domingo, 23 de junho de 2013

Suspensão de campanhas após queixas de organizações de defesa da mulher no FACEBOOK

Grandes anunciantes como a Nissan e a Nationwide suspenderam suas campanhas de publicidade no Facebook depois que anúncios de produtos foram veiculados junto a posts ofensivos, o que destaca os riscos de uma nova forma de publicidade "dirigida".
Os cancelamentos se seguem a queixas de organizações de defesa dos direitos da mulher sobre a publicação de conteúdo misógino, incluindo imagens de mulheres que sofreram abusos, no site da rede social.
A publicidade dirigida identifica pessoas que apresentam probabilidade apreciável de comprar dado produto, e automaticamente coloca anúncios desses produtos nas páginas que essas pessoas estiverem visitando.
Anúncios da montadora de automóveis japonesa Nissan, do banco imobiliário britânico Nationwide e da marca de produtos para a pele Dove, da Unilever, foram colocadas automaticamente ao lado de imagens ofensivas que usuários do Facebook estavam buscando ou encontraram por acaso.
Para embaraço das companhias, imagens de tela justapondo as imagens ofensivas e a publicidade de seus produtos circularam amplamente, depois disso.
A Nationwide anunciou a retirada de seus anúncios do Facebook, à espera de uma solução para o problema.

CONTEÚDO OFENSIVO

A Dove informou que estava trabalhando com o Facebook para a remoção do conteúdo ofensivo, e para "refinar nossa publicidade caso novas páginas como essas sejam criadas".
A reação negativa "parece ter representado um momento marcante para o Facebook", disse Christian Purser, diretor de operações digitais na agência M&C Saatchi. "Eles precisam assumir a responsabilidade pelo conteúdo postado, se querem continuar a crescer em termos publicitários", ela disse.
Bob Wootton, da ISBA, a associação que representa os grandes anunciantes britânicos, acrescentou que "o dano à reputação que o posicionamento infeliz desses anúncios poderia causar pode ultrapassar de longe o custo de mídia modesto que eles representam".
Nos três primeiros meses do ano, o Facebook gerou receita de US$ 1,46 bilhão, 38% a mais do que no primeiro trimestre de 2012, com a oferta de novas ferramentas que permitem direcionar publicidade a usuários individuais.
O Facebook anunciou ontem que a vasta maioria das imagens controversas foram retiradas do site, que abriga quase 100 bilhões de páginas. Sob o procedimento padrão da empresa, o conteúdo foi rotulado inicialmente como "humor controverso" antes de ser removido do site dias mais tarde.
No entanto, o site de redes sociais agora está enfrentando apelos por uma revisão na forma pela qual fiscaliza suas páginas. Laura Bates, fundadora do Everyday Sexism Project, disse que existiam muitos outros exemplos de imagens de mau gosto semelhantes que, a despeito de queixas de usuários, não foram retiradas.

ORGANIZAÇÕES FEMININAS

Na semana passada, cerca de 100 organizações femininas enviaram uma carta aberta ao Facebook exigindo melhor fiscalização. Também apelaram aos usuários do Facebook para que se queixem às marcas cujos anúncios apareçam ao lado de conteúdo controverso.
Separadamente, anúncios online da operadora de telefonia móvel Vodafone foram veiculados inadvertidamente em companhia de um vídeo do YouTube no qual simpatizantes da Al Qaeda pediam uma jihad. A Vodafone declarou que desconhecia a situação e que estava "compreensivelmente preocupada".

Fonte: Folha SP

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