quinta-feira, 20 de julho de 2017

7 livros de escritoras negras na Flip 2017 que você precisa conhecer

Faltam poucos dias para 15ª edição da Flip 
(Festa Literária Internacional de Paraty).
Entre 26 e 30 de julho, a cidade história do litoral sul do Rio de Janeiro será palco de reflexões e debates sobre as atuais narrativas produzidas no Brasil e no mundo. Com curadoria da jornalista Josélia Aguiar, o evento literário mais importante do país abre neste ano espaço inédito para a diversidade de vozes da literatura negra.
Pela primeira vez em sua história, a Flip traz um número de autoras supera o de autores. Serão 22 mesas com 46 autores, dos quais 22 são homens e 24 são mulheres.
O escritor homenageado deste ano será Lima Barreto (1881-1922), autor marginal cuja trajetória foi marcada pela crítica contundente ao cotidiano racista e de segregação social no Brasil.
Na abertura do evento, o público acompanhará uma aula ilustrada sobre a vida e obra do escritor carioca. A antropóloga e historiadora Lilia Moritz Schwarcz (autora de Lima Barreto: Triste Visionário) e o ator Lázaro Ramos conduzem o programa.
Em diálogo com os questionamentos que suscitam da obra de Lima Barreto estão 7 livros de autoras negras convidadas da Flip deste ano: Ana Maria Gonçalves, Djaimilia Pereira de Almeida, Grace Passô, Scholastique Mukasonga, Joana Gorjão Henriques e Conceição Evaristo.
Nascidas no Brasil, Portugal e em países do continente africano - e também radicadas em outros regiões não citados – essas escritoras são donas de narrativas, discursos e perspectivas tradicionalmente excluídos em eventos do gênero dentro e fora do País.
A seguir, o HuffPost Brasil destaca uma obra de cada autora. São livros que revelam uma literatura brasileira plural e que merecem espaço urgente nas mentes, corações e estantes dos brasileiros.

Um Defeito de Cor, de Ana Maria Gonçalves

O romance Um Defeito de Cor conta a impressionante história de Kehinde, trazida da África como escrava para o Brasil no século XIX que após, muitas andanças, consegue comprar a própria alforria e regressar à África em busca do filho perdido. Lançada em 2006, a saga da heroína negra - inspirada na lendária figura baiana de Luísa Mahin - conecta discussões sobre poder, raça, cultura e sociedade. Catatau de mais de 900 páginas, a obra levou quatro anos para ser finalizada – incluindo pesquisa, escrita, reescrita (do zero) e revisão. Não à toa, Um Defeito de Cor alçou Ana Maria Gonçalves ao posto de voz fundamental na reflexões sobre racismo no Brasil.
Esse Cabelo, de Djaimilia Pereira de Almeida
Livro de memórias, ficção e ensaio. E também um manifesto antirracista. Pode-se definir assim o livro Esse Cabelo, da escritora Djaimilia Pereira de Almeida, lançado no Brasil pela editora Leya. Nascida em Luanda, na Angola, e radicada nos arredores de Lisboa, em Portugal, a autora apresenta nesta obra uma bem-humorada biografia do próprio cabelo crespo – interligando questões de raça, feminismo e identidade. Djaimilia é doutorada em Teoria da Literatura pela Universidade de Lisboa e uma das representantes da novíssima literatura em língua portuguesa. É também fundadora e dirigente da revista de literatura Forma de Vida


Por Elise, de Grace Passô

Uma dona de casa que fala sobre a vida dos seus vizinhos. Um cachorro que late palavras. Uma mulher perdida E um lixeiro em busca de seu pai. Esses são alguns dos personagens da peça Por Elise, escrito e dirigido por Grace Passô juntamente com o grupo Espanca!. Umas das primeiras peças da autora mineira, a obra lhe rendeu o APCA e o SESC/SATED de melhor dramaturga e, em 2005, o Prêmio Shell de melhor texto em 2006. No formato livro, o leitor pode acompanhar um olhar muito particular sobre as relações humanas e as contradições que a conduzem.




A Mulher de Pés Descalços, Scholastique Mukasonga

Escritora premiada, a ruandesa Scholastique Mukasonga é conhecida por abordar em sua obra o genocídio da etnia a que pertence, tutsi, que ocorreu durante a sangrenta guerra civil de Ruanda em 1994. No romance A Mulher de Pés Descalços, o leitor acompanha a trajetória de Stefania, mãe da autora, uma senhora alegre e conselheira da vida amorosa das moças da vizinhança, que viveu em meio a terríveis cenários de extermínio, tornando-se, ao fim, mais uma das cidadãs assassinadas pelos hutus.




