segunda-feira, 25 de maio de 2026

Quantos problemas nas agendas do 28 de maio. Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna


 Por Mônica Aguiar 

Um único dia que marca a defesa das mulheres na saúde, parece que vai virar uma colcha de retalhos de uma única cor.  

Eu fico muito preocupada com a diluição do foco central durante datas importantes como o Dia Internacional da Luta pela Saúde da Mulher e diminuição de mortes maternas. Este dia é essencial para destacar e promover a conscientização sobre os desafios únicos enfrentados pelas mulheres na área da saúde, além de celebrar o pouco de conquistas nesse campo.

Se as pautas/agendas estivessem acontecendo de forma distintas, até compreenderia. Porém, o que eu tenho observado é o aumento da invisibilidade nas questões que são fundamentais como assimetrias raciais, determinantes sociais e racismo na saúde.

A promoção da equidade, justiça social, assimetrias raciais, racismo na saúde, violência obstétrica, morte previsíveis, evitáveis e os determinantes sociais estão sendo deixadas de lado em detrimento as discussões políticas e sociais amplas e universalistas.

As assimetrias raciais, por exemplo, resultam em desigualdades de acesso a serviços de saúde, educação e oportunidades de emprego, perpetuando ciclos de pobreza e exclusão. Além disso, os determinantes sociais da saúde, que incluem fatores como condições econômicas, educação, ambiente físico e apoio social, têm um impacto significativo na saúde e bem-estar das populações. Mais, frequentemente não recebem a devida atenção nas políticas públicas.

A redução do debate sobre o papel nos Planos de Saúde e a fragmentação das discussões podem ser prejudiciais, especialmente quando se trata de questões que afetam diretamente as mulheres de baixa renda. Não considerar a importância destas discussões as necessidades específicas e as realidades vividas por todas as mulheres, poderá resultar em fortalecimento de políticas e práticas governamentais que definitivamente não cheguem adequadamente as mulheres negras.

É essencial que o debate sobre saúde seja inclusivo e abrangente, garantindo que as vozes das mulheres pobres sejam ouvidas e que suas preocupações sejam levadas em consideração. Garantindo espaços que as mulheres negras tenham acesso e condições de estar.

O dia 28 de maio é marcado como o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. Esta data é de extrema importância para chamar a atenção sobre a necessidade de diminuir as mortes previsíveis entre as mulheres, principalmente em contextos relacionados à gravidez e parto. A mortalidade materna é um grave problema de saúde pública que afeta, em sua maioria, mulheres em países em desenvolvimento, onde o acesso a cuidados de saúde de qualidade é restrito.

O tema dignidade menstrual está tomando conta dos espaços onde é preciso apontar a existência da heteronormatividade branca nas práticas racista da saúde.

A criação de agendas com temas diversos e fragmentados é uma prática observada em muitos movimentos sociais, onde mulheres, entre outros grupos, buscam expressar suas vozes e promover mudanças. Essas agendas frequentemente levantam questões importantes sobre igualdade, direitos e representatividade. No entanto, há críticas de que alguns debates se tornam esvaziados quando não estão fundamentados em evidências científicas robustas, o que pode enfraquecer a causa e a percepção pública sobre a legitimidade das reivindicações.

É preciso que governos e sociedade organizada enfrente racismo “patriarcal-cis-hétero-normativo”. https://www.instagram.com/p/DYvHjEXEai4/?igsh=MThrMndjN3pyc2U2ZA== 

Eu nem vou lembrar que a data de 28 de maio, foi reconhecida como Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher após várias denúncias realizadas ao Tribunal Internacional de Denúncia e Violação dos Direitos Reprodutivos, no IV Encontro Internacional Mulher e Saúde que ocorreu em 1984, na Holanda.

Em fim ....  A melhoria da assistência obstétrica é essencial para reduzir a mortalidade materna e alcançar as metas estabelecidas pelo Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU.

Em 2025 as doenças cardiovasculares, incluindo o infarto, são a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil. Embora os homens sofram mais ataques cardíacos em geral, as mulheres apresentam maior taxa de mortalidade e menor tempo de socorro ideal, frequentemente agravado por sintomas atípicos.

No acumulado de 2025, o Brasil registrou 177.810 mortes por infarto (somando ambos os sexos). As doenças cardiovasculares como um todo (incluindo infarto, AVC e insuficiência cardíaca) foram responsáveis por cerca de 30% do total de óbitos femininos.

