terça-feira, 28 de julho de 2015

Mulher Negra Latino-americana e Caribenha Homenagens em Montes Claros/MG

Por Mônica Aguiar 

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher Latino-americana e Caribenha, a Coordenadoria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social de Montes Claros, com apoio do Fórum Estadual de Mulheres Negras de Minas Gerais, realizou um evento, dia 24 de julho, no auditório do campus São Norberto das Faculdades Integradas do Norte de Minas.

Amanda Souza 
A programação do evento contou para além da homenagem às mulheres negras que destacam em Minas Gerais em suas respectivas funções,  com  apresentação musical da cantora Amanda Souza, que foi eleita Miss Beleza Negra na edição 2012 do concurso organizado pela Coordenadoria de Igualdade Racial;  e lançamento do Projeto Coral Afro.

Entre as presenças,  a Secretária de Estado de Educação de Minas Gerais, Macaé Evaristo, foi uma das agraciadas.

De branco Secretária de Estado da Educação Macaé Evaristo
Azul - Vera Nice ( Nega Brexó) 

A Coordenadora de Políticas de Promoção da Igualdade Racial de Montes Claros Vera Nice, conhecida em toda região como Nega Brexó,  é uma das dirigentes do Fórum Estadual de Mulheres  Negras em Minas Gerais, militante feminista,  histórica na luta pela mulher negra com enfase na beleza negra, cultura e esporte. 
Brexó tem uma larga história no esporte, sendo uma das primeiras atletas negra da seleção mineira de handebol em 1975. Atualmente cursa Tecnologia em gestão pública. 

"Que as mulheres negra se identifiquem, mostre sua capacidade, sua beleza, sua inteligência na vida política e social. A identificação de sua história e exercício da sua cidadania cotidianamente é fundamental para enfrentar o racismo e o patriarcado", afirma Brexó. 

Edna Amarelo Diretora FEMN Nova Lima 

A data (25 de julho) foi definida durante o Iº Encontro de Mulheres Negras Latino-americanas e Caribenhas, em San Domingos, na República Dominicana quando mulheres de 70 países se reuniram com o objetivo chamar a atenção da sociedade a respeito das condições de opressão racial e de gênero que essas mulheres enfrentam no mundo.

sábado, 25 de julho de 2015

A suposta força infinita da mulher negra

Cena do filme Vênus Negra, com a atriz Yahima Torres
 e dirigido por Abdellatif Kechiche. O filme conta
a história de Saartjie Baartman
Venho tentando escrever esse texto há algum tempo. Todo mundo conhece o estereotipo da negra forte e independente. Muita gente que eu conheço (inclusive eu e meus amigos) já repetiu rindo a frase “I’m a strong Black independent woman who don’t need no man”.
A imagem da mulher negra forte, que aguenta tudo sozinha e que suporta qualquer coisa, é reproduzida o tempo todo. Nos filmes, nas séries, nas novelas, nas músicas, todo dia.  É uma imagem que me acompanhou a vida toda. E força extraordinária parece ser um bom atributo, então muitos escolhem não pesar as consequências desse imaginário.
Muita gente não entende (ou se recusa a entender) que continuar alimentando essa noção falaciosa de que as mulheres negras são extraordinariamente fortes, de que somos feitas para tolerar mais dor, de que somos destinadas a superar mais dificuldades, é normalizar as violências sofridas por nós. Quando presumimos que as mulheres negras são excepcionalmente fortes, capazes de suportar todo e qualquer abuso, passamos a acreditar que as mulheres negras estão acostumadas a sofrer e que a dor que as mulheres negras sentem é menos humana.
Em junho deste ano, a Larissa Borges, diretora de programas de Ações Afirmativas da SEPPIR, declarou que “a dor das mulheres negras é vista pelos profissionais de saúde de forma hierarquizada, como uma dor que pode esperar. Temos uma situação na qual o racismo determina a forma como vamos nascer, viver e morrer”. É essa mentalidade que faz com que mulheres negras recebam menos anestesia na hora do parto.  É essa mentalidade que faz com que mulheres negras não recebam informações sobre alimentação apropriada durante a gravidez. É assim que muitas mulheres negras deixem de receber o acompanhamento psicológico adequado.
Ao mesmo tempo, a brutalidade direcionada às mulheres negras não gera indignação generalizada. Os assassinatos de mulheres negras não chocam. A hashtag #BlackWomenMatter ainda não se materializou em um debate real. A Cláudia já foi esquecida pela grande mídia. Ao saber do que aconteceu com Verônica, a primeira coisa em que muitos pensaram foi que ela deveria, de alguma forma, ter provocado essa violência. O caso da estudante Vitória mal foi noticiado. A morte daNatasha McKenna sequer é lamentada. Muita gente não ouviu falar sobre o que aconteceu com aHaíssa. Grande parte dos inúmeros casos de violência policial dirigida a mulheres negras é ignorada.
Ver mulheres negras sobre a ótica de uma força infinita é um jeito perverso de naturalizar as agressões às quais estamos submetidas diariamente. Não escrevo texto para dizer que somos frágeis, só quero lembrar que somos humanas.
*Bárbara Paes é negra, feminista, estudante de Relações Internacionais

Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha terá programação especial no Recife

Neste sábado, é comemorado o Dia da Mulher Negra, Latino-Americana e Caribenha. Para comemorar a data, que foi criada para estimular a reflexão acerca das discriminações e da vulnerabilidade social a que são expostas as mulheres negras e afrodescendentes na região latina, a Prefeitura da Cidade do Recife realizará onze ações educativas, entre os dias 23 de julho e 1 agosto. A iniciativa incluirá rodas de diálogo, exibição de filmes, debates e espetáculos culturais.

A primeira ação acontecerá no Pátio de na sede do Núcleo da Cultura Afro-Brasileira, localizada na casa 34 do Pátio de São Pedro, bairro de santo antônio, área central do Recife. Uma roda de diálogo, que começará a partir das 14h, discutirá as políticas de saúde para a população negra, com ênfase na mulher. No mesmo local, a Secretaria de Desenvolvimento e Empreendedorismo cadastrará afroempreendedoras, para a implementação de políticas de fomento ao empreendedorismo voltadas para a economia solidária e Prodarte (Programa de Artesãos do Recife).

No mesmo dia, às 19h, na Caixa Cultural, no Bairro do Recife, será exibido o documentário A Negação do Brasil, de Joel Zito Araújo, que retrata a luta dos atores negros pelo reconhecimento nas telenovelas brasileiras. Após a exibição acontece no local um debate sobre o filme. Para encerrar as açãos, no dia 28, será promovido um Café da Manhã - Diálogo com as Servidoras Negras, na Praça de Alimentação da PCR, às 8h.

Confira a programação na íntegra:
Roda de Diálogo com a juventude negra sobre saúde, violência e estética
Data: 23/07/2015
Horário: 14h
Local: Núcleo de Cultura Afro
Facilitadoras:
Lindacy Assis - Coordenadora de Políticas Públicas do Grupo Nacional de Gênero com Doenças Falciforme.
Sony Santos - Gestora Municipal da Política de Saúde Integral da População Negra - Secretaria de Saúde do Recife. (Política de Saúde da População Negra)
Conceição Costa - Secretária Executiva de Políticas Públicas para as Mulheres - Secretaria da Mulher do Recife (Violência Contra Mulher)
Vanessa Marinho - Educadora e Mestra em História na UFPE (Estética Afro) 

Ação de cadastro das Afroempreendedoras
Data: 24/07/2015
Local: Pátio de São Pedro

Descobrindo-se mulher negra e enfrentando o racismo ambiental
Data: 25/07/2014
Horário: 10h
Local: Eco Núcleo da Jaqueira
Facilitadoras:
Gabrielle Conde - Arte Educadora, Técnica da Gerência de Igualdade Racial do Recife - Africanidade e Corporeidade - Corpos Femininos e Natureza Ancestral
Ana Benedita - A Arte de Contar as Histórias Africanas

Festival Mocambo - Vivência com mulheres negras
Data: 25/07/2015
Horário: 14h
Local: Pátio de São Pedro
Facilitadoras:
Gabrielle Conde - Arte Educadora, Técnica da Gerência de Igualdade Racial do Recife - Africanidade e Corporeidade - Corpos Femininos e Natureza Ancestral
Prof. MS. Dayse Moura - NEAB - UFPE - Tornar-se Mulher Negra - Mulheres Negras Lélias

