Segundo estudo da UnB, 95% de 12 mil casos analisados foram classificados como injúria racial, com pena muito mais branda
Descaso e exclusão são as palavras encontradas pelas vítimas de racismo para definir a incerteza que vivem depois de realizar a denúncia. Elas reconhecem que houve um grande avanço contra o preconceito, mas o processo até chegar a uma punição é longo e, em muitos casos, não satisfatório. Para especialistas, a questão é subjetiva e muito ainda precisa ser feito no país para quebrar a impunidade nos casos de racismo. As ocorrências de Brasília não são diferentes daquelas que tomam os noticiários internacionais. Eles lembram os recentes episódios no mundo do esporte, como o do jogador de futebol Daniel Alves e o do time de basquete da NBA Los Angeles Clippers (leia mais no caderno de Esportes, capa e página 2). A maior dificuldade é reconhecer o crime.
“Foi uma situação constrangedora e desagradável. Eu entrava para trabalhar (na padaria) e tinha a sensação de que aquela mulher (a qual a agrediu de forma racista durante um atendimento) estava ao meu lado. Não suportei”, relembra a nutricionista Elaine da Silva, 32 anos. Para priorizar sua liberdade e privacidade, a nutricionista, então funcionária de uma padaria na Asa Sul, optou por trocar de emprego. O fato ocorreu em junho de 2013, quando uma cliente do estabelecimento, depois de discordar do preço de um produto, reclamou com o gerente Antônio Nilberto Castro Santos, 28 anos, com xingamentos e atitudes racistas. Elaine tentou ajudar, mas também foi alvo da mulher. O caso foi registrado na 1ª Delegacia de Polícia e está parado no Ministério Público aguardando um laudo do Instituto Médico Legal (IML), pois a defesa da agressora alegou que a cliente sofre de insanidade mental.
Fonte, foto, texto : CB
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