terça-feira, 18 de setembro de 2018

Ato de apoio e desagravo em prol da Advogada negra Valéria Lúcia acontece em Duque de Caxias

Por Agência Brasil 

A advogada Valéria Lúcia dos Santos foi o centro das atenções de um ato de desagravo, em frente ao Fórum de Duque de Caxias, que contou com dezenas de pessoas, inclusive o presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Cláudio Lamachia. Valéria, que é negra, foi detida e algemada no último dia 10, dentro do fórum, durante uma audiência, a pedido de uma juíza leiga. A cena foi gravada e causou indignação por todo o país.

A manifestação atraiu advogados e militantes defensores das causas raciais e dos direitos das mulheres, na tarde desta segunda-feira (17). Embora o ato tenha sido pacífico desde o início, o fórum teve as portas fechadas, o que deixou os advogados ainda mais inconformados.

Lamachia criticou o ambiente de extremismo em que o país vive e disse que a OAB investigará o fato.

“Este caso terá vários desdobramentos, na corregedoria estadual, no CNJ [Conselho Nacional de Justiça] e no âmbito da OAB. Porque a colega, juíza leiga, que determinou que Valéria fosse algemada, é uma advogada. Portanto, a sua ação também será examinada sob o prisma ético-disciplinar. Mas o que mais fica deste momento é se nós estamos agindo bem com esta linha de extremismos, de intolerância e de violência, que vimos esta colega sofrer”, disse Lamachia.

Segundo ele, o fato atentou contra o próprio Estado Democrático de Direito: “Algemar uma advogada, dentro de uma sala de audiência, no exercício de sua profissão, é algo inaceitável, sob qualquer aspecto. O meu sentimento é que, naquele momento, a democracia brasileira foi algemada”.

Apesar do trauma que o fato lhe deixou, com exposição de imagens compartilhadas por todo o país, Valéria disse que sua atitude será a de conversar com a juíza leiga que determinou a ordem de lhe colocar algemas.

“Eu me sinto muito acolhida, tanto pela OAB quanto pela sociedade civil. Sobre minha colega [juíza leiga], nós duas temos que sentar e conversar. Não é jogar pedra. Para a gente evoluir como pessoa. A gente não pode se dividir, temos de nos unir. Não importa a cor da pele. O que eu quero é que nunca mais isto aconteça. Nunca mais”, disse Valéria.

A advogada relatou que, no momento em que foi algemada, se sentiu muito mal e ofendida em sua dignidade. “Eu me senti muito ferida. Depois fui para casa e chorei sozinha. Me feriram, mas eu não fui vencida. Olha o que mobilizou o país. O Brasil respondeu. A gente precisa construir um país melhor para os nossos netos”, disse ela.

O Tribunal de Justiça (TJ) do Estado do Rio de Janeiro, que comanda o sistema de Justiça estadual do qual faz parte o Fórum de Duque de Caxias, se limitou a responder em nota que os fatos estão sendo apurados: “Em relação aos fatos ocorridos na audiência na semana passada, os fatos estão sendo apurados. O TJ vai se manifestar na conclusão da apuração”.