Atração cultural: Banda Casas Populares da BR-232
Horário: 16h

Festival Mocambo - Recife Antigo de Coração Aberto para as Mulheres Negras e Ação de Cadastro da Afroempreendedoras
Data: 26/07/2015
Horário: 14h - 20h
Local: Avenida Rio Branco

Olhar das Mulheres Negras e de Matrizes Africanas sobre o Capibaribe - Passeio de Catamarã
Data: 27/07/2015
Horário: 14h
Local de Concentração: Marco Zero
Facilitadoras:
Mãe Elza De Iyemonja - Técnica de Comunidades Tradicionais da Coordenadoria Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Pernambuco
Marta Almeida - Técnica de Igualdade Racial da Coordenadoria Estadual de Promoção da Igualdade Racial de Pernambuco

Programa Datas de Valor
Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela

Café da Manhã e Diálogo com as Servidoras Negras
Data: 28/07/2015
Horário: 8h
Local de Concentração: Praça de Alimentação da PCR
Convidadas:
Dra. Bernadete Azevedo - MPPE
Capitã Lúcia Helena Salgueiro - GT Racismo da PMPE/SDS
Dra. Cláudia Freitas / Marta Rosana - GT Racismo da PCPE/SDS
Prof. MS. Dayse Moura - NEAB-UFPE
Gal Almeida - FUNDARPE

Cine Debate
A Negação do Brasil - de Joel Zito Araújo
Data: 24/07/2015
Horário: 14h
Local: Auditório Capiba – Prefeitura da Cidade do Recife, Avenida Cais do Apolo, 925, Bairro do Recife
Facilitadora:
Secretaria da Mulher

Cine Debate
Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado - de Joel Zito Araújo
Data: 24/07/2015
Horário: 16h
Local: Auditório Capiba – Prefeitura da Cidade do Recife, Avenida Cais do Apolo, 925, Bairro do Recife
Facilitadora:
Secretaria da Mulher
Cine Debate
Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado - de Joel Zito Araújo
Data: 28/07/2015
Horário: 14h
Local: Memorial da Justiça – TJPE - Avenida Alfredo Lisboa, s/n, Bairro do Recife
Facilitadora:
Secretaria da Mulher

Cine Debate I
A Negação do Brasil - de Joel Zito Araújo
Data: 30/07/2015
Horário: 19h
Local: Caixa Cultural - Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife
Facilitadora:
Secretaria da Mulher

Cine Debate II
Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado - de Joel Zito Araújo
Data: 31/07/2015
Horário: 19h
Local: Caixa Cultural - Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife
Facilitadora:
Secretaria da Mulher

Cine Debate I
A Negação do Brasil - de Joel Zito Araújo
Data: 01/07/2015
Horário: 16h
Local: Caixa Cultural - Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife
Facilitadora:
Secretaria da Mulher

Cine Debate II
Cinderelas, Lobos e um Príncipe Encantado - de Joel Zito Araújo
Data: 01/07/2015
Horário: 19h
Local: Caixa Cultural - Avenida Alfredo Lisboa, 505, Bairro do Recife
Facilitadora:
Secretaria da Mulher

