com dois objetivos, segundo conta Silvana Bahia. Em 1º lugar, queria mostrar às pessoas onde estão as mulheres negras e indígenas dentro do mercado de tecnologia e inovação. E em 2º lugar, criar uma campanha que incentivasse a presença de mais mulheres desses grupos sociais na área.
"A gente lança a PretaLab querendo mapear, encontrar mais mulheres, e duvidando que não tinham mulheres negras, ou que não tem mulheres negras trabalhando, lidando com tecnlogia. A intenção era mostrar que existiam essas mulheres e dizer que elas são poucas, que nós somos poucas", conta Silvana Bahia.
A pesquisa apresentada em um documento com informações multimídia traz alguns dados relevantes. Ouvindo 570 mulheres de todas as regiões do Brasil, a pesquisa aponta as dificuldades enfrentadas pelas mulheres negras para conseguir acessar tanto o ensino formal, como os cargos no setor de tecnologia e inovação. De todas as entrevistadas, por exemplo, apenas 22% acessaram o ensino formal antes de entrarem na área.
A desigualdade enfrentada pela mulher negra é fartamente documentada por institutos de pesquisa brasileiros, que demonstram que há desigualdade no acesso a áreas do mercado que exigem qualificação, como o mercado de tecnologia.
Segundo o IBGE, por exemplo, mulheres brancas tem 2,3 vezes mais diplomas de ensino superior no Brasil do que mulheres negras, sendo que somente 10,4% destas conclui o ensino superior. 
Já o IPEA, apresenta o reflexo deste quadro, em que o trabalhos de baixa qualificação formal e prestígio é acessado principalmente por mulheres negras. Através do estudo "Dossiê Mulheres Negras: retrato das condições de vida das mulheres negras no Brasil", o instituto revelou que 57,6% das empregadas domésticas no país são negras.
O estudo também revela que as mulheres negras têm menor representação nos empregos com maior seguridade social, como empregos de carteira assinada. 
Com isso, são as mullheres negras as que mais sofrem durante as crises econômicas. Desde 2014, a taxa de desemprego entre as mulheres negras saltou de 9,2% para 15,8%. O mesmo indicador entre os homens brancos passou de 4,6% para 8,5%, segundo a economista Marilane Teixeira.
"A gente dificilmente sonha com algo que a gente nem imagina que a gente pode ser"
As mulheres negras somam 27% da população brasileira, o maior grupo do país, se comparado com homens e mulheres negros e brancos. Mesmo sendo maioria, o preconceito, a discriminação, o racismo e o machismo são entraves no acesso dessas mulheres a melhores oportunidades. Segundo afirma Silvana Bahia, ver mulheres negras em atividades de alta complexidade ainda causa estranhamento no país.
Silvana Bahia aponta que essa situação se desdobra em menor acesso ao ensino formal, necessário para alcançar a qualificação exigida pelo mercado de tecnologia.
"A maioria delas teve acesso a esse conteúdo através de grupos de pesquisa, grupos de apoio, coletivos de mulheres que trabalham com tecnologia e não necessariamente pelo ensino informal", conta Silvana.
O projeto aponta em um de seu objetivos a questão da representatividade, uma pauta que busca criar espaços de representação para minorias políticas. É o caso das mulheres negras, que carecem de referências positivas no mercado de trabalho e em cargos de prestígio.
"Eu sempre falo que a gente dificilmente sonha com algo que a gente nem imagina que a gente pode ser. Então esse campo da referência é algo que a gente  também tem uma preocupoação muito grande", enfatiza a coordenadora.
E é através do olhar voltado para a mulher negra que o grupo analisa as possibilidades de mudança, partindo do pressuposto baseado nos dados oficiais de que há diferenças sociais e de oportunidades em relação às mulheres brancas.
"Pensar gênero no Brasil e não trazer esse olhar da raça, ou da etnia, é complicado porque nós sabemos que nós não partimos dos mesmos lugares das mulheres brancas", aponta.
E para além da inclusão social e ampliação da garantia de direitos de acesso aos setores sociais, abraçar a diversidade é uma forma de garantir inovação. É uma política adotada por empresas e universidades do mundo inteiro e pela qual advoga o grupo responsável pelo Pretalab.
"A gente traz um olhar diferente do que é o padrão. E isso é inovação também. Quando você consegue reunir olhares diferentes para pensar alguma coisa você provavelmente vai ter algo inovador", afirma Silvana.
Projeto oferece cursos e fecha parcerias com empresas para aumentar a inclusão
projeto Olabi, de onde partiu o Pretalab, mantém cursos e atividades com metodologias não lineares, voltados para a inclusão de mulheres negras no mercado de trabalho da tecnologia. O Olabimantém um espaço aberto no Rio de Janeiro.
O local é um makerspace, um tipo de oficina aberta que tem se espalhado por cidades do mundo. Lá, se desenvolvem atividades no ramo da eletrônica, robótica, inteligência artifical, entre outras áreas. O grupo já atendeu mais de 20 mil pessoas e levou suas descobertas a mais de 20 países.
O grupo, também coordenado por Silvana Bahia, trabalha ao lado de empresas do setor, que buscam consultorias sobre diversidade. Com essas iniciativas, além das pesquisas e de atividades com o setor público, o grupo tem conseguido mudar realidades e levar mais mulheres negras para dentro das empresas.
Silvana enfatiza que o mercado de tecnologia é cada vez mais essencial e sinônimo de poder, e que por isso mesmo, sem inclusão nesse universo a tendência é que se acentuem as desigualdades.
"O que a gente tem feito é tentado experimentar, estimular e criar espaços para que as mulheres negras possam de fato se apropriar desses conteúdos e dessas ferramentas para dar vazão às suas ideias", conclui.

