domingo, 24 de junho de 2012

Mulheres negras na internet



O Geledés – Instituto da Mulher Negra foi criado em 30 de abril de 1988. É uma organização política de mulheres negras, que tem por missão institucional a luta contra o racismo e o sexismo além da valorização e promoção das mulheres negras. O Instituto atua em diversas áreas relacionadas a questão racial como: educação, direitos humanos, violência, gênero, comunicação, saúde, políticas públicas e mercado de trabalho. Em todos esses temas, o Geledés desenvolve projetos próprios ou em parceria com outras organizações de defesa dos diretos de cidadania.
O Portal Geledés é a face do Instituto da Mulher Negra na internet e uma das melhores fontes atuais sobre a questão racial em língua portuguesa, com notícias diárias sobre racismo, sexismo, consciência negra, cultura e  preconceito no Brasil e no mundo. No portal é possível encontrar diversos artigos sobre a questão racial no Brasil; planos de aula para professores entre outros documentos importantes para consolidar a discussão sobre o racismo e a defesa da cidadania. O Portal Geledés é o espaço de expressão pública das ações realizadas pela organização no passado e no presente e de seus compromissos com a defesa intransigente da cidadania e dos direitos humanos.
Sueli Carneiro - Portal Geledés
Sueli Carneiro, que esteve presente no nosso Encontro Nacional em 2011, é coordenadora executiva do Portal Geledés. Além de filósofa e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo. No artigo Raça, cultura e classe no Brasil, Sueli aponta diversas contradições que impregnam o racismo brasileiro:
A fragilidade da democracia racial brasileira evidencia-se também quando se constata a desigualdade nas decisões judiciais: dados coletados em processos criminais em São Paulo atestam que negros e brancos sofrem penas diferentes para os mesmos crimes: processos referentes a roubo qualificado, por exemplo, mostram que 68,8% dos réus negros e 59,4% dos brancos foram condenados. Mesmo entre réus que constituem advogado particular, a diferença persiste: a defensoria particular logrou obter absolvição para 60% dos réus brancos, más apenas 27% dos negros foram absolvidos. Em 480 processos analisados, 27% dos brancos respondiam em liberdade e somente 15% dos negros encontravam-se na mesma situação.
No Estado do Maranhão, onde a população negra representa perto de 80% da população total, encontramos um dos maiores índices de esterilização feminina do país: 75% das mulheres maranhenses em idade reprodutiva estão esterilizadas. Em contrapartida, em Estados de maioria branca, como por exemplo no Rio Grande do Sul, o índice de esterilização de mulheres fica abaixo da média nacional, que é de 44%. Embora a incidência de miomas em mulheres negras seja substancialmente maior em relação às brancas, há uma proporção excessivamente elevada de mulheres negras histerectomizadas: 15,9% contra 3,6% das brancas: úteros desvalorizados, a poucos interessa preservar. Por outro lado, há maior incidência de perdas fetais entre mulheres negras: (17,%), do que entre as brancas, (10%).
A discriminação do negro nos instrumentos didáticos ou pedagógicos é apenas um aspecto da desigualdade no acesso à educação, que se manifesta nos índices superiores apresentados pelos negros quanto a repetência e evasão escolar, e nos índices de analfabetismo e a participação percentual ínfima nos níveis universitários. Articulada com a discriminação no acesso à educação, encontramos no mercado de trabalho a divisão racial do trabalho, encarregada de frear qualquer esforço de mobilidade social para o negro.
Assim sendo, para além da dominação de classes convive-se com a dominação de raça. Se a luta de classes sem trégua que se trava no Brasil tem por sentido estratégico assegurar os privilégios das classes dominantes, a violência racial funciona como mecanismo insubstituível de garantia de todas as posições de mando e de poder no país para o grupo étnico dominante, ou seja, os brancos. O resultado concreto destas práticas sociais é o fato de que os negros estão fora de todas as instâncias de poder da sociedade brasileira.
Portanto, no Brasil desenvolveu-se uma forma muito mais sofisticada, perversa e competente de racismo, através da qual, a intolerância racial mascarou-se em igualdade de direitos no plano legal e concretizou-se na absoluta desigualdade de oportunidades no plano das relações sociais concretas.
O racismo brasileiro está presente em situações cotidianas, mascarado por nossa pretensa falta de conflito. Por isso precisamos repensar nossas próprias atitudes, além de apoiar e divulgar ações de mulheres negras na internet. Dentro do nosso grupo há a busca pela reflexão em relação as mulheres negras e o desejo de buscar sempre ocaminho da diversidade.
Charô e Lara Januário, blogueiras no encontro do LuluzinhaCamp em São Paulo/2009. Foto de Lidi Faria no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Outros sites e blogs que trazem a voz da mulher negra para a internet são:
  • Sem Medida, blog de culinária da Lara Januário.
Se você souber de outros blogs e sites sobre mulheres negras indique nos comentários. E participe da nossa Blogagem Coletiva com o tema Dia da Consciência Negra. Dias 20 e 21 de novembro escreva um post no seu blog sobre o tema e nos envie o link. Ele entrará numa lista de posts participantes que será publicada no dia 22/11.

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