Mulheres negras ocupam posições "invisíveis" em universidades

Qual o lugar da mulher negra na maior universidade pública do país? A ausência de pessoas com esse perfil entre alunos, professores e na gestão foi questionada no debate A Mulher Negra no Mundo do Trabalho,  pelo Sindicato dos Trabalhadores em Educação da Universidade Federal do Rio de Janeiro. O evento marcou as celebrações do Dia da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha, comemorado neste sábado (25). De acordo com uma das diretoras do sindicato, Marli Rodrigues da Silva, a universidade tem número grande de mulheres negras em posições “invisíveis”. Geralmente são as terceirizadas – copeiras, faxineiras –, que passam despercebidas, e servidoras que não ocupam a gestão, lembrou ela.
Segundo Marli, encontrar mulheres negras entre estudantes e professores é ainda mais difícil. “Elas estão ausentes desses espaços, principalmente, nos cursos de exatas”, pontuou.
Para tentar promover uma mudança na universidade, a diretora diz que é preciso falar sobre essa realidade e propor mudanças práticas. “Ou seja, criar condições dessas mulheres ascenderem”, disse. No caso das servidoras e funcionárias terceirizadas, ela citou iniciativas importantes, como aulas de alfabetização, cursos e condições efetivas para elas crescerem profissionalmente. A representante do Diretório Central do Estudantes da UFRJ Gabriela Celestino, aluna de enfermagem, que participou do debate, aproveitou para denunciar casos de racismo institucional, que impactam no dia a dia das alunas. Sem citar nomes, relatou casos de estudantes negras constrangidas, principalmente, por causa do penteado ou do cabelo afro.
“As mulheres negras vêm para universidade, um mundo que não é nosso, e sofrem discriminação em sala de aula. São vários casos de sexismo e de racismo, com professores, por exemplo, mandando as meninas negras prenderem ou arrumarem seus cabelos”, revelou.
A pró-reitora de Pessoal da UFRJ, Regina Dantas, que assumiu há uma semana, disse que o debate sobre o lugar da mulher negra na universidade ajuda a desvelar o tema. Ela propôs ampliar a discussão. “Temos o hábito de só olhar para a questão de gênero, mas temos que ir além. Pensar como o Brasil produziu o racismo e enfrentá-lo”, concluiu.
Fonte: EBC

Porque reverenciamos o 25 de Julho, dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha?

Por  

Leonildes Regis : Centro de Ref. de Cultura Negra
da Mulher Negra MG
As mulheres negras nunca reconheceram o mito da fragilidade que sempre justificou os espaços subalternos que lhes foram dados. Aprenderam muito cedo o quanto duro é o trabalho nos espaços disponibilizados e acima de tudo que suas vidas valiam o que lutassem para ter.  O processo que desumaniza a população negra, fez com que o machismo sobre essas mulheres, tivesse um impacto maior do que nas demais, principalmente na mercantilização de suas vidas e corpos, além de sua  afetividade.
Sabemos quais são as consequências da negação do papel da mulher negra na formação da cultura dos povos, especialmente na política partidária e na área social. Mesmo entre os movimentos feministas mais avançados e plurais, há ainda hoje uma dificuldade em reconhecer as mulheres negras que estiveram presentes nas lutas e movimentos sociais e principalmente na capacidade destas de ocupação de espaços “privilegiados”. As heroínas e intelectuais  negras,  são totalmente invisibilizada nos processos históricos.
Após séculos de exploração, ainda há de forma intensa a erotização e apropriação do corpo da mulher negra, onde na divisão entre santas e profanas, acabam por ocupar o espaço de diversão casual. Nada diferente do passado por mulheres negras na diáspora como um todo  e principalmente na América Latina, onde essa identidade é legitimada a partir de raízes euro-ocidental, raiz que rejeita a presença negra na história e vida cotidiana, que exclui e discrimina estas. Por conta do entendimento desta realidade comum na diáspora negra, um grupo de mulheres negras viu a necessidade de iniciar um debate em nível internacional sobre a situação da população afro descendente, o racismo, discriminação e principalmente questionar a identidade europeia imposta a esse povo.
Diante da constatação de que é difícil ser negra latino-americana numa sociedade construída a partir do racismo e do patriarcado, essas delinearam os países latino-americanos via exclusão territorial, social, econômica e política. Esses dados confirmaram a realidade da diáspora negra na perspectiva racial e principalmente das mulheres negras, onde essa identidade implica em sofrer uma dupla opressão historicamente construída e a hegemonia de um gênero sobre o outro. Ao compreender esses fatos, surge a necessidade de construir uma identidade global com uma articulação que pudesse permitir ter uma maior visibilidade desta situação em toda região.
Essas mulheres internacionalizaram o debate que faz surgir o movimento das mulheres afro-latinas e caribenhas, contribuindo desta maneira para a criação da maior antena preta feminista. Essa união permitiu a aproximação de profissionais de comunicação, cultura, acadêmicos e áreas afins que hegemonizaram a luta negra na diáspora de forma continental. A partir desta articulação, em 1992, em Santo Domingo, na República Dominicana, realizou-se o 1º Encontro de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas, do qual decorreram duas decisões: a criação da Rede de Mulheres Afro-latino-americanas e Afro-caribenhas e a definição do  25 de julho como Dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha.  Data que nos dias de hoje, temos  orgulho  em comemorar.
O 25 de Julho internacionaliza o feminismo negro via aglutinação da resistência das mulheres negras à cidadania nas regiões  em que vivem, principalmente as  opressões de gênero e étnico-raciais. Desta forma, essa data amplia e fortalece as organizações e identidade das mulheres negras, que vem construindo estratégias para o enfrentamento do racismo e do sexismo. Essa não é uma data qualquer  para nós mulheres negras, ele significa o rompimento com um feminismo que nunca nos contemplou. Resgata a luta das mulheres negras da diáspora, iniciada ainda na década 70, através das feministas negras em pontos diferentes da diáspora.
Comemorar o  25 de julho é celebrar e reverenciar a elaboração de novas perspectivas feministas, em especial da introdução da diferença na teoria feminista tradicional. Afinal não podemos esquecer que o feminismo que ressurgiu na década de 1970, afirmava uma identidade feminina homogênea, logo não se conseguia identificar e visibilizar demandas específicas de mulheres que sofriam com a intersecção de diversas condições como, gênero, raça, classe, etnia, orientação sexual e religiosidade.
Fortalecer o 25 de  julho é  dá visibilidade e energia a emancipação das mulheres negras de um feminismo que colocava a opressão de gênero como  fator opressor prioritário para as mulheres, sem levar em conta as demandas das mulheres negras. É  fortalecer a emancipação  de um feminismo que não conseguia abarcar as diferenças entre estas ou seja, o  olhar  para as múltiplas experiências e identidades femininas.
Empoderar essa data é contribuir  na luta histórica de mulheres que foram e são protagonistas   no pautar e exigir de seus países o atendimento de  demandas que nos dias de hoje melhora a qualidade de vida da população negra é lutar pela garantia e  ampliação do acesso a direitos já conquistados, principalmente  na construção enquanto continente de afros descendentes como uma  nação transnacional. É nessa construção coletiva que precisamos acreditar quando reverenciamos o 25 de julho, dia da Mulher Afro-latino-americana e Caribenha.
Blogueiras Negras / Foto : Mônica Aguiar 

