sábado, 25 de janeiro de 2020

Grécia elege pela primeira vez uma mulher como presidente

Ekaterini Sakellaropoulou tem 63 anos e é especialista em direito ambiental.

terça-feira, 21 de janeiro de 2020

Marcha de Mulheres reúnem milhares nos EUA


Marcha das Mulheres em Chicago, nos EUA, concentrou-se
em frente ao Trump Hotel neste sábado (18) — Foto: Max Herman/AP Photo

(EUA)
- Centenas de mulheres foram às ruas em diversos estados norte-americanos no sábado, 19, para Marcha pelos diretos das Mulheres e  pedir pelo impeachment de Donald Trump .

Esta é a quarta edição  da Marcha, desde a pose de  do atual presidente norte-americano, Donald Trump .

Washington (DC) foi a cidade que mais concentrou manifestantes.

As primeiras edições das Marchas as Mulheres chegaram a reunir  muito mais de  3 milhões de pessoas para mostrar a insatisfação com a agenda ultraconservadora do presidente , iniciando em 2017, o movimento #MeToo em Hollywood. As mulheres negras cumpriram um papel fundamental, na organização e articulação política em prol das marchas. 

Na 3ª edição , Angela Davis disse durante a macha:  "Esta é uma Marcha das Mulheres e ela representa a promessa de um feminismo contra o pernicioso poder da violência do Estado. E um feminismo inclusivo e interseccional que convoca todos nós a resistência contra o racismo, a islamofobia, ao anti-semitismo, a misoginia e a exploração capitalista".

Outras manifestações também ocorreram simulcadentemente em outras partes do mundo .

Esta  4ª Edição,  foi  realizada no sábado (19), é a primeira manifestação de mulheres antes de eleição presidencial no país, que acontece em novembro.

As manifestantes iniciaram o protesto com um momento de silêncio em homenagem às vítimas das violações dos direitos das mulheres. Após uma curta cerimônia de abertura, eles marcharam em um amplo perímetro ao redor da Casa Branca.

Desde janeiro de 2017, diante da eleição de Trump, o movimento feminista se organizou e foi às ruas contra sua eleição, rejeitando-o como presidente e inflamou um evento que se tornou anual. 

Quatro anos depois, elas pedem não só impeachment, mas não querem sua reeleição. 

As manifestantes apresentaram temas como mudanças climáticas, igualdade salarial, direitos reprodutivos e imigração. O tema imigração apareceu entre os mais citados pelas manifestantes.

Segundo as organizadoras, o tema escolhido para o evento deste ano foi “Marche Pelos Seus Direitos”. “Iremos às ruas para chamar a atenção internacional para os desafios que as mulheres enfrentam no exercício da soberania sobre seus próprios corpos, capacitando-as a superar a discriminação sistêmica e defender seus direitos humanos universais”, disseram, em comunicado enviado à imprensa.

Manifestantes para além das criticas com relação a condução do governo Trump  algumas delas citaram as declarações do presidente sobre a ativista sueca Greta Thunberg —,  o norte-americano afirmou em dezembro que a jovem "precisa trabalhar seu problema de raiva".

O pedido de impeachment de Trump ganhou tom forte e onipresente, de acordo com o NYT.

O republicano sofreu impeachment na Câmara e aguarda o desfecho do processo no Senado, cujo julgamento foi aberto oficialmente na quinta-feira — porém, o partido do presidente detém maioria entre os senadores, o que torna difícil uma destituição.

Em Denver, no estado norte-americano do Colorado, as  organizadoras da 4ª Marcha realizaram uma série de reuniões em organizações de defesa das mulheres. 
Já em Nova York, o evento ocorreu perto da Times Square, em Manhattan.



Fonte:huffpostbrasil/G1/Brasil247

sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

Racismo cresce, o povo negro resiste !


Por Mônica Aguiar

O racismo opera de formas diversas, é o pilar de sustentação das desigualdades em todos os campos e setores existentes pelo mundo. Mas muitos ainda não acreditam nesta teoria. 
Outros ignoram por ser gestores da manutenção do racismo e suas mazelas. 

O racismo e os racistas interferem diretamente na qualidade de vida de cada cidadão negro e principalmente das cidadãs negras.

O racismo sempre, determinou o papel social, político, econômico, acadêmico e profissional dos negros na sociedade.

Os racistas, de forma nociva, operam para que de fato as coisas aconteçam, sustentando o mito de uma democracia racial baseada em conceitos religiosos e em uma “irmandade de sangue” inexistente.  No Brasil “A moda de viver e aceitar com naturalidade”.

