terça-feira, 22 de agosto de 2017

Baixa presença de negros em funções estratégicas no marketing e na publicidade

Por Karina julio

Baixa presença de negros em funções estratégicas no marketing e na publicidade gera debates em comitês de diversidade, ações inclusivas de recrutamento e até política de cotas


A temática da diversidade já é unanimidade na indústria da comunicação. Alguns subtemas já ganharam atenção em massa, como a diversidade de gênero. Agora anunciantes e agências começam a olhar, ainda que timidamente, para a inclusão étnico-racial no mercado publicitário – seja através da conscientização dos líderes, conversas com novos interlocutores e mudanças nas políticas de recrutamento e seleção.

Segundo o IBGE, negros e pardos são 54% da população brasileira, mas quase não têm representação nos quadros estratégicos dos departamentos de marketing. Uma pesquisa do Instituto Ethos divulgada em 2016 mostrou que somente 4,7% dos cargos executivos das 500 maiores empresas brasileiras são ocupados por negros. Nas agências, a ínfima atuação de profissionais negros foi confirmada pela pesquisa “A presença dos negros nas agências de publicidade”, conduzida em 2015 pela pesquisadora Danila Dourado. Na ocasião, a cada mil funcionários, apenas 35 eram negros. O estudo contou apenas três negros entre 404 executivos de alta direção em agências — ou seja, menos de 1% do total.

A invisibilidade dos profissionais negros no setor corporativo, e por conseguinte no mercado publicitário, por vezes esbarra no argumento de que é difícil encontrar candidatos em início de carreira ou já alocados, em um mercado geralmente permeado pelos mesmos círculos e onde os talentos são buscados nas melhores (e mais caras) escolas. 

“Se há um grupo com voz única na contratação, ela irá ocorrer através de seus membros, já que o QI (quem indica) é o maior fator de contratação, mais do que currículo ou empresas headhunters. As indicações acabam girando em torno de um único perfil”, ressalta Raphaella Martins, gerente de contas da J. Walter Thompson. 

Ela explica que a diferença entre um jovem criativo negro de uma comunidade e um estudante branco da Miami Ad School está na oportunidade — para este último, além do currículo mais prestigiado, é muito mais fácil adentrar os círculos sociais publicitários. Como revelado por Meio & Mensagem no mês passado, a J. Walter Thompson iniciou o projeto 20/20 que pretende alcançar 20% de presença de funcionários negros em cargos estratégicos nos próximos quatro anos.  Atualmente, todas as vagas abertas pela agência passam pela EmpregueAfro, consultoria de recursos humanos focada na identificação e indicação de candidatos negros ao mercado de trabalho.

Múltiplos Olhares 

Além das agências, alguns anunciantes já começam a despertar para as disparidades dentro de suas estruturas. Marcas como Unilever, Bradesco, Carrefour e Avon são signatárias da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, elaborada pela ONG Afrobras, que lista dez pontos que as companhias se comprometem a internalizar, cumprir e fiscalizar.

“Acreditamos que desenvolver um ambiente inclusivo é fundamental para o crescimento no longo prazo, na medida em que enriquece a dinâmica de trabalho e oferece múltiplos olhares sobre nosso negócio”, afirma Luciana Paganato, vice-presidente de recursos humanos da Unilever, que busca trabalhar o assunto junto a suas agências, recrutadores e fornecedores.

Patrícia Santos, dona da EmpregueAfro, conta que, assim como em outros ambientes corporativos majoritariamente brancos, a ausência de negros nas agências é vista como algo “normal” e geralmente não desperta a atenção em não-negros. “Em geral, o branco brasileiro vive em uma bolha, tem pouca convivência com negros durante a vida toda e acha que é natural não conviver com pessoas diferentes”, avalia. “A tendência das pessoas é contratar funcionários com quem tenham mais afinidade, mas esse argumento cai por terra quando se quer diversidade. Além disso, a pauta dos negros é interseccional, pois ao incluí-los você quase automaticamente inclui mulheres, LGBTs e pessoas de comunidades”, diz ela.

