quinta-feira, 8 de outubro de 2020

Projeto de Lei para esterilização de mulheres em Belo Horizonte é retirado da pauta

 Por Mônica Aguiar 

Após pressão do Movimento de Mulheres de diversos seguimentos da sociedade de Belo Horizonte, ontem dia 07, foi retirado da pauta o projeto de Lei455/17, de autoria de um médico Vereador do PSD, que propõe criar um Programa Municipal de Planejamento Familiar para as Dependentes Químicas.

O Conselho Municipal de Saúde, através da Presidenta Carla Anunciatta  denunciou a PL que é de 2017, por ter entrado novamente em pauta já que estava com sua tramitação parada.

É um projeto higienista, porque você quer esterilizar a população de mulheres pobres e
pretas, drogadícias e a população de mulheres privadas de liberdade. Somos contra a implantação política pública sem discussão sociedade, movimento de mulheres e área técnica. 
( Carla Anunciatta, Presidenta do conselho Municipal de Saúde de Belo Horizonte).

A Comissão de Mulheres do Conselho Municipal de Saúde, (CISAM SMS BH), em sua reunião semanal, aprovou em caráter de emergência a convocatória de uma reunião virtual, que aconteceu no último dia 06 e contou com mais de 80 pessoas presentes, representando diversas entidades e setores dos movimentos de mulheres, mulheres negras, direitos humanos, LGBT, O.A.B, movimentos antimanicomial e conselheiros (municipal, distrital e local) de saúde.

Não faltaram manifestações de protestos contrárias a PL que, surpreendentemente voltou a pauta neste mês de outubro.

O texto da PL, determina que a Prefeitura Municipal de Belo Horizonte(PBH) fornecesse métodos contraceptivos à mulheres dependentes químicas da capital, com gestão à cargo da Secretaria Municipal de Saúde.

No artigo 3º do Projeto de Lei, determina implantação de métodos contraceptivos gratuitos em mulheres com dependência química e ressalva que os métodos a serem utilizados, somente poderiam se efetivar de forma voluntária e após assinatura de termo de compromisso da mulher.

Pílula, injetáveis, dispositivo intrauterino (DIU) e métodos cirúrgicos (laqueaduras de trompas) foram os métodos determinados na PL e que já são ofertados nos programas de atenção à saúde pelo SUS em BH.

O que mais causou espanto foi a inclusão de implante subdérmico liberador de etonogestrel, conhecido como Implanon, um sistema intrauterino com liberação de levonorgestrel. Ainda não ofertado pelo SUS como método contraceptivo em BH.

 Além de ser muito caro o Implano, para efetivação do distinto “Programa”, sua distribuição poderia ser realizada por laboratórios particulares através de parcerias com setores privados de saúde e com o Governo de Estado de Minas Gerais.  


Eles combinaram de nós matar, mais nós decidimos VIVER! 

(Sandra Munoz:  ativista feminista RedeLesbi e Rede Afro LGBT de Minas Gerais / Coordenadora da CISAM CMS-BH)

 

Durante a reunião, as falas reafirmaram que a PL é racista, higienista e segregadora. "Escolheram apenas um seguimento da sociedade para que sejam atendidas, mulheres em estágio de dependência química (drogadícias)" afirmaram.   

Para Mônica Aguiar, esta que vos escreve, a PL tem endereço certo uma vez que fala em criar uma lista. As mulheres que estão em situação de liberdade privada, semiliberdade, liberdade restritiva ou em cumprimento de medidas socioeducativas.  

No Estado de Minas Gerais, a SUASE, por meio da Superintendência de Medidas de Meio Aberto e Semiliberdade, executa várias medidas em parceria com prefeituras e instituições não governamentais. 

Eu acredito que este projeto manifesta o racismo existente, reforça a segregação e impõem à um determinado grupo de mulheres determinantes por não ter acesso amplo aos tratamentos adequados na saúde mental, na assistência social e psicológica para se recuperar.

Esta PL trata as mulheres como se não tivessem chance nenhuma de recuperação. Como se os futuros filhos tivessem como o único destino permanecer no mesmo estágio que se encontra sua progenitora em um momento específico da vida.

