quarta-feira, 10 de julho de 2019

Canadá admite ter sido cúmplice de 'genocídio racial' de mulheres indígenas

Ativistas afirmam que centenas de garotas e mulheres
indígenas foram mortas no genocídio racial
CANADÁ -  O Canadá foi cúmplice de um "genocídio racial" contra mulheres indígenas, segundo um extenso relatório produzido pelo próprio governo canadense.

O texto, divulgado no dia (03/06) cita dados de uma pesquisa mostrando que as mulheres indígenas tinham 12 vezes mais chances de serem mortas ou desaparecerem do que outras mulheres no Canadá.

Produzido ao longo de três anos, o relatório de 1.200 páginas apresenta mais de 200 recomendações, entre elas um chamamento para todos os canadenses ajudarem a acabar com a violência, inclusive aprendendo a história indígena.

O relatório constatou que "as violações e abusos persistentes e deliberados dos direitos humanos dos indígenas são a causa básica por trás das taxas de violência do Canadá".
Baseado em audiências e pesquisas, entrevistas sobre sobre violência desproporcional enfrentada por mulheres e meninas indígenas no Canadá, o estudo culpa o colonialismo arraigado e a falta de ações do Estado.

"Apesar de suas diferentes circunstâncias e origens, todos os desaparecidos e assassinados estão conectados pela marginalização econômica, social e política, pelo racismo e pela misoginia entremeados no tecido da sociedade canadense", afirmou a comissária-chefe do inquérito, Marion Buller.

Pressão por investigação
O estudo, com custo estimado em US$ 92 milhões (cerca de R$ 360 milhões), concentrou-se nas causas sistêmicas da violência contra as mulheres indígenas, e em recomendações de medidas públicas e formas de prevenção.

Foram ouvidas mais de 2.000 testemunhas desde 2017 - incluindo sobreviventes de violência e seus familiares.

As descobertas do Inquérito Nacional sobre Mulheres e Meninas Indígenas Assassinadas e Desaparecidas eram aguardadas com bastante expectativa no Canadá, onde há cerca de 1,6 milhão de indígenas - o país tem 37 milhões de habitantes.

Casos notórios de mulheres e meninas indígenas desaparecidas ou assassinadas ampliaram a antiga pressão por uma investigação nacional - entre eles, as mortes cometidas pelo serial killer Robert Pickton e a morte da estudante Tina Fontaine.

Em 2014, o relatório Mulheres Aborígenes Desaparecidas e Assassinadas: Uma Visão Nacional fez estimativas sobre o número de mulheres indígenas desaparecidas e assassinadas entre 1980 e 2012. Foram identificados 1.017 homicídios registrados pela polícia e 164 sem registro.

Isso significa que as mulheres indígenas são alvo de 16% do total de homicídios femininos, embora representem apenas 4,3% da população feminina do país.

Reações
O primeiro-ministro Justin Trudeau - que anunciou ter colocado a reconciliação com os povos indígenas como uma prioridade de seu governo - estará presente na cerimônia de conclusão do inquérito, iniciado após anos de pedidos de organizações indígenas e internacionais.

As famílias que perderam entes para a violência - e os próprios sobreviventes - terão agora mais informações para cobrar medidas de reparação e prevenção.

Embora o foco do inquérito fosse sobre mulheres e meninas, os pesquisadores também incluíam muitas referências a pessoas com dois gêneros, lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, queer, intersexuais e assexuais. Eles observam que esses grupos também têm sido alvos frequentes de violência.

Inquéritos e investigações anteriores no Canadá - desde a Royal Commission of Aboriginal Peoples, de 1996, até o mais recente relatório Verdade e Reconciliação - apresentaram cerca de 900 recomendações abrangentes para lidar com muitos dos problemas ligados à questão.
Mas grande parte delas não saiu do papel.

Essa falta de ação do Estado é citada no fim do relatório divulgado há pouco.

