segunda-feira, 15 de setembro de 2014

Black Power – Instrumento de Resistência e Cultura

Erykah Badu, que tem fortes ligações com o continente africano 
 “Cabelo, cabeleira, cabeludo, descabelado…” Considerado por muitos apenas um instrumento estético, o cabelo vai muito além disso. Uma simples opção por um corte ou penteado diz bastante sobre a personalidade de uma pessoa. Para os negros especialmente, que desde a década de 1950 desfilam com seus black power imponentes, ele transcende o campo da beleza e significa um encontro com a identidade e, por quê não, uma ferramenta de afirmação.


Ativista Angela Davis não abriu mão do black power. 
A trajetória do black power tem início ainda nos anos 20, quando Marcus Garvey, tido como o precursor do ativismo negro na Jamaica, insistia na necessidade de romper com padrões de beleza eurocêntricos e a partir disso promover o encontro dos negros com suas raízes africanas. Décadas depois, nos Estados Unidos, o afro também começou a ganhar espaço e se tornou um dos protagonistas na luta pelos direitos civis nos anos 60. No entanto, foram as mulheres as grandes protagonistas dessa história. Condicionadas desde o tempo da escravidão a alisar o cabelo, elas bateram o pé e decidiram andar pelas ruas ao natural, o que causou espanto e resistência da comunidade branca. 
Entre muitos, o nome de Angela Davis surge como um dos principais marcos nesta luta. Ativista desde os primeiros anos de sua juventude, a norte-americana fez parte do Partido Comunista e também do movimento Panteras Negras. Em pouco tempo Angela havia se tornado uma das principais referências na luta pelos direitos dos negros e muito deste respeito vinha de seu afro, que de tão imponente, se tornava mais uma maneira de intimidar opressores.
Esperanza Spalding também adotou o afro como estilo. 
Mesmo durante os tempos de opressão, os negros sempre estiveram presentes no campo das artes, estilos consagrados como jazz e blues, o último precursor do rock, são exemplos desta presença. Além de brindar o público com seu talento, estes artistas foram responsáveis por um braço da afirmação da estética afro nos quatro cantos do mundo. Jimi Hendrix, revolucionando com sua guitarra, criou tendência ao deixar seus esvoaçados cabelos crespos crescerem ao natural.
 Ainda no rock, o tecladista Billy Preston, famoso por ter tocado com os Beatles, também aderiu ao movimento e passou boa parte dos anos 70 excursionando com um black power de dar inveja. Por fim pinçamos o nome da sul-africana Miriam Makeba, carinhosamente chamada de Mama Africa, que durante seu exílio nos Estados Unidos, adotou o black power. Ainda em 1970, o fenômeno da disco music ganhou espaço e liderado pelos negros, surgiu com força total e logo caiu nas graças do público, tendo sido o black power um dos principais ícones do movimento, destacado na cabeça de membros de grupos como o Earth Wind and Fire. 
Apesar de sair de moda nos anos 80, o afro voltou com força total no começo do século 21, mais uma vez amplamente difundido na música. A partir de 2000, Lauryn Hill e Lenny Kravitz e um pouco antes, a cantora Erykah Badu repescaram o fluxo da estética como mensagem de afirmação. Com o avanço dos anos, o estilou ganhou ainda mais força, e nomes como a baixista Esperanza Spalding e a cantora brasileira Anelis Assumpção foram exemplos da preferência aos cabelos naturais. 
São quase 70 anos na luta da afirmação de estética como identidade na diáspora, em que o cabelo e sua naturalidade sobressaem aos padrões de beleza ocidentais para se afirmar como instrumento de resistência e cultura. Nesse contexto, seja na política ou nas artes, o black power foi e é um símbolo que transcende as fronteiras da beleza e significa para o negro o resultado da luta de seus antepassados e também a determinação em manter viva a identidade de quem lutou pelos seus direitos. Na busca de direitos, cabelo é identidade e é também um símbolo de respeito.
 Fonte: Afreaka

