sábado, 27 de outubro de 2012

Inscrição Bolsa Atleta estará aberta até 17 de novembro


Bolsa-Atleta oferece até R$ 3.100 mensais para esportistas de categorias olímpicas e paralímpicas

O Ministério do Esporte abriu, na última sexta-feira (19/10), as inscrições para o Programa Bolsa-Atleta, voltado para as modalidades que compõem o programa dos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Podem se inscrever homens e mulheres que sejam esportistas e estejam em plena atividade. As bolsas vão de R$ 370 a R$ 3.100. Para o exercício de 2012, a Bolsa-Atleta tem cinco categorias: olímpica/paralímpica (R$ 3.100); internacional (R$ 1.850); nacional (R$ 925); estudantil (R$ 370) e de base (R$ 370). O programa tem duração de um ano e os valores são concedidos mensalmente. O programa visa investir prioritariamente nos esportes olímpicos e paralímpicos para formar, manter e renovar periodicamente gerações de atletas com potencial para representar o Brasil nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. Para se candidatar a uma das bolsas, é preciso preencher alguns pré-requisitos para cada categoria. Clique aqui para conhecê-los. As inscrições devem ser feitas pelo portal do Ministério do Esporte até o dia 17 de novembro. 

Participação feminina –  As atletas representaram 41% dos contemplados com a bolsa em 2011, totalizando 1.744 mulheres num universo de 4.243 esportistas beneficiados. Em relação à edição de 2010, quando a participação feminina foi de 38%, houve um aumento de 3%. O número se mostra mais positivo quando comparado ao exercício de 2005, quando foi criado o programa: as esportistas foram 35% do total dos contemplados. “O Ministério do Esporte, que tem se preocupado com a equidade de gênero em seus programas, tem por meta atender 100% das e dos atletas nas modalidades dos programas olímpico e paralímpico e dos programas pan e parapan-americanos”, afirma a coordenadora-geral de Esporte e Lazer da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Beatriz Helena Matté Gregor. A Coordenação-Geral de Esporte e Lazer da SPM quer estimular a ampliação do número de mulheres contempladas pelo Programa Bolsa-Atleta. Por isso, considera fundamental assegurar outros investimentos públicos para aumentar a participação das mulheres no esporte e lazer, incluindo, entre outras ações, o apoio às atletas e organizações desportivas, fortalecendo a valorização e profissionalização das mulheres. “Durante muito tempo no Brasil, as mulheres foram proibidas de praticar determinados esportes, pois não eram considerados adequados à ‘natureza feminina’ e, portanto, agora é preciso recuperar o atraso sofrido com relação aos homens no desenvolvimento esportivo e na ocupação de espaços relacionados ao esporte”, observa Beatriz Gregory.

Brasil Medalhas – Em setembro, a presidenta Dilma Rousseff  lançou o Plano Brasil Medalhas 2016, que prevê colocar o Brasil entre os 10 primeiros países nos Jogos Olímpicos e entre os cinco primeiros nos Jogos Paralímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. A vertente “apoio ao atleta” institui o Programa Pódio, que inclui a Bolsa-Pódio e cria a Bolsa-Técnico, que pagarão, respectivamente, até R$ 15 mil e até R$ 10 mil mensais. Os beneficiados do Pódio serão atletas de modalidades individuais que, entre outros critérios, estejam situados entre os 20 melhores do ranking mundial, além de seus treinadores e equipe multidisciplinar (preparador físico, nutricionista, atleta-guia). Quando abertos, os editais para obter a Bolsa-Pódio e a Bolsa-Técnico serão amplamente divulgados.

