sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Mulheres Negras na Faixa de 50 anos Serão Destaque no Carro da Estácio que Pauta a Inclusão dos Negros

RIO DE JANEIRO - Um carro pautado na inclusão dos negros em festas católicas no Brasil vai trazer 12 mulheres na faixa dos 50 anos como destaques do enredo “Salve Jorge! O guerreiro da fé!”, no desfile da Estácio de Sá. 

Engana-se quem pensa que elas entrarão na Avenida com o corpo pintado ou à mostra. 
A intenção dos carnavalescos Chico Spinoza, Tarcísio Zanon e Amauri Santos é destacar a beleza e a plenitude de cada uma delas em uma faixa etária em que não ganham mais destaque na passarela.

A alegoria “São Jorge em Terras Brasileiras”, que entrará na Avenida com 22 metros de comprimento e 13 metros de altura, foi desenvolvida na intenção de retratar o papel do santo da Capadócia na entrada dos escravos na procissão de Corpus Christi. De acordo com Tarcísio Zanon, Dom João VI escreveu uma carta permitindo a participação dos negros que pertenciam à Irmandade de São Jorge na festa cristã.

A professora do Departamento de História da UFRJ e autora do livro “O Corpo de Deus na América: a festa de Corpus Christi nas cidades da América portuguesa” (Editora Annablume, 2005), Beatriz Catão, afirma não ter conhecimento da carta e diz que a inserção dos negros na procissão é difícil de ser datada.

- Uma representação de negros costumava vir à frente da procissão desde tempos muito remotos. Digo representação, por que nem sempre eram efetivamente negros, mas costumam ser assim representados por músicos, como por exemplo nas aquarelas de Debret do século XIX - comenta ela.

Para o trio responsável pelo enredo, no entanto, a presença das mulheres, todas negras e convidadas especiais de Chico Espinoza, foi idealizada para representar este momento.

- Sou da opinião que as mulheres, depois de uma certa idade, ficam plenas, no momento máximo da beleza. E eu tinha essas mulheres, que já desfilaram comigo anos atrás. 
São mulheres que você não tem que usar o corpo para elas serem algo, elas são negras, lindas e poderosas. 
Precisava da experiência delas para esse enredo e tenho certeza que é a força delas que vai me dar a realidade que eu preciso - coloca ele.

As 12 “mulheres de Chico” são veteranas no meio artístico ou do carnaval. Algumas delas estão retornando à Avenida depois de muitos anos sem participar do desfile. É o caso da ex-modelo Veluma, 62, que ganhou as passarelas internacionais nos anos 1970 e se consagrou como a primeira modelo negra a se destacar no exterior. 

Há doze anos longe da folia profana e próxima do que é sagrado, através do misticismo e de uma devoção a São Jorge herdada da mãe, ela vê esse retorno como uma chance de revisitar as sensações da juventude.

- Todo aquele êxtase volta, aquele frio na barriga. É uma forma de mostrar que o artista não está morto. O carro mostra que estamos inteiras, somos mulheres e temos o corpo bonito - afirma Veluma.

Mônica Santos, 45, é bailarina e está de volta ao carnaval depois de 13 anos. Para ela, o retorno para a Avenida significa a valorização da mulher como um todo:

- O Chico nos valoriza pelo que sabemos interpretar e pela beleza, mas dizendo que continuamos lindas mesmo sem estar com o corpo definido.

O figurino delas representa a participação dos negros nas celebrações católicas, realçando a mistura cultural do Brasil e o sincretismo religioso, uma vez que São Jorge foi incorporado ao Candomblé na figura de Ogum. As vestimentas terão a modelagem europeia do século XIX combinada com a estamparia africana. 

A atriz, jornalista e ex-jogadora de vôlei Lica Oliveira, 51, enxerga nesse contexto a oportunidade de se discutir a história dos negros no Brasil e na África.

- Estamos vivendo um momento de valorização de autoestima do povo negro e das mulheres negras, principalmente.
A mulher negra é a base da pirâmide da sociedade brasileira. Vejo a nossa representatividade nesse carro como referência. Temos um trabalho árduo no sentido de difundir a matriz africana. Estamos cansados de de ouvir a história que escreveram sobre a gente, queremos contar a nossa versão. É o nós por nós - avalia ela.

Nascida em Salvador e moradora do Rio de Janeiro, a cantora Daúde, 52, identifica no carro referências da sua história e da sua formação musical. O desfile, para ela, tem um significado que vai além da representação histórica pura e simplesmente.
- A sensação de estar em cima desse carro tem o significado da palavra altivez, mas sem estar ligada à arrogância. É dignidade.

Um carnaval sem “peladonas”

Este ano, o culto ao corpo perfeito e a exaltação ao nu, tão presentes no carnaval, não entrarão no desfile da Estácio. O carnavalesco Chico Feitoza optou por adequar as fantasias ao enredo “Salve Jorge! O Guerreiro da Fé!”.