 As desigualdades sociorracias   existente em Belo Horizonte são determinantes para que exista uma atenção especial para todas as mulheres as quais enfrentam barreiras individuais, sociais e estruturais. Principalmente para as que estão jogadas em situações de vulnerabilidades.

São as mulheres negras as mais expostas a essas barreiras que vai desde a dificuldades de acesso em serviços públicos, falta de escolaridade até a falta de oportunidades no mercado de trabalho.

Os problemas sociais de Belo Horizonte não foram provocados por estas mulheres. O que sofrem, a situação que se encontram é fruto de mazelas dos racistas, do racismo estrutural e institucional, da misoginia e patriarcado existe. Da falta de responsabilidade política e de gestão em programas sociais que ajudem na condução de suas vidas e no exercício de sua cidadania.

No lugar de assegurar e oferecer políticas públicas que de cidadania com moradia digna renda digna trabalho educação pública de qualidade saúde pública de qualidade alimentação segurança alimentar e relações de igualdade racial cor de etnia essas mulheres são violentadas e o seu e o projeto de futuro para essas dessa sociedade para essas mulheres é a esterilização é a interrupção dos seus direitos sexuais e reprodutivos e o impedimento à sua autonomia, às suas escolhas e a sua opção pela maternidade se assim quiserem. Esse projeto de lei foi uma tentativa de emplacar medidas sérias de discriminação e apagamento da vida de mulheres já excluídas, vulnerabilizadas e violentadas pelo Estado e pela sociedade brasileira segregadora. ( Sônia Lasnk: Doutora em Saúde Pública/Epidemiologista . Médica  pediatra e epidemiologista da Prefeitura de Belo Horizonte ,  coordenou o Comitê de Prevenção de Óbitos Materno, Fetal e Infantil e a Comissão Perinatal até 2017).

Os direitos sexuais e reprodutivos devem ser respeitados e não utilizados pelo Legislativo para diminuir nascimento de crianças a partir da esterilização de mulheres que são maioria negras. Isto não vai resolver o problema da fome, da miséria e da pobreza existente em Belo Horizonte.

E não será através das violações de corpos e desrespeitando a autonomia das mulheres, através da gestão de saúde pública para um setor de saúde privada que o fluxo de produtos, ou produtos em testes será ampliado no mercado. Isto é inadmissível. Direitos reprodutivos jamais poderão ser efetivados assim! 

quarta-feira, 7 de outubro de 2020

Serena Williams afirma ser desvalorizada como mulher negra no tênis

 Estrela do tênis fala, em entrevista, sobre sexismo e racismo


Publicado Por Sonia Elks - Londres


Serena Williams disse que recebeu menos e foi “desvalorizada” como mulher negra no tênis, elogiando o movimento Black Lives Matter (vidas negras importam, em tradução livre) por evidenciar o racismo enraizado. As declarações da tenista foram dadas à revista Vogue.

A estrela norte-americana, que conquistou 23 títulos de Grand Slam, falou abertamente sobre sexismo e racismo durante sua carreira, disse que a tecnologia também teve um papel fundamental para destacar a discriminação racial e a violência.

“Agora, nós, como negros, temos uma voz [e a tecnologia tem sido uma grande parte disso]”, afirmou em entrevista à edição de novembro da Vogue britânica.

“Vemos coisas que estiveram escondidas por anos, as coisas pelas quais nós, como pessoas, temos que passar. Isso vem acontecendo há anos. As pessoas simplesmente não conseguiam pegar seus telefones e gravar isso antes”, declarou.

“Acho que, por um minuto, eles [os brancos] começaram, não a entender, porque não acho que se possa entender, mas eles começaram a ver”, acrescentou.

“Eu estava tipo: bem, você não viu nada disso antes? Tenho falado sobre isso durante toda a minha carreira. Tem sido uma coisa após a outra”, afirmou a tenista.

Serena está entre as estrelas mais conhecidas e bem-sucedidas do tênis mundial, junto com sua irmã Venus, e já destacou repetidamente o preconceito que enfrentou dentro e fora das quadras.

