quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Mulheres Negras Estão Mais Expostas a Compostos Danosos em Cosméticos

Mulheres negras, latinas e asiáticas têm níveis maiores de compostos químicos relacionados a produtos cosméticos em seus organismos do que mulheres brancas, o que as deixa mais sujeitas a diversos problemas de saúde. O alerta vem de artigo de comentário publicado nesta quarta-feira no periódico científico “American Journal of Obstetrics and Gynecology”. Segundo os autores, os profissionais de saúde, em especial os que se dedicam à saúde reprodutiva, devem estar preparados para aconselhar as mulheres sobre a exposição a estes compostos por vezes tóxicos, além de lutar pelo estabelecimento de políticas que as protejam, e em especial as pertencentes a minorias étnicas, de substâncias químicas prejudiciais nos cosméticos e outros produtos de higiene.

- A pressão para atender a padrões de beleza ocidentais significa que as mulheres negras, latinas e asiáticas dos EUA estão usando mais produtos de beleza e, desta forma, estão expostas a níveis mais altos de compostos químicos que se sabem serem prejudiciais à saúde – resume Ami Zota, professora de saúde ambiental e ocupacional na Universidade George Washington, EUA, e uma das coautoras do artigo. - O uso de produtos de beleza é uma fonte crítica porém subvalorizada de danos à saúde reprodutiva e injustiça ambiental.

Zota e sua coautora, Bhavna Shamasunder, da Faculdade Ocidental de Los Angeles, destacam que a indústria de produtos de beleza tem uma receita global de mais de US$ 400 bilhões anuais e que estudos anteriores mostraram que as mulheres negras, latinas e asiáticas dos EUA gastam mais dinheiro com cosméticos do que a média nacional, principalmente porque seu marketing enfatiza um padrão europeu de beleza. Assim, elas acabam comprando produtos como cremes para clarear a pele do rosto que frequentemente contêm ingredientes como esteroides tópicos ou mercúrio, um metal tóxico, afirma Zota.

As autoras também lembram que as mulheres negras frequentemente sofrem maior ansiedade sobre  as criticas sofridas dos  cabelos, o que faz com que tenham o dobro de chances de enfrentarem pressões sociais para alisá-lo. E alisantes ou relaxantes capilares são mais passíveis de conter o hormônio feminino estrogêneo, o que pode provocar um desenvolvimento reprodutivo precoce nas meninas negras e o surgimento de tumores uterinos.

Outros estudos também já alertaram que produtos cosméticos e de higiene podem conter múltiplos compostos químicos “escondidos” que já foram ligados a problemas endócrinos, reprodutivos ou no desenvolvimento. Estas substâncias podem ser especialmente perigosas para mulheres na faixa dos 18 aos 34 anos, justamente as que mais compram produtos de beleza, numa média de mais de dez por ano. Tais mulheres e seus filhos podem então estar mais vulneráveis a estes compostos, ainda mais se a exposição ocorrer em épocas sensíveis, como durante a gestação.

A propaganda também tem encorajado as mulheres negras a usarem mais produtos de banho com mensagens que falam de sujeira e odores. Um estudo feito por Zota e colegas em 2016 revelou que, numa amostragem nacional de mulheres em idade reprodutiva, aquelas que tomavam banho com mais frequência tinham uma exposição 150% maior a uma substância danosa conhecida como DEP. Este composto químico, frequentemente encontrado em cosméticos perfumados, podem causar defeitos congênitos nos bebês e também foram ligados a problemas de saúde em mulheres, diz Zota.

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Ao mesmo tempo, pesquisas indicam que mulheres negras de baixa renda são mais passíveis de viverem em ambientes com altos níveis de poluentes contaminando o ar, o solo e a água. Assim, estas mulheres não apenas usam mais produtos de beleza como podem também estarem mais expostas a compostos químicos tóxicos simplesmente por morarem em lares e vizinhanças mais poluídas.

