segunda-feira, 30 de julho de 2018

Manifestação pede fim da violência contra mulheres negras no Rio

Quarta Marcha das Mulheres Negras em Copacabana, no Rio de Janeiro,
protesta contra a violência que atinge as mulheres negras em todo o país.
 Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
Realizada desde 2015, a Marcha das Mulheres Negras tem uma pauta com 27 reivindicações

Em sua 4ª edição, a Marcha das Mulheres Negras tomou parte da avenida Atlântica, na orla da praia de Copacabana, zona sul, no final da manhã e início da tarde deste domingo (29). Cerca de 7 mil pessoas participaram da manifestação. O grupo protestou contra o racismo e a violência que atinge as mulheres negras no país. 

A concentração aconteceu por volta das 11h, na altura do Posto 4. O grupo caminhou até a altura do hotel Copacabana Palace, onde chegou por volta das 14h. Marielle Franco, assassinada no dia 14 de março, foi lembrada durante o ato. Na homenagem, oito mulheres negras carregaram, em silêncio, uma foto da vereadora. 

De acordo com uma das representantes do grupo, a marcha luta pelo direito igualitário das mulheres dentro da sociedade.

"Já passou do momento de virarmos a página dessa história. Desde a abolição da escravatura nós estamos lutando para alcançar o espaço dentro dessa sociedade. Nós estamos aqui não só pra falar da mulher negra. Estamos aqui para falar de todas as mulheres", 
(Foto: Matheus Rodrigues/G1)
destacou a professora Maria Helena Martins, de 57 anos.

A Marcha das Mulheres Negras, feita anualmente desde 2015, tem uma pauta com 27 reivindicações, que incluem o fim do feminicídio da mulher negra, a investigação dos casos de violência doméstica, o fim do racismo e sexismo na mídia, o acesso à saúde de qualidade, o fim da violência contra religiões de matrizes africanas e a entrada de mais mulheres no poder.

“A gente vem denunciando isso desde que o mundo é mundo. O Estado brasileiro tem um projeto de execução [morte] do povo preto. E essa execução não se dá só com arma de fogo. Ela se dá quando você não tem saúde, quando você não tem casa, não tem educação,
 não tem qualidade de vida. 
A gente está comemorando neste ano os 70 anos da Carta dos Direitos Humanos [da ONU] e a gente está procurando esses direitos humanos até hoje”, disse Clatia Vieira, do Fórum Estadual de Mulheres Negras do Rio, uma das organizadoras da marcha.

Segundo Clatia, o assassinato de Marielle Franco, vereadora negra do PSOL carioca, que foi executada a tiros em março deste ano, coloca um peso maior na luta pelos direitos das mulheres negras.

“É claro que a execução da Marielle traz muitos medos para a gente que é militante. A gente tem medo. Mas o medo também traz a coragem, porque a gente precisa viver e sobreviver para cuidar dos nossos. A Marielle fica como um estímulo para a gente dizer que a luta é muito grande. A gente tem uma intervenção racista que não escuta a comunidade negra e que não tem proposta para a gente. 
Os números só são matar, matar preto”.

"A importância dessa marcha é total. Sair da casinha e tomar todos os espaços. A sociedade só abre espaço para o negro quando se trata apenas de futebol e pagode. Nós somos capazes e competentes em todos os âmbitos", destacou cantora Margarete Mendes.

Fontes e trechos texto entrevista : Agencia Brasil/DestakRio/G1
Edição: Mônica Aguiar

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