Governo Federal Garante Inclusão Social da População Negra


As comunidades quilombolas representam um patrimônio cultural do Brasil. Estima-se que há hoje, no País, 214 mil famílias quilombolas, distribuídas por 1.834 comunidades certificadas pela Fundação Cultural Palmares. Definidas como grupos étnicorraciais, são majoritariamente rurais e se mantêm unidas por tradições, ancestralidade e relações históricas com a terra.
Segundo a ministra Luiza Bairros (foto), da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), o governo federal tem realizado muitas iniciativas importantes desde a criação da secretaria, em 2003. “A partir da gestão da presidenta Dilma, passamos a focar em alguns programas voltados para segmentos da população negra, que acreditamos, são aqueles que sofrem uma discriminação específica e que, por isso mesmo, têm que ser tratados de uma forma muito especial”, diz a ministra ao se referir ao programa Brasil Quilombola, que existe desde 2004, com o intuito de levar programas sociais até essas comunidades.
“Nós identificamos, inclusive, entre os quilombolas, níveis de pobreza muito altos e, até por isso, fizemos um esforço junto com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) para cadastrar o maior número possível de famílias no Cadastro Único, de maneira que hoje temos uma cobertura de programas de inclusão produtiva, criação de escolas, que cobrem um número muito significativo de comunidades no Brasil inteiro”, comemora Luiza Bairros.
Por meio do programa, um conjunto de ações são desenvolvidos pela SEPPIR em parceria com os ministérios do Desenvolvimento Agrário, da Educação, da Cultura e do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, por meio da Fundação Cultural Palmares. As ações articuladas incluem a regularização fundiária, expansão de oferta de água para grupos que vivem no semiárido e incentivos para a produção agrícola.
“Temos hoje, 113 mil famílias quilombolas cadastradas em todo o Brasil. Isso é um número bastante significativo. Fundamentalmente, essas famílias, quando é o caso, recebem Bolsa Família. Mas além disso, temos feito chegar nessas comunidades vários outros serviços”, diz a ministra. Ela classifica como um dos mais importantes o programa Luz Para Todos. “Porque a partir daí você consegue, dentro da comunidade deslanchar várias outras atividades por conta desse tipo de acesso e a possibilitar também que as comunidades tenham mais condições de desenvolver atividades produtivas”, explicou.

