quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Plano Setorial de Culturas Populares

Festa de Congado em Raposos II


A Secretaria da Identidade e da Diversidade Cultural do Ministério da Cultura (SID/MinC) disponibiliza a partir de hoje o download do Plano Setorial para Culturas Populares. O arquivo pode ser visto em iPaper (abaixo) ou baixado em formato PDF (para baixar o Adobe Reader). O arquivo em PDF tem 1,9 mb.
Plano Setorial para Culturas Populares – Link para Download (arquivo em PDF)

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

EU RECOMENDO

 


As desigualdades no nosso Brasil tem diminuindo à medida que pessoas com responsabilidade de combater o racismo e com a consciência do que ele representa como instrumento ideológico para dominação de um povo,  estão em pontos estratégicos do governo,  para desenvolver as políticas publicas  que tanto defendemos . 
Este olhar é fundamental,  pois programas sociais  passam  a ter  hoje um alcance muito grande.  As  próprias políticas universais,     tem  que universalizar o aceso e  muito,  já dá para sentir o seu sugimento  em locais que jamais foram abraçados  no Brasil. 
 Com certeza,  nosso Brasil esta crescendo.
Medidas determinantes,  como a assinatura da portaria que da reserva de vagas para afro descendentes no concurso de diplomata. A Lei 4887,  Lei 10639, o plano nacional de atenção a saúde a população negra. O  estatuto da igualdade racial. Mesmo  tendo seu conteúdo modificado em partes, não foi possível extraí-lo do processo sendo aprovado após longo 10 anos.  
Isto  significa reconhecimento. Isto significa mudanças de conceitos. Significa que esta sociedade esta evoluindo para todos tenham minimamente acesso aos bens sociais e matérias.
Programas que garantem minimamente a distribuição de renda fazem parte do nosso cotidiano. Maioria deste lares são chefiados por mulheres negras,  tendo mais de 3 filhos e com uma renda per capita de menos de 150 reais.
 Com certeza faz muita difença dentro destes lares.
Desburocratização de várias linhas  de créditos e financimentos , pagamento da dívida externa, dentre outros.  
Um conceito diferente de comandar.
Respeito a nossa língua, as nossas diversidades, ao nossos saberes e ancestralidades .  Este território negro Brasil  que cresce,  crescerá para que sejamos realmente  livres.
Obrigada Lula .
Agradeço a Oxalá por ter forças para fazer  parte de um Partido que esta reescrevendo a história da nação brasileira.

Mônica Aguiar

Concurso para diplomata terá cota para afrodescendentes na 1ª fase



Segundo o Itamaraty, a medida segue iniciativas voltadas à promoção de diversidade nos quadros do governo.

O ministro das Relações Exteriores Celso Amorim assinou nesta terça-feira uma portaria que institui reserva de vagas para candidatos afrodescendentes na primeira fase do concurso para admissão à carreira de diplomata, organizado pelo Instituto Rio Branco. Segundo o Itamaraty, a iniciativa está em "consonância com os dispositivos do Estatuto da Igualdade Racial (lei 12.288, de 20 de julho de 2010)" e soma-se ao Programa de Ação Afirmativa do Instituto Rio Branco, iniciado em 2002, que concede bolsas de estudo a candidatos afrodescendentes, com o objetivo de auxiliar na sua preparação para o exame de admissão ao Instituto.Até o momento, 198 candidatos afrodescendentes foram beneficiados pelas bolsas de estudo, dentre os quais 16 foram aprovados no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata, segundo nota divulgada pelo ministério.

foto : Monica Aguiar

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

ETA MINAS BOA SO.

Cidade de Raposos Festa da Congada 
    
MONTES CLAROS


      


POÇOS DE CALDAS
       Laudelina de Campos Mello
(1904-1991) - líder feminista brasileira nascida em Poços de Caldas.


UBERLANDIA  

            

ETA BRASIL BAO, UAI !

BAHIA


Prêmio Nacional de Fotografia Pierre VergerEstão abertas até 18 de março de 2011, as inscrições para a quarta edição do Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger, um dos maiores concursos para trabalhos fotográficos do país.

Promovido pela Funceb, unidade da Secult, o prêmio visa incentivar, divulgar e valorizar a produção fotográfica brasileira.

A premiação é dada a um conjunto de trabalhos de temática e técnica livres de fotógrafos que morem no Brasil.

Além de condecoração, no valor de R$30 mil, o selecionado receberá apoio financeiro para a realização de uma exposição individual em Salvador, e para a publicação de um catálogo com o ensaio, num investimento total de R$60 mil, concedidos pela
Funceb/Secult
.

O edital e seus anexos estão no site
www.funceb.ba.gov.br


Recebido de SEPROMI - Resumo Diário 28/12/2010





MINAS GERAIS

Festa de São Sebastião acontece em janeiro

OSCAR ROCHA
Na 61ª edição, a Festa de São Sebastião, que acontece na Paróquia São Sebastião – Rua Minas Gerais 549 (Bairro Monte Carlo) realiza uma série de atividades religiosas e sociais. O evento iniciará  no dia 11 de janeiro de 2011,  com procissão, às 18h30min. Depois haverá novena, missa, além de quermesse.
 
