segunda-feira, 11 de dezembro de 2017

Mães negras fazem ensaio fotográfico contra tabus da amamentação

Grupo de apoio de mães que se une para trocar experiências começou na internet
 - Reprodução Instagram/ Lakisha Cohill / HC Inc

por o Globo

‘Nós nos tornamos mais fortes e melhores e queremos que outras mulheres sintam o mesmo’, diz uma das integrantes do grupo


RIO - Apesar de tão natural, ainda há muitos tabus com relação à amamentação. Diante desses preconceitos, que, muitas vezes, impedem mães de alimentarem seus filhos em locais públicos, nove mulheres negras fizeram um ensaio fotográfico com o objetivo de desmistificar o assunto dentro de suas comunidades. As imagens poderosas - e empoderadoras - foram inspiradas em deuses: elas aparecem vestindo túnicas pretas e coroas douradas.

Uma das imagens do ensaio fotográfico -
Reprodução Instagram/ Lakisha Cohill / HC Inc

Com o ensaio, o grupo de mães que se formou pela internet espera empoderar outras mulheres negras. O objetivo também da iniciativa é que nenhuma mulher tenha vergonha de amamentar seus filhos. "Amamentar é um presente da mãe para ela, seu bebê e a terra”, diz umna legenda de uma das fotos publicadas no Instagram.

Esse é o segundo ensaio fotográfico do grupo. Tudo começou quando Angel Warren, que é mãe de um filho, fez uma publicação em sua página no Facebook.
“Amamentar, se você pode e escolheu fazer isso, é uma forma perfeita de alimentar seu bebê, independentemente de sua raça,” ela escreveu. As mães que responderam ao chamado de Angel formaram um grupo de apoio, que se chama “Chocolate Milk Mommies” (Mamães leite achocolatado, em tradução livre). Elas passaram a se encontrar com frequência, valorizando a troca de experiências. E elas tinham uma meta em particular: encorajar a amamentação na comunidade negra.
"Nós focamos a comunidade negra para empoderá-las, não para nos separarmos ou fazer com que ninguém se sinta abandonada," disse Rauslyn Adams, membro do grupo, a Cosmopolitan.

Apesar das críticas de sua família de que amamentar seu filho em público seria uma forma de “sexualização” do menino, Rauslyn conta não se importar. “Eu quero que ele fique confortável quando está comendo”, afirmou ela, que faz questão de manter a amamentação saudável do bebê, independente do lugar.

‘Nós nos tornamos mais fortes e mulheres melhores, e queremos que outras mulheres sintam o mesmo”, concluiu ela.

Em uma das imagens do último ensaio publicadas em redes sociais, a fotografa Lakisha Cohill escreveu na legenda: “Eu faço leite achocolatado. Qual é o seu super poder?”. Sua página reúne ainda outros registros das mães alimentando seus filhos.

RELEMBRANDO  por Mônica Aguiar 

Em 2011 a antropóloga Marina Barão, 29, foi impedida de amamentar seu bebê em uma exposição de arte por um segurança . O episódio foi o estopim de uma sequência de manifestações que aconteceram nas redes sociais e nas ruas.

Em maio de 2016, foi aprovado na Câmara Municipal de Belo Horizonte , lei que multa quem proibir mães de amamentarem em lugares público. A lei 1510/2015 de autoria do vereador Gilson Reis (PCdoB) prevê multa de R$500,00 a estabelecimentos que descumprirem a legislação e constrangerem as mães com bebês em período de amamentação. 

Em Campinas, no mês de agosto também de 2016, foi aprovado em unanimidade  projeto de lei que garante o direito ao aleitamento materno em locais públicos ou privados do município e aplicação de multa a estabelecimentos que constrangerem ou proibirem mães de amamentar em público no valor aproximado de R$ 930,00,  caso haja reincidência, o valor será dobrado.

São Paulo, Rio de Janeiro e Santa Catarina  são estados que contam com Lei  que garantem o direito a amamentação em locais públicos, mas  várias cidades destes estados s tem tomado uma posição de retificar a garantia e punir os estabelecimentos que não cumprem a lei existente.

Risco de vida de mulheres negras é mais que o dobro de brancas

Relatório Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência mostra que taxa de homicídios de mulheres negras é 2,2 vezes maior em 26 estados


Uma jovem negra no Brasil corre risco 2,2 vezes maior de ser morta do que uma jovem branca, segundo o , que será divulgado nesta segunda-feira, 11. Em 26 unidades da Federação - apenas o Paraná fica de fora -, a taxa de homicídios entre mulheres de 15 a 29 anos é maior entre as negras. Elas são ainda mais vulneráveis à violência em Estados como o Rio Grande do Norte, onde morrem 8,11 vezes mais do que as jovens brancas.