A diversidade étnico-racial pode fazer com que empresas performem até 35% melhor, de acordo com um estudo da McKinsey realizado com base em resultados e análise do board de 366 companhias globais
Ian Black, fundador da agência New Vegas, acredita que a contratação de talentos envolve uma via de mão dupla: é preciso orientar os profissionais negros do ponto de vista de networking e também minar a “preguiça social” das agências, que sempre procuram profissionais nos mesmos círculos. “Até entendo quando agências falam que abrem vagas e não aparecem pretos, mas a partir do momento em que sabem onde encontrá-los e não fazem nada, é apenas preguiça. Uma coisa é uma empresa muito pequena querer fazer uma pesquisa e não conseguir bancar a consultoria, ou ter só uma vaga para uma função importante e não poder se dar ao luxo de escolher se o profissional será branco ou negro, mas todas as grandes empresas têm dinheiro e poderiam fazer ações inclusivas”, opina. 
Hoje, é possível encontrar profissionais negros em bancos de talentos como o da Afrobras (banco de talentos afro-brasileiros), AfroProf (rede social nos moldes do LinkedIn e até páginas nas redes sociais, como Rede de Profissionais Negros e Afrotrampos.
Outra agência que está tentando promover maior diversidade é a Publicis, através do projeto Publicis Plural. “Hoje, no que se refere às questões de gênero, consideramos que estamos em um patamar satisfatório. Na questão racial, porém, embora o número venha aumentando desde que lançamos o programa, ainda há muito a evoluir para alcançar um percentual equivalente à representatividade da população negra no País”, reconhece o CEO Hugo Rodrigues. A capacitação é outro fator vital para que jovens tenham currículos competitivos e possam progredir na carreira. O Google, por exemplo, tem desde 2014 o núcleo AfroGooglers, formado por profissionais de diversas áreas da empresa. Internamente, eles promovem discussões com convidados como Carlinhos Brown e a pesquisadora Sueli Carneiro. Já para a comunidade externa, a companhia oferece coaching, bolsas de cursos de inglês — requisito básico para qualquer multinacional — e mentoria a jovens estudantes e potenciais profissionais, com encontros para para analisar currículos e treinar entrevistas para os processos seletivos. Campanha x Prática A composição do corpo de funcionários afeta diretamente a dinâmica da criação publicitária e a perspectiva diante do público afrodescendente — que movimenta R$ 800 bilhões anualmente. A febre de campanhas aparentemente inclusivas tem levado à mídia castings mais diversos à la Emicida e Karol Conka, mas a intensificação dos debates sobre a questão racial torna essencial que essa representatividade esteja também nos bastidores de criação e produção das peças.
“A população negra está se encontrando na internet e consegue se articular, e isso tem impacto no consumo. Hoje existe o movimento do consumo consciente e do ‘black money,’ de pessoas comprarem de pessoas e empresas que têm negros por trás e produzem produtos que respeitam suas características. Há uma indústria secular que foi pensada para não- negros, e agora é preciso correr atrás do prejuízo”, diz Fernando Montenegro, sócio da consultoria de mercado Etnus– que identificou que 7 a cada 10 negros não se sentem representados esteticamente nas propagandas das marcas que consomem.
“Muitas colocam a diversidade na sua ‘missão’, mas isso não sai da parede: seja porque a empresa tem uma resistência terrível em discutir qualquer coisa que fuja da sua concepção de meritocracia; seja por não acreditar na hipótese de discriminação e do racismo como elementos que têm peso sobre uma decisão e sobre o acesso desse público ao ambiente corporativo; e outras por- que simplesmente têm uma posição discriminatória muito clara, apesar de não publicizá-la”, diz José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares.
Para Ian Black, a inclusão de negros de nada adianta se a marca ou agência não estiver, de alguma forma, “fazendo negros ganharem dinheiro”. “Enquanto a gente não dividir a grana, não vai funcionar. O fato de você colocar a Karol Conka em um palco de um evento ou campanha não vai fazer com que amanhã tenha mais pretos na empresa”, provoca.

