quinta-feira, 26 de julho de 2018

Mulheres Negras. " Vivem e resistem" Julho/18

por Mônica Aguiar

Mulheres negras iniciaram ontem (25) de julho, atividades  e atos públicos em diversas cidades do Brasil, marcando o Dia de Luta  da Mulher Negra Latina e Caribenha e Dia Nacional da Mulher Negra e Tereza de Benguela . 
No Brasil, reivindicam o combate ao racismo, combate a violência, além do direito ao bem viver. 

Desigualdades

Ao ser confrontado com as estatísticas, o racismo, sustentado pelas mazelas em três séculos de escravidão e minimizados pela branquitude nativa, revela-se sem meias palavras o sofrimento das mulheres negras pela sobrevivência no Brasil.

Segundo o IBGE, mais da metade da população brasileira (54%) é de pretos ou pardos.  
Em 2000, As mulheres negras  já representava 49% da população negra brasileira.  A população afrodescendente da América Latina e Caribe soma quase 130 milhões de pessoas, de acordo com dados de censos realizados até 2015.

As mulheres negras são mais vitimadas pela violência doméstica: 58,68%, de acordo com informações do  Central de Atendimento à Mulher, de 2015.

São mais atingidas pela violência obstétrica (65,4%) e pela mortalidade materna (53,6%), de acordo com dados do Ministério da Saúde e da Fiocruz. Diariamente, gestantes têm seus direitos violados em todas as partes do mundo. No Brasil, pelo menos cinco delas morrem ao dia por causas relacionadas à gravidez. Assim, essas mulheres deixam seus filhos para entrar nas estatísticas de mortalidade materna da Organização Mundial da Saúde (OMS), que incluiu o Brasil em uma lista de 75 países que precisam reduzir os óbitos de mães até 2030. De acordo com os dados mais recentes do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), em 2016, o Brasil registrou 1.670 óbitos maternos (relacionados à gravidez, ao parto ou até 42 dias após o parto).

Apenas 10% dos livros brasileiros publicados entre 1965 e 2014 foram escritos por autores negros, afirma pesquisa da Universidade de Brasília (UnB).

Atrás das câmeras, não foram registradas nenhuma mulher negra. O fosso racial permanece entre os roteiristas: só 4% são negros.
Dentre os filmes analisados, 31% tinham no elenco atores e atrizes negras, quase sempre interpretando papeis associados à pobreza e criminalidade.
As heroínas e intelectuais  negras,  são totalmente invisibilizada nos processos históricos.

A crise atual e a onda de desemprego também atingiu com mais força a população negra brasileira: são 63,7% dos desocupados, o que corresponde a 8,3 milhões de pessoas.  No terceiro trimestre de 2017 o rendimento médio de trabalhadores negros foi inferior ao dos brancos: 1,5 mil ante 2,7 mil reais.

A mulher negra é a parcela mais  pobre da sociedade brasileira.  Persistindo na luta pela sobrevivência, consequentemente a maldita vulnerabilidade social a qual estamos submetidas no Brasil.

Nesse cenário, as mulheres negras, que de forma acentuada, sentem o impacto da falta de políticas, interseccionando em si as estruturas racistas, patriarcais, sexistas e heteronormativas, pois há uma questão de gênero fundamental nessa equação – a qual coloca as mulheres numa condição subalterna e passível de objetificação. (Trecho coluna de Caroline Coelho -O Movimento) .

Falar da mulher negra no Brasil é falar de uma história de exclusão onde as variáveis sexismo, racismo e pobreza permanecem  estruturantes, e mesmo convivendo com tantos desafios as mulheres negras contribuem de forma inquestionável com a construção socioeconômica e cultural de nosso país.

O 25 de JULHO

No Brasil, em 2014, o dia 25 de julho foi declarado como Dia Nacional da Mulher Negra a partir da data regional e em homenagem à líder quilombola Teresa de Benguela, que viveu em Mato Grosso e lutou contra a escravidão no século XVII. Símbolo da resistência negra na região do Vale do Guaporé, no Mato Grosso, no período de 1750 a 1770.

O 25 de Julho internacionaliza o feminismo negro via aglutinação da resistência das mulheres negras à cidadania nas regiões  em que vivem, principalmente as  opressões de gênero e étnico-raciais.

Este mês, o Rio de Janeiro instituiu o dia 14 de março como Dia de Luta contra o Genocídio da Mulher Negra. Há quatro meses, nesta data, a vereadora negra Marielle Franco foi exterminada. O crime segue sob investigação.

Vários Municípios no Brasil instituíram o 25 de julho como dia da Mulher Negra .

Já o Dia Internacional da Mulher Afro Latina-Americana e Caribenha,  foi instituído em 1992, ano em que ocorreu o primeiro encontro de mulheres negras da América Latina e do Caribe, na República Dominicana. 
São Paulo
 Todas as datas marcam a  resistência e luta das mulheres negras no combate ao racismo e combate as desigualdades sociais. 

Resistência
As mulheres negras tem se destacado, ganhando visibilidade nas redes sociais, dialogando diretamente com a sociedade sobre as desigualdades raciais sofrida, construindo grandes debates e mobilizações. A luta contra o racismo e o desmascaramento do mito da democracia racial, tem conquistado o envolvimento e o comprometimento de outros setores da sociedade civil organizada.

A violação dos direitos humanos da população negra, pobre e de periferia no Brasil e em outras partes do mundo são temas atuais que dialogam cotidianamente com a sociedade são organizados por mães negras que sofrem com a violência, violações e abandono por parte do Estado . 

E a mulher negra vai incomodar por ser ela mesma, por saber o que quer e por alcançar suas próprias metas individualmente.

JULHO 2018
São Paulo
Centenas de agendas foram e serão  desenvolvidas no mes de  julho no Brasil, consagrando uma imensa mobilização nacional das mulheres negras. 

Em São Paulo ocorreu a 3ª Marcha, com concentração na Praça Roosevelt, centro da cidade, finalizando no  Largo do Paissandu. Mulheres negras caminharam   para denunciar a violência e o racismo.

Belém 

Em Belém as mulheres negras  fizeram um ato no bairro do Guamá. A III Marcha das Mulheres Negras reuniu centenas de pessoas em caminhada que iniciou as 16 horas , reuniu centenas de pessoas. 

Flávia Ribeiro, uma das coordenadoras, explicou que a marcha busca colocar em evidência as reivindicações das mulheres negras na sociedade.



Comemorar o  25 de julho é celebrar e reverenciar a elaboração de novas perspectivas feministas, em especial da introdução da diferença na teoria feminista tradicional. 

Fortalecer o 25 de  julho é  dá visibilidade e energia a emancipação das mulheres negras de um feminismo que colocava a opressão de gênero como  fator opressor prioritário para as mulheres, sem levar em conta as demandas das mulheres negras. É  fortalecer a emancipação  de um feminismo que não conseguia abarcar as diferenças entre estas ou seja, o  olhar  para as múltiplas experiências e identidades femininas. ( Luciane Reis -Blogueiras Negras)

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