O estudo foi feito pela Secretaria Nacional de Juventude (SNJ) e pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco). O índice foi calculado com base na análise de dados de 304 municípios do País com mais de 100 mil habitantes. As informações utilizadas estão divididas em quatro dimensões: violência entre jovens, frequência à escola e situação de emprego, pobreza no município e desigualdade. Essa é a segunda edição do índice, que já havia sido calculado em 2015.



"A novidade é esse olhar para a questão de gênero. Mais uma vez os dados comprovam o genocídio dos jovens negros", diz Marlova Noleto, representante interina da Unesco no Brasil.

Aumento

O índice também mostra que a violência contra o jovem negro, considerando ambos os sexos, se agravou nos últimos dois anos. A primeira vez em que foi feito o estudo, em 2015, os negros - à época a faixa etária considerada era dos 12 aos 29 anos - tinham 2,5 vezes mais chance de serem assassinados do que os brancos. Nesta edição, o risco médio no País subiu para 2,7. "Houve um aumento, estatisticamente pequeno, mas muito significativo do ponto de vista social. Mostra que o Brasil não conseguiu trabalhar para reverter ou pelo menos diminuir essa situação. A violência se agravou contra esses jovens", afirma Marlova.

A situação mais preocupante é a de Alagoas, onde os jovens negros correm 12,7 vezes mais risco de serem mortos, seguida da Paraíba, onde a diferença é de 8,9 vezes. Em 24 unidades da federação, eles correm mais riscos. Apenas no Paraná a taxa de mortalidade entre brancos é superior. No Tocantins, o risco é estatisticamente semelhante e, em Roraima, não foi registrado nenhuma morte de jovem branco no período analisado, o que inviabilizou o cálculo.

Os jovens de 15 a 29 anos representam um quarto da população brasileira e estão entre as maiores vítimas de homicídios. Dados do Atlas da Violência de 2017 mostram que mais da metade das 59.080 pessoas mortas por homicídios em 2015 era jovem (54,1%). Entre as vítimas, 71% eram negras (pretas e pardas) e 92% do sexo masculino.

No relatório, Francisco de Assis Costa Filho, secretário nacional de Juventude, observa ainda que o índice é um importante instrumento de análise das condições de vida dos jovens para a formulação de políticas públicas para esse grupo. "Os resultados apresentados permitirão desenvolver ações mais direcionadas e focadas sobretudo nos jovens homens e mulheres negros, contribuindo para a redução das assimetrias de gênero e para o combate ao racismo no Brasil."

Marlova diz que os dados estão ligados a outras informações que comprovam a desigualdade. "O IBGE mostra que negros ganham 59% a menos e são 70% da população que vive em extrema pobreza. Embora a sociedade em geral diga que não há racismo no Brasil, os números mostram o contrário." As informações são do jornal.

O Estado de S. Paulo
Fonte: em.com.br

Maioria das mulheres processadas por aborto no RJ é negra, pobre e já tem filho

Isabela Vieira* - Repórter da Agência Brasil

Pelo menos 42 mulheres que fizeram aborto no estado do Rio de Janeiro entre 2005 e 2017 foram processadas e respondem a processo criminal pela prática, segundo levantamento da Defensoria Pública do estado divulgado em meio à campanha dos 16 Dias de Ativismo Contra a Violência de Gênero.
De acordo com o Código Penal, o aborto é crime no Brasil, com pena de um a três anos, salvo em situações em que há risco de vida para a mulher ou para o feto e em casos de estupro.
O estudo definiu o perfil das mulheres que respondem à ação por terem recorrido ao aborto para interromper uma gravidez indesejada: a maioria é negra ou parda, têm entre 22 e 25 anos, já são mães, vivem na capital ou na Baixada Fluminense e não têm antecedentes criminais.
“É preciso evidenciar que a criminalização incide sobre um grupo bem específico de mulheres, a quem os mais diversos direitos são negados, provocando discriminação”, disse a coordenadora de Defesa dos Direitos da Mulher da defensoria, Arlanza Rebello.
Além do processo na Justiça, essas mulheres, em geral, tiveram que enfrentar agressões físicas e psicológicas por causa do aborto, inclusive no serviço de saúde, segundo a Defensoria Pública.
De acordo com a coordenadora da pesquisa, Carolina Haber, os processos mostram que a maioria recorreu ao aborto por desespero. “Muitas delas já têm filhos. Então, [fazem] porque não têm a menor condição de cuidar [de outro filho], porque estão em um relacionamento que está acabando e o pai também não tem condições, ou ainda porque a situação financeira é precária”.
Em todo o Brasil,  segundo o Instituto Anis de Bioética, cerca de 500 mil mulheres fazem o aborto clandestino por ano.