- Eu acho que esse enredo, especificamente, pede a mulher vestida. Não é enredo para colocar a nudez. Eu preciso da cara, da experiência que as mulheres têm. Prefiro ter a Estácio vestida do que uma mulher pintada na avenida.

O enredo em homenagem a São Jorge rendeu à Estácio uma conquista importante: depois de reprimir diversos desfiles que traziam figuras cristãs para a festa pagã, a Arquidiocese do Rio de Janeiro deu total apoio ao desfile da escola. 

Para o carnavalesco Tarcísio Zanon, é a segunda vez que São Jorge abre as portas da Igreja para a inclusão.

- Sabemos que ele tem essa capacidade. E agora, pela segunda vez, ele faz uma inclusão, já que estamos tendo o apoio da Igreja Católica. A porta da Igreja se abriu para os negros e agora se abre para o carnaval também.

Fonte e foto: O Globo 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Bloco de Carnaval Afro Ilú Obá de Mim faz Homenagem para Elza Soares

SÃO PAULO - Por Mauricio Pestana 

Elza Soares, mulher negra que passou por várias atrocidades que as mulheres negras costumeiramente ainda são submetidas em nossa sociedade. Da violência doméstica a perda de um filho adolescente.


O que são Deuses ou Deusas segundo a mitologia grega ou nas religiões de matriz africana? São seres providos de poderes especiais nos quais os simples mortais estão distantes de compreender. 
Na mitologia grega eles viviam no Olimpo, um lugar distante onde podiam observar os mortais de cima para baixo. Já nas ancestrais religiões de matrizes africanas, esses Deuses viveram na terra, tinham sentimentos, defeitos e qualidades como qualquer mortal e o que os diferenciavam era a missão de se tornarem orixás protetores de um povo que sofre e clama por justiça há séculos.
Destas duas teorias prefiro ficar com uma terceira: a de que esses deuses e deusas ainda vivem entre nós, disfarçados de artistas, operários ou camponeses e de forma simples ou explosiva, em passagens curtas ou longas, transitam por esse planeta para impactar, deixando suas mensagens para poucos ou para uma multidão. 
Uma dessas deusas disfarçadas de mortal será homenageada nesse carnaval. Mulher negra que passou por várias atrocidades que as mulheres negras costumeiramente ainda são submetidas em nossa sociedade. Da violência doméstica a perda de um filho adolescente. Do convívio com companheiro alcoólatra a solidão de chefiar sozinha uma família quando ainda era jovem. Carregou não uma, mas diversas cruzes e com o poder que só aos deuses e deusas são consagrados, superou a tudo e recentemente ganhou o título de melhor cantora do milênio.
Obrigado Elza Soares por estar entre nós. Parabéns ao bloco afro Ilú Obá De Min, constituído de mulheres guerreiras, por homenagear a Deusa Elza neste carnaval.
Afro Ilú Obá De Min & Elza Soares
Data: 05.02
Local: Praça da República – Centro
Horário: 19h30
Fonte: doladoteca

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A soprano Pumeza Matshikiza - Thula Baba


Das favelas sul-africanas para o mundo da ópera. A soprano Pumeza Matshikiza cresceu nas favelas da cidade do Cabo, na África do Sul. Hoje, ela canta na Ópera de Estugarda na Alemanha, o seu primeiro álbum foi gravado nos famosos estúdios Abey Road em Londres. Uma vida cheia de reviravoltas que serve de tema ao disco de estreia.

“O disco é uma reflexão sobre a minha viagem pessoal, das favelas da Cidade do Cabo para o mundo da ópera na Europa. Eu e o produtor tínhamos decidido incluir no álbum algumas canções africanas e algumas árias. Mas como sou sul-africana e fui muito influenciada pela música sul-africana acabei por incluir mais canções, especialmente porque é um projeto novo e estávamos a testar novos arranjos com a Orquestra Aurora”, contou a cantora.
A soprano sul-africana frequentou a escola nos últimos anos do Apartheid.
“Quando era jovem sabia que o ambiente em que vivíamos era totalmente louco. Como criança não me sentia em segurança, achava que me faltava algo, havia algo que eu não estava a viver. Frequentei a escola aqui, a Homba Public Primary School onde os professores eram apaixonados por música, claro que as condições de ensino eram más mas conseguimos prosseguir os estudos”, disse Pumeza Matshikiza.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Saiba como agir em caso de assédio sexual

