terça-feira, 7 de julho de 2015

Novas Regras de Incentivo ao Parto Normal Entram em Vigor

Utilização do partograma passa a ser obrigatória para obstetras da rede privada a partir desta segunda-feira (6)


A utilização do partograma – documento gráfico onde são feitos registros de tudo o que acontece durante o trabalho de parto – passa a ser obrigatória para obstetras da rede privada a partir de hoje (6). Anunciado pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como uma das medidas de estímulo ao parto normal, a ferramenta será considerada parte integrante no processo de pagamento do parto.
Os planos de saúde tiveram um prazo de 180 dias para orientar seus profissionais sobre o uso do partograma, que registra, por exemplo, a frequência das contrações uterinas, os batimentos cardíacos fetais e a dilatação cervical da gestante. O documento é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1994.
A Resolução Normativa nº 368, publicada em janeiro deste ano, prevê ainda que as operadoras informem aos beneficiários os percentuais de cirurgias cesarianas e de partos normais de cada hospital e médicos credenciados. As informações devem estar disponíveis no prazo máximo de 15 dias, contados a partir da data de solicitação.
Os planos também serão obrigados a oferecer o cartão da gestante, que contém todas as informações sobre o pré-natal. De posse do documento, qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação, facilitando um melhor atendimento à mulher quando entrar em trabalho de parto.
Com as novas regras, cesarianas marcadas com antecedência e sem indicação médica serão coibidas pelas operadoras. Apenas cesáreas recomendadas – como no caso de gestantes com diabetes não controlada ou com placenta insuficiente – ou cesáreas que se fizerem necessárias durante um trabalho de parto difícil serão reembolsadas pelos planos de saúde.
A elaboração da resolução pela ANS foi feita após consulta pública realizada de outubro a novembro do ano passado. Foram colocadas em consulta duas minutas de normas: uma sobre o direito de acesso à informação pela gestante e uma sobre o cartão da gestante e a utilização do partograma.
Atualmente, 23,7 milhões de mulheres são beneficiárias de planos de assistência médica com atendimento obstétrico no país. O percentual de cesarianas chega a 84% na saúde suplementar e 40% na rede pública.
Dados do Ministério da Saúde indicam que a cesárea sem indicação médica provoca riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê, já que aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade.
 
Fonte: EBC
Foto : Internet

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Inaugurada Primeira Sala Feminista na Biblioteca Cora Coralina - SP

logo


A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, inaugurou dia (4) a primeira Sala Temática Feminista, que fica na Biblioteca Cora Coralina, no bairro de Guaianases, zona leste da capital paulista. 
Concebida a partir da vocação natural do espaço da biblioteca, que já recebe o nome de uma marcante escritora brasileira, o local agora se propõe a unir essa trajetória, valorizando a luta e as ações do movimento em defesa dos direitos das mulheres, pauta que ainda hoje se mostra relevante e necessária. 
Além de um acervo com mais de mil obras para consultas, estudos e pesquisas, a Biblioteca Temática Feminista Cora Coralina quer se consolidar como um ponto de referência cultural na discussão de gênero e feminismo de São Paulo, a partir de uma programação cultural continuada, com atividades de cinema, música, teatro, literatura, rodas de conversa e oficinas. 
temática feministaSob a curadoria da artista Biba Rigo, uma das salas desta biblioteca que foi inaugurada em 1966, recebeu ambientação com a temática feminista, contando com a participação das mulheres que, a partir de suas próprias histórias, olhares e experiências, participaram de oficinas de artes visuais e garantiram ao local um visual com destaque para o empoderamento das mulheres na apropriação de seu espaço. 