Abordagem policial
Entre os casos analisados pela Defensoria Pública do Rio de Janeiro para a pesquisa, boa parte é de mulheres que abortaram sozinhas, no banheiro de casa, com o uso de chás e medicamentos. Essas condições acabam levando a complicações que as obrigam a procurar os serviços de saúde. “A mulher que toma o remédio, ela não teve dinheiro para pagar uma clínica, ela demora para tomar uma decisão, tem dificuldade de comprar o remédio. Aí ela já está em estado avançado de gravidez e acaba indo para o hospital no momento que teve uma complicação. Lá, ainda é hostilizada”, destacou Carolina Haber.
Um dos processos trata de um caso ocorrido em 2008 no Hospital Municipal Souza Aguiar, no centro do Rio, em que um policial militar se passou por assistente social para obter uma confissão de uma mulher que fez aborto e depois deu voz de prisão a ela. Procurada, a Polícia Militar não comentou o caso.
Em outro episódio, no Hospital Municipal Miguel Couto, em 2010, uma mulher também recebeu voz de prisão de um PM que atuava na unidade após atendimento médico por aborto. E situação semelhante ocorreu no Hospital das Clínicas de Jacarepaguá, unidade privada, em 2011. Atualmente sob nova direção, o hospital respondeu que dados clínicos são preservados pelo sigilo médico.
O sigilo entre profissionais de saúde e pacientes é uma recomendação dos órgãos de classe e da Secretaria Municipal de Saúde. Em nota, a pasta disse que orienta as unidades a atender  “em situação de abortamento indiscriminadamente”, independentemente de o aborto ter sido espontâneo ou provocado e a informar a paciente sobre planejamento familiar.

Clínicas clandestinas
Entre as 42 mulheres que respondem a processo, algumas delas fizeram o aborto em clínicas clandestinas. Nesses locais, em geral, as mulheres têm condições menos críticas de atendimento e assistência dos que as que optam por procedimentos caseiros para interromper a gravidez.
De acordo com o levantamento, as mulheres que procuram as clínicas abortam com menos de 12 semanas de gravidez, o que, segundo a Defensoria Pública, indica que aquelas em condições de pagar pelo procedimento tomam a decisão com mais rapidez, submetendo-se a menos riscos que as mulheres mais pobres, que costumam abortar em casa.

Famílias criminalizadas
Além das mulheres que fazem aborto, muitas vezes o processo judicial recai sobre parentes e pessoas próximas. Um dos casos citados pela Defensoria Pública no levantamento envolve a mãe de uma adolescente que comprou remédio para que a garota pudesse abortar. A pena para essa mãe neste caso pode ser a mesma para a aplicada a exploradores que obrigaram gestantes a tomar abortivos, a introduzir objetos no corpo ou que agrediram a mulher com socos, chutes e pontapés para forçar a expulsão do feto do corpo e interromper a gestação.
Em outro caso citado no estudo, um homem não aceitou a gravidez de sua parceira e a sufocou até que ela abrisse a boca para ingerir comprimidos de Citotec, um abortivo conhecido, contra sua vontade. “Esse é o nível da violência física e psicológica da mulher que aborta”, destaca Carolina Haber, coordenadora da pesquisa.

Medo do processo
Por não terem antecedentes criminais, as rés processadas no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro conseguem responder as acusações em liberdade. Mais da metade delas não tem advogados particulares e são assistidas pela própria Defensoria Pública.
O número de processos deste tipo preocupa profissionais especializados em saúde da mulher. A médica sanitarista e ex-presidenta do Comitê de Mortalidade Materna do Estado do Rio de Janeiro Tizuko Shiraiwa diz que o dado é um alerta e destaca que o aborto clandestino é uma das cinco principais causas de morte materna.
Um dado que preocupa os especialistas é o fato de, em alguns casos, a investigação contra as mulheres que fizeram aborto ter partido da rede de saúde ou de familiares que pediram ajuda para socorrer a mulher em casa. “Quando vemos que a mulher procura o hospital e do hospital ela pode sair presa, ela pode não buscar socorro, ou não buscar a tempo, aumento o risco dela morrer”, destacou Tizuko Shiraiwa. Segundo ela, as denúncias dentro da rede criam uma situação de medo e maior risco para mulher.

