sexta-feira, 26 de agosto de 2016

Computadores Para Mulheres Negras

Empreendedora lança projeto para dar condições de aprendizado a estudantes negras


por : ANA CAROLINA CORTEZ

A empreendedora social Buh D'Angelo, da Infopreta.
 
Com apenas 22 anos, Buh D'Angelo já é formada em eletrônica, automação industrial, manutenção,tecnologia da informação (TI) e robótica, certificados de cursos técnicos que vem acumulando desde os 16. Este ano, inclusive, resolveu incluir mais um diploma à sua coleção e começou a cursar bacharelado em sistemas da informação, para aprimorar os conhecimentos que já tem em programação.

"Desde criança eu gosto de desmontar e montar coisas", diz. Mas foi em 2013 que ela começou a direcionar essas habilidades para o empreendedorismo social. Naquele ano, fundou o Infopreta, um projeto que conserta computadores de mulheres em situação de vulnerabilidade social por preços acessíveis (às vezes até de graça). Também criou a campanha Note Solidário da Preta, que conserta computadores doados por clientes para repassá-los a outras mulheres, estudantes, negras e de baixo poder aquisitivo, com boas notas no boletim.
Resolvi criar o projeto porque eu sempre tive muitas dificuldades em conseguir os materiais que eu precisava para estudar tecnologia. A mulher negra, seja ela cisgênero ou transsexual, nunca está realmente inserida na sociedade. O meu objetivo, então, é o de dar condições para que essa mulher, que vive em vulnerabilidade, consiga estudar e se formar", explica Buh. "Quem tem um computador hoje pode acessar Internet e, assim, ter acesso a livros e conteúdos variados para estudar", complementa. Em pleno século XXI, dados Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo IBGE, mostram que menos da metade (48%) dos domicílios brasileiros têm computadores - e 86% desses dispositivos têm acesso à internet. A maior inclusão digital no Brasil está no celular, presente em 91% dos domicílios do país.

Por ter focado o seu público-alvo na mulher negra, a empreendedora afirma que tem recebido muitas mensagens machistas e racistas pela página da empresa no Facebook. "Muitas pessoas acham que o meu trabalho é de exclusão. Não entendem que é justamente o contrário", complementa. Faz apenas um mês que trabalha em um escritório, que divide com outros três empreendedores no centro de São Paulo. Antes, ela consertava computadores na casa das clientes, na região da grande São Paulo. O valor que cobra depende da capacidade de pagamento de quem lhe procura. Mas, muitas vezes, não chega nem a cobrar pelo serviço. 
Esse foi o caso de uma de suas clientes, a também empreendedora Ana Carolina Santos. A jovem, de 22 anos, é estudante de Letras e foi ao escritório do Infopreta para tentar consertar o seu notebook, alvo de um problema grave de infiltração na casa onde morava, na Jova Rural, Zona Norte de São Paulo. Por causa da infiltração ela perdeu também outros eletrodomésticos e a maior parte de seus móveis.
O notebook, porém, não teve jeito, estava mofado por dentro. "A Buh me doou um notebook novo, para que eu pudesse fazer meus trabalhos da faculdade. Eu também dependo do computador para trabalhar, já que minha loja só existe pela internet", explica Ana Carolina, dona da Caió Cosmésticos Naturais, linha de produtos de beleza que ela mesma desenvolve em casa. Mas, para receber a doação pelo Note Solidário, ela teve de passar por uma entrevista e apresentar comprovantes de matrícula, além dos boletins. "Precisa se empenhar, ser boa aluna, para ser beneficiada", destaca Buh.

Preconceito

Ana Carolina e Buh D'Angelo, na oficina da Infopreta.
 
