sábado, 18 de outubro de 2014

Justiça condena réu a prisão perpétua por matar jovem negro por causa de música alta

EUA/Miami - A justiça da Flória condenou nesta sexta-feira à prisão perpétua, sem direito a fiança, um homem que matou com um tiro um adolescente negro durante uma discussão por causa do volume do som da música que escutava.


Michael Dunn, um engenheiro de software de raça branca e de 47 anos, foi condenado a u deste mês pelo assassinato em primeiro grau de Jordan Davis, de 17 anos, num posto de gasolina em Novembro de 2012. O caso teve grande repercussão nos Estados Unidos, que, nos últimos anos, têm sido palco de uma série de episódios de violência causados por questões raciais. 

"Eu realmente me arrependo do que aconteceu", afirmou Dunn numa rápida declaração lida para a família de Davis no tribunal.  "Se pudesse voltar no tempo e fazer de forma diferente, eu faria. Estou atormentado por ter tirado uma vida".
Durante o julgamento, Dunn disse que se aproximou do veículo em que o grupo de adolescentes estava e pediu que baixassem o volume da música, mas eles recusaram. Adiantou ter temido pela sua vida quando um dos jovens sair do carro e se aproximou. Sua reação foi a de pegar a arma no guarda-luvas do seu veículo e atirar.
Fonte : Angop

Eleições 2014 -Machismo no Debate Eleitoral

Por Leila Linhares Barsted e Jacqueline Pitanguy

Pela primeira vez, no Brasil, em 2010, uma mulher foi eleita presidente da república. Uma mulher descasada, sem “primeiro cavalheiro”, recebeu a faixa presidencial e introduziu na escrita política a palavra “Presidenta”.
Essa nova nomenclatura recebeu risos dos políticos tradicionais e de grandes setores da mídia que ainda se recusam a usá-la. Mas, para as mulheres, em especial para as meninas e adolescentes, foi exemplar saber que todas nós podemos ter o mais alto cargo da República. No entanto, toda conquista gera reações daqueles que não reconhecem que o lugar da mulher é também na política.
Não acompanhamos o dia a dia da Presidenta para avaliar o quanto o machismo que impregna a política brasileira se manifestou no trato com uma mulher no poder. Seria um testemunho interessante se a Presidenta um dia escrevesse a esse respeito.
Acompanhando o debate eleitoral, podemos ver uma parte desse machismo em expressões e gestos de rudeza. Mesmo considerando que em todo debate os oponentes se exaltam, é necessário preservar um limite na adjetivação utilizada contra uma Presidenta da República, democraticamente eleita. Lamentamos que esse limite tenha sido extrapolado.

7º Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero prioriza mulheres negras e escolas quilombolas

Foto: 7º Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero
prioriza mulheres negras e escolas quilombolas

Identificar, apoiar e disseminar práticas pedagógicas e de gestão desenvolvidas em escolas quilombolas ou que atendam crianças dos territórios quilombolas e valorizar a história da mulher, especialmente africana, afro-brasileira e indígena são os dois grandes desafios da edição deste ano do Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero, realizado pelo CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades. 

O lançamento será em 29 de outubro, às 19h45, no SESC Belenzinho, em São Paulo e as inscrições podem ser feitas de 3 de novembro de 2014 a 31 de março de 2015. 

Além de um valor em dinheiro para professores (R$ 5.000,00) e para a escola (R$ 10.000,00), o prêmio oferece curso de formação e notebooks, além de um acompanhamento de até doze meses para duas escolas contempladas em cada etapa: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Na categoria professor, há premiação especial para práticas que contemplem gênero, raça e etnia.