Racismo em Português, de Joana Gorjão Henriques
 
Como a política colonial de Portugal na África marcou as relações raciais no continente? É ao redor desta questão que gira Racismo em Português: O Lado Esquecido do Colonialismo, da jornalista portuguesa Joana Gorjão Henriques. O livro é fruto de um longo trabalho de jornalismo investigativo. Foram dezenas de entrevistas pelos cinco países da África lusófona: Angola, Guiné-Bissau, Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Moçambique. Como resultado, a autora tenta mostrar até que ponto o racismo afeta as relações nesses países.



Poemas da Recordação e Outros Movimentos, de Conceição Evaristo

Primeiro (e até agora único) livro de poesias de Conceição Evaristo, Poemas da Recordação e Outros Movimentos é uma obra que tem a crítica social como fio condutor. Publicado originalmente em 2008, a obra aborda temas como pobreza, dor, amor, desejo e o tempo, numa escrita marcada por ritmo, expressividade e toda a experiência de vida da autora. Nascida numa favela de Belo Horizonte, Conceição Evaristo é hoje uma das principais representantes da literatura negra brasileira. Acadêmica com doutorado em Literatura Comparada pela UFF, voz ativa denúncia de discriminações no Brasil, a escritora tem textos publicados em coletâneas estrangeiras, assim como obras traduzidas em outras línguas.



O Tapete Voador, Cristiane Sobral

Coletânea de contos, O Tapete Voador é o quarto livro da atriz, escritora e poeta Cristiane Sobral. Ele foi publicado no ano passado pela Malê, editora focada em títulos literários em língua portuguesa de autores negros, brasileiros, africanos e da diáspora. Nascida no Rio, Cristiane migrou nos anos 90 para Brasília, onde se tornou a primeira mulher negra graduada em Interpretação Teatral pela UnB. Com carreira estabelecida nos palcos, ela estreou na literatura e contundente diversos aspectos sobra a questão racial no Brasil, incluindo racismo, empoderamento e colorismo - apontando para a construção de uma identidade negra contemporânea em 2000. Neste livro, a autora apresenta 19 narrativas que abordam de forma inventiva.



Fonte:HuffPost

terça-feira, 18 de julho de 2017

2º Julho Negro Acontece no Rio de Janeiro

Por Mônica Aguiar 
Colaboração:Mônica Cunha -RJ

A violação dos direitos humanos da população negra, pobre e de periferia no Brasil e em outras partes do mundo é tema de uma semana na mobilização do Julho Negro que começou dia (17), Rio de Janeiro, vai ate sexta com (21), em diversos locais por toda cidade.  

A agenda Julho Negro é uma articulação das Mães e familiares vítimas da violência no Brasil, que denunciam o genocídio negro e a injustiça racial, a violência em favelas e periferias, a segurança pública, a violência e brutalidade policial, a violência e omissão do Estado, mortalidade dos jovens negros, a intolerância religiosa contra religiões de matrizes africana e o 25 de julho Dia de Luta da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha.

Este ano,  o Movimento que vem crescendo, pretende ampliar a articulação internacional de luta contra o racismo e a militarização das vidas com a participação de mães e familiares vítimas da Palestina, do México e da Associação de Haitianos do Brasil.

O Julho Negro é composto pela: Rede de Comunidades e Movimento contra a Violência, as Mães de Maio de SP, o Fórum Social e as Mães de Manguinhos, Movimento Moleque, as Mães Vítimas da Chacina da Baixada com a adesão e apoio do Fala Akari, Campanha pela liberdade de Rafael Braga, o Coletivo Papo Reto, União Social dos e das Imigrantes Haitianos,  Fórum de Juventudes RJ, Comitê Nacional Palestino, BDS, Ação Direta em Educação Popular, Mangueiras, Fórum Grita Baixada e Centro dos Direitos Humanos da Diocese de Nova Iguaçu, Museu da Maré, Filhos e Netos por Memória, Verdade e Justiça da época da ditadura militar,  Movimento/campanha dos Estados Unidos "América Black Lives Matter" (Vidas Negras Importam).

A agenda começou dia 17, realizou um protesto de conscientização contra a discriminação de religiões de matriz africana, pela valorização da vida dos moradores de favela e mães que perderam os filhos em ações policiais e  participaram de entrevista coletiva na Casa Pública, em Botafogo, para falar sobre a importância do projeto. 

