segunda-feira, 24 de novembro de 2014

Lei isenta quilombolas de pagar Imposto Territorial Rural

As  comunidades quilombolas estão isentas de pagamento do Imposto Territorial Rural (ITR). A novidade, prevista na Lei 13.043 e sancionada no dia 13 de novembro, estabelece ainda que as dívidas acumuladas devido à cobrança do imposto e registradas como dívida ativa serão perdoadas.
Para o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), a vitória conquistada no mês da Consciência Negra repara uma injustiça histórica. “A cobrança do ITR era mais uma pedra no caminho do direito coletivo à terra. É certo que este imposto, cuja cobrança é vinculada às propriedades privadas rurais com fins eminentemente produtivos e/ou especulativos, não deveria se aplicar às terras coletivas quilombolas”, informou o instituto, em nota.
De acordo com a Fundação Cultural dos Palmares, há mais de 3,5 mil comunidades quilombolas em todo Brasil. No entanto, apenas 187 contam com título coletivo. Apesar disso, estes grupos possuem direito de propriedade das terras onde vivem garantido pela Constituição Federal de 1988.
A legislação anterior, de 1996, determinava que apenas assentamentos oficialmente incluídos nas políticas de reforma agrária e pequenas propriedades exploradas pelo proprietário e família eram isentos de cobrança do imposto.
De acordo com o novo texto, “imóveis rurais oficialmente reconhecidos como áreas ocupadas por remanescentes de comunidades de quilombos que estejam sob a ocupação direta e sejam explorados, individual ou coletivamente, pelos membros destas comunidades são isentos do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural”.
Participaram da articulação para proposição da emenda, que posteriormente tornou-se lei, o Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), a Comissão Pró-Índio de São Paulo (CPI-SP), a Associação Brasileira de Reforma Agrária (Abra), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (Cnbb) e o movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Em carta, o movimento havia solicitado à Câmara dos Deputados urgência na solução das dívidas dos quilombolas em relação ao imposto. O grupo ainda informou que comunidades no Pará enfrentavam problemas na justiça por conta das dívidas. Com isso, alguns quilombolas estavam impedidos de emitir certidão negativa junto à Receita Federal e participar de programas como o Minha Casa, Minha Vida, por exemplo.

quinta-feira, 20 de novembro de 2014

Monica Aguiar: 20 de Novembro e o papel da mulher negra na sociedade

Monica Aguiar: 20 de Novembro e o papel da mulher negra na sociedade

20 de novembro: Uma reflexão sobre o atual papel da mulher e negra na sociedade.

Por Mônica Aguiar 


A mulher está cada vez mais, conquistando seu espaço no ambiente profissional e participando, pela primeira fez e de forma definitiva, das mudanças ocorridas nas instâncias de Poderes.

As habilidades e características femininas passam a ser valorizadas pela sociedade, deixando a mulher, aos poucos de ser uma mera coadjuvante em determinados segmentos sociais e profissionais, iniciando seu acesso a posições estratégicas e às esferas decisórias.

Em relação ao trabalho, tais mudanças são ainda mais visíveis. No processo de reestruturação produtiva e com a crescente oferta no mercado de trabalho, a mão-de-obra feminina tem sido cada vez mais aceita e solicitada. O Crescimento da participação feminina no mercado de trabalho é intenso e diversificado e não retrocedeu nos últimos anos.

As mulheres com formação técnica estão em maioria no mercado de trabalho formal que inclui indústria, construção, comércio, serviços e agropecuária. Sua participação no entanto, varia com a área, pois a grande maioria permanece condicionada no setor de serviços.

As mulheres têm hoje maior participação não só no mercado de trabalho, como também nas esferas econômicas e entre os empreendedores já representam praticamente a metade neste setor.

Quanto aos lares a maioria deles são chefiados por mulheres, quando analisados grupos pretas e pardas, estas estão acima da média nacional e têm maior participação na renda de suas famílias.

Atualmente as mulheres se sentem mais à vontade e escolhem de forma mais livre com quem e como querem estabelecer suas relações conjugais, demonstrando o aumento de sua afirmação pessoal como ser humano dotado de direitos e não apenas deveres. Na realidade, as mulheres partem da esfera doméstica à diferentes funções na sociedade moderna, mas as conquistas sociais têm sido alcançadas e assimiladas de forma diferente, variam de acordo com a classe social, o grau de escolaridade e a cor.

