quinta-feira, 3 de agosto de 2023

Seminário debate influência dos determinantes sociais na saúde das mulheres e assistência básica

 Por Mônica Aguiar 

Você sabe o que é DSS?

- Significa Determinantes Sociais de Saúde e para muitas pessoas é um assunto novo. 

De acordo com definição da Organização Mundial de Saúde (OMS), os determinantes sociais da saúde estão relacionados às condições em que uma pessoa vive e trabalha. Nesta incluem-se os fatores sociais, econômicos, culturais, étnicos/raciais, psicológicos e comportamentais que influenciam a ocorrência de problemas de saúde e fatores de risco à população, tais como moradia, alimentação, escolaridade, renda e emprego. 

No estudo da Saúde Coletiva diz que “com base nesses estudos e marcos explicativos, discute-se, em seguida, uma série de possibilidades de intervenções de políticas e programas voltados para o combate às iniqüidades de saúde geradas pelos DSS”,...... existem diversos paradigmas explicativos do processo saúde/doença no âmbito das sociedades.....

Foi a partir de 2006 que este debate começou a alavancar no Brasil, momento que o assunto no SUS era garantia da equidade e para isto várias estudiosas neste assunto, apontavam para os impactos das desigualdades sociais e raciais na saúde das mulheres.  

Apesar de não ser uma cientista, apenas estudiosas no assunto, tenho a percepção que, as características territoriais, as condições sociais e das relações raciais no Brasil, criam condições extremamente inadequadas ao ponto exercer efeitos que prejudicam as condições de saúde, agravam os adoecimentos e impactam as vidas cotidianas das mulheres.

Existem fatores que demostram as diferenças de mortalidade entre classes sociais e raciais que, estão para mim, relacionadas as assimetrias raciais existentes na saúde. Nestes tempos é importante perceber que a pauta dos determinantes sociais de saúde (DSS) é fundamental para salvar vidas e possibilitar que as mulheres não adoeçam, não morram, não fiquem sequeladas com impactos negativos na saúde física, e mental.

Considerando que os direitos reprodutivos integram os direitos humano, que o corpo das mulheres precisa ser respeitado e, fatores relacionados aos determinantes sociais exercem grande influência na saúde das mulheres, o Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova, resolveu organizar o 3º Seminário de Saúde da mulher com o objetivo de debater a " Atenção Básica e Determinantes Sociais" .  O seminário aconteceu no dia 29 de julho, mês de luta das mulheres negras. 

Foram e 156 inscrições e destas, o encontro reuniu 110 mulheres em uma tarde de grande debate: conselheiras da saúde, pesquisadoras, trabalhadoras da saúde, representantes de movimentos em defesa das mulheres e dos movimentos de mulheres negras e direitos humanos de Minas. 

Representantes das entidades: Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova, REHUNA, INSTAR, Coordenadoria Municipal da Mulher de Pompéu, Defensoria Pública, NUDEM/DP, UNEGRO MG, MNCR-Instituto Lixo Zero, Conselho Municipal da Mulher de BH, Idômitas(Coletivo Feminista), MINAS das DOULAS, CONSEPVN, Conselho Tutelar de Belo Horizonte, Coletivo Aura da Luta, Movimento Leonina Leonor é Nossa, Pastoral Afro, Conselhos Hospitalares Sófia Feldmam e Risoleta Neves, Conselho da Mulher Ribeirão da Neves, Federação dos Deficientes de MG, Conselho Distrital de Saúde de Venda Nova, Conselheiras Locais e Conselheira municipal de saúde de BH e o Mandato da deputada estadual em Minas Gerais Macaé Evaristo. 

Foto CERCUNVN

Na mesa de palestra estavam : 

Teresinha de Jesus Ferreira, da cidade de Viçosa, jornalista e produtora de vídeos educativos da TV de Viçosa-MG, Conselheira  na banca de heteroidentificação de cotas raciais da UFV. Mestra em Patrimônio  Cultural Paisagens e Cidadania pela Universidade Federal de Viçosa-MG. Terezinha falou sobre o uso das plantas medicinais na atenção primária do SUS e Polly Amaral, de Belo Horizonte , ativista feminista, doula, analista de TI, estudante de direito, movimento Nasce Leonina falou sobre os determinantes sociais na saúde das mulheres. 