No meu estado Minas Gerais foi registrado mais de 30 mil óbitos por problemas cardiovasculares no mesmo período.  A mortalidade feminina por problemas do coração é cerca de oito vezes maior do que o número de mortes causadas pelo câncer de mama.

O impacto de várias doenças nas mulheres é agravado por fatores de risco subdiagnosticados e diferenças cruciais na forma como o corpo reage aos problemas cotidianos.

O prolapso vaginal (ou genital) é outro problema sério que é preciso ser visto por ser uma condição comum na terceira idade. Embora o SUS realize mais de 150 mil internações e cirurgias pela doença, a alta demanda resulta em longas filas de espera. Existem grandes dificuldades no acesso e demora nas consultas com ginecologistas e fisioterapeutas no SUS nas  UBS (Unidade Básica de Saúde). Com tanta demora existente o agravamento do quadro passa ser inevitável.  Com o passar do tempo, a musculatura e os ligamentos pélvicos tendem a ficar mais fracos, permitindo que a descida dos órgãos (bexiga, útero ou intestino) evolua de um estágio leve para um grau mais avançado.

Mas o que importa. É isto que dá ter tantos filhos.  Deveria ter feito Cesária.  Vai gostar de trepar viu. É isto que mulheres negras ouvem de vários profissionais quando buscam ajuda para o prolapso. Frases como essas não apenas demonstram uma falta de empatia, mas também refletem preconceitos raciais e de gênero que não têm lugar na prática médica.

Mas, este assunto é pauta em algum lugar . Quem vai falar sobre este assunto

Querida, participa para você reivindicar  

A culpabilização injusta contra uma mulher, especialmente contra as mulheres negras, em contextos profissionais e políticos é um problema persistente de repasse de responsabilizadas e decisões que estão além de seu controle ou influência direta.

O dia 28 de maio tem que continuar sendo o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e pela Redução da Mortalidade Materna. Esta data é de extrema importância, pois destaca a luta das mulheres pelo direito a uma saúde integral, de qualidade e pelo bem viver.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Um tempo para muitos tempos

 Pôr Mônica Aguiar

A reflexão sobre o distanciamento das pessoas de 60 anos em relação ao que era considerado essencial para o crescimento humano levanta questões importantes sobre como os valores e as perspectivas evoluem ao longo do tempo.

Passa a ser natural analisar que, ao longo das décadas, as prioridades e os paradigmas sociais mudem, e muitas vezes, isso pode criar uma sensação de desconexão entre gerações.

Certamente, as mudanças das prioridades e paradigmas sociais ao longo das décadas é inevitável e faz parte do desenvolvimento humano e cultural.

Cada geração cresce em um contexto diferente, moldado por eventos históricos, avanços tecnológicos, oportunidades, acesso aos bens fundamentais e transformações culturais.

As diferentes prioridades e experiências de vida entre gerações refletem as mudanças sociais, econômicas e ambientais que ocorrem ao longo do tempo. Uma geração que cresceu em um período de estabilidade econômica pode valorizar a segurança financeira e a manutenção do status quo, enquanto outra, que enfrenta os desafios das mudanças climáticas e das desigualdades sociais, pode priorizar a sustentabilidade e a justiça social. Além disso, há aqueles que, devido a circunstâncias adversas, concentram-se principalmente na sobrevivência diária, enfrentando barreiras significativas para alcançar um padrão mínimo de vida.

 Tudo isso pode levar a uma sensação de desconexão, pois o que uma geração valoriza e considera importante pode ser visto de maneira diferente pela próxima.

As divergências de valores podem causar conflitos, mas também oferece uma oportunidade para o diálogo intergeracional, onde cada pessoa, se caso queira pode aprender e ganhar perspectivas valiosas dos outros.

No entanto, essa diferença não deve ser vista como algo negativo, mas sim como uma oportunidade para aprender e crescer com as experiências e sabedorias distintas de cada geração.

A convivência com os novos valores e pensamentos diversos origina reflexões sobre a compreensão do mundo que nos desafia e de certa forma obriga os sessentões a adaptar e expandir as próprias visões.

O tempo por sua vez esconde da humanidade a exatidão do que ocorreram mudanças significativas entre as relações humanas.  

No entanto, enquanto o tempo avança e traz consigo novas formas de interação, ele também desafia a preservação de tradições e valores que moldaram as sociedades.

Assim, caminha o tempo, escondendo as m
udanças, convidando a refletir sobre a essência das nossas relações e como elas evoluem em resposta às transformações do mundo ao nosso redor.