Ela boicotou o Torneio de Indian Wells por 14 anos depois de receber comentários racistas em 2001, um incidente que ela disse tê-la deixado chorando no vestiário por horas.

Em 2018, ela denunciou um ato de sexismo após perder um ponto por quebrar sua raquete em ato de frustração no US Open. Essa denúncia foi elogiada pela pioneira do tênis feminino Billie Jean King, que afirmou que Serena expôs um “padrão duplo” para as jogadoras.

Além disso, Williams, de 39 anos, disse à Vogue britânica que tem orgulho de representar “belas mulheres negras” e espera que as atitudes possam mudar gradualmente.

“Talvez isso não melhore a tempo para mim, mas alguém na minha posição pode mostrar às mulheres e pessoas negras que temos uma voz, porque Deus sabe que eu uso a minha”, concluiu.

Fonte: Agência Brasil 

terça-feira, 6 de outubro de 2020

Preta Ferreira é premiada no Festival de Gramado. ‘Tentaram me silenciar, voltei gritando’



Pela atuação no curta brasileiro “Receita de caranguejo” comissão concedeu Prêmio Especial do Júri à artista que, no ano passado, foi vítima de prisão arbitrária

De Geledés por Brasil Atual 

A publicitária e “artivista” Janice Ferreira da Silva, a Preta Ferreira, foi premiada, em 26 de setembro, com o troféu Kikito da 48ª edição do Festival de Cinema de Gramado. O prêmio foi concedido por sua atuação como atriz no curta Receita de Caranguejo (2020). Dirigido por Issis Valenzuela, o filme também recebeu um Kikito pelo “Melhor Desenho de Som”, assinado por Isadora Torres e Vinicius Prado Martins.

O anúncio foi feito pela realizadora audiovisual Juliana Balhego e a cineasta e fotógrafa Safira Moreira, ambas mulheres negras. Na cerimônia, realizada de forma virtual e transmitida pelo Canal Brasil, pela TVE-RS e pelas redes sociais, Juliana abriu o discurso lembrando que no “país que insiste em criminalizar a narrativa de corpos pretos ao longo do séculos”, as mulheres negras “seguem lutando e construindo outros modos de existência e resistência. Resistimos através das artes, da música, da dança. Resistimos através do cinema”, destacou.

Safira prosseguiu, afirmando que essa população faz da sétima arte “mais um espaço de liberdade e inventividade. Por isso ver na tela o trabalho de uma mulher negra, que é tantas, merece destaque. Por mais que tentem rotular, encarcerar, aniquilar nossas existências, mostramos que somos muitas. Podemos ser artistas, cantoras, produtoras, ativistas, atrizes num só corpo. É por isso que o Prêmio Especial do Júri vai para Preta Ferreira por sua atuação no curta ‘Receita de caranguejo”, anunciou a cineasta.

“Voltei gritando”

Em 24 de junho do ano passado, Preta foi presa por sua luta por moradia, sob acusações frágeis e arbitrárias. Ela é filha da coordenadora do Movimento Sem-Teto do Centro (MSTC) e da Frente de Luta por Moradia (FLM), Carmem Silva, candidata à vereadora pelo PT em São Paulo. A artista chegou a perder vários papéis e contratos que tinha como atriz durante os 100 dias que ficou na prisão. “Quem vai me devolver o tempo e os trampos perdidos? (Para) Onde mando a conta”, denunciou pelo Twitter, em julho deste ano.

Ao receber a notícia do prêmio, comemorou. “Ano passado tentaram me silenciar, esse ano eu voltei gritando”, ironizou. Ela dedicou a estatueta “à toda a população indígena e preta desse país. Eu ofereço aos favelados, aos sem-teto, aos encarcerados, aos minorizados”, escreveu em sua conta no Instagram. “A todos que vivem de arte nesse país: ofereço esse prêmio a todas as pessoas que têm o sonho de serem inseridas no mercado cinematográfico – lugar tão estático e seletivo. Nós vamos estar em todos os espaços de poder”, garantiu a artista e ativista.

