terça-feira, 30 de setembro de 2014

Você Conhece as Recomendações da OMS para o Parto Normal ?

Logo ao entrar na maternidade em trabalho de parto, a mulher tem as veias puncionadas para a introdução de soro ou medicamentos. O soro é para hidratar e alimentar, já que a parturiente é impedida de beber ou comer. Em seguida, na triagem, é feito o exame de toque para medir a dilatação. O exame é repetido a cada hora. Se o andamento não segue de acordo com o esperado, injeta-se a ocitocina sintética (hormônio que provoca as contrações), estoura-se a bolsa amniótica manualmente e são feitas massagens de distenção do períneo. No momento do expulsivo, a mulher é colocada deitada, de costas, em posição ginecológica. É orientada a fazer força continuamente. A episiotomia (corte na região genital) é realizada. Assim que a cabeça nasce, o bebê é puxado, levado para longe da mãe para ser aspirado e limpo. 
Essa é a rotina de um parto vaginal nos hospitais do Brasil. No entanto, os procedimentos considerados padrão aqui estão longe das evidências científicas e das recomendações da própria Organização Mundial da Saúde.  Conhecê-las é fundamental para a elaboração de um plano de parto coerente com a intenção de prover o melhor para a mãe e para o bebê.
Segundo a OMS:

Condutas que são claramente úteis e que deveriam ser encorajadas
- Plano individual determinando onde e por quem o parto será realizado, feito em conjunto com a mulher durante a gestação, e comunicado a seu marido/ companheiro e, se aplicável, a sua família.
- Avaliar os fatores de risco da gravidez durante o cuidado pré-natal, reavaliado a cada contato com o sistema de saúde e no momento do primeiro contato com o prestador de serviços durante o trabalho de parto e parto.
- Monitorar o bem-estar físico e emocional da mulher ao longo do trabalho de parto e parto, assim como ao término do processo do nascimento.
- Oferecer líquidos por via oral durante o trabalho de parto e parto.
- Respeitar a escolha da mãe sobre o local do parto, após ter recebido informações.
- Fornecimento de assistência obstétrica no nível mais periférico onde o parto for viável e seguro e onde a mulher se sentir segura e confiante.
- Respeito ao direito da mulher à privacidade no local do parto.
- Apoio empático pelos prestadores de serviço durante o trabalho de parto e parto.
- Respeitar a escolha da mulher quanto ao acompanhante durante o trabalho de parto e parto.
- Oferecer às mulheres todas as informações e explicações  que desejarem.
- Não utilizar métodos invasivos nem métodos farmacológicos para alívio da dor durante o trabalho de parto e parto e sim métodos como massagem e técnicas de relaxamento.
- Fazer monitorização fetal com ausculta intermitente.
- Usar materiais descartáveis ou realizar desinfeção apropriada de materiais reutilizáveis ao longo do trabalho de parto e parto.
- Usar luvas no exame vaginal, durante o nascimento do bebê e na dequitação (expulsão) da placenta.
- Liberdade de posição e movimento durante o trabalho do parto.
- Estímulo a posições não supinas (deitadas) durante o trabalho de parto e parto.
- Monitorar cuidadosamente o progresso do trabalho do parto, por exemplo pelo uso do partograma da OMS.
- Utilizar ocitocina (hormônio que provoca as contrações do útero) profilática na terceira fase do trabalho de parto em mulheres com um risco de hemorragia pós-parto, ou que correm perigo em consequência de uma pequena perda de sangue.
- Esterilizar adequadamente o corte do cordão.
- Prevenir hipotermia (baixa temperatura) do bebê.
- Realizar precocemente contato pele a pele, entre mãe e filho, dando apoio ao início da amamentação na primeira hora do pós-parto, conforme diretrizes da OMS sobre o aleitamento materno.
- Examinar rotineiramente a placenta e as membranas.


