quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

“Quem é ela?”: o novo jogo de tabuleiro que celebra as mulheres que marcaram a História


Exemplos de alguns dos cartões biográficos do jogo
“Quem é ela?” (Imagem: Reprodução Kickstarter)
Criado pela designer polaca Zuzia Kozerska-Girard, o “Who’s She?” (“Quem é ela?”; tradução livre) é uma adaptação do jogo “Guess Who?” (“Adivinha quem?”; tradução livre), o clássico jogo de tabuleiro que fez sucesso na década de 80, um pouco por todo o mundo. Nesta nova versão, submetida na plataforma Kickstarter – dedicada ao financiamento coletivo (crowdfunding) -, o jogo tem um elenco exclusivamente feminino, composto por sonantes nomes de mulheres que atuaram nas mais diversas áreas.

Frida Khalo, famosa pintora mexicana e ícone cultural; Marie Curie, reconhecida cientista polaca que ganhou o Prémio Nobel duas vezes; Harriet Tubman, humanitária e espia dos Estados Unidos da América durante a Guerra Civil; e a russa Valentina Tereshkova, a primeira mulher a ir ao espaço, são apenas quatro exemplos de mulheres marcantes que integram este jogo. No total, é composto por 28 grandes figuras femininas, que foram mais além nas suas áreas e que deixaram um notável legado através das suas escolhas, expressões artísticas, pensamentos e ações. A acompanhar o tabuleiro, há também 28 pequenos cartões biográficos que contêm algumas curiosidades acerca de cada uma das personalidades, desde citações até pormenores insólitos das suas vidas.

“Quem é ela?” é um jogo de tabuleiro composto por 28 figuras femininas que o jogador deve adivinhar através de perguntas relacionadas com os seus grandes feitos. Além de um retrato a aguarela no próprio jogo, é também atribuído um cartão biográfico a cada uma delas, com informações relevantes e curiosidades inéditas (Imagem: Reprodução Kickstarter)

Através desta criação, Zuzia Kozerska-Girard quis eternizar os feitos destas mulheres e, também, passar, através delas, uma mensagem de encorajamento às meninas mais novas. Para isso, contou com a ajuda de outra mulher, Daria Golab, a artista polaca responsável pelas pinturas a aguarela que dão cor a todas as figuras. Mas, atenção, os mais másculos que não se assustem: embora tenha sido inventado por uma mulher, pintado por outra e seja composto, apenas, por mulheres, o jogo não exclui os homens! Bem pelo contrário, toda a gente é bem-vinda e qualquer pessoa pode jogar.
Exemplos de alguns dos cartões biográficos
do jogo “Quem é ela?”
(Imagem: Reprodução Kickstarter)
No jogo original, as sugestões de perguntas a fazer para que a adivinha se concretizasse eram direcionadas para as caraterísticas físicas, como “Usa chapéu?”“Usa óculos?” ou “Tem um nariz grande?“. No “Quem é ela?”, a autora quis transformar o conceito e, em vez das questões mais clássicas, as propostas mudam para perguntas que nada têm a ver com o aspeto físico: “Era espia?”, “Ganhou um Prémio Nobel?” ou “Fez uma grande descoberta?”. Assim, os grandes feitos e ações destas mulheres são verdadeiramente enaltecidos e tornam-se no foco do jogo, sem distrações. Muito melhor, não acham? Embora o objetivo financeiro da submissão rondasse os 17 mil dólares americanos (quase 15 mil euros), atualmente a proposta conta já com mais de 3.000 apoiantes e cerca de 302 mil dólares acumulados (mais de 260 mil euros). A designer polaca só pode estar feliz, visto que além de ainda faltarem nove dias para terminar o prazo de financiamento da primeira parte da proposta, os 100% já estão mais do que ultrapassados – e o melhor é que os 1000% também
Exemplos de alguns dos cartões biográficos
 do jogo “Quem é ela?” (Imagem: Reprodução Kickstarter)

Para melhorar ainda mais o cenário, todo o material usado é feito para garantir a durabilidade do produto. Os retratos feitos por Daria Golab são impressos diretamente em madeira de bétula e protegidos com óleo de linhaça, que a preserva. Pode encomendar o jogo, que estará disponível para entrega a partir de fevereiro de 2019, através da Kickstarter, por 65 euros. As versões disponíveis são em inglês, francês, alemão, polaco, espanhol ou italiano.
Fonte e texto : http://www.conexaolusofona.org

segunda-feira, 10 de dezembro de 2018

Direitos Humanos : O que Esperar ?