"Um dos maiores medos de sobreviventes e familiares é se abrirem para um processo tão intenso quanto este ligado ao inquérito e nada ser feito - o relatório fica acumulando poeira numa prateleira e as recomendações são deixadas sem resposta."

Para a chefe do inquérito, Marion Buller, é preciso uma mudança de paradigma no país para desmontar o colonialismo na sociedade canadense. "Leia o relatório, se manifeste contra sexismo, machismo e misoginia. Cobre do governo e descolonize a si mesmo aprendendo sobre o povo indígena e a verdadeira história do Canadá", sugeriu Buller aos cidadãos canadenses.

Quais são as recomendações do relatório?

- O governo central e os administradores provinciais devem desenvolver um plano de ação para combater a violência contra mulheres indígenas, meninas e pessoas LGBT;
- Desenvolver um plano de ação nacional para garantir o acesso equitativo a emprego, habitação, educação, segurança e saúde;
- Estabelecimento de um ombudsman nacional de direitos humanos e indígenas;
- Governos devem reconhecer e proteger os direitos dos idiomas indígenas e lhes darem status de idioma oficial;
- Todos os níveis de governo devem garantir apoio a programas e serviços para mulheres e meninas indígenas na indústria do sexo;
- Aumento do financiamento para serviços policiais indígenas;
- Governo central deve revisar e reformar as leis sobre violência sexual e contra parceiros íntimos;
- Criação de um mecanismo independente para relatar anualmente como as recomendações estão sendo implementadas.

Por: BBC 

Universidade de Tecnologia europeia contratará somente mulheres


HOLANDAA Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, só vai considerar currículos de professores homens se não encontrar mulheres aptas para dar aulas e pesquisar na instituição, onde apenas 16% do corpo docente é composto por mulheres.

Destaque no campo da engenharia na Europa, o centro holandês,  decidiu que no próximo ano e meio vai contratar somente mulheres para postos acadêmicos.  Para muitas pessoas e pode parecer uma medida extrema, mas para o reitor da Universidade de Tecnologia de Eindhoven, na Holanda, foi uma decisão necessária.

Homens poderão se candidatar a novos postos apenas se, durante os primeiros seis meses em que a vaga estiver aberta, não aparecerem mulheres aptas a ocupá-los.

Essa nova iniciativa entrou em vigor em 1º de julho deste ano. "Claramente é um passo radical", diz o reitor Frank Baaijens. "Mas sentimos que era necessário já que medidas mais sutis que estamos tentando nos últimos dez anos não têm funcionado."
A instituição tem uma política segundo a qual deveria haver ao menos duas mulheres nos comitês de seleção. Mas apenas 16% das acadêmicas da universidade são mulheres.

É um dos índices mais baixos não apenas de toda Holanda como de toda a Europa, observa o reitor.

"O que está claro é que durante os processos de seleção e de recrutamento todos nós - homens e mulheres - temos um viés inconsciente, o que significa que gravitamos para candidatos do sexo masculino", escreveu Baaijens em um artigo no jornal britânico The Guardian.

"Isso torna mais difícil para as mulheres começarem e desenvolverem suas carreiras acadêmicas. Para resolver essa situação injusta, tivemos que realizar ações de discriminação positiva, mesmo com o risco de perturbar alguns candidatos do sexo masculino", afirmou Baaijens.

O objetivo da universidade é aumentar a representação feminina em ao menos 20% até 2020 e em 30% até a próxima década.

Nos próximos anos, a instituição estima que terá 150 vagas a serem preenchidas.
O programa da Universidade de Tecnologia de Eindhoven é batizado em homenagem a Irène Curie, vencedora do Nobel de Química e filha de Marie Curie, primeira mulher a ganhar o Nobel e a única pessoa a ser agraciada com esse prêmio em duas categorias científicas diferentes (Química e Física).

Na Holanda, assim como acontece em outros países europeus, há escassez de engenheiros. "Simplesmente não podemos nos dar ao luxo de excluir metade do potencial intelectual de nossa população, e a engenharia é uma disciplina que tem tudo a ver com inteligência, independentemente do gênero", afirma Baaijens.
A proporção de vagas abertas apenas para mulheres será revisada daqui a um ano e meio, a fim de avaliar os resultados do programa.

