segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Índice de Mamografias no Brasil está Abaixo da Média Mundial

Resultado de imagem para mulher negra fazendo mamografiaSegundo a Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 40% das mulheres brasileiras, de 50 a 69 anos de idade, não fazem mamografia. Essa faixa etária é definida como prioritária para a realização do exame preventivo pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomenda que pelo menos 70% das mulheres sejam avaliadas periodicamente. O câncer de mama é o mais comum entre as mulheres. Dados do Instituto do Câncer (Inca) apontam que, no Brasil, as taxas de mortalidade continuam elevadas, muito provavelmente porque a doença ainda é diagnosticada em estágios avançados. Na população mundial, 61% das pacientes sobrevivem após cinco anos de diagnóstico. Para Ruffo de Freitas Junior, presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, o número de mulheres que não fazem o exame é preocupante. “Melhorou muito em relação ao passado, mas ainda não atingimos a meta da OMS, que é de 70%. Hoje, temos mamógrafos suficientes no país mas, infelizmente, eles estão mal distribuídos. A maioria está nas grandes cidades e capitais, ficando boa parte da população do interior e de pequenas cidades descoberta, com impossibilidade de fazer o exame de maneira rápida”, afirma. De acordo com o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), existem 2.507 mamógrafos em uso no SUS. O parâmetro é de um mamógrafo para cada 240 mil habitantes, portanto a necessidade corresponderia a  833 equipamentos. Segundo o Ministério da Saúde, o total de exames realizados entre mulheres de 50 e 69 anos aumentou 61,9% entre 2010 (1.547.411) e 2014 (2.506.339). Já em números totais de exames (em todas as faixas etárias), o aumento somou 41,8% entre 2010 (3.035.421) e 2014 (4.304.619). Até junho deste ano, foram realizados 1.820.195, dos quais 1.071.531 na faixa etária prioritária, 50 a 69 anos. A Pesquisa Nacional de Saúde mostrou que o maior número de mamografias foi realizado por mulheres brancas (66,2%) e com superior completo (80,9%). As menores proporções foram observadas em mulheres negras (54,2%), pardas (52,9%) e com fundamental incompleto (50,9%). A região Norte registrou a menor proporção de mulheres que haviam feito o exame (38,7%), seguida das regiões Nordeste (47,9%), Centro-Oeste (55,6%), Sul (64,5%) e Sudeste (67,9%). Para Ruffo de Freitas Junior, outro ponto importante é o medo que as mulheres têm de fazer a mamografia. “Há o medo da dor, do desconforto e o medo de encontrar um câncer. São aspectos que mostram que a mulher por si só, sem ser estimulada, não fará o exame”, comenta. O presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia lembra que a mamografia é o único exame que pode reduzir a mortalidade por câncer de mama. A partir dos 40 anos, ele recomenda que o procedimento seja feito anualmente. "Temos alguns dados que mostram que a mortalidade por câncer de mama está aumentando no interior de vários estados, diferentemente das capitais. Em Porto Alegre, no Rio de Janeiro [capital], em Belo Horizonte e no Recife, a mortalidade começa a cair. Entretanto, no interior, há falta de mamógrafos e de estrutura. Temos uma mortalidade por câncer de mama crescente e esse é um dos números mais drásticos que mostram a diferença entre as grandes cidades e os pequenos centros”, declara. O Ministério da Saúde informou que, em outubro de 2012, foi lançado o Programa de Mamografia Móvel no SUS, que tem como objetivo aumentar a cobertura mamográfica em todo território nacional. Atualmente, há 12 unidades habilitadas, sendo cinco na Bahia, quatro no Distrito Federal e três no Tocantins. De acordo com o ministério, de 2010 a 2014, o gasto para fortalecer a rede de prevenção, diagnóstico e tratamento do câncer no país aumentou 45%. Em 2010, foram repassados R$ 2,3 bilhões para tratamentos como quimioterapia, radioterapia e cirurgia oncológica, e para diagnósticos como o exame citopatológico e as mamografias. No ano passado, a despesa subiu para R$ 3,3 bilhões.
Fonte: EBC

sábado, 29 de agosto de 2015

Palestrante negro é barrado em portaria de hotel cinco estrelas que sedia seminário em São Paulo

O psicólogo norte-americano Carl Hart, referência internacional em políticas de drogas. Imagem: Simon Fraser University / Flickr CC
O psicólogo norte-americano Carl Hart, referência internacional
em políticas de drogas. Imagem:
Simon Fraser University / Flickr CC
Carl Hart, professor da Universidade de Columbia, foi barrado por seguranças do hotel que sedia seminário sobre Ciências Criminais; 'Olhem para o lado, vejam quantos negros estão aqui. Vocês deviam ter vergonha', disse durante apresentação


No Seminário Internacional do Instituto Brasileiro de Ciências Criminais, o palestrante Carl Hart, professor associado de psicologia e psiquiatria da Universidade de Columbia, foi barrado pela segurança do hotel cinco estrelas Tivoli Mofarrej, que sedia o evento. A organização do Instituto teve que se mobilizar para autorizar a sua entrada no hotel.
Carl Hart é negro e veio a São Paulo palestrar sobre a guerra às drogas e como ela é usada para marginalizar e excluir parte da população. Antes de se tornar um cientista respeitado, com três pós-doutorados, e um dos maiores nomes sobre o estudo de drogas, era usuário de crack. Ele decidiu tornar-se especialista nos efeitos do crack para entender como a droga tinha destruído sua comunidade. E virou um neurocientista, com seus dreads e os três dentes de ouro.
Ao começar sua fala, provocou as mais de mil pessoas que estavam no auditório: "Olhem para o lado, vejam quantos negros estão aqui. Vocês deviam ter vergonha". Não havia nenhum negro na plateia.
Para Sérgio Salomão Shecaira, Presidente da Organização do Seminário, o fato evidencia racismo: "é bom para mostrar como vivemos em um país racista".
Até o momento, o Justificando não encontrou alguém para falar pelo hotel.
Atualização: Por telefone, Samuel entrou em contato com o hotel e foi informada de que não haveria nenhum funcionário apto a se pronunciar sobre o caso até segunda-feira.  