Nestes próximos dias de mobilização estão previstas panfletagens contra o racismo, 25 de julho Dia Internacional de Luta da Mulher Negra Latina e Caribenha com diálogos em locais específicos sobre os desafios enfrentados pelas mulheres negras no país e  homenagens às vítimas da Chacina da Candelária, que completa 24 anos no próximo dia 23. 

Hoje (18),  às 16 horas acontecera um ato em frente à igreja, e no dia 21, missa no mesmo local.


No ano passado,  as discussões do Julho Negro,  estavam focadas com o aumento da violência policial durante os preparativos para os Jogos Olímpicos. Na ocasião, o Julho Negro destacou o relatório da Anistia Internacional Brasil e o Instituto de Segurança Pública (ISP), que os homicídios cometidos pela polícia aumentaram em 135% em 2015. As estatísticas demonstram que 75% das pessoas mortas pela polícia em 2015 eram homens negros. Nos Estados Unidos, policiais são acusados frequentemente em histórias envolvendo um homem negro desarmado sendo baleado por um policial branco. De lá para cá, Dalva conta que nada mudou, que a violência só aumenta.

De acordo com a Anistia Internacional Brasil e o Instituto de Segurança Pública (ISP) divulgados em 2016, os homicídios cometidos pela polícia aumentaram em 135% em 2015. As estatísticas demonstram que 75% das pessoas mortas pela polícia em 2015 eram homens negros. 

De acordo com Dados da Polícia Civil 632 pessoas foram atingidas por balas perdidas no Rio, no período de Janeiro até 2 de julho de 2017, uma média de 3,4 casos por dia no estado. Desse total, pelo menos 67 morreram.

CONFIRA A AGENDA    
                                                                                 
Dia 18/07 -16h00min -  ato Contra a Chacina da Candelária Local Candelária

19/07: 18h30min - Roda de Conversa – “Masculinidade e as Opressões do Machismo”
 Local IBASE (Rua Senador Dantas 40 – Centro)

20/07: 18h00min - Vigília pela Chacina da Candelária
Local Candelária

18:30min: Lançamento -  Baixada Fluminense no Encontro “Pra além dos Dados”“ do Atlas da Violência 2017 com presença do IPEA e Anistia Internacional.
Local Igreja Nossa senhora de Fátima e São Jorge (Rua Getúlio Vargas, 220- Centro Nova Iguaçu )

21/07
09h00min - Missa da Candelária

13h30min: Lançamento do Livro Biografia de Mahommah Gardo Baquaqua: “Um Nativo de Zoogoo no interior da África”.
Local – Museu da Maré ( Av. Guilherme Maxwel,26-Maré)

14h30min: Roda de conversa “Encarceramento com Campanha Pela Liberdade de Rafael Braga”   Associação de Familiares de Presos (AFAP)
Eu sou Eu, Reflexo de Uma Vida na Prisão local Museu da Maré
Local ( Av.Guilherme Maxwel,26-Maré)

18h00min : Festival de Cinema Dona Jane Camilo ( homenagem a Dona Jane Camilo) Mulher preta,  guerreira, militante fundadora do Fórum Social de Manguinhos, participante de vários espaços de lutas e controle social .
Local Biblioteca Parque da Favela de Manguinhos(Av. Dom Helder Câmara, 1184- Manguinhos)

sexta-feira, 14 de julho de 2017

As primeiras imagens do elenco do filme solo do Pantera Negra, da Marvel, já estão entre nós