Condutas claramente prejudiciais ou ineficazes e que deveriam ser eliminadas
- Uso rotineiro de enema (lavagem intestinal).
- Uso rotineiro de raspagem dos pelos púbicos.
- Infusão intravenosa rotineira em trabalho de parto.
- Inserção profilática rotineira de cânula intravenosa.
- Uso rotineiro da posição supina (deitada) durante o trabalho de parto.
- Exame retal.
- Uso de pelvimetria radiográfica (radiografia da pelve).
- Administração de ocitócicos (ocitocina ou derivados) a qualquer hora antes do parto de tal modo que o efeito delas não possa ser controlado.
- Uso rotineiro da posição de litotomia (posição ginecológica, deitada com as pernas elevadas por apoios) com ou sem estribos durante o trabalho de parto e parto.
- Esforços de puxo prolongados e dirigidos (manobra de Valsalva) durante o período expulsivo.
- Massagens ou distensão do períneo durante o parto.
- Uso de tabletes orais de ergometrina (medicamento que provoca a contração do útero) na dequitação para prevenir ou controlar hemorragias.
- Uso rotineiro de ergometrina parenteral na dequitação (expulsão da placenta).
- Lavagem rotineira do útero depois do parto.
- Revisão rotineira (exploração manual) do útero depois do parto.




Condutas frequentemente utilizadas de forma inapropriadas
- Método não farmacológico de alívio da dor durante o trabalho de parto, como ervas, imersão em água e estimulação nervosa.
- Uso rotineiro de amniotomia precoce (romper a bolsa d’água) durante o início do trabalho de parto.
- Pressão no fundo uterino durante o trabalho de parto e parto.
- Manobras relacionadas à proteção ao períneo e ao manejo do polo cefálico no momento do parto.
- Manipulação ativa do feto no momento de nascimento.
- Utilização de ocitocina rotineira, tração controlada do cordão ou combinação de ambas durante a dequitação.
- Clampeamento (uso de grampo para interromper o fluxo sanguíneo) precoce do cordão umbilical.
- Estimulação do mamilo para aumentar contrações uterinas durante a dequitação.


Condutas frequentemente utilizadas de modo inadequado
- Restrição de comida e líquidos durante o trabalho de parto.
- Controle da dor por agentes sistêmicos.
- Controle da dor através de analgesia (anestesia) peridural.
- Monitoramento eletrônico fetal
- Utilização de máscaras e aventais estéreis durante o atendimento ao parto.
- Exames vaginais freqüentes e repetidos especialmente por mais de um prestador de serviços.
- Correção da dinâmica com a utilização de ocitocina.
- Transferência rotineira da parturiente para outra sala no início do segundo estágio do trabalho de parto.
- Cateterização (introdução de sonda) da bexiga.
- Estímulo para o puxo quando se diagnostica dilatação cervical completa ou quase completa, antes que a própria mulher sinta o puxo involuntário.
- Adesão rígida a uma duração estipulada do segundo estágio do trabalho de parto, como por exemplo uma hora, se as condições maternas e do feto forem boas e se houver progresso do trabalho de parto.
- Parto operatório (cesariana).
- Uso liberal ou rotineiro de episiotomia (corte na região vaginal).
- Exploração manual do útero depois do parto.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Pesquisa mostra que mulheres são sub-representadas e estigmatizadas no cinema