Por Mônica Aguiar

70 anos de Declaração universal dos Direitos Humanos, estamos fechando  ano de 2018, marcado por várias tragédias e violações contra a vida e a liberdade. 


Encontramos um País que não conseguiu abordar e resolver suas principais dívidas históricas com a cidadania: o problema estrutural de desigualdade e discriminações profundas, das quais se destacam a discriminação racial esocial. (Frase que fez  parte do relatório divulgado em novembro, pela Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH)

Este ano de 2018 ficou marcado com várias atrocidades. Uma delas, contra a Vereadora negra Marielle Franco, militante feminista e dos direitos humanos, exterminada no exercício de sua função pública como Vereadora, representante notória  dos interesses das mulheres, da população negra e direitos humanos perante o poder público e  sociedade. 

Do Norte ao Sul do Brasil, as mortes de quem defende direitos humanos são recorrentes com aumento alarmante em todo Brasil:- Paulo Sergio Liderança Indígena e quilombola, Márcio Oliveira liderança sem Terra.

Diante de tantos fatos de violação dos direitos humanos ocorridos contra centenas de mulheres negras brasileiras, foi apresentado um  Dossiê  republicado por este BLOG em março. "A situação dos direitos humanos das mulheres negras no Brasil" .
O Dossiê  foi produzido pelo Geledés – Instituto da Mulher Negra e Criola – Organização de Mulheres Negras, apresentado na 157ª sessão da Comissão da OEA – Organização dos Estados Americanos.
Com abordagens da violência e diferentes formas de violações de direitos humanos de mulheres negras brasileiras no Brasil.  

A Declaração Universal dos Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas afirma que "Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e em direitos. Dotados de razão e de consciência, devem agir uns para com os outros em espírito de fraternidade."

Mas diante declarações afirmadas publicamente, pela futura ministra dos Direitos Humanos, Damaris Alves, tudo indica que estas diretrizes  não serão adotadas pelo futuro Governo no Brasil.

Os direitos humanos incluem o direito à vida e à liberdade, à liberdade de opinião e de expressão, o direito ao trabalho e à educação, combate ao racismo, oportunidades, combate a toda forma de violência entre e muitos outros.  Todos e todas merecem estes direitos, sem discriminação e preconceito.

Mesmo que estabelecidas as obrigações dos governos de agirem de determinadas maneiras ou de se absterem de certos atos, a fim de promover e proteger os direitos humanos e as liberdades de grupos ou indivíduos, as declarações da futura Ministra de Direitos Humanos, demostram  que sua posição pessoal, sua ideologia religiosa e valores morais sobrepõem o papel de um Gestor Público de uma Nação, ficando na contramão do mais universal de todos os direitos. Os direitos Humanos .  

conceito de Direitos Humanos reconhece que cada ser humano pode desfrutar de seus direitos humanos sem distinção de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outro tipo, origem social ou nacional ou condição de nascimento ou riqueza.

  • Os direitos humanos são fundados sobre o respeito pela dignidade e o valor de cada pessoa;
  • Os direitos humanos são universais, o que quer dizer que são aplicados de forma igual e sem discriminação a todas as pessoas;
  • Os direitos humanos são inalienáveis, e ninguém pode ser privado de seus direitos humanos; eles podem ser limitados em situações específicas. Por exemplo, o direito à liberdade pode ser restringido se uma pessoa é considerada culpada de um crime diante de um tribunal e com o devido processo legal;
  • Os direitos humanos são indivisíveis, inter-relacionados e interdependentes, já que é insuficiente respeitar alguns direitos humanos e outros não. Na prática, a violação de um direito vai afetar o respeito por muitos outros;
  • Todos os direitos humanos devem, portanto, ser vistos como de igual importância, sendo igualmente essencial respeitar a dignidade e o valor de cada pessoa.
A Constituição Federal regula os tratados internacionais no direito brasileiro.  O Brasil assinou e ratificou  vários Tratados Internacionais de Direitos Humanos :
  • Convenção para Prevenção e a Repressão do crime de genocídio (1948);
  • Convenção Relativa ao Estatuto dos Refugiados (1951);
  • Protocolo sobre o Estatuto dos Refugiados (1966);
  • Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966);
  • Protocolo Facultativo relativo ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos (1966);
  • Pacto Internacional dos Direitos Econômicos, Sociais e Culturais (1966);
  • Convenção Internacional sobre Eliminação de todas as formas de Discriminação Racial (1965);
  • Convenção Internacional sobre Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher (1979);
  • Protocolo Facultativo à Convenção Internacional sobre Eliminação de todas as formas de Discriminação contra a Mulher (1999);
  • Convenção contra a tortura e outros Tratamentos ou Penas cruéis, desumanas ou degradantes (1984);
  • Convenção sobre os Direitos das Crianças (1989);
  • Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente à venda de criança, à prostituição infantil e à pornografia infantil (2000);
  • Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança relativo ao envolvimento de crianças em conflitos armados (2000);
  • Convenção das Nações Unidas contra corrupção (2000) – Convenção de Mérida;
  •  Convenção Americana sobre Direitos Humanos (1969) – Pacto de San José da Costa Rica;
  • Estatuto da Corte Interamericana de Direitos Humanos (1979);
  • Protocolo Adicional à Convenção Americana sobre Direitos Humanos em matéria de direitos econômicos, sociais e culturais (1988) – Protocolo de San Salvador;
  • Protocolo à Convenção Americana sobre Direitos Humanos referentes à abolição da pena de morte (1990);
  • Convenção Interamericana para prevenir e punir a Tortura (1985);
  • Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra a Mulher (1994) – Convenção de Belém do Pará;
  • Convenção Interamericana sobre Tráfico Internacional de Menores (1994);
  • Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as formas de discriminação contra as pessoas portadoras de deficiência (1999). 