SUS fará transplante de medula óssea em pessoas com doença falciforme

O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o transplante de células-tronco hematopoéticas entre parentes a partir da medula óssea.
Os pacientes que sofrem com doença falciforme têm uma nova opção para o tratamento. O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o transplante de células-tronco hematopoéticas entre parentes a partir da medula óssea. Estudos demonstram que o procedimento permite um aumento de sobrevida de dois anos em 90% dos casos transplantados e em outros casos deixaram de utilizar a morfina para o controle da dor.
A doença falciforme é uma das mais frequentes doenças genéticas no Brasil, atinge sobretudo a população afrodescendente e se caracteriza pela deformidade dos glóbulos vermelhos. Estima-se que 25 mil a 50 mil pessoas tenham a doença no Brasil, que apresenta alta morbidade e mortalidade precoce.
A medida foi publicada nesta quarta-feira (1º) em Diário Oficial da União (Portaria 30), que traz a decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que recomendou a incorporação após debater o assunto com especialistas e diversos segmentos da sociedade por meio de consulta pública, com 284 contribuições.
“O Brasil, que já tem o maior sistema público de transplantes do mundo, passa agora a ter também mais alternativa terapêutica para quem têm doença falciforme. O transplante é uma arma a mais para ajudar no combate à doença e no tratamento dessas pessoas”, destaca o coordenador-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Heder Murari Borba.
Para a diretora de programas da Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR, Larissa Borges, a medida é uma conquista e um grande avanço para a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: “A partir de agora, muitas pessoas que não tinham condição financeira para pagar o transplante poderão ter acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde. É uma forma de garantir direitos e também de garantir a vida”.
A partir de publicação da portaria, o Sistema Nacional de Transplantes tem até 180 dias para incluir a doença falciforme em seu regulamento técnico, de forma a garantir o acesso gratuito dos portadores que se encaixarem em critérios definidos.
O procedimento é indicado para pacientes com doença falciforme em uso de hidroxiureia que apresente, pelo menos, uma das seguintes condições: alteração neurológica devido a acidente vascular encefálico, alteração neurológica que persista por mais de 24 horas ou alteração de exame de imagem; doença cerebrovascular associada à doença falciforme; mais de duas crises vasoclusivas (inclusive Síndrome Torácica Aguda) graves no último ano; mais de um episódio de priapismo (ereção involuntária e dolorosa); presença de mais de dois anticorpos em pacientes sob hipertransfusão; ou osteonecrose em mais de uma articulação.
Tratamento
O tratamento é feito com o uso de vacinação e penicilina nos primeiros cinco anos de vida, como profilaxia às infecções, uso regular de ácido fólico, medicamentos para a dor, uso de hidroxiuréia e, em alguns casos, transfusões de sangue de rotina.
No entanto, o uso crônico da transfusão pode ocasionar o desenvolvimento de anticorpos que tornam as transfusões menos eficazes. Assim, o transplante tem sido uma reivindicação do movimento social como uma possibilidade de contribuir com a melhoria da qualidade de vida das pessoas com doença falciforme e até mesmo por se tratar, atualmente, da única possibilidade de cura.
A doença se manifesta, na maioria das vezes, após os seis meses de vida do bebê. O “Teste do Pezinho” nos primeiros dias de vida pode fazer o diagnóstico precoce da doença. Os principais sintomas são: anemia crônica, icterícia (cor amarelada na parte branca dos olhos), mãos e pés inchados e dor intensa nos punhos e tornozelos (frequente até os dois anos de idade), crises de dores em músculos, ossos e articulações.
Expectativa de triplicar número de leitos
No final de 2014, o Ministério da Saúde publicou a Portaria 2.758, que traz medidas que resultarão no aumento do número de leitos para a realização de transplantes de medula óssea até 2016. A expectativa é triplicar os leitos existentes, passando de 88 para 250. A partir de incentivo financeiro, o objetivo é ampliar a capacidade de realização de transplante de medula óssea alogênico (outro doador que não seja o próprio paciente) no País.
A pasta vai investir R$ 240 mil para abertura de cada novo leito ou ampliação dos já existentes. O recurso garante ainda a criação e a melhoria da qualificação da equipe de atendimento, a aquisição de equipamentos e materiais, além de permitir a reforma e/ou construção dos Centros de Transplantes, que hoje somam 27 unidades. Em 2003, eram apenas quatro serviços.
O transplante de medula óssea é um procedimento de alta complexidade. O paciente transplantado praticamente zera toda a capacidade de resposta imunológica, e, por isso, requer infraestrutura hospitalar que atenda requisitos de segurança, como isolamento, e uma equipe multidisciplinar qualificada para garantir o sucesso do procedimento.
Portal Brasil, Ministério da Saúde e Conitec
Foto : Mônica Aguiar 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Amanha é meu Aniversário !