Fonte: meioemensagem 
FOTO: Divulgação

Tribunal Constitucional dá luz verde a aborto terapêutico no Chile

Depois de mais dois anos de difícil tramitação e polêmica, o Chile deixa a lista dos 18 países no mundo que proíbem qualquer tipo de aborto

O Tribunal Constitucional do Chile deu aval nesta segunda-feira,21,  ao aborto terapêutico, após rejeitar duas impugnações apresentadas por partidos conservadores de direita contra esta lei que poderá ser promulgada pela presidente Michelle Bachelet, sua principal impulsionadora.

O Tribunal (TC) rejeitou "ambos os requerimentos por seis votos contra quatro em relação às três causas de interrupção da gravidez": risco de vida para a mãe, inviabilidade do feto e estupro, declarou Rodrigo Pica, secretário-geral, na entrevista coletiva após a decisão.
Depois de mais dois anos de difícil tramitação e polêmica, o Chile deixa a lista dos 18 países no mundo que proíbem qualquer tipo de aborto, entre eles El Salvador, Honduras e Nicarágua.

Bachelet, que fez uma constante e férrea defesa do projeto que lançou em 2015, comemorou a decisão. "Nós, mulheres do Chile, reconquistamos um direito básico que é poder decidir por nós mesmas em casos extremos, particularmente casos que podem ser muito dolorosos".
Hoje ganharam as mulheres, acho que hoje mais uma vez ganhou a democracia, hoje ganhou o Chile", concluiu a socialista da sede do governo, La Moneda.

A Anistia Internacional foi outra das organizações que manifestou seu apoio em frente ao TC.
A decisão favorável à interrupção da gravidez nesses três casos levou dezenas de ativistas à porta do TC com gritos de agradecimento a Bachelet por tornar realidade uma lei reivindicada durante anos .

O fim de um longo caminho Impulsionada pela presidente, a socialista Michelle Bachelet, a lei tinha sido aprovada no início de agosto pelo Congresso e conta com 70% de apoio popular, segundo as pesquisas.

A impugnação de grupos de direita levou ao máximo tribunal, considerado por seu poder como uma terceira Câmara, a última batalha por uma lei que pôs em pé de guerra grupos cristãos e conservadores do país ao considerar que fragiliza o direito à vida daquele que está por nascer, consagrado na Carta Magna.

A fase final do trâmite no Tribunal Constitucional foi marcada pelo desfile de 135 organizações e personalidades que quiseram expor argumentos favoráveis e contrários à lei. 
Diante do tribunal, grupos a favor e contrários ao aborto participaram de longas audiências e deliberações da alta corte, que na sexta-feira adiou a aguardada decisão para prosseguir deliberando nesta segunda-feira. 

Os contrários ao aborto roubaram a cena com apresentações de teatro e dança em que havia sempre um boneco. Pelo alto-falante, reproduziam os batimentos cardíacos de um feto.
Em frente, a Miles, apoiada por dezenas de manifestantes que carregavam fotos de fetos com deformidades.
Berços vazios esbarravam em bandeiras a favor da iniciativa.Marca reformista A lei de aborto faz parte de um pacote de reformas sociais promovido por Bachelet em seu segundo mandato. Há dois anos a socialista e médica conseguiu que o Congresso - de maioria governista, mas com setores conservadores dentro de seu partido - aprovasse a união de casais homossexuais.

Em alguns dias será introduzido um projeto para legalizar o casamento homossexual, outro grande passo no país marcado pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que entre outras leis conservadoras conseguiu criminalizar o aborto terapêutico, permitido durante décadas no Chile.

