quinta-feira, 20 de fevereiro de 2025

As mulheres, ao longo da história, têm oferecido perspectivas únicas e valiosas que frequentemente foram ignoradas ou minimizadas.

 Por Mônica Aguiar

Celebrar e reativar as lembranças dos fatos históricos é essencial para a compreensão do nosso passado, possibilitando um entendimento mais profundo do presente e a construção de um futuro mais justo.

A história, derivada do grego “hístor”, que significa aprendizado, nos oferece uma visão crítica sobre as realizações humanas, suas conquistas e perdas ao longo do tempo.

Ao explorarmos a cronologia dos eventos, percebemos os limites e contradições de nossa sociedade, bem como questões de aceitação e respeito ao próximo.

A história, quando registrada sem preconceitos, fornece ferramentas sólidas para moldar o futuro e nos ensina a aceitar as diferentes realidades, ampliando nossa compreensão do mundo. Além disso, é um lembrete constante das consequências de nossas ações, tanto individualmente quanto coletivamente.

Sem dúvida, a valorização das histórias de todas as mulheres é essencial para uma compreensão completa e equilibrada da história e da sociedade.

As mulheres, ao longo dos séculos, desempenharam papéis cruciais em diversas áreas, desde a ciência até a política, passando pela arte e pela cultura. No entanto, as notas destas contribuições são analisadas separadamente, variando conforme a cor da pele.

As mulheres negras têm que demonstrar o tempo todo resiliência e força inabaláveis.

A história das mulheres negras tem sido sistematicamente silenciada ao longo dos séculos, apesar de seu papel crucial na construção e desenvolvimento da sociedade. Desde as antigas civilizações africanas, onde desempenhavam funções vitais em suas comunidades, até a diáspora causada pelo tráfico transatlântico de escravos.

Ao analisar sem preconceitos a história, é possível identificar que as mulheres negras lideraram revoltas e resistências, enquanto outras preservavam culturas e tradições, garantindo a transmissão de conhecimentos ancestrais.

Do período pós-abolição até os tempos atuais, enfrentam discriminações múltiplas, ainda assim continuam lutando por direitos civis e igualdade de gênero, influenciando movimentos sociais em todo o mundo.

Apesar de seu impacto ser frequentemente invisibilizado, o legado das mulheres negras é indelével na busca por justiça e igualdade.

Ao contar, escrever e respeitar a história das mulheres negras, não somente reconhecemos suas conquistas e desafios, mas também criamos um legado de inspiração e aprendizado para futuras gerações.

Ao dar voz e visibilidade às narrativas que marcaram a história, promoveremos uma compreensão mais profunda das lutas na sociedade por igualdade e justiça. Destaco também a força daquelas que não são negras e somam as nossas lutas, e todas que vieram antes de nós.

Este reconhecimento não só honra o passado, mas também serve como um farol de esperança e motivação para as novas gerações buscarem, sem discriminações e sem racismo, um mundo verdadeiramente inclusivo.

Cada história contada é uma peça vital no mosaico da história humana, lembrando-nos da importância de empatia, solidariedade e ação coletiva.

A inclusão das narrativas negras é crucial para enriquecer nosso entendimento do mundo e promover uma sociedade equitativa.

 As mulheres, ao longo da história, têm oferecido perspectivas únicas e valiosas que frequentemente foram ignoradas ou minimizadas.

Ao garantir que todas as histórias sejam valorizadas, estaremos reconhecendo a diversidade de experiências humanas, mas também fomentando um ambiente onde a justiça social pode de fato florescer.

Isso implica a valorização de histórias e perspectivas variadas, sem segregação ou preconceito, permitindo que diferentes origens culturais, sociais e históricas sejam respeitadas e estudadas, em todos os campos e fases da academia.

A diversidade narrativa enriquece o tecido social, promovendo empatia e entendimento entre indivíduos de diferentes contextos. Além disso, ao abraçar essa multiplicidade de fatos, podemos desafiar estereótipos e expandir nossa compreensão do mundo, criando espaço para inovação e diálogo produtivo.

