quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Projeto de inclusão produtiva acolhe população em situação de vunerabilidade

Iniciativa desenvolvida com apoio do PNUD promove capacitação de indivíduos e famílias vulneráveis 


Do PNUD

Mulheres vítimas de violência doméstica, cidadãos em situação de rua, catadores, pessoas com deficiência, adolescentes em serviços de proteção jurídica e social, idosos em situação de abandono ou negligência. Indivíduos e famílias em situação de vulnerabilidade na cidade de São Paulo estão ganhando novas oportunidades através das ações promovidas por um projeto de inclusão produtiva desenvolvido pelo município com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).

Uma das atividades de destaque do projeto Capacitação em Gerência Social foi a criação da Loja Social, um espaço em que o trabalho de artesãos vinculados a ONGs atendidas pelos serviços socioassistenciais da Secretaria Municipal de Assistência Social (SMADS) são expostos e comercializados. A Loja Social funciona como uma escola, ou seja, é um espaço de construção coletiva do conhecimento referente à inclusão produtiva, e engloba desde a elaboração e desenvolvimento do produto em oficinas artesanais, passando pelo desenvolvimento de técnicas de vendas, marketing, controle de estoque e até vitrinismo. Assim, além de promover a geração de renda, o espaço favorece a melhoria das condições de vida dos indivíduos e famílias colocando-os como autores de seu processo de inclusão. 

O foco e a identidade da Loja Social estão na utilização de materiais produzidos com reaproveitamento, reciclagem e/ou customização, que minimizem os impactos ao meio ambiente e que tenham condições de serem reproduzidos pelos usuários por sua simplicidade, utilidade e qualidade no processo de comercialização. Todo o processo é realizado pelos participantes das oficinas, possibilitando também o exercício da autonomia e participação. A prática de comercialização desenvolvida na Loja Social constitui, em muitos casos, fonte de renda para os usuários dos serviços socioassistenciais e que, por razões diversas, não estão inseridos no mercado de trabalho. Atualmente, 16 grupos utilizam o espaço, que tem capacidade para abrigar 21 expositores.

Produtos da Loja Social
PRODUTOS COMERCIALIZADOS NA LOJA SOCIAL. FOTO: DIVULGAÇÃO SMADS.
Associação Fala Mulher é uma das ONGs participantes do projeto. Criada em 2004, atende mulheres em situação de risco social, prostituição, violência doméstica e sexual. A entidade oferece acolhimento, assistência, atendimento e encaminhamento a serviços de orientação psicológica, jurídica e social, além de desenvolver projetos que incentivam a geração de trabalho e renda. 

Através de oficinas de costura e tecelagem, 52 mulheres atendidas pela ONG produzem peças exclusivas, com releituras de obras de arte, que também são comercializadas na Loja Social. O processo, segundo a coordenadora das oficinas, Renata Felintro de Carvalho, resgata a autoestima, a autonomia e a cidadania dessas mulheres. 

“As oficinas oferecem uma alternativa para que essas mulheres possam romper o ciclo de violência em que estão inseridas e fazem com que elas se sintam capazes”, destaca Renata. Ela revela que um número significativo de mulheres envolvidas nas oficinas – cerca de 30, de acordo com o acompanhamento da Associação - saiu da prostituição e encontrou nas atividades de artesanato e tecelagem uma fonte de emprego e renda.  

Desde 2003 o PNUD oferece suporte às ações da SMADS por meio do projeto. “O projeto apresenta excelentes resultados do ponto de vista técnico e substantivo, o que motivou o PNUD e a SMADS a criar uma agenda a fim de identificar boas práticas, como a Loja Social, e a promover o intercâmbio de experiências”, explica Maria Teresa Amaral Fontes, Oficial de Projetos do PNUD Brasil. 

Loja Social
EXPOSITORES VENDEM SEUS PRODUTOS. FOTO: DIVULGAÇÃO SMADS.
Cristina Giugno Neves, Coordenadora do Programa de Incentivo à Rede de Comércio Solidário da SMADS, explica que as ações promovidas através do projeto têm por objetivo fortalecer as organizações para que elas conquistem autonomia, possam buscar parcerias sozinhas e, assim se desenvolvam. Ela destaca que algumas organizações inclusive já conseguem exportar. “O Programa é tão valorizado que praticamente é mantido sem nenhum custo, somente através de parcerias com a sociedade civil. Já conseguimos fazer reformas, doações e até mesmo produzir um livro – Inclusão Produtiva na Cidade de SP -, que está em sua segunda edição”, diz Cristina. 

O reconhecimento à iniciativa Loja Social não tardou. A experiência foi premiada recentemente na Fair Trade International Symposium and GeoFairTrade Final Conference, uma feira internacional realizada em Liverpool, na Inglaterra. Além disso, o projeto tem sido convidado a participar de diversos congressos e eventos do gênero em outros países como Estados Unidos e Indonésia. “Onde apresentamos, o projeto é aceito, e já é considerado referência para outros municípios e secretarias”, avalia Cristina.

Endereço 
 
A Loja Social funciona em um espaço anexo ao prédio da SMADS (Rua Líbero Badaró, 561 – Centro – SP) e está aberta de segunda a sexta, das 9h às 17h. Lá são vendidos itens criados por artesãos com foco no reaproveitamento e reciclagem de materiais, como: colchas, camisetas, bolsas, colares, chaveiros e marcadores de livros. Os preços das peças variam de R$ 3 a R$ 480.

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