quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

Grupos Especial do Rio de Janeiro têm mulheres cantando, em duas são intérpretes principais


Por Cristina Boeckel, G1 Rio

Das 14 escolas de samba do Grupo Especial que passarão pela Marquês de Sapucaí este ano, sete delas contam com mulheres entre os cantores. Em duas delas, elas ocupam lugar de destaque e são as vocalistas principais dos sambas-enredo, dividindo o espaço com homens.
Grazzi Brasil será uma das vozes principais da Paraíso do Tuiuti pelo segundo ano seguido. Na São Clemente, Larissa Luz assume os vocais principais da escola este ano.

Mesmo assim, o espaço para as vozes femininas nos carros de som ainda é reduzido. Em levantamento feito pelo G1, entre os intérpretes das 14 escolas que fazem parte do Grupo Especial este ano, apenas 12 são do sexo feminino. Isso representa 14,8% do total.
A escola que conta com mais vozes femininas é a São Clemente. Lá elas são a maioria. Larissa Luz dividirá vocais principais com Leozinho Nunes e Bruno Ribas. Nos vocais de apoio, três mulheres os auxiliam durante o canto.

Larissa não é inexperiente. Soteropolitana, com mais de 15 anos de carreira, ela integrou a banda Araketu entre 2007 e 2012, já foi indicada ao Grammy Latino de 2016, em sua carreira solo.

“Eu estou fazendo tratamento com uma fono específica, que trabalha com interpretes de samba-enredo. E ela me orienta nesse sentido”, contou a cantora, que já se prepara para a maratona de carnaval.

Atualmente, ela é a protagonista do musical Elza, onde interpreta a cantora Elza Soares, que também é uma das precursoras dos vocais femininos na avenida, pois já conduziu o samba da Mocidade Independente de Padre Miguel na década de 70. Segundo Larissa, de lá para cá, as mulheres seguem “avançando e se colocando”.

Na Paraíso do Tuiuti, Grazzi Brasil não é novata. Ela assumirá a voz principal da escola pelo segundo ano seguido. No carnaval de São Paulo, onde ela também canta, será intérprete da Vai-vai pelo terceiro ano.

Dividindo os vocais com Celsinho Mody, Grazzi reconhece que o mundo dos cantores de samba-enredo ainda é muito masculino, mas que já é mais comum ver mulheres cantando e compondo sambas-enredo. “Uma mulher pode cantar o que ela quiser”, explicou.

Ela começou a cantar aos 13 anos, cantando samba-rock e MPB. Tempos depois, o samba entrou em sua vida e ela passou por inúmeras variações do ritmo. Ela participou do programa The Voice, em 2017, e do elenco do musical Cartola.

“Hoje eu estou conciliando os meus shows e o carnaval, que foi um trampolim para que as portas se abrissem e eu pudesse mostrar ainda mais o meu trabalho. Tudo se junta e vira uma coisa só”, destacou Grazzi.

Ela explica que as interpretações são diferentes para cada estilo de música. “O amor é o mesmo, mas uma música dolente é diferente de cantar, de interpretar, com doçura. O samba-enredo é uma coisa mais valente”.

O preparo para a maratona carnavalesca de conduzir duas escolas exige hidratação, preparo vocal e descanso. Ela espera repetir o sucesso da performance do enredo do ano passado 'Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?'", que levou a Tuiuti ao vice-campeonato.

Mesmo com o avanço feminino entre as vozes da Sapucaí, sete das 14 escolas que desfilarão no Grupo Especial não possuem vozes de mulheres cantando os sambas. Outra que deseja quebrar essa barreira é Lissandra Oliveira, que canta nos vocais de apoio de escolas de samba desde 1999. Filha de uma família que trabalha com carnaval, ela é irmã dos mestres Jorjão e Jonas.

Ao longo do tempo, ela passou pela Inocentes de Belford Roxo, Renascer de Jacarepaguá, Mocidade Independente de Padre Miguel, Unidos da Tijuca, São Clemente e Grande Rio. Este ano, ela vai representar o Salgueiro. Apesar do espaço ainda ser pequeno, ela considera que o espaço para as mulheres nos carros de som que cruzam a avenida melhorou bastante desde que começou.