Fonte: Operamundi

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Aumento de Número de Municípios com Órgãos Dedicados a Direitos Humanos, mas 71,6% são Subordinadas a Outras Secretaria

Políticas de proteção da igualdade racial estão em menor percentual 

Por : Flávia Villela 
Mais da metade dos municípios brasileiros (55,9%) não têm estrutura específica de gestão de direitos humanos. Nos municípios onde há essa estrutura, 71,6% são subordinadas a outras secretaria, 6,4% têm secretarias exclusivas, 17,5% têm secretarias em conjunto com outras políticas e 4,4% são subordinadas diretamente à chefia do Executivo. Os dados foram divulgados dia (26) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e constam do Perfil dos Estados e dos Municípios Brasileiros 2014.
Apesar de ainda não ser o ideal, para a gerente da pesquisa, Vânia Pacheco, a institucionalização dos direitos humanos aumentou significativamente nos últimos anos. “Em comparação com 2009, cerca de 75% das prefeituras não tinham essa estrutura organizacional. Isso mostra que as prefeituras estão começando a pensar os direitos humanos como política pública de fato, estão começando a se preocupar com temas que antes não pensavam em tornar política pública”, disse ela.
Cerca de 41% das secretarias têm orçamento próprio, sendo que nos municípios mais populosos o número aumenta, chegando a 75% nas cidades com mais de 500 mil habitantes. Somente 57 prefeituras têm fundo específico de direitos humanos, porém metade tem ao menos um fundo de direitos como de crianças e adolescentes, idosos ou pessoas com deficiência.
As 27 unidades da Federação têm órgão responsável pela política de direitos humanos. No entanto, apenas Maranhão, Paraíba e Sergipe têm secretarias exclusivas. A secretaria estadual, em conjunto com outras políticas, está presente em 16 estados. Em sete, o setor é subordinado à outra secretaria e, no Ceará, as políticas para o setor são subordinadas diretamente à chefia do Executivo.
Em 22 estados, esses órgãos têm orçamento próprio. Nenhum governo estadual declarou ter fundo específico de direitos humanos, no entanto, 24 têm, ao menos, um fundo de direitos. Roraima, Ceará e Amazonas não têm nenhum tipo de previsão de recursos com esforço legislativo para um fundo relacionado a direitos humanos.
A proteção de mulheres vítimas de violência doméstica é a ação mais frequente, presente em 45,2% dos municípios e em 24 estados. Outros programas ou ações das prefeituras recorrentes são direcionados a crianças e adolescentes e idosos. No âmbito estadual, as maiores incidências de políticas específicas são para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transgêneros e transexuais (LGBT); indígenas, quilombolas, ribeirinhos e outros povos e comunidades tradicionais.
Dez unidades da Federação e 32 municípios têm legislação estadual específica para o público LGBT. O nome social de travestis e transexuais é reconhecido em 12 unidades e em 29 municípios. Políticas de proteção da igualdade racial são recorrentes em 27 secretarias estaduais (41,7%) e 21% das municipais (21%).
Em relação às políticas para a criança e o adolescente, destaca-se a política de Enfrentamento à Violência Sexual, presente em cerca de 4 mil municípios (72,6% do total) e em 25 dos 27 estados. A política menos presente é a voltada para ciganos, tanto no âmbito dos municípios quanto no dos estados.
Conselhos

Menos de 6% dos municípios brasileiros têm conselhos municipais de Direitos Humanos. Entretanto, apesar de baixo, a pesquisa mostra que o percentual é bem melhor que em 2009, quando apenas 1,4% das cidades tinha conselhos desse tipo. Dos 323 conselhos identificados, 266 (82,4%) haviam se reunido nos últimos 12 meses.
“O conselho para ser efetivo e ter participação da sociedade na discussão da política precisa ser atuante. Se não se reunir, esse conselho não tem participação”, ressaltou Vânia.
Outros conselhos específicos identificados são os da criança e do adolescente – presentes em 98,4% das cidades. O estudo revela que alguns conselhos dobraram em quantidade no período de cinco anos, como os conselhos municipais do Direito do Idoso que existiam em 35,5% dos municípios em 2009 e, atualmente, estão presentes em 61,9% das cidades.
Dos 5.570 municípios brasileiros, 25 não têm conselho tutelar. Os conselhos tutelares são responsáveis por garantir o cumprimento dos direitos das crianças e dos adolescentes previstos em lei, em parceria com estado, comunidade e família. A maioria dos municípios sem conselho tutelar tem até 20 mil habitantes e se concentra no Maranhão e Minas Gerais.
Nas unidades da Federação, os conselhos estaduais de Direitos da Criança e do Adolescente – ausente apenas no Amazonas – do Idoso e da Pessoa com Deficiência são os mais frequentes. Já os conselhos dos Direitos LGBT só existiam em 12 unidades da Federação até o ano passado. Esse tipo de conselho foi o que teve menor proporção de reuniões nos 12 meses anteriores à pesquisa.
Fonte: EBC 

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

VIII Jornada Internacional de Mulheres Escritoras.



Por Mônica Aguiar 

A Jornada das mulheres escritoras acontece dias 28 e 29 de agosto, na cidade

 de São José do Rio Preto,  tem como objetivo reunir escritoras e escritores de 

diversos países e propiciar ao público - leitores, pesquisadores, críticos e interessados em 

geral - um espaço para o diálogo e a troca cultural sobre literatura. 


 O evento contará com as presenças para além de Angola,  Panamá, Chile, Paraguai, México, Portugal e do Brasil escritoras do Rio de Janeiro, da Bahia, de Minas Gerais e de São Paulo.

Na abertura do evento acontecerá apresentação da Tássia Camargo, com poemas de Cecília Meirelles e homenagem à escritora Chilena Pia Barros . 
A Jornada Internacional de Mulheres Escritoras é um evento anual que reúne na cidade do Estado de São Paulo escritoras de vários países com o objectivo de criar mecanismos que possam viabilizar uma melhor e mais eficaz comunicação entre as redes de escritoras e divulgar a escrita literária e os trabalhos críticos de mulheres tradutoras, pesquisadoras, jornalistas e educadoras.
A Escritora Ngonguita Diogo tem presença
 Confirmada no Encontro 
Resultado de imagem para III jornada internacional de mulheres escritoras  e  de agosto 2015Durante o evento,  a escritora angolana vai apresentar palestra com  tema “O papel das mulheres na cultura angolana” e promoverá em suas obras literárias  autógrafos. 
Ngonguita Diogo, pseudónimo literário de Etelvina da Conceição Alfredo Diogo, nasceu no dia 4 de Maio de 1963 em Cazengo (Ndalatando), Kwanza Norte, e começou a escrever artisticamente em 2004.
É membro do Movimento Lev’arte de Angola e tem públicos os livros “No Mbinda o Ouro é Sangue” (2010) reeditado no Brasil, “Weza a Princesa” (2010) reeditado em Portugal, “Sinay” (2011) reeditado no Brasil, “A Minha Baratinha” (2011), “Acudam Maria do Rangel” (2013) e “Da alma ao Corpo” (2014).
Tem ainda editado um CD de poemas intitulado “E Assim Virei Maria” e publicou poemas no suplemento “Vida e Cultura” do Jornal de Angola, assim como nos semanários O Independente e Agora.