Confira a notícia na íntegra: http://goo.gl/ebKPXlLançamento será em 29 de outubro, às 19h45, no SESC Belenzinho, em São Paulo e asinscrições podem ser feitas de 3 de novembro de 2014 a 31 de março de 2015
Identificar, apoiar e disseminar práticas pedagógicas e de gestão desenvolvidas em escolas quilombolas ou que atendam crianças dos territórios quilombolas e valorizar a história da mulher, especialmente africana, afro-brasileira e indígena são dos dois grandes desafios da edição deste ano do Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênero, realizado pelo CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades. As novas orientações implementadas nesta 7ª edição do Prêmio procuram responder a questões levantadas por um estudo feito em 2013 - com apoio da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura) e da Secadi (Secretaria de Educação Continuada, Alfabetização, Diversidade e Inclusão) do MEC (Ministério da Educação) - tendo em vista a passagem  dos 10 anos de existência da Lei 10639, que torna obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e africana em todas as escolas, públicas e particulares, do ensino fundamental até o ensino médio.
“Nós fizemos uma análise de todas as seis edições do Prêmio – explica Cida Bento, coordenadora do Ceert - e dentre os destaques que tivemos nesse estudo há o desafio de conhecer mais experiências das áreas rurais, em particular quilombolas”. Ela observa também que é muito grande a presença feminina no prêmio e informa que a maior parte das práticas educacionais avaliadas são desenvolvidas por mulheres, principalmente negras (50,5%). “É importante que essa presença feminina também se traduza na tematização da questão de gênero dentro das práticas educativas”, conclui a coordenadora.
Além de um valor em dinheiro para professores (R$ 5.000,00) e para a escola (R$ 10.000,00), o prêmio oferece curso de formação e notebooks, além de um acompanhamento de até doze meses para duas escolas contempladas em cada etapa: educação infantil, ensino fundamental e ensino médio. Na categoria professor, há premiação especial para práticas que contemplem gênero, raça e etnia.   Realizado pela primeira vez em 2002, o Prêmio Educar para a Igualdade Racial e de Gênerotem como objetivo identificar, apoiar e difundir práticas pedagógicas e de gestão de escola comprometidas com a equidade, igualdade e qualidade na educação. São seis edições e doze anos contínuos de premiações, sempre voltadas para o reconhecimento, valorização e promoção dos profissionais da educação básica e de suas práticas educativas, tendo em vista a implementação da lei 10639. Ao longo desse tempo, foi constituído  um acervo de mais de 2300 práticas pedagógicas e de gestão desenvolvidas nas cinco regiões administrativas do país e em cada um dos 27 estados da federação. Mais informações sobre este assunto você encontra aqui.
Fonte:CEERT / Foto: CEERT

