quinta-feira, 13 de junho de 2013

Acesso ao poder é o que mais afasta UE da igualdade entre mulheres e homens

INTERNACIONAL 

Portugal / Lisboa - A desigualdade no acesso ao poder é o que mais afasta a União Europeia (UE) da plena paridade entre mulheres e homens,  e o que constata o Índice da Igualdade de Gênero  que  será apresentado em Bruxelas. 

"O desequilíbrio na tomada de decisão persiste um desafio importante para a UE e para todos os Estados-membros", aponta o Índice da Igualdade de Género (GEI, na sigla em inglês), ferramenta que pretende mostrar "onde estamos e para onde vamos" em matéria de igualdade de gênero.  

"As mulheres estão claramente sub-representadas nos cargos de topo da tomada de decisão na maioria dos Estados-membros", apesar de representarem "quase metade da força de trabalho e mais de metade das diplomadas no ensino superior", refere o primeiro relatório do GEI, a que a Lusa teve acesso.

É no poder que a UE apresenta piores resultados em matéria de equilíbrio entre mulheres e homens, com "a maioria dos Estados-membros abaixo" da média europeia.

A política regional é exercida em "menos de um terço" por mulheres, taxa que desce mais nos parlamentos nacionais e nos ministérios governamentais.   
Se o poder for econômico, a situação piora, sobretudo nas administrações das maiores empresas.  

A "muito baixa" proporção de mulheres em cargos de decisão revela "um desperdício de recursos humanos altamente qualificados", constata o GEI, recomendando às instituições comunitárias - nomeadamente à Comissão Europeia - que adotem medidas especificamente direcionadas para combater esta desigualdade. 

Outra das conclusões revela que, em 2010 (data das estatísticas trabalhadas no GEI), "as mulheres ganhavam menos do que os homens" nos 27, registando-se progressos "meticulosamente lentos".  

Em todos os Estados-membros, as mulheres "são desproporcionalmente responsáveis por cuidar de crianças, avós e outros dependentes, por cozinhar e por trabalhos domésticos". O tempo livre é utilizado de forma muito díspar por mulheres e homens, com estes a participarem mais regularmente em atividades desportivas, culturais ou de lazer.  

Enquanto na saúde, não há muita diferença no atendimento das necessidades de mulheres e homens, é no conhecimento que o desequilíbrio começa claramente a perder terreno. As mulheres já são a maioria no ensino superior, o que terá "implicações, a longo prazo, no mercado de trabalho, na economia e sociedade em geral".

Por outro lado, a segregação por áreas de estudo "mantém-se  largamente inalterada" - os homens continuam sobre-representados em engenharia e construção e as mulheres em educação.  

Por tudo isto, recomenda o GEI, "é crucial começar a pensar no que esta mudança nas tendências significará para o cenário da igualdade de gênero no futuro".   

A violência de gênero não é um dos seis domínios centrais do GEI, porque, neste caso, não se pretende a paridade, mas a erradicação. Nove em cada dez vítimas de violência doméstica na UE são mulheres e estima-se que "um quarto tenha sofrido violência física pelo menos uma vez na vida adulta", vinca o GEI.  

No global, resume o GEI, "mais de 50 anos passados de políticas para a igualdade de gênero", a UE "continua longe de atingir o objetivo" e os Estados-membros apresentam ainda variações significativas. 

Fonte : ANGOP 
    


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