terça-feira, 18 de julho de 2023

3º Seminário de Saúde da Mulher , acontece 29 de Julho

 Por Mônica Aguiar 

O Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova, realiza todo mês de Julho, o Seminário em atenção a saúde das mulheres. Este ano estar na terceira edição.

O 3º Seminário de Saúde da Mulher terá como Tema principal “Atenção Básica e Determinantes Sociais” ,  será realizado no dia 29 de julho, mês de luta das Mulheres Negras Latinas Americanas e Caribenhas.   

Um dos objetivos do seminário é discutir a Política de Atenção à Saúde das Mulheres, a importância do monitoramento por parte dos movimentos sociais de mulheres para  da cobertura da atenção básica como estratégia para a promoção da equidade de gênero e raça". 

As organizadoras pretendem reunir no máximo 100 mulheres conselheiras da saúde, pesquisadoras, trabalhadoras da saúde, militantes em defesa das mulheres, do movimento negro, direitos humanos de Minas. Pessoas de diversos campos da saúde que se dedicam a estudar sobre os impactos das desigualdades econômicas e territoriais, bem como o racismo no Sistema Único de Saúde. 

Para as organizadoras, ao longo destes três anos, com o seminário de saúde da mulher estão percebendo nas falas que as mulheres de Minas Gerais, tem encontrado resistências, dentro e fora dos conselhos de saúde para se organizar e monitorar as ações da gestão pública na garantia dos direitos sexuais e reprodutivos, diminuição das mortes maternas, garantia do bom parto e nascimento, além da falta de existência de  uma maternidade com centro de parto normal totalmente públicos, baixa atenção às doenças que levam ao óbitos precoces de mulheres e trato humanizado às mulheres vítimas de violências.

De acordo com a organização é uma oportunidade ímpar, onde as mulheres presentes no Seminário, poderão  debater, avaliar, propor efetivamente a implementação do PNAISM em Minas Gerais e, a posterior, produzir uma Carta “Dossiê” que será lançada em data específica e entregue as secretarias de saúde do Estado e Municípios de Minas Gerais.

DETERMINANTES SOCIAIS 

Os Determinantes Sociais da Saúde permite perceber que fatores de ordem socioeconômica estão diretamente relacionados ao bem-estar da sociedade. Com isto é possível identificar os fatores externos que influenciam de maneira negativa na qualidade de vida das pessoas. Eles ajudam na criação de medidas globais para redução da desigualdade.

Segundo a OMS, por exemplo, pessoas que vivem em regiões ricas e desenvolvidas têm uma expectativa de vida de 18 anos a mais do que as que vivem em lugares subdesenvolvidos.

A falta de acesso a atendimento de qualidade, atividades de lazer, água tratada, habitação  e educação sobre cuidados preventivos aumenta a probabilidade de contaminação. Doenças como câncer, problemas respiratórios crônicos e diabetes, por exemplo, crescem em maior escala em famílias de baixo poder econômico.   

O 3º Seminário de Saúde da Mulher tem apoios da REHUNA (Rede de Humanização do Parto e Nascimento), Defensoria Pública de Minas Gerais, Casa Marielle Franco Brasil, CRIOLA e da Associação das Defensoras e Defensores Públicos de Minas Gerais

SERVIÇO

  • 29 de Julho de 2023
  • 12:30 às 16:00 horas
  • Onde? Centro de Referência de Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado - Tenda do Casarão - R. Min. Hermenegildo de Barros, 904 Itapoá BH/MG (Lagoa do Nado) 

segunda-feira, 26 de junho de 2023

Insegurança alimentar, um sofrimento presente nos lares chefiado por mulheres negras

 
Por Mônica Aguiar 

Em várias pesquisas, os dados sobre renda e pobreza são apresentados segundo o rendimento médio do trabalho e  com base na renda domiciliar per capita (RDPC), ou, ainda, de acordo com linhas de pobreza baseadas no salário mínimo (SM). 

Em todas estas classificações, é possível perceber o aumento da pobreza e das desigualdades.

