sábado, 16 de junho de 2018

A primeira mulher negra eleita para a prefeitura de São Francisco,California

London Breed, eleita, fica no cargo até 2020. 

Por Mônica Aguiar

Uma vitória para a representação política de mulheres negras 

Um fato histórico, aos 43 anos, London Breed é a primeira mulher negra eleita para a prefeitura da cidade de São Francisco, na Califórnia, nesta quinta( 14). 

Com o slogan " Uma São Francisco para todos", Breed venceu o adversário Mark Leno com pouco mais de metade dos votos e se tornou a única mulher negra a comandar uma das 15 maiores cidades dos Estados Unidos ,  a segunda prefeita mulher da história de São Francisco – em 1978, a cidade foi governada pela senadora norte-americana Dianne Feinstein.

London Breed é formada em Administração Pública pela Universidade da Califórnia e foi criada em um bairro pobre, conhecido por moradias públicas. 
Mostrou-se honrada e ansiosa para iniciar o seu cargo. A sua eleição envia uma mensagem de esperança à juventude de São Francisco, especialmente a crianças que cresceram pobres como ela.

"Eu cresci em circunstâncias desafiadoras. A mensagem que isso deixa para as próximas gerações é que não importa de onde você vem, não importa o que você decide fazer na vida, você pode ser o que quiser. Nunca deixe as circunstâncias definirem quem você é", disse a nova prefeita, em coletiva de imprensa na quarta-feira (13). 

O jornal San Francisco Chronicle destacou que sua vitória é especial notável porque o 

"exagerado custo de vida expulsou da cidade grande parte da classe média negra".

As estatísticas mostram que a população negra nesta cidade é de apenas 5%, e a maior parte vive em moradias públicas, de acordo com o Chronicle. Dos 41.000 funcionários eleitos nos Estados Unidos, cerca de 2% são mulheres negras.

A vitória nas eleições garante que ela permaneça no cargo até dezembro de 2020, data em que deveria terminar o mandato de seu antecessor, Ed Lee, morto em dezembro e poderá concorrer novamente. 

Entre os desafios na nova chefe do executivo de São Francisco, estão melhorar o cenário municipal repleto de desabrigados, lixo em excesso nas ruas e lidar com o boom imobiliário, que deixou o valor de casas e alugueis nas alturas.

Breed já tinha sido presidente do Conselho de Supervisores de São Francisco - o órgão legislativo do governo da cidade - e servido como presidente em exercício após a morte do presidente Ed Lee, em dezembro. 

De acordo com site Refinery29, mais mulheres negras estão concorrendo a cargos como nunca antes, e isso inclui o governo municipal. 
Em uma reunião especial de 19 prefeitas mulheres negras em Washington, DC, em 26 de janeiro de 2018, as mulheres presentes discutiram o momento que os líderes das mulheres negras estão tendo.

"Quando penso em todas as pessoas que esses prefeitos representam e o impacto que elas podem ter no pensamento político na América, isso me surpreende", disse Toni Harp, prefeita de New Haven, CT e presidente da Associação de Prefeitos Afro-Americanos ( AAMA), disseEssence . 
"O que me ocorre é que este é apenas o começo - um começo que indica que algo mudou nos Estados Unidos. Um, que mulheres são consideradas líderes, particularmente mulheres afro-americanas, e que mulheres negras são líderes em grandes cidades e pequenas cidades [ e] são confiáveis ​​para cuidar do aparato político geral daquela comunidade ".

Fontes: UOL/BOL/Universa/Siterg/RTB/Refinery29

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Mulheres negras morrem duas vezes mais por causas relacionadas à gravidez


Elas têm acesso restrito a métodos para alívio da dor, além de maior chance de pré-natal inadequado e parto sem acompanhante

Por Aline Melo com Vanessa Lima

Diariamente, gestantes têm seus direitos violados em todas as partes do mundo. No Brasil, pelo menos cinco delas morrem ao dia por causas relacionadas à gravidez. Assim, essas mulheres deixam seus filhos para entrar nas estatísticas de mortalidade materna da Organização Mundial da Saúde (OMS), que incluiu o Brasil em uma lista de 75 países que precisam reduzir os óbitos de mães até 2030. Nesse cenário, uma história deixa de ser contada: dois terços dessas mulheres são negras, uma proporção que se mantém a pelo menos duas décadas e na qual a CRESCER pretende se aprofundar no Especial Ser Mãe Negra.