A programação prossegue até 20 de janeiro. Uma das iniciativas importantes da festa será  a peregrinação de imagem do padroeiro por pontos diferentes de Campo Grande –  Comando da Base Aérea, Comando Militar do Oeste-CMO, Ciaptran, Prefeitura, Comando Geral do Corpo de Bombeiros Militar, Clube Estoril, entre outros.

No dia 20, Dia de São Sebastião, haverá, às 6h,  alvorada festiva. Ao longo do dia, acontecerão  missas, procissão pelas ruas do bairro da paróquia e quermesse. Informações pelos telefones 3317 4863 e 9985 1819.  


  • Almoço comunitário reuni 6.000

Almoço comunitário marcou  sábado,  no Parque São Bernardo, em São Bernardo.
A expectativa foi reunir até 6.000 pessoas. Meia tonelada de mantimentos e 1.300 brinquedos já foram doados por colaboradores.
No cardápio consta arroz, feijão, macarronada, carne, salada, bolo e refrigerante. Benedito da Silva Lemes, mais conhecido como Ditinho da Congada, é um dos coordenadores da ação social que há 11 anos traz alegria a milhares de pessoas no dia de Natal.
No ano passado, o evento atraiu 5.000 pessoas. O ato envolve o trabalho de 70 pessoas que ajudaram na arrecadação dos alimentos e servir as refeições.
O coordenador do evento diferencia os motivo de realizar a reunião. "Não é um almoço para pessoas carentes. É um almoço comunitário. Não temos cadastro de ninguém. Quem quiser comparecer é só chegar no horário, e ninguém precisa comprovar renda. É uma dívida que temos com a sociedade.
Se cada um de nós pensar em fazer alguma coisa, com certeza nos tornaremos um País mais igualitário", explicou.
Dona Cotinha, 84 anos, mãe de Ditinho, é quem coordena o trabalho de cinco pessoas na cozinha.
Ao todo, 40 membros da família participam do evento.
Orgulhoso com o reconhecimento a cada ano, Ditinho planeja expandir a iniciativa até sua cidade de origem, Cordislândia, no Sul de Minas Gerais. O objetivo para os próximos anos é continuar com a ação em São Bernardo e realizar o almoço em sua cidade natal no primeiro dia do ano.

 Montes Claros

FSM- PRORROGADAS INSCRIÇÕES



 As inscriçoes de organizações e atividades autogestionadas  para participar do Forum Social Mundial na Afrika foram prorrogadas.


Para 9 de janeiro de 2011.

O Comitê Organizador do FSM 2011, desenvolveu uma ferramenta de registro que já está funcionando  para inscrições de organizações individuais, participantes e delegados, as atividades e também os pedidos de perda para a próxima edição do Fórum. 

A programação geral está organizada da seguinte maneira:
1º dia (6/02/2011): Marcha de Abertura
2º dia (7/02/2011): Dia da África e da Diáspora
3º dia (8/02/2011): Atividades autogestionadas
4º dia (9/02/2011): Atividades autogestionadas
5º dia (10/02/2011): Assembleias de Convergência
6º dia (11/02/2011): Assembleias de Convergência /Assembleias das Assembleias.

Mais  detalhes:
 Secretaria : secretariat@wsf2011.org / secretariatcomiteforumdakar@yahoo.fr
Inscrições: enregistrement@wsf2011.org
Atvidades expandidas: dakaretendu2011@wsf2011.org
Voluntários: volontairiat@wsf2011.org
Logística: logisitque@wsf2011.org
Webmaster: webmaster@wsf2011.org


Monica Aguiar

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Homens pobres e negros são as principais vítimas de agressão física no país

Rapazes pobres e negros (pretos e pardos, segundo critérios estatísticos) são as principais vítimas de agressão física no país, constatou pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), realizada com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2009.
O suplemento divulgado no ultimo dia 15/12/10,   revela que 2,5 milhões de pessoas com 10 anos ou mais de idade foram vítimas de agressão física no país, o equivalente a 1,6% da população brasileira. A maior parte das vítimas é homem (56,4%) entre 16 e 14 anos. Nessa faixa de idade, 2,2% da população sofreram uma agressão. Entre 25 e 34 anos, 2% também passou por essa situação.
Segundo a pesquisa, as agressões estavam ligadas à cor de pele. Do total de 6,9% de pretos na população brasileira, 14% disseram ter sido vítimas de violência. Dentre os pardos, que representam 44,16% da população, 12,1% foram vitimizados. Dos brancos, 11,9% passaram por essa situação, sendo que esses representam 48,22% da população.
"Isso não é uma coincidência. É racismo", disse uma das coordenadoras da organização não governamental Criola Jurema Werneck sobre os dados. "Esses jovens estão em situação de vulnerabilidade porque suas mães, seus pais e os outros negros estão ali. Porque as condições de direito e cidadania nunca foi estendidas até eles", avaliou.
A condição de vulnerabilidade dos jovens negros também reflete o rendimento per capita dos domicílios. O levantamento constatou que o percentual de pessoas agredidas crescia em direção oposta à renda. Enquanto 2,2% dos agredidos estavam na menor classe de renda (recebendo um quarto do salário mínimo), nas classes com rendimentos superiores ao salário, estava 1%.
Acima da média nacional, as regiões Norte e Nordeste registraram um percentual maior de vítimas, 1,9% e 1,8%, respectivamente. Nessas localidades, a proporção de homens vítimas de violência foi de 2,4% e de 2,2%. Por outro lado, nas regiões Sul e Sudeste onde menos pessoas sofrem agressões (1,4%), os homens vitimizados eram 1,8% e 1,5% da população.
Do total de entrevistados pelo IBGE, entre setembro de 2008 e setembro de 2009, a maioria dos agressores são desconhecidos das vítimas (39% dos casos). O número de algozes conhecidos, porém, é de 36,2%. Em 12,2% dos casos, os cônjuges foram citados, seguidos dos parentes (8,1%), policiais ou seguranças particulares (4,5%).