Alimentação saudável

Segundo a ministra, por meio do trabalho realizado com o Ministério do Desenvolvimento Agrário, o governo federal está levando às comunidades conhecimentos sobre o tratamento da terra, visando aumento da produtividade. A produção é também utilizada em outros programas de governo, como é o caso do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA).
O governo federal criou o ‘Selo Quilombos do Brasil’, que identifica produtos oriundos de comunidades quilombolas, como verduras, legumes, polpas de frutas, laticínios e artesanato, a fim de promover maior valorização étnico-cultural e possibilitar novos espaços de comercialização.
Na área de Educação, Luiza Bairros diz que já existem hoje, no Brasil, cerca de 2.200 escolas quilombolas, construídas dentro das comunidades. “Muitas delas já dispõem de material didático específico, ou seja, aquele material que traz também a própria história das comunidades dos quilombos no Brasil. A nossa estimativa é de que nós temos quase 230 mil alunos nessas escolas quilombolas. Isso dá uma ideia de que o grau de inclusão de comunidades – que antes estavam completamente à parte do restante da sociedade – foi muito grande”, completa.
Mais educação
A ministra ressalta, ainda, que existem universidades no Brasil que já designaram cotas para estudante oriundos das escolas quilombolas. “Existe um processo nessas comunidades de renovação através da juventude, que cada vez mais tem acesso a oportunidades que antes estavam praticamente impossibilitadas para essas populações”, comemora.
“Entre todas as iniciativas que nós temos feito, voltadas para a população negra, as que são mais visíveis são aquelas relativas às ações afirmativas”, diz a ministra em relação à aprovação da Lei de Cotas, que estende a reserva de vagas para estudantes de escolas públicas, para negros e indígenas em todas as universidades federais e nos institutos técnicos federais, e a instituição de reserva de 20% de vagas para negros nos concursos públicos da Administração Pública Federal.
“Foi um ganho extremamente importante, especialmente para os setores jovens da população negra, que há muitos anos se encontravam impossibilitados de participar do ensino superior, por conta de vários obstáculos”, ressaltou. Para a ministra, a Lei de Cotas foi potencializada pelo fato de terem sido criadas no Brasil, nos últimos anos, 18 universidades federais.
Sobre a reserva de vagas, em cada concurso com no mínimo de três vagas, 20% serão destinadas para candidaturas negras. “Isso é tanto em concursos públicos dos ministérios, mas isso também de fundações e empresas públicas, o que significa uma possibilidade de entrada para o setor público muito significativa”, disse.
Plano Juventude Viva
Os homicídios são a principal causa de morte de jovens de 15 a 29 anos no Brasil e atingem especialmente jovens negros do sexo masculino, moradores das periferias e áreas metropolitanas dos centros urbanos. Dados do Ministério da Saúde mostram que mais da metade (53,3%) dos 49.932 mortos por homicídios em 2010 no Brasil eram jovens, dos quais 76,6% negros (pretos e pardos) e 91,3% do sexo masculino.
“Nós não podemos mais fingir que essa situação não existe e por isso instituímos, desde 2012, o Plano Juventude Viva, que trabalha com os governos Estaduais e Municipais em cerca de 132 cidades brasileiras, que correspondem a 70% das mortes de jovens no País”, explicou a ministra.
Construído por meio de um processo participativo, o Plano reúne ações de prevenção que visam a reduzir a vulnerabilidade dos jovens a situações de violência física e simbólica, a partir da criação de oportunidades de inclusão social e autonomia; da oferta de equipamentos, serviços públicos e espaços de convivência em territórios que concentram altos índices de homicídio; e do aprimoramento da atuação do Estado por meio do enfrentamento ao racismo institucional e da sensibilização de agentes públicos para o problema.
“É dessa maneira, procurando levar programas que atendam às culturas juvenis, criando mais opções, alternativas de educação para os jovens, apoiando as organizações juvenis, que vamos expandindo essa intervenção, na expectativa que, juntamente com outras políticas públicas que permitam que os jovens realizem seus sonhos e talentos, nós possamos finalmente diminuir esses índices de mortes”, completou.

Futebol feminino do Brasil estreia na Copa América

As jogadoras brasileiras participam de dois campeonatos de futebol simultâneos. Enquanto a seleção inicia, nesta sexta-feira (12/09), a disputa pela Copa América Feminina, no Equador, 20 equipes jogam pelo título do 2º Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino Caixa 2014. A equipe vencedora da Copa América estará classificada para a Olimpíada, que acontecerá no Rio de Janeiro em 2016. Caso o Brasil, já garantido no torneio Olímpico por ser o país-sede, vença a competição, o vice-campeão herdará a vaga para os Jogos de 2016. A Copa América ocorre entre 11 e 28 de setembro e envolve dez seleções do continente. Além da vaga nos Jogos Rio 2016, a sétima edição do torneio classificará equipes para o Campeonato Mundial e para os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015. O time brasileiro estreia nesta sexta-feira (12), contra a Bolívia, às 19h10 no horário local (21h10 de Brasília), no Estádio Reina del Cisne, na cidade de Loja. Campeão por cinco vezes, o Brasil vai em busca do sexto título.