Dias 28 e 29 de Agosto 
Inscrições no local.
Locais: Sala de Uso Múltiplo e Teatro SESC RIO PRETO


Religiões de Matriz Africana e sua Representação na TV



Para conversar sobre o tratamento diferenciado dado às religiões de origem africana, o Ver TV recebe a procuradora regional da república e coordenadora do apoio à procuradoria federal dos direitos do cidadão em São Paulo e Mato Grosso do Sul Geisa Rodrigues; a coordenadora do Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira, Ebonmy D'Ogum; e o produtor executivo da Realejo Filmes e diretor da série Entre o Céu e a Terra, exibida na TV Brasil, Thomas Miguez. O Ver TV ainda exibe entrevistas gravadas com o presidente da Associação Nacional Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu, Raimundo Komananji; com o doutor em teologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e professor de pós graduação da Unigranrio, José Geraldo Rocha; e com o dvogado e consultor jurídico do Intecab, o Instituto Nacional de Tradição e Cultura Afro-Brasileira, Hédio Silva Júnior.

Cota para Mulheres no Legislativo é Aprovada por Senadores em 1º turno

A participação feminina na política ganhou um reforço. O Plenário do Senado aprovou em primeiro turno, nesta terça-feira (25), a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 98/2015, que reserva um percentual mínimo de cadeiras nas representações legislativas em todos os níveis federativos. Assim, a medida atinge Câmara dos Deputados, assembleias legislativas, câmara legislativa do Distrito Federal e câmaras municipais. 
A proposta foi aprovada em primeiro turno com 65 votos favoráveis e 7 contrários. A PEC assegura a cada gênero percentual mínimo de representação nas três próximas legislaturas: 10% das cadeiras na primeira legislatura, 12% na segunda legislatura; e 16% na terceira. Caso o percentual mínimo não seja atingido por um determinado gênero, as vagas necessárias serão preenchidas pelos candidatos desse gênero com a maior votação nominal individual entre os partidos que atingiram o quociente eleitoral.  
A proposta altera o Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e faz parte das sugestões da Comissão da Reforma Política. 
Elogios
Resultado de imagem para marta suplicyVários senadores louvaram a iniciativa que, segundo eles, irá diminuir a desigualdade de gênero na política. A senadora Marta Suplicy (PMDB-SP) ressaltou que as mulheres enfrentam mais dificuldades para optarem por uma carreira política e disse ter esperança que a proposta incentive a candidatura feminina. A senadora lembrou que o Brasil tem uma das taxas mais baixas do mundo de presença de mulheres no Congresso Nacional. Segundo ela, de um total de 190 países, o Brasil ocupa a 116º posição no ranking de representação feminina no Legislativo. 
Resultado de imagem para Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) A procuradora da Mulher no Senado, Vanessa Grazittion (PCdoB-AM), lamentou a posição do Brasil no ranking e classificou como “constrangedor” o fato de as mulheres terem que negociar uma cota no Legislativo. Para ela, o ideal seria que os partidos já tivessem consciência de montar suas listas com alternância de gênero e que as mulheres já tivessem alcançado a paridade com os homens. A senadora disse ter esperança de uma mudança cultural no país e de ver o dia que não será necessária de cota para que a mulher chegue ao Parlamento e ocupe um lugar "que é seu de direito". O relator da comissão temporária da reforma política, senador Romero Jucá (PMDB-RR), lembrou, em seu relatório, que na esfera política há nítida desigualdade entre homens e mulheres em relação à ocupação de cargos públicos. Jucá argumentou que as mulheres são maioria na população e maioria no eleitorado, mas enfrentam dificuldades para conquistar cargos eletivos. Na Câmara dos Deputados, dos 513 cargos em disputa em 2014, apenas 51 foram ocupados por mulheres. No Senado, de um total de 81 vagas, somente 13 parlamentares são do sexo feminino. A PEC, porém, não modifica os critérios para eleição no Senado, já que este não faz uso do sistema proporcional. Jucá destacou ainda que a ação afirmativa tem prazo definido. Na visão do senador, uma vez garantido o percentual de 16%, as barreiras socioculturais enfrentadas pelas mulheres serão reduzidas a tal ponto que, a partir da quarta legislatura subsequente à promulgação da PEC, não será mais necessário prever na legislação um nível mínimo de representação. 
Voto contrário
O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) se posicionou contra a proposta afirmando que ela “fere o princípio da soberania do voto” já que o voto dado a uma mulher terá um peso maior do que o dado a um homem. Para ele, o princípio da soberania popular deve ser respeitado e é o povo que deve definir, em última instância, sobre a composição das assembleias que os representam. - O que se pretende com essa emenda é dizer que a composição das assembleias não depende mais exclusivamente do povo, mas é pré-determinada pelo Congresso no exercício do poder constituinte derivado – protestou.
O senador Aloysio Nunes ainda acrescentou que a proposta abre um precedente gravíssimo para que sejam solicitados outros tipos de cotas.
Fonte: Senado 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Mulheres com familiares desaparecidos sofrem ainda mais com a opressão de gênero