Escrito por: Agência Brasil

Negra Mulher/ Mulher Negra

NEGRA MULHER / Mulher  Negra 

Trabalhamos  com roupas e acessórios para mulheres que querem estar na moda  sem perder sua identidade!!!











domingo, 26 de dezembro de 2010

Selo Quilombola

O Selo Quilombola é um certificado de origem, que visa atribuir identidade cultural aos produtos de procedência quilombola...

O Selo Quilombola é um certificado de origem, que visa atribuir identidade cultural aos produtos de procedência quilombola, a partir do resgate histórico dos modos de produção e da relação das comunidades com determinada atividade produtiva na perspectiva de agregar valor étnico aos produtos, contribuindo para a promoção da auto-sustentabilidade dos empreendimentos quilombolas no Brasil. É uma iniciativa articulada e coordenada pela Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR), apoiada por diversos parceiros.
O Selo Quilombola será concedido pela SEPPIR, aos núcleos de produção, membros das associações, cooperativas e a pessoas jurídicas que possuam gestão de empreendimentos nos territórios quilombolas., com comunidades certificadas pela Fundação Cultural Palmares. Para autorização de uso do Selo Quilombola, o solicitante deverá comprovar que o produto tem em sua constituição a utilização dos saberes étnico-culturais, o uso da matéria-prima local e práticas de produção sócio-econômicas ambientalmente sustentáveis.
Veja a íntegra da Portaria do Selo Quilombola, publicada no DOU de 15/04/2010.
Saiba como solicitar o Selo Quilombola. Instrumentos.
 

Quilombos no Brasil

      No imaginário popular é muito comum a associação dos quilombos a algo restrito ao passado, que teria desaparecido do país com o fim da escravidão. Mas a verdade é que as chamadas comunidades remanescentes de quilombos existem em praticamente todos os estados brasileiros. Levantamento da Fundação Cultural Palmares, do Ministério da Cultura, mapeou 3.524 dessas comunidades. De acordo com outras fontes, o número total de comunidades remanescentes de quilombos pode chegar a cinco mil.

Tradicionalmente, os quilombos eram das regiões de grande concentração de escravos, afastados dos centros urbanos e em locais de difícil acesso. Embrenhados nas matas, selvas ou montanhas, esses núcleos se transformaram em aldeias, dedicando-se à economia de subsistência e às vezes ao comércio, alguns tendo mesmo prosperado. No entanto, devido justamente ao seu isolamento, existe uma grande dificuldade em se obter informações precisas e tornar amplo o conhecimento da população sobre as comunidades remanescentes de quilombos. Esse isolamento fazia parte de uma estratégia que garantiu a sobrevivência de grupos organizados com tradições e relações territoriais próprias, formando, em suas especificidades, uma identidade étnica e cultural que deve ser respeitada e preservada.

O mais emblemático dos quilombos formados no período colonial foi o Quilombo dos Palmares, que localizava-se na serra da Barriga, região hoje pertencente ao estado de Alagoas. Palmares resistiu por mais de um século, e o seu mito transformou-se em moderno símbolo brasileiro da resistência do africano à escravatura.

Conquistas – No período de redemocratização do Brasil, o Movimento Negro e lideranças das comunidades remanescentes de quilombos intensificaram a busca por direitos de cidadania. Envolvidos no processo de elaboração da Constituição Federal de 1988, asseguraram o direito à preservação de sua cultura e identidade, bem como o direito à titulação das terras ocupadas por gerações e gerações de homens e mulheres, que se contrapuseram ao regime escravocrata e constituíram um novo modelo de sociedade e de relação social.

Ao longo dessas duas últimas décadas, as conquistas das comunidades remanescentes de quilombos expandiram-se também para o cenário internacional. A Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho, da qual o Brasil é signatário, assegura aos grupos e comunidades tradicionais o direito de se autodefinirem. Em 20 de novembro 2003, o decreto 4.887 regulamentou o procedimento de identificação, reconhecimento, delimitação, demarcação e titulação das terras ocupadas pelos quilombolas.

Em março de 2004 o Governo Federal criou o programa Brasil Quilombola, como uma política de Estado para essas comunidades, abrangendo um conjunto de ações integradas entre diversos órgãos governamentais. O direito à terra e ao desenvolvimento econômico e social passaram a ser reais e assumidos como prioridade governamental. Todas estas ações são coordenadas pela SEPPIR, por meio da Subsecretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais.