O trailer de Pantera Negra foi uma ótima surpresa para os fãs da Marvel. Mas as novas imagens do longa divulgadas pela Entertainment Weekly levam a ansiedade para a estreia do filme a outro nível.
Nesta quarta-feira (12), a revista divulgou a capa da edição especial para a Comic-con em que os Chadwick Boseman, Micheal B. Jordan e Lupita Nyong'o aparecem como guerreiros de Wakanda - a fantástica e futurista nação africana onde T'Challa, interpretado por Chadwick, se torna Pantera Negra.
Wakanda é um lugar que os fãs da Marvel esperam muito tempo para visitar nas telas dos cinemas -- para além dos quadrinhos. O filme honra o protagonismo do primeiro super-herói negro dos quadrinhos da Marvel, cujo poder de inspiração transcende até mesmo sua força física.
A EW também divulgou uma imagem do elenco completo do filme.
Além do protagonista Chadwick Boseman como T'Challa (Pantera N
egra), o elenco conta com Michael B. Jordan (Creed: Nascido para Lutar) como o supervilão Eric Killmonger, Sterling K. Brown (Uma Repórter em Apuros) que será N'Jobu, uma figura do passado do Pantera; Lupita Nyong'o (12 anos de escravidão e Mogli – O Menino Lobo) como Nakia, guerreira de Wakanda; Angela Bassett (Invasão a Londres) como Romonda, mãe de T'Challa; e Winston Duke (Person Of Interest) como M'Baku, um vilão conhecido como "Homem-Macaco".
Outros membros do elenco incluem Forest Whitaker (Rogue One: Uma História Star Wars) como Zuri, um estadista mais velho de Wakanda; Daniel Kaluuya (Sicario: Terra de Ninguém) como W'Kabi, um amigo leal a T'Challa; além de Andy Serkis (Planeta dos Macacos: O Confronto) como Ulysses Klaw e Martin Freeman (O Hobbit) como Everett K. Ross, ambos reprisando seus papéis em Capitão América: Guerra Civil.
Até o momento o herói não teve um filme solo, aparecendo apenas com os outros personagens em Capitão América: Guerra Civil.
Pantera Negra tem previsão de estreia no Brasil no dia 15 de fevereiro de 2018.
Fonte: por AndreaMartnelli da Huffpost

quarta-feira, 12 de julho de 2017

Curso gratuito para formação de roteiristas negras e negros

Há seis edições, a FLUP vem se destacando como uma plataforma de criação de grandes histórias literárias. Numa inédita parceria com a Film2b, ela oferecerá agora um processo de formação na área de roteiro. É o primeiro Laboratório de Narrativas Negras para Audiovisual.

O processo oferecerá uma formação para 30 potenciais roteiristas que se autodeclarem negras ou negros, com encontros semanais com grandes nomes da TV e do Cinema nacional. Será um espaço de trocas, aprendizados e novos repertórios literários e cinematográficos.

O Laboratório tem como objetivo incentivar a produção de narrativas potentes e criativas de roteiristas negras e negros, suprindo uma incompreensível lacuna da nossa produção audiovisual. Somente as pessoas negras podem reinventar seu lugar em nossa dramaturgia.
A brutal crise política e econômica do país pode ter nos roubado a esperança por dias melhores, mas, qualquer que seja a ideia de futuro para o Brasil, ela obrigatoriamente implica uma discussão mais ampla sobre as heranças da escravidão. No Brasil, as pessoas negras representam 51% da população e 76% das mais pobres.

Uma leitura rasa de nossas estatísticas já é o bastante para mostrar que onde a ideia de República está mais longe de se universalizar é nas áreas em que o povo negro é maioria. A favela e os presídios são os exemplos mais dramáticos, mas não os únicos de um racismo que pode ter como pior faceta o fato de não ser assumido.

:: O Negro em Hollywood

O Oscar de 2016 foi marcado pela ausência de filmes dirigidos, roteirizados e interpretados por pessoas negras na noite da entrega das estatuetas, mas também pela justa indignação dos africanos-americanos diante da indiferença da academia em relação à sua produção. Descobriu-se na ocasião que apenas 30 negros tinham sido indicados, decorrentes da produção de 28 filmes. Além de serem poucos, eles só reconheciam a qualidade de filmes em que o negro desempenhava papeis subservientes ou violentos.

A força da democracia estadunidense, onde as grandes instituições são pautadas pela opinião pública, reverteu esse quadro em apenas um ano. Na cerimônia do Oscar de 2017, não apenas havia diversos filmes envolvendo a questão negra concorrendo em diversas categorias, como o prêmio de melhor filme ficou com Moonlight, do diretor Barry Jenkins. Além disso, houve um deslocamento temático, mais presente no filme Hidden Figures (Estrelas além do tempo), cujas protagonistas tiveram importante papel na corrida espacial da Era Kennedy.

Essa tendência só fez se confirmar com a recente aprovação de uma lei do estado de Nova York, destinando não menos que cinco milhões de dólares para a contratação de cineastas ligadas às minorias: “Nos últimos anos, a indústria audiovisual entendeu que o aumento da diversidade na escrita e na direção melhora a qualidade das histórias que aparecem nas telas.”

A dramaturgia brasileira, em sua quase totalidade, é produzida por escritores brancos. Um estudo conduzido pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa (GEMA) da UERJ, e divulgado em março de 2017, apresenta dados que foram coletados a partir da análise das 219 maiores bilheterias de filmes brasileiros entre 1995 e 2016. Apenas 3% dos roteiristas são negros. E esta cifra cai para 2% na direção. Não foram encontradas nem diretoras nem roteiristas negras no universo de obras analisadas.