Andar pelas ruas e ouvir um comentário obsceno sobre o seu corpo é um elogio? Ouvir uma cantada no ambiente de trabalho é algo natural? Ser “encoxada” no transporte público faz mesmo parte da rotina das grandes cidades? A resposta para todas essas perguntas é NÃO. Tudo isso é assédio sexual.
O que é assédio sexual?
O assédio sexual é uma manifestação sensual ou sexual, alheia à vontade da pessoa a quem se dirige. Ou seja, abordagens grosseiras, ofensas e propostas inadequadas que constrangem, humilham, amedrontam. É essencial que qualquer investida sexual tenha o consentimento da outra parte, o que não acontece quando uma mulher leva uma cantada ofensiva.
Porque devemos denunciar o assédio?
Dizer não ao assédio é não aceitar mais que mulheres sejam vistas como objetos sexuais passivos ou como vítimas frágeis do poder dos homens. Dizer não ao assédio é afirmar que as mulheres podem e devem ter controle sobre a própria sexualidade. É mostrar que podemos igualar a voz e o poder da mulher na sociedade, é não submeter as mulheres aos papéis sociais tradicionais.
As consequências - O assédio sexual tem causado impactos sérios e negativos na saúde física e emocional das mulheres. Entre os efeitos negativos relatados pelas vítimas, os mais citados são: ansiedade, depressão, perda ou ganho de peso, dores de cabeça, estresse e distúrbios do sono. Além disso, muitas delas podam sua própria liberdade e seu direito de escolha - deixando de usar uma roupa ou de cruzar uma praça, por exemplo - por medo de sofrer tais abordagens.
A raiz do problema - O que está por trás do assédio não é uma vontade de fazer um elogio. Na verdade, esse comportamento é principalmente uma tentativa de demonstrar poder e intimidar a mulher. E pode acontecer com qualquer tipo de mulher, independente da roupa que ela usa, do local onde ela está, da sua aparência física ou do seu comportamento. Ou seja, a culpa e a responsabilidade pelo assédio é sempre do assediador.
Assédio sexual versus paquera - As cantadas ou os assédios físicos não são uma forma de conhecer pessoas para um relacionamento íntimo. Uma paquera acontece com consentimento de ambas as partes: é uma tentativa legítima de criar uma conexão com alguém que você conhece e estima. Por outro lado, o assédio nunca leva a uma intimidade maior. O sujeito que grita para uma mulher na rua de dentro do seu carro jamais quer ouvir a opinião da outra parte. Ele quer apenas se impor sobre ela. Quem confunde assédio sexual com paquera quer, na verdade, causar confusão justamente para poder continuar a fazer o que quiser sem dor na consciência. Paquera não causa medo e nem angústia. O mais importante é buscar o consentimento e aceitar “não” como resposta.
As roupas das mulheres- É errado achar que uma peça de roupa seja um sinal verde para qualquer tipo de violência sexual, inclusive a verbal. Todos têm o direito de sair de casa da maneira como preferirem, no horário que desejarem e para onde quiserem, sem temer qualquer tipo de abordagem grosseira.
Casas noturnas "Normalmente", as pessoas acreditam que, em casas noturnas, onde o ambiente é mais descontraído, é aceitável assediar as mulheres. Essa ideia precisa mudar. O consentimento deve ser dado de livre e espontânea vontade, antes do ato sexual. É importante lembrarmos que o consentimento não é a ausência de “não” ou o silêncio.
O assédio sexual, segundo a lei - O assédio sexual pode ser configurado como crime, de acordo com o comportamento do assediador. Vejamos:
Assédio sexual: O assédio caracteriza-se por constrangimentos e ameaças com a finalidade de obter favores sexuais feita por alguém de posição superior à vítima. (conforme Art. 216-A.do Código Penal)
Importunação ofensiva ao pudor: é o assédio verbal, quando alguém diz coisas desagradáveis e/ou invasivas (as famosas “cantadas”) ou faz ameaças. Tais condutas também são formas de agressão e devem ser coibidas e denunciadas. (Conforme Art. 61 da Lei nº 3688/1941)
Estupro: tocar as partes íntimas de alguém sem consentimento também pode ser enquadrado como estupro, dentre outros comportamentos. (Conforme Art. 213 do Código Penal: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso)
Ato obsceno: é quando alguém pratica uma ação de cunho sexual (como por exemplo, exibe seus genitais) em local público, a fim de constranger ou ameaçar alguém. (Conforme Art. 233 do Código Penal)
O que uma mulher deve fazer quando recebe uma cantada?
Não há um protocolo para essa situação – mesmo porque muitas mulheres afirmam ter medo de sofrer violências piores ao reagir negativamente a uma abordagem.
Denúncias formais
Agir imediatamente em locais públicos: - A vítima de assédio sexual poderá denunciar o ofensor imediatamente, procurando um policial militar mais próximo ou segurança do local, caso esteja em um ambiente privado ou transporte público (exemplo: praças, faculdades, eventos, metrô). A vítima deve identificar o assediador, gravando suas características físicas e trajes, ou até mesmo tirando uma foto deste, que em casos recorrentes, poderá auxiliar as autoridades na identificação do sujeito.
Caso precise de ajuda, você pode procurar:
Delegacias de Defesa da Mulheres 
Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher)
Secretarias ou Coordenadorias de Políticas para as Mulheres
Fonte: Defensoria Pública Estado de São Paulo / Fotos : Interne

