quinta-feira, 11 de junho de 2026

Revelando você ! O novo modelo de sociedade.

 Por Mônica  Aguiar 

Na sociedade contemporânea, as mulheres enfrentam uma série de desafios que demandam uma combinação única de habilidades para não apenas sobreviver, mas também prosperar.

A mulher para sobreviver e conquistar as coisas nesta sociedade estão sendo astutas, políticas, bravas, exigentes, dinâmicas e legalistas.

Tais mudanças de comportamento e pensamentos impulsionam refletir e criar novas estratégias para romper com os novos desafios impostos as mulheres.

Ao enfrentar os novos desafios com as cabeças erguidas, mesmo convivendo com pessoas que lutam para manter nas estruturas da sociedade as desigualdades histórica e de gênero, tem realizado transformações significativas para garantia de seus direitos.  

São com essas qualidades que as mulheres estão cada vez mais conquistando espaço e voz em diversos setores da sociedade, desafiando estereótipos e abrindo caminho para as futuras gerações.

Nada será igual em um breve espaço de tempo. Estamos testemunhando um momento de transformação significativo na sociedade, onde cada vez mais mulheres reivindicam à liberdade e autonomia.

As mulheres tem novo perfil e concepção de família. Ter filhos e constituir uma família tradicional não mais uma única opção. Muito pelo contrário a sociedade tem se moldado à medida que as cabeças destas jovens mulheres têm realizado mudanças significativas até nas relações de trabalho.

  •   Astuta: Capacidade de antecipar cenários e agir estrategicamente frente aos obstáculos.
  •   Política: Habilidade para construir alianças, negociar e transitar por espaços de decisão.
  •    Brava: Firmeza necessária para estabelecer limites claros e não aceitar submissão.
  •   Exigente: Busca por excelência e recusa em aceitar menos do que o devido.
  •   Dinâmica: Agilidade para se adaptar a múltiplas jornadas e mudanças rápidas.
  •   Legalista: Uso das leis e regras formais como escudo e garantia de direitos.

As mulheres tem desempenhado um papel crucial na quebra de estereótipos e preconceitos, moldando novos padrões de vida mais igualitários e justos. O novo arranjo familiar e de relações humanas tem promovido o apagamento de padrões eurocentristas.

As mulheres estão desafiam com naturalidade os antigos conceitos de perfeição e beleza que por muito tempo as restringiram.

 A diversidade de arranjos familiares hoje é expressiva, incluindo famílias monoparentais, casais sem filhos por opção, e famílias formadas por casais do mesmo sexo, entre outros.

 As mulheres estão desafiando normas tradicionais e lutando por igualdade de oportunidades em campos como o trabalho, a política e principalmente na vida pessoal.

Essa exigência por liberdade e autonomia sobre a vida não é apenas um desejo individual, se tornou um esforço coletivo.

É um caminho que, embora ainda enfrente vários desafios, fica repleto de conquistas e inspirações diárias que nos aproximam de uma sociedade respeitosa intolerante as práticas racistas , homofóbicas, preconceituosas e discriminatórias.

É preciso descobrir a nova sociedade. Perceber o que de fato estar acontecendo. Fazer uma leitura diferenciada e com respeito a transformação que as mulheres tem promovido. Perceber e entender como rejeitem os papéis tradicionais e estereótipos que foram atribuídos a suas mães e antepassadas.

Ao desafiar essas expectativas, as mulheres estão se libertando das amarras da subserviência e afirmar seu próprio poder e dignidade. A visão bela, recada e do lar. Anjos, querubins ou princesas, só servem para limitar sua autonomia e liberdade.

Essa mudança de atitude estão sendo cruciais para promover , digamos, a igualdade de gênero, permitindo que todas as mulheres vivam de acordo com suas próprias escolhas e não as que lhes são impostas por uma sociedade desigual.

segunda-feira, 1 de junho de 2026

O mito da mulher empoderada

 Pôr Mônica Aguiar 

Para utilizar o termo mulher empoderada no Brasil é preciso analisar várias questões que influenciam diretamente a vida das mulheres pobres:- fatores políticos, sociais, de classes e eurocentristas que permeiam a nossa sociedade.  Vai muito além da simples ideia de força feminina.

Eu tenho a sensação que hoje o termo mulheres empoderadas cria formas de romantização dos problemas que surgem por desgastes sérios que prejudicam a saúde mental e física das mulheres. Além de ignorar a mulher em sua totalidade como ser humano.

A utilização do termo como está sendo utilizado hoje, rejeita todas as vulnerabilidades sócio raciais e traça um perfil de mulher autossuficiente, uma máquina não programada que tem plena condições de exerce várias funções.

Esta usurpação do termo da mulher empoderadas também tem se associado ao ato de parir, se tornar mãe. Se da conta de ter um filho, da conta de muitas coisas. Se tem vários filhos demonstra ser fortaleza capaz de enfrentar sozinha quaisquer obstáculos independentes de quais são.

O novo conceito do empoderamento traça uma ideia de perfeição e autossuficiência, capaz de suportar as sobrecargas de múltiplas jornadas sem precisar de apoio estrutural e reparação.

Os problemas que surgem das relações familiares passam ser diretamente das mulheres e não dos homens. Retira a responsabilidade dos determinantes sociais que a mulher está diretamente exposta, moldando com superficialidade o grau das vulnerabilidades.

Nas relações humanas o falso altruísmo passa ser determinante para todas as mulheres, pois constroem no imaginário da sociedade a sensação de autonomia sobre o próprio corpo e de decisões:- planejamento familiar, acesso a métodos contraceptivos, direito à maternidade, liberdade de escolha educacional, profissional e até salarial.

Em 2026, afirmam que as mulheres são empoderadas, ao mesmo tempo atribui a elas a responsabilidade pelas consequências negativas nas esferas política, social e econômica. Isto deve ser visto como uma simplificação problemática da verdadeira realidade que as mulheres estão subjugadas.

O termo "empoderamento" tem ganhado destaque e está sendo frequentemente utilizado em contextos corporativos e midiáticos, se tornando cada dia mais popularizado até dentro de religiões conservadoras e organizações da extrema direita que não aceitam políticas de gênero e a existência do feminismo. O termo tornou-se um clichê corporativo e midiático, favorável ao sistema patriarcal e racista.

O esvaziamento do seu significado original e o fato de usá-lo superficialmente, perpetuam estruturas patriarcais e racistas, ao invés de desafiá-las.

Afirmar em pleno 2026 que as mulheres são empoderadas é repassar a responsabilidade pelas sequelas das relações política, social, econômica e racial de forma simplificada para quem ocupam praticamente as bases da pirâmide social. Com isto, ignoram com naturalidade a complexidade de várias questões existentes da sociedade atual. Exemplo a nova dinâmica de composição familiar.

A utilização do termo empoderamento feminino hoje é uma estratégia de um grupo político para garantir a manipulação ordenada de quem não tem condições econômicas social e educacional.

