segunda-feira, 30 de junho de 2014

Diretora executiva da ONU Mulheres escreve sobre os 20 anos pós Pequim

Há duas décadas, o mundo reuniu-se em Pequim para a Quarta Conferência Mundial sobre as Mulheres. Lá, 189 governos adotaram um roteiro visionário para a igualdade de gênero: a Declaração e a Plataforma de Ação de Pequim. Mais de 17 mil delegadas e delegados e 30 mil ativistas imaginaram um mundo em que as mulheres e meninas tinham direitos iguais, liberdade e oportunidade em todas as esferas da vida.
Embora muito progresso tenha sido conquistado nos últimos 20 anos, nenhum país alcançou a igualdade entre homens e mulheres. É o momento para que o mundo se reúna novamente em volta das mulheres e meninas e conclua essa jornada. A ONU Mulheres acaba de lançar uma campanha, a ser realizada no período de um ano, para reenergizar a visão surgida na Conferência das Mulheres de Pequim. Nosso objetivo é simples: um compromisso renovado, uma ação reforçada e mais recursos para concretizar a igualdade de gênero, o empoderamento das mulheres e os direitos humanos. A campanha tem o lema “Empoderar mulheres, empoderar a humanidade: imagine!”
A Declaração de Pequim estabeleceu 12 áreas críticas de preocupação para as mulheres e meninas em todo o mundo. Os governos, o setor privado e outros parceiros foram instados a reduzir a pobreza de mulheres e meninas, garantir o seu direito de acesso à educação e formação, salvaguardar a sua saúde incluindo a saúde sexual e reprodutiva, proteger mulheres e meninas contra a violência e discriminação, garantir que os avanços tecnológicos beneficiem a todos e promover a participação plena e igualitária na sociedade, na política e na economia. A Declaração e a Plataforma de Ação de Pequim continuam a ser o acordo global mais abrangente sobre o empoderamento das mulheres e a igualdade de gênero.
Talvez seja ainda mais surpreendente o fato de que, se as negociações de Pequim ocorressem hoje, elas provavelmente resultariam em um acordo mais fraco. Todos nós temos a responsabilidade de manter o avanço e seguir para a sua plena implementação, porque, cada vez que uma mulher ou uma menina é retida por discriminação ou violência, a humanidade perde.
Estudos mostram que, para cada ano adicional de educação para as mulheres, a mortalidade infantil diminui em 9,5%. Equalizar o acesso aos recursos e serviços para mulheres agricultoras seria aumentar a produção e eliminar a fome de 150 milhões de pessoas. Um bilhão de mulheres vão entrar na economia mundial na próxima década.
Neste momento, todos os países estão trabalhando para alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio, até 2015, e para definir uma nova agenda de desenvolvimento global posterior a 2015. Devemos aproveitar esta oportunidade única, uma em cada geração, para posicionar a igualdade de gênero, os direitos das mulheres e o empoderamento das mulheres firmemente no centro da agenda global. É a coisa certa a fazer e é a melhor coisa para a humanidade.
(O Globo, 26/06/2014) 

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