Foto:Ag.Brasil

segunda-feira, 17 de setembro de 2018

Renda das mulheres é 42,7% menor que a dos homens, diz Pnud

Por Carolina Gonçalves - Repórter da Agência Brasil

Apesar de as mulheres apresentarem melhor desempenho na educação e terem maior expectativa de vida no Brasil, a renda delas é 42,7% menor que a dos homens (10,073 para mulheres contra 17,566 para homens), segundo dados divulgados quinta-feira (13) pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). A média de renda per capita do país é de 13,755.
Ao apresentar o novo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do país e do mundo, o órgão destacou a desigualdade de gênero na taxa que considera o acesso da população à educação, saúde e perspectivas econômicas.
De acordo com o levantamento, no Brasil, enquanto o IDH dos homens é de 0,761, na escala que varia de 0 a 1 ponto, o das mulheres é de 0,755 – quanto mais próximo de 1, maior o desenvolvimento humano. A expectativa de vida das brasileiras é de 79,3 anos contra 72,1 anos dos homens. No quesito educação, a projeção de uma menina que entra no ensino em idade regular é permanecer estudando por 15,9 anos e ter uma média de estudo de 8 anos, contra, respectivamente, 14,9 e 7,7 para os meninos.
Países como Uruguai, Venezuela e Argentina mantêm padrões muito mais equitativos entre homens e mulheres, ainda que todos eles sustentem a disparidade econômica por gênero de quase 50% entre a renda de um e outro.
Parte da justificativa pode estar no menor tempo que a mulher dispõe para o mercado de trabalho formal. Um dos dados divulgados pelo Pnud aponta que o Brasil é o país da região onde há menor divisão das tarefas domésticas entre homens e mulheres. De acordo com o levantamento, elas gastam 13,3% mais do tempo em atividades não remuneradas dentro de casa, trabalhando 4,3 vezes mais nestas funções do que os brasileiros. O número ainda pode ser maior, considerando a subnotificação, neste levantamento, do tempo disposto para cuidar de filhos, idosos e familiares doentes.
Com relação à participação política, as mulheres ocupam 11,3% das cadeiras do Congresso Nacional. O número representa o pior resultado da América do Sul e o terceiro pior da América Latina, atrás somente de Belize (11,1%) e das Ilhas Marshall (9,1%). O país com menor IDH do mundo, Níger, tem mais mulheres com assento no Parlamento (17%) do que o Brasil. 

Grupo de Mulheres no Face contra candidato a presidência do Brasil sofre ataque cibernético

Por Mônica Aguiar 


O nome da plataforma foi trocado, excluíram as administradoras, ficando  fora do ar. Somente após investigação foi restabelecida.

A plataforma no Facebook contra candidato a presidência no Brasil do PSL,“Mulheres Unidas contra Bolsonaro”, com gigantesca repercussão foi alvo de uma escalada de ataques cibernéticos, que vão desde a mudança do nome do grupo,  por nome um a favor do candidato da ultradireita, ameaça direta às moderadoras e exclusão das mesmas.

 Na madrugada deste domingo, 16, o grupo, que conta com mais de 2 milhões e 500 mil participantes mulheres, chegou a ficar fora do ar. No início da tarde deste domingo, o Facebook informou que, após investigação, "o Grupo foi restaurado e devolvido às administradoras”.

Desde dia 14,  sexta-feira, já se observava as ofensas contra a mobilização. Neste dia, a administradora foi  a principal afetada, chegando a ter suas contas no Facebook e no WhatsApp invadidas.

 De acordo com as organizadoras, os ataques começaram por volta das 14h na sexta. Antes disso, moderadoras e administradoras haviam recebido ameaças em suas contas no WhatsApp. Os invasores exigiram que o grupo fosse extinto até às 24h de sexta-feira.  
Os ataques foram também registrados através de  diversas postagens no grupo com teor ofensivo contra as participantes. 
A imagem de capa do grupo também foi alterada com as assinaturas 'Eduardo Shinok' e 'Felipe Shinok', supostos autores da invasão.

 Em seguida, um perfil alterou o nome criando confusão entre as participantes. Algumas pessoas passaram a recomendar a saída do grupo, enquanto outras pediam calma e alertavam sobre o ataque.

Foto :Portal Catarinas 
A ação criminosa acontece em um momento em que a rejeição do eleitorado feminino ao candidato a presidente do  (PSL) tenta passar de uma mobilização massiva no Facebook para um ato nas ruas agendado para próximo dia 29 de Setembro,   Largo da Batata, em São Paulo e  conta com 53 mil confirmações e outras 187.000 pessoas interessadas. 
Outras manifestações estão sendo agendado em várias cidades no Brasil, Porto Alegre conta com 12 mil confirmações e 29 mil pessoas interessadas. Rio de Janeiro (Cinelândia), conta com 26 mil confirmações e 58 mil pessoas interessadas. As manifestações também foram convocadas em diversas capitais como Florianópolis (SC), Belo Horizonte (MG) Fortaleza (CE), Belém (PA), Natal (RN), Recife (PE).