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Alunos que ingressam na UFMG pela cota já supera a dos não cotistas

Cotistas que garantiram uma vaga na UFMG neste ano obtiveram notas superiores às de não cotistas que fizeram o vestibular em 2013. Exceção foi apenas um curso
Co­tis­tas que che­gam à Uni­ver­si­da­de Fe­de­ral de Mi­nas Ge­rais (UFMG) ob­ti­ve­ram no­tas su­pe­rio­res às dos não co­tis­tas in­gres­san­tes em 2013, último ano em que o ves­ti­bu­lar foi a por­ta de en­tra­da pa­ra uma das maio­res ins­ti­tui­ções pú­bli­cas do Bra­sil, se­gun­do le­van­ta­men­to das no­tas de cor­tes dos úl­ti­mos qua­tro anos a que o Es­ta­do de Mi­nas te­ve aces­so, em pra­ti­ca­men­te to­dos os cur­sos. A úni­ca ex­ce­ção foi en­ge­nha­ria de pro­du­ção, ain­da as­sim, com di­fe­ren­ça de me­nos de um pon­to. Em um dos cur­sos mais con­cor­ri­dos da Fe­de­ral, os co­tis­tas ti­ve­ram que al­can­çar a no­ta mí­ni­ma de 750,02 pon­tos pa­ra ga­ran­tir uma va­ga em me­di­ci­na, pon­tua­ção su­pe­rior à que a am­pla con­cor­rên­cia con­quis­tou em 2013, de 685,3 pon­tos (ve­ja abai­xo).
Nes­te ano, pri­mei­ro em que a re­ser­va de va­gas foi apli­ca­da na to­ta­li­da­de – 50% das va­gas, con­for­me pre­vê a Lei das Co­tas apro­va­da em agos­to de 2012 –, os co­tis­tas en­fren­ta­ram maior con­cor­rên­cia en­tre eles. “Os co­tis­tas en­tram na UFMG mais bem pre­pa­ra­dos que os não co­tis­tas de pou­cos anos atrás”, afir­ma o pró-rei­tor de Gra­dua­ção, Ri­car­do Takahashi. Em 2013, a re­ser­va de co­tas era de ape­nas 12,5% do to­tal de va­gas.
Das 6.279 va­gas, 3.142 fo­ram des­ti­na­das às co­tas de es­co­la pú­bli­ca, le­van­do em con­ta re­ser­va pa­ra ne­gros e in­dí­ge­nas. Uma de­las foi con­quis­ta­da pe­la es­tu­dan­te Ta­li­ta Bar­re­to, de 20 anos. “To­do ano a no­ta de cor­te mu­da e ti­ve­mos mui­to mais ins­cri­ções pa­ra o Enem. Quan­do vi mi­nha no­ta fi­quei com me­do de não pas­sar, prin­ci­pal­men­te em en­ge­nha­ria, que é um cur­so mui­to con­cor­ri­do.” A ação afir­ma­ti­va foi fun­da­men­tal pa­ra que a jo­vem, fi­lha da dia­ris­ta He­le­na Bar­re­to, se tor­nas­se a pri­mei­ra em sua fa­mí­lia a ser apro­va­da pa­ra o en­si­no su­pe­rior nu­ma uni­ver­si­da­de fe­de­ral. “Era um so­nho fa­zer fa­cul­da­de. Mi­nha mãe sem­pre in­sis­tiu pa­ra que eu e meus ir­mãos es­tu­dás­se­mos. As co­tas nos pos­si­bi­li­tam aces­so a al­go que é nos­so”, afir­mou. A jo­vem tam­bém foi apro­va­da, por meio das co­tas, pa­ra mú­si­ca na Uni­ver­si­da­de do Es­ta­do de Mi­nas Ge­rais (Ue­mg).
Na ava­lia­ção do pró-rei­tor, o au­men­to da no­ta de cor­te es­tá re­la­cio­na­da à ado­ção do Sis­te­ma de Se­le­ção Uni­fi­ca­do (Si­su). Em 2013, cer­ca de 60 mil can­di­da­tos dis­pu­ta­ram as va­gas na UFMG. Em 2016, o nú­me­ro mais que tri­pli­cou, pas­san­do pa­ra 195,6 mil can­di­ta­tu­ras. Ao to­do, fo­ram 158,3 mil can­di­da­tos que ti­nham a op­ção de se ins­cre­ver em até dois cur­sos di­fe­ren­tes. “O Si­su tem es­se efei­to de fa­ci­li­tar o aces­so à dis­pu­ta pe­las va­gas nas uni­ver­si­da­des”, diz.
Nes­ta edi­ção, as di­fe­ren­ças en­tre no­tas de cor­te pa­ra co­tis­tas e não co­tis­tas va­riam en­tre 4,8% (me­nor di­fe­ren­ça, ob­ser­va­da no cur­so de bi­blio­te­co­no­mia) e 11,4% (maior di­fe­ren­ça, no cur­so de his­tó­ria). A di­fe­ren­ça mé­dia foi de 8,2%. “Por de­fi­ni­ção, as no­tas de cor­te dos co­tis­tas de­vem ser me­no­res que as da am­pla con­cor­rên­cia. Do con­trá­rio, as co­tas não te­riam ne­nhum efei­to”, diz Takahashi. Em 2014, po­rém, a no­ta de cor­te de co­tis­tas no cur­so de his­tó­ria foi maior do que os não co­tis­tas. Na­que­le ano, a di­fe­ren­ça mé­dia foi de 6,9%.
A ex­pec­ta­ti­va do pró-rei­tor é que a im­plan­ta­ção das co­tas em sua to­ta­li­da­de pos­sa re­cu­pe­rar a pro­por­ção de es­tu­dan­tes de bai­xa ren­da vin­cu­la­dos à UFMG até 2013. Na­que­le ano, 49% de es­tu­dan­tes eram pro­ve­nien­tes de fa­mí­lias com ren­da de até cin­co sa­lá­rios-mí­ni­mos. Es­sa pro­por­ção caiu de­pois da ado­ção do Si­su pa­ra 42%, em 2014, e pa­ra 46%, em 2015.
Desempenho
Com a am­plia­ção do per­cen­tual de va­gas des­ti­na­das às co­tas, um dos fa­to­res es­pe­ra­do por Takahashi é que o in­gres­so de es­tu­dan­tes de es­co­las mu­ni­ci­pais e es­ta­duais se­ja am­plia­do. Nos pri­mei­ros anos das co­tas, ha­via um do­mí­nio de es­tu­dan­tes vin­dos de es­co­las fe­de­rais – es­sas ins­ti­tui­ções ocu­pam os pri­mei­ros lu­ga­res no ranking do Exa­me Na­cio­nal do En­si­no Mé­dio (Enem) 2015. “É pro­vá­vel que au­men­te um pou­co a pro­por­ção de es­tu­dan­tes de es­co­las es­ta­duais e mu­ni­ci­pais em re­la­ção aos es­tu­dan­tes egres­sos de es­co­las fe­de­rais de en­si­no mé­dio”, afir­mou. Es­sa pre­vi­são só po­de­rá ser con­fir­ma­da de­pois que os alu­nos efe­ti­va­rem a ma­trí­cu­la.
Os da­dos da uni­ver­si­da­de têm de­mons­tra­do que não há di­fe­ren­ça no de­sem­pe­nho de co­tis­tas e não co­tis­tas. “No que diz res­pei­to à qua­li­da­de, tu­do in­di­ca que não exis­ta ne­nhu­ma ra­zão pa­ra preo­cu­pa­ção”, dis­se Takahashi. O pró-rei­tor rei­te­ra que o au­men­to da com­pe­ti­ção pe­las va­gas na maior uni­ver­si­da­de pú­bli­ca do es­ta­do, de­cor­ren­te do Si­su, tam­bém cau­sou um au­men­to da com­pe­ti­ção en­tre os co­tis­tas.

