sexta-feira, 29 de abril de 2016

Pioneiras Negras da História - Edição 1


Por Mônica Aguiar 

Esta é a parte pequena da primeira edição de um trabalho muito pensado, talvez seja um dos mais importante da minha vida. Promover a partir de várias informações e pesquisas, o levantamento das pioneiras negras, em todas as categorias existente no mundo. A intenção é preencher o espaço vazio existente, que invisibiliza a imagem e atuação das mulheres negras em sua ampla maioria . Com a minha persistente luta pelo combate as consequências desumanas ocorridas da baixa estima, a subserviência excessiva  nas futuras gerações, que tem demostrado não possui  estimulo para obter informações adequadas da importante  historia das mulheres negras, resolvi realizar este trabalho de forma voluntária, dar publicidade do passo a passo da pesquisa pelas redes sociais,  e se Deus ajudar, um livro  Mulheres Negras no mundo.  Dedico esta pesquisa as minhas quatro filhas, Náira, Raíra, Jéssica e Ialê. Mônica Aguiar


Primeira mulher a ganhar quatro estrelas na Marinha americana
Michelle Howard


Pela primeira vez, uma almirante mulher da Marinha americana foi promovida a uma oficial quatro estrelas. Michelle Howard, 54 anos, foi nomeada vice-chefe de operações navais no começo de julho. Em 1999, tornou-se conhecida por liderar a missão de resgate do capitão Richard Phillips, história que inspirou o filme “Capitão Phillips”, com Tom Hanks.



Primeira mulher a ser condecorada na Marinha brasileira
Raquel Castilho




A Capitão-de-Corveta Raquel Castilho tornou-se a primeira mulher a ganhar a Medalha Meríto Anfíbio. Criada em 1988, é uma importante condecoração da Marinha brasileira. Raquel entrou na instituição como profissional de informática, em 1999, e, hoje, faz parte da tripulação do Comando da Força de Fuzileiros da Esquadra


A primeira mulher indígena a ser Oficial das Forças Armadas no Brasil 

                                                         Tenente Silvia Nobre Waiãpi 


Natural do estado do Amapá, Silvia é da etnia Waiãpi. Nasceu no Parque Indígena do Tumucumaque, fronteira com a Guiana Francesa.  Em 2010, concorreu com 5 mil candidatos, foi aprovada com uma das melhores pontuações para Oficial da Marinha e para Oficial do Exército, força que escolheu para servir. Aos 35 anos, em 2011, tornou-se a primeira militar indígena a integrar as Forças Armadas no Brasil. Ingressou no Centro de Preparação de Oficiais da Reserva do Rio de Janeiro. Desde então, serve no Hospital Central do Exército, instituição onde passa a chefiar o serviço de Medicina Física e Reabilitação.






Primeira mulher negra a ser o rosto da marca Lancôme
Lupita Nyong’o

Após faturar o Oscar de atriz coadjuvante por sua atuação no filme “12 Anos de Escravidão”, a atriz Lupita Nyong’o, 31 anos, tornou-se em abril deste ano a primeira mulher negra a representar a empresa francesa de cosméticos, Lancôme. De descendência queniana, Lupita nasceu no México e estudou na escola de Artes Dramáticas de Yale.




Primeira mulher negra a representar Cinderela na Broadway
Keke Palmer

A partir de setembro, a atriz norte-americana Keke Palmer, de 21 anos, será a primeira Cinderela negra na história da Broadway. O musical “Rodgers & Hammerstein’s Cinderella” terá Keke como protagonista. A atriz, que já participou de filmes da Disney e teve sua própria série na Nickelodeon, sobe pela primeira vez no palco da Broadway.




 Primeira Mulher Negra a representar a Dior 


Robyn Rihanna Fenty  - Rihanna .


A popstar tornou-se a primeira mulher negra a representar a prestigiada marca francesa e não poderia começar melhor, a avaliar pela beleza e sensualidade das imagens clicadas no Palácio de Versalhes, em Paris.



viola davisPrimeira mulher negra a ganhar Emmy de melhor atriz dramática 
Viola Davis

Concorreu com Taraji P. Henson, de Empire, que também é negra, e Claire Danes, de Homeland, Tatiana Maslany, de Orphan Black, Elizabeth Moss deMad Men e Robin Right de House of Cards.
Na história dos 67 anos do Emmy Awards somente atrizes brancas levaram este prêmio. Mulheres negras só tinham ganhado em categorias de comédia e minissérie, por exemplo.

