segunda-feira, 14 de maio de 2012

Cooperação Sul-Sul impulsiona setor algodoeiro de países em desenvolvimento

Através de projeto coordenado pelo Brasil, países da Africa, América Latina e Caribe receberão assistência técnica e capacitação na área cotonícola; recursos são de fundo relativo ao contencioso do algodão.






Reconhecido mundialmente como líder em tecnologia de plantio direto na área cotonícola, o Brasil tem contribuído para reverter o quadro de estagnação das taxas de produtividade do algodão na África, ajudando a promover o aumento da renda e o acesso das populações rurais a alimentos. Para isso, tem desenvolvido ações inovadoras de cooperação técnica, como o Projeto Cotton-4, implementado desde 2009 pelo Brasil e os quatro países que integram o grupo que dá nome à parceria - Benin, Burkina Faso, Chade e Mali. 
Recentemente, o apoio brasileiro ao fortalecimento do setor agrícola de países em desenvolvimento ganhou novo impulso com a assinatura do projeto “Apoio ao Desenvolvimento do Setor Algodoeiro por meio da Cooperação Sul-Sul”. A iniciativa proverá capacitação e transferência de conhecimento a países da África, América Latina e Caribe no cultivo do algodão, a partir de insumos tecnológicos disponibilizados por instituições brasileiras de excelência no setor, como a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que terão o papel de referência técnica na condução da cooperação.
O projeto é coordenado pela Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores (ABC/MRE), com apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e recursos do Instituto Brasileiro do Algodão (IBA).
Em cinco anos, serão investidos US$ 19,8 milhões (o equivalente a R$ 36,1 milhões) em ações de assistência técnica e capacitação relacionadas a controle, mitigação e erradicação de pragas e doenças; aplicação de tecnologia pós-colheita; compra e uso de bens de capital; adoção de cultivares; treinamento e instrução de trabalhadores e empregadores; serviços de informação de mercado; gestão e conservação de recursos naturais; aplicação de tecnologias para a melhoria da qualidade do algodão; e aplicação de métodos para a melhoria dos serviços de gradação e classificação do produto, entre outras.
Os recursos financeiros são provenientes do Fundo de Assistência Técnica e Fortalecimento da Capacitação Relativo ao Contencioso do Algodão. Administrado pelo IBA, o fundo é resultado das recentes conquistas do Brasil no quadro do contencioso do algodão na Organização Mundial do Comércio (OMC).
Para o Presidente Executivo do IBA, Haroldo Rodrigues da Cunha, o desenvolvimento desse projeto é uma justa retribuição à compensação obtida na disputa comercial sobre o produto travada entre Brasil e Estados Unidos. “Ao contribuir com os países africanos, que sofrem com a miséria e os preços baixos pagos pelo algodão, estamos mostrando um forte lado humanitário. É um legado que esperamos que possa trazer mais desenvolvimento aos países que precisam de ajuda”, afirma o dirigente.O Ministro Marco Farani, Diretor da ABC, ressaltou o caráter estratégico da iniciativa, que enfatiza a relação entre produtividade agrícola e políticas de desenvolvimento, e destacou que a parceria pode abrir oportunidades para a geração de empregos e o aumento da renda nos países produtores do algodão. Notou que o Projeto reforça o vasto programa de cooperação técnica Sul-Sul conduzido pelo Governo brasileiro na área agrícola, especialmente no setor algodoeiro, e que o acréscimo de recursos disponíveis contribuirá para uma atuação cada vez mais efetiva nesse sentido. Farani comentou, ainda, a relevância do apoio do PNUD a essa parceria. “O apoio do PNUD no campo da cooperação é fundamental, é um parceiro imprescindível”, disse.
A cooperação prevista nesse projeto utiliza a reconhecida experiência brasileira no desenvolvimento de técnicas e tecnologias para a cultura do algodão. O país passou da condição de importador à de importante exportador do produto - de acordo com o IBA, o Brasil é o terceiro maior exportador de algodão do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos e da Índia - principalmente pelo grande aumento em produtividade. Tal posição foi obtida pela presença de um forte empresariado agrícola no Centro Oeste e por significativos investimentos feitos em pesquisa agropecuária, que impulsionaram o desenvolvimento de tecnologias adaptadas às novas fronteiras agrícolas.
Segundo o Representante Residente do PNUD no Brasil, Jorge Chediek, a experiência brasileira confere ao país condições de colocar ao alcance de outros países em desenvolvimento seu conhecimento tecnológico. “O mundo quer conhecer o trabalho do Brasil, e nós podemos dar essa contribuição”, afirmou Chediek. Para o dirigente do PNUD, o projeto é extraordinário por várias razões, dentre elas, o fato de contar com recursos do setor privado. “O envolvimento do setor privado nesse projeto é fundamental e permite expandir as parcerias, já que sabemos que a demanda do setor algodoeiro é enorme. Esse investimento deve retornar ao setor privado, explorando a capacidade de negócios”, completou.

Setor algodoeiro

O algodão é um produto que ocupa posição estratégica na política de desenvolvimento e nos programas de redução da pobreza de vários países africanos, notadamente na África Subsaariana. As exportações da commodity chegam a representar 40% da receita total de exportação e até 60% da receita da exportação de produtos agrícolas do Benim, de Burkina Faso, do Chade e do Mali. No Benim, por exemplo, a produção de algodão responde por até 10% do PIB do país.
Mais de 10 milhões de pessoas na região dependem diretamente da produção cotonícola e outros milhões são indiretamente afetados por problemas enfrentados pelo setor, que passa por diversos desafios nos âmbitos nacional e internacional.

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