Por Mônica Aguiar



Amanha é meu aniversário . Neste dia me darei o direito de descansar. De poder repensar em minhas ações futuras, afinal não é todos os dias que fazemos 50 anos de vida .
São tantas coisas que ja passei que apenas algumas me dão coragem de continuar no caminho que escolhi : - Lutar contra todas as desigualdades. Mas neste momento , mais uma vez, me dou ao direito de dizer não, para muitas coisas. 
Me dou ao direito de fazer qualquer critica que eu quiser e da forma que eu quiser a quem eu achar que mereça . 
Me dou ao direito de ser livre.
Me dou ao direito de continuar sendo diferente, de querer ser representada, de me representar , de não ter tolerância ao racismo velado existe dentro dos partidos políticos. 
 De não aceitar que os oportunistas que acham ser " a bola da vez" brincando de fazer politica com as desigualdades raciais , principalmente com a juventude e com as Mulheres Negras . 

São 50 anos de vida . 

Me dou ao direito de ser criticada e amada com certeza. 

Mas sinceramente , são 50 anos de criticas que não passam de esteriótipos, machistas, preconceituosos, discriminatórios, produzidos para baixar minha alto estima . 
São 50 anos de sobrevivência. 
E eu sobrevivo ! 
Sozinha. 
Por minha conta e risco . 
Cuidando dos meus 06 filhos , sem depender de um centavo de ninguém, além "claro", do produzido pela minha mão de obra, que por sinal continua sendo a mais barata do mercado, a que ainda não tem perfil para muitos para estar e ocupar muitos lugares ou sentar com muitas pessoas. 
Me dou o direito de "dar uma banana" e afirmar: - Estou viva ! 
De cabeça erguida ! 
Sou mulher . Sou negra ! 
Me dou ao direito usar a roupa que  eu quiser , da cor que eu quiser , eu adoro roupas coloridas , colares grandes, turbantes, faixas , chales e tudo que faça eu sentir uma rainha .
Me orgulho de onde estou . 
Me orgulho das minhas amigas e amigos .
Me orgulho dos meus filhos ! 
Me orgulho do meu território .
Da minha origem .
Mas me envergonho a cada dia mais  com o sofrimento do povo negro,  para se manter  de pé , de cabeça erguida neste pais .
Me orgulho de saber separar as coisas mesmo não estando no tempo dos meus 50 anos de vida .

Estudo genético de parte da população do país mostra que ancestrais dos negros brasileiros vieram de regiões diferentes da África

Um dos mais completos estudos genéticos já feitos sobre os ancestrais dos brasileiros mostra que, apesar do predomínio do DNA europeu, até brancos do Sul e Sudeste carregam em seus genes pistas sobre o tráfico negreiro.
Foram estudados voluntários de Salvador (BA), Bambuí (MG) e Pelotas (RS). Mas, com 6.487 participantes e 30 genomas humanos totalmente “lidos”, a pesquisa conseguiu ter uma visão aprofundada dos genomas africanos, indígenas e europeus que se mesclaram para formar a atual população brasileira.
Coordenado por Eduardo Tarazona-Santos, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o estudo saiu na revista científica “PNAS”. Tanto na cidade gaúcha quanto na mineira, mais de três quartos do genoma dos moradores deriva de ancestrais europeus. Só em Salvador a situação é mais equilibrada, com 50,8% de contribuição genética africana e 42,9% europeia.
A desigualdade fica mais clara quando se olha apenas os genes passados pelo lado materno, como os do DNA mitocondrial, o legado das mulheres indígenas e negras é muito mais acentuado. Ou seja, homens europeus frequentemente se casavam com elas, mas mulheres europeias raramente tinham parceiros negros ou indígenas.
As análises de DNA mostram ainda que, apesar da mestiçagem, o que predominou ao longo dos séculos foram as uniões entre pessoas com ancestralidade parecida. “O Brasil nunca teve segregação como os EUA, mas nem por isso a mistura foi totalmente harmônica aqui”, resume Tarazona-Santos.
Para ele, um dos resultados mais interessantes da análise é poder enxergar com clareza a diferença entre as pessoas de origem africana do Nordeste, de um lado, e as do Sul e do Sudeste, de outro. Desse ponto de vista, é quase como se Salvador fosse a capital do Alabama.
Isso porque, na metrópole baiana, cerca de 80% da contribuição genômica negra teria vindo da África Ocidental, proporção que é muito parecida com a vista entre negros dos Estados Unidos.
Por outro lado, as amostras mineira e gaúcha indicam que cerca de 40% dos genes africanos teriam sido legados por gente de Moçambique e áreas vizinhas da África Oriental, do outro lado do continente.
Fonte: Folha de São Paulo 

