segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Um tempo para novos tempos. Mônica Aguiar.

 De Mônica Aguiar 

Dar um tempo das escritas foi uma decisão sábia e necessária, especialmente por causa da minha dedicação na produção de  conteúdos sérios devido à minha responsabilidade política e social. Este período em que dei uma pausa pode me proporcionar a oportunidade de reflexão, descanso e renovação das energias criativas. Ao afastar-me temporariamente das pressões do cotidiano,  ganhei novas perspectivas e repensei abordagens, o que pode resultar em uma produção de conteúdo ainda mais rica e impactante. Além disso, cuidar da minha saúde mental e emocional sempre foi essencial para manter a qualidade e integridade do meu trabalho.

O aumento progressivo do número de matérias sobre mulheres negras desde 2020 reflete uma importante evolução na representação e visibilidade das mulheres negras na mídia. Fazendo um  recorte, esse movimento é resultado de décadas de luta por igualdade e justiça social, onde vozes e teses anteriormente invisibilizadas começam a ganhar reconhecimento, mesmo sem ter as fontes citadas.

Em 2025, o impacto desse crescimento tornou-se ainda mais expressivo, com a propagação de artigos, textos e produções audiovisuais que destacam as experiências, conquistas e desafios enfrentados por mulheres negras. Este aumento não apenas amplia a diversidade de narrativas na mídia, mas também promoveu a reflexão e o diálogo em torno de questões raciais e subjetivamente de gênero.

Isto não significa que tudo que foi produzido tem fundamento na verdade coletiva, história e na ciência. Por isso, a importância do recorte é essencial para considerar diversos fatores que podem influenciar a qualidade e a perspectiva desses conteúdos.

De todas as matérias que li e estudei, de diversos sites,   a maioria não foi baseada em fatos e pesquisas sólidas, e não evitaram estereótipos e preconceitos que distorcem a realidade das mulheres negras.

Não incluíram vozes e experiências autênticas das mulheres negras, permitindo que elas mesmas relatassem suas histórias e desafios.

Outra questão relevante é a diversidade de temas abordados, que fossem além das questões de violência e miséria, incluindo conquistas, lideranças e contribuições significativas em diversas áreas, como cultura, política, ciência e economia.

Manter meu blog  Mulher Negra atualizado é de fato um desafio, especialmente ao enfrentar as barreiras sistêmicas do jornalismo tradicional. A representatividade e a voz das mulheres negras são frequentemente sub-representadas na mídia convencional, o que torna ainda mais vital a existência de espaços alternativos de comunicação.

A manutenção e atualização constante desse espaço é crucial não apenas para garantir que as vozes sejam ouvidas, mas para inspirar e mobilizar mudanças sociais significativas.

A produção de conteúdo de qualidade exige pesquisa, tempo e dedicação, e muitas vezes, esses recursos vêm com custos associados. Além disso, a necessidade de ferramentas adequadas, como hospedagem e edição, pode adicionar mais pressão ao orçamento. Para enfrentar essas dificuldades, foi importante buscar soluções criativas, como o uso de plataformas gratuitas, que pode ajudar a aliviar o fardo financeiro. Outra estratégia foi diversificar as fontes de receita com as matérias publicadas no blog, para garantir que o projeto permaneça sustentável a longo prazo.

É lamentável que, em pleno século XXI, ainda enfrentemos desafios tão arraigados como a discriminação geracional e racial, especialmente quando se trata de mulheres negras. A experiência de vida e a sabedoria acumuladas ao longo dos anos devem ser vistas como ativos inestimáveis, não como barreiras. A luta por equidade é contínua e exige que todas as pessoas participem ativamente. Hoje desafio os estereótipos e crio ambientes inclusivos onde cada voz, independente da idade ou etnia, seja ouvida e respeitada.

É crucial que as pessoas avancem na direção de uma inclusão verdadeira, onde o talento e a experiência sejam celebrados e não eclipsados por preconceitos ultrapassados. O que ela pode falar? Sobre o que? Qual é a sua capacidade de pensamento? Ela pensa como dinossauros.

A perda de memórias orais transformadas em narrativas escritas é uma questão preocupante. A oralidade sempre desempenhou um papel fundamental na transmissão de conhecimentos, especialmente em comunidades onde a tradição escrita não era prevalente. No entanto, com a modernização e a globalização, muitas dessas histórias, conceitos, teses e pesquisas  estão desaparecendo, à medida que os contadores, escritores, narradores, jornalistas, ativistas envelhecem e as novas gerações se distanciam das boas práticas e conhecimentos narrados e escritos. 

Então voltei. Estou restabelecendo, mesmo com pouca força, o que ainda não conseguiram destruir, meus conhecimentos e minha consciência.  A  resiliência é uma característica poderosa, permite  que eu continue a crescer e a aprender, independentemente das dificuldades que enfrento e do tempo que ainda tenho.

 

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