Lista do ProUni
A lista com os nomes dos candidatos pré-selecionados a bolsas do Programa Universidade para Todos (ProUni) já está disponível na internet. O resultado da primeira chamada pode ser acessado na página do programa (siteprouni.mec.gov.br), pelo 0800-616161 e nas instituições de ensino participantes. O estudante deverá comparecer até 1º de fevereiro na instituição para a qual foi pré-selecionado e comprovar as informações prestadas na ficha de inscrição. A perda do prazo ou não comprovação das informações implicará, automaticamente, reprovação do candidato. O programa ofertou 203.602 bolsas para 30.931 cursos.
Foto : Internet / Fonte: Correio Braziliense
Edição : Mônica Aguiar 

domingo, 24 de janeiro de 2016

Microcefalia Faz Mulheres Adiarem o Sonho da Maternidade no Nordeste

Quem fez tratamento para engravidar está preferindo congelar o embrião. Ministério da Saúde diz que já houve 3893 notificações da doença no país.


Resultado de imagem para gravidez  microcefalia infantilA preocupação com os casos de microcefalia, relacionados ao zika vírus, no Nordeste, tem feito muitas mulheres adiarem o sonho da maternidade. Mesmo quem fez tratamento para engravidar, está preferindo congelar o embrião para ter o bebê mais tarde. 