sexta-feira, 17 de outubro de 2014

Mulheres buscam mais espaço e diversidade no mercado de tecnologia

SÃO PAULO – Foi pelas mãos de uma mulher que o primeiro algoritmo para computador foi escrito, no século 19. Foi ideia de uma atriz de Hollywood o sistema que serviu como base para a criação do celular. Apesar de mulheres como Ada Lovelace e Hedy Lamarr terem tido papel fundamental no desenvolvimento de novas tecnologias, nomes masculinos como Alan Turing e Tim Berners-Lee são os mais reconhecidos. 
As mulheres “esquecidas” pela tecnologia são um dos temas centrais do novo livro de Walter Isaacson, biógrafo de Steve Jobs, Os Inovadores: Uma biografia da revolução digital. Lançado semana passada nos EUA, o livro chegará ao Brasil no fim do mês pela Companhia das Letras. 
A obra põe mais lenha no debate sobre a diversidade na tecnologia, tema que vem sendo debatido à exaustão nos EUA. O assunto veio à tona quando o Google divulgou em maio um relatório sobre sua diversidade, no qual revela que apenas 30% dos seus funcionários em todo o mundo são mulheres, 2% são negros e 3% são hispânicos. 
O movimento foi seguido por outras empresas de tecnologia(veja gráfico abaixo). O Google apontou o baixo número de mulheres que se formam nos cursos de ciência da computação (18%) como motivo para esse cenário. Mas há outras questões em jogo, como o preconceito e a diferença salarial. Segundo o Censo 2010, do IBGE, as mulheres representam apenas um quarto das 520 mil pessoas que trabalham com computação no Brasil. 
O salário médio delas é 34% menor do que o dos homens. Nos cargos de chefia a situação fica pior. Elas ganham 65% a menos. Já nos EUA os homens ganham em média 24% mais do que as mulheres do setor, segundo o Departamento de Estatística do Trabalho. Por isso, a fala do presidente executivo da Microsoft, Satya Nadella, que na semana passada disse que mulheres que não pedem aumento salarial têm “superpoderes” e que esse é um “carma bom” que “irá retornar para elas”, soou tão mal. “Sempre brinco que ser mulher na tecnologia é como ter um holofote na cabeça. Tudo de bom e ruim que você faz, as pessoas sabem. Se você errar, não é culpa sua, é das mulheres que não servem pra isso mesmo”, diz a programadora Camila Achutti, de 22 anos, diretora do Technovation Challenge no Brasil, programa global de incentivo ao empreendedorismo feminino. 
Negócios
 Uma pesquisa da Universidade Harvard mostra que startups com mulheres na equipe têm 18% menos chance de atrair investimentos. Luciana Caletti, cofundadora da startup Love Mondays e diretora executiva da empresa, já foi questionada durante conversas com investidores sobre o que seus colegas homens pensam sobre aspectos do negócio. “Já ouvi sobre casos em que investidores deixam para fazer as perguntas mais difíceis para os homens da equipe”, diz.
Para ela não faltam oportunidades no mercado para as mulheres e investidores abertos para conhecer as startups criadas por elas. O desafio é superar  ”pré-conceitos” que se formam em torno da imagem feminina. “Estive em um evento só para mulheres executivas e, na hora de apresentar o espaço do evento, o mestre de cerimônias comentou que no local havia também um shopping center, onde as mulheres poderiam fazer umas comprinhas depois do evento, como se esse fosse nosso único interesse”, diz ela, que criou uma equipe mista dentro da sua startup, mas lamenta nunca ter recebido o currículo de uma mulher para as vagas na área de programação.
Para investidora Maria Rita Spina Bueno, esses “pré-conceitos” podem ser mudados com a entrada de mais investidoras no mercado. Ela é cofundadora d o grupo Mulheres Investidoras Anjo (MIA), que busca atrair mulheres para investir em startups no Brasil – atualmente só 5% dos investidores-anjo são do sexo feminino. “Você investe em quem é parecido com você, por isso a diversidade é fundamental”, diz Maria Rita. Para ela, as mulheres ainda são avessas ao risco. “As mulheres se limitam a criar negócios nas áreas sobre as quais elas entendem sem pretensão de que sejam negócios inovadores, de alto impacto e classe mundial. Queremos ajudar a mudar isso”, diz.
Já a empreendedora Ligia Zeppelini luta pela inclusão da família no ambiente corporativo. “Enquanto a mulher não tem filho, para ela é tão fácil empreender quanto o homem. Depois da maternidade, ela não consegue mais lidar com as coisas na velocidade que a tecnologia impõe”, diz. Ligia fechou sua última startup e criou um novo negócio com o marido depois que sua filha nasceu, para não ter que, segundo ela, “terceirizar a educação da filha”. Hoje ela trabalha como mentora de startups e  luta para que ambientes de empresas, escritórios colaborativos e eventos sejam adaptados para mães poderem trabalhar na companhia dos seus filhos. Ela conta, por exemplo, que em um evento foi conversar com o principal convidado após sua apresentação para fazer uma pergunta. Ao verem que ela estava com a filha no colo, acharam que ela queria apenas tirar uma foto com o convidado.
Por isso, ela está organizando para o fim do ano uma edição do Startup Weekend, evento focado em criar startups durante um fim de semana, para famílias, em um ambiente adaptado para crianças, no qual elas possam participar com os pais da criação de negócios. “Fui a um evento com minha filha e no banheiro não tinha trocador. O recado que passam é que só jovens solteiros podem ter o próprio negócio”, diz. “O mundo não deve ser só de um ou do outro.”