Ao analisar na história as desigualdades sociais, raciais, e o papel social desempenhado pelas mulheres, podemos afirmar que apenas uma ou outra mulher teve a possibilidade real de superação das desigualdades anteriores aos últimos doze anos.

A nossa sociedade foi construída tendo como base de seu pilar: o racismo, o machismo, o patriarcalismo, no qual o homem sempre ocupou o espaço público e a mulher, o privado.

E um desafio importante é poder compreender a amplitude dos avanços obtidos para as mulheres e para população negra, e ao mesmo tempo conviver com valores patriarcais e eurocêntricos mantidos por alguns homens que ocupam cargos de poder e prestígio e não querem de forma nenhuma que as mulheres, principalmente as negras, tenham acessos aos direitos fundamentais e sociais.

O contingente feminino tem sido sujeito de limitações promovida por estes senhores, que fazem questão de mascarar, velar e fomentar dificuldades que impedem o acesso de cargos estratégicos, representações de poderes, ascensão na carreira, especialmente no que se refere à dinâmica de conciliação das demandas familiar e profissional.

Qualquer medida afirmativa, afixada ou paliativa, agita as estruturas imaginárias que afiançam o espaçoso, rico e grande poderio.

A desqualificação da imagem da mulher negra nas peças publicitárias e programas de Tvs, enquanto prática de  interação, não pode ser  considerada ingênua, natural, desprovida de intencionalidade, pois servem de fortalecimento das desigualdades, privilegiam manifestações ideológicas classistas. 

Dentro deste  campo denominado  produção simbólica,  tais práticas como presenciamos hoje, influenciam e reproduzem  para o pensamento social valores que reforçam os  preconceitos e a discriminação racial e constitui, no imaginário coletivo, a imagem subjetiva de democracia racial.  Esta estrutura que se mantém, reforça a desigualdade sexual existente trazendo prejuízos econômicos e políticos para a figura feminina.

A prática do racismo institucionalizado e velado mantida por este setor anacrônico, contraria o exercício da democracia e da cidadania, vitima cotidianamente a mulher negra, dificultando a implementação das políticas especificas que asseguram a igualdade e equidade. A cor da pele ainda é o que classifica o potencial educacional e político das mulheres, isto além de criar mecanismo que dificulta acesso as oportunidades e reserva direitos.

A mulher ao longo dos anos vem desenvolvendo estratégias para lidar com os problemas estruturais e ideológicos,  na jornada de trabalho, no lar e fora dele. O empenho que as mulheres tem realizado em prol a construção da nossa sociedade, justa, oportuna e verdadeiramente equilibrada, é uma característica individual das mulheres que começam a desejar e desenhar um novo papel, outras possibilidades, produzindo uma nova forma de conviver com os homens, ao mesmo tempo rompendo com valores e com mazelas que as oprimem e segregam. Tais mudanças de comportamento, responsabilidades e conceitos, dialogam com o conjunto de conquistas obtidas através da luta dos que se organizam nos movimentos sociais, entidades feministas e nos movimentos de negros e negras brasileiros.

Os esforços realizado pelo governo brasileiro, em especial através da SEPPIR e da SPM em desenvolver Políticas Nacional de Promoção da Igualdade Racial e Políticas para as Mulheres, tem apontado visivelmente para um melhor desempenho das mulheres e da população negra na educação, tem dado resposta às metas referentes às iniquidades de gênero e raça na educação.

Com tantos avanços obtidos e metas cumpridas, o 20 de novembro também precisa ser ressignificado, com a contribuição das mulheres negras à história brasileira.
Homenagens a Zumbi dos Palmares, mas também o papel de Dandara e de Luiza Mahin na luta contra a escravatura. Assim como as contribuições de mulheres negras na sociedade atual nos campos das artes, da política e das ciências, como no caso das escritoras, das médicas, das milhares de militantes os movimento sociais e sindicais.



As mulheres sempre foram pacientes e hoje  acreditam em caminhos novos e em novos desafios, já se manifestam com a consciência que são grandes e que contribuem com a construção  paulatina da nação e muitas fazem desta posição um projeto de vida,  almejando a manutenção apenas dos  resultados positivos para os e as que reeditam as páginas da história, com conceitos e valores que acompanham o desenvolvimento e a cultura social com  seus arranjos cotidianos.   