 Além dos debates, no seminário foram 08 homenageadas, pelos relevantes trabalhos prestado a saúde pública brasileira, representação social, defesa das mulheres e dos direitos humanos:

 Samantha Vilarinho Defensora Pública, coordenadora Estadual de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres da Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais.

Foto DPMG
Dona Tereza, neta da Leonina Leonor, parteira reconhecida na região de Venda Nova, que deu nome à Maternidade Leonina Leonor, centro de parto normal, que não chegou a ser inaugurado pela Prefeitura de BH.

Benedita Silva conselheira titular no Conselho Municipal de Políticas Urbana de Belo Horizonte, Conselheira titular no Conselho Distrital de Saúde da região Norte e Suplente no Conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte.

Luiza Helena  advogada, doula,  estudante de Medicina, ativista social, fundadora do Coletivo AfroAfetivo Flor dos Palmares, Co-fundadora da Casa das Pretas, Fundadora do Wakanda é Nois.

Marlúcia Patrocínia funcionária pública Municipal e  Diretora do Sindicato dos Servidores de Pompéu.
    Neuma Soares presidente do conselho de saúde do Hospital Risoleta Neves Tolentino, primeira secretária do conselho distrital de Venda Nova, conselho de Alimentação Escolar de Minas Gerais, presidente da Associação de Mães e Pais pela Educação da Rede Pública.

    Raphaella Morais, doula, Historiadora, Educadora, Diretora de formação e pesquisa da Minas de Doulas, Preceptora do curso de Doulas da Fiocruz/AdoulasRJ, Mestranda da Escola Politécnica Joaquim Venâncio/Fiocruz. Integrante da Parto do Princípio, integrante do Coletivo Mãe na Roda .

    Maria Lina Aguiar, graduada em Processos Gerenciais – Administração, pós graduada em Gestão Pública e Desenvolvimento Regional, pós Graduada em Perícia e Auditoria Ambiental, conselheira Municipal de Saúde de BH representando a REHUNA/Coordenadora da Comissão Interinstitucional de Saúde da Mulher do CMS/BH.

    No final do seminário uma comissão foi eleita e que escreverá o dossiê a ser lançado futuramente. 

    O Seminário teve apoio da CRIOLA, REHUNA, Casa Marielle Franco, Defensoria Pública de Minas Gerais (DPMG) e da Associação das Defensoras e Defensores Públicos de Minas Gerais (Adep-MG) e do Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado da Fundação Municipal de Cultura PBH.

     

    terça-feira, 18 de julho de 2023

    3º Seminário de Saúde da Mulher , acontece 29 de Julho

     Por Mônica Aguiar 

    O Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova, realiza todo mês de Julho, o Seminário em atenção a saúde das mulheres. Este ano estar na terceira edição.

    O 3º Seminário de Saúde da Mulher terá como Tema principal “Atenção Básica e Determinantes Sociais” ,  será realizado no dia 29 de julho, mês de luta das Mulheres Negras Latinas Americanas e Caribenhas.   

    Um dos objetivos do seminário é discutir a Política de Atenção à Saúde das Mulheres, a importância do monitoramento por parte dos movimentos sociais de mulheres para  da cobertura da atenção básica como estratégia para a promoção da equidade de gênero e raça". 

    As organizadoras pretendem reunir no máximo 100 mulheres conselheiras da saúde, pesquisadoras, trabalhadoras da saúde, militantes em defesa das mulheres, do movimento negro, direitos humanos de Minas. Pessoas de diversos campos da saúde que se dedicam a estudar sobre os impactos das desigualdades econômicas e territoriais, bem como o racismo no Sistema Único de Saúde. 

    Para as organizadoras, ao longo destes três anos, com o seminário de saúde da mulher estão percebendo nas falas que as mulheres de Minas Gerais, tem encontrado resistências, dentro e fora dos conselhos de saúde para se organizar e monitorar as ações da gestão pública na garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, diminuição das mortes maternas, garantia do bom parto e nascimento, além da falta de existência de  uma maternidade com centro de parto normal totalmente públicos, baixa atenção às doenças que levam ao óbitos precoces de mulheres e trato humanizado às mulheres vítimas de violências.