- Para mulheres que já vivem em vizinhanças poluídas, os compostos nos produtos de beleza podem se somar a um fardo geral maior de exposição a substâncias tóxicas – diz Bhavna Shamasunder, professora do Departamento de Políticas Urbanas e Ambientais da Faculdade Ocidental. - Certos grupos étnico-raciais podem estar sistemática e desproporcionalmente expostos a compostos em cosméticos porque fatores como o racismo institucionalizado podem influenciar no uso destes produtos.

No artigo, as autoras alertam que exposições múltiplas a substâncias nos cosméticos e no ambiente se acumulam e podem interferir na saúde reprodutiva e no desenvolvimento das mulheres. Elas defendem que os profissionais de saúde ajudem a lutar por “justiça ambiental e social” se preparando para o aconselhamento sobre os riscos das exposições a estes compostos “escondidos” nos cosméticos. Elas também querem que os profissionais de saúde e pesquisadores lutem por políticas de proteção, como melhores testagens e mais transparência sobre a composição dos produtos de beleza.

Fonte e texto : O Globo


segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Carla Rebelo, fotógrafa santomense vence concurso de fotografia “Water4Islands”


Carla Rebelo foi a vencedora da edição de 2017 do Concurso de Fotografia #Water4Islands, com a fotografia que demonstra uma menina de 3 anos ajudando a sua avó a buscar água todas as tardes. 

A descrição ainda acrescenta que “ ter acesso à água limpa e potável na sua própria casa daria-lhe uma hipótese melhor de aproveitar a sua infância.”

O estudo lançado no quadro do Dia Mundial da Água, contém o alerta do Fundo das Nações Unidas para a Infância, UNICEF, estima que 660 milhões de crianças vão viver em regiões com escassez de água até 2040.

O evento, este ano subordinado ao tema “Porquê águas residuais?”, desafiou os fotógrafos a ilustrarem a importância da água e das águas residuais para a sua comunidade, para a natureza ou para a economia das suas ilhas. Carla Rebelo é assim convidada para estar presente na Semana Mundial da Água de Estocolmo, que terá lugar na Suécia em setembro de 2017.

A fotógrafa participou este ano no Catchupa Factory, um programa de criação artística em fotografia em Cabo Verde, em regime de residência, que contou com o curador John Fleetwood, um dos mais influentes educadores de fotografia em África. Podemos acompanhar o trabalho da Carla Rebelo no seu website e seguir a página do Instagram.

Fonte:C.Luso
Imagem: reprodução de Carla Rebelo

quarta-feira, 9 de agosto de 2017

Lei Maria da Penha Completa 11 Anos e Relógios da Violência' é Lançado Registrando Casos de Violência

Instituto Maria da Penha lançou campanha que faz contagem, minuto a minuto, das mulheres que sofrem violências no Brasil.


Lei Maria do Penha,  marco no combate à violência doméstica no Brasil, completa 11 anos de existência este mês de agosto e , para celebrar o aniversário da Lei ao mesmo tempo, alertar para a importância da prevenção e do combate à violência contra a mulher, várias ações estão sendo organizadas ao longo do mês, por diversas entidades feminista e institutos.

Instituto Maria da Penha  fez segunda, dia(7), lançamento da campanha de alerta sobre os números de casos de violência contra a mulher no Brasil  .

O instituto criou um site "Relógios da violência" , que faz uma contagem dos números de mulheres que sofrem qualquer tipo de violência, física ou moral , de minuto a minuto.

Além de mostrar casos de mulheres que já foram agredidas física ou verbalmente a plataforma faz também contagem das mulheres que foram insultadas, humilhadas ou xingadas; que sofreram ameaças de violência; que foram amedrontadas ou perseguidas; que foram assediadas e que até que foram vítimas de tiros.