Em um país onde a maior parte da população é negra e esta está sub-representada na mídia, é preciso realizar ações que contribuam para mudar este quadro. Formar e capacitar profissionais negras e negros que possam atuar nas mais variadas funções do audiovisual são ações indispensáveis para mudar este quadro.

Neste contexto, a FLUP e a Film2b aliam suas experiências para criar um projeto com duplo viés: a formação de roteiristas negras e negros para a criação de narrativas audiovisuais e a criação de um ambiente que provoque e instigue a criatividade para fazer emergir histórias e personagens latentes de um universo ainda pouco explorado e representado pela nossa dramaturgia.

                O processo de formação do Laboratório de Narrativas Negras para Audiovisual contará com uma parceria da Globo, que viabilizará a participação de profissionais de sua equipe como palestrantes e oportunidades de capacitação para os selecionados que mais se destacarem.
Quem pode participar?
Pessoas autodeclaradas negras
• Maiores de 18 anos
• Ficha de inscrição corretamente preenchida
• Disponibilidade para participar presencialmente de todos os encontros propostos


Processo seletivo                                                                                                    

• Encerramento de inscrições: 16 de julho de 2017, às 23:59
• Divulgação dos selecionados: 25 de julho de 2017

• Encontro para dirimir dúvidas e esclarecer as etapas do processo: 26 de julho de 2017
Todos os encontros serão presenciais na cidade do Rio de Janeiro, realizados aos sábados, das 14h às 18h. Os palestrantes incluem roteiristas da Rede Globo e do mercado de produção independente do audiovisual.

Clique AQUI para maiores informações e para fazer o cadastramento.

Fontes:todosnegrosdomundo



terça-feira, 11 de julho de 2017

Bate-papo discute Força da Mulher Negra e Empreendedora

O evento acontece no dia 21 de julho  e é promovido pela estilista Najara Black, como parte de sua comemoração de aniversário

A estilista Najara Black vai comemorar seu aniversário de uma maneira diferente. A criadora da NBlack aproveita a proximidade de sua festa com o Dia Internacional da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha, que acontece 25 de julho, e promove um bate-papo sobre a Força da Mulher Negra e Empreendedora. O evento acontece no dia 21, mesmo dia em que Najara completa 34 anos.

 "Tô feliz que nesse dia eu vou estar fazendo algo que gosto muito, trocando, compartilhando ideias", conta.

A conversa vai ser a unidade do Senac que fica na Praça da Sé, no Centro Histórico. Participam do encontro Maili Santos, que é maquiadora, Andréa Ramos, da Nega Fulô, que trabalha com bonecas negras, Loo Nascimento, da Dreescoração, Iasmine Fernandes, do Vamos Cachear o Mundo, Rosângela José, do blog Negra Rosa, que lançou uma linha de bases e batons para peles negras, Michelle Fernandes, do Boutique de Krioula. Segundo Najara, o evento é um espaço para movimentar e chamar a atenção para empreendimentos realizados por pessoas negras.


"A minha intenção é conversar com todos, quem quer empreender, quem já tem algum tipo de empreendimento e quem tinha e parou por qualquer que seja o motivo", afirma.

Para participar do encontro, basta reservar uma vaga mandando nome e RG para o e-mail mkt.nblack@gmail.com e entregar um quilo de alimento não perecível.
Os 50 primeiros que chegarem no evento ganham brinde NBlack.
As vagas são limitadas.


  Najara dos Santos Souza (Najara Black) -   A moda começou a fazer parte da sua vida desde cedo através do seu gosto por customizar suas roupas para criar um jeito próprio de se vestir. Sua mãe, Neide, tinha a costura como ofício.  
 Najara, que nasceu em Cruz das Almas (BA), não imaginava que seria através da moda que ela transformaria a vida das pessoas, tampouco que seria idealizadora de uma marca que se tornaria uma das maiores referências em Salvador quando o assunto é Moda Afro.
Observadora e atenta, sua inspiração para criação dos produtos da N Black vem principalmente das ruas, das intervenções urbanas, do rap, da black music e de outros profissionais da área. 

Uma das principais mensagens que busca transmitir com o seu trabalho é que “moda é se sentir bem”.

Fonte:Correios/ Face Najara/ Fotos divulgação

'Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras' começa nesta terça-feira e irá debater obra de Conceição Evaristo

Evento será realizado em quatro espaços culturais; escritora participará de debate  hoje 11 de agosto.