Jogos do Brasil na primeira fase da Copa América
Grupo B
12.09 – Brasil x Bolívia – 21h20 – Estádio Reina del Cisne – Loja
14.09 – Brasil x Paraguai – 17h10 – Estádio Reina del Cisne – Loja
18.09 – Brasil x Chile – 21h10 – Estádio Alejandro Serrano Aguilar – Cuenca
20.09 – Brasil x Chile – 18h10 – Estádio Jorge Andrade de Cantos – Azogue


C

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Mulheres Negras Pagam mais Impostos do que Homens Brancos

 Por Najla Passos

O estudo “As implicações do sistema tributário brasileiro nas desigualdades de renda”, lançado nesta quinta (11) pelo Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), comprova que o sistema tributário brasileiro é injusto não só pela perspectiva de classe, mas também quando se analisa o recorte de gênero e raça: mulheres negras pagam, proporcionalmente, mais impostos do que homens brancos.
“Duas questões que marcam a nossa desigualdade é gênero e raça. E como as mulheres, sobretudo as negras, estão na base da pirâmide social e o sistema tributário brasileiro é muito regressivo, obviamente, as mulheres em geral, e as mulheres negras em especial, vão pagar mais tributos do que homens brancos que, em geral, estão no topo da pirâmide e são mais ricos. O que o estudo faz é comprovar isso empiricamente”, afirma o autor da pesquisa, o professor da Pós Graduação em Políticas Públicas da Universidade de Brasília (UnB), Evilasio Salvador.
Segundo ele, a comprovação foi obtida a partir do cruzamento de dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) e Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), ambas realizadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). De acordo com o estudo, os 10% mais pobres da população, compostos majoritariamente por negros e mulheres (68,06% e 54,34%, respectivamente) comprometem 32% da renda com os impostos, enquanto os 10% mais ricos, em sua maioria brancos e homens (83,72% e 62,05%, respectivamente) empregam 21% da renda em pagamento de tributos.

Quem paga a conta?

O estudo também aprofunda análises sobre os mecanismos que fazem com que o sistema tributário brasileiro seja tão injusto com os mais pobres, permitindo que estes sejam responsáveis por 71,38% do montante de impostos arrecadados no país. “O que nós propomos é que seja revertida essa estrutura regressiva do sistema de tributação brasileiro, que está pautada em tributos sobre o consumo e a produção, que acabam onerando os mais pobres, os trabalhadores em geral. O ideal é inverter isso e priorizar tributação de patrimônio e renda”, defende Evilasio.
Segundo ele, as mudanças devem passar necessariamente pelo aumento do número de alíquotas de tributação do Imposto de Renda, que precisa ser mais progressivo. “O Brasil já chegou a ter 12 alíquotas de imposto de renda, mas foi reduzindo isso e ficou muito tempo só com duas, algo que só ocorria em outros dois países do mundo: Peru e Barbados”, relata. Hoje, o imposto de renda trabalha com quatro alíquotas, mas o professor defende que o número deve ser ampliado para que quem ganhe mais pague mais. “O Brasil tem uma alíquota final muito baixa, que é de 27,5%. Países como França e Estados Unidos têm alíquotas de 50% e 60%”, compara.

Renda
Evilasio ressalta, entretanto, que só ampliar as alíquotas não é suficiente para promover justiça social. "Da forma com que o sistema tributário brasileiro está organizado, isso só penalizaria trabalhadores e funcionários públicos”, alerta. Para ele, o essencial é tributar todos os tipos de renda, e não apenas a oriunda do trabalho. Pela legislação atual, forjada nos anos neoliberais e jamais corrigida, não há tributação sobre lucros e dividendos, remessa de lucros para o exterior e vários tipos de rendas oriundas do mercado financeiro, como fundos vinculados ao agronegócio e setor imobiliário.“A renda, independente da sua origem, deve ser tributada. Em uma sociedade tão desigual como a brasileira, ninguém pode ter privilégios, quanto mais os mais ricos. É inadmissível você ter proprietários e sócios capitalistas que recebem lucros e dividendos distribuídos e não pagam nada, absolutamente nada, de imposto de renda”, critica. Além de taxar todos os tipos de renda, o professor também recomenda uma cobrança maior e mais progressiva dos impostos sobre a propriedade, o que envolveria uma parceria com outros níveis de administração federativa: os estados e municípios. “No tocante á tributação de patrimônio, há muita coisa a fazer. Nós somos um país que praticamente não taxa patrimônio. É uma aberração a arrecadação do IPVA ser maior do que a arrecadação do IPTU, por exemplo. É claro que aí há um conflito de competências. Há legislações estaduais e municipais. Mas você pode fazer alterações na constituição para garantir essa progressividade”, defende. O professor também sugere maior progressividade no IPTU, maior taxação sobre heranças e a regulamentação do Imposto sobre Grandes Fortunas, que permanece como letra morta 25 anos após a promulgação da Constituição de 1988. “Esse conjunto de medidas permitira aumentar a arrecadação e dar folga para desonerar consumo e produção. E grande parte dessas medidas não implica nem mesmo em mexer na Constituição”, afirma.

