quarta-feira, 26 de junho de 2013

Cresce cinema afro-americano nos EUA


NEW YORKApós anos de autocrítica e queixas sobre a escassez de grandes filmes de e sobre afro-americanos, estúdios de cinema se preparam para lançar ainda em 2013 um conjunto incomum de filmes dessa categoria, abrangendo gêneros diversos.
Pelo menos dez filmes serão lançados por grandes e pequenas distribuidoras, como Weinstein Company, Fox Searchlight e Universal Pictures.
Mesmo alguns dos criadores dos filmes deste ano se surpreenderam com o fenômeno.
Questionado sobre como tantos filmes de temática negra se concretizaram ao mesmo tempo, o diretor e roteirista Lee Daniels respondeu: "Não faço ideia". Seu drama histórico "The Butler" --baseado na história real de um mordomo da Casa Branca que trabalhou para oito presidentes-- será lançado pela Weinstein em 16 de agosto nos Estados Unidos e em dezembro na Noruega.
"Eu estava trabalhando dentro da minha própria bolha. Subi para respirar e lá estavam esses outros filmes", comentou.
Cineastas negros dizem que a onda de lançamentos de 2013 se deve, em grande medida, à criatividade que vem crescendo no circuito de cinema alternativo, que se converteu em uma espécie de laboratório para produções de temática afro-americana mais destacada. Nos últimos anos, roteiristas e diretores vêm afiando suas habilidades com filmes independentes, enquanto esperam para chamar a atenção de grandes distribuidores.
Os estúdios dizem que também existe um público crescente com um gosto mais multicultural. "Existe um público para esse gênero que não é mais tão restrito", disse Stephen Gilula, presidente da Fox Searchlight.
Além de tudo isso, um conjunto de personalidades negras, que abrange diretores, atores, roteiristas e dramaturgos, vem fomentando um impulso compartilhado que dá força aos cineastas negros.
"Sou obrigado a comparar o que acontece hoje com um renascimento do Harlem", comentou David E. Talbert, que escreveu e dirigiu "Baggage Claim".
Baseado em seu romance do mesmo título, o filme será lançado nos EUA em setembro e no Reino Unido no mês seguinte.
Talbert, que também é dramaturgo, comparou o sistema de apoio que atualmente existe entre cineastas negros ao que existia entre músicos e escritores no início do século 20.
O cinema de temática negra nunca desapareceu, mas o interesse dos distribuidores foi diminuindo quando os filmes se restringiram a gêneros mais específicos, como os dramas urbanos. O que se vê hoje é uma variedade que leva alguns cineastas a falar em um renascimento cultural.
"É o que eu sempre desejei", comentou Kasi Lemmons, que dirigiu o musical "Black Nativity", com libreto do poeta afro-americano Langston Hughes. O filme será lançado nos EUA em novembro. "Sempre achei que quando tivéssemos um espectro diverso de filmes negros, isso seria indicativo de sucesso."
No ano passado, as grandes companhias de Hollywood lançaram apenas um filme de destaque de um diretor negro e com elenco negro, "Sparkle", de Salim Akil.
Mas uma onda substancial de novos trabalhos chegará aos EUA em julho, com o lançamento pela Lionsgate do documentário "Kevin Hart: Let Me Explain" e de "Fruitvale Station", dirigido por Ryan Coogler.
Os filmes com elenco predominantemente negro e trama especificamente afro-americana têm enfrentado dificuldades: não encontram público grande nos mercados externos e sofrem pressões demográficas nos EUA.
"Histórias Cruzadas" --filme lançado em 2011 pelo diretor branco Tate Taylor com protagonistas negros e brancos-- converteu uma história sobre empregadas negras na era da segregação racial nos EUA em grande sucesso do verão.
"O grande assunto na comunidade cinematográfica negra é essa nova energia que cresceu a partir do movimento indie", comentou a diretora Ava DuVernay.
Vários filmes da safra deste ano têm origens independentes. "Big Words", dirigido por Neil Drumming e distribuído pela empresa de DuVernay, mostra os integrantes de um grupo de hip-hop chegando perto da meia-idade. "Fruitvale Station" e "Mother of George" fizeram sucesso no Festival Sundance e nasceram da experiência urbana negra.
"Esses são filmes individualmente gerados", comentou Forest Whitaker, produtor de "Fruitvale Station" e ator em "The Butler" e "Black Nativity".
O drama "The Butler" foi criado tendo em vista um público tão amplo quanto "Vidas Cruzadas". Além de Whitaker, fazem parte do elenco Oprah Winfrey, John Cusack, Robin Williams, Jane Fonda e Vanessa Redgrave.
Lee Daniels, seu diretor, disse que se sentiu menos isolado graças à repentina presença de outros diretores negros.
"É muito reconfortante", declarou. "Outros cineastas com certeza sentem o mesmo."

Fonte: F.SP

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