Entre as mudanças constatadas desde então, estão os efeitos positivos de inúmeros projetos e ações do Governo Federal para infra-estrutura e instalação de equipamentos sociais das comunidades; desenvolvimento econômico e social, com vistas à sustentabilidade ambiental, social, cultural, econômica e política dos quilombolas; e fomento ao controle e à participação social dos representantes quilombolas em diferentes esferas de proposição e formulação de políticas públicas.

A garantia do acesso à terra, relacionada à identidade étnica como condição essencial para a preservação dessas comunidades, tornou-se uma forma de compensar a injustiça histórica cometida contra a população negra no Brasil, aliando dignidade social à preservação do patrimônio material e imaterial brasileiro. Alterar as condições de vida nas comunidades remanescentes de quilombos por meio da regularização da posse da terra, do estímulo ao desenvolvimento sustentável e o apoio as suas associações representativas são objetivos estratégicos.


Comunidade Quilombola Brejo dos Crioulos em Montes Claros Minas Gerais

texto - SEPPIR
Fotos Mônica Aguiar

DEPOIMENTO DE LULA SOBRE O ESTATUTO DA IGUALDADE RACIAL

http://www.youtube.com/watch_popup?v=J9BtHmONXiQ&vq=medium#t=114

FONTE : http://www.portaldaigualdade.gov.br/estatuto-da-igualdade-racial

TRABALHO, RENDA E ESCOLARIDADE

 por Monica Aguiar


A implementações dos programas e  políticas sociais hoje agregados ao reconhecimento das especificidades, o Brasil tem em várias regiões principalmente nas mais pobres  conseguido a tão sonhada redução da miséria, da pobreza e do desemprego.

De acordo com o Ipea e do IBGE (Estado, 12/10) entre agosto de 2004 e agosto último a taxa de desemprego dos 20% mais pobres da população (renda per capita domiciliar abaixo de R$ 203,3 mensais) aumentou de 20,7% para 26,27%. No mesmo período, a desocupação dos 20% de renda maior (acima de R$ 812,3 mensais) caiu de 4,04% para 1,4% - ou seja, caiu 67,9%. E as causas são claras, segundo Márcio Pochmann, do Ipea: dificuldades relacionadas com baixa escolaridade, num momento em que "a competição é por trabalhadores qualificados".

Porém o quadro de relação trabalho e escola é alarmante e continua longe da promoção das chamadas reparações . Dos 41,8%  desempregados mais pobres, frequentaram  11 anos ou mais de escola, enquanto 86,1% dos ricos têm esse nível mais alto de escolaridade.

A situação se torna mais grave quando analisamos os grupos etnicos raciais, dos 76,7% dos desempregados, os  mais pobres são negros.

Tudo faz parte do mesmo quadro: nos últimos seis anos o número total de desempregados nas regiões metropolitanas caiu de 2,42 milhões para 1,6 milhão, mas o número de desempregados de baixa renda aumentou de 652,1 mil para 667,7 mil. Os 20% mais pobres são 41,72% dos desempregados nas seis regiões, enquanto os 20% mais ricos somam apenas 5,19%.

O quadro fica bem preocupante quando observam se as faixas de idade. A taxa de crescimento de empregos formais no País foi de 4,5% no ano passado; mas entre jovens de 18 a 24 anos foi de apenas 2,6%; e na faixa de 16 a 17 anos, somente 1,5% (Folha de S.Paulo, 6/8). Tudo isso agrava o quadro que mostra (Estado, 12/8) uma taxa de desemprego de 17% entre jovens, embora haja outras fontes que cheguem a indicar mais de 50% na faixa dos 15 aos 24 anos.

Com relação as mulheres ouve um avanço significativo no mercado de trabalho, mais não é a realidade das mulheres negras, que ainda ocupam cargos de pequenas relevâncias mesmo com qualificação técnica ou acadêmica . Em sua maioria sem qualifcação e baixa escolaridade tem função servil. 

Depedendo da acupação exercida chegam a ganhar até 50% menos que demais grupos etnicos.

É inevitável a lembrança das estatísticas do IBGE sobre a violência no País, apontando que jovens de 15 a 24 anos respondem por um quarto das mortes anuais no Brasil (27 mil de 106 mil) por "causas eternas" (homicídios, suicídios, acidentes do trabalho). E os homicídios respondem por 67,5% desse total. São muitos os especialistas que têm relacionado o desemprego nessa faixa com a violência. Se o jovem for negro - seu risco de morte violenta é 130% mais alto. Em 2009, 32,8% dos jovens entre 18 e 24 anos abandonaram os estudos antes de completada a terceira série do ensino médio. O Desempenho não é homogêneo entre as raças.

Os jovens negros em todos os  anos da série e para todos os segmentos, níveis de desempenho inferiores aos jovens brancos.

A falta de qualificação, falta de investimento do poder público estadual em escola pública com qualidade e com profissionais capacitados, eleva consideravelmente o desemprego nos setores de menor renda.