20 de novembro: um dia para lembrar a discriminação cotidiana das mulheres negras

 No Brasil, o dia 20 de novembro marca, além do Dia da Consciência Negra, o início das atividades dos 16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres. O calendário, que internacionalmente tem início no 25 de novembro (Dia Internacional da Eliminação da Violência contra a Mulher) e vai até o dia 10 de dezembro (Dia Internacional dos Direitos Humanos), foi antecipado no País para resgatar o peso que o racismo estruturante e estrutural vigente em nossa sociedade tem na maior vulnerabilidade das mulheres negras à sistemática violação dos direitos humanos.
Desigualdades de gênero e raça em números
Conforme apontou o Informe Anual 2013-2014: O Enfrentamento da Violência contra as Mulheres na América Latina e no Caribe, publicado pela Cepal (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe) no início deste mês, as violações à integridade física, moral ou psicológica da mulher não podem ser analisadas fora do contexto social. E todos os marcadores sociais, quando avaliados na perspectiva da mulher negra, mostram dados que contribuem para que essa parcela da população esteja mais suscetível à violência.
Estudo publicado em agosto deste ano pelo Laboratório de Análises Estatísticas, Econômicas e Sociais das Relações Sociais do Instituto de Economia da UERJ aponta que o rendimento médio das mulheres pretas e pardas chegava a ser até 140% menor que o de homens brancos no País (ver tabela abaixo).
rendimento-medio-negras_LAESER_jun2014
O relatório Estatísticas de Gênero: Uma análise dos resultados do Censo Demográfico de 2010, divulgado pelo IBGE em outubro deste ano, mostra que, embora as taxas de analfabetismo no Brasil tenham caído de forma mais intensa entre as mulheres pretas (36,2%), o percentual ainda é 2,3 vezes superior à taxa verificada entre as mulheres brancas.
As mulheres negras também são maioria entre os desempregados e subempregados, entre as vítimas de tráfico de pessoas e as vítimas de assassinato. Em recente entrevista ao jornal O Globo, o ginecologista Mario Giani Monteiro, do Instituto de Medicina Social da UERJ, declarou que mulheres negras têm 2,5 vezes mais riscos de morrer por complicações pós-aborto do que as brancas.
É preciso desconstruir o imaginário sobre as mulheres negras
A imagem da mulher na mídia também é sempre um tema polêmico, particularmente em razão da hipersexualização, objetificação e reforço de estereótipos subalternos, constantemente questionados por organizações feministas. No caso das mulheres negras, episódios como o da campanha publicitária da cerveja Devassa somam-se à invisibilização ou a reiteração de lugares marcados pelo preconceito, como no recentecaso do seriado ‘O Sexo e as Negas’, em exibição na Rede Globo de Televisão, que gerou protestos de dezenas de organizações e instituições.
A jornalista Rosane Borges falou à reportagem da Agência Patrícia Galvão sobre o significado simbólico do Dia da Consciência Negra, às vésperas da realização da Marcha das Mulheres Negras, que acontece em maio do ano que vem. Rosane coordenou oNúcleo de Estudos Afro-Brasileiros e integra o comitê nacional de organização da Marcha.
“Este 20 de novembro tem um caráter especial por uma série de elementos. E, do ponto de vista da representação das mulheres negras, lamentavelmente, será lançada neste feriado uma corrente de artistas e personalidades em apoio ao seriado ‘O Sexo e as Negas’, mobilizada pela Rede Globo. Então, é importante pensar que, no contexto da construção da Marcha das Mulheres Negras pelo Fim do Racismo, do Sexismo e pelo Bem Viver, trazemos um conjunto de questionamentos que põem em xeque o imaginário que sustenta uma imagem distorcida da mulher negra. Quando falamos em sexismo e racismo, para além das questões materiais, das desigualdades no mercado de trabalho, das diferenças salariais, consideramos que, para as mulheres em geral e mais ainda para nós, mulheres negras, a questão do imaginário tem importância estratégica. Então, temos um 20 de novembro marcado por uma reatualização da agenda do movimento de mulheres negras e do movimento negro, com ênfases em algumas pautas, e a pauta relacionada à imagem, à visibilidade, vem hoje, de fato, como algo prioritário.  E, além das manifestações e passeatas, haverá iniciativas de mulheres negras em todo o País, em uma contraofensiva a essa imagem estereotipada que aparece na mídia”.
Resgatar o legado das mulheres negras para o Brasil 