Alternativas 
Para impedir a condenação das mulheres que respondem a processo no Rio por aborto, a Defensoria Pública tem proposto acordos para suspender as ações, mediante o cumprimento de condições como a notificação de mudança de endereço e impossibilidade de a ré mudar de estado.
No Rio de Janeiro, os abortos autorizados pela lei – em casos de risco de vida para a mulher ou para o feto ou por estupro – são realizados em todas as maternidades da Secretaria de Saúde, de acordo com o órgão. A unidade de referência no estado para esses casos é o Instituto Municipal da Mulher Fernando Magalhães, em São Cristóvão, na zona norte da capital fluminense.

quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Brasileiras apresentam História de Empreendedoras no Mundo na Web Summit

Por Luciana Quaresma, Correspondente da RFI em Lisboa
Taciana Mello (esu) e Fernanda Moura, idealizadoras do projeto
 "The Girls on the Road", apresentado no Web Summit, em Lisboa.

Brasileiras que percorreram o mundo atrás de histórias de mulheres empreendedoras contaram a experiência na Web Summit 2017, em Lisboa. O projeto “The Girls on the Road” foi um dos destaques da maior feira de tecnologia do mundo que aconteceu nesta semana, de 5 a 8 de novembro, na capital portuguesa. 

As brasileiras Fernanda Moura e Taciana Mello deixaram suas carreiras corporativas e decidiram viajar pelo mundo para contar histórias de mulheres empreendedoras. 
O registro destes encontros faz parte do projeto “The Girls on the Road”, que será transformado em um documentário e em livro.

A dupla foi convidada para contar essa experiência na Web Summit 2017. Taciana Mello disse à RFI que foi uma chance falar no evento: “vir para a Web Summit para falar sobre o que as mulheres tem feito é uma chance porque eu acho que a gente fala muito pouco sobre empreendedorismo feminino e, mais do que nunca, é necessário atrair mais mulheres à economia em várias posições incluindo a de empreendedora. Participar como mentoras de jovens empreendedoras e dividir um pouco da nossa experiência ao redor do mundo”, diz Taciana. 

A dupla quer que essa experiência também seja uma fonte de inspiração para outras mulheres. “A gente tem que ter mais mulheres em eventos como esse. O Web Summit já deu um grade passo mas ainda não está próximo do ideal, pois nas principais arenas a maioria dos palestrantes é homem, mas quem sabe nestes próximos anos a gente vai ver mais e mais mulheres nas principais arenas”, acredita Fernanda. Moura.
Origem do projeto 
A ideia do projeto surgiu depois da dupla constatar que a falta de exemplos de mulheres bem-sucedidas é um dos fatores que contribuem para que não haja mais empreendedoras. Foi por esse motivo que Fernanda e Taciana decidiram ir em busca de mulheres que conseguiram quebrar barreiras. As brasileiras entrevistaram 334 pessoas, em 24 países dos cinco continentes, durante 15 meses. 
“A gente costuma dizer que as nossas referências são as 334 mulheres que a gente entrevistou. Toda história é importante. Cada uma delas trouxe alguma coisa que é relevante, que vai servir de inspiração e de aspectos práticos também para outras mulheres. Mas a gente gosta de dar destaque para aquelas que são de lugares mais distantes da nossa realidade, como por exemplo, Oriente Médio. 
E quando a gente pensa em mulheres muçulmanas, e que também são empreendedoras, vem muitos estereótipos na nossa cabeça. Nós entrevistamos mulheres empreendedoras no Líbano, na Jordânia, Palestina e até na Faixa de Gaza. 
São mulheres que praticam sua fé, de véu, mas que tentam construir seus negócios para melhorar as condições de vida da região onde vivem, usando as dificuldades que elas têm para criar oportunidades!”, explica Taciana Mello. Apesar de as entrevistadas terem cultura, origem e religião completamente distintas, as mentoras do projeto perceberam que todas elas tinham algo em comum.
 Segundo Taciana,“ se tiver uma palavra para resumir algo em comum em todas elas, é garra, determinação, tendo muito claro onde elas querem chegar. A gente viu isso em mulheres destes 24 países com culturas muito distintas mas vivendo os mesmos desafios. Todas mostrando muita garra, muita força!”. 
Fernanda completa dizendo que também “ sem dúvida, resiliência, vontade de crescer e ambição!” “A gente acredita que contar essas histórias é uma forma extremamente relevante da gente mudar a atitude e a percepção das pessoas”, concluiTaciana. O documentário e livro “The Girls on the Road” será lançado no próximo ano.