Mas com tantas estratégias para afastar o autoconhecimento do exercício da cidadania, o povo negro fica refém e chegam a sustentar as mazelas do pós escravidão, operando inconscientemente o mesmo sistema que o oprime e segrega.

Aos que lutam pela plena liberdade, em sua maioria, são exterminados, afastados e alijados de setores de decisões importantes, como da política e dos tribunais de justiças.

A falta de incentivo ao reconhecimento identitário, a despersonalização, a falta de conhecimento do papel na sociedade, alimentam a naturalização da marginalização, estereótipos e vulnerabilidade social que nos negros vivemos cotidianamente.  

A ideologia do racismo sempre foi operada e gestada com formas perversas, direcionada somente ao povo negro. 
Reafirmando veladamente e subjetivamente que não somos seres humanos, mesmos estando no mercado formal de trabalho.
Deixamos de ser mercadorias, mas somos ainda considerados meros objetos de produção de riquezas para sociedade branca. 

“O racismo é uma construção que tem uma extensão intelectual muito intensa, que impregnou a mentalidade das pessoas. Portanto, tiro duas conclusões preliminares sobre a pergunta. Uma é que o racismo certamente existe no Brasil e a outra é que ele tem uma dimensão histórica considerável”. (Trecho TEXTO  Permanência do Racismo na sociedade brasileira  ERIKA FERRAZ TEIXEIRA / JOSUÉ DE CAMPOS /MARLENE MÁRCIA GOELZER)

Nesta dicotomia existente, as mulheres negras são as que mais sofrem com o racismo e as práticas racistas. 
As sequelas dos sofrimentos provocados pelo racismo deixam marcas irreparáveis e atingiram profundamente as futuras gerações.

Como considerar a tão falada dimensão histórica?

Basta observar os dados das desigualdades sociais por raça no Brasil.
Basta verificar o anuário de violências existes por raça no Brasil.
Basta verificar os dados de mortalidade de jovens e encarcerados no Brasil.
Basta olhar para o lado enxergar quem está debaixo dos viadutos, enchendo coletivos; carregando pesos; no subemprego; sem escola; analfabetos; com piores salários; desalentados, dentre outros.   

Mas para que isto, seja naturalizado pela sociedade,  existem os gestores do racismo.
Norteiam suas práticas, condutas e conclusões a partir de um lugar que nunca estivemos.

São muitos os fatos que vem marcando neste período as práticas de racismo existente no Brasil. Hojé expostos com maior proporção que antes.

Muitas pessoas da sua forma, tem reivindicado, colocando sua posição e papel operante na sociedade com relação as relações humanas.
Os que cometem práticas racistas tem sido mais denunciados.

Da faxineira ao segurança que são agredidos ao cumprir sua função e são chamados de macacos; do taxista negro que tem corrida negada por ser negro a advogada negra que é retirada da audiência em pleno cumprimento de sua função; da mensagem de vaga de trabalho emprego que proíbe dentro dos critérios a entrada de mulheres negras e gordas as milhares de agressões verbais e insultos racistas  nas redes sociais; da indicação para uma mulher negra parlamentar utilizar elevador social estando dentro do espaço do parlamento aos jogadores negros que são oferecidos bananas em pleno jogos em grandes campeonatos; dos cabelos que são obrigados a alisar as desqualificações nas denúncias de racismo existente nas companhias de balé ........ 

Dai surgem as manifestações de espantos e surpresa de ter uma miss negra; de saber que os maiores cientistas são negros; das grandes desbravadoras, intelectuais, escritoras atrizes ser mulheres negras; das dezenas de destaques ser dado a jovens e mulheres negras; de saber que a sociedade mesmo que oprimida com as práticas de racismo, inicia-se o processo de movimentação ao reconhecer sua importância para economia do planeta.

Isto tem assustados os gestores do racismo, manifestações diversas, operantes estruturais e institucionais tem acorrido em todo o mundo, para barrar este processo histórico e paulatino de autoreconhecimento e reafirmação do povo negro.  

Em São Paulo no período de janeiro de 2017 à maio de 2018, o número de casos de crimes raciais registrados pela Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância (Decradi) entre janeiro e maio cresceram 65% na comparação com o mesmo período de 2017.

Em 2018, foram 95 denúncias relacionadas aos crimes de racismo e injúria racial na capital do país – um aumento de mais de 70% em relação ao ano anterior.

Minas Gerais, registrou 294 casos relacionados a preconceito por causa da raça, de janeiro a setembro de 2019, sendo 221 de injúria racial e 73 de racismo. Estes números foram divulgados pela Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp).