Mas o quadro permanece difícil mesmo quando as crianças da classe baixa , conseguem chegar à escola. As taxas de evasão são muito altas, até na universidade, pois é bem grande o número de jovens que são arrimo de famílias. E o número de mulheres negras que são chefes de familia com a percapita muito baixa é alto.

As diferenças de anos de estudos existente entre a população negra e a branca, reflete hoje na falta de profissionais qualificados para a demanda do mercado de trabalho técnico.

As reparações dos danos causados pela escravidão  não é ultopia de um grupo político ou das organizações sociais, é sim a política mais urgente para um pais que caminha para o crescimento com interferência na econômia mundial.

Brasil financia fábrica de medicamentos para combater a Aids na África

-
A fábrica de medicamentos antirretrovirais que o Brasil está financiando em Moçambique vai ajudar os países africanos a combater a Aids. Em implantação, a fábrica até o final de 2011 deverá estar produzindo 250 milhões de comprimidos ao ano. Foi o que adiantou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira, - 01/12/2010 - Dia Mundial de Combate à Aids, acrescentando que os equipamentos já foram comprados e o Brasil vai colaborar, também, no treinamento dos funcionários. A unidade custará US$ 21 milhões.

“O combate à Aids é, ao lado do combate à fome e à miséria, a solução para o nascimento de uma nova África”, apontou Lula. O ministro José Gomes Temporão, da Saúde, declarou que “ao invés de doar alimentos, como fazem os países ricos, estamos ensinando a produzir genéricos”.

60 mil mortes por ano
Hoje, 80% dos recursos financeiros para a aquisição de medicamentos em Moçambique vem de países doadores. Com a fábrica, Moçambique vai adquirir conhecimento da tecnologia na produção pública de medicamentos, reduzindo sua dependência e ampliando a autonomia no setor. Moçambique é um dos dez países do mundo mais afetados pela doença. A Aids provoca 60 mil mortes por ano. O país tem índice de prevalência de 11,5% entre homens e mulheres de 15 a 49 anos de idade. No meio rural, o percentual cai para 9,5%. Mas, nas cidades, chega a 15,9%. No Brasil, por exemplo, o índice é de 0,5%. Hoje, a África tem mais de 22,5 milhões de pessoas contaminadas pelo HIV.

255 mil não sabemNo Brasil, existem atualmente 630 mil infectados e, entre eles, cerca de 255 mil não sabem que são portadores da doença. Por isso, o número de testes de HIV distribuídos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) cresce ano a ano. A distribuição de testes quase triplicou passando de 3,3 milhões em 2005 para 8,9 milhões em 2009.

Outra iniciativa que pode facilitar o diagnóstico, foi lançada pelo Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos da Fiocruz, também nesta quarta-feira. O novo teste brasileiro, que passará a ser utilizado já em 2011, apresenta o resultado em 25 minutos, enquanto o tradicional leva quase um mês, e têm custo cinco vezes menor para o governo federal.

Falha na prevenção
Entre os desafios do combate à Aids no Brasil, está o atraso no diagnóstico e as falhas na prevenção. Pesquisa do Ministério da Saúde atesta que, entre os jovens, 39% não usam camisinha nas relações sexuais, apesar de reconhecerem que essa é a melhor forma de prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Por isso, o governo federal pretende focar – com a nova campanha agora lançada contra o preconceito diante da doença — nos jovens de 15 a 24 anos. Quer alertá-los para os riscos da infecção. É a faixa etária com o maior número de parceiros casuais.

O “Dia Mundial de Luta contra a Aids” foi instituído como forma de despertar a necessidade de prevenção, de promoção do entendimento sobre a pandemia e de incentivar a análise sobre a doença pela sociedade e órgãos públicos. No Brasil, a data começou a ser comemorada no fim dos anos 1980.

Fonte: Brasília Confidencial
-

“Diásporas Africanas na América do Sul: Uma Ponte sobre o Atlântico”

 A Exposição fruto de trabalho conjunto do fotógrafo Januário Garcia e do antropólogo Júlio Cesar de Souza Tavares – que estão no Senegal, participando do III Festival Mundial de Artes Negras - foi convidada para permanecer em Dacar para o Fórum Social Mundial 2011: Um Outro Mundo é Possível. O Fórum Social Mundial 2011 acontecerá entre 6 e 11 de fevereiro, em Dacar (Senegal), no campus da Universidade Cheikh Anta Diop. Vale ressaltar que as inscrições de organizações e atividades foram prorrogadas até o dia 9 de janeiro de 2011. A página do FSM 2011, em PT está em site multilíngue, clicando no campo superior à direita. Diásporas africanas na América do SulOrganizações do movimento social brasileiro, particularmente do movimento negro, preparam-se para participar - localmente ou a distância - da edição 2011 do Fórum Social Mundial, em construção no Senegal, África. Num contexto de debate sobre alternativas aos modelos de dominação no planeta, e de aprofundar a aliança sul-sul, chama a atenção a exposição
“Diásporas Africanas na América do Sul:
Uma Ponte sobre o Atlântico”.Fotos, filmes e debates mostram particularidades dos afrodescendentes no Brasil, Argentina, Uruguai, Peru, Colômbia, Venezuela e Suriname. Fruto de um trabalho conjunto do fotógrafo Januário Garcia e do antropólogo Júlio Cesar de Souza Tavares, professor da Universidade Federal Fluminense, esteve no SESC Tijuca, até o dia 23 de outubro 2010....