O 20 de novembro também precisa ressignificar a contribuição das mulheres negras à história brasileira. Nas homenagens a Zumbi dos Palmares, o papel de Dandara e de Luiza Mahin na luta contra a escravatura deve ser resgatado com maior força. Assim como as contribuições de mulheres negras aos campos das artes, da política e das ciências, como no caso das escritoras Carolina Maria de Jesus e Conceição Evaristo (que segue em atividade), da médica e militante comunista Maria Aragão, e da antropóloga feminista Lélia Gonzalez.
“Esse é um nó para pensarmos. A mulher no geral, mas a mulher negra em particular, foi vitimada pela cultura da invisibilidade. Esse é um dos efeitos mais perversos do racismo e do sexismo, porque afeta em grande parte as mulheres negras. Em toda a agenda do movimento negro, quando conseguimos romper algumas barreiras de invisibilidade e do silêncio que nos é imposto, essas barreiras são quebradas em favor de homens negros. Então, temos uma luta específica, dentro da grande luta geral contra o racismo, que é incidir sobre um problema que é estrutural e que atinge também o movimento feminista clássico, dito geral, porque a invisibilidade que as mulheres brancas denunciaram não traz em seu bojo a radicalidade do racismo. Então, do ponto de vista racial, é o homem negro que emerge e do ponto de vista do feminismo é a mulher branca que aparece. Há uma deficiência, e às vezes uma inoperância mesmo, das reivindicações no que diz respeito à presença da mulher negra. Por isso, a pauta do imaginário é muito importante, porque é ele que nos coloca absolutamente nas sombras”.
Rosane Borges destaca também a importância de iniciativas de resgate histórico das contribuições da mulher negra à sociedade brasileira. “Como diz [a filósofa e ativista]Sueli Carneiro, deve ser um trabalho de pesquisa e um esforço intelectual, não restrito à academia, que nem sempre é o lugar mais apropriado, para dar visibilidade ao esforço de feministas negras ou não feministas que trabalharam ou estão trabalhando com o legado das mulheres negras à nossa história. E isso é fundamental, porque o que não é visto, não é lembrado, inexiste. O sujeito mulher negra existe no imaginário dentro de uma lógica muito restrita, do trabalho subalternizado, da empregada doméstica; fora desses espaços a gente some. A reconstrução da memória é uma tarefa política, um desafio de extrema importância. O que significa o seriado ‘O Sexo e as Negas’? Que não há na produção da Rede Globo uma percepção de que, a despeito da nossa posição em espaços subalternizados, as mulheres negras têm uma história de luta e de inserção em outros espaços sociais. A repetição desses lugares subalternizados revela que o olhar sobre nós ainda é muito limitado, porque a nossa trajetória de participação no País, das mulheres que colaboraram para transformar o País, que pensaram a Nação brasileira, que lutaram pela democracia, some. E temos que resgatar esse legado na escravidão e no pós-escravidão”.
Ainda sobre o seriado, Rosane destaca que se trata de uma expressão do racismo institucional que existe no Brasil, levando à situação de que mesmo as ações que advogam a “exaltação” da mulher negra reforçam essa lógica. “Esse racismo, o sexismo e qualquer outra forma de discriminação são tão arraigados que não se consegue promover outros mecanismos para pensar o outro, a outra. Por exemplo, até mesmo nos cartazes produzidos pelos governos a gente só vê a mulher negra em ações de assistência social. E se é verdade que somos nós que precisamos majoritariamente dessas políticas, quando são ações positivas, fora da assistência social, a mulher negra não aparece ou é ‘embranquecida’. E o Estado brasileiro tem o dever de promover uma outra imagem na exata medida em que promove a inclusão desse sujeito nas políticas de assistência social. Porque a melhoria das condições materiais de um povo e de um grupo racialmente discriminado se dá juntamente com as imagens promovidas”. E Rosane lembra que a mídia, enquanto concessão pública, também tem essa responsabilidade.
As perspectivas para mudar o quadro de ausência de políticas públicas que assegurem real equidade nas condições de vida e respeito à cidadania da população negra não são muito animadoras diante do resultado eleitoral deste ano. Segundo dados da Câmara dos Deputados, 71% dos eleitos para aquela casa legislativa são homens brancos. As mulheres negras representam 2,2% dos 513 deputados. Os deputados autodeclarados negros somam 19% da Câmara. Em audiência pública realizada pela Comissão de Educação da Casa no último dia 18, a ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), Luiza Bairros, abordou essa dificuldade.