Nessa mesma universidade, as alunas mulheres representam 25%. A instituição vai conceder 150 vagas nos próximos anos.

No ranking das melhores universidades do mundo nas áreas de engenharia e tecnologia, organizado pela Times Higher Education, a Universidade Tecnológica de Eindhoven ocupa o 69º lugar.

Em 2016, a proporção de mulheres com Grau A - a mais alta posição para realizar pesquisa acadêmica, o parâmetro usado pela Comissão Europeia para comparar os países - variava entre 13% (em Chipre) a 54,3% (Romênia).

A proporção média de mulheres entre nas universidades e centro de ensino em todos os países da União Europeia, independentemente da classificação, foi de 41,3% em 2018, de acordo com o relatório She Figures, produzido pela Comissão Europeia.

Os países com menor presença feminina são a República Tcheca (34,4%), a Grécia (35,1%) e a França (36,5%).

Nos Estados Unidos, as mulheres são 45% do corpo docente trabalhando em tempo integral no ensino superior, segundo dados citados por Bridget Turner Kelly, professora da Universidade de Maryland.

Mas "quanto mais alto você olha, menos mulheres há, o que mostra que as desigualdades de gênero persistem", escreveu Kelly em um post no site da Brookings Institution, organização de pesquisa de políticas públicas sem fins lucrativos.

Representatividade feminina no Brasil
No Brasil, as mulheres representam quase 70% do corpo docente no país, que passa de 2,5 milhões, segundo censos educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) referentes a 2017.

Mas na educação superior, as professoras são minoria. Dos 384.094 docentes da Educação Superior em exercício, 45,5% são mulheres, segundo dados do Censo da Educação Superior de 2016.

De acordo com o Inep, a realidade é totalmente diferente nos primeiros anos de formação.

Das 48,6 milhões de matrículas da Educação Básica, 49,1% são de mulheres, revelando o equilíbrio no acesso, afirma o Censo Escolar 2017. O mesmo levantamento mostra que as mulheres representam 80% dos professores desta etapa.

Por Theguadian/BBC/G1

segunda-feira, 8 de julho de 2019

2020 poderá ser ano das candidatas negras


Por Mônica Aguiar 

O que tudo indica que 2020 poderá ser o ano com expressivo crescimento em número de mulheres negras candidatas prefeitas e vereadoras.

Apesar da sub-representação de deputadas negras na Câmara e nas Casas legislativas, o número de deputados e deputadas negras cresceram quase 5% na eleição de 2018 em comparação com 2014. Conforme IBGE, as mulheres negras somam menos de 1% na Câmara dos Deputados, isto é, dos 513 parlamentares, 52 são mulheres, sendo 07 negras. 

Mesmo com grandes dificuldades financeiras e desigualdades no convívio e tratamento político dentro dos partidos, aos poucos, observamos um aumento na representatividade e atuação das mulheres negras no parlamento. Fruto de persistência e resistência ao enfrentar as falsetas de dirigentes que são em ampla maioria homens brancos racistas e preconceituosos.  

Estereótipos, recorte racial e mitos existentes dentro dos partidos, confirmam que muitos partidos ainda tendem a associar competência política ao perfil masculino, branco, heterossexual, casado e de boa posição socioeconômica.

Existe uma visão que cabe prioritariamente às mulheres negras a responsabilidade conquistar espaços dentro de partidos políticos, participando da vida partidária. Mas o exercício da cidadania partidária ás mulheres negras não é uma tarefa fácil. Ao longo da historia as mulheres negras vem enfrentando diversos desafios que as impedem de estarem presentes nos espaços de articulação e decisão interna sobre candidaturas prioritárias, plataformas/programas ou futuros projetos políticos.