Outros prêmios

Vencedor na categoria de melhor curta-metragem brasileiro do Festival de Gramado 2020, O Barco e o Rio também mostra a importância da representatividade. Com a direção de Bernardo Ale Abinader, a produção amazonense venceu também os prêmios de Melhor Fotografia, Melhor Direção de Arte, Melhor Direção e Júri Popular.

“Eu espero que as pessoas assistam mais as nossas narrativas, as histórias do Amazonas contadas por amazonenses. Que esse prêmio sirva de inspiração para saber que podemos sim fazer cinema sobre o Amazonas, no Amazonas”, afirmou o diretor do curta.

O longa pernambucano “King Kong en Asunción”, de Camila Cavalcante, conquistou quatro Kikitos, entre eles o de Melhor Filme. A 48ª do Festival de Cinema de Gramado também premiou a obra “La Frontera”, de David David como o Melhor Longa Estrangeiro.

Confira todos os vencedores do Festival de Gramado

Longa-metragem brasileiro

Melhor Filme – King Kong en Asunció

Melhor Direção – Ruy Guerra, por Aos Pedaços

Melhor Ator – Andrade Júnior, por King Kong en Asunción

Melhor Atriz – Isabél Zuaa, por Um Animal Amarelo

Melhor Roteiro – Felipe Bragança, por Um Animal Amarelo

Melhor Fotografia – Pablo Baião, por Aos Pedaços

Melhor Montagem – Eduardo Gripa, por Me Chama Que Eu Vou

Melhor Trilha Musical – Salloma Salomão, por Todos os Mortos, e Shaman Herrera, por King Kong en Asunción

Melhor Direção de Arte – Dina Salem Levy, por Um Animal Amarelo

Melhor Atriz Coadjuvante – Alaíde Costa, por Todos os Mortos

Melhor Ator Coadjuvante – Thomás Aquino, por Todos os Mortos

Melhor Desenho de Som – Bernardo Uzeda, por Aos Pedaços

Prêmio Especial do Júri: Elisa Lucinda, por Por que você não chora?

Menção Honrosa do Júri: Higor Campagnaro, por Um Animal Amarelo

Longa-metragem estrangeiro

Melhor Filme – La Frontera

Melhor Direção – Mariana Viñoles, por El gran viage al país pequeño

Melhor Ator – Anibal Ortiz, por Matar a un Muerto

Melhor Atriz – Daylin Vega Moreno (Diana), Sheila Monterola (Chalis), por La Frontera

Melhor Roteiro – David David, por La Frontera

Melhor Fotografia – Nicolas Trovato, por El Silencio del Cazador

Prêmio Especial do Júri: El Gran Viaje al País Pequeño

Longa-metragem gaúcho

Melhor Filme – Portuñol, de Thaís Fernandes

Curta-metragem brasileiro

Melhor Filme – O Barco e o Rio

Melhor Direção – Bernardo Ale Abinader, por O Barco e o Rio

Melhor Ator – Daniel Veiga, por Você Tem Olhos TTristes

Melhor Atriz – Luciana Souza, Inabitável

Melhor Roteiro – Inabitável, Matheus Farias e Enock Carvalho

Melhor Fotografia – O Barco e o Rio, para Valentina Ricardo

Melhor Montagem – Você Tem Olhos Tristes, para Ana Júlia Travia

Melhor Trilha Musical – Atordoado, eu permaneço atento, para Hakaima Sadamitsu, M. Takara

Melhor Direção de Arte – O Barco e o Rio, para Francisco Ricardo Lima Caetano

Melhor Desenho de Som – Receita de Caranguejo, Isadora Torres e Vinicius Prado Martins

Prêmio especial do júri: Preta Ferreira, por Receita de Caranguejo

Júri Popular

Curta Brasileiro: O Barco e o Rio, de Bernardo Ale Abinader

Longa Estrangeiro: El gran viaje al país pequeño, de Mariana Viñoles

Longa Brasileiro: King Kong en Asunción, de Camilo Cavalcante

Júri da Crítica

Curta Brasileiro: Inabitável

Longa Estrangeiro: El Gran Viaje al País Pequeño

Longa Brasileiro: Um Animal Amarelo

Redação: Clara Assunção


sexta-feira, 2 de outubro de 2020

O Poderoso discurso das Mulheres Negras

Por Mônica Aguiar 

As mulheres negras do Mundo tem se destacado com discursos poderosos, garantindo a disseminação das vozes e bandeiras de luta que historicamente foram  invisibilizadas.