Por Helena Martins 

Mulheres em postos de comando, ocupando cargos como a Presidência da República ou ganhando prêmios pelo desempenho acadêmico podem até ser mais comuns nos dias atuais. No entanto, ainda não é essa a representação feita sobre as mulheres no cinema, segundo a publicação Preconceito de Gênero sem Fronteiras: Uma Pesquisa sobre Personagens Femininos em Filmes Populares em 11 Países, feita pelo Geena Davis Institute on Gender in Media, a Organização das Nações Unidas (ONU) Mulheres e a Fundação Rockefeller.
A pesquisa destaca que, embora as mulheres sejam metade da população do mundo, dos 5.799 personagens falantes ou nomeados na tela, 30,9% são do sexo feminino. No caso dos filmes de ação ou aventura, essa participação é ainda menor: elas são 23% dos personagens com falas. Já em relação aos protagonistas, apenas 23,3% das tramas tinham uma menina ou uma mulher no papel principal.
O estudo, que analisou produções exibidas entre janeiro de 2010 e maio de 2013 na Austrália, China, França, Alemanha, Índia, Rússia, Coreia do Sul, no Reino Unido, Japão e Brasil – considerados os territórios mais rentáveis para a indústria cinematográfica – constatou ainda que a sexualização “é o padrão para personagens femininos em todo o mundo”. O estudo mostra que a chance de uma pessoa do sexo feminino aparecer com roupas sensuais ou nua é duas vezes maior que a do sexo masculino.
Além disso, adolescentes estão propensas a serem apresentadas como jovens adultas e é comum que as mulheres sejam representadas como magras e atraentes. Enquanto os homens magros são 15,7% do total analisado, a participação de mulheres magras chega a 38,5%.
No caso do Brasil, a pesquisa destaca que a participação das mulheres nos filmes fica em 37,1% – percentual maior que a média mundial. No entanto, o país ganha quando o assunto é a sexualização das mulheres e também na caracterização delas como magras.
Professora da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap) e integrante da Rede Mulher e Mídia Ana Veloso considera importante a divulgação do estudo para mostra  que a sociedade está diante de “uma situação muito grave, que revela que o preconceito e a discriminação contra as mulheres são presentes no mundo todo”. Embora aponte avanços em relação a essa representação nos últimos 20 anos, ela destaca que os dados preocupam por constatarem a invisibilidade, a sub-representação feminina nos campos de produção de conhecimento e de produção de sentidos.
“Quando são sub-representadas, por exemplo, no cinema, como protagonistas, a gente tem uma falsa propagação de que as mulheres não podem exercer determinadas funções. É como se um caso particular se transformasse em universal. Isso compromete a própria formação das identidades, uma vez que a sociedade se referencia muito no que é exibido, no que é projetado, nos meios de comunicação. Ao mesmo tempo, os meios de comunicação e os meios de produção simbólica também ajudam a construir uma realidade social. E é preciso que isso demonstre a real situação das mulheres na sociedade”, explica.
Essa representação, segundo a pesquisadora, ainda está longe de ocorrer, inclusive no Brasil. Ela destaca que faltam representações de mulheres “reais”, que cuidam da casa e dos filhos, mas também trabalham, estudam e inclusive se relacionam sexual e afetivamente com outras mulheres. “Quando esses modelos são reproduzidos, a gente acaba por ter uma sociedade que não conhece o que é ser mulher dentro do seu próprio país. Ou seja, você sabe e vivencia uma realidade que não é espelhada pelos meios de comunicação”, acrescenta Ana Veloso.
Além da representação, a pesquisa mostra que a desigualdade de gênero também é vivenciada por trás das telas. Para cada mulher cineasta, há 3,9 homens, segundo o estudo. Dos que trabalham com ficção, menos de um quarto é mulher. O resultado disso se vê na produção, pois, no caso de filmes feitos por diretoras, há uma maior presença feminina.