100615 muAmérica Latina - Por Marcela Belchior

Na condição de esposas, mães, irmãs e filhas de pessoas desaparecidas, mulheres de várias partes do mundo não apenas sofrem um caminho acidentado em busca de resoluções para os casos e soluções para encontrarem um parente.
Situações geradas pelas desigualdades de gênero impõem a elas uma série de penalidades extras. A conclusão é apontada em uma recente pesquisa realizada pelo Centro Internacional para a Justiça Transicional (ICTJ), que atua em mais de 30 países, apoiando necessidades locais e promovendo o intercâmbio de experiências. 
Na América Latina, a situação é particularmente preocupante na Colômbia, cujo conflito armado interno já dura mais de 50 anos. 
No México e América Central, os desaparecimentos forçados também são frequentes tendo em vista a guerra contra o narcotráfico e o deslocamento de migrantes rumo aos Estados Unidos.
Segundo a entidade, as opressões de gênero, muitas vezes, se sobrepõem aos prejuízos econômicos, legais, sociais e psicológicos dessas mulheres, que buscam um parente, que, em muitos casos, era provedor da família. 
A perda obriga o público feminino a aceitar trabalhos mal remunerados e inseguros, além das mulheres se exporem a riscos de serem exploradas ou que vulnerem seu bem-estar e a educação dos seus filhos. Além disso, na maioria dos casos, esposas de pessoas desaparecidas não podem ter acesso aos bens do marido nem têm direito a benefícios sociais, que as amparem na ausência do companheiro.
Segundo a pesquisa, muitas mulheres se veem obrigadas a declararem falecidos os parentes como única saída para receberem algum benefício social por parte do Poder Público. 
Socialmente, as mulheres podem, inclusive, sofrerem condenação por parte da própria família pelo desaparecimento do companheiro, deixando-a em situação de ostracismo por tratá-la como uma carga financeira.
Em culturas com o patriarcado mais forte, esposas de homens desaparecidos perdem o respeito e posição social, sendo estigmatizadas e marginalizadas. O temor de perderem a custódia dos próprios filhos também contribui para que essas mulheres aceitem a ajuda dos demais familiares, porém perdendo sua autonomia na organização e manutenção das necessidades cotidianas.
De acordo com o estudo, as mulheres que lidam com o desaparecimento na família sofrem de um mal chamado "perda ambígua", causado pela constante incerteza e pela tensão gerada pelo desaparecimento forçado.
 A ausência dos parentes coloca ainda as mulheres na linha de frente da busca por respostas, muitas vezes, à custa de riscos pessoais, como ameaças, sequestros e violência psicológica.
De acordo com Amrita Kapur, do ICTJ, compreender as necessidades concretas das mulheres ajuda governos e entidades a conceberem programas e criarem instituições que afrontem, eficazmente, as consequências de longa duração para as mulheres que lidam com casos de desaparecimento forçado. "Para facilitar o luto público e o processo de cicatrização de feridas, também são importantes as reparações simbólicas, que devem ser feitas depois de consultar familiares e comunidades, com a finalidade de impedirem a retraumatização e o rechaço do entorno", afirma Kapur.
Nesse sentido, ela recomenda, por exemplo, que, em monumentos a desaparecidos, se reconheça também o papel das mulheres como ativistas e defensoras da verdade e da justiça. Tal medida ajudaria a superar estereótipos que ainda as retratam como vítimas passivas.
Saiba mais
Nos últimos 35 anos, em mais de 80 países do mundo, desapareceram, de maneira forçada, dezenas de milhares de pessoas, em consequência de conflitos ou atos de repressão. 
O Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas foi o primeiro a reconhecer, internacionalmente, este direito, no ano de 1983, com referência ao Uruguai.
Juridicamente, esse status de desaparecido foi reconhecido, em 1988, pela Corte Interamericana de Direitos Humanos, com relação a um caso de desaparecimento forçado registrado em Honduras. A partir daí, a atuação dos governos diante dessa violação de direitos tem avançado no sentido de incluir a busca pela verdade, através de exumações, julgamentos, reparações e mudanças na legislação.
A Convenção Internacional para a Proteção de Todas as Pessoas contra os Desaparecimentos Forçados, de 2006, e ratificada pela Colômbia em 2012, consagra o direito dos familiares das vítimas a conhecer a verdade sobre seus parentes e obter reparações.

Fonte: diarioliberdade

O quanto somos PRETAS

A mulher negra na periferia da classe, 
igualdade e do direito
O Brasil tem 195,2 milhões de pessoas, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2011. A maioria são mulheres: 100 milhões. Delas, 50 milhões são negras, declaradas pretas ou pardas. Representamos metade do total nacional feminino. E desse mundaréu de números, fica a imaginação e a vontade de contabilizar as morenas claras, morenas escuras e moreninhas que ainda firmam o pé no processo de identidade racial.
Entre as mulheres negras (Nós), decisivas na busca do sustento familiar e inseguras na manutenção da autoestima, 39,8% estão em situação de pobreza, tornando este o grupo mais vulnerável da nossa sociedade. Em 2009, das 11 milhões de famílias incluídas no programa Bolsa Família, 61,3% dos beneficiários eram mulheres negras.
Das famílias que habitam domicílios urbanos em favelas, 26% são liderados por elas.
Das senzalas para as bordas do país. Nós, mulheres da periferia, somos majoritariamente pretas. Estamos na beira da beira dos direitos, lá onde a dor passa do singular para o plural e a força particular encontra a coletiva.
Contrariando o conceito de racismo velado, já que só não vê quem AINDA não quer, seguramos o peso do racismo na interconexão entre gênero, classe e raça, remetendo a mulher negra a um contexto de tripla exclusão. Violência carregada de estereótipos, preconceito e a persistência de um pensamento escravocrata. Dessa tríplice, nascem explicações para as pretas (e jovens) serem as principais vítimas do feminicídio em todas as regiões do Brasil e corresponderem a 61% dos óbitos.
No dia a dia, cresce a troca de motivação para libertar os cabelos da química e avançar pelo reconhecimento de nossa identidade. Ocupar territórios preparados para nos barrar. E lutar por igualdade, cuja disparidade se revela nas estatísticas. Dados do PNAD mostram que cerca de 6,5 milhões de mulheres exercem o trabalho doméstico remunerado no Brasil – instituído como profissão apenas da década de 1970. Destas, 61,6% são negras, pobres, com baixa escolaridade e a maioria sem formalização do vínculo trabalhista.
A emancipação da mulher negra precisa ultrapassar – entro outras tantas – a barreira de benefícios que a exploração do seu trabalho traz para as mulheres e homens brancos. De sinhá à patroa, essa atividade é desenvolvida há séculos e até hoje não tem amparo efetivo e igualitário, comparado com o regulamento das demais profissões. É o amor que ainda transborda em cuidados vendidos para os filhos e lar de outra e a despedida cedinho do que nasceu do próprio ventre e da casa que a espera tarde da noite.
Na base da sociedade, a mulher negra tem um rendimento médio de R$ 760,27, inferior ao do homem negro. A mulher branca (R$ 1.437,64) ocupa posição superior ao do homem negro, mas ainda não atinge o homem branco. Em termos de igualdade de gênero, estamos duas casas atrás no “jogo da vida”.  O ensino superior tem atingido apenas 10,9% das pretas. Nos cargos de direção das empresas privadas, apenas 9% tem liderança negra e feminina.
A mobilização por direitos essenciais como moradia, saúde e educação, fez com que o feminismo ganhasse uma vertente negra, para diferenciar o foco e os níveis de cada luta. O Feminismo negro nasce também da necessidade de liberdade e igualdade, mas ainda está muito arraigado na sobrevivência.
infográfico2-01No quilombo do Piolho, Mato Grosso, Tereza de Benguela resistiu e se tornou líder. A antiga Canindé, favela de São Paulo, foi traduzida por Carolina Maria de Jesus. Em Santos surgiu Laudelina de Campos Melo, a primeira mulher a criar uma associação para as “empregadas domésticas”. Nos cantos de Minas nasceu Lélia Gonzalez, inspiração para jovens adeptas do feminismo negro no Brasil. E ainda é aqui, na borda do morro, que Claudias são mortas, Elizabeths perdem Amarildos e Marias perdem Douglas.
Somos as netas da lavadeira, a filha da doméstica e a menina que aprende muito cedo a se virar sozinha, não contar com o pai ou seguir sem companheiros. Somos as mulheres que descendem de uma luta ancestral por liberdade, travada na África, senzalas, casarões, matas e quilombos. Somos quem aumenta a presença preta nas universidades, acima dos homens negros, mas ainda cerra os pulsos por espaço para o estudo e reflexão social e racial nesses ambientes.
Somos a maioria e poucas de Nós experimentam um cotidiano que seja físico e psicologicamente saudável. É preciso ainda reconhecer e combater a existência da exclusão social, do racismo e, a partir disso, criar políticas públicas para diminuir as estatísticas. E quanto mais luzes acenderem para a descoberta da identidade preta – um processo complexo, mas com fluidez – mais forte a luta fica.
Fonte : Nóss Mulheres da Periferia