O Ministério Público do Trabalho (MPT) em maio de 2019, disse que nos últimos cinco anos, recebeu 896 denúncias de casos de discriminação em razão da origem, raça, cor ou etnia nos últimos cinco anos. Só no ano de 2018 foram 205, um crescimento de 30% em relação a 2014. No Brasil, de acordo com os dados mais recentes do IBGE, negros têm as mais altas taxas de desemprego e recebem, em média, salários mais baixos.

 O Observatório da Discriminação Racial no Futebol conclui relatório com dados de 2017 que descreve 77 casos divulgados na imprensa nacional e internacional. Foram 69 no futebol e oito em outros esportes. Coincidentemente, 69 casos foram verificados no Brasil e oito envolvendo atletas brasileiros no exterior. Nos casos verificados no Brasil, 61 foram no futebol, envolvendo 43 atos de racismo contra 10 de LGBTfobia, cinco de machismo e três de atos xenofóbicos. Nos atos de racismo apontados no relatório, 29 ocorreram em estádios, 11 nas redes sociais e três em outros espaços.  A conta até maio de 2019 já apontava para 14 denúncias no futebol brasileiro (12 no estádio e duas registradas no ambiente da internet) fechou até novembro de 2019, com 47 casos em todo pais. Um aumento de 6,8% em relação ao mesmo período do ano anterior, marcando o maior número de casos de racismo no futebol dos últimos 5 anos. 

Tais fatos se tornam relevantes, pelo tamanho da sociedade que se auto declara negra e pleiteiam o exercício da cidadania como ser humano, dotados de diretos não apena deveres. 
O nível de consciência que pessoas tem alcançado, tem assustado e incomodado os racista e seu sistema operante.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2020

OAB solicita à OEA audiência sobre violências contra as mulheres no Brasil


A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) pediu que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) realize uma audiência para debater o enfrentamento da violência contra a mulher e do feminicídio no Brasil.

Na petição enviada à OEA, a OAB afirma que o aumento de 4% na taxa de feminicídio no país pode ser atribuído ao "momento político conturbado" que o Brasil enfrenta, "em que muitas ideais de submissão feminina e domínio masculino são amplamente difundidas, inclusive por representantes do próprio Estado". "Quem deveria zelar e proteger a vida das mulheres não o faz, uma vez que não coíbe efetivamente a violação de direito tão fundamental", alega a OAB.

"Fato é que não combatendo a violência contra a mulher, em todos os âmbitos sociais, o poder público não está apenas violando os direitos das mulheres, como fazendo transcender o crescimento quantitativo desses crimes, situação contrária aos valores expressamente expostas na Constituição da República e na Convenção Americana sobre Direitos Humanos, bem como em demais dispositivos internos e internacionais, como explicitado anteriormente", acrescenta a instituição.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos da OAB acredita, portanto, que este é um tema relevante para o fortalecimento da democracia e dos direitos humanos no país. "Quando se analisa esses direitos sob o aspecto do contexto hoje vivenciado na perspectiva de desigualdade de gênero, verifica-se uma completa indiferença do Poder Público às garantias tão fundamentais", diz o documento enviado à OEA.

O pedido foi apresentado no dia (4) à OAB. O documento ainda sugere que a audiência “O Enfrentamento à violência contra a Mulher e Feminicídio no Brasil” ocorra em março, no Haiti, durante o 175º Período Ordinário de Sessões da CIDH.

AUMENTO DOS CASOS DE FEMINICÍDIO

O aumento dos casos de feminicídio registrados no Brasil tem mobilizado não só o movimento de mulheres no combate a violência contra as mulheres, mas  também poderá virar este ano , alvo de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara dos Deputados. 

No requerimento pela criação da CPI do Feminicídio é baseado nas " taxas de feminicídio - homicídio causado contra a mulher pelo parceiro afetivo - no Brasil seguem elevadas e demandam além de uma mudança cultural em nossa sociedade, a intervenção do Estado para prevenir as ocorrências e punir, conforme a lei, os assassinos de mulheres".

O documento ainda explica que, segundo o Anuário Brasileiro da Segurança Pública, a taxa de homicídios caiu 10% no Brasil entre 2017 e 2018. Já o número de feminicídios aumentou 4% - de 1.151 para 1.206 casos - nesse período, vitimando em sua maioria mulheres negras (61%) e de baixa escolaridade (70,7%).

As taxas de lesão corporal dolosa cometida contra a mulher também subiram, passando de 252.895 para 263.067 casos.