Congresso Nacional lança campanha de combate à violência contra a mulher

Congresso Nacional lança campanha de combate à violência contra a mulher (Foto: Senado Notícias)
O Congresso Nacional lançou oficialmente, nesta quarta-feira (19), a campanha “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra a Mulher”. Trata-se de uma ação educativa massa pela erradicação dos abusos e pela garantia dos direitos das mulheres. O movimento existe desde 1991, por iniciativa do Centro de Liderança Global de Mulheres (Center for Women’s Global Leadership – CWGL), e conta com a participação de mais de 150 países.

Ao abrir a sessão especial, a procuradora da Mulher no Senado, senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), ressaltou dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) que apontam a violência doméstica como a principal causa de morte e deficiência, no Brasil, em mulheres de 16 a 44 anos, matando mais do que doenças como o câncer e acidentes de trabalho.
— O óbito é a expressão maior de violência contra as mulheres e, normalmente, é resultado de uma escalada de agressões que envolvem abusos físicos, emocionais e até coações sexuais. Não são poucos os dados que comprovam a necessidade de mantermos o combate à violência contra as mulheres na agenda política, e é isto que estamos perseguindo hoje, aqui — destacou Vanessa.
Já a procuradora da Mulher na Câmara, deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), lembrou que existem formas de violência mais disfarçadas, a exemplo da discriminação no trabalho, nos salários e na educação e da baixa estima decorrente dos abusos.
— Hoje é o dia em que firmamos o compromisso de combater e erradicar todas as formas de agressão, desde aquelas que se revelam de modo tão cruel, como a violência doméstica, o estupro, o assassinato, até à exploração sexual, sob todas as maneiras — afirmou.
Enquanto ocorria a sessão, a Comissão de Constituição e Justiça do Senado (CCJ) aprovou a PEC 43/2012, da senadora Marta Suplicy (PT-SP), que concede proteção especial às mulheres vítimas de violência. A notícia de que a matéria vai ao Plenário com pedido de urgência foi comemorada pelas ativistas presentes.
Em seu discurso, Marta ressaltou que as vítimas são merecedoras de respeito e que “o principal objetivo da PEC é resgatar sua autoestima. A senadora também destacou a importância da CPI Mista da Mulher, criada em 2012, que resultou na elaboração de 13 projetos de lei em favor das mulheres. Entre eles, a senadora citou o PLS 292/2013, que insere o feminicídio como qualificador do homicídio e aguarda votação no Plenário do Senado; o PLS 295/2013, que garante atendimento especializado no Sistema Único de Saúde (SUS) às mulheres vítimas de violência e seguiu para análise da Câmara dos Deputados; e o PLS 294/2013, que exige rapidez na análise de prisão preventiva dos agressores e também aguarda votação na Câmara.
Fonte: Compromissoeatitude

segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Rio apresenta eventos em homenagem ao mês da Consciência Negra

Confira lista com atividades que celebram a cultura de origem afro e todos os tons e sons .

O grito forte dos Palmares corre terra, céus e mares — como dizia o clássico ‘Kizomba, a Festa da Raça’, samba de 1988 da Unidos de Vila Isabel em homenagem ao líder negro Zumbi, cuja morte é lembrada quinta-feira, Dia da Consciência Negra. A cultura que vem da África mistura-se com as de outros países e encontra solo fértil no Rio, numa festa da inclusão que culmina no dia 20, mas dura todo o mês, com uma série de peças, filmes, shows e debates que ocupam a cidade. 
“Aqui, a cultura afrodescendente vai a todo lugar e passa por todo tipo de mistura”, festeja o sambista Marquinhos de Oswaldo Cruz. Ele leva hoje a Feira das Yabás pela primeira vez à Cidade das Artes, na Barra da Tijuca, para celebrar a gastronomia e a cultura de origem afro. “Lá em Madureira e Oswaldo Cruz, onde fui criado, a população era predominantemente negra. Mas convivíamos com outros grupos que lá eram minorias: judeus, portugueses, italianos. O samba ‘Quitandeiro’, do Paulo da Portela e Monarco, falava de macarronada!”
Arlindo Cruz sentencia que só o dia 20 é pouco para a cultura negra. “Ela tem que ser comemorada todos os dias! Quando se combate cada ato de racismo ou de intolerância religiosa”, diz o sambista. No próximo domingo, ele festeja a data na Quinta da Boa Vista, às 17h, e depois segue para o seu Centro Cultural, em Realengo, para cantar com o filho Arlindo Neto e celebrar os 199 anos do bairro. “O Brasil é um país misturado. Temos que ter uma consciência mestiça!”, exclama.
Não é só o samba que batuca na festa. Na Lapa, um dos berços do ritmo, eventos black trazem o funk-rock do nigeriano Keziah Jones (ao Circo Voador, dia 19) e o reggae da lenda viva Bunny Wailer, com abertura do Cidade Negra (à Fundição Progresso, dia 20). E todo tipo de música enraizada na África pode ser inscrita na 3ª edição do Prêmio Nacional de Expressões Culturais Afro-Brasileiras, realizado pelo Centro de Apoio ao Desenvolvimento Osvaldo dos Santos Neves (Cadon).
O cinema negro ganha duas grandes mostras. ‘Zózimo Bulbul — Uma Alma Carioca’ traz fotos e filmes do cineasta e ator (1937-2013) de terça até 18 de janeiro no Centro Cultural Justiça Federal. E 24 filmes de 12 países africanos surgem na tela da Caixa Cultural no ciclo ‘Uhuru — Mostra de Cinema Africano Pós-Independência’, em cartaz até o próximo domingo. A inclusão também está na TV Brasil de segunda a sexta às 23h, com a novela angolana ‘Windeck’, que acaba de estrear e é pioneira na importação da teledramaturgia africana.
Além disso, há verdadeiras aulas de história negra rolando pelo Rio. O Grupo Cultural Jongo da Serrinha traz o show ‘Vida ao Jongo’ na quarta, no Teatro Carlos Gomes. E até 29 de novembro é encenada, no Centro Cultural Ação da Cidadania, a peça ‘André Rebouças, o Engenheiro Negro da Liberdade’, de José Miguel da Trindade e André Luiz Câmara. “O carioca sabe que o túnel que une as zonas Sul e Norte homenageia André e seu irmão Antônio. Mas não conhece a história deles”, diz Trindade. 