Na última semana, os apoiadores do candidato  empenharam esforços para tentar conter a onda das mulheres, mas fracassaram em dar uma resposta feminina à altura.  Este apoiadores e seguidores que o idolatram, também tentaram reagir à mobilização de mulheres no Twitter. 

Na última quarta-feira, simpatizantes do deputado federal candidato e militar reformado, mantiveram uma campanha durante algumas horas na lista de trending topics do Twitter, um ranking que destaca os assuntos mais comentados da rede social. Porém os perfis foram  identificados como homens que protagonizaram a campanha em nome das mulheres.
Das cinco principais autoridades engajadas na disseminação da hashtag, quatro eram perfis identificados como homens. 
A principal foi o perfil identificado como Professor Igor, publicou mensagens com a hashtag durante o período analisado. A principal delas continha uma provocação contra grupos LGBT: "Quando a Globo diz que mulher não apoia Bolsonaro, ela está se referindo ao Pablo Vittar?", ironizou, referindo-se à cantora. 

Outros perfis foram  identificado como:-  Rodrigo Moller, que se apresenta como "Quinto maior influenciador político do Twitter em 2016" e fundador do Movimento Brasil Conservador. 
O próprio filho do presidenciável, do  (PSL), candidato a Senador no Rio de Janeiro. O candidato também divulgou um vídeo no qual um grupo de mulheres canta palavras de ordem favoráveis ao militar da reserva.

INVASÃO É CRIME

Crimes cibernéticos, um assunto que precisa estar presente e ser debatido no cotidiano, mas que ainda é pouco discutido, e principalmente, são poucas pessoas conhecem  sabem a importância de entender sobre esse assunto e manter a segurança para evitar invasão e roubo de dados.

A Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado já havia em junho, alertado para a intensificação de ataques pela internet durante o período eleitoral.

Centenas de  mulheres de diversos  movimentos  tem realizado o debate sobre o uso da internet e práticas ciberativistas . 

Em janeiro de 2017, por inciativa do CRIOLA, em parceria com a OXFAM Brasil, ativistas negras de todas as regiões do País, fundaram a Rede Nacional de Ciberativistas em Defesa das Mulheres Negras, que atua em defesa dos direitos das mulheres negras, buscando desencadear ações rápidas, através do ciberativismo, bem como potencializar estratégias de comunicação desenvolvidas por mulheres negras que contestem narrativas racistas e sexistas no âmbito online e offline. “Mulheres negras fortalecidas na luta contra o racismo e sexismo”.

O crime de invasão de dispositivo informático consiste no fato de o agente “invadir dispositivo informático alheio, conectado ou não à rede de computadores, mediante violação indevida de mecanismo de segurança e com o fim de obter, adulterar ou destruir dados ou informações sem autorização expressa ou tácita do titular ...
  A recente Lei 12.737, de 30 de novembro de 2012, publicada no DOU de 3 de dezembro do mesmo ano, tipificou um novo crime denominado Invasão de Dispositivo Informático, previsto no art. 154-A, do Código Penal, entrou em vigor em 3 de abril de 2013.

A pena variam de três meses a dois anos de prisão, além do pagamento de multa.

 A LEI ganhou o apelido de “Carolina Dieckmann”.



 Fontes:ElPaís/Senado / CRIOLA/ #MUCNvive

quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A REJEIÇÃO DAS MULHERES TOMA FORMA NAS REDES SOCIAIS


Por Mônica Aguiar 

Grupo no Facebook alcança mais de 1 milhão de mulheres e  consegue 10.000 novas adesões  por minuto de eleitoras indignadas.
Elas pretendem  levar a insatisfação para as ruas.

A rejeição das mulheres ao candidato a presidente JB (PSL), se confirma nas  pesquisas e se  materializam nas redes sociais. "Mulheres unidas contra Bolsonaro" uma articulação que  já conta com mais de um milhão e quatrocentos mil participantes, e continua crescendo na velocidade de 10.000 novos membros por minuto.