terça-feira, 30 de junho de 2015

Mulheres Serão Tema de Desfile do Dois de Julho


Maria Quitéria, Joana Angélica, Maria Felipa e demais mulheres que lutaram pela emancipação do povo brasileiro serão tema do desfile comemorativo dos 192 anos da Independência do Brasil na Bahia, celebrado no próximo dia 2 de julho.

Com o tema Guerreiras da Independência, o evento, promovido pela Fundação Gregório de Matos (FGM) que terá início às 6h da próxima quinta-feira, contará com decoração especial em todo o percurso e programação cultural.
O cortejo fará, também, uma homenagem à historiadora Consuelo Pondé de Sena, ex-dirigente do Instituto Geográfico e Histórico da Bahia (IGHBA), que faleceu em maio deste ano.

Uma mulher também será responsável por acender a pira que vai abrigar o Fogo Simbólico da Independência, instalada no Campo Grande. A função ficará a cargo da maratonista Marily dos Santos, que é alagoana radicada na Bahia e foi representante do Brasil nos Jogos Olímpicos de 2008.

Até mesmo o processo de restauração e limpeza das imagens do Caboclo e da Cabocla ganharam um toque feminino este ano. A restauradora Marley Serravale foi quem recebeu a atribuição de preparar as peças para a festa da Independência.

Este ano, 46 fanfarras irão participar do desfile. O evento contará com a participação do Afoxé Filhas de Gandhy. As comemorações pela Independência terão prosseguimento amanhã, com a saída do Fogo Simbólico de Cachoeira em direção a Salvador.

No dia seguinte, às 9h, será realizado o Te Deum na Igreja de São Pedro dos Clérigos, no Terreiro de Jesus. No mesmo dia, às 16h, está prevista a chegada do Fogo Simbólico ao Panteão de Pirajá.
Já na quinta-feira, a programação do desfile começará às 6h, com uma alvorada de queima de fogos na Lapinha. Às 9h30, o cortejo cívico será iniciado.
A chegada dos carros com a Cabocla e o Caboclo ao Campo Grande está prevista para 17h.



Atrações



A Fundação Pedro Calmon, vinculada à Secretaria de Cultura do Estado (Secult), preparou uma série de atividades especiais que vão acontecer durante todo o mês de julho.
Independência da Bahia; 2 de Julho (Foto: Egi Santana/G1 BA)
Batizada de Rota da Independência, a programação vai contemplar os municípios de Cachoeira, São Félix, Santo Amaro, Maragojipe e São Francisco do Conde, cidades baianas que integram o percurso das lutas pela independência.
Ao todo, a Rota inclui cursos, aulas públicas itinerantes, palestras, distribuição de publicações e visitas guiadas. Todas as atividades serão abertas ao público e são voltadas para estudantes, pesquisadores, professores e todos os interessados pela memória e história da Bahia.
Em Salvador, será realizada, amanhã e 5 de julho, as aulas públicas De Pirajá ao Campo Grande, ministradas pelos historiadores Sérgio Guerra Filho e Marcelo Siquara.
A partir do dia 6, a Biblioteca Pública do Estado (Barris), vai receber o curso Conversando com sua História, promovido pelo Centro de Memória da Bahia. O curso, que vai acontecer durante todas as segundas-feiras do mês, vai tratar de temas relacionados ao Dois de Julho.
Às terças-feiras, é a vez do Curso Ensino de História da Bahia, para professores, com o tema Movimentos de Independência e Formação do Estado Nacional. Entre os dias 8 a 22 de julho, o curso chegará aos professores dos colégios militares, públicos e estaduais, da capital.