Foi por conta de amigos nas redes sociais que Ana Carolina descobriu o Infopreta. "Antes, eu havia tentado consertar meu computador numa outra loja, mas o cara que me atendeu me considerou uma mulher que não entende nada de tecnologia e tentou me enrolar. Já a Buh fez questão de me explicar todo o problema, foi super atenciosa", diz. Encontrar uma mulher no segmento de tecnologia realmente não é comum. Segundo pesquisa da empresa de recrutamento e seleção Harvey Nash, menos de um terço dos funcionários de tecnologia das empresas são mulheres - e apenas 7% delas chegam a cargos de liderança.
"A área é dominada por homens, então não é tão fácil ser mulher e se dar bem. Imagine como é para uma mulher negra. No último estágio que fiz, em uma empresa de manutenção de computadores, eu limpava até banheiro. Só não consertava computadores", lembra Buh. Abrir a própria empresa, portanto, foi a saída que encontrou para exercer a profissão que ama. 
E dificilmente será possível impedir a jovem de trabalhar com os seus projetos. A empreendedora, que não para de consertar notebooks nem para conceder entrevista, está se recuperando de uma mastectomia que fez no final de julho, por conta de um câncer de mama. Nem assim ela deu um tempo à rotina da faculdade e de trabalho, mantendo o atendimento a mais de 15 mulheres por dia, durante cinco dias por semana.
Para conseguir atender a crescente demanda, contudo, está treinando uma estagiária, jovem que conheceu durante um curso de manutenção de computadores que ministrou, gratuitamente. Ela também conta com a ajuda de uma sócia. "A gente não passa fome, mas também não ostenta", brinca. Buh não sabe de cor quantas mulheres já foram beneficiadas pelo Note Solidário, mas somente naquela segunda-feira (23), em que foi entrevistada, tinha mais de dez máquinas aguardando para consertar e doar. O próximo passo é conseguir montar um centro de informática no Grajaú, projeto que está desenvolvendo em parceria com outros empreendedores, ainda sem data para sair do papel. "O Infopreta trabalha sempre em colaboração. A ideia é formar uma rede de apoio a mulheres em situação de vulnerabilidade", conta. 
Fonte: Elpais 

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Mulheres Negras Dominam Prêmio de Ficção Científica e Fantasia

Capa de 'Binti', de Nnedi Okorafor (Tor.com, 2015) |
 Tor.com/David Palumbo
Depois de se destacarem no Nebula em março deste ano, as mulheres dominaram a lista de vencedores do Hugo, outra premiação icônica dos gêneros de ficção científica e fantasia, na literatura, cinema, TV e outras mídias.
No último sábado (20), a Worldcon, convenção responsável pelo prêmio, entregou as principais estatuetas para duas autoras negras e uma asiática:
  • Melhor romance: The Fifth Season, de N.K. Jemisin;
  • Melhor novela: Binti, de Nnedi Okorafor;
  • Melhor noveleta: Folding Beijing, de Hao Jingfang (tradução para inglês: Ken Liu).
Em melhor apresentação dramática – forma curta, Jessica Jones, seriado da Netflix em colaboração com a Marvel, levou o troféu pelo episódio Sorria! (AKA Smile, no título original). A revista Uncanny, editada majoritariamente por mulheres, venceu na categoria de semiprozine.
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O filme Perdido em Marte, dirigido por Ridley Scott e escrito por Drew Goddard, ganhou como melhor apresentação dramática – forma longa. Neil Gaiman e J.H. Williams III, roteirista e desenhista, respectivamente, venceram pelo quadrinho Sandman: Prelúdio, como melhor história gráfica.

Campanha conservadora
Desde 2013, o prêmio Hugo vive uma controvérsia relacionada à cada vez mais diversificada lista de vencedores e indicados.
Dois grupos na internet de escritores e fãs conservadores – homens brancos, em sua maior parte –, chamados Sad Puppies e Rabid Puppies, fazem lobby para obras específicas, que vão ao encontro do ponto de vista político deles.
Muitos desses membros têm reclamado da presença cada vez maior de mulheres e negros na premiação, acusando-a de se tornar cada vez mais “esquerdista”.
Neste ano, os "puppies" conseguiram dominar as listas de indicações, mas as decisões do júri acabaram seguindo o caminho oposto. Na cerimônia, vários escritores protestaram contra os grupos em seus discursos.
Gaiman lamentou a iniciativa de bloquear obras progressistas. “Eu teria retirado a indicação [de Sandman], mas até isso me pareceu ser uma forma de dar algum reconhecimento a esses maus perdedores”.
N.K. Jemisin, uma das vencedoras deste ano, disse em discurso lido no palco que os grupos podem ser "facilmente" vencidos se o restante dos fãs de ficção científica e fantasia se opuserem a eles.
A escritora disse:
“Se opuserem para dizer que sim, eles querem mais inovação literária e representação realista. Se opuserem para dizer que sim, eles querem apenas ler boas histórias – mas o que faz uma boa história é a destreza, a audácia e a habilidade de considerar o futuro claramente, em vez de vê-lo pelas lentes nebulosas da nostalgia e do privilégio.”