Com objetivo de unir mulheres do Brasil  contra as práticas do racismo, machismo, misoginia todo tipo de preconceitos, defendidos pelo candidato a presidente do Brasil JB e seus seguidores, mulheres de todo Brasil resolveram se encontrar em uma plataforma social e se posicionar. 

O grupo exclusivamente de mulheres, deu inicio na quinta-feira, 30 de agosto, e  24 horas depois, já alcançava 600.000 participantes. 
Em uma ação politica e apartidária, as mulheres, lutam contra os retrocessos das  conquistas obtidas. 

O crescente crescimento do grupo se estende na proposta de uma manifestação pública, convocada para dia 29 de setembro, em São Paulo, já conta com 40.000 confirmações de mulheres.

Conforme as administradoras, a proposta é realizar uma grande manifestação em SP e atos similares em outras cidades do país.

Na plataforma sempre tem  postagens que  criticam a postura do candidato e suas bandeiras: como a flexibilização do acesso a armas, as declarações em relação à brecha salarial de gênero — o candidato acredita que a equiparação no sistema privado não é competência política do Estado e seu gabinete, conforme adiantou o Valor Econômico, paga menos às mulheres— e seus comentários incentiva a  violência contra as mulheres, além de ser desrespeitoso em seu cotidiano contra repórteres e mulheres  parlamentares.

A plataforma é composta por participantes que vai desde adolescentes até senhoras que, por lei, já não precisariam mais votar. O grupo se tornou um espaço livre e politico, de união e debates. descrição do Facebook  

A maioria das postagens, as usuárias desabafam sobre violência doméstica e relações abusivas. As mulheres trans se identificaram com a plataforma, em suas postagens, agradecem por terem encontrado um “espaço solidário”.

“Não somos favoráveis a nenhum tipo de violência ou discurso de ódio, queremos vencê-lo nas urnas".

As  organizadoras e participantes da plataforma na rede social não pretendem parar. Elas já consideram mudar o nome do grupo depois das eleições e se tornar um  grande espaço que promova rodas de conversas, divulgação das agendas, debates e outras ações em prol dos direitos e defesa das  mulheres.

Fotos: Divulgação Marchas de Mulheres Negras 

quarta-feira, 12 de setembro de 2018

Advogada Negra é Vítima de Racismo Dentro de um Fórum


A OAB planeja um ato de desagravo à advogada 
na próxima segunda feira (17)

por Brasil de Fato 

Adv. Valeria Santos
A Ordem dos Advogados do Brasil do Rio (OAB-RJ) vai acionar o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e entrar com ações cível e penal contra a juíza e a Polícia Militar por conta da prisão de uma advogada negra no exercício de sua função na última segunda-feira (10).

A advogada Valéria Santos foi algemada e conduzida para a delegacia durante uma audiência no 3º Juizado Especial Cível de Duque de Caxias, na baixada fluminense, após discordância com a juíza sobre acesso ao processo da cliente. Em vídeos que flagram a discussão, a advogada pede a presença da OAB para arbitrar a questão e como se recusa a sair da sala até a chegada de um representante da Ordem é presa pelos policiais. Um vídeo mostra a advogada algemada no chão cercada pelos agentes.

Valéria chegou a ser levada para a 59ª Delegacia de Polícia e só foi liberada após a chegada de um representante da OAB. O presidente da Comissão Estadual de Defesa de Prerrogativas da OAB Rio de Janeiro, Luciano Bandeira, afirma que não houve qualquer equívoco na conduta da advogada e que a prisão foi inadmissível.

“É o momento em que o advogado toma o conhecimento de todos os fatos que compõem o processo para fazer a defesa da sua cliente. Ela estava certíssima. Há uma série de equívocos, essa prisão é absurda, ilegal, ofende a advocacia, a cidadania e a democracia em nosso país. E além disso, o procedimento foi truculento, arbitrário e em desacordo à legislação do Supremo Tribunal Federal”, destaca.

Em um dos vídeos, Valéria afirma que é mulher, negra, advogada e reforça que tem o direito de trabalhar. 

