sexta-feira, 12 de junho de 2015

ONU Mulheres repudia estupro coletivo e feminicídio em Castelo do Piauí

A ONU Mulheres Brasil publicou nota hoje (10) em que se solidariza com as quatro vítimas de estupro coletivo, ocorrido na cidade de Castelo do Piauí (PI) no dia 27 de maio. As meninas, com idades entre 15 anos e 17 anos, foram encontradas violentadas e inconscientes. Uma delas, Danielly Rodrigues Feitosa, morreu no domingo (7).
Na carta, a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, elogia a Lei nº 13.104, aprovada em março de 2015, que assegurou o feminícidio como crime hediondo no Código Penal. Ela destacou o fato de o Brasil ter sido escolhido como o primeiro país piloto a adaptar o Modelo de Protocolo Latino-americano para Investigação de Mortes Violentas de Mulheres por Razões de Gênero, elaborado pela ONU Mulheres e pelo Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU. A escolha foi feita devido às políticas e à rede de serviços públicos de enfrentamento à violência. Nadine lamenta, no entanto, que o país tenha cerca de 50 mil estupros e 5 mil assassinatos por ano.
“Além da responsabilização do poder público aos agressores, justiça e reparação às vítimas, são necessárias transformações de comportamento e atitude na sociedade, e consciência pública sobre a gravidade e os altos índices de violência contra as mulheres e meninas”, diz a carta.
“Isso implica em mudanças diárias e mobilizações, em todos os níveis, sobre a maneira com que mulheres e homens, meninas e meninos, se relacionam, adotando valores e práticas firmados na igualdade e livres de quaisquer formas de violência”, completa.  Quatro menores foram apreendidos e um adulto foi preso, suspeitos de cometer os crimes. De acordo com a Polícia Civil, as meninas foram amarradas e amordaçadas, e durante duas horas sofreram violência sexual. Após os estupros, o maior de idade jogou as meninas ainda amarradas de uma altura de mais de 6 metros, segundo informou o delegado responsável pelo caso. Dois menores, a mando do maior, desceram até onde elas estavam e apedrejaram-nas na cabeça, com o intuito de matá-las. Os suspeitos responderão pelos crimes de estupro, homicídio, tentativa de homicídio, corrupção de menores e associação criminosa, com agravantes como feminicídio. Se julgados culpados, os menores poderão ficar detidos até no máximo três anos, como previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. O julgamento dos menores está previsto para ocorrer amanhã (11) no Fórum da Cidade. O inquérito do maior de idade ainda não foi entregue à Justiça.
Fonte:Agencia Brasil 

Mulheres Negras e Pobres Não se Sentem Representadas na Mídia .Afirma Pesquisa

 “O que mais incomoda são as propagandas que usam o corpo da mulher pra vender um produto. Um clássico, claro, são as de cerveja”, afirma uma universitária de São Paulo.
Uma pesquisa realizada pela pela Énois | Inteligência Jovem, em parceria com os institutos Vladimir Herzog e Patrícia Galvão, com mais de 2.300 mulheres de 14 a 24 anos, das classes C, D e E buscou entender como a violência contra a mulher e o machismo atingem.
Os números mostram que 74% das entrevistadas afirmam ter recebido um tratamento diferente em sua criação, por serem mulheres; 90% dizem que deixaram de fazer alguma coisa por medo da violência, como usar determinadas roupas e frequentar espaços públicos; e 77% acham que o machismo afetou seu desenvolvimento.
Além da educação familiar, outro fator importante na criação e reprodução de estereótipos femininos é a mídia. Se no dia a dia a mulher ideal é “casta”, tem poucos parceiros ao longo da vida e “se dá o respeito”, na mídia seu corpo é objetificado e hiperssexualizado. 86% das entrevistadas afirmam não se sentirem representadas na mídia e os motivos são os mais diversos. “O que mais incomoda são as propagandas que usam o corpo da mulher pra vender um produto. Um clássico, claro, são as de cerveja”, afirma uma universitária de São Paulo.
A estereotipação não se limita ao corpo: “[Na mídia,] a mulher está sempre como a que gosta de casar, ter filhos, cuidar da casa, faz ‘coisas de mulher’. É a que não entende de ciências exatas e não sabe trocar uma lâmpada”, afirma jovem de São Paulo. “Todas brancas são ricas. Pobre e/ou negra é a empregada”, comenta uma jovem de 21 anos, sobre o racismo na dramaturgia televisiva. Alimenta-se, então, um ideal de cor, cabelo e corpo que implicam um enorme sacrifício por parte das mulheres e problemas de autoestima.