Ao valorizar as histórias femininas negras, inspirará mudanças positivas e promoverá a colaboração e respeito entre diferentes gêneros, culturas e comunidades.

A história, enquanto ciência, tem a responsabilidade de incluir e destacar as contribuições de todos os grupos sociais, especialmente das mulheres negras.

Durante séculos, as narrativas históricas tradicionais negligenciaram as realizações e as experiências dessas mulheres, perpetuando uma visão incompleta e distorcida da história.

Ao integrar as experiências das mulheres negras na historiografia, enriquecemos nosso entendimento sobre a diversidade de vozes e perspectivas que moldaram a humanidade. Reconhecer e documentar sem recortar não somente faz justiça a todas as mulheres, mas também contribui com a sociedade, conheça todos os lados da história da humanidade.

Respeitar as vozes, os conhecimentos históricos são honrar com todas as mulheres negras que, mesmo fora da academia, contribuíram para a formação de muitos acadêmicos.

Está na hora de mudar!

quinta-feira, 13 de fevereiro de 2025

Seminário de Saúde da Mulher . Um Projeto com autonomia e atenção aos determinantes sociais.

 



Por Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova 

O Vetor Norte, uma região que abrange uma área significativa do entorno de Belo Horizonte, é marcado por uma composição populacional diversa e por notáveis desigualdades socioeconômicas. 

Estas desigualdades influenciam diretamente a saúde das mulheres, tornando crucial um estudo aprofundado das causas externas de morbidade e mortalidade entre elas.

Foto Defensoria Pública de Minas Gerais 

Os determinantes sociais da saúde, como condições de habitação, acesso a serviços de saúde, educação e emprego, desempenham um papel fundamental na compreensão dessas questões.

Fatores como violência doméstica, condições de trabalho precárias são algumas das causas externas que afetam desproporcionalmente as mulheres na região. Além disso, a disparidade no acesso a recursos e serviços de saúde de qualidade exacerba a vulnerabilidade dessa população.

Portanto, é essencial que políticas públicas e intervenções sociais sejam orientadas para mitigar essas desigualdades, promovendo assim um ambiente mais equitativo e saudável para todas as mulheres do Vetor Norte.

A população do Vetor Norte é composta por maioria de mulheres com idade reprodutiva entre 19 e 49 anos. 

Os municípios que formam o Vetor Norte têm Belo Horizonte como referência para vários serviços de saúde de alta e média complexidades, atenção secundária e terciária, na Rede Hospitalar.

Existem desafios significativos que precisam ser superados no acesso aos serviços de saúde pública. 

A universalidade e a implementação da Política  de Atenção a Saúde da Mulher Rede Alyne na Região de Venda Nova é imprescindível para garantia da qualidade de vida de todas as mulheres.

O Vetor Norte, é uma região em desenvolvimento lento, enfrenta desafios significativos no que diz respeito às desigualdades socioeconômicas, que impactam diretamente a saúde das suas habitantes.

As causas externas de morbidade e mortalidade entre as mulheres neste contexto são influenciadas por uma série de fatores sociais determinantes.

A violência de gênero, que é exacerbada por condições socioeconômicas precárias, se destaca como uma causa externa significativa que precisa ser abordada.

Além disso, o acesso limitado a serviços de saúde de qualidade e a falta de políticas públicas efetivas para a proteção social agravam ainda mais a situação.

Portanto, se faz nescessário a produção de um estudo aprofundado que analise essas influências se torna crucial para o desenvolvimento de intervenções eficazes que visem reduzir as desigualdades e melhorar a saúde e o bem-estar das mulheres na Região.

O Seminário de Saúde da Mulher-(SESAMU) completou sua terceira edição em 2023. 

Reúnem-se a cada três anos, em Belo Horizonte, com o objetivo principal de debater, informar e apresentar propostas para as ações e programas destinadas à promoção da Política de Atenção à Saúde das Mulheres e as estratégias para monitoramento da cobertura da atenção básica, promoção da equidade de gênero e raça e conhecimento sobre os serviços que fazem parte do SUS.