    De acordo com a organização é uma oportunidade ímpar, onde as mulheres presentes no Seminário, poderão  debater, avaliar, propor efetivamente a implementação do PNAISM em Minas Gerais e, a posterior, produzir uma Carta “Dossiê” que será lançada em data específica e entregue as secretarias de saúde do Estado e Municípios de Minas Gerais.

    DETERMINANTES SOCIAIS 

    Os Determinantes Sociais da Saúde permite perceber que fatores de ordem socioeconômica estão diretamente relacionados ao bem-estar da sociedade. Com isto é possível identificar os fatores externos que influenciam de maneira negativa na qualidade de vida das pessoas. Eles ajudam na criação de medidas globais para redução da desigualdade.

    Segundo a OMS, por exemplo, pessoas que vivem em regiões ricas e desenvolvidas têm uma expectativa de vida de 18 anos a mais do que as que vivem em lugares subdesenvolvidos.

    A falta de acesso a atendimento de qualidade, atividades de lazer, água tratada, habitação  e educação sobre cuidados preventivos aumenta a probabilidade de contaminação. Doenças como câncer, problemas respiratórios crônicos e diabetes, por exemplo, crescem em maior escala em famílias de baixo poder econômico.   

    O 3º Seminário de Saúde da Mulher tem apoios da REHUNA (Rede de Humanização do Parto e Nascimento), Defensoria Pública de Minas Gerais, Casa Marielle Franco Brasil, CRIOLA e da Associação das Defensoras e Defensores Públicos de Minas Gerais

    SERVIÇO

    • 29 de Julho de 2023
    • 12:30 às 16:00 horas
    • Onde? Centro de Referência de Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado - Tenda do Casarão - R. Min. Hermenegildo de Barros, 904 Itapoá BH/MG (Lagoa do Nado) 

    segunda-feira, 26 de junho de 2023

    Insegurança alimentar, um sofrimento presente nos lares chefiado por mulheres negras

     
    Por Mônica Aguiar 

    Em várias pesquisas, os dados sobre renda e pobreza são apresentados segundo o rendimento médio do trabalho e  com base na renda domiciliar per capita (RDPC), ou, ainda, de acordo com linhas de pobreza baseadas no salário mínimo (SM). 

    Em todas estas classificações, é possível perceber o aumento da pobreza e das desigualdades.

    A população feminina é maioria da população brasileira. 

    Lares chefiados por pessoas  pardas e pretas são mais  de 60% dos que sofrem com a  insegurança alimentar. A situação de insegurança alimentar é dada a famílias/pessoas que não tem acesso regular e permanente a alimentos em quantidade suficiente, comprometendo outras necessidades essenciais. 

    Uma pesquisa lançada  pela Rede Brasileira de  Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) demostra a distância que muitas famílias estão em ter Segurança Alimentar.

    Lares em situação de insegurança alimentar , classificada como moderada e mais grave são  34% dos lares chefiados pessoas pardas e 39,1% lares  chefiados por pessoas pretas. 

    Ou seja, a maioria nestas péssimas condições pertencem ao grupo população negra. 

    A situação de fome se torna mais grave e frequentes  quando analisados os lares chefiados por pessoas pretas (20,6%), seguidas de pardos (17%) e brancos (10,6%).

    Na composição familiar no Brasil, as mulheres negras são em maioria chefe de família e apenas 30,1% dos domicílios chefiados por elas não sofrem com a insegurança alimentar.

    Um  boletim lançado em março, deste ano  pelo DIESSE, também demonstra que  em 2022, as mulheres eram a maioria entre os desempregados, (55,5%). Os arranjos mais vulneráveis são os da chefia feminina com filhos sem cônjuge. A  renda do trabalho do domicílio e a renda per capita foram as menores entre os arranjos analisados.

    Entre as famílias chefiadas  por mulheres negras, a maioria estavam fora do mercado de trabalho, somando quase 3 milhões de pessoas, e, entre as lideradas por não negras, a proporção era semelhante, 44,2%, ou 1,9 milhão de mulheres, no 3º trimestre de 2022.

