sábado, 15 de outubro de 2011

Mulheres e a construção da paz na Libéria: participação política e empreendedorismo

A participação na política está ajudando a consolidar a democracia; ao mesmo tempo, o bom uso de microempréstimos alavanca a economia local e gera melhores condições de vida para as famílias



Mulher acaba de votar em Buchanan, na Libéria. Foto: UNMIL/Moses Zangar.Quase 1,7 milhão de liberianos, metade mulheres, tiveram a chance de votar nas eleições dessa semana, a primeira realizada desde o fim da guerra civil que assolou o país, em 2003.
O Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) trabalhou, junto a outros parceiros, apoiando as autoridades liberianas na organização das eleições de 11 de outubro, consideradas um passo fundamental em direção à manutenção da paz na nação da África Ocidental.
Cerca de US$ 27 milhões de um fundo gerenciado pelo PNUD foram usados no processo, que incluiu o cadastramento de eleitores e o treinamento de 95 profissionais de 17 instituições do governo e 33 organizações da sociedade civil em temas de educação cívica e eleitoral.
Além disso, 453 mulheres participaram em cursos de liderança e representação política. Mais de 80% delas conseguiram se tornar candidatas independentes para essas eleições.
Apoiar os esforços democráticos na Libéria é parte do amplo trabalho do PNUD no país, que também se foca no progresso para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs) – oito metas acordadas pelos líderes mundiais que visam reduzir a pobreza, fome, morte de mães e crianças, doenças, desigualdade de gênero e degradação ambiental até 2015.
No quesito igualdade de gênero, o PNUD também trabalha na concessão de microcrédito a cooperativas de mulheres. As cooperativas, por sua vez, oferecem pequenos empréstimos a seus membros para que possam começar ou investir em seus próprios negócios. Em 2009, 17 mil mulheres – muitas delas sobrevientes da guerra ou vítimas de violência doméstica – participaram em cursos e treinamentos sobre finanças e microcrédito.
Iniciativas como essa ajudam as liberianas a conquistar autonomia na sociedade. Além da capacitação profissional e dos recursos, que geram a independência financeira, elas se tornam mais presentes e ativas na vida da comunidade.
“Ao invés de fazer uso pessoal, as mulheres tem tendência em usar os recursos para a família”, diz Kenyeh Barlay, que trabalha no programa de microfinanças do PNUD Libéria. “Com pouco recurso elas conseguem fazer seus pequenos negócios prosperarem”.
Kebbeh Sumbo está entre aquelas que, com a elevação de seu padrão de vida, conseguiu colocar as crianças na escola. Por cerca de 20 anos ela vendia óleo, e mal conseguia sustentar sua própria família.
Sumbo recebeu dois empréstimos equivalentes a R$320, o que impulsionou os negócios e abriu caminho para a construção de um depósito e da sonhada casa própria. Além do novo teto, seus 7 filhos agora frequentam a escola local, com outra perspectiva de futuro.
“Minha casa antiga não tinha banheiro. Tinha de ficar do lado de fora pra tomar banho”, conta Sumbo. “Agora, além de banheiro, minha casa tem quarto e até cozinha. Não fosse pelo microcrédito, nada disso seria possível”.

Fonte: PNDU

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