...Em seu discurso de agradecimento, Viola  lembrou ..."E deixe-me dizer uma coisa, a única coisa que separa as mulheres negras de qualquer outra pessoa é oportunidade. Você não pode ganhar um Emmy por papéis que simplesmente não existem."....





Primeira Juíza negra , rastafári, do Brasil  
Luislinda Dias de Valois Santos


Foi promovida a desembargadora titular do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) em 2013. Reconhecida por lutar pelas causas contra o preconceito racial, hoje atua como magistrada substituta do Tribunal de Justiça da Bahia. 
... "Eu costumo dizer que sou a primeira juíza negra, rastafari, cabelo vermelho do Brasil"...... 








Enedina Alves Marques, A Primeira Engenheira Negra Do Brasil (1913-1981)

A Primeira Engenheira Negra Do Brasil 
Enedina Alves Marques 


Foi a primeira mulher e primeira negra a graduar-se em Engenharia Civil pela Universidade Federal do Paraná, em 1945. A engenheira participou da construção da Usina de Parigot de Souza e trabalhou na Secretaria Estadual de Educação, entre outros locais.






Primeira Deputada Negra do Brasil 
Antonieta de Barros 


Pouca gente conhece a história de Antonieta ou mesmo sabe quem foi ela. Em Florianópolis, capital do estado de Santa Catarina, no Sul do país, ela aparece em nome de rua, escola, túnel e tem até um memorial. Fez da educação sua luta de vida. Ela acreditava na educação como único caminho possível para a emancipação feminina e dos pobres. Ela sempre defendeu a educação para todos, independente de raça, credo ou sexo.


Loretta Lynch, durante sua audiência no Senado.
A primeira procuradora-geral negra dos EUA
Loretta Lynch

Loretta Lynch esperou um recorde de 165 dias para se tornar a primeira mulher afro-americana a ocupar o cargo de procuradora-geral dos Estados Unidos —posição equivalente à do ministro da Justiça em outros países. Nomeada por Obama em novembro, a procuradora i barrada pela maioria republicana no Senado, que demorou permitir  votar sua confirmação. Uma maioria mínima de 56 senadores votou a favor, e 43 contra.


Primeira mulher negra a ser eleita para o parlamento espanhol
 Rita Bosaho

Enfermeira, atualmente com 50 anos, chegou a Espanha na década de 1970 e vive há 20 anos em Alicante, onde trabalhou em organizações que desenvolvem “projetos de integração para mulheres imigrantes e ciganas”. É e sente-se tão espanhola como os espanhóis que nasceram na Península Ibérica. ......Muitas coisas têm de mudar se ainda chama a atenção que uma pessoa de raça negra, hispanoguineense, porque culturalmente sou espanhola, seja deputada. É um exemplo de que é preciso que a sociedade avance”....



A primeira  negra e  brasileira entre homens e mulheres, a conquistar uma medalha de ouro no Mundial de Ginástica

Daiane dos Santos

Descoberta aos 11 anos, quando brincava em uma praça de Porto Alegre, Daiane é um exemplo clássico de persistência e garra. Uma das maiores atletas da ginástica artística do Brasil .








Mae Jemison






 A primeira mulher negra a viajar no espaço
Dra. Mae C. Jemison 

Sua história de vida começa em Decatur, Alabama, onde nasceu em 1956. Criada em Chicago, estudou em escola pública e formou o ensino médio aos 16, entrando em seguida na Universidade de Stanford, em Califórnia, de onde saiu com duas graduações: uma como bacharel em Engenharia Química e a outra como bacharel em estudos africanos e afroamericanos. 





Patricia Bath

A  primeira mulher negra a atuar como cirurgiã na Universidade da Califórnia.