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Supremacia Branca em Imagens : Reflexos da Beleza Negra

Foto da programação
Por Mônica Aguiar 
Professora da Universidade de Drexel, nos Estados Unidos, Yaba Blay, conferencista no Festival da Mulher Afro-Latino-Americana e Caribenha (Latinidades)  abordou ontem(22) , em Brasilia, Uma questão de Beleza Negra .  Durante sua palestra reafirmou  que a beleza é algo construído socialmente, e confere privilégios para quem a detém e que mesmo com as diferenças de nações existe de fato  um padrão mundial de beleza. Basta colocar a palavra beleza no nos sites de pesquisas  que surgirá páginas e páginas, predominantemente de mulheres brancas, acrescenta. Portanto, "no contexto da supremacia branca, vemos que o poder funciona como hierarquia, onde o branco está no topo, associado ao belo, e a negritude, na base, associada ao que é bárbaro, negativo e feio", diz Yaba Blay .  Na conferência, Yaba também chamou a atenção para a apropriação da cultura negra. Penteados e vestimentas, que estão sendo usados e divulgados por pessoas brancas. "Um mesmo penteado em uma mulher branca é chique e em uma mulher negra é largado ou não profissional. Por que quando uma mulher branca usa um certo penteado que as mulheres negras sempre usaram elas recebem o crédito ou são dadas como pioneiras, mas quando as negras o fazem são taxadas como desleixadas?", questionou. 
Embora sejam mais da metade da população, as mulheres negras são 4% das atrizes dos 218 filmes nacionais campeões de bilheteria entre 2002 e 2012, de acordo com pesquisa do Grupo de Estudos Multidisciplinares da Ação Afirmativa do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 
Entre as mulheres, a questão racial associada à beleza é mais evidente. O padrão feminino de beleza é branco, mas o masculino, de força e virilidade, é negro. Alisar os cabelos ou branquear a pele são efeitos desse contexto, segundo a pesquisadora, e pergunta: "O que isso faz com a nossa autopercepção?" Para dar visibilidade à beleza negra, ela criou a página PrettyPeriod  (BonitaPonto) na internet (http://prettyperiod.me/), na qual divulga imagens de mulheres negras.
Yaba Blay é professora universitária da disciplina Africana Studies, na Universidade de Drexel, além de produtora e editora. Sua produção intelectual sobre estéticas e práticas culturais, cultura popular negra, identidades negras, colorismo e políticas raciais em âmbito global são originais e amplamente reconhecidas. Blay é autora do livro (1)ne Drop: Shifting the Lens on Race, e diretora artística do projeto One Drop, que levou as ideias da obra para o formato de documentário. (EUA)
SOBRE FESTIVAL 
O Festival Latinidades começou ontem  (22) e vai até domingo (26). 
A programação, que inclui palestras,  exibições de filmes e shows 