    Na pesquisa também podemos observar a posição na ocupação, que  comprova a vulnerabilidade das chefes de família negras. 

    Estes dados demostram o quadro de insegurança alimentar entre famílias negras.

    As residências chefiadas por mulheres negras apresentam os piores indicadores de insegurança  alimentar   no Brasil. Situação  que permanece a anos e,  fica acentuada com o agravamento das desigualdades sociais  e econômicas e consequentemente aumento da miséria e fome.

             “Os dados conseguem marcar bem o cenário de racismo e de sexismo na estrutura da sociedade brasileira. Há um aumento expressivo dos níveis de insegurança alimentar nos domicílios liderados por mulheres negras, mesmo com níveis de escolaridade, renda e condições de ocupação semelhantes”, afirma a pesquisadora da Rede Penssan e professora do Instituto de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Rosana Salles-Costa.

     MATÉRIAS REFERENTES 

    • https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/06/26/dois-em-cada-tres-domicilios-chefiados-por-negros-sofrem-com-inseguranca-alimentar-diz-estudo.ghtml
    • https://www.dieese.org.br/boletimespecial/2023/mulheres2023.pdf
    • https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2023/06/26/fome-e-mais-presente-em-lares-chefiados-por-mulheres-negras.ghtml


    quarta-feira, 7 de junho de 2023

    Uma Mulher Negra para o Supremo Tribunal Federal(STF) Já !

     

    Por Mônica Aguiar 

    Os debates se tornaram calorosos neste últimos dias em função da defesa de indicação de uma mulher negra como ministra no STF (Supremo Tribunal Federal).

    Em março, entidades da sociedade civil, lançaram manifesto em favor da indicação de uma jurista negra para o Supremo Tribunal Federal (STF).

    Dentre as ausências que arranham a capacidade de percepção da realidade posta à apreciação jurídica estatal, sobressai a efetiva interdição às mulheres negras da ocupação de vagas no Supremo Tribunal Federal. Embora conte com a presença de mulheres desde o ano 2000, não há razoabilidade para que jamais uma jurista negra tenha tido assento na Corte Suprema do Poder Judiciário”. (Trecho no manifesto).

    Nunca uma mulher preta ou parda foi nomeada ministra na Corte no Brasil.

    Existem muitas mulheres negras com a carreira jurídica consolidada, notável saber nesta área, com reputação íntegra e incorrupta, ou seja, reputação ilibada. Preenchem os requisitos constitucionais para serem Ministras do STF.

    Apesar das turbulência no Brasil, os resquícios do governo Bolsonaro, a composição na Câmara Federal e Senado, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tem uma enorme oportunidade, se assim quiser de reeditar a história no Brasil para o mundo, escolhendo uma mulher negra para o STF.

    Este ano serão dois Ministros do STF que deixarão as cadeiras para se aposentar. Ainda há a possibilidade do surgimento de uma terceira cadeira, caso o Ministro Luiz Roberto Barroso antecipe sua aposentadoria.

    Neste processo, observo entre as falas e escritas dos que imperam a cortes dos brancos, manifestações subjetivas e previsíveis que estão dando um tom para as justificativas de que a “estética racial e fenótipos negroides” deixam de ter importância diante o tamanho da representação para o STF.

    Caso o Presidente da República LULA, deseje reparar os danos causados pela escravidão negra é possível trilhar caminhos para superação das intervenções que são em sua maioria racistas.

    E apesar do cenário político no Brasil garantir a manutenção de uma casta racial branca no Poder, não faltam instrumentos legais, sociais, políticos e internacionais já assinados pelo Brasil para dar um basta nas vozes deste poderio e algozes que se perpetuam imortalizados com naturalidade no poder.

    É preciso observar o Brasil e o mundo ao redor. Enxergar as diversidades existentes e reverenciar a necessidade das reparações. Revisar a noção tradicional de soberania de Estado.

    Afinal, as mulheres negras como sujeitos de direitos devem ser amparadas por todas as suas especificidades e concreticidade sociorracial existentes.