Machismo,sexíssimo,violência,racismo,misoginia,patriarcado,desigualdades, discriminação, preconceitos, intolerância religiosa, islamofobia, antissemitismo, xenofobia, homofobia, são elementos em destaque para sustentação das desigualdades econômicas e sociais em todo o mundo. São historicamente enfrentados principalmente pelas mulheres negras.

As barreiras constituídas pelas práticas destes elementos, estão sendo traduzidos  para milhares de pessoas e por mulheres negras que versam sobre seus efeitos maléficos, através de vozes poderosas, palavras declamadas e escritas, elevando a autoestima da população negra. Desmistificando a subserviência existente. Requalificando a cidadania negra. Potencializando o ser humano negro.  

Palavras vindas de vários discursos emocionantes.

As mulheres negras tem rompido com as barreiras existentes, ao lutar por uma sociedade mundialmente igualitária.  


Beyonce, cantora e empresária
no evento “Dear Class of 2020” transmitiu por quase 10 minutos ininterruptos o que foi chamado de “uma dose de sabedoria” a jovens que estão saindo da faculdade no contexto da pandemia do novo coronavírus. 

https://www.youtube.com/watch?v=iGtJE58bli0

Beyoncé ao iniciar ser discurso para os formandos de 2020,  destacou as lutas únicas que os estudantes enfrentam hoje, principalmente, nos Estados Unidos e traçou uma linha de pensamento com ênfase especial no poder da ação comunitária, especialmente no combate à injustiça racial. Marcou seu discurso afirmando “Obrigado por usar sua voz coletiva e deixar o mundo saber que vidas negras importam” 

Entre seu discurso destaco: 

“Não havia mulheres negras sentadas à mesa. Então eu tive que cortar a madeira e construir minha própria mesa. Então, convidei o melhor para se sentar”.

“Por favor, continue a ser uma voz para os que não têm voz”, disse. “Nunca se esqueça: podemos discordar de uma maneira que seja produtiva para chegar a decisões que promovam mudanças reais. E se você cometer um erro, tudo bem também. Mas todos temos a responsabilidade de nos responsabilizar e mudar. Seja qual for o mundo em 10, 20 anos, parte disso depende de você. Peço que você deixe que esse momento o leve a melhorar a si mesmo em todas as áreas da sua vida. ”


Angela Davis,
professora, escritora, filósofa, historiadora, símbolo da luta negra na década de 1960 nos EUA.  Realizou um dos seus mais belos discursos na Marcha das Mulheres, em Washington, nos EUA, dia seguinte à posse de Donald Trump. Em 2017.  “Nós representamos as poderosas forças de mudança que estão determinadas a impedir que as moribundas culturas do racismo e do patriarcado heterossexual se ergam novamente”.

“A luta por liberdade do povo negro, que moldou a própria natureza da história desse país, não pode ser apagada com um gesto. Nós não podemos ser forçados a esquecer que a vida negra importa. Esse é um país ancorado na escravidão e no colonialismo, o que quer dizer, para o bem e para o mal, que a história dos EUA é uma história de imigração e escravidão. Espalhar xenofobia, atirar acusações de assassinatos e estupros e construir muros não vai apagar a história”.