Repressão da Ditadura Atingiu Diretamente Grupos Sociais, dizem pesquisadores

negros_ditaduraA repressão à comunidade LGBT e à população negra, as agressões sexuais contra mulheres militantes e o controle social das favelas no período da ditadura militar mostram que as restrições da liberdade foram além do confronto com a militância armada e alcançaram maior abrangência na sociedade.
A constatação é da presidenta da Comissão Estadual da Verdade do Rio de Janeiro, Rosa Cardoso, presente no  seminário Construindo a Verdade: Pesquisas sobre a ditadura de 64 no Rio de Janeiro, no Arquivo Nacional. Na oportunidade, pesquisadores apresentaram trabalhos sobre o assunto.
Segundo Rosa Cardoso, as pesquisas mostram que a resistência ao regime não foi apenas de pequenos grupos. “Isso é importante, para que não passe para a historia que houve uma ditabranda [ditadura branda] nesse país e que a resistência ficou confinada a determinados grupos. Na verdade, a ditadura foi muito mais abrangente, pois alcançou muito um conjunto maior da população”.
Mulheres militantes
Para a pesquisadora Natacha Nicaise, do Ibmec (Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais), a tortura contra mulheres militantes incluía sofrimentos adicionais. “Elas passavam por todo tipo de insulto que remete a mulher a um lugar que não é o da política. O torturador tinha a visão de que o lugar da mulher não era na política, era em casa”, afirmou. Nicaise narrou casos de estupro e agressões contra os seios e genitália.Quando grávidas, as mulheres presas por participar de grupos de esquerda passavam por abortos forçados nas prisões, em alguns casos, causados por agressões físicas contra a barriga e os órgãos reprodutores, para que “não nascesse um comunista”.A reprodução da mulher era vista como algo que pertence ao Estado”.
Apesar de haver mais relatos de violência sexual contra as mulheres, Natacha disse que os homens também sofreram o mesmo tipo de agressão, inclusive com casos de castração. “A tortura foi muito sexual. As pessoas eram eletrocutadas com fio no pênis e na vagina. Mulheres e homens eram estuprados”.
População negra
A pesquisadora Thula Reis, da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, disse que, além de agressões policiais contra negros pobres – como invasões em residências e prisões por serem flagrados sem documentação – houve também, na ditadura, um esforço para sufocar qualquer tentativa de afirmação racial.
“Ter um black power, usar determinada roupa ou determinado símbolo religioso em seu corpo e se afirmar como negro, era uma ousadia, em um lugar em que todos somos brasileiros”, disse. Também relatou casos em que os cabelos eram raspados pelos policiais, e símbolos e roupas eram apreendidos.
Segundo Thula, o Estado impedia a discussão do racismo, e associações do movimento negro tinham que se intitular “associações culturais” para poderem ter a licença para funcionar. O esforço de apagar o debate também gerava censura e controle de entidades como as escolas de samba.
Comunidade LGBT
Para o pesquisador da Universidade de São Paulo, Renan Quinalha, a perseguição política da ditadura identificou o início da mobilização de movimentos LGBT no Brasil como subversivo. “A repressão não era política em sentido estrito da esquerda armada, mas também tinha um recorte moral muito forte. Outras formas de sexualidade incomodavam muito a ditadura”, disse. A ditadura os associava à subversão comunista como uma tentativa de degenerar a família, os valores católicos e morais tradicionais, segundo o pesquisador.
Na censura, pareceres negativos expressavam claramente a proibição da “divulgação do homossexualismo” e a repressão atingiu os locais de sociabilidade dos homossexuais e transexuais no Rio de Janeiro, como o bairro de Copacabana.
Ali, batidas policiais em boates e prisões arbitrárias acabavam em agressões físicas, principalmente contra as travestis. “Pessoas transexuais sofriam muito com as batidas. Enquanto a censura e violências mais brandas se abatiam sobre os homossexuais, os transexuais acabavam mais afetados”.
O cenário de repressão, na visão de Quinalha, atrasou a mobilização LBGT no Brasil, que, no Rio de Janeiro, já ocorria em jornais voltados ao público homossexual masculino. Publicações da imprensa alternativa, como os jornais Snob e Lampião sofreram essa perseguição, e concursos de fantasia e festas da comunidade gay pararam de acontecer.
As dificuldades enfrentadas por homossexuais na época também existiam dentro dos grupos que lutavam contra a ditadura: “Havia muito tabu. Não era uma questão tranquila nem mesmo dentro dos grupos de esquerda”.
Favelas
Associações de moradores e organizações em favelas do Rio foram observadas de perto pelos serviços de inteligência da ditadura, segundo a pesquisa. Representantes eram enviados para produzir relatórios sobre reuniões e verificar a proximidade com outros movimentos sociais.
A pesquisa dos doutorandos da Universidade Federal Fluminense (UFF) Marco Pestana e Juliana Oakim mostra que houve intervenções quando a diretoria era considerada subversiva. “A associação da Rocinha ficou 10 anos sob intervenção”, conta Marco.
Pestana destacou que havia uma preocupação de que a população das favelas se aproximasse de grupos de esquerda e, por isso, havia um monitoramento constante. “O período anterior à ditadura é um período de grande efervescência de mobilização dos favelados, reivindicando melhorias urbanas, permanência nas suas casas e levantamento de terras griladas, colocando em xeque interesses poderosos”, descreveu o pesquisador. “Era preciso desarticular os laços que começavam a ser criados com sindicatos, entidades de trabalhadores rurais. O medo é que fosse constituída uma aliança entre diversos setores subalternizados”.
Fonte: Fladimir Herzorg/ EBC

