Por Mônica Aguiar
Um único dia que marca a defesa das mulheres na saúde, parece que vai virar uma colcha de retalhos de uma única cor.
Eu fico muito preocupada com a diluição do foco central durante datas importantes como o Dia Internacional da Luta pela Saúde da Mulher e diminuição de mortes maternas. Este dia é essencial para destacar e promover a conscientização sobre os desafios únicos enfrentados pelas mulheres na área da saúde, além de celebrar o pouco de conquistas nesse campo.
Se as pautas/agendas estivessem acontecendo
de forma distintas, até compreenderia. Porém, o que eu tenho observado é o aumento
da invisibilidade nas questões que são fundamentais como assimetrias raciais, determinantes
sociais e racismo na saúde.
A promoção da equidade, justiça
social, assimetrias raciais, racismo na saúde, violência obstétrica, morte previsíveis,
evitáveis e os determinantes sociais estão sendo deixadas de lado em detrimento
as discussões políticas e sociais amplas e universalistas.
As assimetrias raciais, por
exemplo, resultam em desigualdades de acesso a serviços de saúde, educação e
oportunidades de emprego, perpetuando ciclos de pobreza e exclusão. Além disso,
os determinantes sociais da saúde, que incluem fatores como condições
econômicas, educação, ambiente físico e apoio social, têm um impacto
significativo na saúde e bem-estar das populações. Mais, frequentemente não
recebem a devida atenção nas políticas públicas.
A redução do debate sobre o papel
nos Planos de Saúde e a fragmentação das discussões podem ser prejudiciais,
especialmente quando se trata de questões que afetam diretamente as mulheres de
baixa renda. Não considerar a importância destas discussões as necessidades
específicas e as realidades vividas por todas as mulheres, poderá resultar em fortalecimento
de políticas e práticas governamentais que definitivamente não cheguem adequadamente
as mulheres negras.
É essencial que o debate sobre
saúde seja inclusivo e abrangente, garantindo que as vozes das mulheres pobres
sejam ouvidas e que suas preocupações sejam levadas em consideração. Garantindo
espaços que as mulheres negras tenham acesso e condições de estar.
O dia 28 de maio é marcado como o
Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da
Mortalidade Materna. Esta data é de extrema importância para chamar a atenção
sobre a necessidade de diminuir as mortes previsíveis entre as mulheres,
principalmente em contextos relacionados à gravidez e parto. A mortalidade
materna é um grave problema de saúde pública que afeta, em sua maioria,
mulheres em países em desenvolvimento, onde o acesso a cuidados de saúde de
qualidade é restrito.
O tema dignidade menstrual está
tomando conta dos espaços onde é preciso apontar a existência da heteronormatividade
branca nas práticas racista da saúde.
A criação de agendas com temas
diversos e fragmentados é uma prática observada em muitos movimentos sociais,
onde mulheres, entre outros grupos, buscam expressar suas vozes e promover
mudanças. Essas agendas frequentemente levantam questões importantes sobre
igualdade, direitos e representatividade. No entanto, há críticas de que alguns
debates se tornam esvaziados quando não estão fundamentados em evidências
científicas robustas, o que pode enfraquecer a causa e a percepção pública
sobre a legitimidade das reivindicações.
É preciso que governos e sociedade organizada enfrente racismo “patriarcal-cis-hétero-normativo”. https://www.instagram.com/p/DYvHjEXEai4/?igsh=MThrMndjN3pyc2U2ZA==
Eu nem vou lembrar que a data de 28 de maio, foi reconhecida como Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher após várias denúncias realizadas ao Tribunal Internacional de Denúncia e Violação dos Direitos Reprodutivos, no IV Encontro Internacional Mulher e Saúde que ocorreu em 1984, na Holanda.
Em fim .... A melhoria da assistência obstétrica é
essencial para reduzir a mortalidade materna e alcançar as metas estabelecidas
pelo Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU.
Em 2025 as doenças
cardiovasculares, incluindo o infarto, são a principal causa de morte entre as
mulheres no Brasil. Embora os homens sofram mais ataques cardíacos em geral, as
mulheres apresentam maior taxa de mortalidade e menor tempo de socorro ideal,
frequentemente agravado por sintomas atípicos.
No acumulado de 2025, o Brasil
registrou 177.810 mortes por infarto (somando ambos os sexos). As doenças
cardiovasculares como um todo (incluindo infarto, AVC e insuficiência cardíaca)
foram responsáveis por cerca de 30% do total de óbitos femininos.
No meu estado Minas Gerais foi registrado
mais de 30 mil óbitos por problemas cardiovasculares no mesmo período. A mortalidade feminina por problemas do
coração é cerca de oito vezes maior do que o número de mortes causadas pelo
câncer de mama.
O impacto de várias doenças nas
mulheres é agravado por fatores de risco subdiagnosticados e diferenças
cruciais na forma como o corpo reage aos problemas cotidianos.
O prolapso vaginal (ou genital) é
outro problema sério que é preciso ser visto por ser uma condição comum na
terceira idade. Embora o SUS realize mais de 150 mil internações e cirurgias
pela doença, a alta demanda resulta em longas filas de espera. Existem grandes dificuldades
no acesso e demora nas consultas com ginecologistas e fisioterapeutas no SUS nas
UBS (Unidade Básica de Saúde). Com tanta
demora existente o agravamento do quadro passa ser inevitável. Com o passar do tempo, a musculatura e os
ligamentos pélvicos tendem a ficar mais fracos, permitindo que a descida dos
órgãos (bexiga, útero ou intestino) evolua de um estágio leve para um grau mais
avançado.
Mas o que importa. É isto que dá
ter tantos filhos. Deveria ter feito Cesária.
Vai gostar de trepar viu. É isto que
mulheres negras ouvem de vários profissionais quando buscam ajuda para o
prolapso. Frases como essas não apenas demonstram uma falta de empatia, mas
também refletem preconceitos raciais e de gênero que não têm lugar na prática
médica.
Mas, este assunto é pauta em
algum lugar . Quem vai falar sobre este assunto
Querida, participa para você reivindicar
A culpabilização injusta contra
uma mulher, especialmente contra as mulheres negras, em contextos profissionais
e políticos é um problema persistente de repasse de responsabilizadas e decisões
que estão além de seu controle ou influência direta.
O dia 28 de maio tem que
continuar sendo o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e pela Redução
da Mortalidade Materna. Esta data é de extrema importância, pois destaca a luta
das mulheres pelo direito a uma saúde integral, de qualidade e pelo bem viver.