Fonte: Caros e Amigos 

Na reta final, voto feminino poderá desempatar disputa Dilma x Marina

Com as pesquisas de opinião indicando empate técnico tanto no primeiro como no segundo turnos entre Dilma e Marina, será importante observar o comportamento das eleitoras mulheres. Maioria do eleitorado – elas são 74 milhões contra 68 milhões de homens – elas tem decidido as eleições no Brasil.
Pois homens e mulheres podem apresentar comportamentos diferentes em termos de tendência de voto. Em 2010, por exemplo, Dilma ganhou tanto no eleitorado masculino como no feminino, mas proporcionalmente a petista teve mais votos entre os homens do que entre as mulheres. Vários analistas apontam que a migração de votos das mulheres para a oposição, na reta final da disputa, foi decisiva para a realização do segundo turno em 2010.
Naquela eleição, o oposicionista José Serra (PSDB) forçou a mão no tema do aborto com forte viés moral, o que coincidiu com um afastamento do eleitorado feminino no segundo turno (pesquisas mostraram que as eleitoras consideraram na ocasião o aborto um assunto a ser definido em foro íntimo; o exemplo sugere como errar na comunicação com as mulheres pode ser fatal em uma eleição).
Além de maioria, as mulheres apresentam outra característica que vem se repetindo em todas as eleições: elas têm uma tendência maior a definir o voto nos últimos momentos. Em 2014 não será diferente. Nas pesquisas “espontâneas”, quando o entrevistado diz o que lhe vem à mente sem a apresentação prévia de nomes, as mulheres registraram no início de setembro um grau de indefinição (faixa dos 37%, segundo dados compilados pelo Instituto Patrícia Galvão, de São Paulo) superior ao dos homens (27%). Mais do que o “estimulado”, o “espontâneo” detecta a consolidação do voto.
Ou seja: em disputas acirradas como a de agora, surpresas e reviravoltas podem acontecer por conta do comportamento do eleitorado feminino, que tende a definir seu voto às vésperas da eleição. Até aqui, entre mulheres, Dilma e Marina seguem também empatadas no primeiro turno.
Seja como for, daqui até 5 de outubro as campanhas devem intensificar os seus discursos para as mulheres. Ao segmentar suas mensagens – o que em termos amplos inclui não apenas mulheres, mas negros também — as candidaturas buscam explorar todas as brechas possíveis para a vitória. Caso permaneça acirrada a disputa, a mensagem segmentada será aquela que poderá fazer a diferença.

Seminário ‘Desigualdades no Parlamento: sub-representação e reforma do sistema política, Brasília/DF, 19/09/2014

Durante o evento, movimentos de mulheres do país debaterão a participação feminina no atual sistema político e a necessidade de mudança desse cenário.