 
 
 

Fonte e texto: Comunicação Social – SPM

SPM representa o Brasil na 36ª Assembleia de Delegadas da Comissão Interamericana de Mulheres


Na Costa Rica, encontro reúne autoridades governamentais para avaliação das políticas gênero na América Latina e Caribe


Violência contra as mulheres, segurança cidadã, poder, participação política e  retorno social do investimento na infraestrutura de atendimento às mulheres. Esses são os assuntos que estarão em destaque na 36ª Assembleia de Delegadas da Comissão Interamericana de Mulheres, que acontecerá nos dias 29 e 30 de outubro,  na Costa Rica
O Brasil estará representado pela secretária-executiva da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (SPM-PR), Lourdes Bandeira, e pela secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, da SPM, Aparecida Gonçalves.
O encontro será aberto pela presidenta da Costa Rica, Laura Chinchilla Miranda, pela ministra da Condição da Mulher do Instituto Nacional de Mulheres da Costa Rica, Maureen Clarke Clarke, pela presidenta da Comissão Interamericana de Mulheres, Rocío García Gaytán, e pelo secretário-geral adjunto da Organização dos Estados Americanos (OEA), Albert Ramdin. O ato de abertura terá exibição de mensagem da diretora-executiva da ONU Mulheres, Michelle Bachelet.
São aguardadas as delegações de mais 16 países da América Latina e Caribe: Argentina,  Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, Equador, El Salvador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua,  Paraguai, Peru, República Dominicana, Uruguai e Venezuela.
A assembleia ocorre a cada dois anos e tem como objetivo reunir as principais autoridades governamentais responsáveis pelas questões de gênero. A cada encontro os Estados-membros da Organização dos Estados Americanos (OEA) têm como atividade principal a formulação de relatórios sobre os progressos na implementação do Programa para a Promoção dos Direitos Humanos da Mulher, Equidade e da Igualdade de Gênero. 

Fonte  e texto : SPM
 

Advogada brasileira é reeleita para o Subcomitê de Prevenção Contra a Tortura das Nações Unidas




A advogada brasileira Maria Margarida Pressburger, que atua na área de defesa dos direitos humanos no país, foi reeleita para o Subcomitê de Prevenção da Tortura (SPT) das Nações Unidas. Presidenta da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil Seccional Rio de Janeiro (OAB-RJ), ela também é conselheira da Comissão de Reparação Política do estado. A reeleição de Maria Margarida foi elogiada pelo governo do Brasil.
Em nota, o Ministério das Relações Exteriores, Itamaraty, e a Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República (SDH) destacaram a atuação de Maria Margarida na defesa e preservação dos direitos humanos no Brasil.
“As credenciais da atuação de Margarida Pressburger em diversas iniciativas de direitos humanos, seu engajamento na campanha pelo Direito à Memória e à Verdade, bem como seu recente mandato no Subcomitê de Prevenção à Tortura, respaldam sua importante missão na prevenção da tortura e de tratamentos cruéis e desumanos nos ambientes de privação de liberdade”, diz a SDH.
O Itamaraty reiterou os elogios à reeleição da advogada para o Subcomitê de Prevenção da Tortura (SPT) das Nações Unidas. “O governo brasileiro recebeu com satisfação a reeleição, no dia 25 de outubro, em Genebra, da Sra. Maria Margarida Pressburger ao Subcomitê de Prevenção da Tortura (SPT) das Nações Unidas, para o mandato 2013-2016”, diz o comunicado.
Segundo o Ministério das Relações Exteriores, Maria Margarida é “ativista histórico do movimento pela proteção dos direitos humanos”. De acordo com a nota, a advogada participou de “diversas iniciativas em defesa das mulheres, crianças e adolescentes no Brasil”.
O SPT das Nações Unidas foi criado em 2007 com a entrada em vigor do Protocolo Facultativo à Convenção das Nações Unidas contra a Tortura (Opcat), ratificado pelo Brasil em 12 de janeiro de 2007. O subcomitê atua na prevenção da tortura e de todas as formas de tratamento cruéis, desumanas ou degradantes.
Fonte e texto  : Agência Brasil

9 de novembro - Dia Nacional de Luta em favor do povo GUARANI-KAIOWÁ em todo Brasil

