terça-feira, 25 de julho de 2017

Nós. Mulheres Negras - 25 de julho. Dia de Luta

por Mônica Aguiar 
As mulheres negras são mais de 49% da população brasileira, e de maneira geral hoje sentem mais livres e a vontade para redefinir padrões de beleza e escolher com quem e como querem estabelecer suas relações conjugais, demonstrando mudanças de comportamento significativa na afirmação pessoal como ser humano dotado de direitos e não apenas deveres.

Na realidade, as mulheres partem da esfera doméstica às diferentes funções na sociedade. Mas as conquistas sociais têm sido alcançadas e assimiladas de formas diferentes e variam de acordo com a classe social, o grau de escolaridade e principalmente a cor. 
As mulheres negras em sua ampla maioria, ainda não conseguem acessar os avanços obtidos pelas conquistas das próprias mulheres no que diz respeito aos direitos reprodutivos, proteção contra a violência, igualdade de direitos, oportunidades e igualdade salariais, acessar as linhas de créditos, habitação, saúde, entre outros pontos importantes e que contribuem para autonomia de uma mulher.

Mas as mulheres negras mesmo com todas as dificuldades impostas de não conseguir acessar minimamente os avanços obtidos, não querem mais conviver com os valores patriarcais e eurocêntricos mantidos por setores anacrônicos dos homens, que ocupam cargos de poder,  prestígios pre-estabelecidos  e tem historicamente criado impedimento nos acessos aos direitos fundamentais e sociais.

 Este sistema econômico e político  mantém erguendo as chibatas da reafirmação  que homens sempre ocupam os espaços públicos e a mulher o privado. 

A mulher negra tem percebido que este modelo imposto que utiliza tantas estruturas publicas, serve para segregar e causam prejuízos na vida cotidiana, impedindo inclusive de ter perspectiva econômica no futuro.

As mulheres que ocupam espaço de poder político e de gestão pública estão sendo todos os dias agredidas, de forma naturalizada  nos principais meios de comunicação que também produzem cotidianamente imagem pejorativa na vida da mulher negra. 

As mulheres negras tem percebido e distinguido a violência sofrida, desde as agressões recheadas de estereótipos negativos, ao julgamento existente de achar uma afronta o desejo de ansiar a recomposição dos espaços de predominância masculina e branca, formatando um diálogo com denúncias para sociedade sobre a segregação social sofrida por todas as mulheres independente da cor. Esta movimentação é visível. 

Mas qualquer reação positiva das mulheres negras agitam as estruturas imaginárias dos que afiançam o espaçoso, rico e grande poderio no Brasil.

A prática naturalizada do racismo velado e institucionalizado, mantida por este setor anacrônico, contraria o exercício da democracia e da cidadania, vitimando cotidianamente as mulheres negras .
Quem detém o poder nesta atual conjuntura econômica, além de promover violações de tratados e acordos assinados e ratificados, não implementam politicas  públicas que asseguram a igualdade, equidade, a transversalidade e oportunidades. 
Estão retirando e impedindo o acesso de direitos conquistados e estabelecidos por leis.

A mulher negra é forte, guerreira, ao longo dos anos vem desenvolvendo estratégias para lidar com os problemas estruturais e ideológicos da jornada de trabalho, no lar e fora dele. 
O empenho, o sofrimento exacerbado que as mulheres negras têm passado em prol da sociedade ao longo de décadas, emerge características individuais que desejam e lutam por  um novo papel, outras possibilidades, produzindo uma nova forma de conviver com os homens, ao mesmo tempo rompendo com valores e com mazelas que as oprimem e segregam.
Estas mudanças de comportamentos, responsabilidades e conceitos, dialogam com a pauta das mulheres negras que se  organizam nos movimentos sociais e movimentos feministas. 

A mulher negra sempre foi paciente, sempre sonhou e lutou por caminhos novos, sempre enfrentou os desafios impostos, sempre manifestou com consciência sobre seu papel e a sua contribuição dada  na construção sócio econômica do Brasil.

 A mulher negra almeja a manutenção apenas de resultados positivos. Sempre estão reeditando as páginas da história a favor de todas e todos sem discriminação.

Eu acredito que estes grupos conservadores que detém concentrada em suas mãos a comunicação, a politica, a gestão pública e a economia, deverão em breve perceber este arranjo social que vem ocorrendo com as mulheres negras e façam leitura política dos fatores e criem estratégias de forma acompanhar tais mudanças em benefício da manutenção deles. 

Para nós mulheres negras, manteremos como sempre a paciência para lidar com os arranjos cotidianos dos racistas, mantendo a percepção que não se pode mais retroceder, prejudicando e exterminando as nossas futuras gerações.

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