O Terceiro Seminário de Saúde da Mulher foi  realizado e organizado pelo Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova em parcerias com diversas entidades e instituições REHUNA(Rede Nacional de Humanização do Parto e Nascimento), CRIOLA, Defensoria Pública de Mina Gerais, Associação dos Defensores Públicos de Minas Gerais , Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado,  Fundação Municipal de Cultura – FMC .

A terceira edição contou com  diversas parceiras na coordenação e organização:  Neuma Soares Rodrigues (Presidente do Conselho de Saúde do Hospital Universitário Risoleta Neves Tolentino Neves e  Conselho Distrital de Venda Nova); de Samantha Vilarinho Mello Alves (Defensora Pública e Coordenadora Estadual de Promoção e Defesa dos Direitos das Mulheres da Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais); Maria Lina Aguiar de Souza (Comissão interinstitucional de Saúde da Mulher do CMS/BH; Ambientalista membro do FMCJ – Fórum Nacional de Mudanças Climáticas e Justiça Socioambiental); Regina Capistrano (Conselho Hospitalar Maternidade Sofia Feldmam, Conselheira Municipal de Saúde de Belo Horizonte); Maria Cristina Silva (Conselheira Tutelar); Terezinha Rocha (Conselho Estadual de Saúde e da Associação dos Deficientes de Minas Gerais); Polly do Amaral (InsTar, Sentidos do Nascer e Movimento Nasce Leonina); Rosália Diogo e Viviane Sales (Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional Lagoa do Nado, CRCP, Fundação Municipal de Cultura – FMC).

É realmente admirável que o Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova consiga mobilizar parcerias sem depender de subsídios governamentais. 

Essa capacidade de articulação reflete um forte compromisso com a comunidade e uma habilidade notável em criar redes de cooperação. 

O Seminário de Saúde da Mulher é uma iniciativa importante, pois aborda questões cruciais de saúde que historicamente afetam desproporcionalmente as mulheres negras. 

Através do Seminário, o Centro não apenas promove a conscientização sobre a saúde, mas também fortalece o senso de comunidade e empoderamento entre os participantes. 

Essa abordagem colaborativa demonstra a eficácia de parcerias estratégicas na promoção do bem-estar social e cultural.

As parcerias desempenham um papel crucial no enriquecimento do conteúdo de um Seminário, tornando-o mais robusto e diversificado. 

Ao reunir diferentes perspectivas e áreas de especialização, as colaborações promovem um ambiente de aprendizado mais dinâmico e abrangente.

Além disso, elas fomentam um senso de comunidade e cooperação, pois incentivam a troca de ideias e a construção de redes de contato entre os participantes. 

A interação não só amplia o conhecimento individual, mas também fortalece o evento como um todo, transformando-o em uma plataforma valiosa para inovação e desenvolvimento coletivo.

A união de esforços é uma prática fundamental em qualquer projeto que busca excelência. 

Quando várias pessoas ou equipes unem suas habilidades e conhecimentos, o resultado é um produto final que não apenas atende aos padrões de qualidade, mas frequentemente os supera. 

A colaboração existente permite a troca de ideias e a identificação de soluções inovadoras para desafios complexos. 

O comprometimento e a dedicação de cada participante são refletidos no trabalho final, promovendo um senso de pertencimento e realização coletiva.

A diversidade de perspectivas também enriquece o processo criativo, garantindo que o produto atenda a uma ampla gama de necessidades e expectativas. 

Portanto, a cooperação efetiva é uma poderosa ferramenta para alcançar resultados excepcionais.