Em um dos diagnósticos  traçados na plataforma apresentada pela Rede Umunna em 2018, no Rio, em comemoração ao Dia da Mulher Negra Latino e Caribenha,  indica que apenas 2,51% das despesas de todos os candidatos ao Legislativo, em 2014, estavam relacionadas às candidaturas de mulheres negras e que as chances de elegibilidade são ainda reduzidas.
As mulheres somam 44% de filiados nos partidos políticos, estes percentuais não refletem na composição de direções e nem nos resultados eleitoral.

Um levantamento apresentado no dia 25 de julho, pela Confederação Nacional de Municípios mostrou que das 649 prefeitas eleitas em 2016, apenas 10 são negras e 174 pardas. Este resultado reflete as barreiras de representatividade de raça no País.

O TSE determinou que 30% dos recursos do fundo eleitoral deveriam ser gastos em campanhas de mulheres, mas o que observamos é subutilização de grandes valores deste fundo para potencializar e eleger homens.

Em maio (2019), o Presidente do Brasil sancionou uma Lei nº 13.831, que também anistia partidos políticos de multas decorrentes de aplicação incorreta de parte dos recursos do Fundo Partidário com ações para incentivar a participação feminina na política.

Art. 55-A. Os partidos que não tenham observado a aplicação de recursos prevista no inciso V do caput do art. 44 desta Lei nos exercícios anteriores a 2019, e que tenham utilizado esses recursos no financiamento das candidaturas femininas até as eleições de 2018, não poderão ter suas contas rejeitadas ou 
sofrer qualquer outra penalidade”.

No Legislativo local, mulheres negras têm uma representatividade um pouco mais expressiva. Dentre as vereadoras atualmente no poder, 36,7% são negras (32,5% autodeclaradas como pardas e 4,21% como pretas). As brancas representam 62,4%, as amarelas 0,4% e as indígenas 0,2%. "O percentual de mulheres negras como vereadoras é 8,4% maior em relação às prefeitas", destaca o levantamento.

Marielle Franco (PSol) . Mulher negra, nascida na Favela da Maré, lésbica e defensora dos direitos humanos, Marielle foi a 5ª vereadora mais votada do Rio em 2016. Foi brutalmente assassinada, até o presente momento não se tem notícias sobre os mandates deste extermínio.

 O que tudo indica que 2020 poderá ser o ano que maçará um crescimento em número de mulheres negras candidata a prefeitas e vereadoras, pois são várias mulheres negras com expressão nacional e local que vem demostrando vontade de serem candidatas em 2020. Mulheres negras de vários setores, em suas maiorias jovens que compreendem a importância de ocupar estes espaços do legislativo e executivo destinados com prioridade aos homens.

Conforme divulgado na página do Geledés, a socióloga, ex-ouvidora geral da Defensoria Pública da Bahia (DP-BA) e ativista pelos direitos humanos, Vilma Reis, anunciou pré-candidatura à prefeitura de Salvador para 2020 e completa afirmando que pessoas ligadas ao Movimento Negro comemoraram nas redes sociais o anúncio de Vilma, que é referência na luta contra o racismo no Brasil.

Outras mulheres negras tem demostrado pelo crescimento no resultado eleitoral, atuação no parlamento, relação com a sociedade e dentre outros fatores positivos, boas condições para fazer a disputa em 2020.


sábado, 6 de julho de 2019

Polícia Militar do Ceará terá a primeira coronel mulher em agosto, diz governador

 por G1Ceara


A primeira coronel mulher da Polícia Militar do Ceará deve ser nomeada no próximo mês de agosto, de acordo com o governador do estado, Camilo Santana. O anúncio foi feito em solenidade que comemorou os 25 anos da presença feminina na corporação, realizada nesta sexta-feira (5), no Quartel do Comando Geral, em Fortaleza.

Camilo colocou ainda que o próximo concurso público para a PM terá aumento de vagas ofertadas para mulheres, passando de 5% para 15%. "Agradeço a cada uma das mulheres que fazem a Polícia Militar do Ceará nesses 25 anos. Mulheres guerreiras que optaram pela defesa da sociedade. E não é fácil essa missão. Portanto, da minha pessoa como governador deste Estado, cada uma delas terá sempre minha eterna gratidão", disse o governador.