“Era muito mais fechado. Estamos dividindo espaço com os rapazes de igual para igual. Não só aqui como em São Paulo”, destacou Lissandra.

A cantora considera que superou uma certa desconfiança inicial que existia em relação ao seu trabalho. Atualmente, ela divide a tarefa de interpretar sambas-enredo com o trabalho de vocalista na banda de Dudu Nobre. Com o lema de sempre manter a humildade, Lissandra conta que sonha em assumir os vocais principais de uma escola.

“Tenho sim, a gente sempre tem. Seria bem legal, uma experiência diferente. Mas a gente não pode chegar com o nariz em pé”, revelou a cantora.

Evandro Malandro, intérprete oficial da Grande Rio e que já cantou em várias escolas do Rio e de São Paulo, também reconhece a importância das vozes femininas nos sambas-enredo. Este ano a escola conta com a cantora Cacau Caldas entre os cantores de apoio. Ele explica que elas são necessárias para ampliar as possibilidades do grupo.

“Eu acho importante ter mulheres no carro de som, principalmente em passagens melódicas mais agudas ou então em passagens que requerem um pouco mais de brilho, não necessariamente agudas, que sobressaem mais com uma voz feminina”, destacou o cantor.

sexta-feira, 4 de janeiro de 2019

Deputada federal não reeleita e da bancada evangélica será Secretária da Mulher


por Mônica Aguiar

Eron é da bancada evangélica, disputou as eleições de 2018, mas não foi reeleita, mesmo tendo uma longa experiência de três décadas com trabalhos sociais em bairros carentes, e sendo a vereadora mais votada em Salvador, saiu da Câmara Municipal para a Câmara dos Deputados com mais de 115 mil votos, mais da metade desses votos foram na capital.

O anúncio para pasta  foi feito pela própria ministra do ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos em sua posse, nesta quarta-feira (2).

Eron foi integrante da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça),  na época  deu o voto que selou a aprovação do relatório que pedia a perda de mandato de Cunha, Ex presidente da Câmara Federal do MDB, hoje preso. 

Eronildes Vasconcelos Carvalho é professora e assumiu a Secretaria de Promoção Social e Combate à Pobreza de Salvador em 2016. Seu empenho em prol das mulheres, a profissionalização das catadoras de rua, baleiros e marisqueiras, foi reconhecido no ano de 2012 com o Prêmio Internacional Mulheres Distintas (Brazilian Woman in Power) nos Estados Unidos em Hartford – Connecticut.

Em 2015, foi Prêmio Congresso em Foco, ficado em 13º lugar na categoria “Parlamentares do Futuro”, a única mulher negra da lista.

Em 2016, a Agência Medialogue apontou Eron como a deputada federal baiana mais influente nas redes sociais. Atuante como coordenadora nacional do PRB Igualdade Racial, teve trabalho reconhecido em prol da igualdade com a premiação do Troféu Raça Negra 2016, considerado o Oscar da comunidade negra, promovido pela Universidade Zumbi dos Palmares e a Ong Afrobras.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Mulheres precisam de 202 anos para alcançar plena igualdade econômica


A mulher tem ao longo das ultimas décadas  conquistado maior participação no trabalho ganhando mais espaço na sociedade de forma geral. Mas as desigualdades entre homens e mulheres continuam sendo elevada em todo o planeta.

No Brasil as desigualdades salariais entre homens e mulheres diminuíram timidamente no ano de 2018 em comparação com 2017.

As mulheres já marcam presença em grande escala nas empresas, mas a maioria ocupam cargos de baixa hierarquia, onde a tomada de decisão é restrita aos homens.

Neste ritmo as desigualdades entre homens e mulheres na maioria das áreas não serão eliminadas antes de pelo menos 108 anos. E também levará 202 anos para reduzir a diferença no trabalho.

O Fórum Econômico Mundial divulgou um relatório sobre a desigualdade salarial, já que a dessemelhança com base no gênero continua a ser uma realidade.

Segundo os dados divulgados pela organização, serão necessários 202 anos para alcançar uma plena igualdade nas oportunidades econômicas entre homens e mulheres. 

Na Europa Ocidental, parte do continente onde Portugal está inserido, serão necessários 61 anos para que a igualdade de gênero seja consagrada. Segundo o relatório sobre Desigualdade de Gênero, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial, o território português caiu quatro posições, quando comparado com o ano passado, surgindo agora no 37.º lugar no ranking mundial, entre 149 países.