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Modelo Thando Hopa Sul-africana é Albina Conta como Superou os Preconceitos


Reprodução
Desfilando as roupas de um conhecido estilista da África do Sul, a advogada e modelo sul-africana Thando Hopa, que é albina, é hoje uma referência para crianças vivendo com albinismo no país. Em depoimento, ela conta como superou o preconceito e discriminação sofridos na infância e "decidiu", um dia: "Vou ser estonteantemente linda".

“Desde muito pequena, meus pais se esforçaram para que eu não me sentisse diferente. Mas, infelizmente, quando fui à escola e fui apresentada à sociedade, crianças, em particular, agiam diferente em relação a mim. Me xingavam, não queriam tocar em mim”


Ainda criança, Thando ouviu diversas barbaridades — entre elas, que era “filha do Diabo” — e passou a se isolar cada vez mais de outras pessoas. Tentou parar de frequentar a escola, mas foi impedida por seus pais. Os dois, então, passaram a ter papeis fundamentais para que ela se aceitasse e conseguisse driblar o preconceito alheio.

"Nunca, jamais, imaginei desfilar em uma passarela. Eu queria ser advogada, achava que o mundo da moda era superficial e que só mulheres pouco inteligentes faziam esse tipo de atividade. Não queria ser associada a esse estilo de vida. Mas é muito fácil formar opiniões a respeito de uma carreira sobre a qual você não sabe absolutamente nada".

Thando então, resolveu deixar de lado qualquer julgamento alheio e passou a viver sua vida. Cresceu profissionalmente e conseguiu explorar sua beleza a ponto de se tornar modelo. 

Hoje, com carreira consolidada, virou referência contra o preconceito. Afirma que a atividade oferece uma plataforma para o trabalho de conscientização da população.


"Nosso slogan é A different shade of normal (em tradução livre, um tom diferente de normal). Ele permite que falemos sobre outras questões associadas ao albinismo. Coisas como [problemas de] pele e o nistagmo (movimentos oscilatórios e rotatóriosdos olhos) que afeta a maioria das pessoas com albinismo, e que me atrasou muito nos estudos".
Hopa conta que o retorno que recebe do público é muito positivo. Como o comentário a seguir, que ouviu de uma mãe: 
"Quando estou assistindo TV com minha filha pequena, digo a ela: 'Olha aquela moça, você está vendo só? Você pode ser como ela'."
"Me contam que me tornei uma referência positiva para seus filhos e que eu sou para eles uma prova de que podem superar suas circunstâncias", diz a modelo.
O albinismo – transtorno genético caracterizado por falta do pigmento melanina na pele, cabelos e olhos – é relativamente raro na maior parte do mundo. 
Estatisticamente, entre uma em 17 mil e uma em 20 mil pessoas são albinas. No entanto, índices do transtorno em algumas regiões africanas são bem mais altos. Segundo estimativas, uma em cada 4 mil pessoas na África do Sul seria albina e, na Nigéria, o índice seria de um albino em cada 5 mil habitantes. 
Na Tanzânia, porém, a incidência do transtorno seria bem mais alta. Segundo estudo publicado em 2006 pela revista científica BMC, uma em cada 1.400 pessoas no país seria albina. O cálculo foi feito com base em dados incompletos mas, se for correto, haveria na Tanzânia uma população de mais de 40 milhões de pessoas, cerca de 30 mil albinos.
Especialistas suspeitam que maiores índices de albinismo estejam associados a uma maior incidência de casamentos consanguíneos em uma população. 
Em vários países africanos, pessoas albinas tendem a ser discriminadas pela sociedade e até por suas próprias famílias. 
Casos de infanticídio de bebês albinos são comuns e muitas famílias deixam de enviar filhos albinos à escola por acreditarem que suas chances de conseguir emprego são mínimas. 
Na Tanzânia, onde muitos acreditam que partes de corpos de albinos tragam poder e sorte, pessoas com albinismo são mortas e seus corpos usados em rituais supersticiosos.
Fonte e  trechos  entrevista BBC

quinta-feira, 20 de agosto de 2015

7 Milhões de Mulheres ao Ano são Internadas com Complicações Pós-aborto

A pesquisa analisou apenas países em desenvolvimento, responsáveis por 98% das interrupções inseguras