A população feminina é maioria da população brasileira. 

Lares chefiados por pessoas  pardas e pretas são mais  de 60% dos que sofrem com a  insegurança alimentar. A situação de insegurança alimentar é dada a famílias/pessoas que não tem acesso regular e permanente a alimentos em quantidade suficiente, comprometendo outras necessidades essenciais. 

Uma pesquisa lançada  pela Rede Brasileira de  Pesquisa em Soberania e Segurança Alimentar e Nutricional (Rede PENSSAN) demostra a distância que muitas famílias estão em ter Segurança Alimentar.

Lares em situação de insegurança alimentar , classificada como moderada e mais grave são  34% dos lares chefiados pessoas pardas e 39,1% lares  chefiados por pessoas pretas. 

Ou seja, a maioria nestas péssimas condições pertencem ao grupo população negra. 

A situação de fome se torna mais grave e frequentes  quando analisados os lares chefiados por pessoas pretas (20,6%), seguidas de pardos (17%) e brancos (10,6%).

Na composição familiar no Brasil, as mulheres negras são em maioria chefe de família e apenas 30,1% dos domicílios chefiados por elas não sofrem com a insegurança alimentar.

Um  boletim lançado em março, deste ano  pelo DIESSE, também demonstra que  em 2022, as mulheres eram a maioria entre os desempregados, (55,5%). Os arranjos mais vulneráveis são os da chefia feminina com filhos sem cônjuge. A  renda do trabalho do domicílio e a renda per capita foram as menores entre os arranjos analisados.

Entre as famílias chefiadas  por mulheres negras, a maioria estavam fora do mercado de trabalho, somando quase 3 milhões de pessoas, e, entre as lideradas por não negras, a proporção era semelhante, 44,2%, ou 1,9 milhão de mulheres, no 3º trimestre de 2022.

Na pesquisa também podemos observar a posição na ocupação, que  comprova a vulnerabilidade das chefes de família negras. 

Estes dados demostram o quadro de insegurança alimentar entre famílias negras.

As residências chefiadas por mulheres negras apresentam os piores indicadores de insegurança  alimentar   no Brasil. Situação  que permanece a anos e,  fica acentuada com o agravamento das desigualdades sociais  e econômicas e consequentemente aumento da miséria e fome.

         “Os dados conseguem marcar bem o cenário de racismo e de sexismo na estrutura da sociedade brasileira. Há um aumento expressivo dos níveis de insegurança alimentar nos domicílios liderados por mulheres negras, mesmo com níveis de escolaridade, renda e condições de ocupação semelhantes”, afirma a pesquisadora da Rede Penssan e professora do Instituto de Nutrição da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Rosana Salles-Costa.

 MATÉRIAS REFERENTES 

  • https://g1.globo.com/economia/noticia/2023/06/26/dois-em-cada-tres-domicilios-chefiados-por-negros-sofrem-com-inseguranca-alimentar-diz-estudo.ghtml
  • https://www.dieese.org.br/boletimespecial/2023/mulheres2023.pdf
  • https://valorinveste.globo.com/mercados/brasil-e-politica/noticia/2023/06/26/fome-e-mais-presente-em-lares-chefiados-por-mulheres-negras.ghtml


quarta-feira, 7 de junho de 2023

Uma Mulher Negra para o Supremo Tribunal Federal(STF) Já !

 

Por Mônica Aguiar 

Os debates se tornaram calorosos neste últimos dias em função da defesa de indicação de uma mulher negra como ministra no STF (Supremo Tribunal Federal).

Em março, entidades da sociedade civil, lançaram manifesto em favor da indicação de uma jurista negra para o Supremo Tribunal Federal (STF).

Dentre as ausências que arranham a capacidade de percepção da realidade posta à apreciação jurídica estatal, sobressai a efetiva interdição às mulheres negras da ocupação de vagas no Supremo Tribunal Federal. Embora conte com a presença de mulheres desde o ano 2000, não há razoabilidade para que jamais uma jurista negra tenha tido assento na Corte Suprema do Poder Judiciário”. (Trecho no manifesto).

