sexta-feira, 25 de agosto de 2017

'Referências de grandes mulheres negras só crescem', diz Miss Brasil

Com 18 anos, a piauiense Monalysa Alcântara há quase uma semana está envolvida em uma rotina corrida de eventos e entrevistas. Desde que foi escolhida Miss Brasil 2017, Monalysa tem recebido muito carinho e também demonstrado força diante de comentários racistas em redes sociais. Em entrevista por e-mail ao G1 a miss falou dos obstáculos e também do seu desejo de representar bem o país na disputa do Miss Universo. 
Negra e defensora do empoderamento feminino, Monalysa Alcântara lembra que sempre teve de enfrentar desafios. “Eu sempre acreditei no meu potencial, mesmo muitas vezes o mundo dizendo o contrário”, disse Monalysa. Para a miss é possível superar todos as dificuldades quando há autoconhecimento.
“Quando nós sabemos quem somos de verdade, os obstáculos são mais fáceis de serem superados”, disse a jovem que teve de lidar com comentários racistas desde que foi escolhida Miss Brasil.
Em participação no programa Encontro com Fátima Bernardes na última quarta-feira (23), a Miss Brasil disse que já esperava por ataques após ser escolhida. “Imaginava que ia acontecer. Sou preparada para isso, já passei por diversas vezes. As pessoas sempre duvidavam de mim, já estava acostumada”, disse a miss acrescentando que os ataques às vezes machucam.
A respeito de como o empoderamento feminino será parte do discurso enquanto for Miss Brasil e de sua participação no Miss Universo, Monalysa Alcântara garante que o tema vai estar sempre presente em sua atuação. “Eu vou lutar, vou me preparar e vou representar muito bem meu país, estou disposta e determinada e irei transmitir essa energia como fiz no Miss Brasil”, declarou ao G1.
Monalysa Alcântara enfatizou ainda que pretende destacar as belezas do Nordeste e em especial do Piauí nas ações e projetos que participar como Miss Brasil. “O Nordeste é um lugar lindo! O Piauí, em especial, é um lugar com uma história linda! Temos a Serra da Capivara, que é um grande patrimônio, além de diversas cidades com importância muito grande para a história do Brasil”, disse a miss que quer aproveitar o reinado para ressaltar toda a beleza do Piauí.
"As referências de grandes mulheres negras só crescem"
Para a miss de 1,77 m, 57 kg, cintura 69 cm, quadril 95 cm e busto 87 cm há um momento de crescimento das referências de mulheres negras. Mona, como é conhecida, afirmou que carrega consigo a referência da avó, Maria de José Cardoso, 86 anos.
“Minha maior inspiração sempre foi a minha avó. Uma negra linda, empoderada e de um coração gigante. As referências de grandes mulheres negras só crescem e eu me sinto orgulhosa por, hoje, também contribuir e ser inspiração para muitas meninas”, ressaltou Monalysa. A Miss Brasil lembrou que com a maturidade veio o reconhecimento como mulher negra, impulsionado principalmente pela força da família em enfrentar as dificuldades.
Monalysa Alcântara comentou que a avó é o orgulho dela, pela capacidade de sempre resolver todos os problemas. “Minha família é minha base e é também muito importante para mim. Enquanto minha mãe trabalhava fora, fomos cuidados pela minha avó e minha tia, elas foram extremamente importantes na minha educação também”, afirmou a Miss Brasil lembrando da mãe, Elda, e do pai, Rogério, falecido quando tinha apenas cinco anos de idade. A miss tem um irmão e uma irmã.
Para ela, a família é o seu grande patrimônio. Destacando a luta da avó, Maria de José Cardoso, Monalysa Alcântara, reforçou que pretende levar a lembrança dos familiares para todos os lugares em que passar. “Através de muita luta ela conseguiu criar seus filhos e netos. Família é tudo e a gente sempre corre para ela, que é nosso grande patrimônio e orgulho! Onde eu vou for, vou levá-los sempre comigo!”, finalizou a miss.
Fonte e texto:correiodoestado

quarta-feira, 23 de agosto de 2017

Curso Tecnólogo Superior de Educador Social. O Primeiro no Brasil, Será Lançado em Novembro

Por Mônica Aguiar 

O primeiro curso Tecnólogo Superior de Educação Social, esta sendo idealizado desde 2014, pelo Fórum de Educadores Sociais e Populares do Paraná, fundado em 02 de outubro de 2016, dia Mundial do Educador (a) Social e será realizado pelo grupo UNINTER em nível nacional.
O Fórum é estadual, está composto por educadoras e educadores sociais, educadores populares, socioeducadores, e comunidades e está sob a coordenação do professor José Pucci Neto, funcionário público municipal, educador social em  Curitiba e idealizador do Curso Tecnológico de Educação Social.

