Pôr Mônica Aguiar
Para utilizar o termo mulher empoderada
no Brasil é preciso analisar várias questões que influenciam diretamente a vida
das mulheres pobres:- fatores políticos, sociais, de classes e eurocentristas
que permeiam a nossa sociedade. Vai muito
além da simples ideia de força feminina.
Eu tenho a sensação que hoje o
termo mulheres empoderadas cria formas de romantização dos problemas que surgem
por desgastes sérios que prejudicam a saúde mental e física das mulheres. Além
de ignorar a mulher em sua totalidade como ser humano.
A utilização do termo como está
sendo utilizado hoje, rejeita todas as vulnerabilidades sócio raciais e traça um
perfil de mulher autossuficiente, uma máquina não programada que tem plena
condições de exerce várias funções.
Esta usurpação do termo da mulher
empoderadas também tem se associado ao ato de parir, se tornar mãe. Se da conta
de ter um filho, da conta de muitas coisas. Se tem vários filhos demonstra ser
fortaleza capaz de enfrentar sozinha quaisquer obstáculos independentes de quais
são.
O novo conceito do empoderamento
traça uma ideia de perfeição e autossuficiência, capaz de suportar as
sobrecargas de múltiplas jornadas sem precisar de apoio estrutural e reparação.
Os problemas que surgem das
relações familiares passam ser diretamente das mulheres e não dos homens. Retira
a responsabilidade dos determinantes sociais que a mulher está diretamente exposta,
moldando com superficialidade o grau das vulnerabilidades.
Nas relações humanas o falso altruísmo
passa ser determinante para todas as mulheres, pois constroem no imaginário da
sociedade a sensação de autonomia sobre o próprio corpo e de decisões:- planejamento
familiar, acesso a métodos contraceptivos, direito à maternidade, liberdade de escolha
educacional, profissional e até salarial.
Em 2026, afirmam que as mulheres
são empoderadas, ao mesmo tempo atribui a elas a responsabilidade pelas
consequências negativas nas esferas política, social e econômica. Isto deve ser
visto como uma simplificação problemática da verdadeira realidade que as mulheres
estão subjugadas.
O termo "empoderamento"
tem ganhado destaque e está sendo frequentemente utilizado em contextos
corporativos e midiáticos, se tornando cada dia mais popularizado até dentro de
religiões conservadoras e organizações da extrema direita que não aceitam políticas
de gênero e a existência do feminismo. O termo tornou-se um clichê corporativo
e midiático, favorável ao sistema patriarcal e racista.
O esvaziamento do seu significado
original e o fato de usá-lo superficialmente, perpetuam estruturas patriarcais
e racistas, ao invés de desafiá-las.
Afirmar em pleno 2026 que as mulheres
são empoderadas é repassar a responsabilidade pelas sequelas das relações
política, social, econômica e racial de forma simplificada para quem ocupam praticamente
as bases da pirâmide social. Com isto, ignoram com naturalidade a complexidade
de várias questões existentes da sociedade atual. Exemplo a nova dinâmica de
composição familiar.
A utilização do termo empoderamento feminino hoje é uma estratégia de um grupo político para garantir a manipulação ordenada de quem não tem condições econômicas social e educacional.

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