Extraído de FSM 2011

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

ORAÇÃO


Iemanjá, derramai vossos poderosos fluídos sobre todos nós. Que vossa misericórdia continue a se estender sobre todos os reinos. Que os fracos sejam protegidos pelos vossos braços e que os humildes sejam enaltecidos pelo ruído do mar. Que os movimentos das ondas transmitam muita paz e amor. Que os orgulhosos percam a arrogância e sintam como é bom ser bom, porque a maldade só nos torna pequenos perante o vosso reino, Senhora. Que os doentes recebam de vós, minha Santa Rainha, a cura para todos os males, através das emanações e de vossas vibrações e que nós sejamos purificados em vossas sagradas águas. Que a força do vosso reino seja para nós um escudo contra as más influências dos seres inferiores, pois ainda somos crianças no reino em que vivemos e mal o conhecemos. Que o vosso sagrado manto agasalhe todos os necessitados e traga o vosso calor de Santa Mãe, que vós sois. Senhora, tende piedade de tantos que, como eu, vos invocamos neste momento sublime. Atendei-nos em nossos pedidos. Senhora Rainha do Mar e para tanto deixamos nossas suplicas na sétima onda do vosso mar. Assim seja’.

 

Petrobras lança edital para novo concurso público nacional

O edital do concurso foi lançado no último dia 17.
As vagas são para nível medio e superior

21/12/2010 - 08:07
A Petróleo Brasileiro S.A(Petrobras) divulgou na última sexta-feira(17),edital de concurso para provimento de 838 vagas além de cadastro reserva. Os candidatos devem se inscrever no site da Fundação Cesgranrio no período de 10 a 27/01/2011. A taxa de inscrição para os cargos de nível médio é de R$ 30,00. Já para nível superior, R$ 45,00.

As vagas para o nível médio estão divididas nas áreas de técnico de administração e controle, técnico de contabilidade, técnico de segurança, técnico químico de petróleo júnior, entre outros. Para o nível superior, as vagas estão distribuidas entre as áreas de administração, enfermagem, medicina, química, ciências contábeis, engenharias, geologia e comunicação social.

A remuneração mínima inicial varia de R$ 1.801,37 a R$ 6.217,19. Além do salário, a Petrobras oferece benefícios como previdência complementar (opcional), plano de saúde (médico, hospitalar, odontológico, psicológico e benefício farmácia) e benefícios educacionais para dependentes.

As provas objetivas serão realizadas nas cidades de Aracaju/SE, Belém/PA, Belo Horizonte/MG, Brasília/DF, Campinas/SP, Curitiba/PR, Florianópolis/SC, Fortaleza/CE, Goiânia/GO, João Pessoa/PB, Macaé/RJ, Maceió/AL, Manaus/AM, Mauá/SP, Natal/RN, Porto Alegre/RS, Recife/PE, Rio de Janeiro/RJ, Salvador/BA, Santos/SP, São José dos Campos/SP, São Luís/MA, São Mateus do Sul/PR, São Paulo/SP, Três Lagoas/MS e Vitória/ES, na data provável de 27 de fevereiro de 2011.

fonte:
Infonet.com.br


SEPPIR assina acordo de Plano de Trabalho do Sistema de Gerenciamento de Ouvidores com governo do estado da Bahia


De 20 a 24 de dezembro , os técnicos do governo do estado da Bahia darão início à implantação do Plano de Trabalho do Sistema de Gerenciamento de Ouvidorias Públicas na Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR).
O acordo firmado entre a SEPPIR e o governo da Bahia, tem como objetivo a articulação, integração e intercâmbio de cooperação, por meio do licenciamento de uso do software do Sistema de Ouvidoria e Gestão Pública (TAG).
O sistema ampliará as possibilidades de acesso dos interessados à Ouvidoria da SEPPIR, que tem como função básica receber denúncias de racismo e discriminação racial e encaminhá-las aos órgãos responsáveis nas esferas federal, estaduais e municipais.

Por Comunicação Social da SEPPIR / PR

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

AFRIKA


Esta matéria e direcionada principalmente aos nossos jovens estudantes.
Uma vez por semana estarei aqui publicando uma história sobre AFRIKA, com Sites e blogs que poderam  também ajudar nas pesquisas
 Um pouco de informação e imagem .
Hoje falaremos sobre