 

 


segunda-feira, 25 de maio de 2026

Quantos problemas nas agendas do 28 de maio. Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna


 Por Mônica Aguiar 

Um único dia que marca a defesa das mulheres na saúde, parece que vai virar uma colcha de retalhos de uma única cor.  

Eu fico muito preocupada com a diluição do foco central durante datas importantes como o Dia Internacional da Luta pela Saúde da Mulher e diminuição de mortes maternas. Este dia é essencial para destacar e promover a conscientização sobre os desafios únicos enfrentados pelas mulheres na área da saúde, além de celebrar o pouco de conquistas nesse campo.

Se as pautas/agendas estivessem acontecendo de forma distintas, até compreenderia. Porém, o que eu tenho observado é o aumento da invisibilidade nas questões que são fundamentais como assimetrias raciais, determinantes sociais e racismo na saúde.

A promoção da equidade, justiça social, assimetrias raciais, racismo na saúde, violência obstétrica, morte previsíveis, evitáveis e os determinantes sociais estão sendo deixadas de lado em detrimento as discussões políticas e sociais amplas e universalistas.

As assimetrias raciais, por exemplo, resultam em desigualdades de acesso a serviços de saúde, educação e oportunidades de emprego, perpetuando ciclos de pobreza e exclusão. Além disso, os determinantes sociais da saúde, que incluem fatores como condições econômicas, educação, ambiente físico e apoio social, têm um impacto significativo na saúde e bem-estar das populações. Mais, frequentemente não recebem a devida atenção nas políticas públicas.

A redução do debate sobre o papel nos Planos de Saúde e a fragmentação das discussões podem ser prejudiciais, especialmente quando se trata de questões que afetam diretamente as mulheres de baixa renda. Não considerar a importância destas discussões as necessidades específicas e as realidades vividas por todas as mulheres, poderá resultar em fortalecimento de políticas e práticas governamentais que definitivamente não cheguem adequadamente as mulheres negras.

É essencial que o debate sobre saúde seja inclusivo e abrangente, garantindo que as vozes das mulheres pobres sejam ouvidas e que suas preocupações sejam levadas em consideração. Garantindo espaços que as mulheres negras tenham acesso e condições de estar.

O dia 28 de maio é marcado como o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e o Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna. Esta data é de extrema importância para chamar a atenção sobre a necessidade de diminuir as mortes previsíveis entre as mulheres, principalmente em contextos relacionados à gravidez e parto. A mortalidade materna é um grave problema de saúde pública que afeta, em sua maioria, mulheres em países em desenvolvimento, onde o acesso a cuidados de saúde de qualidade é restrito.

O tema dignidade menstrual está tomando conta dos espaços onde é preciso apontar a existência da heteronormatividade branca nas práticas racista da saúde.

A criação de agendas com temas diversos e fragmentados é uma prática observada em muitos movimentos sociais, onde mulheres, entre outros grupos, buscam expressar suas vozes e promover mudanças. Essas agendas frequentemente levantam questões importantes sobre igualdade, direitos e representatividade. No entanto, há críticas de que alguns debates se tornam esvaziados quando não estão fundamentados em evidências científicas robustas, o que pode enfraquecer a causa e a percepção pública sobre a legitimidade das reivindicações.

É preciso que governos e sociedade organizada enfrente racismo “patriarcal-cis-hétero-normativo”. https://www.instagram.com/p/DYvHjEXEai4/?igsh=MThrMndjN3pyc2U2ZA== 

Eu nem vou lembrar que a data de 28 de maio, foi reconhecida como Dia Internacional de Luta Pela Saúde da Mulher após várias denúncias realizadas ao Tribunal Internacional de Denúncia e Violação dos Direitos Reprodutivos, no IV Encontro Internacional Mulher e Saúde que ocorreu em 1984, na Holanda.

Em fim ....  A melhoria da assistência obstétrica é essencial para reduzir a mortalidade materna e alcançar as metas estabelecidas pelo Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) da ONU.

Em 2025 as doenças cardiovasculares, incluindo o infarto, são a principal causa de morte entre as mulheres no Brasil. Embora os homens sofram mais ataques cardíacos em geral, as mulheres apresentam maior taxa de mortalidade e menor tempo de socorro ideal, frequentemente agravado por sintomas atípicos.

No acumulado de 2025, o Brasil registrou 177.810 mortes por infarto (somando ambos os sexos). As doenças cardiovasculares como um todo (incluindo infarto, AVC e insuficiência cardíaca) foram responsáveis por cerca de 30% do total de óbitos femininos.

No meu estado Minas Gerais foi registrado mais de 30 mil óbitos por problemas cardiovasculares no mesmo período.  A mortalidade feminina por problemas do coração é cerca de oito vezes maior do que o número de mortes causadas pelo câncer de mama.

O impacto de várias doenças nas mulheres é agravado por fatores de risco subdiagnosticados e diferenças cruciais na forma como o corpo reage aos problemas cotidianos.

O prolapso vaginal (ou genital) é outro problema sério que é preciso ser visto por ser uma condição comum na terceira idade. Embora o SUS realize mais de 150 mil internações e cirurgias pela doença, a alta demanda resulta em longas filas de espera. Existem grandes dificuldades no acesso e demora nas consultas com ginecologistas e fisioterapeutas no SUS nas  UBS (Unidade Básica de Saúde). Com tanta demora existente o agravamento do quadro passa ser inevitável.  Com o passar do tempo, a musculatura e os ligamentos pélvicos tendem a ficar mais fracos, permitindo que a descida dos órgãos (bexiga, útero ou intestino) evolua de um estágio leve para um grau mais avançado.

Mas o que importa. É isto que dá ter tantos filhos.  Deveria ter feito Cesária.  Vai gostar de trepar viu. É isto que mulheres negras ouvem de vários profissionais quando buscam ajuda para o prolapso. Frases como essas não apenas demonstram uma falta de empatia, mas também refletem preconceitos raciais e de gênero que não têm lugar na prática médica.

Mas, este assunto é pauta em algum lugar . Quem vai falar sobre este assunto

Querida, participa para você reivindicar  

A culpabilização injusta contra uma mulher, especialmente contra as mulheres negras, em contextos profissionais e políticos é um problema persistente de repasse de responsabilizadas e decisões que estão além de seu controle ou influência direta.

O dia 28 de maio tem que continuar sendo o Dia Internacional de Luta pela Saúde da Mulher e pela Redução da Mortalidade Materna. Esta data é de extrema importância, pois destaca a luta das mulheres pelo direito a uma saúde integral, de qualidade e pelo bem viver.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Um tempo para muitos tempos

 Pôr Mônica Aguiar

A reflexão sobre o distanciamento das pessoas de 60 anos em relação ao que era considerado essencial para o crescimento humano levanta questões importantes sobre como os valores e as perspectivas evoluem ao longo do tempo.

Passa a ser natural analisar que, ao longo das décadas, as prioridades e os paradigmas sociais mudem, e muitas vezes, isso pode criar uma sensação de desconexão entre gerações.