Nunca uma mulher preta ou parda foi nomeada ministra na Corte no Brasil.

Existem muitas mulheres negras com a carreira jurídica consolidada, notável saber nesta área, com reputação íntegra e incorrupta, ou seja, reputação ilibada. Preenchem os requisitos constitucionais para serem Ministras do STF.

Apesar das turbulência no Brasil, os resquícios do governo Bolsonaro, a composição na Câmara Federal e Senado, o presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, tem uma enorme oportunidade, se assim quiser de reeditar a história no Brasil para o mundo, escolhendo uma mulher negra para o STF.

Este ano serão dois Ministros do STF que deixarão as cadeiras para se aposentar. Ainda há a possibilidade do surgimento de uma terceira cadeira, caso o Ministro Luiz Roberto Barroso antecipe sua aposentadoria.

Neste processo, observo entre as falas e escritas dos que imperam a cortes dos brancos, manifestações subjetivas e previsíveis que estão dando um tom para as justificativas de que a “estética racial e fenótipos negroides” deixam de ter importância diante o tamanho da representação para o STF.

Caso o Presidente da República LULA, deseje reparar os danos causados pela escravidão negra é possível trilhar caminhos para superação das intervenções que são em sua maioria racistas.

E apesar do cenário político no Brasil garantir a manutenção de uma casta racial branca no Poder, não faltam instrumentos legais, sociais, políticos e internacionais já assinados pelo Brasil para dar um basta nas vozes deste poderio e algozes que se perpetuam imortalizados com naturalidade no poder.

É preciso observar o Brasil e o mundo ao redor. Enxergar as diversidades existentes e reverenciar a necessidade das reparações. Revisar a noção tradicional de soberania de Estado.

Afinal, as mulheres negras como sujeitos de direitos devem ser amparadas por todas as suas especificidades e concreticidade sociorracial existentes.

É preciso ter vontade política para enfrentar os desafios impostos,  superar valores morais, raciais que  segregam as mulheres negras no Brasil.

terça-feira, 2 de maio de 2023

Violência obstétrica, precisa estar prevista na legislação federal do Brasil.

 Pôr Mônica Aguiar 

Para este reconhecimento deve-se considerar as assimetrias deste tipo de violência na saúde, as práticas que levam as transgressões aos diretos sexuais e direitos reprodutivos durante a gravides, parto e período puerperal e as possibilidades de colocar a vida social, psicológica e saúde da mulher em risco ou com sequelas irreversíveis.

É muito comum encontrar definições subjetivas e lista reduzida dos cognominados agravos que provocam a violência obstétrica na linha de violências acometidas de forma verbalizada:- sofrimentos psicológicos à gestante, ofensas verbais e tratamento agressivo, dentre outros,  

Na minha avaliação, a violência obstétrica estar relacionada ao crime de gênero. As práticas e condutas ilegais que configuram o crime de violência obstétrica, ferem os direitos humanos das mulheres e meninas, autonomia sobre o corpo e provocam óbitos precoces durante as várias etapas de vida da mulher.

Tenho encontrado várias definições com tipificações sobre o tema e agora, se faz necessário ampliar os olhares, considerar e aprofundar o abismo existente da violência obstétrica que provocam agravos, e que, violam os direitos humanos condizendo a métodos criminais.

E minhas afirmações, além dos estudos aqui apresentados estão baseadas em relatos de adolescentes e mulheres em sua ampla maioria negras, residentes nas periferias de Belo Horizonte, que se predisporiam a romper com a barreira do medo e “contar”. Esta escuta pessoal, foi realizada de forma voluntária no ano de 2020, em função da relevância do tema e aumento de mortes maternas no Brasil.

Não tenho a menor dúvida que a violência obstétrica, além da inegável destruições que causam na vida pessoal de uma mulher, provocam impactos na vida social, produtiva e econômica das mulheres e também de Governos. O aumento das despesas médicas e legais, impactam o orçamento dos programas governamental, sociais, assistenciais e previdenciário e no desenvolvimento econômico e produtivo de um país.