Fonte: EBC / Imagem revistalampião

Negra Li conta que abandonou sonho de ser modelo para cantar

Negra Li usa produtos estrangeiros para dar caimento aos fios de cabeloCom 18 anos de carreira, quase que a trajetória de Negra Li toma um rumo diferente dos palcos. A cantora, que também aproveita o talento para as artes em atuações no teatro, sempre sonhou em ser artista, mas quase começou pelas passarelas.
- Seguir carreira de modelo foi um sonho de criança. Quando eu era novinha, aos 12 anos, minha mãe me levava a alguns testes para fazer book, mas era muito difícil e vi muito preconceito. Até hoje, em 2014, são pouquíssimas negras no ramo que são conhecidas, imagina 15 ou 20 anos atrás! Isso me desanimou muito.
Com referências distintas na TV, Negra, hoje com 35 anos, conta que demorou reconhecer negros na TV:
- Quando eu comecei na carreira, não tinha muito quem me inspirasse no Brasil. Queria ser paquita, mas paquita tinha que ser igual a Xuxa. Ela era loura e branca. Quando a Adriana Bombom entrou no programa foi a... a maior alegria, porque ela não era paquita, mas ela estava lá no programa todos os dias. Aí sim, eu comecei a me ver ali.
A cantora paulista conta ainda que tinha receio de sofrer golpes com falsas promessas de agências.
- Havia muita mentira, muita alienação. Eles diziam: “Vem fazer o book, aqui você paga não sei quanto”, uma forma de tirar dinheiro de famílias que já não têm.
Negra Li usa produtos estrangeiros para dar caimento aos fios de cabelo Foto: Reprodução/Instagram
A salvação do sonho de seguir no ramo artístico veio quando ela foi convidada para compor o grupo de rap de São Paulo RZO, aos 16 anos.
- Graças a Deus a música veio - conta ela, que fez participação em eventos específicos com foco em beleza, no final da adolescência: - Cheguei a fazer feiras de cabelo com 18 anos, mas logo depois parei.
Hoje, para manter os cachinhos naturais, Negra Li é adepta de cuidados especiais e recorre a cosméticos estrangeiros.
- O tempo que leva para deixá-lo solto, bonito e com caimento é grande. Mas procuro comprar produtos específicos para o meu tipo de cabelo. Como agora eu tenho condições, às vezes procuro importados.

Fonte e foto :Extra Globo



quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Centro Acadêmico do Mackenzie tem primeira diretora negra



Tamires Sampaio, que entrou na universidade pelo Prouni, afirma que ações afirmativas ajudarão a diminuir a desigualdade racial

Aos 20 anos, Tamires Gomes Sampaio é a primeira pessoa negra a assumir a diretoria do Centro Acadêmico do curso de Direito da universidade paulistana Mackenzie. Uma conquista que se torna ainda mais relevante diante de seu perfil, diferente do normalmente associado à instituição: a aluna do 4.º ano sempre estudou em colégios públicos estaduais da periferia de São Paulo e conseguiu uma bolsa de estudos para se graduar por meio do Prouni. Há dois anos, o mesmo Centro Acadêmico foi o principal organizador de uma manifestação contra o uso do Enem como critério de classificação para ingressar no Mackenzie. A manifestação chegou a fechar uma das faixas da Rua da Consolação, no centro de São Paulo. Na ocasião, a justificativa dos estudantes era de que a adoção do exame contribuiria para a queda da qualidade do curso de Direito. O protesto não funcionou e o Enem continua sendo o processo seletivo dos ingressantes pelo Prouni na universidade. Graças a sua boa classificação no exame, Tamires conseguiu entrar na instituição. Estimulada por sua mãe, ela escolheu prestar Direito ainda no Ensino Médio, com o intuito de ser promotora pública. Para suprir as deficiências de ensino dos colégios da Zona Leste, onde estudou, precisou fazer cursinho pré-vestibular. "Em Itaquera e Guaianases, a escola pública é uma coisa e, no Centro, é outra completamente diferente. Já existe uma seleção social aí, de quem pode receber uma educação de qualidade e quem não pode. Os professores não são respeitados pelo estado, não dão aulas boas, e os alunos não têm vontade de estudar." Aos estudos do Ensino Médio, Tamires aliou empregos de meio período, um deles pelo Programa Menor Aprendiz, no qual empresas recebem incentivos para contratar adolescentes. "Trabalhei em dois lugares, num atacadista de roupas no Brás pelo ‘Menor Aprendiz’, mas apenas três meses. 'Menor Aprendiz' era uma conversa, né, porque eu ficava das 7h30 às 16 horas. Que ‘Menor Aprendiz' era aquele?’ Ficou muito puxado. Também trabalhei numa recepção de loja de assistência técnica, sem carteira assinada." Desde adolescente, Tamires é ativista do Movimento Negro, tal qual sua mãe, Rosemary Sampaio, de 47 anos. Criada com a ajuda da avó, Tamires nasceu quando Rosemary tentava concluir os estudos em Psicologia. Por parte de pai, tem mais 4 irmãos. Hoje, Tamires é estagiária na Secretaria Municipal de Igualdade Racial de São Paulo e sua mãe, funcionária pública. A ideia de montar o coletivo Frente Perspectiva, embrião da chapa que acabou sendo eleita para direção do CA João Mendes Jr., veio das manifestações de junho de 2013. "Queríamos que o CA deixasse de ser um espaço de amigos e que passasse a ser a representação de todos os estudantes, mas de todos mesmo, pautando questões de raça, gênero." diz. “Nós somos uma chapa que veio de um coletivo de esquerda mas a gente sabe que, entre os alunos do Mackenzie, têm gente de esquerda, de direita, têm os 'pra frente', têm os 'pra trás'." completa.
Fonte: cartacapital