    É preciso ter vontade política para enfrentar os desafios impostos,  superar valores morais, raciais que  segregam as mulheres negras no Brasil.

    terça-feira, 2 de maio de 2023

    Violência obstétrica, precisa estar prevista na legislação federal do Brasil.

     Pôr Mônica Aguiar 

    Para este reconhecimento deve-se considerar as assimetrias deste tipo de violência na saúde, as práticas que levam as transgressões aos diretos sexuais e direitos reprodutivos durante a gravides, parto e período puerperal e as possibilidades de colocar a vida social, psicológica e saúde da mulher em risco ou com sequelas irreversíveis.

    É muito comum encontrar definições subjetivas e lista reduzida dos cognominados agravos que provocam a violência obstétrica na linha de violências acometidas de forma verbalizada:- sofrimentos psicológicos à gestante, ofensas verbais e tratamento agressivo, dentre outros,  

    Na minha avaliação, a violência obstétrica estar relacionada ao crime de gênero. As práticas e condutas ilegais que configuram o crime de violência obstétrica, ferem os direitos humanos das mulheres e meninas, autonomia sobre o corpo e provocam óbitos precoces durante as várias etapas de vida da mulher.

    Tenho encontrado várias definições com tipificações sobre o tema e agora, se faz necessário ampliar os olhares, considerar e aprofundar o abismo existente da violência obstétrica que provocam agravos, e que, violam os direitos humanos condizendo a métodos criminais.

    E minhas afirmações, além dos estudos aqui apresentados estão baseadas em relatos de adolescentes e mulheres em sua ampla maioria negras, residentes nas periferias de Belo Horizonte, que se predisporiam a romper com a barreira do medo e “contar”. Esta escuta pessoal, foi realizada de forma voluntária no ano de 2020, em função da relevância do tema e aumento de mortes maternas no Brasil.

    Não tenho a menor dúvida que a violência obstétrica, além da inegável destruições que causam na vida pessoal de uma mulher, provocam impactos na vida social, produtiva e econômica das mulheres e também de Governos. O aumento das despesas médicas e legais, impactam o orçamento dos programas governamental, sociais, assistenciais e previdenciário e no desenvolvimento econômico e produtivo de um país.

    Com isto, devemos considerar todas as assimetrias dos impactos que a violência obstétrica provoca na vida das mulheres.

    Estudo recente que envolveu mais de 24 mil mulheres, apontou que mulheres que sofrem com a violência obstétrica tem seu aleitamento comprometido na maternidade e traz repercussões a longo prazo. A pesquisa já havia apontado que 44% sofreram algum tipo de violência obstétrica. Este achado é de um estudo inédito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

     Mulheres que sofrem violência obstétrica têm menos chance de sair da maternidade amamentando exclusivamente e de manter o aleitamento a longo prazo. Entre aquelas que tiveram parto vaginal, o impacto é ainda maior e pode se prolongar por até seis meses”.

    Conforme a pesquisadora Tatiana Henriques Leite, professora da UERJ em uma entrevista na revista Metrôpoles: “Há poucos estudos sobre o tema e menos ainda explorando as consequências dessa violência, tanto para a mulher quanto para o recém-nascido”.

    “Segundo a autora, um dos problemas é a própria definição de violência obstétrica: embora muita gente a associe com abusos físicos ou sexuais, o termo é bem mais amplo e engloba violência psicológica, desrespeito, falta de informação, de comunicação, de autonomia e até de privacidade no contato com a equipe médica, além da falta de acesso a recursos a que a mulher tem direito”.

    ESTUDOS

    Como os meus passos, vem de longe, fui a procura na internet sobre assuntos que discorrem sobre a violência obstétrica e estratifiquem os dados a partir das condições territoriais, socioeconômica e de cor/raça. 