De acordo com Vera Paixão, Coordenadora Cultural do Fórum Curso Tecnólogo de Educador (a) Social,
“O curso é necessário para garantir a qualificação técnica e humana do próprio profissional Educador (a) Social, para que possa atuar profissionalmente com os diferentes grupos sociais e étnicos do Brasil, considerando todas as carências e riscos socioculturais entre os jovens, as comunidades urbanas, quilombolas, ribeirinhas, mulheres negras, discriminação racial e intolerância religiosa, o preconceito e equidade social do Afrodescendente”.

O curso Educador Social possibilitará ao participante, atuação em todo território nacional de maneira qualificada, desenvolvendo e potencializando intervenção nos diferentes contextos socioeconômicos e cultural de cada região do Brasil, a fim que estes exerçam com técnica suas funções.

Também de acordo com Vera Paixão “É importante o aprimoramento científico dos conhecimentos, que vão desde a escuta qualificada, processo de interferências pessoais e grupos, até mediação de conflitos. Uma formação básica indispensável para uma qualificada atenção desse profissional que é o Educador Social”.
Por isso, esse profissional precisa não de uma simples capacitação como acontece hoje no Brasil, esse profissional Educador (a) Social precisa de formação de nível superior reconhecida pelo MEC. Diz  Vera

A mão de obra como profissional é muito grande, mas é muito desvalorizada.  A procura no Brasil por uma formação acadêmica de Educador Social é grande, pois oficialmente não existem Cursos Tecnólogos de Educadores Sociais no Brasil.

As mulheres representam 40% da categoria em todo o Brasil. Entre o sistema público, ONGs, Fundações e Iniciativa privada são cerca de 80.000 educadores e educadoras sociais no mercado de trabalho, mas sem a menor a possibilidade dessa formação. O Fórum possibilitará pioneiramente a formação a estes trabalhadores do Brasil.

A abrangência do Curso será nacional, em todos os Polos do Grupo UNINTER.

Por causa da demanda de todos os Estados Brasileiros terem os Educadores Sociais e ainda não existir essa formação tão importante para nós profissionais e para própria sociedade para qual trabalhamos. Finaliza Vera Paixão.


Sobre o Curso

Para participar do curso não existe faixa etária. O ingresso é livre, para todos os grupos e seguimentos da sociedade .
As informações gerais e inscrições estão previstas para começar em novembro. O vestibular e matrícula em Dezembro e as aulas em Fevereiro de 2018, em todo Brasil.

 O Curso Tecnólogo Superior de Educador (a) Social terá duração de dois anos, Modalidade EAD, Local - Polos do Grupo Universitário UNINTER, Preço ainda em estudos.

A equipe técnica é composta pelo Prof.Me.Dorival da Costa ,Coordenador do Curso de Serviço Social da UNINTER e Construtor do Projeto do Curso Superior Tecnólogo de Educador (a) Social pelo Grupo UNINTER ; Dra. Jandicleide Evangelista Lopes atual Coordenadora do Curso Superior Tecnólogo de Educador (a) Social da UNINTER, Vera Paixão e  Pucci Neto, Educador Social e Coordenador Geral do Fórum de Educadores Sociais e Populares do Paraná.

Todos Juntos na Luta pela Valorização, Reconhecimento Profissional e Respeito aos Educadores e Educadoras Sociais e Populares do Brasil.

Regulamentação da Profissão 

A Regulamentação da Profissão que Detemos no FESP - PR e o Projeto de Lei do Senado Federal PLS nº 328/2015, de Autoria do Senador Telmario Mota, de Roraima, que já esta na CAS, Comissão de Assuntos Sociais do Senado Federal cujo relator é o Senador Paulo Paim, do Rio Grande do Sul. 

Em conversa hoje com João Rios, assessor do Senador Telmario Mota, disse que o projeto esta em tramitação e foi para pauta hoje 23/08/17, mas devido a falta de coro na Comissão , o  projeto não foi aprovado.

