sexta-feira, 5 de março de 2021

Desigualdades e violências tecnológicas, uma breve reflexão

Foto Em Debate Democracia no Mundo do Trambalho

Por Mônica Aguiar

No momento da reconhecida era das tecnologias digitais, início do século XXI, estamos passando por um longo período de pandemia provocada pela COVID.

Neste contexto, percebemos a importância do acesso à tecnologia digital para garantia das medidas de distanciamento social. Com isto, mesmo com as variantes existentes que dificultam o acesso à internet, muitas pessoas estão permanecendo por muito mais tempo conectadas.

E este mecanismo tecnológico tem também demostrado ser essencial para que toda sociedade consiga acesos os programas sociais e as políticas públicas estabelecidas como direitos fundamentais prescritos na Constituição brasileira.

Por um outro lado, percebo a necessidade de construir dentro desta narrativa a ampliação do debate sobre o aceso igualitário e universal, independente da renda, grupo social, cor e etnia com a sociedade para além da utilização dos celulares.

A falta de aceso existente entre a ampla maioria da sociedade brasileira por computador demostra os graus de desigualdades socioeconômica, racial e mostra a desigualdade existente no desenvolvimento tecnológico que envolve o uso da internet no Brasil.

Dados do CETIC.br em 2020, apontam que a metade da população tem dificuldade de acesso à internet de banda larga com qualidade. São 46 milhões de brasileiros sem acesso à internet. Desse total, 45% explicam que a falta de acesso acontece porque o serviço é muito caro e para 37% dessas pessoas, a falta do aparelho celular de boa qualidade, computador ou tablet também é uma das razões. Mas o grande responsável por colocar o brasileiros na rede, independente da capacidade de inteligência é o celular. O número de brasileiros que tem acesso a um smartphones é muito baixo.

Dos poucos que tem aceso a uma internet de qualidade, podemos observar interações que garantem grandes retornos.

E milhares destes conteúdos publicados, são produções dotadas de valores morais e pessoais que se misturam propositalmente a valores religiosos que sustentam a discriminação e preconceitos. Em maioria qualifico como arcabouço reverso do racismo.

Estas publicações nos trazem a reflexão para importância de fazer um diagnóstico sobre o acesso a tecnologias, mas também como as mesmas palavras e produções interativas   voam e atingem a sociedade de forma tão irregular.

Estes perfis sobrevivem dentro da bolha tecnológica digital. Acreditam ser donas e detentora de todos os saberes e, a maioria tem alto nível de escolaridade.

Nos conteúdos destas publicações percebo que ignoram a história, livros, jornais, revistas de leituras que tem avaliações reflexivas seja econômica, política ou social.

Mesmo sendo acadêmicos ignoram produções científicas que contrariam suas crenças e percepção do social. Estas pessoas que tem o raciocínio motivado estão indo além do negacionismo.  

Tenho deparado entre todo arcabouço anti-intelectualista moderado e motivado, os mais diversos arranjos ideológicos de dominação e de novas práticas e interpretações que extrapolam tipificações já existente do que é o racismo.  

Centenas de páginas negras escritas e apenas uma em branco virada!   

O mundo em transformação estrema a cada minuto. Jovens e não mais tão jovens, que se aproveitam desta denominada globalização para expor seus pensamentos entusiastas a partir de frases prontas com imagens maquiadas e palavras maquiavélicas.

Distorcem conteúdos científicos, estudos sociais e teses políticas. Negam a história, a oralidade o conhecimento ancestral. Grandes produções que ignoram o conhecimento, a ética, a democracia, o respeito às diferenças.  

Evolução que desliga da realidade e linka a vida a um mundo particular e individualista a cada milésimo de segundo. 

Uma cognição ampla, sem fundamentos e ética. Um abismo utilizado para negar toda e qualquer possibilidade de percepção do que chamo de consciente humano.  

Comunicação aberta, abrem os imaginários braços das ferramentas de interações, encontro de novos nichos, alimentam necessidades decorrentes e não atendidas no mundo cada dia mais particularmente real.

Uma capsula virtual, uma bolha imaginária, onde de uma maneira ou outra, tudo se pode, sem contrariar a vontade dos soberanos que se resguarda entre aqueles que o seguem em maioria e sustentam crises, promovendo severas desastre de ordem política, econômica, administrativa , com novos conceitos raciais para sustentar as desigualdades raciais.

Um novo formato de colônia. 

Fica cada dia mais notório as variantes deste instrumento de comunicação repressiva com inversões de papeis. Uma busca de poderes a todo e qualquer custo para garantir o que definem new social domain (novo domínio social).

Foto :SMT EM DEBATE DEMOCRACIA E MUNO DO TRABALHO 

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