A obra da escritora Conceição Evaristo será foco de debates nos meses de julho e agosto, em Salvador, durante o evento "Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras". A programação, que começa nesta terça-feira (11), no Espaço Cultural Barroquinha, às 19h, é aberta ao público, sujeito à lotação do espaço.

Em julho, os Diálogos acontecerão nos dias 11 [Espaço Cultural Barroquinha], 15 [Goethe Institut] e 20 [Pavilhão de Aulas Glauber Rocha - UFBA]; em agosto será no dia 11 [Centro de Cultura da Câmara Municipal de Salvador]. Este último dia, com a escritora Conceição Evaristo. Na abertura, terá ainda performances de poesia negra feminista. Confira no final da reportagem a programação completa.

A escrevivência da escritora estará em análise por mulheres negras convidadas pela organizadora, a doutoranda em Literatura e Cultura, Dayse Sacramento. Na obra de Conceição Evaristo, lançada em 2011, em 13 contos, mulheres negras são protagonistas de relatos de dores, desejos, medos, mas também de resistência.

As participantes do debate são: a mestra em Estudos de Linguagens (Uneb) e ativista, Lindinalva Barbosa, a doutoranda em Literatura e Cultura (UFBA), Cristian Sales, a doutoranda em Literatura e Cultura Dayse Sacramento, a doutora em Crítica e Teoria Literárias, Denise Carrascosa, a mestra em Crítica Cultural (Uneb), Manoela Barbosa, a doutoranda em Estudos de Gênero, Mulheres e Feminismo, Carla Akotirene, a mestranda em Educação e Contemporaneidade (UNEB), Ana Carla Portela.

Na mediação, a graduanda em Letras Vernáculas e Língua Estrangeira Moderna (Inglês/UFBA), Maiana Silva e a Youtuber, Samira Soares.

SERVIÇO
  • “Diálogos Insubmissos de Mulheres Negras” / 
  • Abertura – Dia 11 de julho (terça-feira), 
  • 19h / Local: Espaço Cultural da Barroquinha

Palestrantes: mestra em Crítica Cultural (Uneb), Manoela Barbosa e a doutora em Crítica e Teoria Literárias, Denise Carrascosa. Mediação da doutoranda em Literatura e Cultura Dayse Sacramento – idealizadora do projeto.
Aberto ao público, sujeito à lotação do espaço

Fonte texto:G1Bahia


domingo, 9 de julho de 2017

Terreiros de umbanda de Teresina sofreram quatro ataques em um mês

Terreiros de umbanda localizados em Teresina estão sofrendo uma série de ataques. Nos últimos 30 dias, quatro casas foram alvos de vandalismo e de injúria e difamação. O episódio mais recente aconteceu na madrugada de sexta-feira (7) no bairro São Pedro, zona Sul da capital.

O terreiro de Santa Luzia Oxu
m de Apará teve imagens da família de Léguas da religião quebradas. “Uma pessoa passou do lado de fora do terreiro, colocou uma ripa de madeira na grade da janela do terreiro e quebrou, pelo menos, 5 imagens. Acordamos com o barulho e, quando fomos ver, a pessoa já tinha fugido”, conta o pai de santo da casa, Pai Eudes de Oxum Apará.

Esta foi a segunda vez, só nesta semana, que o terreiro de Santa Luzia Oxum foi alvo de vandalismo. Na madrugada de terça-feira (4) uma pessoa teria tentado provocar um incêndio na casa religiosa. O fogo atingiu as cortinas do contro religioso e foi controlado rapidamente. 

“Um vizinho acordou gritando, já tinha uma labareda enorme e joguei água. Se o vizinho não tivesse visto, a casa inteira tinha queimado”, relata o pai Eudes. Os dois casos foram denunciados no 3º Distrito Policial.
O pai de santo acredita que os atos de vandalismo foram provocados pela intolerância religiosa. “São pessoas que possuem raiva da religião”, acredita. Os outros casos de ataques a terreiros aconteceram em um terreiro localizado na zona Sudeste, da Mãe Ester de Iansã. 
Lá, foram quebradas imagens de divindades, uma porta de vidro e também foi violado um espaço chamado de 'quarto sagrado', usado para práticas religiosas.

O pai Tony de Iemanjá, de um terreiro da zona Sudeste, foi vítima de injúria e difamação nos últimos dias, tendo imagens suas divulgadas em redes sociais, onde foi acusado de ser “matador de crianças”. 