O estudo anual foca-se na análise de fatores como o empoderamento político, a igualdade salarial e os acessos aos serviços de saúde e de educação. Observações feitas, concluiu-se que a Islândia é o país que mais promove a igualdade de gênero, voltando a ocupar o lugar do pódio pela décima vez consecutiva. Em segundo lugar, surge a Noruega, seguida  pela Suécia, Finlândia, Filipinas, Irlanda, Nicarágua, 
Ruanda e Namíbia.

 A desigualdade salarial continua a ser considerada um dos campos mais preocupantes. Segundo o relatório, a nível global, seriam precisos 202 anos – de debates acesos e medidas políticas –  para alcançar a plena igualdade nas oportunidades econômicas, entre ambos os gêneros. Tendo em conta a análise deste setor, Portugal surge com uma das piores posições, ocupando o lugar 103 em 149 lugares.

A análise mais recente do Gabinete de Estratégia e Planeamento do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social (GEP-MTSSS), relativa ao ano de 2016, revelou que os salários médios das mulheres portuguesas são 15,8% inferiores aos dos homens. Em terras lusitanas, neste momento, as mulheres, para ganharem tanto quanto os homens, precisariam de trabalhar quase dois meses mais (58 dias) do que eles, representando uma diferença salarial de cerca de 160 euros mensais.

O contraste entre gêneros fica mais carregado quando o assunto analisado é a política. Nos últimos 50 anos, o tempo médio de atividade de uma mulher, como primeira-ministra ou chefe de Estado, foram essencialmente de dois anos. Segundo a análise, em 149 países,existem apenas 17 mulheres a desempenharem cargos de chefia estatal ou governamental.

O documento, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, revelou ainda que, entre todos os dirigentes mundiais, somente 34% são mulheres. Neste campo, o panorama agrava-se em países do Médio Oriente e do Norte de África. Para que a igualdade política seja consolidada, serão necessários 107 anos.

O setor da educação é o que mais tem progredido: a desigualdade de gênero tem vindo a diminuir no acesso. Tendo em conta o balanço elaborado, é necessário apenas que seja ultrapassada uma margem mínima de 5% para que a equidade plena seja conquistada. Simplificando: serão precisos 14 anos para erradicar as desigualdades na educação, a nível global.

A mesma evolução tem-se feito sentir no setor da saúde. Neste campo, a maioria dos países tem conseguido igualar as oportunidades para homens e para mulheres. Segundo o Fórum Econômico Mundial, em 2018, registaram-se mais progressos do que retrocessos em relação à igualdade de gêneros. No entanto, ainda existe um longo caminho a ser percorrido.


O relatório anual sobre paridade examina a situação em 149 países em quatro setores: educação, saúde, política e o mundo do trabalho. O Brasil caiu 5 posições no ranking de 2018 na comparação com o ano passado, e ficou na 95ª posição.

Fontes e trechos : Conexaolusofona/ G1

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Número de negros mortos no Brasil é igual à população da Islândia


Nos últimos oito anos, o número de negros vítimas de homicídio no Brasil equivaleu à população da Islândia. Se o cenário se manter, em cerca de 50 anos os números poderão representar a população da Eslovênia, que é composta por mais de 2 milhões de pessoas.

Esta comparação foi feita pelo site Alma Preta e se trata de uma releitura dos dados do Atlas da Violência de 2017, uma pesquisa realizada anualmente pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA). Somente nesse ano, morreram mais de 59 mil negros. O Instituto Brasileiro de Ciências Criminais (IBCCRIM) alerta para a necessidade de se refletir sobre os fatos.

Em 2012, 56.000 pessoas foram assassinadas no Brasil. Destas, 30.000 são jovens entre 15 a 29 anos e, desse total, 77% são negros. A maioria dos homicídios é praticado por armas de fogo, e menos de 8% dos casos chegam a ser julgados.

O Índice de Vulnerabilidade Juvenil à Violência e Desigualdade Racial 2014 apontou que a taxa de jovens negros assassinados por 100 mil habitantes subiu de 60,5 em 2007 para 70,8 em 2012. 