Inscrições abertas para o “Hackaton Gênero e Cidadania” – Brasília, até 03/10

A Câmara dos Deputados promove do dia 24 a 28 de novembro a segunda edição da maratona hacker. O desafio é desenvolver aplicativos que possam contribuir para reduzir a violência contra a mulher e fortalecer as políticas de gênero. As inscrições já estão abertas e vão até 3 de outubro. Desta vez, em todas as equipes, pelo menos um dos componentes deverá ser do sexo feminino ou transgênero.

EMKT_hackathon_2014

Casa da Mulher Brasileira será inaugurada no fim de outubro

Obras foram vistoriadas pela ministra nesta quarta
Eleonora Menicucci, ministra da Secretaria de Políticas para as Mulheres, vistoriou na manhã desta quarta-feira (24), pela terceira vez, as obras da Casa da Mulher Brasileira, em Campo Grande. Segundo ela, a sede da Capital, no Jardim Imá, será a primeira a ser entregue no País, no final do mês de outubro. A ministra prometeu que voltará para a inauguração do projeto, que teve investimento de R$ 9 milhões. 
A ideia é reunir, num único espaço, todos os serviços destinados para as mulheres em situação de violência e vulnerabilidade social: Delegacia da Mulher, Defensoria Pública, Ministério Público, vara especializada em gênero, posto médico, brinquedoteca e salas para o atendimento psicossocial e de qualificação profissional. O atendimento será feito para mulheres de todo o Estado. “As mulheres vítimas de violência não terão que ir a diversos lugares para serem atendidas, estará tudo concentrado num só lugar”, pontuou Eleonora.
Segundo o desembargador Rui Celso Florence, coordenador estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, entre 1° de janeiro até terça-feira (23), 97 mulheres foram vítimas de homicídio. Para a titular da Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, Liz Derzi, a conclusão da Casa da Mulher Brasileira será um grande impulso para a diminuição da violência contra a mulher.
Fonte e foto: correiodoestado

terça-feira, 23 de setembro de 2014

Mulher - Avanços e Desafios II !

por Mônica Aguiar  

A mulher está cada vez mais conquistando seu espaço no ambiente profissional e participando pela primeira fez de forma definitiva das mudanças ocorridas nas instâncias de Poderes.

As habilidades e características femininas começam a ser valorizadas pela sociedade, deixando a mulher, aos poucos de ser uma mera coadjuvante em determinados segmentos sociais e profissionais, iniciando acesso a posições estratégicas.

Em relação ao trabalho, tais mudanças são ainda mais visíveis. 
No processo de reestruturação produtiva e com o crescente oferta no mercado de trabalho, a mão-de-obra feminina tem sido cada vez mais aceita e solicitada. O Crescimento da participação feminina no mercado de trabalho é intenso e diversificado, não retrocedeu nos últimos anos. 

As mulheres com formação técnica estão em maioria mercado de trabalho formal que inclui indústria, construção, comércio, serviços e agropecuária. A participação, no entanto, varia com a área, pois a grande escala ainda permanece  condicionada no setor de serviços.  