A LEI

A Lei nº 11.340, de 7 de agosto de 2006, leva o nome da farmacêutica cearense Maria da Penha. Segundo a Organização das Nações Unidas, a Lei é a terceira melhor e mais avançada no mundo em relação ao enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres.
Nesta primeira década, a legislação tornou-se conhecida. Pesquisas indicam que 98% da população brasileira já ouviu falar na Lei Maria da Penha e 70% consideram que a mulher sofre mais violência dentro de casa do que em espaços públicos.
Segundo o Conselho Nacional de Justiça, mais de 212 mil novos processos registrando casos de violência doméstica e familiar foram abertos em 2016. E mais de 280 mil medidas protetivas foram proferidas para proteger as mulheres em situação de violência.
A VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER PASSOU A SER CONSIDERADA CRIME A PARTIR DA APROVAÇÃO DA LEI N. 11.340, EM 7 DE AGOSTO DE 2006, QUE FICOU CONHECIDA COMO  LEI MARIA DA PENHA
ESSA LEI CRIA MECANISMOS PARA COIBIR E PREVENIR A AGRESSÃO AMBIENTADA NA CONVIVÊNCIA FAMILIAR,  E SE TORNOU UM INSTRUMENTO DE TRANSFORMAÇÃO SOCIAL AO LONGO DOS SEUS onze anos  DE EXISTÊNCIA.

http://www.relogiosdaviolencia.com.br/

Fontes:relogiodaviolencia/O Globo/ EBC/portalbrasil




segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Mulheres enfrentam obstáculos na manutenção de um negócio

Quando se trata de negócios já estabelecidos, as mulheres mostram presença menor que a do sexo masculino. 

As informações estão na pesquisa Global Entrepreneurship Monitor 2016, coordenada no Brasil pelo Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) e o Instituto Brasileiro de Qualidade e Produtividade (IBPQ).
A taxa de empreendedores estabelecidos, ou seja, que tocam um negócio há mais de três anos e meio, ficou em 19,6% entre os homens e 14,3% entre as mulheres.
Segundo o estudo, em 2016 a taxa de empreendedorismo entre os que têm um negócio com até três anos e meio de existência ficou em 15,4% entre as mulheres e em 12,6% entre os homens. 
A pesquisa revelou também que as mulheres empreendem por necessidade mais frequentemente do que os homens. No grupo feminino, 48% delas afirmaram ter buscado o empreendedorismo porque precisaram. No masculino, esse percentual cai para 37%.

O presidente do Sebrae, afirma que em tempos de crise o empreendedorismo é uma alternativa para vários brasileiros que perderam o emprego ou buscam uma renda extra. No caso das mulheres, ele destaca que a solução pode ser mais viável que um emprego com horário rígido, já que muitas delas têm de fazer a chamada jornada dupla.

Mais suporte

Apesar das  dificuldades encontradas existem técnicos dos empreendedorismo que vê como positiva a maior presença feminina nos negócios novos.  Ressaltam  que isso é resultado do empoderamento das mulheres e avalia que, com o tempo, crescerá também o número das que estão à frente de negócios estabelecidos há mais tempo.

No estudo do Sebrae e do IBPQ, técnicos também enumeram obstáculos apontados por mulheres empreendedoras e recomendam maior suporte. “[As mulheres] conseguem criar novos negócios, porém enfrentam dificuldades para fazer seus empreendimentos prosperarem. Tal fenômeno pode estar associado às condições relatadas, como preconceito de gênero, menor credibilidade pelo fato de o mundo dos negócios ser mais tradicionalmente associado a homens, maior dificuldade de financiamento e dificuldade para conciliar demandas da família e do empreendimento. Essa situação aponta para a necessidade de maiores investimentos para dar suporte”, ressalta a pesquisa.

Ajuda da família
Em março do ano passado, a turismóloga Mariana Alves Carvalho David, 32 anos, decidiu arriscar-se no mundo dos negócios. Desempregada, ela juntou a necessidade ao desejo antigo de ter o próprio negócio e abriu o restaurante Piccolo Emporium, na Asa Sul, zona central de Brasília.

“Na verdade, foram duas coisas. Meu pai vem desse ramo [de restaurantes] há muitos anos e eu tinha vontade de abrir alguma coisa. Aí, fiquei desempregada. Eu tinha um dinheiro e meu pai entrou comigo”, explica. Casada e mãe de dois filhos, ela tem a sorte de poder contar com a ajuda da família para conciliar a vida doméstica com a rotina de empresária.