Um estudo divulgado nos Estados Unidos afirma que a microcefalia associada ao zika vírus é grave em 71% dos casos. 
Estava tudo programado e 2016 era para ser o ano do nascimento do bebê da enfermeira Daniele Pinto, que agora vai esperar um pouquinho mais. A futura mamãe ficou assustada porque a irmã teve zika vírus na gravidez e o bebê nasceu com microcefalia.  

Segundo o último relatório do Ministério da Saúde, já houve 3893 notificações da doença no país, 3402 só no Nordeste. Em uma clínica de inseminação artificial no Maranhão, com filiais em várias capitais nordestinas, a procura caiu mais de 30%. 
A preocupação com a doença é tão grande que muitos casais que vêm tentando ter filhos há anos, mas têm alguma dificuldade e que, por isso, costumam ser mais ansiosos, estão preferindo esperar. 

Uma tendência nas clínicas de reprodução assistida tem sido congelar o embrião para ter o filho depois, quando o perigo passar. Em um banco de embriões em São Luís, a demanda cresceu 60% de outubro para cá. "Ele fica congelado por tempo indeterminado e, se ele quiser descongelar daqui um mês, três anos, 20 anos, pode descongelar sem problemas”, explica a embriologista Edla Fechine. 

O Ministério da Saúde orienta que as mulheres não deixem de engravidar por medo da microcefalia. A recomendação é redobrar os cuidados com as grávidas.  

A pedagoga Alice Ribeiro está grávida de três meses, passa repelente toda hora e já fez o orçamento de uma tela para evitar mosquitos no apartamento: “Fico repondo de duas em duas horas o repelente e quando vou sair de casa procuro sempre sair com roupa mais longa. A preocupação com o zika vírus existe, mas não deu pra aguentar a pressão que a caçula da família vinha fazendo. A gente, então, decidiu atender”.

O que é Microcefalia? 

Microcefalia é uma condição neurológica rara em que a cabeça e o cérebro da criança é significativamente menor do que a de outras da mesma idade e sexo. A microcefalia normalmente é diagnosticada no início da vida e é resultado do cérebro não crescer o suficiente durante a gestação ou após o nascimento. Crianças com microcefalia têm problemas de desenvolvimento. Não há uma cura definitiva para a microcefalia, mas tratamentos realizados desde os primeiros anos melhoram o desenvolvimento e qualidade de vida. A microcefalia pode ser causada por uma série de problemas genéticos ou ambientais. 

Causas - Microcefalia é o resultado do crescimento abaixo do normal do cérebro da criança ainda no útero ou na infância. A microcefalia pode ser genética. Algumas outras causas da microcefalia são:

  • Malformações do sistema nervoso central
  • Diminuição do oxigênio para o cérebro fetal: algumas complicações na gravidez ou parto podem diminuir a oxigenação para o cérebro do bebê
  • Exposição a drogas, álcool e certos produtos químicos na gravidez
  • Desnutrição grave na gestação
  • Fenilcetonúria materna
  • Rubéola congênita na gravidez
  • Toxoplasmose congênita na gravidez
  • Infecção congênita por citomegalovírus.
Doenças genéticas que causam a microcefalia podem ser:
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A microcefalia normalmente é detectada nos primeiros exames após o nascimento em um check-up regular. Contudo, caso você suspeite que a cabeça de seu bebê é menor do que a de outros da mesma idade ou não está crescendo como deveria, fale com seu médico. O Ministério da Saúde confirmou recentemente a relação entre o Zika vírus e o surto de casos de microcefalia no nordeste do país em 2015. A febre zika, ou simplesmente zika vírus, é uma infecção causada pelo vírus ZIKV, transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, mesmo transmissor da dengue e da febre chikungunya. Por se tratar de algo novo, não descrito anteriormente na literatura médica, ainda não se sabe exatamente como funciona a relação entre os problemas. De acordo com o Ministério da Saúde, as investigações sobre microcefalia e o Zika vírus devem continuar para esclarecer questões como a transmissão desse agente, a sua atuação no organismo humano, a infecção do feto e período de maior vulnerabilidade para a gestante. Em análise inicial, o risco está associado aos primeiros três meses de gravidez.
Fontes: G1, Minha Vida  / Fotos: Internet, Mônica Aguiar 

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

‘Mulher negra, pobre, quando chega nesse meio tem que ter muita força’, ressalta Elza Soares



por Ailma Teixeira

Aos 78 anos de idade e com mais de seis décadas de carreira, Elza Soares encarna “A Mulher do Fim do Mundo” e sobe ao palco do Teatro Castro Alves, neste sábado (23), para cantar sobre a força da mulher que enfrenta tudo e não desiste. Com a voz já afetada pela idade, a cantora conversou com o Bahia Notícias sobre a produção de seu 34º disco, as composições inéditas que interpreta e a importância de falar sobre assuntos polêmicos, como a violência doméstica contra a mulher e a situação marginalizada em que vivem as travestis – ambos temas de canções do novo álbum. Elza, que recebeu o título de cidadã soteropolitana, em 2009, comentou ainda sobre suas expectativas para o show único e sem participações na capital baiana. Confira a entrevista completa:



Quem é “a mulher do fim do mundo” e o que ela representa na sua música?
A mulher do fim do mundo é a mulher que aguenta tudo, é aquela que passa por várias, várias coisas pela vida, mas ela sustenta, ela segura, ela não desiste, ela vai em frente. Venha o que vier, ela está aí segurando e defende a outra mulher.