Mulheres passaram 40 anos sem poder jogar futebol no Brasil

Futebol e outros esportes que exigem força foram proibidos por décadas, alegadamente por irem contra a “natureza feminina”


Às mulheres não se permitirá a prática de desportos incompatíveis com as condições de sua natureza, devendo, para este efeito, o Conselho Nacional de Desportos baixar as necessárias instruções às entidades desportivas do país”, dizia o decreto-lei 3.199 de 14 de abril de 1941. O artigo foi criado durante a Era Vargas e vigente até 1983. Durante todo esse tempo, ele proibiu, dentre os esportes considerados masculinos, a prática do futebol feminino no Brasil.
Conselho Nacional de Desportos proibiu jogos de futebol feminino em todo o País,
 com a justificativa de que “aquele esporte não combinava com a formação
física do belo sexo”. Na imagem, a equipe do Corinthians
de Pelotas, na década de 1950,-
Foto: Divulgação via Futebol Feminino do Brasil

Para entender como essa proibição foi possível, a historiadora Giovana Capucim e Silva estudou o caso em seu mestrado, recorrendo a documentos e jornais da época.
Sua dissertação se transformou no livro Mulheres Impedidas: A proibição do futebol feminino na imprensa de São Paulo, publicado pelo selo Drible de Letra, da editora Multifoco.
Com sua pesquisa, Giovana quer destacar que, mesmo com a proibição do esporte no País, as mulheres nunca pararam de jogar futebol. Seja na várzea ou em eventos de caridade, elas sempre desafiavam a tensão entre a “essência feminina” idealizada pela Era Vargas e a reafirmação da masculinidade presente nos jogos.
“A resistência do Estado, muitas vezes, era o menor obstáculo que elas encontravam para poder jogar futebol”, escreve a historiadora. “Os olhares e comentários repressores recebidos das famílias, amigos e companheiros(as) podiam pesar-lhes muito mais do que qualquer resolução de órgãos estatais”.
Após quatro décadas, a regulamentação do futebol feminino veio em 1983 graças à luta de jogadoras e a relevância econômica internacional. A proibição, no entanto, tem reflexos negativos no esporte até hoje, como o pouco incentivo ao futebol feminino e a falta de patrocinadores.
Fonte: USP

Presidência do Fórum de Juventude dos Países de Língua Portuguesa é Assumida pelo Brasil

(Imagem: Reprodução Revista Zunta Cloçon)

“Investir na Juventude” foi o tema da Semana da Juventude da CPLP  que decorreu em finais de novembro em Cascais, uma vila portuguesa, que abraçou a iniciativa no quadro do programa Cascais 2018 – Capital Europeia de Juventude.

O evento foi organizado pelo Fórum da Juventude da CPLP (FJCPLP) em articulação com a CPLP, e reuniram jovens dos nove Estados membros.

 O encontro  teve como objetivo o  aprofundamento do intercâmbio cultural e político entre os jovens, debatendo o papel da juventude no desenvolvimento estratégico do espaço lusófono e da agenda 2030 e a partilha de boas práticas de cooperação no espaço.  

Estiveram presentes diversas organizações de juventude oriundas dos países de língua portuguesa. Momento de envolvimento e conhecimento mútuo  e organizações de juventude, bem como de reflexão sobre o papel da cooperação no setor da juventude para a construção da comunidade.

Em paralelo aconteceu  a reunião de trabalho e a Assembleia Geral do Fórum de Juventude da CPLP, destinadas aos membros do FJCPLP, que são os líderes dos Conselhos Nacionais de Juventude de Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Portugal, São Tomé e Príncipe.  Timor-Leste foi o único país ausente. 

Também foi a oportunidade para a assinatura da constituição formal do Fórum, que decorreu na sede da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.

O Brasil foi eleito para a presidência do Fórum de Juventude dos Países de Língua Portuguesa, para os próximos dois anos, tendo Guiné-Bissau na Vice-Presidência.    Marcus Barão, vice-presidente do Conselho Nacional da Juventude (Conjuve), assumiu a tarefa de  trabalhar em uma agenda com planos concretos  que “viabilizem a mobilidade na comunidade e o fortalecimento de cada conselho da juventude em cada uma dessas comunidades”.


Ainda enquadrado na semana da juventude da CPLP, foi organizado na sede da organização uma conferência denominada “Mobilidade Académica e Juvenil na CPLP – Desafios e Soluções”, com intuito de contribuir para uma maior mobilidade na comunidade, mediante o levantamento e partilha de obstáculos e ações empreendidas para ultrapassá-los, no sentido de partilha de boas práticas empreendidas por variados atores sociais. 