Fonte: Estadão 

Diretor Executivo da Microsoft sugeriu que as Mulheres não deverim pedir aumento

SEATTLE/SÃO FRANCISCO – Uma conhecida foto nos círculos de tecnologia, tirada em 1978, mostra os primeiros 11 funcionários da Microsoft. Duas são mulheres. Uma delas saiu da empresa dois anos depois, após um conflito sobre salários.
Quase quatro décadas depois, os números melhoraram: cerca de um terço dos 110 mil funcionários da Microsoft é formado por mulheres. Mas as políticas de salários e a atitude em relação às mulheres ainda são questionadas e devem ser abordadas no conselho da empresa, de acordo com uma diretora, Maria Klawe.
O tema chegou às manchetes e às redes sociais na quinta-feira, quando o novo presidente-executivo, Satya Nadella, sugeriu que as mulheres no mercado de tecnologia não deveriam pedir aumentos, mas confiar no sistema e no “carma” para conseguir o que merecem.
Ele se desculpou mais tarde, mas o dano já estava feito, reforçando a imagem de que a Microsoft — e a indústria de tecnologia — é terreno masculino.
“Ele se retratou. Acredito que ele fará melhor. Tenho certeza de que ele pensará mais sobre igualdade de salários”, disse Klawe em entrevista por telefone nesta sexta-feira.
Klawe, uma defensora de longa data das mulheres do setor, fez a pergunta para Nadella no palco na quinta-feira que levou às observações dele, e a executiva desde então tem liderado os esforços da companhia para reduzir os danos de imagem.
A executiva de 63 anos disse que está pressionando pela contratação e promoção de mulheres na Microsoft desde que entrou no conselho da empresa cinco anos atrás, mas que a questão dos aumentos de salários para as mulheres não foram discutidas pelo Conselho. “Suspeito que agora serão”, disse ela.
Fonte e texto: EBC

População Negra é maior beneficiária dos programas sociais

Os programas sociais do governo não são voltados especificamente para a população de negros e pardos do País. A cada vez que se analisa os resultados desses programas, porém, o que se verifica é que beneficiam sobretudo essa parcela dos brasileiros.
Das 14 milhões de famílias beneficiárias do Bolsa Família, 73% são de negros e pardos. E 68% delas são chefiadas por mulheres negras, segundo dados do Ministério do Desenvolvimento Social.
Do conjunto de 22 milhões de pessoas, que, com os programas sociais, conseguiram sair da faixa da extrema pobreza, 78% são negras e pardas.
Para onde quer que se apontem os indicadores, os resultados coincidem. De um total de 214 mil famílias de quilombolas que existem no País, segundo estimativas oficiais, 108 mil fazem parte do Cadastro Único – que reúne informações sobre as famílias mais carentes. Desse total listado, 80% delas recebem recursos do Bolsa Família.
Como explicar isso? Não é pela quantidade de negros e pardos no conjunto da população. Eles totalizam 50,7% dos brasileiros, segundo o IBGE.
A explicação está em outro lugar. Começa com a abolição da escravatura, em 1888, após quase 4 milhões de negros terem sido traficados da África para o Brasil.
Nosso País foi o último, entre todos os países que se autoproclamavam de tradição ocidental e cristã, a libertar os escravos. Além de tardia, a libertação não foi seguida de nenhuma ação que pudesse beneficiar os negros, que até então não dispunham de nenhum tipo direito. Não eram considerados cidadãos.
Eles foram jogados para fora das grandes propriedades rurais sem qualquer tipo de apoio. Não se pensou, por exemplo, num programa especial de escolarização, como ocorreu nos Estados Unidos. Imagine-se o efeito disso num País onde analfabetos só foram conquistar o voto depois de cem anos, com a Constituinte de 1988.
Os negros não receberam terras. Nem empregos. Os grandes proprietários rurais preferiram importar mão-de-obra da Europa, especialmente da Itália.
As consequências disso são visíveis até hoje em todos os indicadores sociais. Seja na saúde, na educação, nos empregos, no nível dos salários, negros e pardos ocupam sempre as piores posições.
Não é por acaso, que, ao se estender como uma rede sobre os locais onde se concentra a população mais pobre do País, os programas acabem pescando principalmente negros e pardos.
Outros dados do MDS sobre essa questão, em outros programas:
* Do total de 1 milhão de cisternas entregues pelo Programa Água Para Todos, 80% têm responsáveis negros
* Negros e pardos somam 80% das famílias do Cadastro Único atendidas pelo Luz Para Todos
* 68% das matrículas contabilizadas nos cursos técnicos (Pronatec) oferecidos para beneficiários do Bolsa Família
* 70% das 724 mil famílias de baixa renda beneficiadas com unidades habitacionais do Minha Casa Minha Vida

Fonte: S.Paulo 
Foto : Mônica Aguiar

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Lançamento e seminário do projeto Cartografia de Direitos Humanos, São Paulo, 4, 6 e 7/11

Cartografia Direitos HumanosCoordenado pela professora Rossana Rocha Reis, do Departamento de Ciência Política da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, o projeto Cartografia de Direitos Humanos de São Paulo contempla o lançamento do site www.cartografiadh.iea.usp.br, com entrevistas em vídeo com jornalistas, militantes sociais e ativistas que vivenciaram a prática dos direitos humanos em São Paulo.
 Além de inauguração da plataforma digital dia 4/11 no Centro Universitário Maria Antônia, o evento de abertura também contemplará exposição fotográfica.