Portanto, é essencial buscar um equilíbrio entre respeitar o legado do passado e abraçar as inovações do presente, mantendo sempre um diálogo aberto e respeitoso entre as gerações.

Aceitar o legado do passado e entender as inovações do presente é um desafio contínuo que para muitas pessoas exige muita sensibilidade e compreensão.

As tradições carregam sabedoria acumulada ao longo do tempo, fornecendo uma base sólida sobre a qual podemos construir. No entanto, as mudanças de valores passam ser cruciais para enfrentar os desafios contemporâneos e melhorar a qualidade de vida sem distinções raciais e de gênero. Assim, ao invés de se opor aos novos valores, o ideal é promover um progresso harmonioso e igualitário que respeita e considera as histórias enquanto abraça o futuro.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

As desigualdades persistem no Brasil

 

Por Mônica Aguiar 

Falar das desigualdades no Brasil é tema recorrente e histórico.  De fato, não adianta falar deste tema sem evidencias da realidade socioeconômica. A indução do endividamento das famílias, impulsionado pelo consumismo, agrava a situação socioeconômica das familias. 

Algumas políticas governamentais, já são vistas como paliativas, pois  falham em abordar efetivamente as raízes do problema, necessitando de reformas políticas estruturais que obriguem a aceitação de ações coordenadas entre os municípios e estados.

Em 2026, o Brasil apresenta um cenário de desigualdade estrutural persistente, marcado por uma dicotomia entre a melhoria parcial de indicadores de renda de base e a concentração da riqueza no topo.

As analises com celebração dos avanços econômicos e sociais, embora importante, não aborda adequadamente questões sistêmicas profundas como o racismo e o machismo, que persistem nas relações humanas, políticas e econômicas. Essas questões são enraizadas em estruturas sociais complexas e históricas, que não são facilmente desmanteladas apenas com progresso superficial ou simbólico.

Vivemos em um mundo onde a informação é abundante e acessível como nunca antes. Com a explosão das redes sociais e das plataformas digitais, qualquer pessoa tem a possibilidade de expressar suas opiniões sobre uma infinidade de assuntos.

É muito comum encontrar pessoas falando de tudo e, ao mesmo tempo, de nada específico. Isso pode ocorrer por vários motivos, como a busca por relevância, o desejo de participar de todas as conversas ou simplesmente a falta de conhecimento e aprofundamento em temas complexos. Para navegar nesse mar de informações, é essencial desenvolver a capacidade crítica de discernir entre conteúdo superficial e aquele que é realmente valioso e bem fundamentado.

É importante que inicie o processo de analises de certos conteúdo que atuam como facilitadores, sustentadores e neutralizadores das desigualdades. A perpetuação de narrativas que reforçam estereótipos ou promovem discriminação contribui significativamente para a manutenção das desigualdades sociais, econômicas e denominadas como culturais.

A questão das desigualdades econômicas no Brasil é um tópico de intenso debate, especialmente à luz de dados contraditórios de diferentes estudos. Enquanto o IBGE aponta para uma melhoria significativa na redução da pobreza, com 17 milhões de pessoas saindo dessa condição entre 2022 e 2024, o World Inequality Report 2026 oferece uma perspectiva diferente. Este relatório destaca que, apesar da diminuição da pobreza, a concentração de renda entre os mais ricos aumentou entre 2014 e 2024. Essa aparente dicotomia sugere que, embora mais pessoas possam estar superando a linha da pobreza, a riqueza ainda está se acumulando nas mãos de uma minoria. Isso levanta questões sobre a eficácia das políticas públicas voltadas para a redistribuição de renda e a necessidade de medidas mais abrangentes para enfrentar a desigualdade estrutural.

Apesar de algumas políticas sociais terem como objetivo reduzir as desigualdades, a concentração de renda nos bolsos dos mais ricos continua a ser uma realidade. Existe um crescimento econômico sim, porém, essa riqueza adicional tende a se concentrar nas mãos de uma pequena parcela da população, ampliando a disparidade entre ricos e pobres.

A metodologia de muitos estudos, que pode incluir análises de dados de renda e patrimônio, muitas vezes contradiz visões mais otimistas de governos que avaliam com artificialidade a saída de parcela da sociedade da linha da pobreza.