    Encontrei alguns estudos. O que me chamou a atenção:  RAÇA E VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NO BRASIL”, de kelly Diogo Lima, publicado em 2016, constante na arca da FIOCRUZ.Objetivou-se comparar as características sociodemográficas de mulheres segundo cor/, com foco nas mulheres negras e analisar os tipos mais comuns de agressões a elas infringidas na assistência ao parto pelo Sistema Único de Saúde. Trata-se de um estudo transversal de base populacional, com dados provenientes da pesquisa Rede Cegonha do Ministério da Saúde”. No estudo, foi observado os piores indicadores sociodemográficos nos grupos de pardas, negras e indígenas se comparadas as mulheres de cor/raça branca.  As violências mais comuns foram a episiotomia, a manobra de Kristeller e o impedimento de um acompanhante no momento do parto. No estudo, houve um excesso de mulheres de cor parda que referiram ter sofrido toques vaginais repetitivos. Conclui-se que, muitas das intervenções usadas na rotina de um parto são desnecessárias ou mesmo prejudiciais à mulher, sendo assim, violentas. Desta forma, é necessário que haja uma maior discussão sobre um modelo de assistência ao parto que se paute em um maior protagonismo da mulher, nos seus desejos e nas suas histórias de vida. https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/18547

    Ao dar prosseguimento a minha navegação, encontrei outro estudo, recentemente publicado: “A violência obstétrica e os danos à saúde psicológica da mulher”.   No artigo fundamentado em pesquisas bibliográficas referentes a violência obstétrica, assinados por Aléxia Fortes, Ana Paula e Evelyn Sofia e apresentado no XIX Encontro Científico Cultural Insteristitucional em 2021, que abordou sobre os danos da violência obstétrica diante da saúde psicológica das mulheres apontam em seu resumo varias asseverações de conceitos:   

     A violência obstétrica é caracterizada por ações que violam o direito das mulheres durante a gestação e principalmente no pré e pós parto, a mesma constitui-se como ações que apropriam-se do corpo da mulher de forma desumanizada, como por exemplo, uso de episiotomias, ocitocina sintéticas e manobras de kristeller, além de humilhações e omissões”.

    VEJA ARTIGO : https://www2.fag.edu.br/coopex/inscricao/arquivos/ecci_2021/18-10-2021--16-24-38.pdf

    ........Observa-se que a violência obstétrica vem aumentando cada vez mais, no entanto, é algo que ainda não é do conhecimento da sociedade, uma vez que esta violência está presente em nossa cultura sendo algo desvalorizado, impactando com danos na saúde física, mas principalmente psicológica da mulher. Contudo, conclui-se que a saúde psicológica da mulher é a mais afetada, causando traumas, pânico, depressão, ansiedade, medo, angústia, insegurança e entre outros aspectos emocionais que prejudicam seu funcionamento, sendo assim, nota-se a necessidade da Psicologia dentro do contexto hospitalar e também na saúde para que auxilie na orientação dos profissionais, da mesma forma que no acolhimento da mulher, como uma maneira de prevenção possibilitando informações sobre os direitos das mulheres.....

    Outras pesquisas apontam para o número de casos de violência obstétrica durante o parto. Independente de ser vaginal ou cesária, os abusos são constantes e por diversas razões não existe interesse para serem divulgados à sociedade, ou, para fazerem parte do pacote de temas de provocam o debate e impactam a sociedade. 

    A violência obstétrica é um agrupamento de maus tratos, sejam eles físicos, psicológicos ou verbais à mulher em trabalho de parto, além da prática de procedimentos que não são necessários e invasivos, como por exemplo, as episiotomias, restrições de leitos no pré-parto, tricotomia, ocitocina sem nescessidade,  ausência de acompanhamento  e de informações e constragimentos . (A volência obstétrica e os  danos à saúde psicológica da mulher)”.

    Dentre estas, acrescento. Ocitocina sem necessidade; ausência de acompanhantes; constrangimentos: morais, racial e religiosos; baixa assistência primária e obstétrica; privação de anestesia; fechamento das penas; pontos extras e laqueaduras sem consentimento da paciente, dentre tantas violações.

    O parto no Brasil a um bom tempo se tornou de responsabilidade hospitalar. Com isto, para cada assimetria apontada nos direitos sexuais e reprodutivos, consequentemente uma implicação, em sua maioria, irreversível na vida das mulheres.  