No dia 2 de julho, após o desfile, às 11h, a Fundação Pedro Calmon lançará o novo site da Biblioteca Virtual 2 de Julho, unidade que será especializada em História da Bahia.

Fontes : Mulheres BA/ A Tarde 
Foto: A Tarde

domingo, 28 de junho de 2015

Mulheres em Espaços de Poder e Decisão : Mulheres Negras não têm acesso aos espaços de poder e decisão !

As mulheres, mesmo diante de avanços no que diz respeito à igualdade entre os gêneros, ocupam cargos de menor peso nas grandes decisões políticas de menor prestígio no mercado de trabalho. As posições de poder ainda são ocupadas em sua maioria por homens. Os estereótipos de gênero reforçam os papéis diferenciados, destinando aos homens as atividades do espaço público e às mulheres, as do espaço privado.
As mulheres são maioria na base da organização de movimentos sociais, mas ainda são minoria nos cargos políticos e também na participação de partidos políticos. Nos espaços de direção de empresas privadas e de organizações como sindicatos e associações de classe, o mesmo quadro é verificado. As diferenças se acentuam quando investigamos a interseccionalidade da dimensão de gênero com classe, raça / etnia, orientação sexual. Frente a diversos tipos de preconceito e discriminação, as mulheres negras têm ainda menos acesso aos espaços de poder e decisão que as mulheres brancas.
Os avanços do movimento feminista no Brasil, principalmente a partir da década de 1970, contribuíram para afirmar a presença das mulheres na esfera pública, afirmando seu protagonismo político e denunciando as desigualdades e violências vividas por elas. As mulheres também têm se destacado como lideranças na organização de movimentos para a luta por seus próprios direitos. São diversos os tipos de movimentos de mulheres na nossa sociedade, como: os movimentos feministas, de trabalhadoras rurais e domésticas, de mulheres bissexuais, transexuais e lésbicas, de mulheres negras, de mulheres do campo e da floresta, dentre uma imensa variedade de grupos que lutam por condições menos desiguais de vida.
A participação ativa das mulheres é indispensável à construção da democracia e da cidadania e assume um caráter crítico e propositivo na construção das plataformas feministas dirigidas ao poder público. Essa atuação contribui para a elaboração de leis e para a administração pública, e para as candidaturas político-partidárias, no sentido de sensibilização e estabelecimento de compromissos das/os candidatas/os. Muitas de suas ações têm produzido desdobramentos concretos em termos de inovações e conquistas legislativas e de políticas públicas.
Cabe ao Estado e aos governos, nas suas diferentes esferas, atuarem na transformação das estruturas institucionais que ainda reproduzem e reafirmam a desigualdade. Medidas legislativas, como cotas de participação nos processos eleitorais, são fundamentais para garantir o acesso das mulheres aos postos de decisão. Também é necessário fortalecer Secretarias Estaduais e Municipais de Políticas para as Mulheres, que contribuem para um novo modelo de gestão e que trazem na sua concepção a defesa da autonomia das mulheres e igualdade como pressupostos e princípios de suas ações e políticas.