Fonte: Conexãolusofona

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

A realidade do assédio no mercado de comunicação para as mulheres


Uma pesquisa realizada pelo Grupo de Planejamento em parceria com o Instituto Qualibest durante o mês de outubro de 2017 aferiu que 90% das mulheres e 76% dos homens que trabalham nesta área já experimentaram algum tipo de assédio, seja moral ou sexual.
O estudo “Hostilidade, silêncio e omissão: o retrato do assédio no mercado de comunicação de São Paulo” obteve respostas e avaliações de 1.400 profissionais de agências, produtoras e veículos de imprensa da capital e região metropolitana do estado.
Em relação a outras áreas, a diferença é grande: o mercado de trabalho em geral possui um índice de 52% de profissionais já assediados, segundo uma pesquisa do site Vagas.com.
A percepção de que há assédio na categoria é generalizada: quase 100% dos profissionais consultados concordam com a afirmação. Enquanto 89% das mulheres afirmam que o assédio moral é frequente, 85% dos homens se veem na mesma situação. Já o assédio sexual é recorrente para 67% das mulheres e 52% dos homens.
O levantamento ainda apontou que o assédio é um problema estrutural, parte de um ciclo em diferentes níveis hierárquicos: 22% dos estagiários e assistentes apontaram assédio por parte de presidentes e sócios das empresas, enquanto diretores — com cargos intermediários e de contato imediato com as equipes — afirmam em sua maioria (83%) ter sido assediados pelos seus superiores, enquanto também são citados como agressores por 63% do restante dos profissionais ouvidos.
Assédio Sexual
A questão do assédio sexual atinge, principalmente, as mulheres. Uma a cada duas (51%) já passou por uma situação do gênero no trabalho, sendo que 39% dos casos envolveram contato físico. Entre as profissionais da área de criação, 64% já foram assediadas sexualmente.
Os homens são os principais agressores sexuais; não importa o gênero do profissional agredido. 9% dos homens afirmam ter sofrido assédio sexual, mas, deles, 72% foram assediados por outros homens.
A violência tem impacto direto na saúde dos profissionais: 62% das mulheres ouvidas e 51% dos homens afirmam ter sofrido algum sintoma por causa de assédio moral. Os mais comuns foram: crises de choro; ansiedade; sentimento de inutilidade; depressão; abuso de bebida alcoólica; diminuição de libido e ideação suicida.
Ainda de acordo com a pesquisa, a cultura da hostilidade é alimentada pela relação com clientes, que perpetuam o assédio moral e são responsáveis por um terço das histórias relatadas. Prazos impossíveis, pressão intensa, extensão indevida do horário de trabalho estão entre as situações mais frequentes.
Os departamentos de Recursos Humanos das empresas são vistos como ineficientes pelos entrevistados e raramente são procurados para resolver os casos. 12% das mulheres e 8% dos homens que sofreram assédio moral afirmaram que procuraram esta alternativa. Estes números caem para 3% e 7% em casos de assédio sexual. 87% de todos os ouvidos afirmaram ainda nunca ter recebido orientações de seus empregadores sobre como lidar com assédio e apenas 5% encontraram nas companhias um canal direto para denúncia.
Fonte: Ag. Patrícia Galvão

sábado, 2 de dezembro de 2017

Rede de hipermercado é condenada a pagar multa de R$ 458 mil por racismo contra uma Criança

O rede de hipermercado Extra foi condenada a pagar uma multa de 458.240 reais por constrangimento a uma criança negra de 10 anos, que foi obrigada a comprovar o pagamento de suas compras na unidade na Marginal Tietê, em São Paulo. 
A empresa recorria de uma decisão judicial anterior, mas o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ/SP) decidiu manter a penalidade.

O fato aconteceu em 13 de janeiro de 2011, quando um funcionário levou o menino negro, desacompanhado de um responsável, para uma sala reservada a fim de que prestasse esclarecimentos sobre "um possível furto". Mesmo depois de apresentar a nota fiscal, a criança foi mantida no local. 

racismo

A ação contra a rede foi movida pelo Procon-SP. No relatório, o órgão argumenta que o hipermercado se aproveitou “da inexperiência da criança”, para tirar a liberdade do mesmo.

Para a relatora do processo, Flora Maria Nesi Tossi Silva, ambas as entidades são parceiras de negócio: “não se pode, portanto, pretender isentar de responsabilidade, sob argumento de quem seria o administrador da sede onde ocorreram os fatos”.]