    MORTES MATERNAS E CESÁRIAS

     Em um estudo nacional realizado pela IMS (2021) mostra que em 2011/12 houve uma taxa de 56,6% de brasileiros que nasceram por meio da cesariana pelo SUS, porém na rede privada a frequência é ainda maior, com um percentual de 90%. Em relação à ocitocina administrada para indução ou aceleração do processo, há 36,4% de mulheres que foram submetidas a esse medicamento sem necessidade, logo, 39,1% sofreram amniotomia. Em relação às mulheres que tiveram um parto "normal", 36,1% foram submetidas a manobra de kristeller e 53,5% sofreram episiotomia. Em vista disso, a violência.

    No artigo “ No Brasil das cesáreas, falta de autonomia da mulher sobre o parto é histórica”, punblicado pela FIOCRUZ em 2021,  destaca influência de fatores médicos, legais e religiosos na disseminação do parto cirúrgico.

    Neste artigo, encontrei dados que colocam o Brasil como o, pais com a segunda maior taxa de cesária do mundo e com indicativo a normalização e naturalização da cesária. Com isto, os índices de mortes maternas evitáveis e a violência obstétrica só crescem.  

    Entre 2016 e 2030, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Brasil assinou a meta global de reduzir a mortalidade materna para menos de 70 por cada 100 mil nascidos vivos.

    As mortes maternas no Brasil refletem as desigualdades no acesso aos serviços de saúde pública e privada, destacam as desigualdades existentes entre negros e não negros, com agravamento maior a depender da faixa territorial que residem.  Na ampla maioria destes territórios não existem profissionais qualificados para atenção ao parto e ao nascimento. 

     No Brasil, aproximadamente 55% dos partos realizados no país são cesáreas. É a segunda maior taxa do mundo, atrás apenas da República Dominicana. Se considerarmos a realidade no sistema privado de saúde, a proporção pula para 86%. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a taxa ideal de cesarianas deve estar entre 10% a 15% dos partos”.

    O número de cesárias recomendadas e aconselhadas também tem aumentado significativamente nas regiões mais pobres e entre as mulheres jovens.

    Quando não existe risco de vida para a mamãe e o bebe, a escolha do parto deve ser baseada no histórico de saúde da paciente, na vontade da gestante em ter o parto humanizado, mais tranquilo possível, livre de quaisquer forma de violências, aconselhamentos e práticas carregadas de valores patriarcal, racial, moral e religioso.  

    A cesária sem indicação ou por escolha da mãe podem  levar à prematuridade fetal, acarretando ao bebê problemas respiratórios, dificuldades para manter a temperatura corporal e para se alimentar.

    Um estudo liderado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) sugere que partos cesáreos podem estar associados ao maior risco de mortalidade na infância, com exceção dos casos que uma indicação médica seja clara sobre o procedimento cirúrgico conhecido popularmente como "cesariana".(FIOCRUZ 2021)

    As taxas de parto cesáreo têm aumentado, porém, as pesquisas ainda não chegaram a um consenso científico se este aumento tem sido impulsionado pela preferência materna ou por indicações médicas.

    Entre os relatos ouvidos por mim, das grávidas que fazem o pré-natal levam a concluir que a maioria das indicações para cesária são dadas em atendimentos do corpo técnico que fazem o acompanhamento do pré-natal das gestantes nas unidades de saúde básica pública como também no setor privado. 

    A cada hora, uma mulher perde a vida devido a complicações na gravidez, no parto ou no pós-parto, a grande maioria delas evitáveis.

    Nestes últimos 4 anos, centenas de mulheres morrem por complicações na gravidez, parto e pós-parto.

    Pressão alta, sangramento intenso e complicações decorrentes de abortos inseguros são causas mais comuns. No entanto, nove em cada dez dessas mortes são evitáveis ​​por meio de atendimento de qualidade, acesso à contracepção e redução das desigualdades no acesso aos cuidados.

    O Brasil teve um aumento de 5,4% no número de mortes materna nos últimos vinte anos. O dado é de um estudo publicado, em Genebra, Suíça, pelas Nações Unidas e o Banco Mundial. Subiu para 72 óbitos para cada cem mil habitantes em 2020. Na média de todos os países, houve queda de 34% nas últimas duas décadas. (EBC).

    ENEFICÁSSIA DO ESTADO EM GARANTIR OS DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS LIVRES DE VIOLAÇÕES, CRIMINALIZAÇÃO E  VIOLÊNCIA.