Com isto, devemos considerar todas as assimetrias dos impactos que a violência obstétrica provoca na vida das mulheres.

Estudo recente que envolveu mais de 24 mil mulheres, apontou que mulheres que sofrem com a violência obstétrica tem seu aleitamento comprometido na maternidade e traz repercussões a longo prazo. A pesquisa já havia apontado que 44% sofreram algum tipo de violência obstétrica. Este achado é de um estudo inédito da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ) e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

 Mulheres que sofrem violência obstétrica têm menos chance de sair da maternidade amamentando exclusivamente e de manter o aleitamento a longo prazo. Entre aquelas que tiveram parto vaginal, o impacto é ainda maior e pode se prolongar por até seis meses”.

Conforme a pesquisadora Tatiana Henriques Leite, professora da UERJ em uma entrevista na revista Metrôpoles: “Há poucos estudos sobre o tema e menos ainda explorando as consequências dessa violência, tanto para a mulher quanto para o recém-nascido”.

“Segundo a autora, um dos problemas é a própria definição de violência obstétrica: embora muita gente a associe com abusos físicos ou sexuais, o termo é bem mais amplo e engloba violência psicológica, desrespeito, falta de informação, de comunicação, de autonomia e até de privacidade no contato com a equipe médica, além da falta de acesso a recursos a que a mulher tem direito”.

ESTUDOS

Como os meus passos, vem de longe, fui a procura na internet sobre assuntos que discorrem sobre a violência obstétrica e estratifiquem os dados a partir das condições territoriais, socioeconômica e de cor/raça. 

Encontrei alguns estudos. O que me chamou a atenção:  RAÇA E VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA NO BRASIL”, de kelly Diogo Lima, publicado em 2016, constante na arca da FIOCRUZ.Objetivou-se comparar as características sociodemográficas de mulheres segundo cor/, com foco nas mulheres negras e analisar os tipos mais comuns de agressões a elas infringidas na assistência ao parto pelo Sistema Único de Saúde. Trata-se de um estudo transversal de base populacional, com dados provenientes da pesquisa Rede Cegonha do Ministério da Saúde”. No estudo, foi observado os piores indicadores sociodemográficos nos grupos de pardas, negras e indígenas se comparadas as mulheres de cor/raça branca.  As violências mais comuns foram a episiotomia, a manobra de Kristeller e o impedimento de um acompanhante no momento do parto. No estudo, houve um excesso de mulheres de cor parda que referiram ter sofrido toques vaginais repetitivos. Conclui-se que, muitas das intervenções usadas na rotina de um parto são desnecessárias ou mesmo prejudiciais à mulher, sendo assim, violentas. Desta forma, é necessário que haja uma maior discussão sobre um modelo de assistência ao parto que se paute em um maior protagonismo da mulher, nos seus desejos e nas suas histórias de vida. https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/18547

Ao dar prosseguimento a minha navegação, encontrei outro estudo, recentemente publicado: “A violência obstétrica e os danos à saúde psicológica da mulher”.   No artigo fundamentado em pesquisas bibliográficas referentes a violência obstétrica, assinados por Aléxia Fortes, Ana Paula e Evelyn Sofia e apresentado no XIX Encontro Científico Cultural Insteristitucional em 2021, que abordou sobre os danos da violência obstétrica diante da saúde psicológica das mulheres apontam em seu resumo varias asseverações de conceitos:   

 A violência obstétrica é caracterizada por ações que violam o direito das mulheres durante a gestação e principalmente no pré e pós parto, a mesma constitui-se como ações que apropriam-se do corpo da mulher de forma desumanizada, como por exemplo, uso de episiotomias, ocitocina sintéticas e manobras de kristeller, além de humilhações e omissões”.