Meu feminismo está cansado

Por: Larissa Santiago

Sabe quando você olha para o lado, olha para o outro e não vê saída? É assim que o meu feminismo está se sentindo hoje.
E falo do meu feminismo, porque não estou aqui denominando correntes teóricas, vertentes liberais ou conservadoras, anarquistas ou estatais: o MEU feminismo, individual e particular está cansado! Exausto de perceber como diariamente ele é bombardeado por atos minuciosamente racistas e machistas, por piadinhas infames e assédios escancarados. Sendo minado cotidianamente por comportamentos de amigos e companheiros de luta escrotos que se acham no direito de me dizer como lutar, o que dizer, como reagir. Debilitado com a enxurrada de assassinato de mulheres, com o genocídio de crianças e jovens negras e negros, com o cinismo estampado e orgulhoso dos transfóbicos e lesbofóbicos de plantão.
Meu feminismo está cansado de paz. De ter pedidos implorados, quase rezados de calma, paciência e sororidade – essa, usada apenas em momentos convenientes, covardes e violentos. De não ser ouvido quando reage e de ser solenemente ignorado quando tenta explicar paciente que não é bem assim.
 “(…) ARMADAS DE SUA NOVA CONSCIÊNCIA DA QUESTÃO DE RAÇA, DA DISPOSIÇÃO DE CONFESSAR QUE SUA OBRA NASCE DE UMA PERSPECTIVA BRANCA (GERALMENTE SEM EXPLICAR O QUE ISSO SIGNIFICA), ELAS ESQUECEM QUE O PRÓPRIO ESTUDO DE RAÇA E DO RACISMO NASCEU DO ESFORÇO POLÍTICO CONCRETO DE FORJAR LAÇOS SIGNIFICATIVOS ENTRE MULHERES DE DIFERENTES RAÇAS E CLASSES SOCIAIS. MUITAS VEZES, ESSA LUTA É COMPLETAMENTE IGNORADA. (…) AS BRANCAS IGNORAM A RELATIVA AUSÊNCIA DAS VOZES DE MULHERES NEGRAS, QUER NA CONSTRUÇÃO DE UMA NOVA TEORIA FEMINISTA, QUER NAS REUNIÕES E ENCONTROS FEMINISTAS.”*
Cansado de tentar entender o outro lado, o lado daquele que tem o privilégio, que não sente na pele, que não tinha parado pra pensar nisso. Cansado de ser pedagógico e dócil, de ser educado e polido.
De ser chacoteado e humilhado, risível e caricato: Meu feminismo está cansado!
De andar do lado de quem não me considera, de quem fala por trás dos meus, de quem pouco se importa se quando a polícia chegar vai prender os pretos. De criminalizar as ocupações de mulheres negras e pobres e bater palma para as resistências limpas e brancas. Ele tá cansado de ser ombro amigo das crises pessoais, mas ser pouco acolhido. Cansado de ocupar espaços festivos, mas ser pouco festejado. Cansado de ser pouco praticado. É assim que tem estado meu feminismo, de uns tempos pra cá.
Cansado de ser cobrado, de ter que estar presente em todos os manifestos, palestras, ocupações e festas. Sempre sendo solicitado, chamado, precisado. Imerso em conflitos de todos os lados: do lado do opressor e do lado de cá, das oprimidas! Afundado num lamaçal de falsidade, tristeza, mágoa e pouca solidariedade. Queria poder dizer diferente, mas hoje, o meu feminismo queria descansar.
Ele queria poder ser abraçado e ouvido por um momento e assim, quem sabe, ressurgisse mais forte e revigorado. Meu feminismo queria um banho quente e uma massagem nos pés, e por um tempo, pensar nas conquistas e avanços, nas vitórias e alegrias. Rir um sorriso sincero e bem dado, comemorando as felicidades todas.
Mas esse dia ainda não chegou. Não sei se ele estará aqui quando chegar, confesso. Enquanto isso, ele se mantem sonhando… Se recuperando dos ferimentos e fraturas das porradas do dia-a-dia, com pequenos balsamos diários de afeto das poucas mulheres. Por enquanto o meu feminismo despedaçado vai sendo colado com uma cola bem fininha de solidariedade e carinho.
Mas o que ele queria mesmo era descançar.
*bell hooks, 1ª edição 2013. De mãos dadas com minha irmã: Solidariedade feminista. Ensinando a transgredir – A educação como prática para a liberdade.
Imagem destacada: Black Beautiful Page.