No total, 813 mulheres fazem parte hoje do efetivo da Polícia Militar do Ceará, exercendo funções em diversos tipos e modalidades de policiamento, além de cargos de liderança e posições estratégicas.

"Eu quis lutar pela igualdade, principalmente da mulher naquela época. Como fui pioneira, me sentia na obrigação de lutar e fazer justiça na sociedade", conta a sargento Delice Martins de Oliveira, que integra a polícia desde 1994, na primeira turma de policiais femininas.

terça-feira, 2 de julho de 2019

DUPLA OPRESSÃO: MULHERES NEGRAS

Em 1851, uma negra abolicionista foi responsável por um discurso capaz de reconhecer e nomear privilégios
Por ALINE VESSONI 
Em 1851, na Convenção dos Direitos das Mulheres, em Akron, nos Estados Unidos, Sojourner Truth, uma negra abolicionista, escritora e ativista dos direitos das mulheres, foi responsável por um discurso capaz de reconhecer e nomear privilégios. Ela narrou uma série de atividades que exercia e que são consideradas masculinas, para então lançar uma pergunta retórica ao final de cada estrofe: se, afinal, ela não seria mesmo uma mulher.
Sob a perspectiva da época, não parecia. “Olhem para meu braço! Eu capinei, eu plantei, juntei palha nos celeiros e homem nenhum conseguiu me superar! Eu não sou uma mulher? Eu consegui trabalhar e comer tanto quanto um homem — quando tinha o que comer — e também aguentei as chicotadas! E não sou uma mulher?”

Abrahan Lincoln mostrando a bíblia
a Sojourner Truth, 1893 / 

Crédito: Reprodução
Embora Truth tenha se manifestado há quase dois séculos, a teorização  feminismo negro vai emergir num tempo já bem mais próximo dos nossos dias, quando as mulheres começarem a se manifestar contra opressões específicas — raça, classe e gênero. A dupla opressão vivenciada pelas mulheres negras precisa ser narrada por elas mesmas, sem mediadores — sejam mulheres brancas ou homens simpatizantes da causa.
do
“Ainda é muito comum dizer que o feminismo negro traz cisões ou separações, quando é justamente o contrário. Ao nomear as opressões de raça, classe e gênero, entende-se a necessidade de não hierarquizar opressões”, escreve a filósofa Djamila Ribeiro, em seu livro O Que É Lugar de Fala?.
Para a jornalista Juliana Gonçalves, uma das organizadoras da Marcha das Mulheres Negras, de São Paulo, os preconceitos de raça e gênero acontecem sempre ao mesmo tempo. “Historicamente mulheres brancas e negras partem de lugares distintos, e isso vai influenciar na construção dos estereótipos para compreender o que é um corpo branco e um corpo negro, e até o que é belo, agradável, desejável. Nós discutimos encarceramento em massa, e genocídio da população negra sob um viés feminista. O feminismo negro existe para explorar assuntos que ainda não haviam sido colocados em pauta.”
“Ainda é muito comum dizer que o feminismo negro traz cisões ou separações, quando é justamente o contrário. Ao nomear as opressões de raça, classe e gênero, entende-se a necessidade de não hierarquizar opressões”, escreve a filósofa Djamila Ribeiro, em seu livro O Que É Lugar de Fala?.
Para a jornalista Juliana Gonçalves, uma das organizadoras da Marcha das Mulheres Negras, de São Paulo, os preconceitos de raça e gênero acontecem sempre ao mesmo tempo. “Historicamente mulheres brancas e negras partem de lugares distintos, e isso vai influenciar na construção dos estereótipos para compreender o que é um corpo branco e um corpo negro, e até o que é belo, agradável, desejável. Nós discutimos encarceramento em massa, e genocídio da população negra sob um viés feminista. O feminismo negro existe para explorar assuntos que ainda não haviam sido colocados em pauta.”
Fonte:Aventura na história

MAIS LIDAS