  • Continente Africano

O continente africano é amplamente conhecido pelas suas belezas naturais.
Neste  imenso continente existe  uma enorme diversidade física e sócio-econômica, o contraste da pobreza e riqueza também é muito visível por toda sua extensão continental, sendo caracterizado principalmente pelas péssimas condições de vida em muitos países. O termo “berço da humanidade” é dado em razão da África abrigar uma das civilizações mais antigas e intrigantes do globo, os egípcios, que formaram um poderoso “império” a 4 mil anos atrás. Portanto, toda essa riqueza cultural e natural existente no continente, torna a África um espaço muito particular.
Ao visualizar um mapa da África, pode-se ver que dividir o mesmo por regiões a partir da sua localização espacial nos sentidos Norte, Sul, Leste e Oeste é bem possível. Dessa forma, classifica-se o continente em cinco regiões distintas quanto a sua posição geográfica: Norte da África, Oeste da África, África Central, Leste da África e Sul da África.
Norte da África: como o próprio nome já diz, é a área situada ao norte do continente e que vem a ser banhado pelo Mar Mediterrâneo, em sua maioria, fazendo parte desta região cinco países. Também não se pode esquecer que ao sul desta região se encontra o deserto do Saara.
Oeste da África: é uma região muito confusa do ponto de vista político. São quinze nações que dividem um espaço caracterizado por áreas desérticas (Saara, ao norte) e florestas tropicais. Em sua economia local, a exploração de petróleo destaca-se com uma atividade bem atraente para os países.
África Central: caracterizada pelos inúmeros conflitos da década de 90 que marcaram profundamente a região, a África Central ficou conhecida no mundo pelos conflitos no Zaire que o transformaram em República Democrática do Congo. Oito países fazem parte desta região, destacada por grandes florestas tropicais em razão de estar na latitude 0 do globo.
Leste da África: também conhecida como “Chifre da África”, por sua forma física do extremo leste africano, é uma área bem diversificada por ter países bem estruturados e urbanizados, como é o caso do Quênia, e em contraponto a isto, existe à Somália e Etiópia, nações mergulhadas em problemas gerados pelas suas guerras civis. Nesta região encontram-se dez países bem distintos, tantos nos aspectos físicos como humanos. É na divisa entre Uganda, Tanzânia e Quênia que existe o lago Vitória, que é considerado a nascente do rio Nilo.
Sul da África: o extremo sul africano é representado pelas diferenças existente ente os onze países no campo sócio-econômico, principalmente, pois o contraste entre a África do Sul, nação bem desenvolvida, se comparada aos outros países africanos, em relação aos demais é visivelmente percebido. Este país exerce um poder centralizador  nesta região, onde a economia é seu ponto forte. Observa-se também uma diversidade natural neste espaço, em razão de possuir grandes vales férteis e vastos desertos como o Kalahari, sendo no delta do Okavango (Botsuana) acontece uma das maiores e mais impressionantes migrações do mundo, a dos gnus.

Divisão Física (localização) da África 
Norte da África -  Argélia, Egito, Líbia, Marrocos, Saara Ocidental e Tunísia.
Oeste da África  -  Benin, Burkina Faso, Cabo Verde, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné-Bissau, Libéria, Mali, Mauritânia, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo
África Central - Camarões, Congo, Gabão, Guiné Equatorial, República Centro-Africana, República Democrática do Congo, São Tomé e Príncipe e Chade
Leste da África - Burundi, Dijbuti, Eritréia, Etiópia, Quênia, Ruanda, Somália, Sudão, Tanzânia e Uganda.
Sul da África - África do Sul, Angola, Botsuana, Lesoto, Madagascar, Malauí, Moçambique, Namíbia, Suazilândia, Zâmbia e Zimbábue

 