Tem um pouco de você nela?
Tem sim. Tem de quanto eu falo da defesa da mulher, eu falo da Elza. A mulher que não precisa mais sofrer dentro de casa, apanhar do marido, isso é grave, isso mata. Ela tem que denunciar, eu faço denúncia quando sei de algum caso.

Na canção que dá nome ao disco, você clama pelo direito de cantar, de se expressar. Em algum momento da vida, você já se sentiu desvalorizada pela classe artística da música popular brasileira?
Enfrentei vários problemas, enfrentei problemas seríssimos, então a gente sabe o que a gente passa e tem que segurar. Mulher negra, pobre, quando chega nesse meio tem que ter muita força, muita raça.


Nesse disco, você trabalha com uma equipe totalmente nova de artistas conhecidos na cena independente de São Paulo. O que te levou a se unir com tanto "sangue novo" da música para a produção do álbum? Como foi unir seu talento e experiência às aspirações desses músicos para construir o disco?
Esse trabalho a gente passou a fazer ele aos pouquinhos com muita paciência. Foram 50 músicas que fizeram pra eu gravar, mas não foi difícil, não. Eles trouxeram aqui pra casa pra eu escutar, ajudar a escolher e eu escolhi tudo com muito carinho, foi muito bacana.

As letras são fortes, mas todos os seus trabalhos anteriores tinham essa mesma ousadia para falar dos problemas sociais. “Maria da Vila Matilde”, por exemplo, fala sobre uma mulher que sofre de violência doméstica. O que é que te inspira a interpretar canções tão sofridas?
É um pouco da gente. A gente passa o que a gente é na canção também e eu acho que eu cantei a Elza ali dentro.

Então, é um disco sobre a sua história?
Mais ou menos. Mais ou menos. Eu faço muita denúncia também, dos preconceitos, das mazelas da sociedade.

Para você, qual a importância de dar voz a uma letra como "Benedita", que fala sobre a realidade marginalizada em que vivem as travestis?
É grande. Eu vejo que está tudo tão difícil, tudo tão estranho. Falo de homofobia também e, junto, a gente fala também da droga. Falo a verdade. É um trabalho feito do livro que se vê hoje dentro da sociedade, é machismo. Então, esse CD tem essa levada de tocar nas feridas.


A Mulher do Fim do Mundo tem suas bases no samba, mas há outros ritmos ali. De onde vêm as influências para esse trabalho? 
São vários estilos, é uma mistura louca, uma mistura meio rock and roll, funk, tem valsa.




Depois de anos sem lançar um trabalho novo, qual o significado desse álbum para a sua carreira? 

Tudo. Pra mim, é tudo. É um trabalho feito só de músicas inéditas, então pra mim significa muito .


Você trabalha a turnê do disco agora e está envolvida nesse projeto, mas o que vem depois d'A Mulher do Fim do Mundo? 
Por enquanto só A Mulher do Fim do Mundo já é o bastante. Acho que o show está belíssimo, está riquíssimo.


E qual a sua expectativa para o show aqui em Salvador?
Imensa. É uma cidade... Eu sou irmã de vocês, não é? Eu ganhei o título aí na Bahia, então, pra mim, cantar aí é muito grande, é muito forte. A gente colocou no show mais algumas músicas antigas, “A Carne”, “Malandro”... Umas três para completar. Vai ser “Pra Fuder”! Pra fuder, pra fuder, pra fuder mesmo.

Fonte: Bahianotícias


Mulheres Negras, da História para os Cordéis !

Talvez você nunca tenha conhecido a trajetória de sequer uma mulher negra na história do Brasil. Mesmo na escola, nas aulas sobre o período da colonização e da escravidão, é provável que você não tenha lido ou ouvido falar sobre nenhuma líder quilombola, nem mesmo sobre líderes que foram tão importantes para comunidades enormes.


Essa ausência de conhecimento é um problema profundo no Brasil. Infelizmente, na escola não temos acesso a nomes como o de Tereza de Benguela, por exemplo, que tornou símbolo nacional, quando o dia 25 de Julho foi oficializado como o Dia de Tereza de Benguela. Ainda assim, há grandes chances de que essa seja a primeira vez em que esse nome lhe salta aos olhos.