Aumento das violações 

A Declaração universal dos Direitos Humanos completam 70 anos, somos milhões  de brasileiros sem moradia digna, saneamento básico, alimentação, acesso à educação pública de qualidade e trabalho.
Este dado divulgado dia 5 de dezembro, pelo IBGE é um triste retrato da crise econômica no Brasil . Ao todo, somos 55 milhões de pessoas em situação de pobreza ou extrema pobreza. 

Estes indicadores sociais também revelam uma realidade perversa para crianças e jovens no Brasil. No ano passado, 12,5% da população brasileira de 0 a 14 anos vivia na extrema pobreza e 43,4% na pobreza, (dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística -IBGE) .

Em números absolutos, são 5,2 milhões de brasileiros de 0 a 14 anos na extrema pobreza – o equivalente a quase toda a população da Dinamarca – e 18,2 milhões na pobreza – pouco mais do que o número de habitantes do Chile. 

Entre negros ou pardos, 13,6% estavam entre os 10% da população com os menores rendimentos. No outro extremo, porém, apenas 4,7% deles estavam entre os 10% com maiores rendimentos. Já entre os brancos, 5,5% integravam os 10% com menores rendimentos e 16,4% os 10% com maiores rendimentos. 

A análise por restrição de acesso a bens em múltiplas dimensões complementa a análise monetária e permite avaliar as restrições de acesso à educação, à proteção social, à moradia adequada, aos serviços de saneamento básico e à internet. 

Nos domicílios cujos responsáveis são mulheres negras ou pardas sem cônjuge e com filhos até 14 anos, 25,2% dos moradores tinham pelo menos três restrições às dimensões analisadas. Esse é também o grupo com mais restrições à proteção social (46,1%) e à moradia adequada (28,5%). 

A liberdade, o respeito aos direitos humanos constituem elementos essenciais para manutenção da democracia e o exercício da cidadania.


Fontes e trechos:  Nações Unidas / Geledés /UNRIC/

quarta-feira, 5 de dezembro de 2018

Sanepar abre exposição de arte de mulheres negras


 
A Sanepar (Companhia de Saneamento do Paraná) abriu em Curitiba, a Exposição Ero Erê: Mulheres Artistas, com obras de 7 artistas negras. São oito trabalhos, entre pinturas, fotografias, assemblage e instalação têxtil.

A exposição marca as atividades do Mês da Consciência Negra em novembro, vai até 28 de fevereiro de 2019. Simultaneamente, o Coletivo Ero Erê está com exposições na sede da Secretaria de Estado da Educação e no Museu Paranaense.

A artista e curadora da exposição Walkyria Novais, que trabalha na Coordenação de Museu e nos Centros de Educação Socioambiental da Sanepar, afirma que as obras escolhidas além da qualidade estética são resultado de uma pesquisa em arte. “O nosso grupo é bastante diverso porque cada uma tem a sua ocupação profissional, mas somos mulheres negras que temos a arte como foco em nossa vida”, afirmaa. Ela tem formação em Artes e especialização em História da Arte e Curadoria. Walkyria faz pintura com uso de tintas naturais e utiliza material reciclável, como lonas e banners.