Patricia Bath

Melhorou a qualidade de visão de várias gerações devido a sua invenção para o tratamento para catarata. Em 1981, criou seu mais famoso evento: um tratamento a laser para catarata menos doloroso aos pacientes. Com o invento, ela conseguiu restaurar a visão de pacientes que eram cegos há cerca de 30 anos. Bath é também a primeira mulher negra a receber uma patente médica, em 1998, e desde sua aposentadoria em 1993 ela continua a advogar para a população desfavorecida, e concentra seus esforços no uso da tecnologia para oferecer serviços médicos em lugares remotos.





A primeira mulher negra ao Cargo de Ministra em Portugal 

Francisca Van Dunem

Nascida em Luanda, faz parte de uma das famílias mais conhecidas e poderosas em Angola e com particular influência no Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Chegou a ser representante do Governo português junto do conselho de administração do Observatório Europeu do Racismo e da Xenofobia no início dos anos 2000. É procuradora  há 30 anos, ocupou nos últimos oito anos um dos cargos mais importantes do Ministério Público, como Procuradora-Geral distrital de Lisboa, responsável pelo maior dos quatro distritos judiciais do país.


mulheres-negras
A primeira mulher a ser eleita chefe de estado de um país africano
Ellen Johnson Sirleaf


Economista e política ativista liberiana nascida em Monróvia, a primeira mulher a ser livremente eleita presidente de um país africano (2005), ano em que também ganhou o prêmio Nobel da Paz, pelo seu trabalho como a Primeira Ministra da Libéria.
Tornou-se, então, a primeira mulher eleita chefe de estado de um país africano. Desde sua posse (2006) contribuiu para garantir a paz na Libéria, promovendo o desenvolvimento econômico e social da sua nação. Elevando a importância das mulheres na sociedade liberiana, pôs em marcha programas de educação para mulheres e criou um tribunal especial para casos de estupro, rompendo um tabu na política do país.


A primeira africana a ganhar o prêmio Nobel da Paz, em 2004.
Wangari Muta Maathai

Maathai foi premiada por sua permanente luta contra o desmatamento, um fator de pobreza e instabilidade na África .  Bióloga, a africana é vice-ministra do Meio Ambiente do Quênia e responsável por projetos de reflorestamento no país. Em meados dos anos 70, Maathai criou o Movimento Cinturão Verde, em seu país, com a intenção de promover e proteger a biodiversidade africana, criando empregos, particularmente em áreas rurais, e promovendo o papel da mulher na sociedade. O movimento também plantou mais de 30 milhões de árvores na África.




A primeira mulher negra a chefiar   um    ministério na Itália

Cécile Kashetu Kyenge

Resultado de imagem para Cécile Kashetu KyengeÉ médica e política italiana,  nascida na República Democrática do Congo . Adquiriu a cidadania italiana em 1994,  foi nomeada para ministra da Integração.  Envolvida, trabalhando com organizações e associações em campanhas nacionais sobre os direitos de cidadania. Foi eleita deputada à Câmara em 25 de Fevereiro 2013 para o PD em Emilia-Romagna. Imediatamente após a sua eleição para o Parlamento promove com outros signatários. É a primeira negra a chegar ao governo do país.  

Sétima Semana de Valorização do Trabalho Doméstico acontecerá essa semana em Salvador

Em comemoração ao Dia do/a Trabalhador/a Doméstico/a – a ser celebrado nesta quarta-feira (27) -, a Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) realiza a partir de quinta-feira até sábado (dias 28, 29 e 30), a 7ª edição da Semana de Valorização do Trabalho Doméstico.

O evento que conta com apoio da Secretaria Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia (SPM-BA), é voltado às/aos trabalhadoras/es, empregadoras/es e ao público em geral, e acontecerá na Praça de Eventos do Shopping Center Lapa, sempre das 10 às 20 horas.

A abertura do evento será no dia 28 de abril, a partir das 10h, e contará com a palestra “Panorama do Trabalho Doméstico no Brasil e no Mundo”, da Organização Internacional do Trabalho (OIT). A Secretária Estadual de Políticas para as Mulheres da Bahia, Olívia Santana, marcará presença.

A ideia da Semana é valorizar as/os trabalhadoras/es domésticas/os; orientá-las/los a respeito dos seus direitos; dar visibilidade à profissão no âmbito da sociedade; ofertar serviços gratuitos à categoria; e abrir inscrições para cursos de qualificação, através do Serviço de Intermediação para o Trabalho (SineBahia).