Fonte/ texto e foto: Brasil Post 

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Filme conta a história das mulheres negras que trabalharam na NASA


ano de 2016 foi histórico para a NASA: pela primeira vez, a agência espacial americana teve uma turma de astronautas com a mesma quantidade de homens e mulheres. O caminho até lá não foi fácil. Por seis décadas, muitas mulheres passaram pela agência e poucas receberam o reconhecimento merecido.
O filme Hidden Figures, que tem estreia no Brasil prevista para fevereiro de 2017, pretende contar as histórias de algumas dessas mulheres, cujo esforço foi essencial para que os Estados Unidos dessem início à corrida espacial. Dirigido por Theodore Melfi, o longa acompanha a trajetória das matemáticas Katherine Johnson, Dorothy Vaughan e Mary Jackson, que além de enfrentarem resistência por serem mulheres, tiveram que trabalhar ainda mais para serem notadas por serem negras.
Hidden Figures é estrelado por Taraji P. Henson (Empire), Octavia Spencer (Histórias Cruzadas) e pela cantora Janelle Monáe. Veja o primeiro trailer (em inglês, sem legenda).


Fonte:Galileu 

terça-feira, 16 de agosto de 2016

Rio-2016, Olimpíadas, Mérito e Conquistas das Mulheres Negras


O primeiro ouro brasileiro nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro foi conquistado por uma mulher. A judoca Rafaela Silva, 24 anos, foi também o primeiro atleta negra, entre homens e mulheres, a subir ao lugar mais alto do pódio na Rio-2016. Depois dela, a norte-americana Simone Manuel, 20, sagrou-se como a primeira negra campeã olímpica de uma prova individual da natação na história das Olimpíadas. Ao lado da colega de time Lia Neal, 21, ela fez com que os Estados Unidos tivessem, pela primeira vez, duas nadadoras negras representando o país em uma mesma prova da modalidade -- no revezamento 4x100m livre.

"As mulheres entraram nas Olimpíadas, mas nunca todas as mulheres. Estamos tendo um levante negro, significativo no evento. São mulheres negras que estão se empoderando em espaços onde antes nunca haviam ocupado", reflete Yordanna Lara Pereira Rêgo, professora e pesquisadora de relações de gênero da Universidade Federal de Goiás (UFG). 

Um movimento que não foi planejado internamente no Brasil, mas que se reflete de fora para dentro. "Não é só a mulher preta brasileira que está se empoderando, mas de todo o mundo e as Olimpíadas evidenciam isso, o que se torna uma porta importante", explica a pesquisadora. "Talvez os organizadores e o poder público não tenham a dimensão da ajuda e da colaboração que eles darão no combate ao racismo, na integração do negro no contexto nacional", disse a Secretária Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Luislinda Valois. "É uma oportunidade em que toda uma juventude, quer seja preta, branca, azul, amarela, rica, pobre, um se aproxima do outro", completou.

A vendedora do Rio de Janeiro Rita dos Santos ressalta que o preconceito existe e, ao ver uma negra conquistando medalha, é prova de que há muita gente boa dentro das comunidades. Só que elas precisam de apoio e incentivo. "Se você parar para pensar, a Rafaela Silva começou no judô quando morava na Cidade de Deus, mas teve de sair da favela para conquistar o sonho dela", exemplifica Rita. "Eu sou negra com muito orgulho, mas este é um assunto que tem de ser mais divulgado", cobra. 

Desde 2005, o Ministério do Esporte implementa o Bolsa Atleta. Dividido em seis classificações que se distinguem pelos resultados esportivos, o programa de benefício individual aos atletas variam de R$ 370 para aqueles das categorias de base e estudantil até quantias de R$ 5 mil a R$ 15 mil aos que compõem o nível chamado pódio, como é o caso de Rafaela Silva. Já as jogadoras de futebol Formiga e Cristiane, por exemplo, se enquadram no nível "olímpico" (R$ 3.100) e "nacional" (R$ 925), respectivamente. Dos 465 atletas da delegação brasileira nos Jogos do Rio, 77% são beneficiados pela Bolsa-Atleta. 

A professora e tradutora carioca Rane Souza ressalta tratar-se de um problema presente no mundo todo, mas pontua que esta maior visibilidade em um grande evento é positiva para o combate ao racismo e as desigualdades de gênero. "Fortalece a autoestima dos negros, principalmente das crianças negras, o que tem resultado concreto de engajar mais negros na luta contra o racismo e na resistência e persistência para conquistar uma vida melhor", justifica.

Somos Simone, Rafaela e Marta
Na ginástica artística, a Cidade Maravilhosa foi palco de outra representante da causa negra que, no auge dos 19 anos, impressionou o mundo não apenas pelas maravilhas acrobáticas que apresentou, mas pela personalidade forte. Na primeira participação olímpica de Simone Biles, a norte-americana já levou três ouros e está cotada como a maior ginasta de todos os tempos. Alvo de comparações a ídolos de outras modalidades (homens, por sinal), ela foi categórica: "Não sou a próxima Bolt ou Phelps. Sou a primeira Simone Biles". 