De acordo com os dados mais recentes do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em 2016, o Brasil registrou 1.670 óbitos maternos (relacionados à gravidez, ao parto ou até 42 dias após o parto). Ao considerar apenas as mortes durante a gestação ou parto, foram 493 vítimas, 311 delas, mulheres negras, o equivalente a 63%. Apesar dos óbitos terem diminuído em comparação com o ano 2014 - 9% no geral e 13% entre as mulheres negras - a disparidade ainda é alarmante.

A razão não parece ser biológica. Segundo um relatório de 2013 feito pelo Ministério da Saúde, não há uma grande diferença na distribuição das causas de morte materna entre mulheres brancas e negras. Prioritariamente, ambas morrem por hipertensão, hemorragia, infecção puerperal e aborto. Para a doutora em saúde pública, Fernanda Lopes, que estuda a manifestação do racismo na saúde e integra o grupo de Racismo e Saúde da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), a diferença está no atendimento.

“A pré-eclâmpsia é uma das grandes razões para a morte materna nos dois grupos. Ainda assim, as mulheres negras morrem 2,5 vezes mais por isso. Como essa é uma causa evitável, a questão aqui é o pré-natal da mulher negra”, aponta a especialista. A teoria é embasada no Estudo Nascer no Brasil, um inquérito nacional sobre parto e nascimento, que mostrou que as mulheres negras apresentam maior chance de terem um pré-natal inadequado, falta de vinculação com uma maternidade e ausência de acompanhante, mesmo controlando variáveis, como a questão de classe.

Além disso, de acordo com Fernanda, essas mulheres teriam acesso restrito a métodos para alívio da dor, tanto não-farmacológicos - um copo de água, imersão na água quente e massagens, por exemplo - como a analgesia peridural. Por mais absurdo que pareça, ainda há um resquício da crença de que as negras teriam maior resistência a dor, uma ideia antiga, datada do período da escravidão, quando essas mulheres eram usadas como cobaias para experimentos da ginecologia moderna. Muitos profissionais continuam reproduzindo esse discurso, como se, por isso, pudessem atuar de maneira violenta.

“Essa é uma expressão de racismo e violência de gênero. A medida que as pessoas atribuem um lugar de mais ou menos humanidade para a outra a partir da cor da sua pele e converte essa hierarquização em uma prática do serviço de saúde, elas naturalizam uma violação de direitos”, destaca Fernanda. “Quando aquela instituição que deveria estar preparada para prestar um serviço adequado para todos, opta - e é uma opção - por ser conivente com essa violação, isso se mistura à rotina. Esse é o racismo institucional”.

Para a parteira Ariana Santos, idealizadora do Sankofa, projeto que atende gestantes da periferia do Rio de Janeiro por um valor simbólico, o racismo no atendimento à saúde acaba sendo um crime perfeito. “A maioria das mulheres entende que foi maltratada, mas poucas delas ligam isso ao fato de serem negras. O que acontece no Brasil é que a gente só entende o racismo quando explícito. Quando o torcedor chama o jogador de futebol de macaco, fica muito claro mesmo. Mas esse não é o racismo que mantém a gente pobre, que faz a gente morrer”, explica.

Fonte:CRESCER 
Foto: Intenet

terça-feira, 12 de junho de 2018

Racismo marca ataque a escola quilombola no Rio de Janeiro

Escola de comunidade quilombola de Bracuí, em Angra dos Reis, já sofreu outros ataques no passado

segunda-feira, 11 de junho de 2018

Mulheres Negras debatem violência com Comissão da ALMJ

Imagem da Marcha em 2015 

Encontro foi marcado com propostas de desenvolver políticas públicas para mulheres negras

"A abolição não concluída e suas consequências para as mulheres negras". Esse é o tema da audiência pública promovida pela Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) , na sala 316 do Palácio Tiradentes , nesta sexta-feira (8/06).