Texto : Obs. Brasil de Gênero 
Foto : Mônica Aguiar 

Mulheres negras buscam combater racismo na América Latina

Lideranças femininas negras da América Latina analisam na capital nicaraguense um plano para combater nos próximos 10 anos o racismo e a marginalização - disseram nesta sexta-feira representantes do movimento.
"Queremos tornar visível a população de mulheres negras e criar políticas diferenciadas" de acordo com a realidade de cada país, disse à AFP a coordenadora da Rede de Mulheres Afrolatinoamericanas, Afrodescendentes e da Diáspora, a nicaraguense Dorotea Wilson.
Cerca de 270 representantes de 22 países do continente participarão do encontro de três dias no contexto do decênio internacional para os povos afrodescendentes declarado pela Organização das Nações Unidas (ONU) .
O programa em discussão contém 17 eixos de ação e 71 demandas relacionadas a saúde, educação, não-violência, segurança, redução da pobreza, acesso à justiça e ao trabalho e proteção ao meio ambiente.
O encontro tem como  perspectiva que  as ativistas trabalharão com seus respectivos países pleiteando dotações orçamentárias e compromissos dos governos com pessoas afrodescendentes - cerca de 200 mil em todo o continente -, das quais mais de 50% são mulheres.
 Essa população geralmente vive em zonas marginais das cidades latino-americanas sem serviços básicos de água, energia, esgoto, ruas pavimentadas, em condições de pobreza e sem acesso a trabalho. A militante reconheceu que em alguns países da região houve avanços importantes nos últimos dez anos, como mulheres em cargos públicos - embora em alguns casos as mulheres não passem de 10%.
"Nós, mulheres negras, temos e sofremos discriminação múltipla por sermos mulheres, jovens e negras", afirmou a líder do movimento "Vozes Caribenhas", Lidide Gammie.
Fonte: Yahoo

sábado, 27 de junho de 2015

Historiador Destaca Ação de Mulheres na Independência do Brasil na Bahia !

Maria Felipa comandou mulheres que conseguiram expulsar tropas portuguesas da Ilha de Itaparica (Foto: Filomena Modesto Orge/Arquivo Público do Estado da Bahia)
Maria Felipa comandou mulheres que conseguiram
expulsar tropas portuguesas da Ilha de Itaparica
(Imagem: Filomena Modesto Orge/Arquivo Público
do Estado da Bahia)
As batalhas pela independência do Brasil na Bahia duraram um ano e sete dias, entre 25 de junho de 1822 e 2 de julho de 1823. As mulheres desempenharam um papel importantíssimo no processo, e muitas se destacaram nas batalhas e na ajuda aos soldados. Entre elas está Maria Felipa. Segundo Eduardo Borges, historiador e professor da Universidade do Estado da Bahia (Uneb), Maria Felipa não é muito conhecida, mas possui muita importância na luta pela independência. "Maria Felipa era uma negra que liderou uma série de mulheres que seduziram os portugueses, fizeram com que eles ficassem embriagados e depois deram uma surra de cansanção [vegetal que provoca urtiga e sensação de queimadura ao toque com a pele] neles. Depois ela queimou as embarcações deles. Foi uma pequena batalha pontual no dia 7 de janeiro de 1823, na Ilha de Itaparica, mas que resultou em uma queda no número de soldados da tropa portuguesa", relatou Borges. O historiador ainda conta que em outubro de 1822, um grupo liderado por Maria Felipa, formado por homens e mulheres, queimou embarcações dos portugueses, também na região de Itaparica. Em outra região da Bahia, foram as esposas de fugitivos das tropas portuguesas que usaram a criatividade para ajudar a salvar seus maridos. As moradoras de Saubara, região que na época pertencia à Santo Amaro da Purificação, se fantasiavam para assustar os soldados e assim poder levar comida para os maridos, nos esconderijos onde se alojaram. "Os portugueses invadiram a região. Os homens tiveram que fugir, então à noite elas se vestiam de 'careta', se fantasiavam de almas, com lençóis, e assustavam os portugueses que fugiam. Assim, elas conseguiam chegar nos esconderijos onde estavam os maridos e levavam medicamentos, comida e roupas. Elas ficaram conhecidas como caretas do mingau. No caso delas, o papel foi burlar a viliância portuguesa", conta o historiador. "O que é interessante é a esperteza e estratégia para assutar os portugueses. Pelo fato delas terem conseguido chegar aos maridos, isso ajudou a eles sobreviverem", acrescentou Borges.
Maria Quitéria (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Maria Quitéria se vestiu de homem e lutou em
batalhas (Foto: Reprodução/TV Bahia)
Outras duas mulheres que se destacaram na luta da independência foram Joana Angélica e Maria Quitéria, que acabaram ficando bastante conhecidas. A freira Joana Angélica se destacou pela coragem ao enfrentar os portugueses. Ela foi morta ao tentar evitar a entrada deles no Convento da Lapa. Os soldados portugueses estavam em busca dos rebelados, que teriam se escondido no local. "Já Maria Quitéria se passou por homem para participar da luta da independência. Ela vestiu a roupa do cunhado e apresentou-se ao Regimento de Artilharia com a ajuda da irmã. Maria Quitéria fugiu de casa e foi para o campo de batalha em uma época em que a mulher não tinha autonomia em qualquer campo de atuação" - diz historiador 
 Dois de Julho
A história da Independência do Brasil na Bahia começou a ganhar força no início de 1822, com o desejo da Bahia de romper com a coroa, quando o rei de Portugal, D. João VI, tirou o brasileiro Manoel Guimarães do comando de Salvador, colocando em seu lugar o general português Madeira de Melo no cargo. Com isso, ele queria reforçar o poder da Coroa sobre os baianos, mas a população não aceitou pacificamente. Os baianos foram às ruas para protestar e entraram em confronto com os soldados portugueses. Meses depois, em 12 de junho, a Câmara de Salvador tenta romper com a coroa portuguesa. O general Madeira de Melo coloca as tropas nas ruas e impede a sessão. Dois dias depois, em Santo Amaro, os vereadores declaram D. Pedro o defensor perpétuo do Brasil independente, o que significa não obedecer mais ao rei de Portugal. No dia 25 de junho é a vez da Vila de Cachoeira romper com a Coroa portuguesa. Outras vilas seguem o exemplo. Cachoeira se torna quartel general das tropas libertadoras. Canhões de fortes da Baía de Todos-os-Santos foram roubados para armar a improvisada frota de saveiros, que enfrentaram a esquadra de Portugal. Cercados por terra e mar, os portugueses ficam acuados em Salvador. Decidem então abandonar a cidade e fogem por mar, na madrugada do dia 2 de julho de 1823. Pela manhã, o exército brasileiro entra vitorioso na cidade, marcando a independência do Brasil na Bahia.lquer campo de atuação", diz o historiador.
Fonte e foto : G1