Certamente, as mudanças das prioridades e paradigmas sociais ao longo das décadas é inevitável e faz parte do desenvolvimento humano e cultural.

Cada geração cresce em um contexto diferente, moldado por eventos históricos, avanços tecnológicos, oportunidades, acesso aos bens fundamentais e transformações culturais.

As diferentes prioridades e experiências de vida entre gerações refletem as mudanças sociais, econômicas e ambientais que ocorrem ao longo do tempo. Uma geração que cresceu em um período de estabilidade econômica pode valorizar a segurança financeira e a manutenção do status quo, enquanto outra, que enfrenta os desafios das mudanças climáticas e das desigualdades sociais, pode priorizar a sustentabilidade e a justiça social. Além disso, há aqueles que, devido a circunstâncias adversas, concentram-se principalmente na sobrevivência diária, enfrentando barreiras significativas para alcançar um padrão mínimo de vida.

 Tudo isso pode levar a uma sensação de desconexão, pois o que uma geração valoriza e considera importante pode ser visto de maneira diferente pela próxima.

As divergências de valores podem causar conflitos, mas também oferece uma oportunidade para o diálogo intergeracional, onde cada pessoa, se caso queira pode aprender e ganhar perspectivas valiosas dos outros.

No entanto, essa diferença não deve ser vista como algo negativo, mas sim como uma oportunidade para aprender e crescer com as experiências e sabedorias distintas de cada geração.

A convivência com os novos valores e pensamentos diversos origina reflexões sobre a compreensão do mundo que nos desafia e de certa forma obriga os sessentões a adaptar e expandir as próprias visões.

O tempo por sua vez esconde da humanidade a exatidão do que ocorreram mudanças significativas entre as relações humanas.  

No entanto, enquanto o tempo avança e traz consigo novas formas de interação, ele também desafia a preservação de tradições e valores que moldaram as sociedades.

Assim, caminha o tempo, escondendo as m
udanças, convidando a refletir sobre a essência das nossas relações e como elas evoluem em resposta às transformações do mundo ao nosso redor.

Portanto, é essencial buscar um equilíbrio entre respeitar o legado do passado e abraçar as inovações do presente, mantendo sempre um diálogo aberto e respeitoso entre as gerações.

Aceitar o legado do passado e entender as inovações do presente é um desafio contínuo que para muitas pessoas exige muita sensibilidade e compreensão.

As tradições carregam sabedoria acumulada ao longo do tempo, fornecendo uma base sólida sobre a qual podemos construir. No entanto, as mudanças de valores passam ser cruciais para enfrentar os desafios contemporâneos e melhorar a qualidade de vida sem distinções raciais e de gênero. Assim, ao invés de se opor aos novos valores, o ideal é promover um progresso harmonioso e igualitário que respeita e considera as histórias enquanto abraça o futuro.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

As desigualdades persistem no Brasil

 

Por Mônica Aguiar 

Falar das desigualdades no Brasil é tema recorrente e histórico.  De fato, não adianta falar deste tema sem evidencias da realidade socioeconômica. A indução do endividamento das famílias, impulsionado pelo consumismo, agrava a situação socioeconômica das familias. 

Algumas políticas governamentais, já são vistas como paliativas, pois  falham em abordar efetivamente as raízes do problema, necessitando de reformas políticas estruturais que obriguem a aceitação de ações coordenadas entre os municípios e estados.

Em 2026, o Brasil apresenta um cenário de desigualdade estrutural persistente, marcado por uma dicotomia entre a melhoria parcial de indicadores de renda de base e a concentração da riqueza no topo.

As analises com celebração dos avanços econômicos e sociais, embora importante, não aborda adequadamente questões sistêmicas profundas como o racismo e o machismo, que persistem nas relações humanas, políticas e econômicas. Essas questões são enraizadas em estruturas sociais complexas e históricas, que não são facilmente desmanteladas apenas com progresso superficial ou simbólico.

Vivemos em um mundo onde a informação é abundante e acessível como nunca antes. Com a explosão das redes sociais e das plataformas digitais, qualquer pessoa tem a possibilidade de expressar suas opiniões sobre uma infinidade de assuntos.

É muito comum encontrar pessoas falando de tudo e, ao mesmo tempo, de nada específico. Isso pode ocorrer por vários motivos, como a busca por relevância, o desejo de participar de todas as conversas ou simplesmente a falta de conhecimento e aprofundamento em temas complexos. Para navegar nesse mar de informações, é essencial desenvolver a capacidade crítica de discernir entre conteúdo superficial e aquele que é realmente valioso e bem fundamentado.

É importante que inicie o processo de analises de certos conteúdo que atuam como facilitadores, sustentadores e neutralizadores das desigualdades. A perpetuação de narrativas que reforçam estereótipos ou promovem discriminação contribui significativamente para a manutenção das desigualdades sociais, econômicas e denominadas como culturais.

A questão das desigualdades econômicas no Brasil é um tópico de intenso debate, especialmente à luz de dados contraditórios de diferentes estudos. Enquanto o IBGE aponta para uma melhoria significativa na redução da pobreza, com 17 milhões de pessoas saindo dessa condição entre 2022 e 2024, o World Inequality Report 2026 oferece uma perspectiva diferente. Este relatório destaca que, apesar da diminuição da pobreza, a concentração de renda entre os mais ricos aumentou entre 2014 e 2024. Essa aparente dicotomia sugere que, embora mais pessoas possam estar superando a linha da pobreza, a riqueza ainda está se acumulando nas mãos de uma minoria. Isso levanta questões sobre a eficácia das políticas públicas voltadas para a redistribuição de renda e a necessidade de medidas mais abrangentes para enfrentar a desigualdade estrutural.

Apesar de algumas políticas sociais terem como objetivo reduzir as desigualdades, a concentração de renda nos bolsos dos mais ricos continua a ser uma realidade. Existe um crescimento econômico sim, porém, essa riqueza adicional tende a se concentrar nas mãos de uma pequena parcela da população, ampliando a disparidade entre ricos e pobres.

A metodologia de muitos estudos, que pode incluir análises de dados de renda e patrimônio, muitas vezes contradiz visões mais otimistas de governos que avaliam com artificialidade a saída de parcela da sociedade da linha da pobreza.

Eu tenho dito sistematicamente o seguinte:- que a criação de parâmetros para definir quem pode ou não acessar benefícios sociais é tão complexo que pode, de fato, gerar consequências indesejadas, como a formação de uma camada de trabalhadoras invisíveis. Essas trabalhadoras muitas vezes ganham pouco acima do limite estabelecido para receber assistência, mas não o suficiente para cobrir suas necessidades básicas. Assim, acabam enfrentando dificuldades financeiras significativas, levando ao endividamento crescente.

As políticas públicas tem que ser desenhadas levando em consideração a realidade dessas pessoas, garantindo que os critérios de elegibilidade para benefícios sociais não excluam aqueles que, apesar de estarem empregados, ainda vivem em condições de vulnerabilidade.