“Expor de forma coletiva fortalece o nosso grupo e o nosso propósito de dar mais visibilidade a um trabalho voltado à comunidade negra, às mulheres”, disse a jornalista e fotógrafa Fernanda Castro. Com exposição em vários países, Fernanda Castro faz vários registros fotográficos de mulheres, da cultura, religiosidade e comunidades negras, como a exposição Comunidade Quilombolas do Paraná.

A artista Cláudia Lara já participou de várias exposições coletivas e individuais no Paraná, São Paulo, Paraíba, Portugal, França, Cuba, Nova York, México, Peru e Argentina. Já teve obra premiada em primeiro lugar na “Exposition Biennale d’Art Contemporain Brésilien Et Latino Américain”, em Paris.

Elis Brasil é graduanda em Artes e desenvolve pesquisa sobre a invisibilidade artística e intelectual da mulher negra na história da arte. Ela faz pintura, gravura e escultura e também utiliza tecidos como suporte artístico.

Kênia Cristina tem a produção focada na pintura da figura feminina negra sobre materiais rejeitados com um olhar subjetivo e acolhedor sobre essas mulheres.

Lana Furtado trabalha com fotografia de famílias, retratos femininos, paisagens, fotografia documental e autoral. Ela desenvolve um projeto de fotografia com mulheres apenadas do Presídio Feminino de Piraquara.

Lourdes Duarte, formada em Artes Visuais, faz pinturas que buscam o resgate de memórias da infância. Tem especialização em Arte Inclusão na Educação Especial.

A exposição está aberta ao público, na Sala Engenheiro Tadeu Wantroba, na sede da Sanepar, Rua Engenheiro Rebouças, 1376. 
O horário de visitação é das 8h às 17, de segunda à sexta-feira, até 28 de fevereiro.


Fonte:Bemparana

segunda-feira, 3 de dezembro de 2018

Confirmada presença da ativista Ângela Davis no Encontro Nacional de Mulheres Negras


Por Mônica Aguiar 

Evento acontecerá em Goiânia e comemoram os 30 anos do 
primeiro encontro Nacional 
de Mulheres Negras

A filósofa,  ativista e feminista pelos direitos das mulheres, contra a discriminação social e racial nos Estados Unidos, Ângela Davis, participará do Encontro Nacional de Mulheres Negras 30 anos: Contra o Racismo e a Violência e Pelo Bem Viver – Mulheres Negras Movem o Brasil.

Este encontro marcam os 30 anos da realização do primeiro evento na cidade de Valença (RJ), ocorrido em 1988. As três décadas da rearticulação política contemporânea das mulheres negras trazem o histórico e os desafios da mobilização para afirmação do protagonismo na luta política, para afirmação da sua identidade e existência.

O encontro acontecerá  entre os dias 06 e 9 de dezembro,  na Vila Cultural Cora Coralina em Goiânia, fruto do resultado de encontros estaduais que ocorreram desde março em várias cidades  e pretendem reunir lideranças de todo pais.

O evento buscará ampliar uma agenda positiva de caráter nacional, recentemente fortalecida pela Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver. A marcha mobilizou diferentes forças políticas do movimento e conduziu mais de 70 mil ativistas a Brasília (DF), em 2015.

Para mobilizar recursos para o encontro, as organizadoras estão receberam doações até 2 de dezembro, por meio da plataforma Kickante. A campanha de financiamento coletivo teve como mobilizadoras online as defensoras dos direitos das mulheres negras da ONU Mulheres Brasil, Kenia Maria e Taís Araújo, e da embaixadora da ONU Mulheres Brasil, Camila Pitanga.


A promoção dos direitos humanos das mulheres negras é parte da estratégia de comunicação e advocacy político Mulheres Negras Rumo a um Planeta 50-50 em 2030. Esta iniciativa é desenvolvida pela ONU Mulheres em parceria com o movimento de mulheres negras brasileiras por meio de comitê integrado por organizações da sociedade civil.

A ação está alinhada com o Marco de Parceria das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável 2017-2021, que adota como diretriz o enfrentamento do racismo e a eliminação das desigualdades de gênero no país, baseada na Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e na Década Internacional de Afrodescendentes (2015-2024), e com o manifesto da Marcha das Mulheres Negras contra o Racismo e a Violência e pelo Bem Viver.

A iniciativa conta com o apoio do fundo de investimento social Elas e da ONU Mulheres Brasil.

Mais informações: @mulheresnegras30anos

Fonte: UNU Mulheres 

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