A edição 2015 acontecerá de 22 a 26 de julho, no Cine Brasília, e terá como tema Cinema Negro
A ideia é debater o protagonismo e a representação das mulheres negras no cinema, colocando-as no centro do debate sobre políticas públicas para o audiovisual. Produtoras, roteiristas, atrizes, editoras, dubladoras, câmera-woman – quantas conhecemos? Quantas estão no mercado? Afinal, o que é o cinema negro? Que cinema está sendo produzido na diáspora negra? Quais os circuitos onde é possível acessar esta produção? Como está representada a imagem da mulher negra no cinema? Como criar uma rede de circulação da produção cinematográfica/audiovisual produzida por pessoas negras, valorizando temas específicos e transversais? Estas são alguns dos temas propostos para esta oitava edição.  www.afrolatinas.com.br

Projeto Determina Retrocessos na Política Nacional de Demarcações de Terras Indígenas

Jerá Guarani 
A pressão contra a demarcação de terras indígenas é um dos principais temas discutidos durante a etapa local da Conferência Nacional de Política Indigenista (CNPI), que começou nesta quarta-feira (22) na aldeia Tenondé Porã, em Parelheiros, extremo sul da capital paulista. Ficarão reunidos até hoje (23) índios guaranis do Vale do Ribeira, litoral sul do estado, e da própria cidade de São Paulo. O encontro faz parte da preparação para as etapas regional (setembro) e nacional (novembro).  Uma das maiores preocupações dos índios é a proposta de emenda à Constituição (PEC) 215, de 2000. Em tramitação na Câmara dos Deputados, o projeto transfere para o Congresso Nacional a competência de demarcar as terras indígenas, que hoje é do Ministério da Justiça e da Presidência da República. Se aprovada, a alteração permitirá ainda modificar os limites de territórios já homologados.  
Marcos Tupã um dos coordenadores do encontro,  atribui a PEC e outros projetos que tramitam no Congresso à ação da bancada ruralista – grupo de deputados e senadores unidos pela defesa dos interesses do agronegócio. Em consonância  com isso estão também o projeto de mineração em terras indígenas e outros projetos de lei que preveem "mudanças trágicas em relação aos nossos direitos já conquistados”, reclama ele. 
A reunião ajuda a fortalecer a articulação dos povos, na avaliação de uma das líderes da aldeia Tenondé Porã, Jerá Guarani. “Para o Povo Guarani, mesmo separado em regiões diferentes, o significado da luta é um só: fortalecer o nosso modo de ser”, ressalta uma das anfitriãs do evento.
Apesar da defesa das tradições, o movimento indígena também está aberto a mudanças para abrigar questões como o empoderamento das mulheres que começaram a entrar na política interna da aldeia, ressalta Jerá. “É recente. Na Tenondé, há alguns anos só tinha uma, que era eu, na liderança. De resto, eram todos homens. E hoje nós temos oito mulheres [em cargos de] liderança”, explica.
Essas mulheres, destaca Jerá, muitas vezes têm bom trânsito tanto dentro das comunidades quanto em relação aos não índios, o que fortalece a articulação. “Como as professoras, que entendem o guarani, mas também entendem a cultura dos não-indígenas. Essas se colocam como protagonistas na luta pela terra”, completa. Fonte: EBC