Romper com padrões enraizados no sistema político pode, de fato, gerar conflitos e desafios significativos no Congresso e Senado, especialmente quando essas mudanças ameaçam interesses estabelecidos, como os das grandes fortunas. Muitas vezes, políticas ou reformas que buscam redistribuir a riqueza ou aumentar a carga tributária sobre os mais ricos enfrentam forte resistência de lobistas e grupos de interesse que têm influência significativa sobre os legisladores. Além disso, a dinâmica política é frequentemente moldada “alianças estratégicas”, que podem ser impactadas por qualquer tentativa de mudança estrutural.

No entanto, essas mudanças são essenciais para promover maior equidade social e econômica, e requerem coragem política, diálogo aberto e, frequentemente, apoio popular para serem implementadas com sucesso.

sexta-feira, 24 de abril de 2026

A nossa história é um lembrete poderoso da importância da palavra solidariedade

 Por Mônica Aguiar 

As mulheres enfrentam desafios significativos nestes tempos sombrios e ditatoriais, onde direitos estão cada dia mais ameaçados e ignorados. Sob esses inúmeros regimes, a luta pela igualdade das mulheres pode se tornar ainda mais árdua, exigindo resiliência e coragem para enfrentar as contradições sociais e políticas.

As mulheres assumem diretamente o papel de sustentadoras da família, encontrando forças em meio a adversidades para prover e proteger seus filhos.

A solidariedade entre mulheres se torna cada dia essenciais para resistir e buscar mudanças. Movimentos sociais e ativismo desempenham um papel crucial na defesa dos direitos das mulheres, lutando por um futuro onde garanta o direito em sonhar em viver com liberdade, dignidade e igualdade.

Mesmo em tempos difíceis, a voz e a força das mulheres demonstram e permanecem inabaláveis, inspirando esperança e transformação de toda sociedade.

Com dignidade enfrentamos as adversidades de um mundo que muitas
vezes parece indiferente à nossas lutas. Somos sobreviventes, com cabelos brancos e marcas de uma vida de batalhas, que simbolizam a força diante das injustiças sociais e do preconceito racial.

Neste cenário onde o ódio e a discriminação não se ocultam mais, ainda assim representamos a esperança e a continuidade de gerações que buscam um futuro mais justo e igualitário. Carregamos nas mãos trêmulas não apenas os sinais do tempo, mas também a sabedoria e a coragem de quem nunca desistiu de lutar por um mundo melhor.

A nossa história é um lembrete poderoso da importância da solidariedade na construção de uma sociedade verdadeiramente inclusiva e respeitosa.

A proteção não é mais apenas da prole contra predadores denominados covardemente como naturais. Isto exige de nós uma vigilância constante e um estado de alerta permanente. Assim, mesmo com o cansaço dos tempos mantemos atentas.

 Esse instinto protetor é vital para a sobrevivência da nossa espécie e demonstra a força e determinação necessárias para garantir a segurança dos nossos e dos outros que nos rodeiam.  A vida nesta sociedade é um constante jogo de sobrevivência, onde a vigilância tem se tornado uma estratégia de defesa.

No ápice do cansaço, cada instante se transforma em uma eternidade, onde cada hora e segundo carregam o peso da responsabilidade de proteger vidas. Nesse cenário, cada respiração se torna um ato consciente, um breve alívio que deixa escapar o estado da alma.

O suor frio que desce lentamente pelo rosto é um testemunho silencioso das batalhas travadas, das noites insones e dos desafios superados com bravura. A exaustão não é apenas física, mas também emocional, um reflexo dos sacrifícios feitos em nome do dever. Contudo, é nesse momento de vulnerabilidade que se revela a verdadeira força, uma determinação inabalável que resiste apesar do cansaço, alimentada pela esperança e pela certeza de que cada esforço vale a pena.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Modificação de termos e conceitos históricos do movimento negro: uma nova onda ou um tsunami que nos afunda mais??

 Por Mônica Aguiar 

A questão da modificação de termos e conceitos históricos no movimento negro é muito complexa. Tais práticas podem surgir de várias necessidades, incluindo a adaptação à linguagem contemporânea, a inclusão de perspectivas diversas, ou a tentativa de ampliar o alcance e a compreensão das lutas por igualdade e justiça social. 

No entanto, transformações também podem gerar debates sobre a preservação da história e a integridade dos conceitos originais.

A linguagem é uma ferramenta poderosa na construção da identidade e na luta por direitos. Termos e conceitos históricos do movimento negro muitas vezes carregam consigo o peso de décadas de luta e resistência. Modificá-los é uma maneira de torná-los mais acessíveis ou inclusivos, mas também pode levantar preocupações sobre a perda de seu significado original, mascarar e simplificar a realidade social e econômica da população negra.

A representação das mulheres negras na mídia, em novas literaturas e artigos, tem sido frequentemente limitada a narrativas de violência, miséria e sofrimento. 

Este foco estreito não só perpetua estereótipos prejudiciais, mas também ignora as ricas experiências e contribuições que as mulheres negras trazem para a sociedade. 

Focar apenas em narrativas de violência, miséria e sofrimento cria um ciclo de estereótipos que reduzem a complexidade da vida das mulheres negras a corpos descartáveis,subalternos ou apenas resistentes.

E a criação e disseminação de palavras sem base científica, com significados distorcidos ou inventados, pode atuar como uma ferramenta linguística para tentar desqualificar, diluir ou modificar conceitos históricos e reparatórios construídos pelo Movimento Negro.

Afinal, a linguagem não apenas reflete a realidade, mas também a molda, influenciando percepções, comportamentos e relações sócio-raciais.

Nos últimos anos, o vocabulário em torno das questões sociais e raciais tem se expandido e evoluído significativamente. Palavras como "estrutural" e “interseccionalidade” ganharam destaque em debates acadêmicos e sociais, especialmente ao abordar desigualdades raciais no Brasil. 

É importante usar essas palavras com precisão e clareza, garantindo que elas realmente traduzam todas as questões das desigualdades raciais em vez de criar uma maquiagem a partir das experiências individuais. Principalmente quando precedem de uma classe que não sofre e nem muito menos passa ou passou por 1% do sofrimento que a mais ampla maioria do povo negro brasileiro já passou e passa. 

A política brasileira, como em muitos outros países, é frequentemente influenciada por conceitos e termos importados de outras nações. 

A utilização de conceitos políticos estrangeiros traduzidos ou importados para o contexto brasileiro é um fenômeno que pode, de fato, gerar percepções equivocadas sobre os problemas políticos, sociais, raciais, de gênero do país, além de atuar como mecanismo de blindagem para a responsabilidade governamental.

Nos últimos anos, observo um aumento no uso de palavras estrangeiras por jovens ativistas. Muitas vezes, essas palavras são traduzidas e utilizadas fora de seu contexto original, levando a mal-entendidos e à perda de significado. Este fenômeno levanta questões sobre a eficácia do ativismo contemporâneo, especialmente quando se trata de agregar valor histórico e científico à realidade brasileira.