VEJA ARTIGO : https://www2.fag.edu.br/coopex/inscricao/arquivos/ecci_2021/18-10-2021--16-24-38.pdf

........Observa-se que a violência obstétrica vem aumentando cada vez mais, no entanto, é algo que ainda não é do conhecimento da sociedade, uma vez que esta violência está presente em nossa cultura sendo algo desvalorizado, impactando com danos na saúde física, mas principalmente psicológica da mulher. Contudo, conclui-se que a saúde psicológica da mulher é a mais afetada, causando traumas, pânico, depressão, ansiedade, medo, angústia, insegurança e entre outros aspectos emocionais que prejudicam seu funcionamento, sendo assim, nota-se a necessidade da Psicologia dentro do contexto hospitalar e também na saúde para que auxilie na orientação dos profissionais, da mesma forma que no acolhimento da mulher, como uma maneira de prevenção possibilitando informações sobre os direitos das mulheres.....

Outras pesquisas apontam para o número de casos de violência obstétrica durante o parto. Independente de ser vaginal ou cesária, os abusos são constantes e por diversas razões não existe interesse para serem divulgados à sociedade, ou, para fazerem parte do pacote de temas de provocam o debate e impactam a sociedade. 

A violência obstétrica é um agrupamento de maus tratos, sejam eles físicos, psicológicos ou verbais à mulher em trabalho de parto, além da prática de procedimentos que não são necessários e invasivos, como por exemplo, as episiotomias, restrições de leitos no pré-parto, tricotomia, ocitocina sem nescessidade,  ausência de acompanhamento  e de informações e constragimentos . (A volência obstétrica e os  danos à saúde psicológica da mulher)”.

Dentre estas, acrescento. Ocitocina sem necessidade; ausência de acompanhantes; constrangimentos: morais, racial e religiosos; baixa assistência primária e obstétrica; privação de anestesia; fechamento das penas; pontos extras e laqueaduras sem consentimento da paciente, dentre tantas violações.

O parto no Brasil a um bom tempo se tornou de responsabilidade hospitalar. Com isto, para cada assimetria apontada nos direitos sexuais e reprodutivos, consequentemente uma implicação, em sua maioria, irreversível na vida das mulheres.  

MORTES MATERNAS E CESÁRIAS

 Em um estudo nacional realizado pela IMS (2021) mostra que em 2011/12 houve uma taxa de 56,6% de brasileiros que nasceram por meio da cesariana pelo SUS, porém na rede privada a frequência é ainda maior, com um percentual de 90%. Em relação à ocitocina administrada para indução ou aceleração do processo, há 36,4% de mulheres que foram submetidas a esse medicamento sem necessidade, logo, 39,1% sofreram amniotomia. Em relação às mulheres que tiveram um parto "normal", 36,1% foram submetidas a manobra de kristeller e 53,5% sofreram episiotomia. Em vista disso, a violência.

No artigo “ No Brasil das cesáreas, falta de autonomia da mulher sobre o parto é histórica”, punblicado pela FIOCRUZ em 2021,  destaca influência de fatores médicos, legais e religiosos na disseminação do parto cirúrgico.

Neste artigo, encontrei dados que colocam o Brasil como o, pais com a segunda maior taxa de cesária do mundo e com indicativo a normalização e naturalização da cesária. Com isto, os índices de mortes maternas evitáveis e a violência obstétrica só crescem.  

Entre 2016 e 2030, como parte dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), o Brasil assinou a meta global de reduzir a mortalidade materna para menos de 70 por cada 100 mil nascidos vivos.

As mortes maternas no Brasil refletem as desigualdades no acesso aos serviços de saúde pública e privada, destacam as desigualdades existentes entre negros e não negros, com agravamento maior a depender da faixa territorial que residem.  Na ampla maioria destes territórios não existem profissionais qualificados para atenção ao parto e ao nascimento. 

 No Brasil, aproximadamente 55% dos partos realizados no país são cesáreas. É a segunda maior taxa do mundo, atrás apenas da República Dominicana. Se considerarmos a realidade no sistema privado de saúde, a proporção pula para 86%. Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) indicam que a taxa ideal de cesarianas deve estar entre 10% a 15% dos partos”.