Canto do Fórum de Santarém. Um relato do V Fórum Social Pan-Amazônico

 
Anoitece em Santarém. Por suas ruas ainda quentes se deslocam mais de três mil pessoas num murmúrio de passos, vozes e cantos. Olhando-se de perto é possível ver as muitas faces desta gente que marcha. São negras, indígenas, mestiças. Uma amostra dos mil povos que vivem nesta terra que tem nome de cunhã: Amazonia. Na beira do belo Tapajós, as mulheres pediram as graças da Iara, de Oxum, Nanã, das Icamiabas e prometeram lutar sem descanso por uma vida melhor. Os guerreiros presentes ecoaram estes desejos. O V Fórum Social Panamazonico tinha começado.
O Canto de Mil Povos
Para Santarém, no coração da Panamazonia, acorreram delegados de diversos estados brasileiros e das regiões amazônicas do Peru, Equador, Venezuela, Bolívia, República Cooperativa de Guiana, Guiana Francesa, Colombia, além de amigos e amigas da Cordilheira dos Andes e de países europeus como Holanda, França, Espanha entre outros. Durante cinco dias compartilharam saberes através da fala, canto, dança, teatro, cinema.Vivenciaram relatos, discutiram análises e sonharam juntos muitas esperanças.
Porém, mais do que tudo, experimentaram a força que emana da vontade comum dos povos desta região de serem senhores do próprio destino. Uma vontade expressa no documento final do encontro que a partir da constatação primeira de que a Humanidade pertence à Natureza e não o contrário aponta caminhos, propostas e lutas conjuntas contra os inimigos da felicidade e do bem viver.
Durante os cinco dias que durou o Forum um mosaico das múltiplas Amazonias foi apresentado nas oficinas apresentadas por redes, organizações, movimentos sociais e nas mesas temáticas montadas pela coordenação do FSPA. Estados plurinacionais, grandes barragens e alternativas energéticas, defesa dos territórios indígenas e quilombolas, imperialismo, colonialismo, migrações, direitos humanos, econômicos, sociais, culturais e ambientais, culturas, comunicação, educação e cidades amazônicas fizeram parte do rico temário apresentado por especialistas e principalmente pelos protagonistas das lutas de resistência que se espalham pela região. A presença dos variados atores sociais da Panamazonia foi a chave do sucesso do V FSPA.
Nas tendas e salas foram ouvidas as vozes de muitos povos indígenas: mundurukus, cocamas, apiuns, boraris, tupaiús ,araras, jaraquis,cambés, ianomanis do Brasil, taurepangs e pemones da Venezuela, ashaninkas, huitotos e quéchuas do Peru, kichwas equatorianos, takanas e trintaros bolivianos, aciwajungs colombianos entre outros. Além destas vozes ancestrais também foram ouvidos as gentes que vieram de além– mar: os negros allukus da Guiana Francesa e os quilombolas do Baixo Amazonas ao qual se somaram os ribeirinhos, agricultores, trabalhadores urbanos, migrantes, artistas, mulheres e homens de todas as idades e especialmente a juventude santarena que no braço e no coração sustentou a realização do V FSPA.
Nos plenários e rodas de conversa dramáticos relatos de lutas pela sobrevivência, histórias de massacres, análises pormenorizadas e balanços de experiências eram pontilhados por cantos, danças e apresentações teatrais. O V Forum Social Panamazonico se abriu a todas as formas de expressão num reconhecimento que o esforço de transformar o mundo exige o aporte de todas as linguagens. Na assembléia final, os participantes de cada tenda temática expressaram através de ritos, expressões corporais e canções os sentimentos que haviam presidido cada debate. Estas manifestações e a aprovação consensual da Carta de Santarém foram a síntese de um encontro que tal como o rio-mar construiu a sua força a partir de inúmeros afluentes.
É Tempo de Vendaval
O V FSPA é filho do vento que sopra pelas plagas amazônicas empurrando povos e movimentos em direção uns dos outros. O caminho até Santarém foi pontilhado de encontros e reuniões, tecendo a rede que cobriu o Tapajós. O ponto de partida foi a Assembléia Panamazonica realizada durante o Fórum Social Mundial, em Belém, onde se tomou a decisão de reorganizar o FSPA, que já havia realizado quatro edições anteriores mas se encontrava desarticulado desde a última, em Manaus em 2005.
Daí em diante o toque de reunir passou a soar com insistência nos rios e matas. Foram reuniões de caráter político-organizativo, como o Encontro Preparatório Panamazonico, em Belém e a reunião do recomposto Conselho Internacional do FSPA, em Santarém; viagens de contato e reconhecimento como a que levou uma delegação da capital paraense até a IV Cumbre dos Povos Indígenas de Aby-Ayala , em Puno, Peru e uma outra realizada por irmãs ashaninkas peruanas e um irmão kichwa do Equador até as aldeias dos gaviões e kayapós, no centro sul do Pará. Tivemos também as celebrações para unir e lutar como o Ato Comemorativo do primeiro aniversário do levante indígena, em Bagua, na selva peruana e o Encontro Andino-Costeiro-Amazonico , em Lima, capital do Peru. A estes eventos se somaram muitos outros como o Encontro dos Quatro Rios ( Xingu, Madeira, Tapajós e Teles Pires), em Itaituba, os Encontros de Mulheres da Amazonia e de Mulheres Indígenas e o V Encontro Sem Fronteiras- Brasil, Venezuela e Guiana, em Santa Elena de Uairén.
Dessa maneira foram fertilizadas lutas concretas como a que une brasileiros e bolivianos contra a construção das represas no rio Madeira e o grande movimento contra hidrelétrica de Belo Monte, em plena Transamazônica. A preparação do V FSPA aqueceu o coração das amazonas e dos guerreiros e abriu corredores de informação por onde circularam idéias que demonstram a inviabilidade do mundo atual e a necessidade urgente de construção de um novo, baseado em lutas históricas e conhecimento ancestral.
Foi um processo dinâmico com intercâmbios e alianças numa espiral coroada pela realização do próprio Forum. Agora, esperamos que os tambores tocados em Santarém possam ser ouvidos em toda Amazonia e no mundo inteiro.
Com o Coração Nas Mãos
Após o Forum, com as vibrações ainda correndo na pele, foi realizada a reunião do Conselho Internacional do FSPA. Avaliações prá lá de positivas e uma imensa vontade de transformar o encontro em ações práticas que elevem o patamar da resistencia contra as ofensivas que o grande capital desfecha na região.A exibição, na reunião, do vídeo convocatório do III FSPA, em Ciudad Guayana, Venezuela, em 2004 e das imagens colhidas durante o próprio V FSPA , em Santarém, ajudaram a reatar os laços da memória. E a memória é luz, combustível e amanhã, como certa vez disse o Sub-Comandante Marcos.
Em Santarém se fez uma história que pretende continuar. Se vai dar certo só o tempo dirá, porém, pode se dizer sem medo de errar que o caminho por onde passam e passarão as centenas de identidades amazônicas, fazendo causa comum por nossa terra e nossos direitos está aberto. Para todos e todas, uma boa viagem.
Luiz Arnaldo Campos
Ver online : V FSPA