A globalização facilitou o acesso a informações de todo o mundo, permitindo que ideias e palavras cruzem fronteiras rapidamente. Os jovens, especialmente, são influenciados por movimentos internacionais e pela linguagem usada em plataformas de mídia social.

As novas escolhas vocabulares frequentemente mascaram, distorcem ou simplificam drasticamente fenômenos sociológicos complexos, alterando o objeto de análise.

Palavras, com conceitos vindo de fora do Brasil. Isto é muito perigoso e não passa de moda linguística e vaidade dos que buscam lá fora o que temos em abundância no Brasil: estudos, livros, teorias e práticas reais.

O uso descontextualizado de palavras estrangeiras pode resultar em uma comunicação ineficaz e em uma compreensão limitada das questões que os ativistas pretendem abordar. Sem o devido entendimento histórico e cultural, esses termos podem perder seu impacto e relevância no contexto brasileiro.

Linguagens fortes carregadas de adjetivos, substantivos carregados de valor (fetichismo de termos) agem para moldar a opinião pública e invisibilizar os problemas raciais profundos.

O racismo é um fenômeno social que envolve discriminações e preconceitos. Ele se manifesta de várias formas, desde atitudes e comportamentos individuais até políticas e sistemas institucionais que perpetuam desigualdades raciais.


segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Um tempo para novos tempos. Mônica Aguiar.

 De Mônica Aguiar 

Dar um tempo das escritas foi uma decisão sábia e necessária, especialmente por causa da minha dedicação na produção de  conteúdos sérios devido à minha responsabilidade política e social. Este período em que dei uma pausa pode me proporcionar a oportunidade de reflexão, descanso e renovação das energias criativas. Ao afastar-me temporariamente das pressões do cotidiano,  ganhei novas perspectivas e repensei abordagens, o que pode resultar em uma produção de conteúdo ainda mais rica e impactante. Além disso, cuidar da minha saúde mental e emocional sempre foi essencial para manter a qualidade e integridade do meu trabalho.

O aumento progressivo do número de matérias sobre mulheres negras desde 2020 reflete uma importante evolução na representação e visibilidade das mulheres negras na mídia. Fazendo um  recorte, esse movimento é resultado de décadas de luta por igualdade e justiça social, onde vozes e teses anteriormente invisibilizadas começam a ganhar reconhecimento, mesmo sem ter as fontes citadas.

Em 2025, o impacto desse crescimento tornou-se ainda mais expressivo, com a propagação de artigos, textos e produções audiovisuais que destacam as experiências, conquistas e desafios enfrentados por mulheres negras. Este aumento não apenas amplia a diversidade de narrativas na mídia, mas também promoveu a reflexão e o diálogo em torno de questões raciais e subjetivamente de gênero.

Isto não significa que tudo que foi produzido tem fundamento na verdade coletiva, história e na ciência. Por isso, a importância do recorte é essencial para considerar diversos fatores que podem influenciar a qualidade e a perspectiva desses conteúdos.

De todas as matérias que li e estudei, de diversos sites,   a maioria não foi baseada em fatos e pesquisas sólidas, e não evitaram estereótipos e preconceitos que distorcem a realidade das mulheres negras.

Não incluíram vozes e experiências autênticas das mulheres negras, permitindo que elas mesmas relatassem suas histórias e desafios.

Outra questão relevante é a diversidade de temas abordados, que fossem além das questões de violência e miséria, incluindo conquistas, lideranças e contribuições significativas em diversas áreas, como cultura, política, ciência e economia.

Manter meu blog  Mulher Negra atualizado é de fato um desafio, especialmente ao enfrentar as barreiras sistêmicas do jornalismo tradicional. A representatividade e a voz das mulheres negras são frequentemente sub-representadas na mídia convencional, o que torna ainda mais vital a existência de espaços alternativos de comunicação.

A manutenção e atualização constante desse espaço é crucial não apenas para garantir que as vozes sejam ouvidas, mas para inspirar e mobilizar mudanças sociais significativas.

A produção de conteúdo de qualidade exige pesquisa, tempo e dedicação, e muitas vezes, esses recursos vêm com custos associados. Além disso, a necessidade de ferramentas adequadas, como hospedagem e edição, pode adicionar mais pressão ao orçamento. Para enfrentar essas dificuldades, foi importante buscar soluções criativas, como o uso de plataformas gratuitas, que pode ajudar a aliviar o fardo financeiro. Outra estratégia foi diversificar as fontes de receita com as matérias publicadas no blog, para garantir que o projeto permaneça sustentável a longo prazo.

É lamentável que, em pleno século XXI, ainda enfrentemos desafios tão arraigados como a discriminação geracional e racial, especialmente quando se trata de mulheres negras. A experiência de vida e a sabedoria acumuladas ao longo dos anos devem ser vistas como ativos inestimáveis, não como barreiras. A luta por equidade é contínua e exige que todas as pessoas participem ativamente. Hoje desafio os estereótipos e crio ambientes inclusivos onde cada voz, independente da idade ou etnia, seja ouvida e respeitada.

É crucial que as pessoas avancem na direção de uma inclusão verdadeira, onde o talento e a experiência sejam celebrados e não eclipsados por preconceitos ultrapassados. O que ela pode falar? Sobre o que? Qual é a sua capacidade de pensamento? Ela pensa como dinossauros.

A perda de memórias orais transformadas em narrativas escritas é uma questão preocupante. A oralidade sempre desempenhou um papel fundamental na transmissão de conhecimentos, especialmente em comunidades onde a tradição escrita não era prevalente. No entanto, com a modernização e a globalização, muitas dessas histórias, conceitos, teses e pesquisas  estão desaparecendo, à medida que os contadores, escritores, narradores, jornalistas, ativistas envelhecem e as novas gerações se distanciam das boas práticas e conhecimentos narrados e escritos. 

Então voltei. Estou restabelecendo, mesmo com pouca força, o que ainda não conseguiram destruir, meus conhecimentos e minha consciência.  A  resiliência é uma característica poderosa, permite  que eu continue a crescer e a aprender, independentemente das dificuldades que enfrento e do tempo que ainda tenho.

 

segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Código Penal Brasileiro é desrespeitado por parlamentares conservadores

Por Mônica Aguiar 


O Código Penal Brasileiro, de 1940, estabelece os permissivos legais para a interrupção da gravidez nos casos previstos em lei. O aborto é crime pela legislação brasileira desde 1940, portanto há 85 anos.

Em dois incisos no artigo 128, a legislação não pune o médico que realiza o aborto: para salvar a vida da mulher e para o caso de uma gestação decorrente de estupro, por solicitação e consentimento da mulher. Se a mulher for menor de idade, deficiente mental ou incapaz, por autorização de seu representante legal. Em 2012 foi  amplido por decisão do Superior Tribunal Federal, para  casos de anencefalia.