O número de cesárias recomendadas e aconselhadas também tem aumentado significativamente nas regiões mais pobres e entre as mulheres jovens.

Quando não existe risco de vida para a mamãe e o bebe, a escolha do parto deve ser baseada no histórico de saúde da paciente, na vontade da gestante em ter o parto humanizado, mais tranquilo possível, livre de quaisquer forma de violências, aconselhamentos e práticas carregadas de valores patriarcal, racial, moral e religioso.  

A cesária sem indicação ou por escolha da mãe podem  levar à prematuridade fetal, acarretando ao bebê problemas respiratórios, dificuldades para manter a temperatura corporal e para se alimentar.

Um estudo liderado pelo Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs/Fiocruz Bahia) sugere que partos cesáreos podem estar associados ao maior risco de mortalidade na infância, com exceção dos casos que uma indicação médica seja clara sobre o procedimento cirúrgico conhecido popularmente como "cesariana".(FIOCRUZ 2021)

As taxas de parto cesáreo têm aumentado, porém, as pesquisas ainda não chegaram a um consenso científico se este aumento tem sido impulsionado pela preferência materna ou por indicações médicas.

Entre os relatos ouvidos por mim, das grávidas que fazem o pré-natal levam a concluir que a maioria das indicações para cesária são dadas em atendimentos do corpo técnico que fazem o acompanhamento do pré-natal das gestantes nas unidades de saúde básica pública como também no setor privado. 

A cada hora, uma mulher perde a vida devido a complicações na gravidez, no parto ou no pós-parto, a grande maioria delas evitáveis.

Nestes últimos 4 anos, centenas de mulheres morrem por complicações na gravidez, parto e pós-parto.

Pressão alta, sangramento intenso e complicações decorrentes de abortos inseguros são causas mais comuns. No entanto, nove em cada dez dessas mortes são evitáveis ​​por meio de atendimento de qualidade, acesso à contracepção e redução das desigualdades no acesso aos cuidados.

O Brasil teve um aumento de 5,4% no número de mortes materna nos últimos vinte anos. O dado é de um estudo publicado, em Genebra, Suíça, pelas Nações Unidas e o Banco Mundial. Subiu para 72 óbitos para cada cem mil habitantes em 2020. Na média de todos os países, houve queda de 34% nas últimas duas décadas. (EBC).

ENEFICÁSSIA DO ESTADO EM GARANTIR OS DIREITOS SEXUAIS E REPRODUTIVOS LIVRES DE VIOLAÇÕES, CRIMINALIZAÇÃO E  VIOLÊNCIA.

 O Brasil teve que assumir obrigações internacionais com relação aos direitos da mulher, dentre elas, tomar medidas para implementação dos direitos humanos sexuais e reprodutivos.

Em 1993, a II Conferência Internacional de Direitos Humanos (Viena), a   Conferência Internacional da ONU sobre População e Desenvolvimento (CIPD) em 1994, o Comitê da Convenção sobre Eliminação de todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (Comitê CEDAW), o Comitê do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos Sociais e Culturais (Comitê PIDESC), marcam a luta das mulheres ao exigir do Estado brasileiro a atenção devida aos temas que afetam direta e especificamente a saúde e os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres.

Como resultado desta batalha travada pelas mulheres brasileiras, passos foram dados e proporcionaram algumas conquistas como: - O Programa de Atenção à Saúde Integral das Mulheres (PAISM), as políticas de atenção à feminização da epidemia de Aids, elementos da estratégia Rede Cegonha, entre outros. A Norma Técnica de Atenção Humanizada ao Abortamento do Ministério da Saúde, instituição e complementações em várias legislações em diferentes esferas no Brasil.

Com a intensificação da luta pela liberdade e autonomia incoercível de decidir sobre os próprios corpos, a pauta da saúde sexual e saúde reprodutiva foram se intensificando. É objeto de resistência direta, por parte legisladores, judiciário e da sociedade que se colocam como capazes de criminalizar as mulheres utilizando aparelhos do Estado, principalmente quando as decisões implicam em aborto seguro, aborto legal, parto humanizado, violência obstétrica e união entre pessoas do mesmo sexo.