     O Brasil teve que assumir obrigações internacionais com relação aos direitos da mulher, dentre elas, tomar medidas para implementação dos direitos humanos sexuais e reprodutivos.

    Em 1993, a II Conferência Internacional de Direitos Humanos (Viena), a   Conferência Internacional da ONU sobre População e Desenvolvimento (CIPD) em 1994, o Comitê da Convenção sobre Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Comitê CEDAW), o Comitê do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos Sociais e Culturais (Comitê PIDESC), marcam a luta das mulheres ao exigir do Estado brasileiro a atenção devida aos temas que afetam direta e especificamente a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

    Como resultado desta batalha travada pelas mulheres brasileiras, passos foram dados e proporcionaram algumas conquistas como: - O Programa de Atenção à Saúde Integral das Mulheres (PAISM), as políticas de atenção à feminização da epidemia de Aids, elementos da estratégia Rede Cegonha, entre outros. A Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento do Ministério da Saúde, instituição e complementações em várias legislações em diferentes esferas no Brasil.

    Com a intensificação da luta pela liberdade e autonomia incoercível de decidir sobre os próprios corpos, a pauta da saúde sexual e saúde reprodutiva foram se intensificando. É objeto de resistência direta, por parte legisladores, judiciário e da sociedade que se colocam como capazes de criminalizar as mulheres utilizando aparelhos do Estado, principalmente quando as decisões implicam em aborto seguro, aborto legal, parto humanizado, violência obstétrica e união entre pessoas do mesmo sexo.

    O Estado brasileiro é coordenado e governado por maioria de homens. Com isto, confrontos com grupos políticos, partidos, legisladores, membros da segurança pública e judiciário sobre estes temas são evitados.

    Fecham os olhos, tapam os ouvidos, permitindo que direitos sejam violados. Direitos estes ratificados pelo próprio Brasil, garantidos nos tratados internacionais, de proteção dos direitos humanos e nos que protegem os direitos humanos:-  à saúde sexual e reprodutiva da mulher, direitos humanos à liberdade, autonomia, vida privada, integridade física e psicológica. 

    PROJETOS DE LEIS QUE TRATAM DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

    O Brasil assumiu várias responsabilidades ao assinar e pactuar tratados e convenções, porém Governantes se sentem com liberdade em não cumpri-los.  Se sentem livres para utilizar as estruturas do Estado brasileiro para manutenção de violências e violações a diretos constitucional e humanos das mulheres.

    Eu considero algumas medidas e tomadas de decisões como avanços, diante as complexidades moral e religiosa dentro das questões políticas no Brasil. Esforço dos poucos grupos progressistas e de esquerda com poder. Reconhecem o prejuízo político que traz a interferia de religiosos, ante abolicionistas e moralistas tradicionais na vida administrativa do Brasil. Alguns Governantes até conseguiram dar um furinho neste entrelaçado que operam com sentimentos das pessoas e que sustentam o racismo e o patriarcado. 

    Muitos Estados, tem Leis que tratam da violência obstétrica, porém muitas não preveem punições, outros não utilizam a expressão "violência obstétrica". Outros, as legislações tratam da humanização do parto e práticas recomendadas e não indicadas. (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rondônia, Santa Catarina, Tocantins, Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo).

    Existe um Projeto de Lei tramitando na Câmara Federal, o PL 422/23 de autoria da deputada Laura Carneiro (RJ). Este projeto inclui violência obstétrica na Lei Maria da Penha e união, estados, Distrito Federal e municípios. E estes deverão promover políticas públicas integradas para prevenção e repressão da violência obstétrica. 

    https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2253464 

    Na Câmara, já tramitam outras propostas visando coibir a violência obstétrica, como os projetos de lei 7867/17 e 8219/17, que estão apensados ao PL 6567/13, do Senado, que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer à gestante parto humanizado

     

    FONTES DE PESQUISAS INFORMATIVASOPAS - Organização Pan-Americana da Saúde / Ministério da Saúde /Jusbrasil / Sobef /Câmara/ EBC/ Folha/UOL/GELEDES/ POLETIZE/GLOBO  

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