O site traz, ainda, um mapeamento – a Cartografia – com fotografias de marcos espalhados pela metrópole, divididos entre os seguintes roteiros:

Não-Discriminação Racial;
Não-Discriminação por Sexo e Gênero;
Direito ao Trabalho;
Direitos Civis e Acesso à Justiça;
Direito à Cidade;
Migração;
Liberdade de Expressão e de Reunião;
Luta pelo Estado de Direito e Movimentos Políticos.

A agenda ainda conta com um Seminário no Instituto de Estudos Avançados (IEA) da USP nos dias 06 e 07/11. 
O evento sobre o papel da arte na educação para os direitos humanos contará com a participação de artistas, acadêmicos e ativistas. Entre convidados para o seminário, estão confirmados nomes como: a jornalista e psicanalista Maria Rita Kehl; a cineasta Lúcia Murat, a fotógrafa Cláudia Andujar, a artista plástica Rosangela Rennó, além de Ricardo Brodsky, diretor do Museo de la Memoria y los Derechos Humanos, no Chile; o crítico literário Márcio Seligmann; o pesquisador e curador de arte contemporânea Moacir dos Anjos; além do autor e professor de cinema, Ismail Xavier; entre outros.

Um dos principais roteiros é referente à Não-discriminação por gênero. Para pontuar esses marcos, foram escolhidas as referências: Casa sede da União de Mulheres de São Paulo; Jornal Brasil Mulher e Marcha das Vadias.

Onde

Centro Universitário Maria Antonia - Rua Maria Antonia, 294, Vila Buarque, São Paulo

Telefone do Contato

(11) 3091-1666

sexta-feira, 10 de outubro de 2014

Colégio de Presidentes aprova quotas para mulheres nas eleições da OAB

Por decisão unânime do Colégio de Presidentes, reunido em Brasília, a OAB Nacional recomentou ao plenário do Conselho Federal que adote regras para as eleições internas que contem com, pelo menos, 30% de mulheres em sua composição. A medida aplica-se inversamente a chapas majoritariamente femininas, visando igualdade de representação dos gêneros. A proposta será analisada pelo Conselho Pleno da entidade.
O presidente nacional da OAB, Marcus Vinicius Furtado Coêlho, afirmou que a presença das mulheres equilibra a participação de todos no processo eleitoral. “Elas ganham cada vez mais espaço no mercado de trabalho e no setor público. Não é justo e nem correto que um pleito de tamanha importância, como é o da Ordem, aconteça sem a efetiva participação feminina”, justificou. A medida vale para eleições seccionais e nacionais.
Fernanda Marinela de Sousa Santos, presidente da Comissão Especial da Mulher Advogada da OAB, parabenizou o Colégio pela decisão. “Como bem lembrou o presidente, a representatividade que a mulher tem alcançado nos diversos setores da sociedade deve ser fielmente refletida aqui, que é a casa dos advogados e da cidadania. Os tempos mudaram e a OAB mostra que está atenta a isso”, comemorou.
Tanto Marcus Vinicius como Fernanda Marinela lembraram que o momento para a decisão é propício em função do Outubro Rosa, movimento mundial comemorado no décimo mês do ano como forma de combate ao câncer de mama. O edifício do Conselho Federal da OAB, em Brasília, recebeu iluminação especial para lembrar a causa.
Fonte: OAB