O Estado brasileiro é coordenado e governado por maioria de homens. Com isto, confrontos com grupos políticos, partidos, legisladores, membros da segurança pública e judiciário sobre estes temas são evitados.

Fecham os olhos, tapam os ouvidos, permitindo que direitos sejam violados. Direitos estes ratificados pelo próprio Brasil, garantidos nos tratados internacionais, de proteção dos direitos humanos e nos que protegem os direitos humanos:-  à saúde sexual e reprodutiva da mulher, direitos humanos à liberdade, autonomia, vida privada, integridade física e psicológica. 

PROJETOS DE LEIS QUE TRATAM DA VIOLÊNCIA OBSTÉTRICA

O Brasil assumiu várias responsabilidades ao assinar e pactuar tratados e convenções, porém Governantes se sentem com liberdade em não cumpri-los.  Se sentem livres para utilizar as estruturas do Estado brasileiro para manutenção de violências e violações a diretos constitucional e humanos das mulheres.

Eu considero algumas medidas e tomadas de decisões como avanços, diante as complexidades moral e religiosa dentro das questões políticas no Brasil. Esforço dos poucos grupos progressistas e de esquerda com poder. Reconhecem o prejuízo político que traz a interferia de religiosos, ante abolicionistas e moralistas tradicionais na vida administrativa do Brasil. Alguns Governantes até conseguiram dar um furinho neste entrelaçado que operam com sentimentos das pessoas e que sustentam o racismo e o patriarcado. 

Muitos Estados, tem Leis que tratam da violência obstétrica, porém muitas não preveem punições, outros não utilizam a expressão "violência obstétrica". Outros, as legislações tratam da humanização do parto e práticas recomendadas e não indicadas. (Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná, Pernambuco, Rondônia, Santa Catarina, Tocantins, Acre, Alagoas, Amazonas, Ceará, Mato Grosso, Paraíba, Piauí, Rio de Janeiro, Roraima, São Paulo).

Existe um Projeto de Lei tramitando na Câmara Federal, o PL 422/23 de autoria da deputada Laura Carneiro (RJ). Este projeto inclui violência obstétrica na Lei Maria da Penha e união, estados, Distrito Federal e municípios. E estes deverão promover políticas públicas integradas para prevenção e repressão da violência obstétrica. 

https://www.camara.leg.br/proposicoesWeb/prop_mostrarintegra?codteor=2253464 

Na Câmara, já tramitam outras propostas visando coibir a violência obstétrica, como os projetos de lei 7867/17 e 8219/17, que estão apensados ao PL 6567/13, do Senado, que obriga o Sistema Único de Saúde (SUS) a oferecer à gestante parto humanizado

 

FONTES DE PESQUISAS INFORMATIVASOPAS - Organização Pan-Americana da Saúde / Ministério da Saúde /Jusbrasil / Sobef /Câmara/ EBC/ Folha/UOL/GELEDES/ POLETIZE/GLOBO  

segunda-feira, 3 de abril de 2023

Conferência Livre Nacional de Saúde da População Negra . Rumo à 17ª Conferência Nacional de Saúde

 Por Mônica Aguiar 

No dia 13 de maio acontecerá uma das etapas preparatórias para a 17ª Conferência  Nacional de Saúde "A Conferência Livre Nacional de Saúde da População Negra". 

Com o Tema Garantir Direitos, Defender o SUS, a Vida e a Democracia. "Amanhã será Outro Dia", a Conferência Livre de Saúde da População Negra estar, sendo coordenada por Pai Celso de Osogiyan e por uma comissão geral composta por representantes de todos os Estados brasileiro:-pesquisadores, intelectuais, gestores, profissionais de saúde, lideranças de diferentes movimentos sociais e de religiões afro-brasileiras, dedicados à implementação da Política Nacional de Saúde Integral da População Negra  (PNSIPN) em seus territórios.