“Nós nos dedicamos à resistência coletiva. Resistência contra a biolionária especulação imobiliária e sua gentrificação. Resistência contra os que defendem a privatização da saúde. Resistência contra os ataques aos muçulmanos e aos imigrantes. Resistência contra os ataques aos deficientes. Resistência contra a violência do estado perpetrada pela polícia e pelo sistema carcerário. Resistência contra a violência de gênero institucionalizada, especialmente contra as mulheres trans e negras”

“Pelos próximos meses e anos nós teremos de intensificar a exigência por justiça social e nos tornarmos mais militantes em defesa das populações vulneráveis. Os que ainda defendem a supremacia do homem branco heterossexual patriarcal não passarão. Os próximos 1,459 dias do governo Trump serão 1,459 dias de resistência: resistência no chão, resistências nas salas de aula, resistência no trabalho, resistência na arte e na música. Isso é só o começo, e nas palavras da inimitável Ella Baker, ‘nós, que acreditamos na liberdade, não podemos descansar até que ela venha’. Obrigado.”

São centenas de lideranças que enfatizam intervenções no combate ao racismo e suas mazelas. Estas mulheres sempre lutaram e apoiaram as organizações das mulheres negras em todo o mundo. Se dispõem de onde estão e conquistaram, formar lideranças negras e fundamentalmente organizações coletivas. Nas questões da moradia, do emprego e da renda, da saúde, da educação, de segurança pública, saneamento e dentre tantos.   

 No Brasil


Suely Carneiro
, escritora e doutora em Educação . Teórica da questão da mulher negra criou o único programa brasileiro de orientação na área de saúde física e mental específico para mulheres negras.

Na abertura do FestiPoa Literária 2019 disse:  ‘Organizem-se, porque não há mais limite para a violência racista’.

“E aqui estou eu nesta noite, realizando sonhos não ousados, fruto da generosidade e do acolhimento, não apenas dos meus discursos, mas sobretudo de reconhecimento de realidades e vivências cruéis que pessoas negras experimentam nessa sociedade e contra as quais tem que estar sempre em luta, sempre alerta, em legítima defesa”.

Na entrevista para revista Cult 2017 “ ….Estamos entrando em uma fase que ainda não conhecemos. Há uma nova etapa dessa sociedade. Eu tenho a impressão de que o processo a que a gente está assistindo está apenas no seu início. Ele não alcançou o seu limite. Nós temos um cenário político assustador, em que todo tipo de conservadorismo, reacionarismo, um conjunto de ideologias discricionárias, violentas prosperam impunemente na sociedade...”.

“Ser Mulher negra é experimentar esta condição de asfixia social”

  “Somos seres humanos como os demais, com diversas visões políticas e ideológicas. Eu, por exemplo, entre esquerda e direita, continuo sendo preta.”

A escritora Conceição Evaristo símbolo no combate a Vulnerabilidade Social, faz a luta através dos livros. Suas obras literárias tratam da periferia brasileira e da cultura negra de raiz africana, em especial da mulher negra do Brasil.

“Minha escrita é contaminada pela condição de mulher negra”.


"Na face do velho, as rugas são letras [...] / O que os livros escondem, as palavras ditas libertam. / E não há quem ponha um ponto final na história."

Em entrevista ao G1,2018: - "O poema traz uma espécie de diálogo entre o que significa o jovem e o que significa o velho, como também traz um diálogo entre o valor da oralidade e o valor da escrita. Este item 'do velho e do jovem' é muito presente na tradição das culturas africanas em que o velho vale pela experiência que ele traz e passa aos mais jovens, que são o símbolo de esperança e da certeza que a vida continua. O mais jovem vai potencializar o mais velho", afirmou Conceição Evaristo.

Jurema Werneck médica, colunista, uma das mais importantes intelectuais do Brasil e Diretora executiva da Anistia internacional no Brasil. Seus desafios não são poucos.

“Mulheres potentes construíram nossas lutas, mas é preciso ir além”

"A superação, ainda que precária, de tantas injustiças e desigualdades, não teria sido possível se muitas não tivessem arregaçado as mangas e se colocado na linha de frente. No entanto, seus nomes costumam desaparecer dos livros, das homenagens, e mesmo de nossa memória coletiva”

Na coluna Marie Claire,2020:  

“Suas vozes e ações não encontram o eco necessário num país marcado pelo racismo patriarcal heteronormativo, que demora em garantir a igualdade de direitos para quem não é branco, não é homem cisgênero nem heterossexual”.