Entre os resultados dos seminários destacamos:

  • Compreensão que atenção à saúde das mulheres em todas as suas fases de vida é  fundamental para garantir seu bem-estar físico, emocional e social. 
  • A manutenção das conquistas alcançadas ao longo dos anos, especialmente no que diz respeito aos direitos sexuais e reprodutivos, é crucial para a promoção da igualdade de gênero e o empoderamento feminino. Esses direitos incluem o acesso a informações precisas sobre saúde sexual, a possibilidade de tomar decisões informadas sobre a reprodução, e o acesso a serviços de saúde de qualidade que respeitem a autonomia das mulheres.
  • A importância em abordar as necessidades de saúde específicas das mulheres em diferentes etapas de suas vidas, desde a adolescência até em todas as fases idosas,  assegurando que políticas públicas e sistemas de saúde estejam preparados para atender a essas demandas de maneira eficaz e inclusiva.
  • A garantia da saúde como um direito e um componente essencial da cidadania, reconhecendo como um princípio fundamental que deve ser assegurado em qualquer sociedade democrática. 
  • O reconhecimento que a saúde e o adoecimento não são fenômenos estáticos; eles variam significativamente ao longo do tempo e do espaço, influenciados por uma série de fatores, incluindo as desigualdades de acesso decorrentes do desenvolvimento econômico, social e racial de cada região.
  • O reconhecimento que em muitas partes do Brasil, as populações  negras enfrentam barreiras substanciais no acesso a serviços de saúde de qualidade, o que perpetua ciclos de pobreza e vulnerabilidade. Portanto, é crucial que políticas públicas sejam implementadas para mitigar essas desigualdades, promovendo a equidade no acesso à saúde. 
  • Alocação de recursos adequados, com a criação de um ambiente inclusivo,  antirracista que reconheça e atenda às necessidades específicas de diferentes grupos populacionais, respeitando suas identidades e contextos culturais. 
  • A saúde deve ser vista como um direito humano universal, e sua garantia é um passo vital na construção de sociedades mais justas e equitativas.
  • A formulação do dossiê que norteiará as ações de atenção à saúde da mulher para um período de três anos é uma tarefa crucial para garantir o bem-estar e a equidade no acesso aos serviços de saúde. O Dossiê deve contemplar uma análise abrangente das necessidades de saúde das mulheres, levando em consideração fatores socioeconômicos, culturais e demográficos que possam influenciar seu acesso e qualidade de atendimento. O dossiê deverá propor estratégias para promover a saúde preventiva, melhorar o atendimento ginecológico e obstétrico, e atender às demandas específicas de saúde mental e reprodutiva. Além disso, é essencial que este documento envolva a participação ativa da sociedade civil, por meio de consultas e audiências públicas, para assegurar que as vozes das mulheres sejam ouvidas e respeitadas. 
  • O dossiê, deverá l ser entregue aos conselhos de saúde e ao poder público como uma Carta recomendatória, deve servir como um instrumento de controle social, promovendo a transparência e a responsabilidade na implementação das políticas de saúde voltadas para as mulheres.
  • O envolvimento das pessoas participantes em debates sobre as especificidades da saúde da população negra é fundamental para promover uma atenção mais equitativa e eficaz. 
  • Ampliação dos debates sobre a saúde sexual e reprodutiva e saúde da população negra enfatizando a equidade na atenção básica, garantindo que todos tenham acesso a assistência e serviços de saúde, independentemente de sua origem étnica ou socioeconômica. 
  • O reconhecimento da  integralidade dos serviços como princípio essencial, assegurando que as necessidades de saúde da população negra sejam tratadas de forma holística, abordando tanto fatores físicos quanto sociais.
  • A garantia da  descentralização e a regionalização dos serviços, pois permitem que as soluções de saúde sejam adaptadas às realidades locais, promovendo uma melhor distribuição dos recursos e aumentando a acessibilidade. 
  • Engajar a comunidade com conhecimento em todo o  processo de saúde pública , identificando as barreiras específicas e criando estratégias mais eficazes para superá-las, promovendo assim um sistema de saúde mais justo, transparente e inclusivo.
  • Avaliação e apresentação de propostas com ênfase na melhoria da atenção à saúde da mulher em todas as fases de sua vida, combatendo a racismo na saúde,  violência obstétrica.

A  cada edição do Seminário de Saúde da Mulher, uma nova experiência.