Talvez fosse a relação que Marta quisesse fugir ao ser comparada com Pelé ou Neymar. Para a pesquisadora de ações afirmativas da UFG Yordanna Rêgo, há um levante machista dentro do movimento de maior visibilidade às mulheres negras. "A Marta é o Pelé do futebol e não a Marta em si. Parece que para elevar o feito delas é preciso associá-lo ao de um homem", explica. Então, nada de uma nova Bolt ou Phels, nem nova Pelé ou Neymar, o mundo espera por talentosas Simones, Rafaelas, Martas, Formigas, Bárbaras e tantas outras. 

Mulheres pela igualdade

Além de negras, as talentosas atletas que despertaram o encanto dos torcedores na Rio-2016 são mulheres. A Rio-2016 tem recorde de participação feminina nos Jogos Olímpicos: 4,7 mil esportistas. No entanto, não atingiram a igualdade de gênero desde as primeiras Olimpíadas da Era Moderna, em que as mulheres foram proibidas de participar dos Jogos de Atenas-1896. No Rio, elas representam 45% do total de atletas na competição. A primeira participação feminina olímpica foi em Paris-1900, quando tiveram 22 representantes diante de um total de 977 competidores.

No esporte, elas recebem salários e premiações muito abaixo dos homens nas mesmas competições. Mesmo nas exceções -- como o Grand Slam de Roland Garros --, o tema não escapa de polêmicas, como a protagonizada pelo tenista Novak Djokovic neste ano. Depois de dizer que os torneios masculinos têm maior visibilidade e, por isso, acredita que os homens deveriam ganhar mais, ele pediu desculpas.

A representatividade das mulheres abre portas para fomentar o debate sobre os percalços enfrentados pelas esportistas e sobre a cultura do estupro. Vítima de agressões pelas redes sociais, a nadadora Joanna Maranhão denunciou a violência sofrida e acabou dando maior visibilidade ao combate do crime. O mesmo efeito de reflexão para a sociedade brasileira e mundial, já que se trata do evento multi-esportivo mais importante do mundo, foram dois boxeadores, um do Marrocos e outro da Namíbia, presos por suspeita de estupro a camareiras na Vila Olímpica.

Os ganhos na igualdade de gênero são sutis, mas simbólicos. As duas maiores potências olímpicas vieram para a capital carioca com maioria feminina. A delegação dos Estados Unidos é composta por 52,6% (292 atletas) de mulheres e a da China conta com porcentagem ainda maior: 61,5% (256). No Time Brasil, dos 465 atletas, 209 são mulheres (45%).

Já que durante o calendário tradicional das competições esportivas, a audiência acaba concentrada nos torneios masculinos na maioria das modalidades, que as Olimpíadas sejam o espaço delas mostrarem seu valor. Desiludidos pelas más apresentações da Seleção masculina de futebol, os brasileiros encontraram alento na determinação de Marta e Cia. "Elas jogam em outras épocas do ano que não só Olimpíadas e ninguém dá valor. Nos Jogos, pelo menos, é a chance de ver as mulheres jogarem, porque o futebol feminino não é divulgado", lamenta a vendedora Rita dos Santos.
Fonte: Superesportes

Saúde da Mulher : Pesquisa diz que mulheres com incontinência urinária têm vida sexual afetada

Por :  Flávia Albuquerque 

Uma pesquisa feita por profissionais do Ambulatório de Disfunção Miccional do Hospital São Paulo, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostra que mulheres com incontinência urinária têm a vida sexual e a qualidade de vida mais afetada do que as que têm controle da urina. Cerca de 15% a 30% da população acima de 60 anos apresentam algum grau de incontinência e as mulheres têm probabilidade até duas vezes maior de apresentar o problema.
Para a pesquisa, foram analisadas 356 mulheres (243 incontinentes e 113 continentes), com idades que variaram entre 30 e 80 anos, por meio de questionários e exames na bexiga e a constatação foi a de que 53% das que sofriam de perda involuntária da urina também apresentavam disfunção sexual e 10% delas classificavam como ruim a qualidade de vida. No grupo de mulheres sem o problema, esses índices ficaram em 29% e 3,9%.
“Mulheres com incontinência urinária têm risco aumentado de ter impacto grande na qualidade de vida sexual desistindo de ter atividade e as que ainda têm relações têm menor satisfação porque algumas perdem urina na hora da relação. Isso leva a constrangimentos e faz com que elas evitem o sexo por vergonha. A maioria não perde urina na relação, mas o simples fato da incontinência existir faz com que ela prefira evitar contato com o parceiro”, disse o coordenador do ambulatório e orientador da pesquisa, Fernando Almeida.