seminario_desigualdadesnoparlamento

segunda-feira, 8 de setembro de 2014

Mulheres com formação técnica são maioria no mercado de trabalho

As mulheres com formação técnica são maioria no mercado de trabalho, representam 55%, segundo a Relação Anual de Informações Sociais (Rais) do Ministério do Trabalho e Emprego, em 2013. Elas chegaram a 2,9 milhões no mercado formal, que inclui indústria, construção, comércio, serviços e agropecuária.
A participação, no entanto, varia com a área, a maioria está no setor de serviços, com 2,5 milhões. Na indústria e construção, são 238 mil e representam 25% do total de técnicos.
"Existem muitas barreiras, ainda culturais ou preconceituosas, sobre algumas profissões. Tem-se a ideia de que são trabalhos tipicamente masculinos, em função até da história da profissão de base, de que tem que fazer muito esforço", diz o gerente de Estudos e Prospectivas da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Márcio Guerra.
Ele ressalta, no entanto, que esse cenário tem mudado e as mulheres chegam a ser maioria em setores como o de eletroeletrônica, "onde existe nível de perfeccionismo no trabalho, de concentração e detalhe. A mulher tem todas estas características e pode se destacar cada vez mais a medida que vai acessando a qualificação".
Na Olimpíada do Conhecimento, organizada pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), as mulheres provam que dão conta do recado e se destacam em áreas majoritariamente masculinas. "As mulheres tem garra, força de vontade, estão se destacando", diz a chefe de equipe de Minas Gerais, Natalia Trindade. "Elas têm muita determinação. Precisam disso para se colocar em áreas predominantemente masculinas".
Segundo Natalia, na área em que atua, eletrônica, os salários são equiparados aos dos homens. "Elas, no entanto, crescem mais rápido nas empresas. Pelo que acompanhamos, as mulheres recebem promoções mais rápido do que os homens", diz a chefe de equipe.
Os números do mercado refletem nos da Olimpíada. As mulheres ainda são minoria nas competições, pouco mais de 20% dos 700 competidores. Mas, neste ano, chegaram a 161, 20 a mais que na última edição.
Camila Araújo é a única mulher no torneio de tornearia, ela é da equipe de Natália, e vem de Contagem. "Não existe preconceito, fazemos tudo que um homem faz. Existem recursos que fazem com que não precisemos  de usar tanto a força", diz a profissional. Segundo ela, o único pré-requisito é a força de vontade: "Se quiser, consegue qualquer coisa".
Cleidejane Santos escolheu soldagem. Baiana, de Salvador, ela conta que na época que optou pelo curso, foi por eliminação, descartou o que não gostava, mas não sabia do que se tratava. Hoje é apaixonada pela profissão. Pretende seguir estudando, se especializando e quer atuar no mercado. Um sonho é trabalhar em soldagem submarina em plataforma de petróleo.
Para ela, ser mulher é vantagem. "Geralmente somos mais detalhistas, mais dedicadas. A solda é aparentemente algo grosseiro, mas alguns processos exigem delicadeza", disse.
A Olimpíada do Conhecimento é a maior competição de educação profissional das Américas. Ela ocorre a cada dois anos pelo Senai. O evento que acontece em Belo Horizonte está na oitava edição. Participam mais de 700 jovens.
Fonte: EBC

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Angola: Mulheres têm difícil acesso à informação sobre autarquias

coordenadora da Rede para o Desenvolvimento do Género a nível do município do Cazenga, Maria Mateus Julho,Luanda - A coordenadora da Rede para o Desenvolvimento do Género a nível do município do Cazenga, Maria Mateus Julho, destacou hoje, terça-feira, em Luanda, as dificuldades que as mulheres têm à informação oficial sobre o que está a ser feito, em relação ao processo das autarquias, fato que tem limitado o seu contributo para sociedade.