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Negros e Negras Estão Apenas em 18% de Cargos de Destaque no Brasil

Negros são 50,7% da população, mas ainda são pouco presentes na elite brasileira. O que se constata nos passeios pelos redutos da elite paulistana bate com o levantamento feito pela Folha com 1.138 profissionais em postos de destaque na política, saúde, artes, Judiciário, universidade e política.
A pesquisa foi feita de acordo com os critérios do IBGE, que pede uma autodeclaração de cor aos entrevistados no Censo. O órgão divide a pele da população brasileira em cinco categorias: branca, preta, amarela, parda e indígena. Foram consideradas negras as pessoas de pele preta e parda. Quem não respondeu ao levantamento da Folha foi classificado com base em fotos.
EXCEÇÃO
Nas 20 maiores empresas do país, apenas um presidente se considera pardo, Marcelo Odebrecht. "Mais que preconceito, [o fato de haver poucos empresários negros] reflete nossa realidade socioeconômica e o acesso à educação", afirma o diretor-presidente do conglomerado de empresas de construção. No setor de micro e pequenas empresas, o cenário é diferente. Negros são proprietários de metade dos negócios no Brasil, segundo estudo do Sebrae divulgado em abril. Contudo, o rendimento médio dos empreendedores brancos é 116% maior que o de negros, que se concentram em ramos de menor lucratividade, como os setores agrícola e de construção. Segundo Marcelo Paixão, negro, professor de economia da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), a situação é mais complexa. "É importante analisar a relação entre raça e renda também pelo ângulo das outras dimensões que a pobreza pode assumir, principalmente a pobreza da representação. Na política, nas artes, na mídia", diz.
REPRESENTATIVIDADE
Dos 513 deputados federais eleitos em 2014, 80% são brancos. Na Justiça, a prevalência dos brancos é ainda maior: 25 dos 29 ministros do Superior Tribunal de Justiça são brancos, três são pardos e um, preto. Todos os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, a corte máxima do país, são brancos, desde que Joaquim Barbosa se aposentou. 
O ministro aposentado Carlos Alberto Reis de Paula, 71, que foi o primeiro presidente negro do Tribunal Superior do Trabalho, afirma que os casos de racismo se repetiram ao longo de sua vida. Ele lembra, em especial, quando foi impedido de entrar em um clube em 1967. "As coisas para nós, negros, eram mais difíceis. A gente tinha que lutar mais, tinha que se empenhar mais, tinha que provar para os outros que éramos capazes." Na música erudita, a situação é parecida. 
A Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), considerada uma das mais importantes da América, tem entre os brasileiros de seu coral 29 brancos (63%), 15 cantores negros (33%), um amarelo e um indígena. A televisão também conta com uma representação baixa da população negra. As cinco novelas inéditas em exibição na rede aberta têm apenas 15% de atores negros, contra 85% de brancos. 
Ailton Graça, 50, negro e ator da TV Globo, diz que se considera um sobrevivente em um país racista. "Quando eu estava no ginásio, conseguia contabilizar que 60% eram negros. No colegial já diminuía, eram 10%. Na faculdade, talvez eu fosse o único negro. Você começa a perceber que alguma coisa está estranha."
REPRESENTATIVIDADE
Dos 513 deputados federais eleitos em 2014, 80% são brancos. Na Justiça, a prevalência dos brancos é ainda maior: 25 dos 29 ministros do Superior Tribunal de Justiça são brancos, três são pardos e um, preto. Todos os 11 ministros do Supremo Tribunal Federal, a corte máxima do país, são brancos, desde que Joaquim Barbosa se aposentou. 
O ministro aposentado Carlos Alberto Reis de Paula, 71, que foi o primeiro presidente negro do Tribunal Superior do Trabalho, afirma que os casos de racismo se repetiram ao longo de sua vida. Ele lembra, em especial, quando foi impedido de entrar em um clube em 1967. "As coisas para nós, negros, eram mais difíceis. A gente tinha que lutar mais, tinha que se empenhar mais, tinha que provar para os outros que éramos capazes." Na música erudita, a situação é parecida. 
A Osesp (Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo), considerada uma das mais importantes da América, tem entre os brasileiros de seu coral 29 brancos (63%), 15 cantores negros (33%), um amarelo e um indígena. A televisão também conta com uma representação baixa da população negra. As cinco novelas inéditas em exibição na rede aberta têm apenas 15% de atores negros, contra 85% de brancos.
Ailton Graça, 50, negro e ator da TV Globo, diz que se considera um sobrevivente em um país racista. "Quando eu estava no ginásio, conseguia contabilizar que 60% eram negros. No colegial já diminuía, eram 10%. Na faculdade, talvez eu fosse o único negro. Você começa a perceber que alguma coisa está estranha."
Fonte: Folha