Entre as presentes houve unanimidade quanto à urgência de formulação de políticas públicas voltadas para mulheres negras e á manutenção de equipamentos públicos já existentes, além do  fortalecimento do Fórum de Diálogo das Mulheres da Alerj e a reativação do Prêmio Mulher Negra Latino-americana e Caribenha entregue pela Casa.

A  deputada Enfermeira Rejane (PCdoB), presidente da Comissão de Direitos da Mulher informou que solicitará uma reunião com o secretário de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos para discutir o fechamento da Casa da Mulher de Manguinhos e um outro centro na Baixada Fluminense.

“Temos que discutir os problemas que, por séculos, as acompanham, como a violência e o racismo praticado institucionalmente, nas universidades, no sistema de saúde, nos hospitais psiquiátricos e nos presídios”, afirma a parlamentar.

 “Essa parcela da população está abaixo de todas as pirâmides sociais. Não há como comemorar 130 anos da abolição se ainda não temos os mesmos direitos. Somos iguais apenas no papel, na prática, somos discriminadas. O Estado Brasileiro continua a nos matar. Quando falamos de violência e pobreza no país, essas questões têm um rosto: o da mulher negra”, apontou Cláudia Vitalino, presidente da União de Negros e Negras pela Igualdade.

O Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio de Janeiro (FEMN/RJ) foi criado no final dos anos 80 do século passado como decorrência do processo de mobilização na realização do I Encontro Nacional de Mulheres Negras que aconteceu em Valença (RJ), em dezembro de 1988. O FEMN/RJ nasceu tendo como objetivo constituir-se em um espaço democrático de discussão e articulação política com o intuito de contribuir para o fortalecimento institucional das mulheres negras organizadas em diversos segmentos da sociedade civil. Desde então, o FEMN/RJ tem tido o compromisso de dar visibilidade às conquistas coletivas das mulheres negras e, também, às intervenções de enfrentamento às situações de discriminação racial e racismo que fazem parte, delituosamente, do cotidiano das mulheres negras pelo país.

Fonte: Saogonçalo/ALERJ

Milhares de mulheres marcham no Reino Unido em homenagem ao voto feminino


Em 1918, lei deu direito de voto a mulheres maiores de 30 anos que tinham propriedades. O voto universal só veio 10 anos depois

Milhares de mulheres marcharam neste domingo (10) nas principais cidades do Reino Unido e criaram um grande mosaico com as cores do movimento sufragista para comemorar o centenário da conquista do direito ao voto feminino e reivindicar a igualdade efetiva entre homens e mulheres.

Londres, Edimburgo, Cardiff e Belfast, as capitais das quatro nações britânicas, sediaram marchas simultâneas nas quais os participantes, levaram lenços nas cores verde, branca e violeta e marcharam em três colunas para simular um grande mosaico tricolor.

Segundo explicou Amy McNeese-Mechan, coordenadora de Cultura da prefeitura de Edimburgo, a ideia era que, do ar, fosse possível apreciar uma obra com as três cores que em inglês (green, white, violet) são o acrônimo do slogan "Give Women Vote" ("Dê o Voto às Mulheres", em tradução livre), símbolo do movimento sufragista.

"O objetivo é relembrar a luta que as sufragistas empreenderam para conseguir algo que agora parece normal, mas que foi uma ideia revolucionária em sua época", destacou McNeese-Mechan.

As principais ruas das capitais britânicas se encheram de mulheres de todas as idades que levavam uma grande variedade de cartazes, com mensagens como: "Mesmo Assim, Ela Persistiu", "Mulheres Empoderadas", "Mulheres Unidas Mudarão o Mundo" e "Poder Feminino".

A lei conhecida como "The People Act" foi aprovada pelo parlamento britânico em 1918 e concedeu o direito de votar às mulheres maiores de 30 anos que tinham propriedades, que também foram autorizadas a concorrer como candidatas nas eleições gerais.