RELEMBRANDO: "Durban não terminou"

 Por Sueli Carneiro

O que Durban reessalta e advoga é a necessidade de uma intervenção decisiva nas condições de vida das populações historicamente discriminadas. A opinião é de Sueli Carneiro, uma das delegadas brasileiras na conferência anti-racismo realizada na África do Sul





Poderíamos sem exagero falar na "batalha de Durban". Nela aflorou em toda a sua extensão o problema étnico/racial no plano internacional, levando à quase impossibilidade de alcançar consenso mínimo entre as nações para enfrentá-lo. O que pareceria retórica de ativista anti-racista se manifestou em Durban como de fato é: as questões étnicas, raciais, culturais e religiosas, e todos os problemas nos quais elas se desdobram (racismo, discriminação racial, xenofobia, exclusão e marginalização social de grandes contingentes humanos considerados "diferentes") têm a potencialidade de polarizar o mundo contemporâneo. De opor Norte e Sul, Ocidente e não-Ocidente, brancos e não-brancos além de serem responsáveis, em grande medida, pelas contradições internas da maioria dos países. Essa carga explosiva esteve presente até os últimos momentos da conferência sobre racismo, ameaçando a aprovação de seu documento final e a permanência nela de diversos países.

O que se viu em Durban foi, em primeiro lugar, mais uma demonstração de unilateralismo dos EUA ao abandonar a conferência em apoio ao Estado de Israel, acusado pelo Fórum de ONGs e por representantes de delegações oficiais de práticas racistas e colonialistas sobre o povo palestino e, em segundo lugar, uma clara disposição dos países ocidentais, em seu conjunto, de fazer naufragar a conferência caso ela caminhasse para a condenação do colonialismo e suas conseqüências

Dentre as questões mais polêmicas destacam-se a exigência de africanos e afrodescendentes da diáspora africana, de reconhecimento do tráfico transatlântico como crime de lesa-humanidade e de reparações pelos séculos de escravidão e exploração colonial do continente africano. Esses temas mantiveram o Canadá e a União Européia em permanente ameaça de também abandonar a conferência, e foram usados pelos EUA, durante todo o processo preparatório da mesma (as três reuniões do Comitê Preparatório ocorridas em Genebra) para justificar a sua não ida a Durban, ou a sua participação na conferência com uma delegação de segundo escalão, o que acabou ocorrendo.

Questões de natureza jurídica e de princípios estão subjacentes na intransigência dos países ocidentais em admitir a escravidão africana como crime de lesa-humanidade porque tal reconhecimento ofereceria suporte para processos internacionais por reparações da parte dos países africanos e dos afrodescendentes contra os países que se beneficiaram direta ou indiretamente do tráfico negreiro, da exploração da escravidão e das riquezas do continente africano.

Outra dimensão desse problema constituiu um permanente não-dito, mas subentendido, posicionamento dos países ocidentais. Para além do objetivo de impedir a aprovação de qualquer proposta que abrisse brechas para reparações, lutavam também para impedir a condenação do passado colonial, sobretudo porque significaria o questionamento e a crítica aos fundamentos que justificaram o colonialismo e a expansão econômica do Ocidente: sua suposta superioridade racial e cultural e a convicção de sua missão civilizatória em relação aos povos considerados inferiores, ou seja, acordar os povos dormentes da África para a civilização e destinar os bens ociosos no continente africano para o progresso de toda a humanidade, o que relativizaria os "eventuais males ou excessos" do colonialismo, que é o máximo que as delegações ocidentais se dispuseram a aceitar, como desculpas, por esse passado dantesco.

Nesse contexto, a aprovação da Declaração e do Plano de Ação da conferência, num clima de alta dramaticidade, foi, em si mesma, uma das grandes vitórias dada a intensidade dos conflitos e das disputas ali presentes.