Eu tenho dito sistematicamente o seguinte:- que a criação de parâmetros para definir quem pode ou não acessar benefícios sociais é tão complexo que pode, de fato, gerar consequências indesejadas, como a formação de uma camada de trabalhadoras invisíveis. Essas trabalhadoras muitas vezes ganham pouco acima do limite estabelecido para receber assistência, mas não o suficiente para cobrir suas necessidades básicas. Assim, acabam enfrentando dificuldades financeiras significativas, levando ao endividamento crescente.

As políticas públicas tem que ser desenhadas levando em consideração a realidade dessas pessoas, garantindo que os critérios de elegibilidade para benefícios sociais não excluam aqueles que, apesar de estarem empregados, ainda vivem em condições de vulnerabilidade.

Romper com padrões enraizados no sistema político pode, de fato, gerar conflitos e desafios significativos no Congresso e Senado, especialmente quando essas mudanças ameaçam interesses estabelecidos, como os das grandes fortunas. Muitas vezes, políticas ou reformas que buscam redistribuir a riqueza ou aumentar a carga tributária sobre os mais ricos enfrentam forte resistência de lobistas e grupos de interesse que têm influência significativa sobre os legisladores. Além disso, a dinâmica política é frequentemente moldada “alianças estratégicas”, que podem ser impactadas por qualquer tentativa de mudança estrutural.

No entanto, essas mudanças são essenciais para promover maior equidade social e econômica, e requerem coragem política, diálogo aberto e, frequentemente, apoio popular para serem implementadas com sucesso.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

A nossa história é um lembrete poderoso da importância da palavra solidariedade

 Por Mônica Aguiar 

As mulheres enfrentam desafios significativos nestes tempos sombrios e ditatoriais, onde direitos estão cada dia mais ameaçados e ignorados. Sob esses inúmeros regimes, a luta pela igualdade das mulheres pode se tornar ainda mais árdua, exigindo resiliência e coragem para enfrentar as contradições sociais e políticas.

As mulheres assumem diretamente o papel de sustentadoras da família, encontrando forças em meio a adversidades para prover e proteger seus filhos.

A solidariedade entre mulheres se torna cada dia essenciais para resistir e buscar mudanças. Movimentos sociais e ativismo desempenham um papel crucial na defesa dos direitos das mulheres, lutando por um futuro onde garanta o direito em sonhar em viver com liberdade, dignidade e igualdade.

Mesmo em tempos difíceis, a voz e a força das mulheres demonstram e permanecem inabaláveis, inspirando esperança e transformação de toda sociedade.

Com dignidade enfrentamos as adversidades de um mundo que muitas
vezes parece indiferente à nossas lutas. Somos sobreviventes, com cabelos brancos e marcas de uma vida de batalhas, que simbolizam a força diante das injustiças sociais e do preconceito racial.

Neste cenário onde o ódio e a discriminação não se ocultam mais, ainda assim representamos a esperança e a continuidade de gerações que buscam um futuro mais justo e igualitário. Carregamos nas mãos trêmulas não apenas os sinais do tempo, mas também a sabedoria e a coragem de quem nunca desistiu de lutar por um mundo melhor.

A nossa história é um lembrete poderoso da importância da solidariedade na construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva e respeitosa.

A proteção não é mais apenas da prole contra predadores denominados covardemente como naturais. Isto exige de nós uma vigilância constante e um estado de alerta permanente. Assim, mesmo com o cansaço dos tempos mantemos atentas.

 Esse instinto protetor é vital para a sobrevivência da nossa espécie e demonstra a força e determinação necessárias para garantir a segurança dos nossos e dos outros que nos rodeiam.  A vida nesta sociedade é um constante jogo de sobrevivência, onde a vigilância tem se tornado uma estratégia de defesa.

No ápice do cansaço, cada instante se transforma em uma eternidade, onde cada hora e segundo carregam o peso da responsabilidade de proteger vidas. Nesse cenário, cada respiração se torna um ato consciente, um breve alívio que deixa escapar o estado da alma.

O suor frio que desce lentamente pelo rosto é um testemunho silencioso das batalhas travadas, das noites insones e dos desafios superados com bravura. A exaustão não é apenas física, mas também emocional, um reflexo dos sacrifícios feitos em nome do dever. Contudo, é nesse momento de vulnerabilidade que se revela a verdadeira força, uma determinação inabalável que resiste apesar do cansaço, alimentada pela esperança e pela certeza de que cada esforço vale a pena.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Modificação de termos e conceitos históricos do movimento negro: uma nova onda ou um tsunami que nos afunda mais??