Essa Lei Regulamenta exclusivamente em nível superior a profissão do Educador Social no Brasil, admite todos de nível médio e possibilita a atuação do Educador (a) Social em âmbito escolar, o que hoje já acontece no Brasil.
A profissão do Educador (a) Social já é mundialmente reconhecida em nível superior em países como: Argentina, Alaska, Uruguai, Portugal, Espanha, Alemanha, França.


Vera de Paula Paixão ou Vera Paixão: nascida em Mandaguari, mãe de Keny Adubi, Laremi e Moyemi. Técnica em Enfermagem, Cuidadora de Idosos, Acadêmica de Serviço Social, Militante do Movimento Social Negro há 30 anos. Fundadora e Coordenadora do Grupo Afro Cultural Ka-Naombo, que com a Dança Afro, teatro e poesia. Criadora do Concurso Beleza de Palmares. Realizadora do Show Tina Music. Atriz participou da Campanha da Semana de Consciência Negra e dias das Mães da RPC, do Filme Cafundó e do Documentário “Mirian quer Brigar”. Membro de Banca Examinadora de Cotas Raciais no Paraná, Rio de Janeiro e Sergipe. Membro do FESP - PR, Fórum de Educadores (as) Sociais e Populares do Paraná.  Participação no Projeto de Criação pelo Grupo UNINTER do 1* Curso Tecnólogo de Educador (a) Social do Brasil, Poetisa e Autora do Livro AYO, Membro do Grupo Mariana. Mulher Preta! Que incansavelmente busca uma sociedade mais justa, onde a população negra seja respeitada com seus traços, cultura e valores.



SERVIÇOs

Reunião do Fórum dos Educadores Sociais do Paraná

Data : 30 de Agosto, 
Horário: 19h00min horas.
Local - Rua XV de Novembro nº 362- CJ 802- Centro- Curitiba - Paraná.
IFIL- Instituto de Filosofia da Libertação.
Contatos- Tel- 41-99737-9388 - watsapp- 41 99972-5825
email-edusocialfespr@gmail.com

Pauta: Projetos de Leis que Regulamentam no Brasil as profissões: Pedagogo PL nº 6847/2017, Cuidador de Idosos PL nº 4.702/2011, Gerontólogo PLS nº 334/2013, ACS - Agente Comunitário de Saúde e ACE - Agente de Endemias PL nº 6437/2016 e ASSE- Agente de Segurança Socioeducativa na sua inter-relação com a Profissão do Educador Social Brasileiro PLS nº278/2014 e o PL 6.274/2016- Dia do ASSE do Agente de Segurança Socioeducativo.




Nail art íntima: unhas decoradas com clitóris e vagina são a moda da vez

Por Mônica Aguiar
O mundo do design de unhas inova mais uma vez.  A nova obra propõem empoderar as mulheres com o uso de desenhos de vagina nas unhas. Embora considerado  inapropriada para algumas pessoas  é  completamente incrível. 
Podemos notar uma movimentação de conceitos, a começar nas ações que ajudam desnudar e romper com as barreiras e tabus para o alto conhecimento do universo feminino. 
 Em  coluna " A vagina como ela é", publicada em 2016 pelo  Geledez, foi apresentada uma pesquisa feita no Reino Unido, onde  metade das entrevistadas não souberam  apontar a localização da vagina em um diagrama simples. Alem da  maioria também preferir recorrer a apelidos quando precisa se referir a vagina, e muitas não se sentiam confortáveis nem para conversar com os próprios médicos.
Na coluna de Paula Cosme, em julho deste ano, ela conta  sobre o trabalho da sexóloga norte-americana Layla Martin : tirar fotografias das vaginas de diferentes mulheres e fazê-las depois olhar para essa parte o seu corpo.  ....Vulneráveis, envergonhadas, culpadas, inseguras, desiludidas, nervosas: as reações são distintas, mas refletem bastante bem uma realidade que é comum a muitas das mulheres do planeta. Se falar sobre ela é difícil, olhar para ela, explorá-la e conhecê-la como qualquer outra parte do corpo não é algo que seja feito com tanta facilidade quanto isso....
Mas o que tudo indica, que trabalhos como estes, e em diversas áreas e setores, tem ajudado a promover o rompimento de vários  preconceitos existentes. As mudanças   comportamento ocorrida com as mulheres ( mulher&sociedade) de desejar o mais, rompendo com barreiras do preconceito, com esteriótipos e conceitos de beleza,   tem contribuído com olhares e atitudes diferentes sobre o corpo e a sexualidade .
Mulheres do mundo todo,  estão decorando suas unhas com belíssimos lábios vaginais e postando nas redes sociais com a maravilhosa hashtag #vaginanails. Vagina rocks. 
 nova moda no universo da nail art está dominando o que há de mais sagrado no feminino, tabu preconceituoso e machista criado na cabeça das mulheres  .
O clitóris também ganha destaque especial nessa decoração íntima, com pequenas pedras de strass simbolizando o órgão do prazer feminino.
O trabalho de uma manicure em particular salta aos olhos pelo realismo.
A artista que fez este trabalho é Asa Bree, que mora em Portland, nos Estados Unidos. No Instagram, ela publicou a legenda: ✨ PUSSY✨POWER✨ (vagina ✨ poder).