Sexualidade
O estudo avaliou vários pontos relativos à sexualidade como o desejo e a satisfação sexual, o conforto e a sintonia com o parceiro. “Em todos os parâmetros estudados em ambos os grupos, os resultados foram piores nas mulheres com incontinência. Principalmente porque, em 49% delas, há perda de urina durante a relação sexual, o que atrapalha não apenas o desejo como também o orgasmo”, disse.
Muitas podem ser as causas da perda involuntária de urina. Entre elas, há fatores genéticos, obesidade, gravidez, pós-parto, cirurgias e traumas na região pélvica e problemas de bexiga hiperativa. "Mas, a mais comum ainda é a decorrente de esforço. Nessa condição, o vazamento de urina ocorre devido a qualquer atividade que force o abdômen, de um simples espirro a uma leve atividade física”.
A incontinência urinária afeta mulheres de todas as idades e por esforço começa a partir dos 40 anos. Muitas mulheres não procuram tratamento por vergonha ou por achar que isso é comum à idade e quanto mais tempo passa, mais fácil escapar a urina. “O tratamento pode ser feito com exercícios para fortalecer os músculos do canal da urina ou com cirurgia minimamente invasiva na qual se coloca uma tela abaixo do canal e, assim, se segura a urina”.
A proposta da pesquisa é alertar as mulheres a procurar atendimento assim que notarem os sintomas, porque a incontinência urinária é um problema lento e progressivo. “Por isso, as pessoas postergam o tratamento e vão se adaptando ao problema e mudando os hábitos, incluindo a atividade sexual. Queremos alertar que a incontinência tem um impacto na vida e um deles é na sexualidade. A pessoa se afasta de quase todas as coisas da vida por causa da incontinência”.

Fonte: Agência Brasil 

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Mulheres tem salários menores que os homens na maioria dos esportes

Por: Natalia Mazotte 



Além da baixa representatividade nas gerências das federações esportivas, a carreira das atletas passa por obstáculos financeiros. O suor para estar em competições nacionais e internacionais de alto nível é o mesmo para homens e mulheres, mas não raramente as recompensas são menores para elas.

Em um caso que ganhou destaque recentemente, o time brasileiro vencedor da Liga Mundial de vôlei feminino de 2016 levou pra casa um cheque de 200.000 dólares, valor cinco vezes inferior ao recebido pelo primeiro lugar da Liga Mundial masculina.
 
Em entrevista ao Gênero e Número, a oposta Sheilla Castro, bicampeã olímpica e integrante da atual equipe de vôlei campeã, critica a diferença entre as premiações. “Muito discrepantes os prêmios no masculino e feminino. Nunca formalizamos nenhuma reclamação, mas já conversamos com o Ary [Graça, atual presidente da Federação Internacional de Vôlei], quando ele era presidente da CBV”, disse a jogadora.

A diferença de remuneração é ainda mais notória quando se olha para o prêmio em dinheiro oferecido pela FIFA, órgão de gestão do futebol no mundo que apenas em 2013 teve a primeira mulher em seu comitê executivo, a burundesa Lydia Nsekera. Enquanto a equipe feminina dos EUA ganhou 2 milhões de dólares da organização por vencer a Copa do Mundo do ano passado, a seleção masculina alemã arrecadou 35 milhões após ser campeã da Copa do Mundo de 2014. Se o prêmio fosse dividido pelos jogadores em campo, a receita das americanas não chegaria a 200.000 dólares por atleta, enquanto os alemães embolsariam mais de 3 milhões individualmente.

Sheilla afirma que a justificativa dada para a disparidade é a diferença de patrocinadores, o que impactaria no valor que entra. “Se é ou não verdade, eu não sei”, disse.

As contas bancárias dos atletas refletem essa diferença. Na última classificação divulgada pela Forbes, entre os cem atletas mais bem pagos do mundo há apenas duas mulheres: as tenistas Serena Williams, que recebe US$ 28,9 milhões, e Maria Sharapova, com US$ 21,9 milhões por ano, respectivamente 40º e 88º no ranking. Valores altos, mas nem metade do que recebe a estrela masculina do tênis Roger Federer, US$ 67 milhões.