“Eu não tive tanta dificuldade, pois meu marido já sabia como ia funcionar. Nós tínhamos conversado antes. E o fato de o meu pai estar junto comigo e a gente conseguir dividir [as tarefas do restaurante] facilitou muito. Se não fosse isso, realmente seria um pouco mais difícil”, diz.

Áreas de atuação
Além de enfrentar mais obstáculos para manter o negócio funcionando, as mulheres que decidem empreender atuam em menos áreas que os homens. Segundo a pesquisa do Sebrae e do IBPQ, em 2016, enquanto 49% das empreendedoras iniciais concentravam-se em quatro atividades, 50% dos homens começando a empreender estavam em nove segmentos.
Elas distribuíam-se nos setores de serviços domésticos (13,5 %) , cabeleireiros ou tratamento de beleza (12,6 %) , comércio varejista de vestuário e acessórios (12,3 %) e catering e bufê (10,3%).

Por sua vez, os homens estavam em todas as áreas ocupadas pelas mulheres, com exceção do serviço doméstico, e ainda na construção (14,8 %), restaurantes (7,7 %), manutenção de veículos (7,4 %), comércio varejista de hortifrutigranjeiros (3,2 %), atividades de serviços pessoais (2,8 %) e comércio varejista de cosméticos, produtos de perfumaria e higiene pessoal (2,4 %) .
As  barreiras do mundo corporativo e a própria formação cultural podem explicar a concentração das mulheres empreendedoras em áreas associadas ao universo feminino.
 “Ela pode se concentrar no espaço onde há mais facilidade para ela. Há uma carga cultural também, referente a como o homem é criado e a como a mulher é criada. Tem que começar um trabalho de base, desde que as meninas estão lá na escola até chegar à idade de empreender”, defende Marcelo Minutti, professor de empreendedorismo e inovação da Faculdade de Economia e Finanças Ibmec.

Fontes:EBC/jusnoticias/duradorosnews/trbn
Foto: reprodução

sábado, 5 de agosto de 2017

Ministério Público denuncia diretora por intolerância religiosa em escola de Ananindeua



O Ministério Público do Estado do Pará protocolou, na 3ª Vara Criminal de Ananindeua, a denúncia contra a diretora do Centro de Educação Trindade, Ana Trindade, que está envolvida em um caso de intolerância religiosa, ocorrido no ano passado, no bairro de Águas Brancas. O procedimento foi instaurado , após a solicitação encaminhada pela Comissão de Direito e Defesa da Liberdade Religiosa da OAB-PA, segundo informações divulgadas nesta quarta-feira (2) .


O presidente da Comissão de Direito e Defesa da Liberdade Religiosa da OAB-PA, Emerson Lima, explica que o fato foi conhecido através dos relatos publicados na internet e a repercussão na mídia, em novembro de 2016.

De acordo com o depoimento dos alunos Nubia Albuquerque e Pedro Ferreira, a diretora da escola agiu de forma preconceituosa e discriminatória ao proibir que eles apresentassem o trabalho sobre uma entidade que pertence à religião de matriz africana. A educadora ainda afirmou que não aceitaria "macumba" dentro do ambiente escolar.

O representante da OAB-PA também relembra que na época a comissão atuou de forma incisiva após o conhecimento do caso e entrou imediatamente com uma representação criminal para que o Ministério Público apurasse os fatos mediante processo investigatório e propusesse uma ação penal contra a diretora, que cometeu o crime de intolerância religiosa, além da proposição da ação civil pública contra a instituição de ensino.

"A denúncia contra a diretora não é só uma vitória da comissão, mas da democracia e da pluralidade de expressões religiosas. Além disso, também demonstrou que o Estado é Laico, e essa qualidade deve ser respeitada em todas as esferas sociais, principalmente no ambiente escolar. É importante destacar ainda que a denúncia traz visibilidade para outras situações de intolerância, onde as vítimas sequer sabem como agir", ressalta o presidente da Comissão de Direito e Defesa da Liberdade Religiosa da OAB-PA.

Ele também afirmou que a seccional paraense continuará acompanhando o prosseguimento do processo e aguardará a punição da acusada.

(Com informações da OAB-PA)

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