terça-feira, 22 de agosto de 2017

Baixa presença de negros em funções estratégicas no marketing e na publicidade

Por Karina julio

Baixa presença de negros em funções estratégicas no marketing e na publicidade gera debates em comitês de diversidade, ações inclusivas de recrutamento e até política de cotas


A temática da diversidade já é unanimidade na indústria da comunicação. Alguns subtemas já ganharam atenção em massa, como a diversidade de gênero. Agora anunciantes e agências começam a olhar, ainda que timidamente, para a inclusão étnico-racial no mercado publicitário – seja através da conscientização dos líderes, conversas com novos interlocutores e mudanças nas políticas de recrutamento e seleção.

Segundo o IBGE, negros e pardos são 54% da população brasileira, mas quase não têm representação nos quadros estratégicos dos departamentos de marketing. Uma pesquisa do Instituto Ethos divulgada em 2016 mostrou que somente 4,7% dos cargos executivos das 500 maiores empresas brasileiras são ocupados por negros. Nas agências, a ínfima atuação de profissionais negros foi confirmada pela pesquisa “A presença dos negros nas agências de publicidade”, conduzida em 2015 pela pesquisadora Danila Dourado. Na ocasião, a cada mil funcionários, apenas 35 eram negros. O estudo contou apenas três negros entre 404 executivos de alta direção em agências — ou seja, menos de 1% do total.

A invisibilidade dos profissionais negros no setor corporativo, e por conseguinte no mercado publicitário, por vezes esbarra no argumento de que é difícil encontrar candidatos em início de carreira ou já alocados, em um mercado geralmente permeado pelos mesmos círculos e onde os talentos são buscados nas melhores (e mais caras) escolas. 

“Se há um grupo com voz única na contratação, ela irá ocorrer através de seus membros, já que o QI (quem indica) é o maior fator de contratação, mais do que currículo ou empresas headhunters. As indicações acabam girando em torno de um único perfil”, ressalta Raphaella Martins, gerente de contas da J. Walter Thompson. 

Ela explica que a diferença entre um jovem criativo negro de uma comunidade e um estudante branco da Miami Ad School está na oportunidade — para este último, além do currículo mais prestigiado, é muito mais fácil adentrar os círculos sociais publicitários. Como revelado por Meio & Mensagem no mês passado, a J. Walter Thompson iniciou o projeto 20/20 que pretende alcançar 20% de presença de funcionários negros em cargos estratégicos nos próximos quatro anos.  Atualmente, todas as vagas abertas pela agência passam pela EmpregueAfro, consultoria de recursos humanos focada na identificação e indicação de candidatos negros ao mercado de trabalho.

Múltiplos Olhares 

Além das agências, alguns anunciantes já começam a despertar para as disparidades dentro de suas estruturas. Marcas como Unilever, Bradesco, Carrefour e Avon são signatárias da Iniciativa Empresarial pela Igualdade Racial, elaborada pela ONG Afrobras, que lista dez pontos que as companhias se comprometem a internalizar, cumprir e fiscalizar.

“Acreditamos que desenvolver um ambiente inclusivo é fundamental para o crescimento no longo prazo, na medida em que enriquece a dinâmica de trabalho e oferece múltiplos olhares sobre nosso negócio”, afirma Luciana Paganato, vice-presidente de recursos humanos da Unilever, que busca trabalhar o assunto junto a suas agências, recrutadores e fornecedores.