Fontes: Agencia-France-Presse /Correios Braziliense

Multiplicam-se doações a grupos antirracismo após atos em Charlottesville

As doações para a Anti-Defamation League (Liga Antidifamação, em tradução livre, ADL), uma das mais antigas organizações de luta contra o racismo e o antissemitismo, se multiplicaram após os episódios de violência em Charlottesville, indicou o grupo nesta segunda-feira.
De acordo com Betsaida Alcantara, porta-voz da ADL, doações como a de James Murdoch, chefe da matriz da emissora conservadora Fox News, que há dias anunciou uma doação de um milhão de dólares, e de empresas como Apple, Uber e MGM Resorts contribuíram para aumentar em "1.000%" as somas recebidas na semana passada em relação à média semanal desde o início do ano.
A ADL, cuja sede fica em Nova York, não afirmou o montante do aumento.
O grande banco J.P. Morgan se somou nesta segunda-feira aos doadores, ao anunciar que doará um milhão de dólares que serão divididos entre ADL e o Southern Poverty Law Center, um centro de estudos sobre movimentos extremistas, segundo meios de comunicação americanos.
"Os acontecimentos de Charlottesville aumentaram a urgência de enfrentar o ódio, a intolerância e a discriminação onde quer que existam", declarou a CNN Peter Scher, encarregado na instituição de responsabilidade empresarial.
Os doadores pretendem apoiar a organização após os atos de violência durante uma marcha neonazista nesta cidade universitária do estado da Virgínia. Uma mulher morreu e outras 19 pessoas ficaram feridas por supremacistas brancos, e o presidente Donald Trump foi fortemente criticado por não condenar explicitamente a extrema direita.
O Centro Simon Wiesenthal de Los Angeles, organização de luta contra o racismo e o antissemitismo, também recebeu importantes doações, como a do ator e ex-governador da Califórnia Arnold Schwarzenegger.
Este último disse que doou 100.000 dólares em uma mensagem muito compartilhada nas redes sociais, na qual denunciou a ideologia nazista. Também prometeu uma camiseta em benefício da associação, na qual aparece o protagonista de "O Exterminador do Futuro" convocando todos a "acabar com o ódio"



segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Candidata do Piauí vence Miss Brasil e se torna a terceira negra a obter título

A nova Miss Brasil é negra, representa o estado do Piaui . 
Na noite deste sábado (19), Monalysa Alcântara foi coroada no maior concurso de beleza nacional, entre 26 competidoras, agora representará o país no Miss Universo.
Monalysa é a terceira mulher negra a receber o título na historia do concurso brasileiro.   
Em uma das frases, as pretendentes ao posto precisam responder algumas perguntas, foi aí que a representante do Piauí mostrou a que veio.
 “Minha super estratégia será ser eu mesma: uma mulher nordestina, que passou por diversas coisas, muitas dores que fizeram ser quem eu sou hoje. Vou ser eu mesma. Não tem segredo”, afirmou, quando questionada sobre como representará a beleza brasileira internacionalmente. 
Mas a atenção maior foi dada quando afirmou que é preciso combater preconceitos e o machismo .
Monalysa ainda falou sobre as dificuldades das mulheres negras enfrentam na sociedade, e se colocou pronta a ajudar a romper as barreiras existentes. 
 “Através da minha história, vou ajudar as mulheres negras a se acharem mais bonitas e mostrar que elas são capazes de seguirem seus próprios sonhos, assim como eu segui o meu”, disse
Em 2016, a vencedora foi a candidata do estado do Paraná, Raissa Santana, segunda negra a ganhar a competição.
A nova Miss Brasil tem 18 anos e é estudante de administração,  tem 1,77 m, 57 kg, cintura 69 cm, quadril 95 cm e busto 87 cm.
 Segundo a organização do concurso, Monalysa gosta de estar entre amigos e com a família, viajar para lugares com beleza natural como cachoeiras e praias. Uma curiosidade sobre Monalysa é que ela sonhava em ser cantora.
Fonte:Agorams/Folha/Globo

Machismo é questão de saúde pública, dizem mulheres reunidas em Brasília

A 2ª Conferência Nacional de Saúde Pública das Mulheres termina em Brasília com propostas para melhorar o atendimento para a população feminina do país

A 2ª Conferência Nacional de Saúde das Mulheres (CNSM) terminou neste domingo (20/8), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, com uma mensagem clara: machismo mata e adoece, e, por isso, deve ser visto como uma questão de saúde pública. Outro recado dado em alto e bom som pelas 1,8 mil delegadas presentes foi a disposição de cobrar do governo ações concretas que enfrentem o problema e melhorem o atendimento na rede pública para a população feminina. 