Também serão ofertadas orientações trabalhistas, previdenciárias e de saúde, além de material informativo como cartilhas, folders, informes, dentre outros. Haverá ainda cadastramento de profissionais autônomos; emissão de Carteira de Trabalho; orientação sobre a saúde do trabalhador; prevenção à violência contra a mulher; autonomia e empreendedorismo para mulheres; e combate ao trabalho infantil.

Também são parceiros do evento: a Secretaria da Saúde; o Centro Universitário Jorge Amado – Unijorge; o Instituto Nacional do Seguro Social – INSS; o Sindicato dos Trabalhadores Domésticos do Estado da Bahia – Sindoméstico; o Fórum Estadual de Prevenção e Erradicação do Trabalho infantil e Proteção ao Adolescente Trabalhador – Fetipa; a Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 5ª Região; o Tribunal Regional do Trabalho - TRT 5; a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Secção –Bahia; e a Federação Nacional das Trabalhadoras Domésticas – Fenatrad.


Confira programação de palestras da SPM-BA:

28 de abril
15h10 – Violência de gênero no âmbito doméstico e familiar 
18h40 – Autonomia e empreendedorismo das mulheres 

29 de abril
14h00 - Violência de gênero no âmbito doméstico e familiar

30 de abril
11h15 - Autonomia e empreendedorismo das mulheres 

sexta-feira, 15 de abril de 2016

Mulheres São Diminuídas por Machismo Velado : Gaslighting

Por Luanda Lima 


Nos últimos dias, dois casos colocaram em pauta o machismo velado ao falar sobre mulheres em posição de liderança. Em ambos os fatos, o foco foi estereótipos de figuras femininas criada  como emocionalmente instáveis.  A primeira polêmica veio à tona com a divulgação da reportagem de capa de uma  revista.  O material argumenta que a Presidenta Dilma Rousseff estaria “fora de si” e com “problemas emocionais”. Depois do caso da presidenta, viralizou nas redes sociais um vídeo em que a jurista Janaína Paschoal, coautora do pedido de impeachment que está sendo analisado na Câmara dos Deputados, critica o governo federal em um discurso na Universidade de São Paulo (USP).

De imediato, uma palavra veio à tona para classificar tanto o enfoque dado pela reportagem quanto aos críticos à fala da advogada: gaslighting. O termo surgiu com o longa-metragem americano À Meia-Luz (no título original Gaslight), de 1944, no qual um homem tenta fazer sua esposa pensar que enlouqueceu. 

O gaslighting pode acontecer tanto em um relacionamento, quanto com mulheres que fazem parte da vida pública e são criticadas em relação a sua saúde mental, quando temos uma série de exemplos de homens na política que agem de maneira similar e não têm a sua sanidade questionada. Quando é uma mulher e ela age de uma maneira ou ocupa um espaço que a sociedade não espera, vai ser agredida pessoalmente, muito além de seu trabalho”, diz Luíse Bello, da ONG Think Olga.

Formas de machismo no discursoEsse tipo de violência emocional, portanto, consiste na manipulação psicológica que leva a mulher e as pessoas à sua volta pensarem que ela perdeu a sanidade ou é incapaz. Com relatos falsos sobre o que aconteceu e frases como “você está exagerando”, “isso nunca aconteceu”, “você é muito sensível” ou “você está louca”, a memória e a percepção da vítima são postas em dúvida. 

Além do gaslighting, outros termos foram criados para fazer referência às maneiras usadas frequentemente para inferiorizar ou silenciar mulheres. Um deles é bropriating, junção de bro (forma inglesa curta para brother, ou seja, irmão), e appropriating (apropriação), se relacionando a situações em que um homem se apropria das ideias de uma mulher e leva crédito por elas, por exemplo, durante uma reunião de trabalho. 