Pesquisa Aponta que Milhares de Mulheres são Vítimas de Agressões de Homens Conhecidos

Resultado de imagem para fim da violencia contra mulherQuando uma mulher sofre violência no Brasil, é mais comum que o agressor seja um conhecido do que um desconhecido. A constatação foi feita pela Pesquisa Nacional de Saúde, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O estudo mostra que 2,7% das mulheres maiores de 18 anos foram agredidas por desconhecidos nos 12 meses anteriores ao questionário, realizado em 2013. Quando o agressor é alguém conhecido da vítima, o índice sobe para 3,1%. O oposto ocorre com o sexo masculino. Agressores desconhecidos vitimaram 3,7% dos homens brasileiros maiores de idade, enquanto os conhecidos foram responsáveis por 1,8%. Em números absolutos, agressores conhecidos atacaram 2,4 milhões de mulheres e 1,2 milhão de homens nos 12 meses da pesquisa. Já os desconhecidos agrediram 2,5 milhões de homens e 2 milhões de mulheres. Os números são projetados para toda a população com base nos resultados do questionário e têm um intervalo de confiança de 95%. Os números variam de acordo com as regiões e estados. A violência contra mulheres por parte de conhecidos é maior no Norte (3,9%) e no Sul (3,7%). O Rio Grande do Norte é o estado que registra o maior índice de agressões, com 6,2%. O Mato Grosso do Sul tem o menor percentual, 1,7%. Já a violência contra os homens por parte de desconhecidos chega a 5,9% no Norte. O Pará apresenta o maior índice (6,7%) e o Amazonas, 6,6%. No caso das mulheres, o maior percentual de agressões é registrado no Amapá, com 5,7%. O total de brasileiros com mais de 18 anos agredidos por desconhecidos, no período de 12 meses, apurado pela pesquisa foi 3,1%. No caso dos conhecidos, o índice ficou em 2,5%. As regiões Norte, Nordeste e Sul têm as maiores proporções de agressões por conhecidos, 3,2% para a primeira e 3% para as demais. No Sudeste, o percentual é 2%, e no Centro-Oeste 2,6%. Quando analisadas as agressões promovidas por desconhecidos, o Norte mantém o primeiro lugar, com 5%. O Centro-Oeste aparece em segundo, com 3,4%, e o Nordeste, em terceiro, com 3,2%.
Segundo a pesquisa, 1,9% dos brasileiros foram agredidos por bandido, ladrão ou assaltante nos 12 meses anteriores à pesquisa. O índice de homens (2,1%) supera o das mulheres nesse tipo de violência (1,8%). As agressões desse tipo foram mais comuns no Norte, com 3,8%. Em segundo lugar aparece Nordeste, com 2%.
Fonte: EBC/ IBGE

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