Atividades Marcam Centenário de Carolina Maria de Jesus

















Negra e moradora da favela do Canindé, Carolina é autora de Quarto de Despejo, onde retratou o cotidiano da comunidade na década de 1950; Promovidas pela Edições Toró, em outubro, ciclo de atividades inclui oficinas, roda de sambas, debates, filmes e intervenções cênicas
"Todos têm um ideal. O meu é gostar de ler". Nestas palavras, Carolina Maria de Jesus (1914-1977) resume sua trajetória e propósito de vida. Semi-analfabeta, negra e moradora da favela do Canindé, Zona Norte de São Paulo (SP), Carolina tornou-se escritora reconhecida dentro e fora do Brasil com o livro "Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada", publicado em 1960. Com uma literatura viva e pulsante, soube pautar as complexidades e contradições da sua realidade. Em 2014, a escritora completaria cem anos de idade. Uma série de atividades e homenagens foi realizada pelo País e, em complemento a elas, neste mês de outubro, mais um ciclo busca celebrar a vida e obra da escritora. 
Promovidas pela Edições Toró, atividades como oficinas, roda de sambas, mesas-redondas, debates, filmes, intervenções cênicas e leituras têm sido realizadas em diversos pontos de São Paulo (SP). 
Vida e Obra
Apesar de pouco estudo e a incessante e cansativa rotina de catadora, Carolina Maria de Jesus acumulou mais de 20 cadernos com testemunhos sobre o cotidiano da favela. Deles, após edição do jornalista Aldálio Dantas (que a descobriu ao visitar a favela para uma reportagem), originou-se "Quarto de Despejo - Diário de uma Favelada", publicado em 1960. 
O livro rompeu com qualquer rotina das edições até então publicadas no País. Em poucos meses, três edições foram lançadas, chegando alcançar a margem de 100 mil livros vendidos, além de ser traduzido para 13 línguas, como romeno, russo, japonês, inglês, sueco e alemão.
Carolina publicou ainda “Casa de alvenaria”, “Journal de Bitita“ (póstumo, 1982, França) e “Meu estranho diário” (também póstumo, 1996, organizado por José Carlos Sebe Bom Meihy e Robert M. Levine)
Literatura viva
Embora o cenário descrito por ela na década de 1960 não seja o mesmo de hoje, Quarto de Despejo é contundentemente atual, uma vez que a luta por melhores condições de vida e dignidade ainda permanecem entre os "trastes velhos" como, criticamente, caracterizava os favelados. “Eu denomino que a favela é o quarto de despejo de uma cidade. Nós, os pobres, somos os trastes velhos”, escreveu.
Legado
Sair da favela e arriscar-se em um cenário tão elitizado, como era o literário na época, não foi uma tarefa fácil para a catadora. Ora endeusada, ora considerada porta voz dos pobres, e tantas outras vezes tratada apenas como “uma favelada”, sua escrita, por muito tempo, se não ainda hoje, foi questionada e desconsiderada por vários críticos.
No entanto, a realidade mostrou que a paixão de Carolina pela leitura é exemplo para escritores e escritoras, sejam da periferia ou não. Sua vida e obra foram temas de diversos trabalhos acadêmicos, além de torna-se um legado para gerações atuais.
“Ela era uma mulher sonhadora, a frente do seu tempo. Não concordo quando vestem em Carolina a militância que ela não tinha. Carolina foi sim, porta voz de diversos descasos e escrevia maravilhosamente bem sobre tudo que assolava. Entendia que a questão da cor também interferia no fato de ser moradora de favela. Mas, um legado importante também é que ela falava da pobreza sem louvá-la, sem hipocrisia, e dizia que queria moradia melhor, queria se vestir melhor, comer melhor. Eu enxergo Carolina como uma mulher negra, mãe, não conformada em ser mais uma. Foi uma mulher que deixou um legado a todas nós mulheres negras periféricas: a escrita, o poder, o ser. Ela foi e é, sem sombra de dúvidas, inspiração pra rompimentos. Eu escrevo hoje e foi sim legado de Carolina”, conta a escritora Raquel Almeida.
 Confira a programação das atividades em São Paulo
* Quarta-feira, 08 de outubro
19h às 22h – “NA ALVENARIA SAMBANDO A BITITA: CAROLINA ALÉM DE ‘QUARTO DE DESPEJO”
Exibição do filme: “O papel e o mar”, de Luiz Antônio Pilar (Brasil, 2008)
Mesa redonda:
“Sobre ‘Casa de Alvenaria’”, com Fernanda Miranda (mestre em Letras, pesquisadora da obra de Carolina de Jesus)
“Carolina, personagem teatral”, com Lucélia Sérgio (Atriz e diretora na Cia Os Crespos)
“Sobre “Diário de Bitita e as músicas de Carolina” Com Flavia Rios (Socióloga, pesquisadora da vida e obra de Carolina de Jesus)
Mediação: Ruivo Lopes
Intervenções de Janette Santiago
Onde? Na Biblioteca Mario de Andrade – Rua Coronel Xavier de Toledo, centro de São Paulo
Quarta-feira, 22 de outubro
19h às 22h – “CAROLINA DE JESUS, LETRA QUE ARRANHA, ESPETA E FERTILIZA”
Mesa Redonda:
“Textos de sangue – o estilo e o abalo”, com Mário Augusto (Professor da UNICAMP, sociólogo)
“Carolina, suas armas, horizontes e rastros”, com Jarid Arraes (cordelista, pesquisadora e jornalista)
“Carolina, sujeira no circuito editorial brasileiro?”, com Marciano Ventura (escritor e editor, criador do selo “Ciclo Contínuo”)
Mediação: Allan da Rosa
Onde? Na Biblioteca Mario de Andrade – Rua Coronel Xavier de Toledo, centro de São Paulo
Sábado, 25 de outubro
16h às 20h –  “CAROLINA DE JESUS, A ARQUITETURA DA SOBREVIVÊNCIA E DO REVIDE”
Intervenção cênica de Débora Garcia.
Projeção do filme “Vidas de Carolina”, Jessica Queiroz (Brasil, 2013)
Mesa redonda:
“ Gritos e sussurros negros de Carolina”, com Débora Garcia (Atriz, poeta, presidente da Associação Literatura no Brasil)
“Ironia e drama em Quarto de Despejo”, com Fernanda Sousa (Professora e pesquisadora da obra de Carolina de Jesus)
“Dúvidas e frestas na letra de Carolina”, com Raffaella Fernandez (Pesquisadora da obra de Carolina de Jesus)
Mediação: Allan da Rosa
OndeComunidade Mauá – Rua Mauá, nº 342, Luz, ao lado da estação Luz de trêm/metrô
Fontes: CERRT/ Brasil de Fato