Bruno Candido Sankofá, presidente da Comissão de Equidade Racial, Intolerância Religiosa e formas correlatas da OAB Nilópolis, onde a advogada é inscrita, reforça o aspecto racista da conduta. Segundo ele, a violência sofrida pela advogada é um exemplo extremo do racismo institucional.

“Esses casos acontecem frequentemente, seja na interceptação do segurança quando o advogado negro vai ingressar no Fórum, seja na tratativa em que é exercida em relação aos outros poderes, outras classes na magistratura, ou no Ministério Público. Essa violência é bem antes do indivíduo se tornar advogado, mas fazendo esse recorte, o próprio estagiário de Direito já sofre essa violência”, afirma. 

A OAB planeja um ato de desagravo à advogada na próxima segunda feira (17) em frente ao 3º Juizado Especial Cível de Duque de Caxias e afirmou que ainda estuda outras ações judiciais sobre o caso. 

Em nota, o Tribunal de Justiça do Rio (TJ-RJ) disse que a juíza leiga que atuava na audiência em questão solicitou a presença dos policiais para conter uma advogada que não havia acatado orientações da magistrada.

 por Mônica Aguiar 

Centenas de manifestações estão sendo publicadas nas redes sociais denunciando mais este  caso de racismo e de impedido do exercício da profissão de um  profissional negro no Brasil. 
Atitudes racistas que colocam grupos negros  segregados por sua raça ou cor, limitando seu direito constitucional de cidadão de ir e vir .

No Jornal Jota, Irapuã Santana, afirma "Um caso estarrecedor de racismo e violação às prerrogativas institucionais da OAB ". 

A OAB publicou "Nota oficial sobre o grave atentado às prerrogativas profissionais durante audiência em Duque de Caxias - RJ  .

O Brasil de Fato traz matéria chamando atenção para racismo institucional " Advogada negra é vítima de racismo institucional em fórum de Duque de Caxias (RJ)".

A revista MarieClare traz matéria sobre o protesto de famosas "Mulheres famosas mostram sua indignação com a prisão de Valéria dos Santos .  ......inúmeras mulheres partiram em defesa de Valéria nas redes sociais, incluindo famosas como Leandra Leal, Iza, Giovanna Ewbank, Fernanda Paes Leme, Carol Duarte, Cris Vianna, Gloria Pires, Camila Pitanga, Letícia Spiller, Nathalia Dill, Sophie Charlotte e várias outras que estão inconformadas com a maneira como Valéria fora tratada.

Dentre centenas de manifestações a da   jovem Luísa, com 20 anos e no  sexto período de Direito, publicada no grupo de Whatsapp Mulher Negra, por sua mãe Consolação,   mãe negra e militante  .....” Mas pra quem diz que o racismo não existe,  tá aí minha dor de mãe.”

"Não adianta. São vários projetos dentro e fora da faculdade que eu faço. 
Vivo ligada no 220. Me cobro de maneira a chegar a prejudicar minha saúde para que eu possa encher um currículo que servirá para deixarem de focar na minha cor quando forem me contratar e focarem nas minhas qualidades profissionais.
Porém, percebi que sou ingênua. 
Não adianta. Nada disso adianta. 
No final, somos resumidos a nossa cor. Tratados como animais. Arrastados em fóruns. Vistos como réus do crime de querer ocupar os locais que são nossos por direito.
O que aconteceu  com a advogada Valéria Santos me afeta em inúmeros aspectos. 
Percebo que quando não nos matam no momento em que alcançamos lugares públicos, como Marielle Franco, somos menosprezadas, humilhadas e pisadas no intuito de nos fazer desistir do que tanto lutamos para conquistar.
Estou dolorida. 
Prometi para mim mesma que ia pegar mais leve com o tanto de responsabilidade que eu assumo, mas como vou parar? 
Como?
A sociedade é racista, machista, lgbtfóbica. 
Tudo o que eu conquistar parece que é pouco.
Só queria que me deixassem respirar. 
Que deixassem as pessoas da minha cor viverem.
Desejo muita luz para você, Dra.Valéria Santos. 
A dor é minha também.
Nós só queremos paz."  
De Luísa Helena


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