A primeira mulher negra a mediar debate presidencial : Joyce Ribeiro

Joyce Ribeiro  

Principal âncora da TV Cultura conduzirá debate no dia 

20 de setembro


Uma das principais âncoras do jornalismo da TV Cultura, Joyce Ribeiro protagonizará uma cena histórica. Joyce será a primeira mulher negra a mediar um debate presidencial. Promovido pela CNBB, realizado pela TV Aparecida e transmitido pelas emissoras de inspiração católica em todo Brasil, o debate irá ao ar no dia 20 de setembro, às 21h30.
Ela também é a primeira mulher negra a assumir sozinha a bancada de um jornal diário e no horário nobre entre todas emissoras dos canais abertos.
“Em 68 anos de TV no Brasil ser a primeira mulher negra a ocupar essa posição é uma conquista muito grande”, disse em entrevista ao jornalista Leo Dias  do Midiamax.

Em entrevista ao UOL, no mes de abril, a jornalista Joyce Ribeiro que é engajada nas pautas do combate ao racismo,  falou das dificuldades enfrentadas, e de como se sente por ser uma mulher negra com um papel de destaque no jornalismo brasileiro. E  comentou sobre a falta de representatividade dos negros em posições de destaque, não apenas na televisão, mas na sociedade: 
“A gente vive um momento de tomada de consciência. Já há uma percepção de que enquanto estiver bom apenas para uns em detrimento de uma situação completamente desfavorável pro todo, não estará bom pra ninguém”, afirmou.
 ....A minha presença é sim motivo de comemoração. Mas a gente ainda está num início de processo”....

Joyce Ribeiro (São Paulo, 23 de abril de 1979), é uma jornalista formada pela FIAM, pós-graduada em jornalismo econômico e político pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Começou sua carreira na televisão em 1998, na Boa Vontade TV, da LBV, em que atuou como produtora e repórter. Na RIT, teve sua primeira experiência como apresentadora de telejornal. Desde 2 de abril de 2018 apresenta o Jornal da Cultura da TV Cultura.
Em 2018 fez o lançamento do seu segundo livro “Deixa Enrolar: a história do cacho” junto com Karina Hollo.


Fontes:midiamax/Uol/famososnaweb/mundonegro
Foto:Reprodução 

sábado, 11 de agosto de 2018

Risco de morte violenta na juventude é duas vezes maior entre mulheres negras

Dados do Ipea foram apresentados em audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara. 
Somente este ano, o número 180 recebeu mais de 73 mil denúncias de violência contra a mulher. Representante do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Antônio Lima Júnior destacou que o risco de mortes violentas para mulheres entre 15 e 29 anos é duas vezes maior para as mulheres negras. 

"Os indicadores de trabalho, renda, moradia, todos esses indicadores negativos tendem a expor as mulheres negras a um maior processo de vulnerabilização social”, informou o pesquisador.

Os números foram apresentados durante audiência pública realizada pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara nesta quarta-feira (8) para debater respostas ao feminicídio de mulheres negras. O evento faz parte das atividades marcadas para lembrar os 12 anos de vigência da Lei Maria da Penha, que estabeleceu mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher.

Lima Júnior informou que um conjunto de fatores atuam para aumentar o risco de morte incluindo as respostas que o Estado tem dado à vulnerabilização desse grupo. “O encarceramento, a passagem pelo sistema sócio-educativo na juventude, todas essas vulnerabilizações concorrem para intensificar que a morte seja um evento provável em condições precoces para as mulheres negras", explicou.

Lei Maria da Penha
A Coordenadora Nacional do Comitê Latino Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher, Soraia Mendes, reconheceu os avanços da Lei Maria da Penha, mas lamenta que as mulheres negras não estejam sendo beneficiadas.
"Nós sabemos que as mulheres são demovidas nos sistemas de justiça criminal de fazer a denúncia. A começar pela primeira porta que é a delegacia de polícia. Mas, as mulheres negras sequer chegam às delegacias de polícia porque é um espaço de um Estado que sempre lhe causou violência. Para que procurar uma delegacia de polícia se na delegacia de polícia não se vai encontrar um espaço de acolhimento? As mulheres negras desconfiam e desconfiam com razão", declarou.

Omissão
Soraia Mendes 
A representante na audiência da Associação Artemis contra a Violência Doméstica e Obstétrica, Ilka Teodoro, afirmou que o Estado também é cúmplice da morte de mulheres negras quando se omite. Ela destacou que no ano passado nasceram 162 mil bebês de mães que tinham entre 10 e 14 anos, apesar da Constituição Federal determinar que qualquer ato sexual com pessoas com menos de 14 anos é estupro de vulnerável.

A deputada Zenaide Maia (PHS-RN) lamentou que o Estado brasileiro esteja sendo omisso em relação à morte de mulheres negras em todo o país. "Nós sabemos que estão matando principalmente os pretos e pobres. A discriminação com as mulheres é muito maior com as mulheres negras e o que falta é vontade política para resolver o probelma".
A representante do Ministério da Saúde, Cheila de Lima, reconheceu que apesar dos esforços realizados pelo ministério para mapear a violência contra mulher negra, o país avançou pouco no combate efetivo.
Reportagem – Karla Alessandra Direitos Humanos Câmara 

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