As mulheres negras que
ocupam cargos de liderança são mais criticadas quando os negócios não correm
bem ou quando são as próprias a cometer algum erro. A conclusão é de uma
pesquisa norte-americana divulgada pelo The Wall Street
Journal.
Em situações de crise,
há uma tendência maior para apontar o dedo ao desempenho de chefes negras. As
mulheres brancas em cargos de liderança são as segundas mais criticadas e só
depois é que surge o sexo masculino, sendo que o típico líder (homem branco) é
sempre o mais poupado e apoiado, revela o estudo de Ashleigh Shelby Rosete,
professora de Administração da Duke University’s Fuqua School of Business, e
Robert W. Livingston, professor de Gestão e Grganização da University’s Kellogg
School of Managemen.
Os dois docentes
estudaram o mercado de trabalho norte-americano e compararam a visão/opinião de
228 voluntários sobre quatro grupos de líderes empresariais: mulheres brancas,
mulheres negras, homens brancos e homens negros.
A investigação está a
causar grande polêmica nos Estados Unidos, já que é cada vez maior o número de
mulheres a ocuparem cargos de direção.
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Este não é um fato
isolado de nossa realidade no Brasil.
Vivemos e convivemos com a mesma situação, em
qualquer que seja o país, independentemente da situação financeira ou grau
de escolaridade, basta a mulher negra conquistar sua liderança e ocupar
cargos de médio ou grandes escalões para que racismo aflore nas mais diversas versões.
Não é fácil!
A falta de respeito
humano, o tom de desprezo na contra-argumentação, a agressividade no trato, a
banalização do perfil, o desmerecimento nas deliberações, a desqualificações da
posição independente ser for ideológica ou técnica, críticas infundadas.
Chega ser patológico!
Existem pessoas que
agem de forma tão agressiva, que se sentem ameaçadas tão somente o fato da
mulher negra poder estar.
E se na estrutura ocupada pela mulher negra for
de função de dirigente política, ela sofrerá diretamente com ataques preconceituosos
e discriminatórios, além de conviver cotidianamente com o racismo velado e
institucionalizado somando-se aos questionamentos e desqualificações intelectual
e profissional.
Entendamos que não é
uma tarefa fácil chegar onde poucas líderes chegaram convivendo neste universo
patriarcal e sexista.
São poucas. Chego a
afirmar que se considerarmos o total da composição populacional, mesmo se
cometer o recorte para as mulheres brancas, nós somos algumas no mundo. Muito pouca, e mesmo assim provocamos reações
que demonstram a distância que estamos da igualdade de direitos considerado o elemento ideológico denominado
democracia racial aqui no Brasil.
Os estereótipos e os
estigmas são fatores que marginalizam milhares de mulheres negras em nossa
sociedade.
Utilizam como
justificativas denominadas “naturais”, para não aceitar os questionamentos realizados
pelas mulheres negras da falta de visibilidade e da falta de oportunidades, os
poucos exemplos obtidos na representação alcançado ou conquistado de apenas uma
ou outra no mundo.
Quem já não ouviu alguém
justificar afirmando: - Mas vocês não são poucas, reclamam demais! - tem a X no
EUA, tem a Y no Brasil, tem A no futebol, tem A deputada, tem X na África, tem
Y na empresa, tem a XX na comunicação.
Ou ouviu afirmação realizada
para uma mulher negra, que ela não tem perfil para ocupar este ou aquele cargo.
A mulher negra tem como
tarefa para além da sobrevivência a luta diuturna contra a herança escravista
que ainda se faz presente nas atitudes das pessoas e no sistema que opera a sociedade,
tem como padrão o modelo ideal de ser
humano, homem branco, cristão, heterossexual, ocidental…. Estamos subjugadas a um ideal
estético-cultural eurocêntrico, desde o Brasil colonial.
São fortes as posições
e atitudes que questionam veladamente, o nosso pertencimento, a nossa cultura,
nossos valores, a nossa composição ético-racial, a nossa origem linguística. Somos
consideradas uma ameaça ao desejarmos na mesma proporção,sem privilégios e por mérito,
o poder, a liderança, o comando.
A opressão racial se
confunde o tempo todo com a estrutura de classes da sociedade capitalista.
Não quero ser excluída por ser diferente! Não quero ser discriminada por destacar no meu
perfil minha ancestralidade.
Minha identidade não significa meu eu.
Significa nós. Não nós algumas, mas um conjunto.
Contudo os questionamentos
realizados pelas mulheres negras dentro do feminismo no papel da mulher negra
na sociedade moderna e a exclusão sofrida, bem como as discriminações existente,
ainda são analisadas pela grande parcela do feminismo brasileiro, como pontuais,
fatos isolados do conjunto da sociedade organizada.
Os discursos das
feministas propõem a inserção da mulher na vida política e civil em condição de
igualdade com os homens, tanto de deveres quanto de direitos, mas não reconhecem
mulheres negras no comando e as especificidades sem recorte.
Eu termino minha
reflexão descrevendo um trecho de um texto que diz:
“ ...Lutar pela mulher
negra significa lutar contra o capital, contra o padrão de beleza eurocêntrico,
contra a hierarquização da cultura, contra a colonização do conhecimento,
contra o eurocentrismo ,....
Desejar diretos iguais,
oportunidades, equidade e reparação, significa propor transformações radicais
na estrutura desta sociedade…”
Não fomos vencidas pela anulação social,
Sobrevivemos à ausência na novela, no comercial;
O sistema pode até me transformar em empregada,
Mas não pode me fazer raciocinar como criada;
Enquanto mulheres convencionais lutam contra o machismo,
As negras duelam pra vencer o machismo,
O preconceito, o racismo.
Yzalú
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