Para os afrodescendentes das Américas e os afrobrasileiros em particular há, entretanto, muito que comemorar pelo que Durban ratificou das conquistas da Conferência Regional das Américas, incorporando vários parágrafos acordados pelos Estados Americanos em Santiago do Chile. O termo afrodescendente torna-se linguagem consagrada nas Nações Unidas e designa um grupo específico de vítimas de racismo e discriminação; pelo reconhecimento da urgência de implementação de políticas públicas para a eliminação das desvantagens sociais, recomendando aos Estados e aos organismos internacionais, entre outras medidas, que "elaborem programas destinados aos afrodescendentes e destinem recursos adicionais a sistemas de saúde, educação, habitação, eletricidade, água potável e medidas de controle do meio ambiente, e que promovam a igualdade de oportunidades no emprego bem como outras iniciativas de ação afirmativa ou positiva".

O protagonismo dos afrodescendentes das Américas para se verem reconhecidos pela Conferência de Durban se consubstancia, também, no parágrafo 42 da Declaração, aprovado com a seguinte redação: "Consideramos essencial que todos os países da região das Américas e todas as demais zonas da diáspora africana reconheçam a existência de sua população de origem africana e as contribuições culturais, econômicas, políticas e científicas dadas por essa população, e que admitam a persistência do racismo, a discriminação racial, a xenofobia e as formas conexas de intolerância que a afetam de maneira específica, e reconheçam que, em muitos países, a desigualdade histórica no que diz respeito, entre outras coisas, ao acesso à educação, a atenção à saúde, à habitação tem sido uma causa profunda das disparidades socioeconômicas que as afetam."

O Plano de Ação, por sua vez, apresenta vários parágrafos que instam os Estados à adoção de políticas públicas nas diversas áreas sociais voltadas para a promoção social dos afrodescendentes. E o seu artigo 114, tendo por base as metas internacionais de desenvolvimento acordadas nas Conferencias da ONU da década de 90, estabelece um marco temporal até 2015 para que aquelas metas sejam alcançadas "como fim de superar de forma significativa a defasagem existente nas condições de vida com que se defrontam as vítimas do racismo, a discriminação racial, a xenofobia e as formas conexas de intolerância, em particular no que diz respeito a taxas de analfabetismo, de educação primária universal, a mortalidade infantil, a mortalidade de crianças menores de 5 anos, a saúde, a atenção à saúde reprodutiva para todos e o acesso à água potável; a aprovação dessas políticas também levará em conta a promoção da igualdade de gênero".

Portanto a Conferência de Racismo insta os Estados a adotarem a eliminação da desigualdade racial nas metas a serem alcançadas por suas políticas universalistas. No Brasil isso equivale, por exemplo, a torná-las capazes de alterar o padrão de desigualdade nos índices educacionais de negros e brancos que, segundo os dados produzidos pelo Ipea, manteve-se inalterado por quase todo o século 20, apesar da democratização do acesso à educação; significa redesenhar as políticas na área de saúde de forma a permitir a equalização da expectativa de vida de brancos e negros que é em média de 5 anos a menos para os negros; promover o acesso racialmente democrático ao mercado de trabalhos às diferentes ocupações e à eqüidade nos rendimentos, à terra e à moradia, ao desenvolvimento cultural e tecnológico.

Assim posto, a agenda que Durban impõe vai muito além do debate a respeito das cotas que têm monopolizado e polarizado o debate sobre a questão racial. O debate sobre as cotas no Brasil, embora seja um dos impactos positivos da Conferência de Racismo por pautar o tema racial na sociedade, é reducionista e obscurece a amplitude e diversidade dos temas a serem enfrentados para o combate ao racismo e à discriminação racial no Brasil. O que Durban ressalta e advoga é a necessidade de uma intervenção decisiva nas condições de vida das populações historicamente discriminadas. É o desafio de eliminação do gap histórico que essas populações carregam, problemas para os quais a mera adoção de cotas para o ensino universitário são insuficientes. Precisa-se delas e de muito mais.


Fonte: Revista Fórum/ Geledés 

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