No entanto, foi apenas 10 anos depois que o sufrágio universal passou a ser permitido a todas as pessoas maiores de 21 anos no Reino Unido. No Brasil, o voto feminino foi conquistado em 1932.

Fontes: G1/Jornaldadivisa/DW/Folhauol/Terra

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Cresce o número de mulheres negras assassinadas no Brasil


Nos últimos dez anos, os números de assassinato caíram 8% entre as mulheres brancas e aumentaram 15,4% entre as negras

Taxa de homicídio em 2016 foi de 5,3 a cada 100 mil negras e de 3,1 para mulheres brancas

Em 2016, 4.645 mulheres foram assassinadas no Brasil – um total de 4,5 mulheres mortas a cada 100 mil brasileiras. A maioria das vítimas era negra. As informações são do Atlas da Violência 2018 do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicada (Ipea) e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, divulgado na quarta-feira 6.

A taxa de homicídio naquele ano foi de 5,3 a cada 100 mil negras; e de 3,1 a cada mil 100 mil mulheres brancas. Uma diferença que chega a 71% entre as raças – e que evidencia os impactos das desigualdades raciais do País. 

Nos 10 anos de análise (de 2006 a 2016), enquanto o país matou menos brancas (queda de 8%), os homicídios entre as negras só cresceu (aumento de 15,4%).

Nesse mesmo período, a violência contra mulheres negras aumentou em 20 estados brasileiros. O lugar mais hostil a elas é Goiás – com taxa de homicídio de 8,5, o que representa uma alta de 48% nos assassinatos de negras em 10 anos. Entre as brancas, essa taxa cai para 4,1.
No ranking dos estados com maior crescimento de violência contra negras estão: Roraima (alta de 214%), Rio Grande do Norte (142%) e Amazonas (134%).

No Pará foram assassinadas, em 2016, 8,3 mulheres negras para cada grupo de 100 mil e em Pernambuco a taxa ficou em 7,2. São Paulo, Paraná e Piauí tem as menores taxas de homicídio de mulheres negras do país, com 2,4, 2,5 e 3,4 por 100 mil, respectivamente. Em sete estados houve redução da taxa no período, entre 12% e 37%.

A Vereadora Marielle Franco (Rio), exterminada 
em março de 2018
No geral, a população negra sofre muito mais com a violência. Dos 62.517 homicídios (a maior parte era de jovens de 15 a 29 anos) que aconteceram em 2016, 71,5% das vítimas eram negros – a taxa de assassinatos foi de 40,2 para a população negra e de 16 para o resto dos brasileiros.
Ao longo dos 10 anos de análise, enquanto a média de homicídio caiu quase 7% entre os brancos, a taxa de negros mortos violentamente aumentou 23%. “É como se, em relação à violência letal, negros e não negros vivessem em países completamente distintos”, explica o relatório.

Feminicídio

Segundo a publicação, a base de dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade não traz indicação sobre a motivação dos homicídios, portanto não é possível identificar o crime de feminicídio. No entanto, os pesquisadores apontam que a mulher assassinada muitas vezes já foi vítima de outras violências de gênero, como violência psicológica, patrimonial, física ou sexual e que, portanto, o desfecho fatal poderia ter sido evitado em muitos casos se as mulheres tivessem tido apoio para sair de um ciclo de violência.

A publicação traz uma análise sobre as possibilidades para estimar o número de feminicídio no país e cita metodologias desenvolvidos por pesquisadores. Uma delas busca separar os assassinatos motivados pelo fato de a vítima ser mulher em três categorias, de acordo com os indícios prévios do contexto social e doméstico da vítima: feminicídio reprodutivo, feminicídio doméstico e feminicídio sexual.

Nessa abordagem, o feminicídio reprodutivo inclui casos de morte após aborto voluntário, já que decorre de “políticas de controle do corpo feminino e de supressão da liberdade e de direitos”. O feminicídio sexual inclui os casos de agressão sexual por meio de força física, o que é tipificado no código penal como estupro seguido de morte. E o feminicídio doméstico pode ser estimado pelo local de ocorrência.

Fonte e trechos : Carta Capital/JB/Brasil247/afrobrasileiero

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