Se no tênis, um dos esportes mais equânimes em termos de gênero, onde todos os principais torneios oferecem prêmios idênticos nas disputas femininas e masculinas, a diferença de salários e patrocínios dos primeiros do ranking ainda é considerável, no futebol ela atinge seu ápice.
Neymar e Marta são dois expoentes dessa a paixão nacional, e estarão em campo na disputa pelo ouro olímpico. Ela já foi eleita cinco vezes melhor jogadora do mundo pela FIFA e marcou 103 gols com a camisa da seleção. Ele conquistou o terceiro lugar na última votação para melhor do mundo, e chegou a 50 gols defendendo o Brasil. Mas é na conta bancária que a diferença entre os dois se sobressai: Marta recebe de salário anual US$400 mil contra US$14,5 milhões de Neymar, de acordo com a Forbes. Se fossem pagos por gols, cada bola na rede da Marta valeria cerca de US$3,9 mil (cerca de R$12,2 mil), enquanto as do Neymar valeriam US$290 mil (cerca de R$905 mil).
Pode ser moralmente escandaloso que Marta receba tão menos que Neymar? Em um mercado movido a patrocínios, tudo parece justificável. As receitas patrocinadas da Copa do Mundo masculina chegaram a US$ 529 milhões. No mundial feminino, US$ 17 milhões de investimentos privados.

Visibilidade e popularidade são palavras-chave para entender por que os esportes femininos atraem menos patrocínios. “A mídia dá pouca visibilidade às conquistas das mulheres, aos campeonatos das mulheres”, explica Silvana Goellner, professora da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e especialista em questões de gênero no esporte. “A mídia produz muito a representação do esporte para os homens, então como vamos tê-las como inspiração?”, questiona Silvana.


Os acordos de transmissão e direitos televisivos exercem uma poderosa influência nos negócios esportivos. A popularidade dos jogos, com o comparecimento aos estádios para ver as equipes femininas,  também afeta diretamente a receita dos campeonatos e o interesse das emissoras. Quanto menos pessoas prestigiam as atletas, menos elas são noticiadas e televisionadas. Quanto menos são noticiadas e televisionadas, menos pessoas têm o interesse despertado e as prestigiam. Um círculo vicioso que explica em grande parte a batalha para equalizar economicamente as competições feminina e masculina.