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Abert registra 173 casos de violência contra a imprensa no último ano

No último ano, foram registrados 173 casos de violência contra profissionais e veículos de comunicação no Brasil, entre assassinatos, agressões, ataques, ameaças, detenções, intimidações, censura e condenações. O número é 27% maior que o registrado no período anterior, quando foram identificados 136 casos.
Os dados constam do Relatório sobre Liberdade de Imprensa da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), que será apresentado amanhã (9) pelo presidente da entidade, Daniel Slaviero, durante a 44ª Assembleia Geral da Associação Internacional de Radiodifusão (AIR), na Cidade do Panamá. O levantamento foi feito com dados que vão de outubro do ano passado até agora.
De acordo com o relatório, foram registradas 66 agressões no período, sem contar com os casos ocorridos durante as manifestações na Copa do Mundo, quando houve 35 casos de violência contra profissionais e veículos de comunicação. Desse total, 30 registros são de agressões e intimidações, a maioria cometida por manifestantes e policiais militares.
No último ano, foram assassinados sete profissionais da imprensa. Segundo a Abert, depois da morte do cinegrafista Santiago Andrade, da TV Bandeirantes, o governo reforçou as medidas para a segurança de jornalistas durante as manifestações, mas os equipamentos de proteção individual, como coletes à prova de balas, capacetes e máscaras antigás não fizeram parte do dia a dia das equipes.
“Isso é preocupante. A Abert tem cobrado das autoridades para que essas agressões sejam devidamente apuradas e não fiquem impunes. As liberdades de expressão e de imprensa precisam de vigilância permanente, para não haver retrocessos”, avalia Slaviero.
O número de ataques ao patrimônio de veículos de comunicação chegou a 15 no último ano, cinco a mais que no período anterior. Sedes de rádios e de jornais, além de automóveis, foram incendiados ou depredados.

Fonte: EBC
Fpto: Internet