As mulheres têm hoje maior participação, não só no mercado de trabalho, como também nas esferas econômicas,  entre os empreendedores  já representam praticamente a metade neste setor,  sentem mais à vontade e escolhem de forma mais livre com quem e como querem estabelecer suas relações conjugais.

Na realidade, as mulheres foram da esfera doméstica à  diferentes funções na sociedade moderna, mas as conquistas sociais têm sido alcançadas e assimiladas de forma diferente,  variam de acordo com a classe social, o grau de escolaridade e a cor. 

A possibilidade real de superação das  desigualdades entre homens e mulheres que existem na sociedade atual e na família com as mais diferentes esferas sociais é mérito de uma minoria.

Um desafio importante, é poder compreender a amplitude dos avanços obtidos para as   mulheres e ao mesmo tempo conviver com valores patriarcais e eurocêntricos ainda existentes  mantidos por homens que ocupam cargos de poder e prestígio. 

O contingente feminino tem sido sujeito de limitações promovida por estes senhores, que  fazem questão de mascarar,  velar e fomentar dificuldades que impedem o acesso de cargos estratégicos,  representações de poderes, ascensão na carreira, especialmente no que se refere à dinâmica de conciliação das demandas familiar e profissional.

A mulher,  ao longo dos anos vem desenvolvendo estratégias para lidar com os problemas estruturais e ideológicos,  na jornada de trabalho, no lar e fora dele. 

A participação das mulheres na construção da sociedade, justa e verdadeiramente equilibrada, passa a não ser somente um desejo de um grupo ou das entidades feministas e dos movimentos sociais,  mas individualmente das mulheres, que começam a desejar e desenhar um novo papel, outras possibilidades, produzindo uma nova forma de conviver com os homens, ao mesmo tempo rompendo com valores e com mazelas que as oprimem e segregam.

A prática do racismo institucionalizado e velado promovido em maioria por homens,  vítima cotidianamente a mulher negra, pois a mantêm na base da pirâmide salarial, pagando mais impostos, estando em maioria entre os 10% dos mais pobres.
A cor da pele ainda é o que classifica o potencial educacional e político das mulheres, dificulta acesso as oportunidades e reserva direitos.

O desafio e  aguardar neste processo a evolução da ampla maioria dos homens ao ponto que eles entendam que desejar novas possibilidades, a liberdade, a oportunidade e igualdade fara com que o as pessoas se torne melhor de conviver, de sobreviver , livre da violência.


segunda-feira, 22 de setembro de 2014

Quatro Mulheres Brasileiras são Selecionadas como Líderes Globais no Fórum Econômico Mundial

Leila Velez, fundadora da rede de salões Beleza Natural, foi uma das escolhidas na lista de líderes globais (Foto: Women Forum Brasil)

Fórum Econômico Mundial seleciona anualmente lideranças com menos de 40 anos em diferentes áreas como política, negócios e mídia.