Fonte: CEERT/ El País / Foto: UOL / Edição e Chamada : Mônica Aguiar 

quinta-feira, 11 de agosto de 2016

Os Negros Representam Menos de 50% dos Bem Sucedidos no Brasil


Mônica Aguiar 
Brasileiros negros que fazem parte do 1% mais rico do país. Frequentam festas, restaurantes, hotéis, cursos, espaços em que são minoria. 
Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o 1% mais rico é formado por 79% de brancos e 17,4% de negros (classificação usada pelo órgão para os que se autodeclaram pretos e pardos. Os percentuais restantes se referem a amarelos e indígenas).
Há diferentes métodos para se chegar ao topo da pirâmide de renda. Um deles considera o 1% mais rico da população brasileiros que ganham mais de R$ 260 mil por ano – o cálculo é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), baseado em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e da Receita Federal.
Neste grupo, que segundo projeções do IBGE reúne de 1,4 milhão de pessoas adultas, há cada vez mais negros. Em 10 anos, passou de 12,5%, em 2004, para 17,4% em 2014. Mesmo assim esta longe de representar os 53,06 % do total que soma a população brasileira. 
Preconceito econômico e social
Sociólogo e professor , Emerson Rocha desenvolveu um estudo com base em dados do IBGE sobre o negro no mundo dos ricos. O que e reafirma a tese ja adotada a muito pelo movimento negro de que o preconceito no Brasil é mais econômico do que racial.
A educação é apontada como fundamental para que se diminua a desigualdade na parcela dos mais ricos. 
Em um estudo sobre raça e educação que conduziu no Ipea, a pesquisadora mostra que a desigualdade no ensino superior continua muito alta, apesar de um avanço nas últimas décadas. Em 2001, 13,3% das pessoas brancas e 3,5% das pessoas negras tinham 12 anos ou mais de estudo. Já em 2012, última pesquisa feita sobre o tema, os números subiram para 22,2% e 9,5%, respectivamente.
Autossegregação
Contudo, os estudiosos avaliam que, sozinha, a educação não amplia a presença de negros entre os mais ricos – o racismo continua sendo um forte empecilho.
Pesquisas apontam que essa visão afeta a sociedade como um todo. Por um lado gera discriminação e, por outro, cria o fenômeno da autossegregação.
Um estudo de 2006  mostra como, apesar da ascensão econômica, muitos negros, diferentemente de brancos, acabam se restringindo a seus espaços originais de moradia.
A pesquisa revela, por meio de mapas de sete grandes capitais brasileiras, que, apesar de terem condições de morar em um distrito de classe média alta, negros tendem a optar viver em áreas onde o padrão de renda é inferior – se um branco enriquece, tende a se mudar para uma área de maior status.
Essa separação é mais alta nas classes de renda mais elevada. “Pode-se inferir que a segregação racial entre brancos, pretos e pardos não pode ser atribuída apenas ao status socioeconômico. Fatores como autossegregação e racismo também têm que ser levados em consideração”, conclui o estudo, citado pelo Programa de Desenvolvimento Humano da ONU.
Histórico 
O Instituto Ethos, em cooperação com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), realizou  levantamento sobre o perfil do trabalhador brasileiro dentro das maiores empresas atuantes no país. O resultado desse trabalho é o estudo Perfil Social, Racial e de Gênero nas 500 Maiores Empresas do Brasil e suas Ações Afirmativas, que confirma um quadro já conhecido desde a última pesquisa realizada pela entidade em 2010: a representatividade de mulheres e negros nas empresas não reflete a composição social do país.
Menos de 5% dos cargos do alto escalão das 500 maiores empresas brasileiras é ocupado por negros. Mesmo em cargos mais baixos, a presença de negros no mercado de trabalho não reflete a representatividade desse grupo, que corresponde a 52,9% da população brasileira, segundo dados do último censo realizado pelo IBGE. No quadro funcional, acima apenas de estagiários e trainees, a presença de negros é de 35,7%, contra 62,8% de brancos. Conforme a hierarquia dos cargos aumenta, a presença de negros diminui: entre os supervisores, os afrodescentes são apenas 25,9% e entre os gerentes o número cai para 6,3%.
Quadro semelhante ocorre com as mulheres, que são 51,4% da população, mas que ainda encontram barreiras para se verem representadas nas hierarquias mais altas das empresas. No quadro funcional, elas são apenas 35,5%, no grupo dos gerentes a presença dela cai para 31,3% e despenca para 13,6% nos altos quadros executivos.
Estas são as principais conclusões do estudo, que avaliou também a presença de pessoas com deficiências físicas e maiores de 45 anos, bem como mapeou o índice de escolaridade dos empregados brasileiros. Além disso, foi pesquisada a existência de ações afirmativas para aumentar o número de integrantes de diversos grupos vulneráveis
ATUALIDADE 
O rendimento dos trabalhadores de cor preta ou parda cresceu 52,6% entre 2003 e 2015. Entre os trabalhadores de cor branca, o crescimento foi de 25%.
O expressivo crescimento verificado nos últimos 13 anos, período que engloba os governos Lula e Dilma Rousseff, porém, não foi suficiente para reverter o quadro de desigualdade racial.
Os trabalhadores ocupados de cor preta ou parda ganhavam, em média, em 2015, 59,2% do rendimento recebido pelos trabalhadores de cor branca. O IBGE destacou, porém, o fato de que, em 2003, o percentual não chegava à metade (48,4%).
Razão da média anual do rendimento médio real do trabalho principal - (preto ou pardo/branco). Fonte: IBGE
O levantamento foi realizado em seis regiões metropolitanas (Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre) e entrevistou 120 mil pessoas em 45 mil domicílios.
A maior disparidade entre os rendimentos de brancos e negros observou-se na região metropolitana de Salvador, onde os trabalhadores pretos ou pardos recebem apenas 48% dos rendimentos dos brancos. Em 2003, o índice era ainda menor, só 32,3%. A diferença fica mais gritante quando se considera que Salvador é a cidade com maior número de negros e pardos no Brasil, quase 80% da população do município, segundo dados do Mapa da População Preta e Parda do Brasil, divulgados em 2010. 
A PME produz indicadores mensais sobre a força de trabalho que permitem avaliar as flutuações e a tendência, a médio e a longo prazos, do mercado de trabalho, nas suas áreas de abrangência. Trata-se de um indicativo ágil dos efeitos da conjuntura econômica sobre esse mercado, além de atender a outras necessidades importantes para o planejamento socioeconômico do País.
Fontes: CEERT/IBGE

terça-feira, 9 de agosto de 2016

O Primeiro Ouro da Rio 2016 é Conquistado por uma Mulher Negra, Sobrevivente e Vencedora