Patrícia Santos, dona da EmpregueAfro, conta que, assim como em outros ambientes corporativos majoritariamente brancos, a ausência de negros nas agências é vista como algo “normal” e geralmente não desperta a atenção em não-negros. “Em geral, o branco brasileiro vive em uma bolha, tem pouca convivência com negros durante a vida toda e acha que é natural não conviver com pessoas diferentes”, avalia. “A tendência das pessoas é contratar funcionários com quem tenham mais afinidade, mas esse argumento cai por terra quando se quer diversidade. Além disso, a pauta dos negros é interseccional, pois ao incluí-los você quase automaticamente inclui mulheres, LGBTs e pessoas de comunidades”, diz ela.

A diversidade étnico-racial pode fazer com que empresas performem até 35% melhor, de acordo com um estudo da McKinsey realizado com base em resultados e análise do board de 366 companhias globais
Ian Black, fundador da agência New Vegas, acredita que a contratação de talentos envolve uma via de mão dupla: é preciso orientar os profissionais negros do ponto de vista de networking e também minar a “preguiça social” das agências, que sempre procuram profissionais nos mesmos círculos. “Até entendo quando agências falam que abrem vagas e não aparecem pretos, mas a partir do momento em que sabem onde encontrá-los e não fazem nada, é apenas preguiça. Uma coisa é uma empresa muito pequena querer fazer uma pesquisa e não conseguir bancar a consultoria, ou ter só uma vaga para uma função importante e não poder se dar ao luxo de escolher se o profissional será branco ou negro, mas todas as grandes empresas têm dinheiro e poderiam fazer ações inclusivas”, opina. 
Hoje, é possível encontrar profissionais negros em bancos de talentos como o da Afrobras (banco de talentos afro-brasileiros), AfroProf (rede social nos moldes do LinkedIn e até páginas nas redes sociais, como Rede de Profissionais Negros e Afrotrampos.
Outra agência que está tentando promover maior diversidade é a Publicis, através do projeto Publicis Plural. “Hoje, no que se refere às questões de gênero, consideramos que estamos em um patamar satisfatório. Na questão racial, porém, embora o número venha aumentando desde que lançamos o programa, ainda há muito a evoluir para alcançar um percentual equivalente à representatividade da população negra no País”, reconhece o CEO Hugo Rodrigues. A capacitação é outro fator vital para que jovens tenham currículos competitivos e possam progredir na carreira. O Google, por exemplo, tem desde 2014 o núcleo AfroGooglers, formado por profissionais de diversas áreas da empresa. Internamente, eles promovem discussões com convidados como Carlinhos Brown e a pesquisadora Sueli Carneiro. Já para a comunidade externa, a companhia oferece coaching, bolsas de cursos de inglês — requisito básico para qualquer multinacional — e mentoria a jovens estudantes e potenciais profissionais, com encontros para para analisar currículos e treinar entrevistas para os processos seletivos. Campanha x Prática A composição do corpo de funcionários afeta diretamente a dinâmica da criação publicitária e a perspectiva diante do público afrodescendente — que movimenta R$ 800 bilhões anualmente. A febre de campanhas aparentemente inclusivas tem levado à mídia castings mais diversos à la Emicida e Karol Conka, mas a intensificação dos debates sobre a questão racial torna essencial que essa representatividade esteja também nos bastidores de criação e produção das peças.
“A população negra está se encontrando na internet e consegue se articular, e isso tem impacto no consumo. Hoje existe o movimento do consumo consciente e do ‘black money,’ de pessoas comprarem de pessoas e empresas que têm negros por trás e produzem produtos que respeitam suas características. Há uma indústria secular que foi pensada para não- negros, e agora é preciso correr atrás do prejuízo”, diz Fernando Montenegro, sócio da consultoria de mercado Etnus– que identificou que 7 a cada 10 negros não se sentem representados esteticamente nas propagandas das marcas que consomem.
“Muitas colocam a diversidade na sua ‘missão’, mas isso não sai da parede: seja porque a empresa tem uma resistência terrível em discutir qualquer coisa que fuja da sua concepção de meritocracia; seja por não acreditar na hipótese de discriminação e do racismo como elementos que têm peso sobre uma decisão e sobre o acesso desse público ao ambiente corporativo; e outras por- que simplesmente têm uma posição discriminatória muito clara, apesar de não publicizá-la”, diz José Vicente, reitor da Faculdade Zumbi dos Palmares.
Para Ian Black, a inclusão de negros de nada adianta se a marca ou agência não estiver, de alguma forma, “fazendo negros ganharem dinheiro”. “Enquanto a gente não dividir a grana, não vai funcionar. O fato de você colocar a Karol Conka em um palco de um evento ou campanha não vai fazer com que amanhã tenha mais pretos na empresa”, provoca.