Os dados do IPEA de 2018 são ainda mais avassaladores. As maiores taxas de homicídios de negros encontram-se nos Estados brasileiros de Sergipe (79,0%) e do Rio Grande do Norte (70,5%). Os números mostram ainda que entre 2006 e 2016 as taxas de homicídios de negros cresceu 23,1%.

“A conclusão é que a desigualdade racial no Brasil se expressa de modo cristalino no que se refere à violência letal e às políticas de segurança. Os negros, especialmente os homens jovens negros, são o perfil mais frequente do homicídio no Brasil, sendo muito mais vulneráveis à violência do que os jovens não negros”, explica o documento do IPEA.

As mulheres negras também têm taxas altas de homicídios. Em 2016, mais de 4,5 mil mulheres perderam a vida no Brasil. A taxa representa 4,5 mulheres assassinadas a cada 100 mil brasileiras. Nos últimos dez anos, esse número subiu 6,4%.

Segundo dados do Mapa da Violência de 2011, em Minas Gerais, o número de assassinatos de jovens negros (2.8) é mais que o dobro do número de homicídios de jovens brancos (1.2).

Em Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, conta com números nada positivos quando se fala em juventude negra. Pelo contrário: o índice de letalidade dentro desse grupo social remete ao genocídio propriamente dito. 

De acordo com relatório desenvolvido pela Comissão Especial de Estudo do Genocídio da Juventude Negra e Pobre, da CMBH (Câmara Municipal de Belo Horizonte), presidida pela vereadora Áurea Carolina (PSOL), três entre quatro jovens mortos no município são negros.

 Este indicador coloca o principal município de Minas Gerais na 11ª no lamentável ranking de capitais federais com os maiores percentuais de mortes violentas de jovens pretos e pardos em todo o Brasil. Vale citar que o município tem 2,5 milhões de habitantes e o quarto maior PIB (produto interno bruto) do país.

O encarceramento em massa da população negra e seu extermínio persistem. 
Estes dados mostram que a parcela negra da população, de fato, está mais vulnerável aos efeitos da violência urbana que outros grupos étnicos da sociedade.
Além da alta no número de mortos, há uma tendência crescente da vitimização dos negros no Brasil.
Apesar dos altíssimos índices de homicídio de jovens negros, o tema é em geral tratado com indiferença na agenda pública nacional. As consequências do preconceito e dos estereótipos negativos associados a estes jovens e aos territórios das favelas e das periferias devem ser amplamente debatidas e repudiadas.
Todos os jovens têm direito a uma vida livre de violência e preconceito. 

Fonte:ConexaoLusofona/AlmaPreta/Correionago/ Anistia Internacional

segunda-feira, 24 de dezembro de 2018

Mulher negra e nordestina são heroínas em Game de produção nacional


Por Felipe Mascari
Rede Brasil Atual
No jogo com elementos de exploração e sobrevivência,
a personagem Cícera auxilia os sertanejos a superarem a seca. (Reprodução/AOCA)

Na contramão do padrão da indústria, o game baiano Árida surge algo inovador,  com o objetivo de divertir, mas ao mesmo tempo educar, desconstruir estereótipos e ser uma plataforma de reconhecimento identitário.

Inserido no contexto do sertão nordestino durante o século 19, o jogo é uma aventura com elementos de exploração e sobrevivência. Ele traz a história da jovem Cícera, que auxilia os sertanejos a superar a seca. O protagonismo da mulher negra e nordestina é considerado uma “ocupação” dentro do universo do jogo.

De acordo com Filipe Pereira, game designer e diretor geral da Aoca – produtora responsável pelo jogo –, é difícil sair do clichê dos jogos desenvolvidos no Brasil e no mundo. “Todos os componentes que estão no nosso jogo colocam a gente num percentual bastante diminuído pela indústria, não só pelo local do sertão, mas também pelo viés mais social. 
Sem falar do protagonismo de uma personagem mulher, negra e nordestina, o que não vemos nos outros jogos”, afirma à RBA.

Inicialmente, o jogo seria ambientado na região de Canudos, interior da Bahia, durante o confronto entre o Exército e os integrantes do histórico movimento popular liderado por Antônio Conselheiro, no fim do século 19. Entretanto, após iniciarem as pesquisas, os desenvolvedores decidiram agregar questões simbólicas de outras regiões do sertão baiano. Para isso, o grupo recebeu a colaboração de historiadores e especialistas na Universidade do Estado da Bahia (Uneb).