No mesmo acontecimento, o Extra foi acusado pelo crime de racismo e segregação da pessoa negra. 

Diante disso, a rede alegou não poder ser julgada duas vezes pelo mesmo caso, além de apontar inconsistências nas provas e contradições nos depoimentos das testemunhas.

“A impugnação da empresa autora, limita-se, basicamente, a afirmar que as crianças estariam mentindo e que seus funcionários estariam falando a verdade. Ocorre, no entanto, que a materialidade e autoria do crime de constrangimento ilegal, cárcere privado e injúria foram devidamente apuradas em inquérito policial”, ressaltou Flora.

Contatada pelo InfoMoney, a rede de hipermercados esclarece “que repudia qualquer atitude discriminatória e que tem na diversidade uma importante alavanca social e
econômica, respeitando a todos os seus clientes, colaboradores e parceiros”.

Mas sobre o caso em questão não pode comentá-lo, porque ainda está em andamento
Fontes: informoney/ IG/Minas Gerais

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030

As mulheres negras no Brasil são 55,6 milhões, de acordo com os dados de 2015 extraídos do Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, chefiam 41,1% das famílias negras e recebem, em média, 58,2% da renda das mulheres brancas. 
De acordo o Infopen Mulher, em cada três mulheres presas, duas são negras num total de 37, 8 mil detentas – quantidade que se elevou em 545%, entre 2000 e 2015, . Entre 2003 a 2013, houve um aumento de 54% no número de assassinatos de mulheres negras enquanto houve redução em 10% na quantidade de assassinatos de mulheres brancas. No quadro diretivo das maiores empresas no Brasil, as negras são apenas 0,4% das executivas – apenas duas num total de 548 executivos e executivas.
Em atenção à situação das mulheres negras brasileiras, a ONU Mulheres Brasil está desenvolvendo a estratégia “Mulheres Negras rumo a um Planeta 50-50 em 2030”, articulando o advocacy público de compromissos nacionais em favor do Marco de Parceria das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021, que adota como diretriz o enfrentamento ao racismo e a eliminação das desigualdades de gênero no País, baseada na Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável e na Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024).
O instrumento apoia o desenvolvimento de políticas públicas por meio da cooperação técnica da ONU Brasil como o governo brasileiro, além de ações com empresas e universidades, como estabelecem o Plano de Ação de Durban e o Plano de Ação de Pequim.
Em 2015, a ONU Mulheres apoiou a realização da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver. Na ocasião, a subsecretária Geral da ONU e diretora executiva da ONU Mulheres, a sul-africana Phumzile Mlambo-Ngcuka, esteve presente à manifestação de 2015.
A estratégia Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030 tem como objetivo visibilizar as mulheres negras como um dos grupos mais vulneráveis e prioritários na promoção da igualdade de gênero e no enfrentamento ao racismo. Conta com o apoio das organizações de mulheres negras, youtubers e blogueiras negras, além de apoiadoras públicas.

KENIA MARIA – Defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres Brasil
A ONU Mulheres Brasil nomeou a atriz, escritora e roteirista Kenia Maria como Defensora dos Direitos das Mulheres Negras, em apoio à Década Internacional de Afrodesdescendentes (2015-2024) e à iniciativa global Por um Planeta 50-50 em 2030: um passo decisivo pela igualdade de gênero no marco da Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável. No Brasil, esses marcos estão aglutinados na estratégia Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030, lançada, em março de 2017, pela ONU Mulheres no País.

TAÍS ARAÚJO – Defensora dos Direitos das Mulheres Negras da ONU Mulheres Brasil
Por ocasião do #JulhoDasPretas 2017– período de mobilização do movimento de mulheres negras em decorrência do 25 de Julho, Dia da Mulher Afro-latino-americana, Afro-caribenha e da Diáspora –, a ONU Mulheres Brasil nomeou Taís Araújo como defensora dos Direitos das Mulheres Negras. A atriz passa a apoiar a visibilidade das mulheres negras como um dos grupos prioritários do Plano de Trabalho da ONU Brasil para a Década Internacional de Afrodescendentes, alinhado com o princípio de não deixar ninguém para trás, focando nos grupos em situação de maior vulnerabilidade, preconizado na Agenda 2030 e nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) e ressaltado no Marco de Parceria para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021. Estes princípios estão aglutinados na estratégia de comunicação da ONU Mulheres Brasil Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030.