A responsável fez esta apreciação durante a IV Conferência sobre Género e Desenvolvimento, que hoje se realiza, ao fazer a apresentação do resumo das conferências municipais sobre Mulher, descentralização e autarquias. Maria Mateus Julho defendeu a necessidade da sociedade civil incrementar a realização de palestras e outros encontros nas comunidades, que permitam divulgar informação sobre a importância das futuras autarquias, reforçando a importância desses encontros serem replicados em outros municípios e distritos para que as mulheres estejam elucidades sobre o processo das autarquias. Referiu ser ainda necessário que as organizações da sociedade civil ao nível local dominem e aproveitem da melhor forma os mecanismos formais e informais de participação para que aprendam a ser verdadeiros cidadãos e a negociarem os seus interesses com o Estado. De acordo com a coordenadora, o nível da participação das mulheres nos cargos de decisão ainda é um desafio e há uma diferença entre homens e mulheres. Nesta margem, destacou que as organizações da sociedade civil, principalmente as focadas na temática de género devem continuar a promover vários encontros nas comunidades, que permitam preparar estas localidades aos desafios das actuais autarquias. Concluindo, Maria Mateus Julho referiu que foi recomendado que as conferências do género devem ser réplicas em outros municípios e distritos para que as mulheres estejam elucidadas sobre o processo das autarquias. A IV Conferência sobre Género e Desenvolvimento está a ser realizada sobre o tema “O contributo e a participação das mulheres no processo de descentralização e autarquias em Angola”, numa promoção da Acção para o desenvolvimento rural e ambiente (Adra).
Fonte/ texto : ANGOP

Polícia identifica 50 envolvidos em caso de injúria racial a casal na web

A Polícia Civil de Muriaé já identificou mais de 50 internautas envolvidos no crime de injúria racial ocorrido com um casal de namorados de Muriaé, após publicação de fotos no Facebook. Maria das Dores Martins, de 20 anos é negra, e Leandro, de 18 anos é branco. Eles foram ofendidos com comentários preconceituosos.
Segundo o delegado responsável pelo caso, Eduardo Freitas da Silva, os internautas não agiram de forma individual e ainda podem responder por outro crime: formação de quadrilha. “A maioria se organizou para aquele fim específico – de denegrir a imagem das vítimas. Nesse caso, além da injúria racial há o crime de formação de quadrilha”, explicou.
O delegado Eduardo afirmou ainda que foi feita uma parceria com a Polícia Civil São Paulo, visto que a maioria dos identificados são de lá. Ele deve ir até a capital para acompanhar o desenrolar das investigações e possíveis autuações, mas a data ainda não foi definida.
O casal namora há um ano e oito meses e esta foi a primeira vez que eles foram vítimas de preconceito. Em julho, a foto do casal foi publicada na rede social em modo público (ou seja, aberta para qualquer internauta da rede ver, curtir ou comentar) e em agosto começaram as manifestações ofensivas. Dentre os comentários estavam frases como: “Onde comprou essa escrava?”, “Seu dono?”, “Me vende ela”, “Parece que estão na senzala” e “Eu acho que você roubou o branco pra tirar foto”. Um dos comentários teve “aprovação” de 24 pessoas.
Segundo a polícia, a maioria dos agressores é de São Paulo e tem idade entre 15 e 20 anos. A polícia também verificou alguns perfis como falsos. O G1 procurou o casal nesta terça-feira (2) para falar sobre o assunto, mas as ligações não foram atendidas.

Crime recorrente
Eduardo Freitas ressaltou que a quadrilha também foi identificada em crimes envolvendo outros casais. “Eles agem de forma orquestrada e escolhem as vítimas aleatoriamente. No caso do casal de Muriaé, eles até criaram uma página [na rede social]. Nesse espaço, o grupo utilizou de xingamentos e insultos para difamar as vítimas”, confirmou.
O delegado garantiu que a intenção da polícia é identificar o chefe da quadrilha, que se reúne com intuito de promover insultos racistas. Sobre a página criada que ainda está no ar, o delegado disse que as pessoas podem denunciar para que ela seja excluída o quanto antes pelo Facebook. “O banco de dados do Facebook fica nos Estados Unidos. Por esse motivo é necessário mais tempo para que uma solicitação seja atendida. A sociedade pode auxiliar no processo fazendo as denúncias”, ressaltou.