Ativistas citam também o manterrupting, união de man (homem) e interrupting(interrupção), quando uma mulher não consegue concluir uma frase porque é constantemente interrompida pelos homens em volta. Há também a prática conhecida como mansplaining, quando um homem explica didaticamente algo óbvio, como se a mulher não fosse dotada de compreensão ou conhecimento sobre o assunto. O termo também se refere a situações em que o homem tenta desacreditar a mulher sobre algo a respeito de que ela esteja certa.


“O machismo também se manifesta de maneiras sutis, reproduzidas inconscientemente e com os quais as mulheres se acostumam. Não é porque um homem pratica esse tipo de comportamento que está fazendo de propósito, porque quer roubar uma ideia ou calar uma mulher, mas porque a mulher é colocada em uma situação de inferioridade social e ele se sente naturalmente no direito de falar por cima dela, de achar que é obrigação dela ter o cuidado com o café no escritório”, diz Luíse. ”A gente tem que parar de fingir que isso não acontece ou não é uma questão de gênero”. Para a publicitária, é fundamental refletir sobre atitudes como essas e combatê-las com propostas, “com uma mudança de comportamento e uma conscientização dos homens e das mulheres para que isso não se repita”.

quinta-feira, 14 de abril de 2016

A Importância Histórica das Mulheres Negras no Samba !

O samba é o ritmo símbolo de resistência da cultura negra. E as mulheres negras foram essenciais para que ele pudesse seguir existindo no período pós-escravidão. Se não fosse por elas, o samba não existiria hoje.
A origem do samba no Brasil é incerta. Mas todas as possíveis explicações apontam que as raízes do gênero estão na África e foram trazidas pelos negros escravos no período colonial brasileiro.
No entanto, pouco tempo após seu surgimento, o ritmo esteve ameaçado de extinção. Não muito depois da abolição da escravatura, foi sancionada a Lei da Vadiagem (1941), que considerava ociosidade como crime e permitia a prisão de pessoas que andassem nas ruas sem documentos.
Isso afetava diretamente os homens negros que estavam desempregados, muitas vezes sem teto e sem nenhuma possibilidade de serem contratados devido ao forte preconceito racial da época.
“O período pós-abolicionista marcou a forte perseguição de quaisquer sonoridades, sotaques, danças e religiosidades afro-brasileiras, que visavam manter tradições que a sociedade brasileira queria tanto apagar. Nesse contexto, a importância das mulheres negras foi fundamental, porque além de manterem economicamente suas famílias -- já que continuaram a trabalhar como empregadas domésticas nas casas grandes --, foram essenciais para a resistência do samba. No Rio de Janeiro, a Tia Ciata, que hoje seria o que é comumente conhecido como mãe de santo, se destaca como memória coletiva. Na sua casa acontecia o samba que era proibido, onde nomes como Pixinguinha, Sinhô e tantos outros se conheceram e puderam compor.”
Kelly Adriano de Oliveira, doutora em ciências sociais pela Unicamp, afirma que tanto as mulheres quanto a religiosidade afro-brasileira tiveram um grande papel para que o samba conseguisse resistir, porque era dentro dos terreiros das casas das tias baianas -- cujo símbolo ficou marcado em Tia Ciata --, no espaço privado e escondido, que o samba podia acontecer.
Não à toa, a valorização da ala das baianas nas escolas de samba é uma forma de homenagear não apenas Tia Ciata, mas a memória de todas as tias baianas do samba.
Mulheres pioneiras na história do samba
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Clementina de Jesus
A antropóloga conta que apenas depois da década de 30 o samba passou a ser aceito como cultura popular,  “com o movimento de valorização do que era brasileiro, o que faz o Brasil o Brasil, e a tentativa de incorporar uma falsa democracia racial, de um país que supostamente aceita sua negritude e suas raízes”.
“Assim que saiu do privado onde se mantinha como resistência e foi para o âmbito público como símbolo nacional, as mulheres passaram a ter menos participação nesse processo, por causa de todo aparato machista da época, em que rua não era lugar de mulher, dentro outras questões... Daí começa a predominância masculina nos espaços de samba”
Um marco feminino dentro na história do samba, em meio toda essa imensa dificuldade, é a Madrinha Eunice, uma mulher cuja memória de luta é imensurável. “Ela foi a primeira mulher a presidir uma escola de samba, a Lavapés de São Paulo, que surgiu na verdade mais como um cordão carnavalesco”, contextualiza Kelly.
Porém, só mesmo depois da década de 60 que mulheres puderam ter alguma visibilidade dentro do espectro musical do samba e aí começam a surgir nomes vindos do Rio de Janeiro, como Clementina de Jesus e Dona Ivone Lara – a segunda que é, na opinião de Kelly, o principal símbolo desse contexto.
dona ivone lara
Dona Ivone Lara se apresenta
“Ela foi a primeira mulher a participar da ala de compositores de uma escola de samba, a Império Serrano, no Rio de Janeiro, ao final de 1960. Sua importância extrapola os 'locais de samba', e ela alcança respeito enquanto compositora e instrumentista na chamada MPB.”
O papel das intérpretes para a difusão e popularização do samba, principalmente Clara Nunes -- com pele clara, mas ascendência negra --, Alcione, Leci Brandão e Beth Carvalho, que amadrinhou muitos sambistas, também foi essencial para a cultura musical brasileira.