Existem vários  arcabouços legais com protocolos estabelecendo normas que esclarecem as condições a serem observadas pelos profissionais de saúde para realizar a interrupção da gestação, como quais os documentos necessários e quais as técnicas recomendadas nas melhores evidências.

Este artigo explora as razões por trás das  iniciativas, as estratégias utilizadas por  movimentos conservadores e as implicações para a sociedade.

Os movimentos conservadores que buscam restringir o acesso ao aborto frequentemente utilizam argumentos baseados apenas em preocupações morais e éticas. Eles defendem que a vida deve ser protegida desde a concepção e acreditam que o aborto representa uma violação dos direitos do nascituro. Para esses grupos, a preservação da vida é um valor fundamental, e a legalidade do aborto é vista como uma afronta aos princípios que defendem prioritariamente a vida das mulheres.

Como o debate sobre o aborto é um tema que a provocar discussões acaloradas e chama  a atenção da sociedade no Brasil para os propositores. Eis que surgem novas leis especialmente no período eleitoral que visam impor limites ou penalidades adicionais ao aborto legal.

Recentemente, cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro têm sido palco de iniciativas que buscam introduzir o conceito de "síndrome pós-aborto".

As iniciativas de introduzir leis mais restritivas ao aborto se opondo aos direitos sexuais e reprodutivos desrespeitam os limites de decisões federativas e o próprio Código Penal.

Essas iniciativas buscam, por meio de legislações locais restringir o acesso ao aborto legal, alegando apenas preocupações morais e éticas.

 A "síndrome pós-aborto" é um termo controverso, recentemente utilizado por alguns grupos para descrever uma série de sintomas emocionais e psicológicos que alegam ser comuns após a realização de um aborto. Contudo, a comunidade científica não reconhece oficialmente esta síndrome como um diagnóstico válido, e muitos especialistas argumentam que o termo é usado como uma ferramenta política para influenciar a opinião pública contra o aborto.

As ações tomadas em cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro refletem uma tendência de municipalização do debate sobre o aborto. Ao introduzir legislações locais, essas cidades se tornam campos de batalha para a discussão mais ampla sobre direitos reprodutivos no país.

O debate sobre o aborto e as tentativas de introduzir leis mais restritivas refletem uma tensão entre valores morais e direitos individuais. Enquanto os movimentos conservadores justificam suas ações por meio de preocupações éticas, é crucial considerar as consequências práticas dessas restrições para a saúde e os direitos das mulheres. O diálogo contínuo e o respeito às decisões legais estabelecidas são essenciais para abordar este tema complexo de forma equilibrada e justa.

A discussão sobre a autonomia dos corpos das mulheres é um tema profundo e multifacetado. Não se trata apenas do direito de tomar decisões sobre o próprio corpo, mas também do respeito às leis que garantem a vida e a segurança, especialmente das meninas. A questão do estupro, um crime hediondo e inaceitável, deve ser abordada com seriedade e compromisso com a justiça.

Quando discutimos sobre o direito das mulheres à autonomia corporal, é essencial lembrar que o estupro é um crime que viola não apenas o corpo, mas também a dignidade e os direitos fundamentais da vítima. As leis existem para proteger as vítimas e punir os agressores, e qualquer discurso que minimize a gravidade do estupro ou proteja os criminosos está, na verdade, perpetuando a impunidade e a injustiça.

Todos devemos nos comprometer a proteger os direitos das mulheres e a garantir que aqueles que cometem crimes sejam devidamente responsabilizados.

Uma gravidez resultante de estupro representa um fardo emocional e psicológico imenso para a vítima. O estupro, por si só, é um crime violento que viola a dignidade e a autonomia de uma pessoa. Quando isso resulta em uma gravidez, a vítima pode sentir-se revitimizada, pois é forçada a enfrentar constantemente o resultado de um ato de violência.

As vítimas podem experimentar uma gama de emoções, incluindo raiva, tristeza, confusão e medo. O estresse pós-traumático é comum, e o processo de lidar com a gravidez pode intensificar esses sentimentos. É crucial que as vítimas recebam apoio psicológico adequado para ajudá-las a lidar com essas emoções complexas. Não esta justificativa escrota de síndrome pós-aborto.

Então a questão da escolha é central quando se discute a gravidez resultante de estupro?

Cada mulher deve ter o direito de decidir o que é melhor para ela e seu corpo. Algumas mulheres podem optar por continuar com a gravidez, enquanto outras podem decidir pela interrupção. Ambas as escolhas são válidas e devem ser respeitadas, garantindo que a mulher tenha acesso a informações e recursos necessários para tomar uma decisão informada.

Estes contra legisladores das leis e do Código Penal  deveriam estar preocupados com  a oferta de apoio abrangente às vítimas de estupro. Isso inclui acesso a serviços de saúde mental, aconselhamento jurídico e assistência médica. Além disso, deveriam promover uma cultura de empatia e compreensão, onde as vítimas não sejam julgadas ou estigmatizadas por suas escolhas.

Os parlamentares em vez de se preocuparem excessivamente em interferir na vida privada dos cidadãos com base em valores morais, é crucial que voltem a atenção para questões urgentes, como a segurança das mulheres. Os parlamentares podem promover mudanças significativas ao criar e implementar leis que protejam as mulheres e punam os agressores de forma eficaz. Focar na segurança das mulheres e no combate à violência é um passo essencial para alcançar humanidade. Estes homens podem ajudar a construir uma sociedade onde todas as pessoas, independente de gênero, possam viver sem medo e com dignidade. Para isto basta que eles respeitem as Leis e os limites de proposições federativas.   

“As estatísticas mostram que meninas de até 14 anos, majoritariamente negras (55,6%) e pobres, concentram a maior parte das ocorrências. Em 83,9% dos casos, os agressores são familiares ou conhecidos, e 67,9% das violências ocorrem dentro de casa. Segundo a Fiocruz, 23 crianças dão à luz por dia no Brasil. Entre 2011 e 2021, mais de 107 mil meninas de 10 a 14 anos tiveram filhos” . Agênci Patrícia Galvão

 A confiança é um elemento essencial no relacionamento entre os cidadãos e seus representantes eleitos. Parlamentares são escolhidos para representar os interesses da população e legislar em favor do bem-estar comum. Quando um parlamentar desrespeita as leis, isso pode abalar a confiança pública no sistema político como um todo.

As leis são um dos pilares fundamentais de qualquer democracia. Elas estabelecem normas e diretrizes que garantem a ordem, a justiça e a equidade na sociedade. Quando um parlamentar, que deveria ser um guardião dessas leis, as desrespeita, criando leis complementares ele não só compromete sua própria integridade, mas também o funcionamento do sistema democrático. Portanto, é de extrema importância que parlamentares respeitem as leis e ajam de acordo com os princípios éticos e legais que juraram defender não os valores morais e punitivistas.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Política Nacional de Atenção Integral de Saúde da População Negra é Lei no Brasil ? Deixaram ela sangrar até morrer

 POR MÔNICA AGUIAR 

A promoção da saúde da população negra no Brasil é uma questão de extrema relevância e urgência.