 Por Mônica Aguiar 

A questão da modificação de termos e conceitos históricos no movimento negro é muito complexa. Tais práticas podem surgir de várias necessidades, incluindo a adaptação à linguagem contemporânea, a inclusão de perspectivas diversas, ou a tentativa de ampliar o alcance e a compreensão das lutas por igualdade e justiça social. 

No entanto, transformações também podem gerar debates sobre a preservação da história e a integridade dos conceitos originais.

A linguagem é uma ferramenta poderosa na construção da identidade e na luta por direitos. Termos e conceitos históricos do movimento negro muitas vezes carregam consigo o peso de décadas de luta e resistência. Modificá-los é uma maneira de torná-los mais acessíveis ou inclusivos, mas também pode levantar preocupações sobre a perda de seu significado original, mascarar e simplificar a realidade social e econômica da população negra.

A representação das mulheres negras na mídia, em novas literaturas e artigos, tem sido frequentemente limitada a narrativas de violência, miséria e sofrimento. 

Este foco estreito não só perpetua estereótipos prejudiciais, mas também ignora as ricas experiências e contribuições que as mulheres negras trazem para a sociedade. 

Focar apenas em narrativas de violência, miséria e sofrimento cria um ciclo de estereótipos que reduzem a complexidade da vida das mulheres negras a corpos descartáveis,subalternos ou apenas resistentes.

E a criação e disseminação de palavras sem base científica, com significados distorcidos ou inventados, pode atuar como uma ferramenta linguística para tentar desqualificar, diluir ou modificar conceitos históricos e reparatórios construídos pelo Movimento Negro.

Afinal, a linguagem não apenas reflete a realidade, mas também a molda, influenciando percepções, comportamentos e relações sócio-raciais.

Nos últimos anos, o vocabulário em torno das questões sociais e raciais tem se expandido e evoluído significativamente. Palavras como "estrutural" e “interseccionalidade” ganharam destaque em debates acadêmicos e sociais, especialmente ao abordar desigualdades raciais no Brasil. 

É importante usar essas palavras com precisão e clareza, garantindo que elas realmente traduzam todas as questões das desigualdades raciais em vez de criar uma maquiagem a partir das experiências individuais. Principalmente quando precedem de uma classe que não sofre e nem muito menos passa ou passou por 1% do sofrimento que a mais ampla maioria do povo negro brasileiro já passou e passa. 

A política brasileira, como em muitos outros países, é frequentemente influenciada por conceitos e termos importados de outras nações. 

A utilização de conceitos políticos estrangeiros traduzidos ou importados para o contexto brasileiro é um fenômeno que pode, de fato, gerar percepções equivocadas sobre os problemas políticos, sociais, raciais, de gênero do país, além de atuar como mecanismo de blindagem para a responsabilidade governamental.

Nos últimos anos, observo um aumento no uso de palavras estrangeiras por jovens ativistas. Muitas vezes, essas palavras são traduzidas e utilizadas fora de seu contexto original, levando a mal-entendidos e à perda de significado. Este fenômeno levanta questões sobre a eficácia do ativismo contemporâneo, especialmente quando se trata de agregar valor histórico e científico à realidade brasileira.

A globalização facilitou o acesso a informações de todo o mundo, permitindo que ideias e palavras cruzem fronteiras rapidamente. Os jovens, especialmente, são influenciados por movimentos internacionais e pela linguagem usada em plataformas de mídia social.

As novas escolhas vocabulares frequentemente mascaram, distorcem ou simplificam drasticamente fenômenos sociológicos complexos, alterando o objeto de análise.

Palavras, com conceitos vindo de fora do Brasil. Isto é muito perigoso e não passa de moda linguística e vaidade dos que buscam lá fora o que temos em abundância no Brasil: estudos, livros, teorias e práticas reais.

O uso descontextualizado de palavras estrangeiras pode resultar em uma comunicação ineficaz e em uma compreensão limitada das questões que os ativistas pretendem abordar. Sem o devido entendimento histórico e cultural, esses termos podem perder seu impacto e relevância no contexto brasileiro.

Linguagens fortes carregadas de adjetivos, substantivos carregados de valor (fetichismo de termos) agem para moldar a opinião pública e invisibilizar os problemas raciais profundos.

O racismo é um fenômeno social que envolve discriminações e preconceitos. Ele se manifesta de várias formas, desde atitudes e comportamentos individuais até políticas e sistemas institucionais que perpetuam desigualdades raciais.


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