É como se, ao longo de um ano, toda a população da cidade do Rio de Janeiro mais meio milhão de pessoas precisassem de tratamento médico para graves infecções, correndo risco de morte. O cenário aterrador é, grosso modo, apresentado por um estudo do Instituto Guttmacher, dos Estados Unidos, segundo o qual sete milhões de mulheres são atendidas anualmente em serviços de saúde de países em desenvolvimento devido a complicações geradas por abortos inseguros. A pesquisa usou dados de estatísticas oficiais dos setores público e privado e de estudos científicos de 26 nações da América Latina, da Ásia e da África.
— Esses países têm legislações sobre aborto muito diferentes entre si, mas nenhum deles tem leis muito liberais relacionadas ao tema. O que os une é o fato de serem países em desenvolvimento, e o aborto inseguro é um problema praticamente exclusivo dessa parte do mundo — diz a autora do estudo, Susheela Singh, vice-presidente para pesquisas do instituto.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), dos 22 milhões de abortos clandestinos realizados por ano no planeta, 98% acontecem nas nações em desenvolvimento. Além de causar a morte de quase 300 mil mulheres por ano — uma média de 800 por dia —, essa prática provoca um número ainda maior de internações hospitalares. Apenas no Paquistão, 622 mil mulheres foram internadas ao longo de um ano com alguma complicação pós-aborto ilegal. O país asiático encabeçou a lista de internações desse tipo, com um índice de 14,6 mulheres para cada mil.
— Paquistão e Bangladesh (8,7 internações a cada mil) me chamaram muita atenção pelos seus altos índices. Acredito que aspectos relacionados a cultura e religião explicam muito sobre eles. Nem todos os valores culturais e religiosos têm um papel positivo sobre a saúde, e temos que começar a pensar se as graves consequências disso valem a pena — argumenta Susheela. — Investir maciçamente em prevenção e mudar a maneira como esses países entendem a saúde reprodutiva é essencial para reduzir essas taxas.
BRASIL COM MENOR ÍNDICE
A escassez de informações oficiais e estudos sobre aborto inseguro em outras nações em desenvolvimento foram um entrave para a expansão da pesquisa do Instituto Guttmacher, que pretendia analisar mais países. Outro aspecto destacado pela autora é que somente parte do problema foi abordada, já que 40% das mulheres que precisam de atendimento médico depois de uma interrupção insegura da gravidez não procuram serviços de saúde, de acordo com a OMS. Considerando-se apenas a América Latina, essa estimativa cai para entre 20% e 25%.
O Brasil se destaca com a menor quantidade de internações pós-aborto. Embora o número absoluto de atendimentos médicos em um ano seja significativo (113.164), é baixo se considerado proporcionalmente ao total da população: 2,4 internações para cada mil mulheres. Para a pesquisadora que liderou o estudo, a explicação para o relativo bom índice brasileiro pode estar no fato de que a interrupção da gravidez está em pauta há mais tempo por aqui. No Brasil, o aborto é permitido só nos casos de violência sexual, anencefalia do feto ou risco de vida para a gestante. Desde 2010, não é necessário boletim policial para que a mulher que foi estuprada tenha direito ao atendimento no SUS.
— É apenas uma hipótese, mas creio que o sistema público de saúde do Brasil começou a lidar com o assunto antes da maioria dos países que analisei. Muitos só passaram a discutir isso na última década — diz a americana, que teve sua pesquisa publicada hoje na “BJOG”, uma revista internacional de obstetrícia e ginecologia.
A professora da UFF Hildete Pereira de Melo, entretanto, não acredita que o cenário tenha melhorado no Brasil nos últimos anos.
— Trabalhei com os primeiros dados produzidos aqui sobre o assunto. E, infelizmente, quando você vê os dados atuais, percebe que são basicamente os mesmos. Na década de 80, a curetagem pós-aborto era a terceira causa de morte materna, depois de cesariana e parto natural. Hoje, o ranking ainda é este — afirma ela, que foi a primeira estudiosa brasileira a pesquisar sobre aborto inseguro, ainda em 1981. — Comparando com outros países em desenvolvimento, podemos parecer bem, mas é preciso lembrar que estamos longe do ideal. A rede pública do Brasil é privilegiada em relação ao restante da América Latina, onde o sistema foi dilacerado. Nossa rede é ruim, mas é muito melhor do que não ter nada.
Segundo ela, no caso brasileiro, a média de internação por complicações depois de um aborto clandestino é de três dias:
— Isso representa um alto custo para o sistema de saúde.
A pesquisa de Susheela Singh endossa essa percepção. De acordo com ela, estima-se que US$ 232 milhões — o equivalente a cerca de R$ 810 milhões — são gastos todo ano pelo sistema de saúde de países em desenvolvimento para tratar mulheres nesses casos. As complicações pelas quais elas passam vão de hemorragias e infecções a profundas perfurações no útero e na vagina.
A socióloga Sonia Corrêa faz uma ressalva: a pesquisa traz um número de atendimentos pós-aborto no Brasil muito inferior ao esperado.
— O estudo não esclarece os parâmetros de exclusão de abortos espontâneos usados. Eu suspeito que essa exclusão, no caso do Brasil, tenha sido excessiva — acredita.
A médica Anna Christina Willensens, que participa da equipe que realiza abortos em casos legais no Hospital Fernando Magalhães, do Rio, também pondera que é difícil separar os números oficiais referentes aos abortos provocados e aos espontâneos. A autora da pesquisa americana alega que excluiu de sua análise as interrupções naturais, mas, segundo Anna Christina, pelo menos no Brasil, essa separação é complexa.
— Muitas dizem que o aborto foi espontâneo, quando não é verdade. O dado já sai errado do hospital. Elas mentem por vergonha ou medo de serem discriminadas. Acredito que isso aconteça na maioria dos países em desenvolvimento — diz ela. — O maior perigo nem são as clínicas de aborto clandestino, mas as pessoas que fazem o procedimento em fundo de quintal, sem saber nada de medicina. Esta semana, atendi uma paciente que pagou R$ 1.200 para uma pessoa fazer isso e acabou com uma grave infecção. Por sorte, não perdeu o útero.
Fonte: O GLOBO 

Crimes Xenofóbicos Aumentaram na Alemanha

Os crimes xenofóbicos aumentaram quase 40% no Leste da Alemanha em 2014, segundo números oficiais divulgados dia (18). Os dados, que dizem respeito tanto a ataques contra imigrantes como contra cidadãos alemães de origem estrangeira, mostram diferenças de atitude entre o Leste e o Oeste do país, reunificados há 25 anos. Embora a população do Leste da Alemanha represente apenas um quinto do total, quase metade dos crimes racistas (61 de 130) foram cometidos nessa região do território, segundo informações prestadas pelo Ministério do Interior a um deputado dos Verdes (partido de oposição). No ano anterior, 2013, foram registrados 43 crimes xenofóbicos no Leste. Ao longo do ano, a imprensa alemã noticiou vários casos de incêndio em casas ou abrigos para refugiados e, em julho, um campo de acolhimento da Cruz Vermelha instalado em Dresden (Leste) para abrigar 800 refugiados sírios foi igualmente atacado. A violência xenofóbica, especialmente no Leste, ficou também evidente com a popularidade do movimento anti-islâmico Pegida, criado em Dresden que no início do ano chegou a juntar 250 mil manifestantes. O aumento da violência racista ocorre em um momento em que a Alemanha, um dos principais países de abrigo de refugiados, prevê atingir em 2015 um recorde de 750 mil pedidos de asilo.
Fonte e texto EBC

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Quase mil casos de intolerância religiosa foram registrados no Rio em dois anos