Apesar de existirem leis e políticas públicas voltadas para essa finalidade, há uma clara discrepância entre o que é proposto legalmente e o que é efetivamente praticado no Sistema de Saúde Pública.

Existem influências de conceitos religiosos e morais nos atendimentos médicos. 

Profissionais de saúde deveriam basear suas práticas em evidências científicas e diretrizes médicas, não em crenças pessoais. Quando isso não acontece, as mulheres negras são julgadas inadequadamente, resultando em cuidados de saúde de qualidade inferior.

A história recente de Paloma Alves Moura, mulher negra, chef de cozinha, de 46 anos, que faleceu após passar quase dez horas aguardando atendimento médico, demonstra o  doloroso lembrete das falhas e do racismo presentes no sistema de saúde pública, especialmente quando se trata de mulheres negras. 

Durante o mês em que a saúde da população negra é evidenciada por vários setores da sociedade, infelizmente, o preconceito racial e a falta de atendimento adequado resultaram em mais uma trágica morte.

A reiteração das declarações de indivíduos ativistas e militantes da saúde,  que exigem a efetivação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Negra constitui uma marco e OBRIGAÇÃO legal no Brasil para reparar os danos históricos e sequelas atuais.

O caso de Paloma destaca um problema crítico de preconceito racial e de gênero no atendimento à saúde. 

Em vez de receber o tratamento necessário para sua condição médica, Paloma foi julgada por profissionais de saúde que presumiram que ela estava tentando realizar um aborto. Esta suposição não somente atrasou o atendimento necessário, mas também contribuiu para um desfecho fatal.

A promoção da saúde da população negra no Brasil requer mais do que a existência de políticas no papel. Responsabilidade política. 

É necessário um compromisso real e contínuo para enfrentar o racismo estrutural e garantir que as práticas no sistema de saúde pública sejam verdadeiramente inclusivas e equitativas. 

A busca por justiça social e igualdade racial na saúde é um passo fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária.

Embora a existência da Lei com determinação à implementação de Políticas Nacionais de Atenção à População Negra, a realidade e as evidências demonstram cotidianamente que nem esta e nem a Rede Alyne, recentemente lançada, são respeitadas.

No site Catarinas, escrevem: “Essa poderia ser uma cena de ficção, mas com certeza foi o cenário da morte… A moralidade que se estabelece nos serviços de saúde tem base nas discriminações explícitas e implícitas que julgam e punem, muitas pessoas morrem por isso. Um corpo negro que sangra entre as pernas sempre pode esperar: “ela aguenta”. “Suportar mais um pouquinho” é a máxima". 

A falta de fiscalização, empenho de recursos específicos, compromisso político, banalização das vidas negras, não responsabilização e não punição efetiva de práticas  descasos com a pessoa humana negra são alguns dos fatores que dificultam a aplicação efetiva das políticas específicas. 

A naturalização desse e de outros fenômenos é resultado de um histórico de racismo na saúde e desigualdades que permeia a sociedade brasileira. 

A questão da mortalidade de mulheres negras no Brasil é um problema sério e multifacetado que requer um olhar atento, postura séria e uma ação urgente por parte dos poderes judiciário, parlamentar e governos.

Os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres negras são frequentemente desrespeitados, contribuindo para índices alarmantes de mortalidade e morbidade. Esses direitos deveriam incluir o acesso a serviços de saúde de qualidade, a liberdade de escolha sobre seus corpos e a garantia de um tratamento digno e igualitário. 

Mas a nossa realidade é outra, mesmo com a existência de leis.

O atendimento de mulheres negras no sistema público de saúde é uma questão séria, que merece atenção especial devido aos preconceitos e julgamentos prévios que permeiam muitas vezes essas interações. 

As práticas discriminatória não somente desrespeitam as pacientes, mas também contrariam princípios éticos e científicos fundamentais.

As mulheres negras enfrentam diversas barreiras ao acesso aos serviços de saúde, que vão desde a discriminação racial até a falta de recursos adequados em suas comunidades. Essa desigualdade se reflete em taxas mais altas de mortalidade.

Infelizmente, é comum que profissionais de saúde atendam mulheres negras com base em preconceitos raciais e estereótipos. Esses preconceitos podem influenciar negativamente o diagnóstico e o tratamento, levando a consequências graves para a saúde dessas mulheres. Além disso, tais atitudes desrespeitam a dignidade e os direitos humanos das pacientes.

A criminalização das mulheres negras no contexto da saúde é uma realidade alarmante. Uma condição cotidiana e vergonhosa.  

As mulheres negras são julgadas de forma injusta e tratadas como culpadas por suas condições de saúde, independentemente das circunstâncias. 

Esse tratamento não só é injusto, mas também prejudica a confiança no sistema de saúde, afastando as pacientes do atendimento necessário.

A luta pelas vidas das mulheres negras no Brasil é uma luta por justiça e igualdade. 

Ao reconhecer e enfrentar as barreiras que as mulheres negras enfrentam, a sociedade e, principalmente, os poderes existentes no Brasil podem começar a reparar as injustiças históricas e criar um futuro verdadeiramente mais justo e igualitário. 

É essencial que todos nós, como sociedade, trabalhemos juntos para garantir que os direitos das mulheres negras sejam respeitados e protegidos.

Chega de mortes ! Chega de racismo na saúde !

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

CANCER DE MAMA E A ATUAÇÃO DAS MULHERES NA SAÚDE PÚBLICA EM BELO HORIZONTE

 Por Mônica Aguiar 

O câncer de mama é uma das doenças mais prevalentes entre as mulheres no Brasil e, como em muitas outras cidades, Belo Horizonte enfrenta desafios significativos no início do tratamento. A detecção precoce e o início imediato do tratamento são cruciais para aumentar as chances de cura e melhorar a qualidade de vida das pacientes. No entanto, diversos obstáculos podem atrasar esse processo. É sobre estes obstáculos que pretendo dialogar. 

O Painel de Monitoramento do Tratamento Oncológico, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) traz seguintes dados : 2.767 casos da doença foram diagnosticados entre janeiro e agosto de 2025 — o que representa mais de 11 novos diagnósticos por dia. Em todo o ano de 2024, o estado registrou 6.907 casos. No ano de 2024, o câncer de mama foi a primeira causa de morte entre as mulheres em Minas Gerais, com 1.908 óbitos, segundo a Secretaria de Estado de Saúde. Em 2023, 38,5% dos casos foram diagnosticados em estágios avançados. Em todo o Brasil os dados revelam um total de 173.690 mortes por câncer de mama entre 2018 e 2023. O número passou de 14.622 em 2014 para 20.165 em 2023 de óbitos – 38% de aumento.