As Conferências Livres possibilitam a ampliação da participação social para os debates e para a formulação de propostas em torno do tema central da 17ª Conferência Nacional de Saúde  e, não competem ou substituem a realização das conferências das etapas municipais e estaduais, somam-se.

Todas as Conferências de saúde são espaços de diálogos entre governos e sociedade para a construção das políticas públicas do Sistema Único de Saúde (SUS), acontecem a cada quatro anos. É agora que os Planos de Saúde são aprovados para desenvolvimento da política e ações específicas. 

Cabe aos Conselhos Municipais e Estaduais fiscalizar os recursos e a implementação de todas as políticas e ações da saúde pública. 

Demandar dos Governantes e gestores de saúde que as propostas aprovadas nas Conferências façam  parte do Plano  plurianual e anual de saúde, buscando o ajustamento às necessidades e possibilidades da população a partir da compreensão de suas vulnerabilidades e reconhecimento do racismo como determinante social em saúde. 

Considerar as especificidades e necessidades territoriais, situação socioeconômicas de cada pessoa,  a fim de cumprir com os princípios e diretrizes do SUS  estabelecidos na Lei 80080/90: universalidade de acesso; integralidade de assistência; autonomia das pessoas;  igualdade/EQUIDADE; direito e divulgação de informação; participação da comunidade; descentralização político-administrativa; regionalização e hierarquização da rede de serviços de saúde; ações de saúde através do meio ambiente e saneamento básico; dentre outros...

A Política Nacional de Saúde Integral da População Negra é um importante mecanismo para que o Ministério da Saúde assuma as necessidades de promoção da saúde integral da população negra no enfrentamento ao racismo institucional no SUS, com vistas à superação das barreiras estruturais e cotidianas que incide negativamente nos indicadores de saúde das pessoas negras – precocidade dos óbitos preveníveis e previsíveis, altas taxas de mortalidade materna e infantil, maior prevalência de doenças crônicas e infecciosas e altos índices de violência provocando forte impacto na morbimortalidade.

A Conferência Livre Nacional de Saúde da População Negra acontecerá de forma híbrida, no dia 13 de maio, elencará propostas do âmbito nacional e elegerá pessoas delegadas à 17ª Conferência Nacional de Saúde que acontecerá em julho de 2023. 

Uma das perspectivas que observo, apontadas com grande relevância, estar em fazer análise conjuntura política do SUS diante os retrocessos ocorridos nos últimos quatro anos no Brasil.  Avaliando as medidas tomadas pelo Ministério da Saúde no Governo anterior, que contrariaram os princípios do SUS e que retrocederam com a equidade, distanciando o diálogo Interfederativo e com o Conselho Nacional de Saúde(CNS).  

“Uma lista com os endereços das atividades presenciais nos diferentes estados deve ser publicada pela Aliança Nacional Pró-Saúde da População Negra nos próximos dias”.

O número de inscrições, pré-inscrições e de pontos inscritos para conferências híbridas nos Estados ultrapassaram todas as expectativas.  A minha avaliação que não seria diferente, diante a bela organização e pelo tamanho e representações sociais  da população negra em todo o território do Brasil.

Diante ao número grande de inscrições on-line, o Coordenador Pai Celso de Osogiyan comunica publicamente:  

Querides, é com muita satisfação que informamos que o elevado número de interessades na Conferência Livre Nacional de Saúde da População Negra nos pegou de surpresa. Atingimos, na ultima segunda feira, mais de 500 inscrições. Com isso e com o objetivo de conseguir acolher a todes, ontem precisamos encerrar o link e agora reabriremos link com pré-inscrição para a CNL de Saúde da População Negra até o dia 13/04/2023. A organização do evento segue em articulações para conseguir, junto as parcerias, acolher presencial  ou virtualmente o maior número  possível de interessades”. 

Outras informações sobre a Conferência livre de Saúde da População Negra Vc pode encontrar no SITE : Aliança Pró-Saúde da População Negra .

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