Os casos são citados ao Cidadeverde.com pelo Vice- Coordenador Nacional do CENARAB – Centro Nacional de Africanidade e Resistência Afro Brasileira – Pai Rondinele de Oxum. Ele reforça que os episódios são de intolerância religiosa. 

“Isto é muito grave. Nos últimos cinco anos esses ataques eram raros de acontecer. Agora, em 1 mês, foram quatro casas atacadas”, ressalta o pai de santo. 

Por conta dos episódios, os terreiros de Umbanda localizados em Teresina estão se organizando para lançarem, em agosto, uma campanha de combate à intolerância religiosa. A mobilização será feita através de outdoors, espalhados em pontos estratégicos da capital. O grupo está arrecadando fundos para confeccionar os materias de divulgação e ajudas financeiras podem ser depositadas na conta do Banco do Brasil Agencia: 4249-8 Conta Corrente: 11296-8.

O pai Rondinele destaca que o Brasil é um país culturalmente diverso e que o Estado precisa estar presente para garantir o respeito a essa diversidade, sobretudo, no que tange às religiões de matriz africana.



"A nossa Constituição prevê o respeito às diversidades, somos um País plural, com muitas demandas. Nesse contexto, é fundamental o respeito às religiosidades, aos cultos de matrizes africanas, que têm um histórico de muita perseguição. Precisamos trazer a tolerância e a respeitabilidade para dentro da sociedade e permitir que cada um tenha sua fé. Não queremos que nos aceitem e, sim, que nos respeitem”, declara o pai de Santo.


Em 2013 foi realizado mapeamento das casas de umbanda e candomblé de Teresina, registrando mais de 480 terreiros somente na capital. O levantamento fez parte das políticas públicas da rede matrizes africanas.

Fonte: cidadeverde/foto divulgação

sexta-feira, 7 de julho de 2017

Rimas & Melodias e Luana Hansen , destacam o mês da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha

 Grupo Rimas & Melodias
A pequena participação das mulheres no comando da indústria cultural no Brasil e, infelizmente, a fatia ainda menor de mulheres negras à frente das produções culturais é o tema central da discussão proposta pela equipe Tsika Cultural, formada por mulheres negras.

A reflexão proposta pelas empreendedoras acontece justamente na comemoração do mês da Mulher Negra Latino Americana e Caribenha. 

“ A cidade costuma receber grandes eventos e a maioria é promovida por produtoras culturais que colocam poucas profissionais negras nos projetos, esta invisibilidade restringe a atuação de muitas colegas de trabalho e essas, acabam por atuar muito mais nos ambientes periféricos e de pequeno porte, isso quando não precisamos de fomento cultural”, diz Jully Gabriel, integrante da Tsika que divide a direção com Lúcia Udemezue e Nina Vieira.

Segundo a Tsika Cultural, produtora criada em 2009,  e importante discutir a desigualdade trabalhista que nos afeta mais as mulheres negras que o restante da população. "Ressaltar as grandes conquistas que a Tsika e outras produtoras com mulheres pretas a frente dos negócios é uma forma de dar visibilidade a essas importantes mulheres que o ano todo vem produzindo grandes ações e disputando espaços com produtoras culturais majoritariamente brancas e masculinas", disse Jully.

No dia 15, às 21h30, se apresentam no palco do Sesc Belenzinho o grupo Rimas & Melodias, formado por  Alt Niss, Drik Barbosa, Karol de Souza, Stefanie, Tássia Reis, Tatiana Bispo e DJ Mayra Maldjian. Juntas desde 2015, elas promovem um diálogo potente entre rap, r&b e neo soul, com a proposta de desconstruir moldes e fortalecer a presença feminina, sobretudo a negra, no hip hop, na música, na sociedade”.

Já no dia 22, mesmo horário e no mesmo palco, é a vez de Luana Hansen se apresentar com banda e as convidadas: Preta RaraMama Lion e o Rap Plus Size, todas elas renomadas artistas periféricas  que têm enfrentado o sistema e estabelecido carreiras importantes dando voz a pautas e causas.

"Em meio às comemorações dessas duas importantes conquistas para a Tsika Cultural e para as artistas negras que compõem o casting, contamos com a surpresa de saber que a Movimentar, mais uma produtora de mulheres negras, trará pela primeira vez ao Brasil, a dupla nova-iorquina Oshun", disse Jully.

