segunda-feira, 1 de junho de 2026

O mito da mulher empoderada

 Pôr Mônica Aguiar 

Para utilizar o termo mulher empoderada no Brasil é preciso analisar várias questões que influenciam diretamente a vida das mulheres pobres:- fatores políticos, sociais, de classes e eurocentristas que permeiam a nossa sociedade.  Vai muito além da simples ideia de força feminina.

Eu tenho a sensação que hoje o termo mulheres empoderadas cria formas de romantização dos problemas que surgem por desgastes sérios que prejudicam a saúde mental e física das mulheres. Além de ignorar a mulher em sua totalidade como ser humano.

A utilização do termo como está sendo utilizado hoje, rejeita todas as vulnerabilidades sócio raciais e traça um perfil de mulher autossuficiente, uma máquina não programada que tem plena condições de exerce várias funções.

Esta usurpação do termo da mulher empoderadas também tem se associado ao ato de parir, se tornar mãe. Se da conta de ter um filho, da conta de muitas coisas. Se tem vários filhos demonstra ser fortaleza capaz de enfrentar sozinha quaisquer obstáculos independentes de quais são.

O novo conceito do empoderamento traça uma ideia de perfeição e autossuficiência, capaz de suportar as sobrecargas de múltiplas jornadas sem precisar de apoio estrutural e reparação.

Os problemas que surgem das relações familiares passam ser diretamente das mulheres e não dos homens. Retira a responsabilidade dos determinantes sociais que a mulher está diretamente exposta, moldando com superficialidade o grau das vulnerabilidades.

Nas relações humanas o falso altruísmo passa ser determinante para todas as mulheres, pois constroem no imaginário da sociedade a sensação de autonomia sobre o próprio corpo e de decisões:- planejamento familiar, acesso a métodos contraceptivos, direito à maternidade, liberdade de escolha educacional, profissional e até salarial.

Em 2026, afirmam que as mulheres são empoderadas, ao mesmo tempo atribui a elas a responsabilidade pelas consequências negativas nas esferas política, social e econômica. Isto deve ser visto como uma simplificação problemática da verdadeira realidade que as mulheres estão subjugadas.

O termo "empoderamento" tem ganhado destaque e está sendo frequentemente utilizado em contextos corporativos e midiáticos, se tornando cada dia mais popularizado até dentro de religiões conservadoras e organizações da extrema direita que não aceitam políticas de gênero e a existência do feminismo. O termo tornou-se um clichê corporativo e midiático, favorável ao sistema patriarcal e racista.

O esvaziamento do seu significado original e o fato de usá-lo superficialmente, perpetuam estruturas patriarcais e racistas, ao invés de desafiá-las.

Afirmar em pleno 2026 que as mulheres são empoderadas é repassar a responsabilidade pelas sequelas das relações política, social, econômica e racial de forma simplificada para quem ocupam praticamente as bases da pirâmide social. Com isto, ignoram com naturalidade a complexidade de várias questões existentes da sociedade atual. Exemplo a nova dinâmica de composição familiar.

A utilização do termo empoderamento feminino hoje é uma estratégia de um grupo político para garantir a manipulação ordenada de quem não tem condições econômicas social e educacional.

 

 


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