“Este governo vai ter muita dificuldade com as mulheres”, avisou a responsável pela Comissão de Relatoria da 2ª CNSM, Francisca Valda da Silva, referindo-se ao conjunto de propostas debatidas desde a quinta-feira, quando o ministro da Saúde, Ricardo Barros, abriu o evento sob vaias.

Quase 320 propostas devem integrar o relatório final da conferência, reunindo demandas apresentadas desde o começo do ano em conferências municipais, estaduais e, agora, referendadas em Brasília. Em 22 de setembro, a Comissão Nacional Organizadora se reunirá para produzir o relatório final, que será apresentado em outubro ao Conselho Nacional de Saúde (CNS).
  
“As mulheres têm que lutar por um atendimento melhor. O que fizemos aqui, durante a conferência, foi só mostrar como tem que ser esse atendimento”, comentou a coordenadora-geral do evento, a catarinense Carmem Lucia Luiz, que representa no CNS a União Brasileira de Mulheres (UBM) e é enfermeira sanitarista com 33 anos de experiência. “Acredito que, no mínimo, tem de ser um atendimento que considere o segmento ao qual cada uma pertence, um atendimento mais integral, que veja a mulher como um todo, que considere e respeite a diversidade da nossa realidade.”

Machismo 


Para os presentes, está claro que a questão de gênero está intimamente ligada à saúde. As relações desiguais, com a desvalorização da mulher, favorecem violências física ou psicológica, que causam depressão, condições de subsistência inadequadas, lesões corporais e morte. De acordo com os dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) presentes no Mapa da Violência 2015 - Homicídios de Mulheres no Brasil, para cada grupo de 100 mil mulheres brasileiras, eram 4,8 assassinatos, número que é o quinto pior entre os dados de 83 países. Em 33% desses feminicídios, ou 1.583 casos, parceiros ou ex-parceiros foram os autores — são quatro dessas mortes por dia no país.
  
“Machismo mata, causa doença, vira depressão, ou seja, é problema de saúde, sim”, diz o presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Ronald Arantes. “Por isso é importante uma política pública para o enfrentamento do conjunto das iniquidades”, argumenta o responsável pelo órgão do Ministério da Saúde (MS) que dá diretrizes para o Sistema Único de Saúde (SUS). Essas três instit uições estão à frente da organização da conferência, que terminará amanhã (domingo), com a apresentação de um relatório com propostas para atualização da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher.

A 2ª Conferência Nacional de Saúde da Mulher foi iniciativa conjunta do CNS, do Ministério da Saúde (MS) e do Sistema Único de Saúde (SUS). A primeira CNSM foi em 1986. Naquele ano, o MS fazia pela oitava vez a Conferência Nacional de Saúde, que se repete a cada quatro anos e já chegou à 15ª edição. Também a Conferência Nacional de Saúde do Trabalhador e a Conferência Nacional de Saúde Indígena são quadrienais e, respectivamente, já se repetiram cinco e seis vezes. “Isso, o número de edições, é revelador do quanto o problema do machismo institucional não é visto, não está sendo olhado”, aponta Arantes. “Se entende como automático que, daqui a quatro anos, terá outra conferência para mulheres.”

Fonte e foto :Correio Brasiliense

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Iº Festival de Música Autoral "Capivara TeleCaster"

Pôr Mônica Aguiar 

“Capivara TeleCaster , encontro de resistência” . São as palavras cantor e compositor  Vicente Paulo Vieira, 49 anos, 30 anos de profissão, da banda Imagem Pública, um dos organizadores do 1º Festival de Música Autoral " Capivara TeleCaster", acontece amanhã 19, em Belo Horizonte, no Centro de Referência da Juventude.

O projeto reúne nove bandas independentes do cenário do rock n’ roll: Imagem Pública, Eletrolise, Aknus, Sociedade Primata, Áspro, Auto Regimento, Reis & Trapos, Macruxa e O Plano.