“A discriminação, a exclusão e a esperança em dias melhores impulsiona a vida e a trajetória de todas essas mulheres – e me incluo entre elas. Muitas outras, fora destas páginas, são protagonistas em suas realidades. O mundo está sofrendo e, com ele, todas nós, mas, entre nós, algumas carregam o fardo mais pesado. É preciso que continuem, mas que possam ter o apoio de muitas mais. Nossos ombros, nossas mãos, nossos compromissos precisam resultar em melhores condições para todas e não apenas para algumas entre nós”.

 


Luiza Bairros, professora, socióloga, escritora e ex Ministra da Promoção da Igualdade Racial no Brasil, faleceu em 2016.

No Geledés em 2016 : “Quanto mais desvalorizadas as ocupações, menores as diferenças salariais. Por isso, muita gente acha que o racismo brasileiro é mito. Aliás, o racismo no Brasil tem o poder de fazer com que as pessoas brancas se sintam confortáveis em viver em uma sociedade que, supostamente, não exige delas nenhum tipo de identidade racial. Eis o lance...”

“...O racismo institucional tem a ver com a forma com que a instituição se estrutura, como ela é composta. Aí vamos perceber que nos lugares de decisão a maioria das pessoas é branca. Os programas e os projetos executados, no seu conteúdo, não levam em conta as diferentes necessidades das pessoas que demandam esses programas, esses projetos. Além disto, também percebemos o racismo pela total ausência de normas, de regulamentos que, de algum modo, previnam ou desencorajem a prática de atos discriminatórios....”

“ Nosso grande desafio é básico: Assegurara o direito do negro à vida. Este é o aspecto mais profundo do racismo. A desumanização da pessoa negra”.     

Na ONU News : “todos os Estados membros da ONU podem reiterar sua capacidade de pensar que a situação dos afrodescendentes no mundo pode ser diferente”

 Fontes: Geledés/ Youtube/ G1/Marie Clare/ ONUNEWS/

quinta-feira, 1 de outubro de 2020

Movimento de mulheres negras pede ao STF ações contra o racismo e a violência de gênero

  


Movimentos de mulheres negras vão ao Supremo Tribunal Federal (STF) entregar uma carta pública das Mulheres Negras contra o Racismo e o Sexismo e pelo Bem Viver, nesta quarta-feira (30) às 13h.

O documento foi entregue ao gabinete do presidente da Supremo, Luiz Fux, com o objetivo de reiterar compromissos estabelecidos na Constituição Federal 1988. 

"Agora convocamos o Poder Judiciário a assumir a sua responsabilidade constitucional com a proteção de nossas vidas e com o exercício de nossas liberdades", consta no documento.

"Com a posse do Ministro Luiz Fux na Presidência do Supremo Tribunal Federal, renovamos nosso compromisso com a Constituição de 1988 e esperamos que esta Corte se comprometa diante de nós com o direito à vida, pelo reconhecimento pleno de nossa igual humanidade, pelo direito a ter direitos e pelo reconhecimento e valorização das diferenças", explicam.

Entre os seus 26 pontos, a carta traz um clamor para o direito à vida da população negra, reafirmando a existência de um "genocídio" em curso contra a população, principal alvo de violência policial, feminicídio e outras formas de violência. O documento pede também a garantia de direitos em relação à demarcação de terras de populações quilombolas, políticas de saúde, moradia, trabalho, educação e enfrentamento do racismo em diversos âmbitos, incluindo o religioso e o ambiental.

Elas pedem também que sejam cumpridas as normas previstas no Estatuto da Igualdade Racial e a implementação do Sistema Nacional de Promoção de Igualdade Racial (Sinapir). O grupo afirma que as mulheres negras têm sido os principais alvos do racismo e das discriminações de gênero nas suas mais diversas nuances.

O documento reúne mais de 2 mil assinaturas, entre elas 624 entidades e 1.510 ativistas. A filósofa Sueli Carneiro, a socióloga Vilma Reis e Anielle Franco, irmã da vereadora Marielle Franco, morta em 2018, estão entre as signatárias do documento.

Fonte e foto : congressoemfoco

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