PROGRAME-SE

3º PRÊMIO NACIONAL DE EXPRESSÕES CULTURAIS AFRO-BRASILEIRAS. A premiação vai acontecer somente em dezembro, mas as inscrições podem ser feitas somente até amanhã (em teatro, música, dança e artes visuais) no site
www.premioafro.org.
ANDRÉ REBOUÇAS, O ENGENHEIRO DA LIBERDADE. Peça sobre a vida do abolicionista. Centro Cultural Ação da Cidadania. Avenida Barão de Tefé 75, Centro (2233-7460). De quinta a sábado, às 19h. Grátis. 12 anos. Até 29 de novembro.
ARLINDO CRUZ. Na Semana da Consciência Negra do Sesc, ele se apresenta na Quinta da Boa Vista, domingo (23), às 17h. Grátis. Livre. Em seguida, participa da roda de samba do filho Arlindo Neto no Espaço Cultural Arlindo Cruz. Rua Joaquim Inácio s/nº, Realengo (3242-9901). Domingo, às 18h. R$ 20. Livre.
BUNNY WAILER. Show do cantor de reggae, com abertura do Cidade Negra. Fundição Progresso. Rua dos Arcos 24, Lapa (3212-0800). Quinta, às 22h. R$ 80 (estudantes e maiores de 60 anos pagam meia). 18 anos.
FEIRA DAS YABÁS . Roda de samba e gastronomia afro-brasileira. Cidade das Artes. Avenida das Américas 5.300, Barra da Tijuca (3325-0102). Hoje, das 15h às 21h. Grátis. Livre. 
KEZIAH JONES. Show do guitarrista nigeriano. Circo Voador. Rua dos Arcos s/nº, Lapa (2533-0354). Quarta, às 22h. De R$ 100 a R$ 130. 18 anos.

NO PALCO DA VIDA. O grupo de teatro promove evento com vídeos e debates no Centro Cultural Chica Xavier. Rua Uranos 1.363, Olaria (3885-7593). Segunda, terça e domingo (23), às 13h.
UHURU — MOSTRA DE CINEMA AFRICANO PÓS-INDEPENDÊNCIA. São 24 filmes de 12 países. Caixa Cultural. Avenida Almirante Barroso 25, Centro (3980-3815). De quinta a domingo, a partir das 14h. R$ 4. Até 23 de novembro.
VIDA AO JONGO. Show do Grupo Cultural Jongo da Serrinha. Teatro Carlos Gomes. Praça Tiradentes, Centro (2224-3602). R$ 20. Quinta, às 20h. Livre.
WINDECK. Novela angolana exibida pela TV Brasil. De segunda a sexta, às 23h.
ZÓZIMO BULBUL — UMA ALMA CARIOCA. Fotos e filmes do cineasta carioca. Centro Cultural Justiça Federal. Avenida Rio Branco 241, Cinelândia (3261-2550). De terça a domingo, de meio-dia às 19h. Grátis. Livre. Até 18 de janeiro.

Fonte: Odia