Fonte: ONUMULHERES

Mulheres ganham 16% a menos do que os homens na Europa

Por Agência Brasil 

A igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres é um dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável para o mundo, a ser alcançado até 2030. No entanto, ainda está longe de ser realidade. A pesquisa Eurobarômetro 2017, faz pela Comissão Europeia e divulgada esta semana, mostrou que ainda há trabalho a fazer em prol da igualdade entre homens e mulheres na Europa.
O Eurobarômetro é uma ampla pesquisa de opinião pública, realizada na União Europeia (UE) desde 1973 e abrange uma grande variedade de temas, como meio ambiente, segurança, direitos humanos e economia, entre outros.
Apesar de muitos países da UE terem melhores indicadores de igualdade de gênero, quando comparados a países pobres e em desenvolvimento, a pesquisa mostrou que temas como a diferença salarial, por exemplo, ainda têm que melhorar.

Diferença salarial
Na Europa, em média, as mulheres continuam a ganhar 16,3% menos do que os homens. Nos últimos anos, as disparidades salariais não diminuíram, em grande parte devido ao fato de as mulheres tenderem a empregar-se menos do que os homens, a trabalhar em setores menos bem pagos, a obter menos promoções, a interromper mais vezes a sua carreira profissional e a exercer mais trabalho não remunerado.
No entanto, 90% dos europeus  que responderam o inquérito afirmaram que é inaceitável que as mulheres recebam um salário inferior ao dos homens e 64% se disseram a favor da transparência salarial como veículo de mudança.
Neste sentido, a Comissão Europeia lançou, esta semana, um  plano de ação para eliminar as disparidades salariais entre homens e mulheres para o período 2018-2019. A execução do plano visa melhorar o respeito pelo princípio da igualdade salarial; reduzir o efeito penalizante dos cuidados familiares; e financiar projetos destinados a melhorar a paridade de gênero nas empresas em todos os níveis de gestão e incentivar os governos e os parceiros sociais a adotarem medidas concretas para melhorar o equilíbrio no processo de tomada de decisão.
Além disso, o plano de ação inclui recomendações de transparência nos pagamentos que, apesar de já existirem, ainda estão ausentes em um terço dos países da UE. Ou seja, tornar efetiva a transparência na divulgação dos salários como forma de incentivar a paridade salarial entre homens e mulheres. A discriminação salarial, apesar de ilegal, continua a contribuir para a desigualdade entre homens e mulheres.
A Comissária responsável pela Justiça, Consumidores e Igualdade de Gênero, V ra Jourová, afirma que as mulheres continuam a estar sub-representadas nos cargos de chefia, tanto na política como nas empresas. “Em média, as mulheres continuam a ganhar 16% menos do que os homens na UE. E a violência contra as mulheres continua a ser um fenômeno generalizado. Esta situação é injusta e inaceitável na sociedade de hoje. As disparidades salariais entre homens e mulheres devem acabar porque a independência econômica das mulheres é a sua melhor proteção contra a violência”.

Mulheres na Política
O Eurobarometro mostrou ainda que são necessárias mais mulheres na política: Metade dos cidadãos europeus pensam que deveria haver mais mulheres em cargos de liderança política e 7 em cada 10 são a favor de medidas legislativas que garantam a paridade entre homens e mulheres na política.
Nos cargos de administração e supervisão, a maioria esmagadora das funções é realizada por homens. Os homens são mais frequentemente promovidos do que as mulheres, e mais bem pagos também. Esta tendência é mais dramática ainda no topo das carreiras, onde apenas 6% dos CEOs (diretores executivos ou diretores gerais) são mulheres.
Neste aspecto, a Comissão Europeia defende avançar no sentido de atingir o objectivo de que pelo menos 40% dos seus gerentes médios e superiores sejam mulheres. De acordo com os dados mais recentes, as gestoras femininas em todos os níveis, dentro da Comissão, atingiram um total de 36% em 1 de novembro de 2017.

Tarefas domésticas
Outra realidade exposta nos resultados da pesquisa é a partilha desigual das tarefas domésticas e dos cuidados prestados aos filhos. A maioria dos entrevistados (73%) acredita que as mulheres continuam a dedicar mais tempo às tarefas domésticas e familiares do que os homens.
No entanto, mais de 8 em cada 10 europeus pensam que os homens deveriam assumir as tarefas domésticas de forma equitativa ou gozar de licença parental para cuidar dos filhos.
Uma realidade global é que as mulheres assumem o controle de tarefas importantes não remuneradas, como trabalho doméstico e cuidar de crianças ou parentes em maior escala do que os homens. Os homens que trabalham gastam, em média, nove horas semanais em cuidados não remunerados e atividades domésticas. Já as mulheres que trabalham gastam 22 horas, o que significa três horas todos os dias.