Ainda de acordo com Vicente, o Festival tem como objetivo divulgar os trabalhos das bandas autorais. "Queremos que o público que não conhece, tenha a oportunidade de conhecer o nosso trabalho, contando sempre com as pessoas que nos acompanha. Existe muita música autoral de qualidade em Belo Horizonte. Estamos unindo para mostrar o novo”.

Músico Vicente Paulo Vieira
O nome escolhido para o Festival Capivara é uma homenagem ao animal capivara, símbolo de resistência em Belo Horizonte.  O projeto também perpassa por críticas sociais e pelas pessoas que fazem parte desta resistência, com o intuito de provocar a reflexão sobre a sociedade buscando a liberdade e vai acontecer de forma independente. Completa Vicente.  

As dificuldades de acessar a Lei de Incentivo a Cultura também é uma reflexão no Iº Festival. A Lei foi criada para estimular a produção cultural no país, sobretudo de artistas e grupos independentes, e os novos valores culturais encontram grandes dificuldades diante tão poucos recursos e tantas diversidades na competição e nas regras de apresentação dos projetos que podem ser periódicos.  

A LEI
Criada em 1991, a Lei de Incentivo à Cultura, mais conhecida como a Lei Rouanet, é conhecida por sua política de incentivos fiscais para projetos e ações culturais: por meio dela, cidadãos (pessoa física) e empresas (pessoa jurídica) podem aplicar nestes fins parte de seu Imposto de Renda devido. 

Serviço
·        19 de agosto 
·        12 horas às 17 horas
·        Centro de Referência da Juventude - CRJ (Rua Guaicurus, 50 - Belo Horizonte/Centro) Ao lado da Praça da Estação.
·        ENTRADA FRANCA

·        Contato 997181256 Vicente Paulo 

h Fotos: https://www.facebook.com/events/1870668549928094/permalink/1870670023261280/


quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Reforma política não contempla a inclusão de mulheres

Ocupando apenas 10% das cadeiras do Parlamento, exclusão pode aumentar com o chamado Distritão.

O relatório final da reforma política,  não traz uma linha, sequer, sobre a necessidade de aumentar a representação das mulheres no Parlamento. Deputadas apontam que o modelo eleitoral chamado distritão, aprovado em destaque na semana passada, deve contribuir para a manutenção da exclusão. 
"As mulheres são maioria da população. Somos apenas 10% da representação, aqui. Então, está claro que esse modelo exclui as mulheres do parlamento", diz a deputada federal Luiza Ferreira (PPS-MG), sobre o atual modelo em vigor. Em entrevista ao repórter Uélson Kalinovski, para o Seu Jornal, da TVT, ela diz que ela diz que, com o distritão, a exclusão das mulheres deve ser ainda maior, bem como das demais minorias. "Vai concentrar o voto naquelas grandes personalidades, em quem tem recursos para fazer campanha nos estados inteiros."
A deputada federal Maria do Rosário (PT-RS) defende que, no momento em que o texto da reforma for levado ao plenário da Câmara, seja colocada em votação a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 134/15 que reserva percentual mínimo de representação para mulheres.
Segundo a proposta, seriam garantidos a elas 10% das cadeiras na primeira legislatura, 12% na segunda e 16% na terceira. Além disso, ao menos as bancadas de cada estado deveriam ter pelo menos uma mulher. "Hoje, nós temos cinco estados que não tem nenhuma mulher", destacou a deputada.
http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=1724716

Mulheres Negras Estão Mais Expostas a Compostos Danosos em Cosméticos

Mulheres negras, latinas e asiáticas têm níveis maiores de compostos químicos relacionados a produtos cosméticos em seus organismos do que mulheres brancas, o que as deixa mais sujeitas a diversos problemas de saúde. O alerta vem de artigo de comentário publicado nesta quarta-feira no periódico científico “American Journal of Obstetrics and Gynecology”. Segundo os autores, os profissionais de saúde, em especial os que se dedicam à saúde reprodutiva, devem estar preparados para aconselhar as mulheres sobre a exposição a estes compostos por vezes tóxicos, além de lutar pelo estabelecimento de políticas que as protejam, e em especial as pertencentes a minorias étnicas, de substâncias químicas prejudiciais nos cosméticos e outros produtos de higiene.