Para conhecer as histórias de luta dessas mulheres, é preciso mergulhar em uma pesquisa pessoal, que antes de tudo precisa ser instigada. Mas se as escolas e Universidades nem mesmo mencionam a existência de mulheres negras que concretizaram grandes feitos no Brasil, como a curiosidade das pessoas será despertada?

Na prática, as consequências dessa ignorância são muito graves. Não  aprendemos que mulheres negras foram capazes de conquistas admiráveis ou que lutaram bravamente, até mesmo em guerras contra a escravidão, e crescemos acreditando na ideia de que as mulheres negras nunca fizeram nada de grandioso e nem marcaram o país como outros grupos de pessoas. A tendência de muita gente é associar a bravura, a inteligência e a estratégia somente a figuras masculinas, sobretudo aos homens brancos, que são notavelmente mais registrados, memorados e citados em aulas de História.

Com essa falta de referências a mulheres negras, muito racismo continua a ser perpetuado. Mas como podemos reparar os imensos estragos causados por essa omissão? Neste início de ano, como parte de uma tentativa de espalhar informação sobre as histórias de grandes mulheres negras, lancei mais cordéis biográficos que contam suas trajetórias e conquistas. Em sala de aula ou passando de mão em mão, a Literatura de Cordel pode servir como um rico material para que essas histórias sejam repassadas e discutidas.

Nos novos cordéis, é possível conhecer Zeferina, líder do quilombo de Urubu, Anastácia, uma escrava que até hoje é cultuada como santa, Maria Felipa, que foi líder nas batalhas pela independência da Bahia, e Antonieta de Barros, a primeira deputada negra do Brasil. Passo a passo, grandes injustiças históricas podem ser eliminadas, trazendo à tona a memória de guerreiras e mulheres negras brilhantes que foram de enorme importância para o Brasil.

Para começar, leia aqui no Questão de Gênero o cordel que conta a história de Tereza de Benguela, disponível gratuitamente.

Acima de tudo, fale sobre essas mulheres, conte que elas existiram e busque por mais nomes e mais referências. Esse conhecimento é libertador e fundamental para combater o racismo e o machismo.

Para conhecer todos os cordéis, visite a página http://jaridarraes.com/cordel/


Jarid Arraes é cordelista, escritora, autora do livro “As Lendas de Dandara“ e diretora da Casa de Lua.

CORDÉIS BIOGRÁFICOS:


Biográficos - AnastáciaANASTÁCIA (novo!) – cordel biográfico que conta a história de Anastácia, uma escrava que foi punida por rejeitar os assédios de um homem branco e teve que usar uma máscara de ferro até o fim de sua vida. Anastácia é cultuada por muitos que a consideram uma santa milagreira.

ANTONIETA DE BARROS (novo!) – cordel biográfico que conta a história da primeira deputada negra do Brasil, que também era uma grande jornalista e educadora.
Biográficos - AqualtuneAQUALTUNE – cordel biográfico que conta a história da princesa africana Aqualtune, filha de um rei no Congo, que foi vendida como escrava e trazida para o Brasil. Grande ícone para as mulheres negras brasileiras, a história de Aqualtune envolve outras lideranças quilombolas como Ganga Zumba e Zumbi dos Palmares.


CAROLINA MARIA DE JESUS – cordel biográfico que conta a história da escritora Carolina Maria de Jesus, suas origens e vida na favela do Canindé, até ter seu primeiro livro publicado.


DANDARA DOS PALMARES – cordel biográfico contando a história de Dandara dos Palmares, mulher negra guerreira na resistência contra a escravidão no Brasil, líder do Quilombo dos Palmares e companheira de Zumbi.





LUISA MAHIN – cordel biográfico contando a história de Luísa Mahin, mãe do poeta Luís Gama e grande liderança na luta contra a escravidão no Brasil.

MARIA FELIPA (novo!) – cordel biográfico que conta a história de Maria Felipa, uma líder na ilha de Itaparica durante as batalhas pela independência da Bahia.
  
TEREZA DE BENGUELA – cordel biográfico que conta a história de Tereza de Benguela, líder quilombola do quilombo de Quariterê. Dia 25 de Julho no Brasil é oficialmente o dia de Tereza de Benguela, uma data para enfatizar a luta das mulheres negras no país.
Biográficos - Tia Simoa

TIA SIMOA – cordel biográfico que conta a história de Tia Simoa, esposa de José Luiz Napoleão e liderança na luta contra a escravidão no Ceará. O cordel também fala do Grupo de Mulheres Negras do Cariri, o Pretas Simoa, pelo qual a história de Tia Simoa se tornou mais conhecida.
  

ZEFERINA (novo!) – cordel biográfico que conta a história de Zeferina, líder do quilombo de Urubu, na Bahia, que lutou contra a escravidão.