A produtora Movimentar Produções Artísticas está à frente da turnê e para fazer jus ao mês da Mulher Negra Americana Latino e Caribenha e ao debate proposto pela Tsika Cultural contrataram somente mulheres negras para trabalhar nos eventos.


O Grupo Rimas & Melodia é formado por sete garotas ,Stefanie, Drik Barbosa, Tatiana Bispo, Alt Niss, Mayra Maldjian, Karol de Souza e Tássia Reis e tem como proposta desconstruir moldes e conceitos para fortalecer a presença feminina –sobretudo a negra– no hip hop, no cenário musical, na sociedade. Quem ganha com isso é música e o público que aguarda ansioso o lançamento do primeiro EP do grupo.

A luta contra ablação do clitóris de Diaryatu Bá

Depois de sofrer uma excisão aos 8 anos, na Guiné, e ser casada à força aos 13 anos, Diaryatou Bah cresceu e passou a militar contra as mutilações sexuais que destroem a vida de meninas, alertando as adolescentes que passam férias no país de origem de seus pais para esse risco.
"Fui convidada a acompanhar uma mulher em um quarto e me vestiram com apenas uma tanga. Ninguém me disse o que iria acontecer, seguraram meus braços, minhas pernas e eu fui excisada", conta à AFP a mulher, de 31 anos, que chegou à França há 17.
"O grito da excisão é um grito de dor que é impossível de esquecer", diz Diaryatou, embaixadora de uma campanha de prevenção chamada de "Excisão, vamos falar sobre isso!".
Na época, em sua aldeia, era a tradição. "Se uma menina não era mutilada, não era normal", diz a jovem que tomou conhecimento do que havia sofrido - retirada do clitóris e dos pequenos lábios - ao contar sua história muitos anos depois.
Em 2016, a ONU Mulheres contabilizava 200 milhões de meninas e mulheres submetidas a alguma forma de mutilação genital nos países mais afetados (27 países africanos, Iêmen, Iraque e Indonésia).
Na França, onde a prática é proibida, estima-se em 60.000 o número de mulheres circuncidadas, de acordo com a rede de associações Excisão, vamos falar sobre isso!, que lançou uma campanha e um site para educar as jovens que vão passar as férias nos países de origem dos seus pais onde a prática é comum, como Senegal, Mali, Egito, Guiné e Costa do Marfim.
"Podemos ter uma família moderna, independente, que uma vez na África sofrerá o peso da tradição, pressão da família. É preciso apenas 10 minutos para que uma menina seja mutilada e este trauma ela carregará por toda a sua vida", alerta Diaryatou, que reluta em levar sua filha de 18 meses a Guiné.
- Envolvendo os homens -
Casada aos 13 anos e meio com um polígamo 30 anos mais velho, ela deixou seu país e foi para a Holanda. "Aos 14 anos, o casamento é algo teórico, que você conhece pelos romances. Eu não estava preparada, não conhecia nada, a sexualidade era um tabu", diz Diaryatou, que sofreu abuso conjugal, espancamentos, insultos e isolamento.
Ao completar 17 anos, o casal mudou-se para perto de Paris. Muitas vezes deixada sozinha e sem dinheiro, enquanto seu marido visitava as outras esposas, ela se sentia "invisível". "Eu não sabia falar francês, nunca havia pegado metrô, não tinha documentos, fui cortada do mundo".
Uma noite, depois de quatro anos de casamento, assistiu a um programa de televisão onde mulheres vítimas de violência contavam suas histórias. Aos 17 anos, de frente para a tela, anotou a palavra "assistente social", a fim de "sair do confinamento".
Apoiada pela Assistência Social à Infância, foi levada a uma residência para jovens, aprendeu francês e recebeu apoio de uma associação e uma psicóloga.
"Foi o testemunho de uma mulher que me salvou. O que eu quero é fazer o mesmo transmitindo a minha história", diz Diaryatou, que trabalha em uma associação que ajuda os excluídos e mulheres fragilizadas, autora em 2006 do livro "On m'a volé mon enfance" ("Roubaram a minha infância", em tradução livre).
 "Eu sou uma vítima, mas a minha família, como muitas famílias africanas, herdou essas tradições. Devemos combater a mutilação genital pela raiz, o casamento forçado através da educação para quebrar a ignorância e oferecer escolha para as próximas gerações".
Para as futuras campanhas de conscientização ela gostaria de envolver os homens: "eles também deveriam se comprometer relatando como é viver com uma mulher que foi mutilada, que não sente prazer, que não conhece o seu corpo", conclui.

Fonte:BBC/Afrique