Por Mônica Aguiar 
A primeira campeã olímpica e mundial do judô brasileiro e a primeira medalhista de ouro  do país nos Jogos disputados em casa
A judoca brasileira Rafaela Silva, 24 anos, conquistou o primeiro ouro para o Brasil nos Jogos Olímpicos de 2016 na categoria leve (até 57 kg). A atleta derrotou a mongol Sumiya Dorjsuren, número um do mundo, nesta segunda-feira (8) 
Na Olimpíada de Londres 2012, a judoca Rafaela Silva já era esperança de medalha para o Brasil, em  2013, poucos lembram ou relatam que Rafaela entrou para a história do judô e do negro, ao se tornar a primeira judoca do Brasil a conquistar o título mundial . Sobrevivendo como a maioria das mulheres negras brasileiras, neste reino inexistente de democracia racial, preconceituoso, discriminatório e excludente, Rafaela entra para a história ao conquistar para o Brasil a primeira medalha de ouro da Rio 2016 .
Em respostas as agressões raciais sofridas afirma :  "O macaco que tinha que estar na jaula hoje é campeão". A retomada da carreira aos 24 anos - que culminaria no ouro conquistado por uma mulher negra- é fruto de muito trabalho . 
Ao sair do tatame, Rafaela estava completamente emocionada e comentou a vitória para uma repórter do Sportv: “Falaram que eu não servia para judô, que eu era uma vergonha para minha família”. Relatou sobre o apoio de uma psicóloga para resgatar alto estima .  Aos poucos, a judoca voltou a acreditar que poderia ser campeã.   "Falaram que eu era uma incógnita, mas eu vim, treinei ao máximo e o resultado veio".
Rafaela também já ganhou a medalha de ouro no Mundial de 2012, prata no Mundial de 2011 e bronze no Worls Masters de 2012.
Rafaela começa a erguer a história do judô brasileiro na Rio 2016, a modalidade que mais deu pódios ao país em Jogos Olímpicos ao lado do vôlei.
Entre os agradecimentos, uma homenagem especial às crianças que são suas companheiras de treino no Instituto Reação, projeto social de Flavio Canto, medalhista de bronze em Atenas 2004. Criado em 2003, o Instituto atende mais de 1.200 alunos, entre os quais está Rafaela.  
Fotos: Internet 

segunda-feira, 8 de agosto de 2016

AFIRMAÇÕES E FRASES MACHISTAS QUE SÃO CONSIDERADAS "INOFENSIVAS, MAS NÃO SÃO !

As mulheres sempre foram , fortes e  inteligentes, e mesmo com este perfil,  na maioria das vezes elas não são valorizadas .  As diferentes desigualdades  existentes demostram o tanto que esta sociedade esta distante de construir relações sólidas baseadas na competitividade plural. E as  denominadas artimanhas veladas existentes, utilizam linguagem para fomentar as barreiras que condicionam a mulher a carregar a imagem de um ser insignificante e inferior.
"Você não pode" Determina a falência da competência a partir da opinião do homem mesmo sendo  igual.

"Acalme-se”  Como se a mulher não conseguisse  controlar suas emoções e os sentimentos, promovendo a sensação que no momento da raiva os sentimentos  se misturassem no papel desenvolvido.

"Você não precisa disso” Reafirmação de lugar inferior , quando na disputa a mulher tende  esta melhor capacitada e passa ter um papel de destaque .


"Por que você não pode ser um pouco mais …” 

A gentileza autoritária , determinante e dominadora  


"Isso é bastante impressionante, para uma mulher.” 

 De fragilidade de incapacidade 


" É claro que você conseguiu o trabalho, o chefe é um homem.” 

Esta frase é extremante sexista , A condição de submissão 



"Melhora esse humor" 

Esta frase é muio utilizada por homens e mulheres brancas na relação com as mulheres negras, uma forma de confundir e misturar conceitos da capacidade de desenvolver com a postura pessoal . 



"Você está naqueles dias" 

Qualquer demostração de sentimento é sugerido "TPM".  Como se o homem não manifestassem e com muitas variações seus sentimentos .



"As mulheres conseguem com muito mais facilidade"  

Há uma abundância de prós e contras sobre ser mulher, mas se você é homem, não reconhece todas as dificuldades que muitas vezes as mulheres enfrentam. Todo mundo tem suas próprias lutas na vida, independentemente de ser homem ou mulher, assumir que as coisas são mais fáceis para alguém diz mais sobre você do que sobre a outra pessoa.


"Você está sendo mandona” 

Toda mulher séria e determinada é denominada mandona, chata e autoritária.

 

Não utilizar  frases que provocam desigualdades e ter consciência das sequelas causadas por atitudes machistas na sociedade é o melhor para quem diz querer ter um mundo justo.

Fonte E FOTO :O segredo