quarta-feira, 24 de junho de 2015

GENOCÍDIO DA MULHER NEGRA

por STEPHANIE RIBEIRO
Existe uma coisa chamada Google, e quando vocês forem falar sobre Genocídio do Homem Negro, digitem >>> Genocídio da Mulher Negra!
Somos mulheres negras mortas pela policia, somos mulheres negras mortas por conta de abortos, somos mulheres negras mortas por conta das condições precárias e falta de acesso à saúde, somos mulheres negras mortas em deslizamentos em favelas, porque mulheres negras ocupam as piores áreas nas periféricas/favelas, somos as mais estupradas no Brasil. E existem PESQUISAS que dizem que mulheres negras sofrem mais violência domestica de parceiros porque são NEGRAS.
Vamos aos DADOS:
- As mulheres negras entre 16 e 24 anos têm três vezes mais probabilidade de serem estupradas que as mulheres brancas;
- Mais de 60% das mulheres assassinadas no Brasil entre 2001 e 2011 eram negras, que foram as principais vítimas em todas as regiões, com exceção da Sul. Destacando as regiões Nordeste (87%), Norte (83%) e Centro-Oeste (68%), com os mais altos índices;
- A relação mortalidade materna/nascidos entre as mulheres negras é : 75 para cada 100 mil. Porém, em números absolutos é, em disparada, maior: 1.076 óbitos. Portanto, 57% do total de um total de 1.872 óbitos em 2009;
- As mulheres negras são as maiores vítimas da violência doméstica. Segundo os dados apresentados no Mapa da Violência, em 2010, morreram 48% mais mulheres negras do que brancas vítimas de homicídio, diferença que vem se mantendo ao longo dos anos;
- Mulheres pretas, pardas e indígenas são a maioria entre os 5,3 milhões de jovens de 18 a 25 anos que não trabalham nem estudam no país, a chamada “geração nem nem”. Cruzamento de dados inédito feito pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos (Iesp) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), a pedido da Agência Brasil, revela que elas somam 2,2 milhões, ou seja, 41,5% desse grupo. Do total de jovens brasileiros nessa faixa etária (27,3 milhões), as negras e indígenas representam 8% - enquanto as brancas na mesma situação chegam a 5% (1,3 milhão).

Institutos Buzios