BaianasAs denúncias envolvendo intolerância contra religiões afro-brasileiras totalizaram 71% do total dos casos registrados . Arquivo/Agência Brasil
Quase mil casos de intolerância religiosa foram registrados pelo Centro de Promoção da Liberdade Religiosa & Direitos Humanos (Ceplir), no estado do Rio de Janeiro, em dois anos e meio. Entre julho de 2012 e dezembro de 2014, foram registradas 948 queixas. As denúncias envolvendo intolerância contra religiões afro-brasileiras totalizaram 71% dos casos. Os dados estão em um relatório preliminar divulgado hoje (18) pela organização não governamental Comissão de Combate a Intolerância Religiosa (CCIR), em audiência pública na Assembleia Legislativa do estado (Alerj). Outro dado mostrado pelo relatório é que, de janeiro de 2011 a junho de 2015, o Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu 462 denúncias sobre discriminação religiosa. O documento também mostra que a intolerância religiosa virtual vem ganhando destaque nos registros das denúncias, o que demanda a atenção das autoridades para caracterizar juridicamente as situações apresentadas e definir as devidas punições aos infratores. Presente na audiência, o deputado estadual Átila Nunes (PSL) destacou a importância de se ter uma delegacia especializada no combate à intolerância, devido à grande dificuldade de registro dos casos de discriminação religiosa em delegacias policiais. "Quase todo mês temos flagrantes de perseguição religiosa. O que temos no Rio de Janeiro é quase um pequeno Estado Islâmico. Hoje, eu só acredito na força da lei através da criação de uma delegacia especializada para esses casos e na ação da Polícia Civil contra os fanáticos." Para o presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alerj, Marcelo Freixo (PSOL), os crimes de ódio precisam ser enfrentados e é preciso pensar em formas preventivas. Para ele, falta vontade política para combater esses crimes. "É importante que nos boletins de ocorrência tenham um espaço para deixar claro que o crime tenha alguma motivação de intolerância religiosa", acrescentou. Como forma de promover a paz, o respeito e o combate à intolerância religiosa, a comissão promoverá no Posto 6 da Praia de Copacabana a 8ª Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa, no dia 20 de setembro às 11h.
Fonte EBC

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Fórum Nacional de Instâncias de Mulheres de Partidos Políticos Debatem Reforma do Sistema Político

Por Mônica Aguiar

Representantes de 13 partidos políticos em nível nacional (DEM, PCdoB, PDT, PMDB, PPS, PRB, PSD, PSDB, PT, PTB, PV, SD e PSB),  reuniram no inicio deste mês com objetivo de debater  reforma do sistema político brasileiro e ampliação da participação feminina na política.
O evento foi disposto pela Secretaria de Articulação Institucional e Ações Temáticas (SAIAT) da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM/PR).  A ministra Eleonora Menicucci esteve  presente na reunião e  ressaltou a seriedade de todas na união de empenhos pela plataforma de “Mais Mulheres na Política”. 

O Fórum  aprovou  uma série de ações:  Nota de Apoio conclamando as senadoras e senadores a apoiarem a aprovação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC 98) que trata da reserva de vagas para as mulheres no parlamento.  A PEC deve ser votada hoje (18/08) no Senado. 

Neste momento requereram  agenda com a presidência da Câmara para colocar em votação – ainda em agosto, em alusão ao aniversário da Lei Maria da Penha - a proposta que cria o Fundo de Enfrentamento à Violência contra a Mulher (PLS 298/2013), que resultou dos trabalhos da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) em 2011/2012, e foi aprovado no Senado em março de 2014.  A declaração de apoio ao Projeto de Lei 112/2010, do Senado, que estende o poder econômico das mulheres quando define percentual mínimo de participação delas (40%), gradualmente, até 2016, nos conselhos de administração das empresas públicas e sociedades de economia mista, subsidiárias e controladas e demais empresas em que a União, direta ou indiretamente, detenha a maioria do capital social com direito a voto . Fórum cobrará da Justiça Eleitoral a regulamentação da lei que fixa em 5% o comprometimento dos gastos dos partidos com a formação política das mulheres

O que podemos observar: Em meio de tantas divergências e disputas  em curso,  mulheres de diversos  partidos,  com diferentes formação ideológica,   conseguem tratar de política com ética e lógica. Questões que para os homens ainda são denominadas como menores, são  na verdade cruciais na vida socioeconômica e política  das mulheres brasileiras.
Questões que se destacam na sociedade como a violência doméstica e que influencia na vida cotidiana das mulheres, de seus filhos e familiares, ocasionando transtornos que pode afetar diretamente o desenvolvimento social, ainda é objeto de muito debate.

 As mulheres hoje são maioria da população brasileira, mas estão em estado de sub-representação nos poderes legislativo e executivos. A participação das mulheres na Câmara federal é de 9% e, no Senado, de 10% do total. Uma realidade que cominam para uma série de injustiças, desigualdades e discriminações.  

No entanto, diante tantas afirmações apresentadas que as mulheres estão conquistando seu espaço, é preciso considerar que este tudo reafirmado, incide  devido as chamadas cotas e  políticas afirmativas e, transversais do  governo, mas pautadas e monitoradas principalmente por mulheres.

Mas este fato não ocorre com as  mulheres dentro dos  partidos políticos, que por sua fez,    prevalece  aos homens a presença nas lideranças, permanecendo como principais dirigentes, responsáveis pelas principais pastas e nas presidências. Estes homens nomeados governantes ou direções até mesmo de “capas”, ainda tendem acatar apenas como orientação a reserva de, no mínimo, 30% de mulheres nos registros de candidaturas.  Um erro, pois registro não acarreta resultados eleitorais suficientes para que equilibre minimamente as distorções sociais criadas,  mantidas por estes  homens.

 O Brasil esta em 120º lugar em um ranking da proporção de mulheres nos parlamentos. Um quadro que demostra um abismo existente entre mulheres e homens na vida política. Fator que se repete no mercado de trabalho, pois as mulheres e principalmente as mulheres negras, continuam recebendo menores salários, mesmo exercendo a mesma função.  Então não avançamos, pois se a maioria das mulheres que compõem a sociedade é também chefe de família, como garantir a sobrevivência destas famílias com tamanha desigualdade salarial existente? De qual desenvolvimento estamos falando? De qual fator econômico relevante?

Ponderar apenas as diferenças comportamentais entre homens e mulheres não  resolve as desigualdades existentes , de fato,  o exercício de alguns cargos e funções estratégicas são determinadas  por e para os  homens.   Já no processo denominado disputa política ou questões  morais  manifestam-se  dificuldades fomentadas pelos  homens de forma diferente e naturalizada, e se apresentam com total parcialidade  conforme cada situação.  

As etapas da 4ª Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres também foram citadas pel As conferências municipais começaram em junho e vão até 27 de setembro; a etapa estadual e distrital ocorre de 19 de outubro a 19 de dezembro; e a conferência nacional será de 15 a 18 de março de 2016 em Brasília.


Fonte informativa : SPM