Página contendo denúncias ao casal ainda está no ar (Foto: Reprodução/Facebook)
Página contendo denúncias ao casal ainda está no ar (Foto: Reprodução/Facebook)

O crime
Maria das Dores Martins registrou a ocorrência no dia 26 de agosto e relatou à Polícia Militar (PM) que tomou conhecimento do fato no dia 17 de agosto. Um inquérito foi instaurado pela Polícia Civil de Muriaé, que a princípio tem 30 dias para ser finalizado, mas o tempo deve ser prorrogado devido à complexidade da ocorrência.
A jovem participou do programa Encontro com Fátima Bernardes e falou sobre os comentários preconceituosos que ela e o namorado sofreram no Facebook. Ela contou que a primeira atitude do casal foi bloquear as fotos e sair do Facebook. Mas para dar prosseguimento às investigações policiais, eles voltaram atrás. “Logo que isso aconteceu meu namorado fechou todas as fotos. Eu desativei minha conta, mas agora está ativada porque o delegado pediu. Tem quase mil comentários. Alguns de apoio, mas a maioria racista”, disse à apresentadora.
Maria das Dores também falou em entrevista à Fátima Bernardes que nunca havia passado por uma situação destas antes. “Eu achei que era mentira porque nunca passei por isso, nem nós dois juntos. Esperamos que achem os culpados porque eles não podem ficar impunes. Foi muto triste o que aconteceu. Durante um tempo eu não queria ver ninguém, mas meu namorado me deu bastante apoio e pediu para eu não chorar”, lembrou.

Relacionamento não ficou abalado
Leandro conversou com o G1 por telefone no dia 28 de agosto e afirmou que, apesar do transtorno, eles estão ainda mais unidos. Durante toda a entrevista a namorada Maria das Dores estava ao lado e disse concordar com tudo o que ele dizia.
Leandro contou que a namorada ficou triste e que por diversas vezes a viu chorar. “Eu nunca fui de ligar para o que os outros falam. As palavras foram muito ofensivas, mas o importante é que a gente está bem. Nosso relacionamento não foi afetado por isso, pelo contrário, melhorou ainda mais”, disse.
Leandro confirmou que o casal não conhece as pessoas que agiram de forma preconceituosa e que não abrem mão da Justiça. “Vamos procurar um advogado e nossos direitos. As pessoas não podem agir dessa forma, magoar e sair impunes”, afirmou ele, com o consentimento da namorada.
Leandro disse ainda que durante os quase dois anos de namoro o casal nunca havia sofrido preconceito. “Não somos de brigar, ficamos em paz. Somos companheiros e nada nem ninguém vai mudar isso”, ressaltou.
Injúria Racial Facebook Muriaé (Foto: Reprodução/Facebook)Maria das Dores não quis estender o assunto para a reportagem e disse apenas que faz das palavras de Leandro as dela.
Maria das Dores e o namorado Leandro foram vítimas de racismo no Facebook.

Projeto proíbe revista íntima de mulheres em locais de trabalho

Um projeto (PLC 2/2011) aprovado nesta terça-feira (2) pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado determina que as empresas privadas, os órgãos públicos e as entidades da administração pública e indireta estão proibidos de adotar qualquer prática de revista íntima de suas funcionárias e de clientes do sexo feminino. O projeto ainda precisa ser votado no plenário da Casa.
“Observemos que se considera revista íntima a coerção para se despir ou qualquer ato de molestamento físico que exponha o corpo. Assim, se houver revista, esta tem de ser discreta, com urbanidade e civilidade, sem expor o empregado. Não pode ser exigido do empregado, ou do cliente, despir-se ou mostrar partes íntimas do corpo e do vestuário. Hoje, ressalte-se, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) entende que se houver revista íntima, expondo o trabalhador à situação vexatória, cabe indenização por danos morais”, diz um trecho do relatório da senadora Ana Rita (PT-ES).
Por sugestão da relatora a multa em caso de descumprimento da determinação será  equivalente a 30 salários mínimos (R$ 21.720). Além de cobrança da multa em dobro em caso de reincidência, o texto estabelece ainda que os recursos arrecadados serão destinados a órgãos de proteção dos direitos da mulher.
Fonte: EBC