Ao meu ver isto demostra falta de uma política tática, específica e técnica.
Além da falta de investimento financeiro em ações de combate a violência contra as mulheres e interesse ideológico e religioso em transformar o que era desenvolvido em ações reversas. Contrariando a própria Constituição brasileira.

“O Estado brasileiro não vem agindo a garantir seus deveres firmados nacional e internacionalmente de proteger a vida e integridade das mulheres no país”.(Petição da OAB).


Fontes e trechos: congressoemfoco

quarta-feira, 15 de janeiro de 2020

Movimento de mulheres cresceram, mas ainda “parece que estamos dois passos à frente e um passo atrás”. diz Chimamanda Adichie

Escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie durante entrevista à
Reuters em Santiago 13/01/2020 REUTERS/Rodrigo Garrido

SANTIAGO (Reuters) - O movimento #MeToo pode ter impulsionado os direitos das mulheres, mas a busca pela igualdade de gênero ainda dá "dois passos à frente e um passo atrás", afirmou Chimamanda Adichie, novelista e ativista nigeriana nesta segunda-feira 13 à Reuters.

Chimamanda, cuja palestra no TED, "Todos devemos ser feministas", inspirou música de Beyoncé e  coleção de camisetas da Christian Dior. Afirmou  que as mulheres podem estar progredindo no ambiente profissional e na vida pública, mas elas ainda realizam a maior parte do trabalho doméstico.

“O movimento #MeToo, em muitas partes do mundo, tornou possível para as mulheres começarem a falar sobre coisas as quais as mulheres não podiam falar, então, para mim, isso é um progresso”, disse a autora durante uma conferência em Santiago, capital do Chile.

“Muitas vezes, parece que estamos dois passos à frente e um passo atrás. Estamos falando sobre isso, mas ainda não encontramos as soluções.”

Ela disse que as crianças ainda são costumeiramente criadas com “papéis de gênero arraigados”.
“A ideia de trabalho doméstico, por exemplo, quem faz isso, é algo pelo qual as pessoas devem ser pagas?” disse ela. “Em muitos países do mundo, ainda é pensado como algo que as mulheres devem fazer.”

“Por causa disso, as mulheres estão fazendo trabalho doméstico em casa e também trabalhando fora de casa. Agora, as mulheres estão duplamente sobrecarregadas e, portanto, o que pode parecer igualdade realmente não é. No futuro, temos que abordar isso; caso contrário, isso levará as mulheres para trás ainda mais.”

Chimamanda, cujos romances premiados —incluindo “Americanah”, “Hibisco Roxo” e “Meio Sol Amarelo” abordam questões de gênero, raça, identidade e imigração, também criticou o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizendo que sua abordagem mais rigorosa à migração das regiões Central e da América do Sul representou “crueldade por crueldade”.

O QUE É #METOO ?

Em português, a expressão MeToo seria algo como Eu Também e do movimento ‘The Silence Breakers’, algo como quebra do silêncio.

O movimento surgiu em forma de hashtag nas redes sociais, mas logo ganhou notoriedade ao ser adotado por celebridades hollywoodianas. Conheça o que é o movimento #MeToo.
O movimento foi tão relevante que foi escolhido como a “personalidade” do ano de 2017 pela revista americana Time, que anualmente escolhe pessoas para figurarem no posto. Em 2016, foi Donald Trump. A publicação afirmou que #MeToo foi usada milhões em mais de 85 países diferentes.
Como surgiu o #MeToo
Apesar de ter tido bastante repercussão no ano de 2017, foi ainda em 1996 que a expressão #MeToo foi pensada pela primeira vez. Foi a ativista Tarana Burke, que luta pelo empoderamento das jovens mulheres negras, que iniciou o movimento.
Depois de escutar o relato de uma criança que sofria abusos sexuais do padastro, Tarana Burke não teve coragem de dizer para ela: Eu também. Esse remorso corroeu a americana, que somente anos depois teve a força para falar ao mundo: me too, ou seja, eu também. A ideia de propagar o movimento foi criar empatia entre as vítimas de assédio.
#MeToo pelo mundo
De acordo com o jornal El País, o movimento #MeToo ajudou a disseminar pelo mundo o combate ao assédio sexual. O diário espanhol revelou que a busca pela palavra feminismo no dicionário Merriam-Webster aumentou 70% somente no ano de 2017. “Nunca antes tantas mulheres —e também homens— de diferentes esferas haviam se definido publicamente como feministas, palavra maldita durante anos”, define o El País.

Fontes: Reuters/estudopratico/Yahoo

MAIS LIDAS