Documentário discute papel da mídia na ‘objetificação’ da mulher

Joana Darc - Religiosa de Matriz Africana 
Curta-metragem ‘Mulheres brasileiras: do ícone midiático à realidade’ critica a forma com que os meios de comunicação no país exploram a imagem das mulheres e impõem padrões estéticos e comportamentais
“É fundamental entender a estreita relação entre os direitos efetivos da mulher e a ruptura dos estereótipos sociais. Nesse terreno, parece inegável o papel dos grandes meios de comunicação para configurar modas, clichês, orientar os hábitos de consumo e reforçar os modelos de conduta.” É esta questão discutida no documentário Mulheres brasileiras: do ícone midiático à realidade, produzido por Pueblos – Revista de Informação e Debate y Paz con Dignidad, organizações espanholas que atuam na área de direitos humanos.
O curta-metragem, disponível para visualização gratuita no canal do YouTube, entrevista várias feministas e especialistas para mostrar como as mulheres brasileiras são constantemente “coisificadas” para promover a venda de produtos e a conquista de audiência. Uma das questões abordadas no vídeo é o grande impacto negativo que a concentração midiática em poucas (e poderosas) mãos tem na construção de estereótipos e padrões femininos que não representam nem de longe a imensa diversidade do país.
“Do Rio de Janeiro a Manaus, da Bahia a São Paulo, nessas terras se misturam indígenas, africanas, europeias e asiáticas, das quais apenas 47% se definem como brancas. As outras 53% são pardas, negras, amarelas e vermelhas, conforme o limitado espectro de cores utilizado pelo IBGE. Se somos capazes de observar essa diversidade em nossa sociedade, por que os grandes meios de comunicação mostram um único modelo de mulher? Quem está atrás dessas imagens? Quem decide o que vende e quais são os cânones de beleza, prestígio e êxito de nossa sociedade? Em definitiva: quem controla a informação?”, questiona a locutora no curta-metragem.
De maneira didática e com o uso de depoimentos, o vídeo explica como este modelo de mídia reforça uma cultura machista em nome (também) da maximização dos lucros. “Esta concentração dos meios de comunicação gerou uma disputa acirrada pelas fatias do público e da publicidade. Aos poucos, essa necessidade de vender o que é supostamente bom e bonito, aquilo que conquista a audiência, criou o standard de beleza e comportamento e acabou com a diversidade e complexidade na representação da mulher. Hoje, só vai ao ar o que pode ser facilmente consumido pelo público, o que, na prática, significa uma mulher branca, magra, jovem e heterossexual”, critica o vídeo.
Com roteiro e direção de Alba Onrubia, Andrea Gago Menor e Laura Daudén, o vídeo traz depoimentos das organizadoras da Rede Mulher e Mídia, Terezinha Vicente e Rita Freire; da diretora do Instituto Patrícia Galvão, Jacira Melo; da psicóloga e ativista Íris Miranda; e de Melissa Miranda, jornalista e ativista.
Fonte: Rede Br. Atual 
Foto : Mônica Aguiar 

quarta-feira, 22 de julho de 2015

Religião de Matriz Africana são as mais Agredidas no Brasil - Afirma Pesquisa

Embora sejam praticadas por 0,3% da população, de acordo com o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as religiões de origem africana são as que mais sofrem discriminação. De acordo com os dados do Disque Direitos Humanos, o Disque 100, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH), de 2011 a 2014, do total de 504 denúncias, 213 informaram a religião atacada. Em 35% desses casos, trata-se de religiões de matriz africana.
A liberdade de crença é uma das garantias do Estatuto da Igualdade Racial, Lei 12.288/2010, que completou cinco anos nesta segunda-feira (20). A lei protege as religiões de matriz africana e os locais de culto. Apesar do respaldo legal, organizações dizem que há cada vez mais casos de violação desse direito.
Independentemente da religião, os dados mostram ainda que negros são as maiores vítimas. De 2011 – quando o Disque 100 começou a receber denúncias específicas de discriminação religiosa – a 2014, foram feitas 504 denúncias e 597 pessoas foram vítimas do preconceito, pois uma mesma denúncia pode envolver mais de uma vítima. Entre as 345 vítimas que declararam a cor, 210 são pretas ou pardas. O número representa 35,2% do total de vítimas e 60,8% do total de vítimas que declararam a cor de pele.

Evangélicos
Em segundo lugar no ranking da SDH, com 27% das denúncias com identificação, está a religião evangélica, praticada, segundo o Censo, por 22,2% da população brasileira. 


Estatuto da Igualdade Racial
Estatuto da Igualdade Racial (Foto: Reprodução)