Quatro brasileiras integram hoje o seleto grupo do Young Global Leaders (YGL). Com perfis diferentes, a cineasta Julia Bacha, a ex-secretária de Comércio Exterior, Tatiana Lacerda Prazeres, a presidente da companhia aérea TAM, Claudia Sender, e a fundadora da rede de salões Beleza Natural, Leila Cristina Velez, têm se destacado internacionalmente em suas áreas. O Fórum Econômico Mundial, conhecido por suas reuniões anuais em Davos, na Suíça, seleciona, por um mandato de seis anos, personalidades com menos de 40 anos, que tenham se destacado na política, negócios, mídia, pesquisa, cultura e artes. Na última semana, 214 jovens líderes vindos de 66 países se reuniram em Tianjin, na China, durante a edição 2014 do YGL. Mais da metade dos integrantes desse ano são mulheres. "A comunidade do YGL reúne os mais proeminentes dirigentes da próxima geração, que obtiveram resultados extraordinários e os ajuda a continuarem a se desenvolver na estrada da liderança", define David Aikman, responsável pela New Champions Community do FEM, da qual o YGL faz parte. 
Para Tatiana Lacerda Prazeres, única indicada brasileira que vem do setor público, o grupo reúne pessoas com trajetórias e experiências distintas, mas motivadas a dar uma contribuição para o mundo nas áreas em que atuam. "É muito inspirador o contato", avalia.
Julia Bacha, cineasta brasileira, diz que o que une perfis tão diferentes é a preocupação social. "São pessoas que têm um comprometimento em trabalhar para que o futuro seja melhor do que o agora", diz.
Tatiana não se considera um exemplo para os brasileiros, mas acredita que a nomeação como jovem líder global é um reconhecimento em relação a sua carreira e uma aposta para o futuro. "Olhando para lideranças mundiais, que já passaram pelo grupo e que hoje ocupam posições de destaque, se reconhece que o fórum tem capacidade para identificar pessoas com potencial".
Julia Bacha
Desde 1998, a carioca de 33 anos, vive em Nova York para onde se mudou para estudar inglês e acabou cursando graduação na Universidade de Columbia. Sua carreira de documentarista começou em 2004, quando escreveu e editou Control Room, um dos documentários políticos de maior bilheteria de todos os tempos nos Estados Unidos. O trabalho teve grande impacto na cobertura da Guerra do Iraque.Julia se dedica atualmente a um novo filme sobre as mulheres palestinas, que lideraram campanhas de desobediência civil no final dos anos 80, durante a primeira Intifada. Ela conta que se envolveu com a questão entre Israel e Palestina por acaso. O interesse veio através da colaboração desenvolvida com a cineasta israelense, Ronit Avni, fundadora e diretora da Just Vision, organização sem fins lucrativos, que pesquisa e desenvolve conteúdo sobre líderes palestinos e israelenses comprometidos com a não-violência, da qual Julia é a diretora criativa. Juntas elas dirigiram Encounter Point, em 2006, em Israel.

Tatiana Lacerda Prazeres
Tatiana, que até o ano passado integrava o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, fez história na pasta já que pela primeira vez um funcionário de carreira chegou ao cargo de vice-ministra.Atualmente, ela é assessora do diretor-geral da Organização Mundial do Comércio (OMC), em Genebra. Com passagem pelo mundo acadêmico, Tatiana é doutora em Relações Internacionais pela Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, e autora de dois livros sobre questões comerciais. Ela coordenou a área internacional da Apex-Brasil e passou pela consultoria de Relações Internacionais da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial.Além de suas obrigações profissionais, ela ajuda jovens pesquisadores que trabalham com temas relacionados a OMC. "Faço uma orientação informal de pessoas estudando comércio internacional. 

Claudia Sender
Duas outras jovens líderes foram indicadas por suas atuações no mundo dos negócios. Claudia Sender é a primeira mulher à frente de uma companhia aérea brasileira. Com 39 anos, ela comanda os cerca de 30 mil funcionários da TAM e define a estratégia da empresa, que tem faturamento de quase US$ 13 bilhões.Formada em Engenharia Química pela Universidade de São Paulo, Claudia mudou de área e fez carreira no mundo corporativo atuando em marketing e planejamento na Whirlpool e na Bain & Company. Ela se especializou na Harvard Business School e apenas em dezembro de 2011 entrou para a maior empresa de aviação do país, como vice-presidente Comercial e de Marketing. Após a fusão com a chilena LAN Airlines assumiu a Unidade de Negócios Doméstica Brasil.