“A gente fez a pesquisa em campo após seis meses de projeto, em Canudos e região, o que foi muito bom. Nós validamos caminhos que já tínhamos traçado. Uma coisa curiosa é que lá encontramos personagens como retratávamos já no game. É algo que vai de encontro com vários paradigmas que a gente tem na nossa história, como não conseguir se organizar socialmente, com um viés de resistência e utopia. Canudos, guardados as devidas proporções, é o socialismo na prática”, explica Filipe.

Identidade visual
As visitas ao sertão e o próprio desenvolvimento do projeto permitiram a ampliação de repertório da linguagem visual. Contrastes entre as texturas, a contemplação do horizonte como um elemento de reforço à imensidão do ambiente foram características estratégica adotadas, com o objetivo de oferecer alternância e antecipação à experiência de jogo.

Victor Cardozo, diretor de arte do projeto, explica que há um cuidado especial para o público que não conhece o nordeste, mas que possui uma imagem estereotipada. “A gente contempla o horizonte porque lá é um ambiente muito único. Desde o solo até a flora local, então queríamos passar outra visão, mostrando que há um ambiente duro, mas também bonito.”

A franquia será dividida em quatro episódios. A data de lançamento do primeiro episódio do game está prevista para o primeiro trimestre de 2019, com o computador como plataforma inicial. Victor explica que haverá um amadurecimento e uma dramatização do ambiente, na qual a arte será transformada ao decorrer da história. “As mecânicas vão evoluir também. Hoje, tem diversos aspectos universais e uma paleta de cores diversa; já no capitulo dois vamos explorar mais os detalhes, terá mais textura. O capitulo três será menos saturado, com mais aspectos de dramas e cores mais frias”, conta.

Em 2017, a Agência Nacional do Cinema (Ancine) selecionou o jogo em seu edital de games. De acordo com o programa, é previsto que Árida receba R$ 250 mil para investir no projeto. O valor deverá ser usado para a elaboração do terceiro e quarto episódio.

“A gente foi o único da Bahia a ganhar. Ao mesmo tempo que estamos orgulhosos, estamos tristes por saber que há outros talentos que poderiam ser contemplados. O fato da Ancine elogiar nosso projeto é um alento, ao mesmo tempo que produzimos socialmente algo forte, também é interessante para o mercado”, comemora Victor.

O universo do jogo mistura o cartoon com o realismo. A arte nordestina também faz bastante parte da ambientação do jogo, com a música e o cordel, sendo utilizados para a história. “Dentro da pesquisa nas artes conceituais, pegamos um novo olhar e trouxemos o grafite para dentro do jogo e chamamos o Bigode (Josivaldo Santos Silva), de Salvador, que atua há 20 anos aqui”, acrescenta Cardozo.

Reconhecimento identitário
Com o mercado gamer escorado no eixo Rio-São Paulo, os desenvolvedores acreditam que Árida, carregando a identidade nordestina, pode mudar esse cenário. Ao participar de diversos eventos do gênero pelo país, eles enfrentam a xenofobia e o rótulo de “jogo nordestino”.

“Porém, ao estarmos nesses ambientes, é uma intervenção não só para consumidores, mas para os desenvolvedores também. Muitas pessoas de São Paulo, por exemplo, são filhos de nordestinos, então tem uma identificação com essa raiz. É uma forma de reconhecimento identitário que as pessoas terão”, conta Filipe.

A experiência do jogo pode rever os olhares que tinham para o nordeste, acredita Victor. “Nós vamos levar a informação e cultura para o público, mas de uma forma divertida. Ensinar o que é cacimba ou um caçuá são coisas que fazem parte do Brasil que muitas pessoas não têm contato”, explica o diretor de arte.

A ideia é levar a franquia para o mundo dos quadrinhos. Apesar da equipe que conta com sete pessoas, hoje, eles buscam ampliar os colaboradores para tornar o projeto ainda maior, conta o diretor geral. “O jogo tem um universo que permite expandir a narrativa em outras plataformas e até com maior qualidade.”



https://youtu.be/hvLTjYTojGU


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