Fonte: meioemensagem 
FOTO: Divulgação

Tribunal Constitucional dá luz verde a aborto terapêutico no Chile

Depois de mais dois anos de difícil tramitação e polêmica, o Chile deixa a lista dos 18 países no mundo que proíbem qualquer tipo de aborto

O Tribunal Constitucional do Chile deu aval nesta segunda-feira,21,  ao aborto terapêutico, após rejeitar duas impugnações apresentadas por partidos conservadores de direita contra esta lei que poderá ser promulgada pela presidente Michelle Bachelet, sua principal impulsionadora.

O Tribunal (TC) rejeitou "ambos os requerimentos por seis votos contra quatro em relação às três causas de interrupção da gravidez": risco de vida para a mãe, inviabilidade do feto e estupro, declarou Rodrigo Pica, secretário-geral, na entrevista coletiva após a decisão.
Depois de mais dois anos de difícil tramitação e polêmica, o Chile deixa a lista dos 18 países no mundo que proíbem qualquer tipo de aborto, entre eles El Salvador, Honduras e Nicarágua.

Bachelet, que fez uma constante e férrea defesa do projeto que lançou em 2015, comemorou a decisão. "Nós, mulheres do Chile, reconquistamos um direito básico que é poder decidir por nós mesmas em casos extremos, particularmente casos que podem ser muito dolorosos".
Hoje ganharam as mulheres, acho que hoje mais uma vez ganhou a democracia, hoje ganhou o Chile", concluiu a socialista da sede do governo, La Moneda.

A Anistia Internacional foi outra das organizações que manifestou seu apoio em frente ao TC.
A decisão favorável à interrupção da gravidez nesses três casos levou dezenas de ativistas à porta do TC com gritos de agradecimento a Bachelet por tornar realidade uma lei reivindicada durante anos .

O fim de um longo caminho Impulsionada pela presidente, a socialista Michelle Bachelet, a lei tinha sido aprovada no início de agosto pelo Congresso e conta com 70% de apoio popular, segundo as pesquisas.

A impugnação de grupos de direita levou ao máximo tribunal, considerado por seu poder como uma terceira Câmara, a última batalha por uma lei que pôs em pé de guerra grupos cristãos e conservadores do país ao considerar que fragiliza o direito à vida daquele que está por nascer, consagrado na Carta Magna.

A fase final do trâmite no Tribunal Constitucional foi marcada pelo desfile de 135 organizações e personalidades que quiseram expor argumentos favoráveis e contrários à lei. 
Diante do tribunal, grupos a favor e contrários ao aborto participaram de longas audiências e deliberações da alta corte, que na sexta-feira adiou a aguardada decisão para prosseguir deliberando nesta segunda-feira. 

Os contrários ao aborto roubaram a cena com apresentações de teatro e dança em que havia sempre um boneco. Pelo alto-falante, reproduziam os batimentos cardíacos de um feto.
Em frente, a Miles, apoiada por dezenas de manifestantes que carregavam fotos de fetos com deformidades.
Berços vazios esbarravam em bandeiras a favor da iniciativa.Marca reformista A lei de aborto faz parte de um pacote de reformas sociais promovido por Bachelet em seu segundo mandato. Há dois anos a socialista e médica conseguiu que o Congresso - de maioria governista, mas com setores conservadores dentro de seu partido - aprovasse a união de casais homossexuais.

Em alguns dias será introduzido um projeto para legalizar o casamento homossexual, outro grande passo no país marcado pela ditadura de Augusto Pinochet (1973-1990), que entre outras leis conservadoras conseguiu criminalizar o aborto terapêutico, permitido durante décadas no Chile.

Fontes: Agencia-France-Presse /Correios Braziliense

MAIS LIDAS