Em Belo Horizonte, estes números chamam a atenção: foram 72 mil exames em 2022, 66 mil em 2023 e apenas 43 mil em 2024. Em 2025, até agosto, já foram contabilizadas 55 mil mamografias. 

Porém, usuárias do SUS em Belo Horizonte relatam demoras excessivas na marcação, o que pode comprometer o diagnóstico precoce. Além de outros relatos sobre demora ao inicio do tratamento.

Eu tenho percebido apresentação excessiva de números de exames. Sendo, é difícil encontrar  dados consolidados para o ano de 2024 sobre mortes por câncer de mama especificamente em Belo Horizonte. 

A saúde das mulheres é um tema que merece atenção especial e um acompanhamento contínuo por parte de toda a sociedade. Embora as minhas citações sobre o assunto possam parecer incoerentes, elas são fundamentais para estimular uma reflexão profunda sobre o tema. 

Neste sentido, outro fato a considerar que em Belo Horizonte, o debate sobre a saúde das mulheres enfrenta inúmeros desafios.

As discussões muitas vezes são desviadas para questões de responsabilidade individual, em vez de se focar nos fatores estruturais e institucionais que afetam o acesso das mulheres aos serviços de saúde. Há uma tendência a culpar as mulheres pela falta de realização de exames de rotina, ignorando as barreiras sistêmicas que elas enfrentam.

 Falta de Autonomia da Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher

A Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (CISAM) do Conselho Municipal de Saúde é uma comissão extremamente importante e  frequentemente citada nas discussões sobre saúde da mulher. No entanto, essa comissão não possui autonomia para implementar várias mudanças necessárias.

A responsabilidade pela falta de políticas de saúde universalizadas e descentralizadas não pode ser atribuída a uma comissão que não tem o poder de tomar decisões independentes.

Barreiras Sistêmicas

Além da falta de autonomia da CISAM, existem várias barreiras sistêmicas n gestão, existem as barreiras que são fomentadas pelos determinantes sociais, dificultando ainda mai o acesso das mulheres aos serviços de saúde em Belo Horizonte: 

Desigualdade Socioeconômica: Muitas mulheres enfrentam dificuldades financeiras que limitam seu acesso a cuidados de saúde. Quanto mais longe for a Unidade de Saúde, menor será o acesso das mulheres. 

 Localização dos Serviços e o tempo: A centralização dos serviços de saúde em áreas específicas ou em determinadas regiões da cidade dificulta o acesso para aquelas que vivem em regiões periféricas. O tempo entre a detecção inicial de sintomas e o diagnóstico definitivo pode ser longo, devido à necessidade de diversos exames e consultas médicas que nem sempre são prontamente disponíveis e são realizados em locais que criam dificuldades do comparecimento. 

Falta de Informação : Muitas mulheres não têm  acesso a informações sobre os serviços  e seus direitos de saúde e não tem disponíveis acompanhamento adequados nas Unidades Básicas de Saúde.  Sofrem inclusive com discriminações e preconceitos raciais. 

 Muitas pacientes encontram dificuldades reais para acessar unidades de saúde adequadas, especialmente aquelas que vivem em áreas periféricas ou que dependem exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde).

As diferenças na infraestrutura de saúde e na disponibilidade de profissionais qualificados podem afetar a velocidade com que o tratamento é iniciado em diferentes regiões da cidade.

Contexto Geral

Belo Horizonte, como muitas outras cidades, enfrenta desafios políticos que impactam diretamente suas cidadãs. Nos últimos anos, as tensões políticas têm se intensificado, refletindo-se em diversas áreas, incluindo a saúde pública. As mulheres que trabalham neste setor frequentemente encontram-se na linha de frente, enfrentando situações desafiadoras tanto no ambiente de trabalho quanto na esfera política. A politização da saúde pública pode resultar em decisões que nem sempre são baseadas em evidências científicas, mas sim em interesses políticos, colocando as profissionais comprometidas com as reparações dos danos causados por machismo, intolerâncias, violências e racismo em situações muito difíceis.

 Falta de Apoio Institucional

Outro problema significativo é a falta de apoio institucional adequado. As mulheres que atuam na saúde muitas vezes não recebem o suporte necessário para lidar com as consequências das perseguições políticas, o que pode levar a um ambiente hostil e à desvalorização de suas contribuições como Conselheiras ou trabalhadoras. As perseguições políticas têm um impacto direto na qualidade dos serviços de saúde oferecidos à população.

Impacto da Individualização e desqualificação

 A individualização refere-se ao tratamento das conselheiras de saúde como casos isolados, em vez de reconhecer seu papel coletivo e colaborativo. Isso pode levar a:

  • Fragmentação dos esforços: As conselheiras podem se sentir isoladas e sem o suporte necessário para realizar seu trabalho de forma eficaz.
  •  Dificuldade em unir forças: A falta de uma rede de apoio sólida pode dificultar a coordenação de esforços para abordar questões de saúde complexas.

 A desqualificação das conselheiras de saúde envolve questionar sua competência e legitimidade, o que pode ter sérias repercussões:

  • Perda de autoridade: As conselheiras podem ter sua capacidade de influenciar decisões políticas enfraquecida. Isto tem ocorrido com frequência. 
  • Redução da confiança pública: A desqualificação pode minar a confiança da comunidade e da Gestão nas conselheiras, dificultando seu trabalho de defensoras dos direitos humanos. 
  • Dificuldade em atrair novas conselheiras: A desqualificação pode desestimular novas candidatas a se envolverem, prejudicando a renovação e o fortalecimento do conselho.

O Outubro Rosa é uma campanha global que visa conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. No entanto, além de focar na saúde física, é fundamental também refletir sobre os aspectos sociais e sistêmicos que impactam o acesso à saúde, especialmente no que diz respeito ao papel crucial das conselheiras de saúde.

As conselheiras de saúde são figuras essenciais na promoção de uma saúde pública mais justa e acessível. Elas trazem a perspectiva da comunidade, suas necessidades e desafios, atuando como ponte entre a população e os serviços de saúde. Portanto, é imprescindível que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.

Escuta Humanizada e respeito as diferenças

Ouvir humanizadamente significa acolher as experiências e os conhecimentos que as conselheiras trazem, sem desautorizá-las. Essa prática não só enriquece o debate sobre saúde pública, mas também fortalece a confiança da comunidade nos processos de saúde participativos.

Cada conselheira possui uma história única e um conhecimento específico que não deve ser subestimado. Respeitar essas diferenças é essencial para construir um sistema de saúde que realmente atenda a todas as pessoas, levando em consideração a diversidade racial, cultural, social e econômica.

Reformulação de Conceitos

Para promover a equidade no acesso à saúde, é necessário reformular conceitos e práticas que perpetuam desigualdades.

Neste Outubro Rosa, além de promover a saúde física, devemos também valorizar o papel das conselheiras de saúde. Ao ouvir com empatia e respeito, e ao reformular práticas que geram desigualdade, podemos caminhar rumo a um sistema de saúde mais equitativo e humano para todos.

 

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