sexta-feira, 22 de março de 2013

ANALISANDO NOSSAS CAMINHADAS


por Monica Aguia

Falar da mulher no Brasil  é falar de uma história de exclusão onde as variáveis sexismo, racismo e pobreza são estruturantes. É sobre a mulher a que recai todo o peso da herança colonial, onde o sistema patriarcal que se apoiam solidamente na herança do sistema escravista.         
 
Ao analisarmos a situação da mulher  no Brasil,  temos que partir da  desigualdade histórica entre a mulher branca e a negra, abordando os avanços e obstáculos de gênero, a partir do referencial de raça.  As mulheres contribuem de forma inquestionável para a construção socioeconômica e cultural de nosso país.

Devemos refletir que ainda esta  muito distante a representação das  mulheres  no parlamento e na colocação nos espaços  e  instâncias de poder independente da unidade federativa.   A mulher ainda esta  exposta à miséria, à pobreza, à violência, ao analfabetismo, à precariedade de atendimento nos serviços assistenciais, educacionais e de saúde.  Trata-se de uma maioria sem acesso aos bens e serviços existentes e, em muito, exposta à violência, ao sexismo e ao racismo.

As desigualdades existentes entre homens e mulheres, trazem conseqüências extremas como:- aniquilamento físico, político e social, que chega a atingir, profundamente, as novas gerações.
“A situação de exclusão pode ser percebida quando analisamos a inserção da população feminina em diferentes campos: social, político e econômico” das diferentes pesquisas registradas pelos principais institutos ou órgãos de pesquisa.  

Nós mulheres  somos responsáveis pela construção desta nação, mas  o nosso protagonismo ainda é pouco  citados e são muito simbolizados .
Sabemos bem que o legado da nossa história é adversa e contribuiu com as  diferenças sociais ainda hoje existente e muito presente na vida de todas as mulheres trabalhadoras, responsáveis pelo lar e pela educação bem como pelo  sustento dos filhos .

As organizações de mulheres conseguem com todo legado do patriarcalismo e racismo existente,   impulsionar toda sociedade no debate das nossas bandeiras de lutas demonstrando a nossa capacidade de liderar e   fomentar o dialogo na sociedade.
Elegemos a primeira mulher Presidenta da Republica  Dilma Rousseff  e esta eleição representou o anseio da mudança e a vontade da transformação social pela maioria das mulheres brasileiras que desejam  livrar-se  das mazelas ainda existente. 

Nos mulheres contribuímos muito com os avanços do pais. Conquistamos a paridade de gênero nas candidaturas proporcionais, influenciando o debate com vários setores do mundo sobre mecanismo que envolve as mulheres na participação e decisões políticas e instância de poderes.

Nossa luta vai além das fronteiras estabelecidas . Ajudamos a construir em conjunto com o Governo  parcela significativa  das políticas publicas  e específicas para as mulheres em execução no Brasil . Conduzimos com responsabilidade vários feitos onde nossa bandeira contagiou setores expressivos da sociedade organizada no combate a violência, na defesa da  igualdade de oportunidades, dos  direitos sexuais e reprodutivos, no luta pelo combate ao racismo e ao sexismo. 

Enfim,  é com nossa  sensibilidade, intuição, transparência, espírito e consciência que  temos  deseminado  ampla  percepção das relações  no  mundo , capacitando a reconhecer a  interfragilidade dos homens os diferentes problemas e crises   que estão inter-relacionados ao sistema patriarcal . 

Isto tudo  nos confere  uma visão macro da política, da natureza, da sociedade e da vida.

Compreendo  que as crises remetem-se uma à outra , do presente e do futuro, tendo mais condição de criar  as bases políticas, econômicas e sociais para uma ação de desenvolvimento autossustentável, pois hoje política, ciência e sociedade vivem problemas em nível global – os grandes problemas da humanidade deixaram de ser particulares e se tornaram mundiais.

A mulher por seu histórico de sofrimento, discriminação, exclusão, obstrução de direitos, lutas, conquistas, inteligência social do viver e conviver, mente alerta e aberta, intuição e sensibilidade aguçada é, com certeza, o “fiel da balança”, que faz a diferença na construção  de uma nova história para a humanidade, destinada a abrir  as portas da percepção para um novo entendimento da humanidade.

Sua ação política edificará a transformação da consciência dos homens, construindo um novo  mundo: transformando a sociedade cada dia mais  humana, e igualitária .


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