- A pressão para atender a padrões de beleza ocidentais significa que as mulheres negras, latinas e asiáticas dos EUA estão usando mais produtos de beleza e, desta forma, estão expostas a níveis mais altos de compostos químicos que se sabem serem prejudiciais à saúde – resume Ami Zota, professora de saúde ambiental e ocupacional na Universidade George Washington, EUA, e uma das coautoras do artigo. - O uso de produtos de beleza é uma fonte crítica porém subvalorizada de danos à saúde reprodutiva e injustiça ambiental.

Zota e sua coautora, Bhavna Shamasunder, da Faculdade Ocidental de Los Angeles, destacam que a indústria de produtos de beleza tem uma receita global de mais de US$ 400 bilhões anuais e que estudos anteriores mostraram que as mulheres negras, latinas e asiáticas dos EUA gastam mais dinheiro com cosméticos do que a média nacional, principalmente porque seu marketing enfatiza um padrão europeu de beleza. Assim, elas acabam comprando produtos como cremes para clarear a pele do rosto que frequentemente contêm ingredientes como esteroides tópicos ou mercúrio, um metal tóxico, afirma Zota.

As autoras também lembram que as mulheres negras frequentemente sofrem maior ansiedade sobre  as criticas sofridas dos  cabelos, o que faz com que tenham o dobro de chances de enfrentarem pressões sociais para alisá-lo. E alisantes ou relaxantes capilares são mais passíveis de conter o hormônio feminino estrogêneo, o que pode provocar um desenvolvimento reprodutivo precoce nas meninas negras e o surgimento de tumores uterinos.

Outros estudos também já alertaram que produtos cosméticos e de higiene podem conter múltiplos compostos químicos “escondidos” que já foram ligados a problemas endócrinos, reprodutivos ou no desenvolvimento. Estas substâncias podem ser especialmente perigosas para mulheres na faixa dos 18 aos 34 anos, justamente as que mais compram produtos de beleza, numa média de mais de dez por ano. Tais mulheres e seus filhos podem então estar mais vulneráveis a estes compostos, ainda mais se a exposição ocorrer em épocas sensíveis, como durante a gestação.

A propaganda também tem encorajado as mulheres negras a usarem mais produtos de banho com mensagens que falam de sujeira e odores. Um estudo feito por Zota e colegas em 2016 revelou que, numa amostragem nacional de mulheres em idade reprodutiva, aquelas que tomavam banho com mais frequência tinham uma exposição 150% maior a uma substância danosa conhecida como DEP. Este composto químico, frequentemente encontrado em cosméticos perfumados, podem causar defeitos congênitos nos bebês e também foram ligados a problemas de saúde em mulheres, diz Zota.

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Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que mulheres negras de baixa renda são mais passíveis de viverem em ambientes com altos níveis de poluentes contaminando o ar, o solo e a água. Assim, estas mulheres não apenas usam mais produtos de beleza como podem também estarem mais expostas a compostos químicos tóxicos simplesmente por morarem em lares e vizinhanças mais poluídas.

- Para mulheres que já vivem em vizinhanças poluídas, os compostos nos produtos de beleza podem se somar a um fardo geral maior de exposição a substâncias tóxicas – diz Bhavna Shamasunder, professora do Departamento de Políticas Urbanas e Ambientais da Faculdade Ocidental. - Certos grupos étnico-raciais podem estar sistemática e desproporcionalmente expostos a compostos em cosméticos porque fatores como o racismo institucionalizado podem influenciar no uso destes produtos.

No artigo, as autoras alertam que exposições múltiplas a substâncias nos cosméticos e no ambiente se acumulam e podem interferir na saúde reprodutiva e no desenvolvimento das mulheres. Elas defendem que os profissionais de saúde ajudem a lutar por “justiça ambiental e social” se preparando para o aconselhamento sobre os riscos das exposições a estes compostos “escondidos” nos cosméticos. Elas também querem que os profissionais de saúde e pesquisadores lutem por políticas de proteção, como melhores testagens e mais transparência sobre a composição dos produtos de beleza.