Cenário atual do samba para as mulheres
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Leci Brandão
O samba continua sendo hoje um gênero musical no qual há a predominância de homens, tanto dentro da indústria, como nos espaços onde ele é tocado popularmente.
“A abertura do samba para a participação das mulheres, principalmente negras, continua difícil e, embora sempre haja nomes em destaque, como Mariene de Castro, Fabiana Cozza e Teresa Cristina, ainda temos muito pouco”, lamenta Kelly.
Como forma de seguir resistindo – e existindo – nesse cenário, algumas sambistas independentes vêm se organizando em grupos e rodas de samba só para mulheres. O grupo paulista Sambadas é um exemplo disso.
“Não é preciso conhecer tudo de samba pra saber que à sombra de sua 'amistosidade' se escondem muitos conflitos. O preconceito de gênero é um deles. Mesmo protagonizando a história dessa manifestação popular, muitas cantoras, compositoras, líderes de escola de samba etc , foram, e são, caladas”, afirma Carolina Nascimento, compositora e violonista do grupo.
sambadasCarol, que mora no Jardim Icaraí em São Paulo, região do Grajaú, tem 25 anos e conta que o Sambadas começou a se organizar em março de 2015 e desde então as oito mulheres que compõem o grupo se reúnem semanalmente para conversar, ensaiar e fazer samba. 


“Levantar a questão racial torna essa discussão ainda mais necessária. A mesma iniciativa midiática que pretendeu colocar no esquecimento os sambistas negros da cidade de São Paulo -- Geraldo Filme, Madrinha Eunice, Zeca da Casa Verde, Talismã, Toniquinho Batuqueiro, entre outros -- evidenciando figuras que condiziam com o perfil de paulistano "de bem", vende hoje uma ideia de mulher do samba que não representa a mim, minhas amigas e familiares. A nossa sorte, e também azar deles, é que quando se fala em resistência não há exemplo de mais força do que a luta do povo negro, sobretudo das mulheres.”
Outra integrante do grupo, Kelly Buarque de Hollanda, de 38 anos, moradora de Osasco, que toca cavaquinho e canta no Sambadas, também contou que uma das maiores dificuldades enquanto mulher sambista é o preconceito machista ao tocar em rodas de sambas masculinas:
“Quando chegava em rodas de samba com homens, senti muita hostilidade por parte deles. Não gostavam da minha presença, não era bem recebida, me olhavam feio e recusavam-se a aceitar meu dom. Demorou muito tempo para que eu fosse respeitada nesse meio. E só depois que percebi que esse incômodo era fruto de puro machismo, porque eu tocava melhor que eles e porque lugar de mulher dentro do samba não é tocando, mas sambando, né?!”
Durante toda nossa conversa, ficou perceptível como o histórico de resistência do samba para a cultura negra sobrevive fortemente dentro da força dessas sambistas mulheres e negras.
“Os negros fizeram do samba uma forma de contar suas histórias, questionar a realidade, amenizar as dores e festejar as alegrias, e o fizeram contrariando interesses de uma elite poderosa. O verdadeiro samba, aquele que valoriza a tradição e não a moeda, sempre foi resistência”, afirma Carol.
Fonte: brasilpost