Leila Cristina Velez
Em 1993, Leila Cristina Velez criou aos 19 anos um dos primeiros salões de beleza especializado em cabelos crespos, no bairro da Tijuca, no Rio de Janeiro. Hoje, a Beleza Natural é uma rede de cabeleireiros com quase 20 unidades, 2 mil funcionários e mais de 100 mil clientes por mês. A empresa criou ainda nos anos 90 uma linha de produtos para o negligenciado mercado de cabelos afro no Brasil. O sucesso é atribuído pela companhia ao ganho de "autoestima" em milhares de pessoas, por valorizar os fios naturais e ir contra a corrente das técnicas de alisamento praticadas por salões convencionais.No último ano, a cadeia de institutos de beleza presente em cinco estados brasileiros, recebeu um incentivo de US$ 32 milhões da GP Investments, para financiar sua expansão para todo o país.Nascida em uma favela carioca e ex-funcionária do McDonald’s, Leila é formada em Administração de Empresas e fez cursos de Empreendedorismo e Competitividade na América Latina na Columbia Business School e em Harvard .

Fontes: BBC /  G1

Aprovado Parecer pelo Tombamento de Terreiros de Candomblé

O Conselho Estadual de Cultura da Bahia aprovou, por unanimidade, um parecer da Câmara de Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Natural, que solicita o tombamento e o registro especial de 10 terreiros de candomblé em Cachoeira e São Félix, no Recôncavo Baiano. A decisão foi divulgada após sessão realizada na quarta-feira dia (17). Em nota, o Conselho informou que o parecer é resultado de uma solicitação do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultura (IPAC), para que fosse feito o registro especial desses espaços como patrimônio imaterial. No entanto, a Câmara "decidiu que o tombamento é a melhor alternativa para garantir a proteção desses terreiros e a conservação dos seus espaços físicos". Segundo o Conselho, o registro especial proposto aos terreiros prevê a preservação dos aspectos simbólico-culturais. O órgão explica que a medida zela pelos bens imateriais, como as manifestações populares. Já o tombamento é voltado para a preservação física dos espaços, "para bens culturais materiais, como imóveis e obras de arte".
Confira a relação dos terreiros contemplados no dossiê analisado pelo Conselho Estadual de Cultura da Bahia:
1 - Terreiro Humpane Ayomo Huntólogi
2 - Terreiro Viva Deus ( Asepó Eran Opé Olúwa)
3 - Terreiro Aganju Didê
4 - Terreiro Raiz de Ayrá
5 - Terreiro Ilê Axé Ogunjá
6 - Terreiro Lobanekum
7 - Terreiro Ogodô Dey
8 - Terreiro Dendezeiro Incossi Mukumbi
9 - Terreiro Ilê Axé Itayle
10 - Terreiro Labanekum Filha

Fonte: G1 / SEPPIR 
Foto : Divulgação 

quarta-feira, 17 de setembro de 2014

MÚSICA DE RAPPER (RENEGADO) IRONIZA CANDIDATO A GOVERNADOR DE MG



Por Mônica Aguiar 


No dia 11 de agosto, em entrevista antes de um compromisso de campanha em Belo Horizonte, o candidato ao governo de Minas pelo PSDB afirmou iria  se encontrar com 'setores específicos, representantes de movimentos de jovens, negros, índios, coisas desse tipo'.
A reação veio em seguida na segunda-feira, 1º de setembro, com a divulgação no Youtube de uma música do rapper Renegado.
No vídeo, aparecem negros e negras , brancos, índios e deficientes físicos.
A letra faz uma referência à população que construiu e constrói sua vida 'no entorno da AV. Contorno' ou seja, na periferia de Belo Horizonte. 
Faz também referência a tradicional falsa democracia racial mineira, aos esteriótipos existentes, a discriminação e ao preconceito sofrido pelas ainda denominadas minorias. 
Realmente foi o  tradicional descaso aflorando no pronunciamento realizado por quem esta na disputa para Governar um Estado do tamanho de Minas Gerais e constituído majoritariamente pela população negra. 
Renegado fez bem em reproduzir através do rapper o que já não é mais aceitável,  o racismo. 
Mas coisas deste tipo,  devem e vão ser banidas das Minas Gerais. 
A maioria do eleitorado negro mineiro  cidadão e cidadãs negros e negras sabe que pessoas como este Candidato  não nos representa !