Fonte e texto : O Globo


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Carla Rebelo, fotógrafa santomense vence concurso de fotografia “Water4Islands”


Carla Rebelo foi a vencedora da edição de 2017 do Concurso de Fotografia #Water4Islands, com a fotografia que demonstra uma menina de 3 anos ajudando a sua avó a buscar água todas as tardes. 

A descrição ainda acrescenta que “ ter acesso à água limpa e potável na sua própria casa daria-lhe uma hipótese melhor de aproveitar a sua infância.”

O estudo lançado no quadro do Dia Mundial da Água, contém o alerta do Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, estima que 660 milhões de crianças vão viver em regiões com escassez de água até 2040.

O evento, este ano subordinado ao tema “Porquê águas residuais?”, desafiou os fotógrafos a ilustrarem a importância da água e das águas residuais para a sua comunidade, para a natureza ou para a economia das suas ilhas. Carla Rebelo é assim convidada para estar presente na Semana Mundial da Água de Estocolmo, que terá lugar na Suécia em setembro de 2017.

A fotógrafa participou este ano no Catchupa Factory, um programa de criação artística em fotografia em Cabo Verde, em regime de residência, que contou com o curador John Fleetwood, um dos mais influentes educadores de fotografia em África. Podemos acompanhar o trabalho da Carla Rebelo no seu website e seguir a página do Instagram.

Fonte:C.Luso
Imagem: reprodução de Carla Rebelo

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Lei Maria da Penha Completa 11 Anos e Relógios da Violência' é Lançado Registrando Casos de Violência

Instituto Maria da Penha lançou campanha que faz contagem, minuto a minuto, das mulheres que sofrem violências no Brasil.


Lei Maria do Penha,  marco no combate à violência doméstica no Brasil, completa 11 anos de existência este mês de agosto e , para celebrar o aniversário da Lei ao mesmo tempo, alertar para a importância da prevenção e do combate à violência contra a mulher, várias ações estão sendo organizadas ao longo do mês, por diversas entidades feminista e institutos.

Instituto Maria da Penha  fez segunda, dia(7), lançamento da campanha de alerta sobre os números de casos de violência contra a mulher no Brasil  .

O instituto criou um site "Relógios da violência" , que faz uma contagem dos números de mulheres que sofrem qualquer tipo de violência, física ou moral , de minuto a minuto.

Além de mostrar casos de mulheres que já foram agredidas física ou verbalmente a plataforma faz também contagem das mulheres que foram insultadas, humilhadas ou xingadas; que sofreram ameaças de violência; que foram amedrontadas ou perseguidas; que foram assediadas e que até que foram vítimas de tiros.

A LEI

A Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, leva o nome da farmacêutica cearense Maria da Penha. Segundo a Organização das Nações Unidas, a Lei é a terceira melhor e mais avançada no mundo em relação ao enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.
Nesta primeira década, a legislação tornou-se conhecida. Pesquisas indicam que 98% da população brasileira já ouviu falar na Lei Maria da Penha e 70% consideram que a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos.
Segundo o Conselho Nacional de Justiça, mais de 212 mil novos processos registrando casos de violência doméstica e familiar foram abertos em 2016. E mais de 280 mil medidas protetivas foram proferidas para proteger as mulheres em situação de violência.
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER PASSOU A SER CONSIDERADA CRIME A PARTIR DA APROVAÇÃO DA LEI N. 11.340, EM 7 DE AGOSTO DE 2006, QUE FICOU CONHECIDA COMO  LEI MARIA DA PENHA
ESSA LEI CRIA MECANISMOS PARA COIBIR E PREVENIR A AGRESSÃO AMBIENTADA NA CONVIVÊNCIA FAMILIAR,  E SE TORNOU UM INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL AO LONGO DOS SEUS onze anos  DE EXISTÊNCIA.

http://www.relogiosdaviolencia.com.br/

Fontes:relogiodaviolencia/O Globo/ EBC/portalbrasil