segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Haiti ganhará quase R$ 100 mi para a saúde

Soldados da ONU ajudam vítima após terremoto que abalou o Haiti, em 2010. Foto: PNUDEdital para construção de hospitais e centros de atendimento está aberto até 19/10; parceria Brasil-Cuba-Haiti reforçará a saúde do país



Reconstuir e fortalecer o sistema de saúde pública do Haiti a partir da transferência de tecnologia e conhecimento. Esse é o pilar central de um projeto de cooperação entre Brasil, Haiti e Cuba que prevê a construção de hospitais e centros de atendimento, além da capacitação centenas de profissionais de saúde naquele país. No total, o governo brasileiro vai investir US$ 53 milhões (quase R$ 100 milhões de reais pela cotação de 29/9/11) em ações de infraestrutura e treinamento. A verba é oriunda do Ministério da Saúde.
A fase atual do projeto prevê a construção quatro hospitais, um laboratório de próteses e aparelhos e dispositivos ortopédicos, além de um centro de reabilitação, essencial para os dezenas de milhares de haitianos que perderam membros em decorrência do terremoto. Outras 30 ambulâncias já foram adquiridas para complementar os serviços de saúde e emergência, e estão em fase de liberação. Estrutura fundamental para um país em que 80% do acesso à saúde é privado.
A experiência brasileira em alguns casos vai ser aperfeiçoada e adaptada à realidade do Haiti. Unidades de Pronto Atendimento (UPA) dotadas de centro cirúrgico são um exemplo, além da qualificação de profissionais de saúde e agentes comunitários, que vão desempenhar um papel semelhante ao do Programa Saúde da Família.
O projeto, que está sendo executado pelo PNUD, faz parte de um acordo trilateral entre os Ministérios da Saúde do Brasil, de Cuba e do Haiti, no contexto de reconstrução daquele país. Embora Havana não participe com contribuição financeira, os cubanos têm papel fundamental na transferência de conhecimento através de capacitação técnica, devido ao histórico de cooperação com os vizinhos.
A Brigada Médica Cubana atua há quase 10 anos no Haiti e possui no local cerca de 700 especialistas e técnicos de saúde - todos financiados pelo governo cubano. Além disso, mais de 350 estudantes e médicos haitianos em exercício no país foram formados pela Escola Latinoamericana de Medicina de Cuba (ELAM).
“É um projeto desafiador. Estamos confiantes nos impactos positivos que o projeto vai ter para a vida dos haitianos. Sendo bem-sucedida, a experiência pode se tornar um modelo de cooperação sul-sul a ser replicado em outros países da região e em especial na África”, afirma Joaquim Fernandes, responsável pelo projeto no PNUD Brasil.
 
Edital de construção
 
O edital de construção foi publicado em meados de setembro e o prazo para a entrega de propostas é 19 de outubro de 2011, às 15:00 (horário de Brasília). O processo está sendo conduzido pela UNOPS, agência das Nações Unidas especializada na implementação de operações relacionadas à logística e construção. O desenho inicial dos prédios inclui a ideia de autosustentabilidade, com o tratamento de resíduos e reaproveitamento da água. A conclusão das obras está prevista para maio de 2012.
Para o governo brasileiro, iniciativas de cooperação sul-sul como essa não são consideradas como ajuda, e, sim, “parcerias horizontais de benefício mútuo”. Através dela, os parceiros se auxiliam no enfrentamento conjunto de desafios que atingem países em desenvolvimento. “Fortalecer o sistema público de saúde no Haiti é mais do que solidariedade. É uma contribuição primordial na busca do desenvolvimento humano sustentável, com nações mais fortalecidas e resilientes”, afirma Jorge Chediek, Representante Residente do PNUD e Coordenador Residente do Sistema ONU no Brasil.

Fonte: PNUD

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