O Centro de Referencia da Cultura Negra de Venda Nova defende a expansão do Vetor Norte desde que proporcione oportunidade igualitária. 

Porém com as dinâmicas territoriais e econômica, o Vetor Norte sofre com o aumentar das desigualdades, gerando segregação sociorracial, além dos grandes problemas de ordem ambiental.

O aumento das tarefas e responsabilidades que recaem sobre as mulheres, criam barreiras significativas para sua participação ativa em causas sociais e movimentos ativistas. 

As mulheres enfrentam a dupla jornada, dividindo-se entre o trabalho remunerado, responsabilidades domésticas, familiares e as extra familiares que limita seu tempo e energia para se engajar em atividades cívicas. Isso não apenas as distancia de informações importantes e serviços essenciais, mas também restringe sua capacidade de influenciar mudanças sociais e políticas. Além disso, a falta de acesso a redes de apoio e recursos pode agravar essa situação, perpetuando um ciclo de exclusão. 

É crucial, portanto, buscar soluções que promovam a equidade de gênero, como políticas públicas que ofereçam suporte adequado, promovam a divisão equitativa das responsabilidades e incentivem a participação feminina em todas as esferas da sociedade.

O Seminário de Saúde da Mulher é um evento fundamental que promove um ambiente acolhedor e enriquecedor para todas as participantes. 

Este espaço não apenas facilita encontros e reencontros entre mulheres de diversas áreas e origens, mas também incentiva o compartilhamento de experiências e conhecimentos que são cruciais para a valorização do papel da mulher na sociedade. 

O Seminário de Saúde da Mulher oferece a oportunidade de discutir temas relevantes sobre a saúde feminina, proporcionando informações atualizadas e práticas que podem melhorar a qualidade de vida das participantes. 

Ao incentivar o exercício da cidadania, o evento reforça a importância do protagonismo feminino na construção de um futuro mais justo e igualitário.

O Seminário de Saúde das Mulheres – SESAMU é um evento significativo que promove o diálogo e a troca de conhecimentos entre mulheres envolvidas em diversas áreas ligadas à saúde e aos direitos humanos em Minas Gerais. Reunindo conselheiras de saúde, pesquisadoras, trabalhadoras do setor, além de militantes em defesa dos direitos das mulheres, do movimento negro e dos direitos humanos, o seminário busca abordar os desafios enfrentados por essas populações no contexto do Sistema Único de Saúde (SUS). As participantes exploram temas como as desigualdades econômicas e territoriais e o impacto do racismo no acesso e na qualidade dos serviços de saúde. 

O SESAMU, portanto, se configura como um espaço de resistência e construção coletiva, visando à promoção de políticas de saúde mais justas e inclusivas para todas as mulheres.

O foco no debate sobre atenção básica e determinantes sociais, especialmente dentro de um contexto de ações afirmativas no Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova, é vital para enfrentar e derrubar barreiras raciais persistentes nas estruturas estatais e governamentais. 

O Seminário de Saúde da Mulher exemplifica um espaço onde essa discussão se materializa de maneira eficaz. 

A participação ativa das mulheres não apenas enriquece as conversas, mas também cria um ambiente de colaboração genuína, onde todas são ouvidas e valorizadas. 

Essa interação fomenta a emergência de ideias inovadoras e soluções criativas, ao mesmo tempo que promove o desenvolvimento pessoal e profissional das participantes. 

A troca de experiências fortalece uma rede de apoio essencial, capacitando as envolvidas a enfrentar os desafios contemporâneos com solidariedade e determinação.

 Edição - Mônica Aguiar Coordenadora geral do Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova 

segunda-feira, 30 de dezembro de 2024

RETROSPECTIVA MULHER, 2024 !

 Por Mônica Aguiar 


O ano de 2024 acarretou grandes ações no Brasil. Disputas e decisões políticas que influenciaram a vida das mulheres brasileiras. 
De forma tímida, estão  restabelecendo  perdas realizadas do governo anterior . 

Por um outro lado, o medo e silêncio tomou conta de parcela da sociedade organizada que deveriam se manifestar.

Este cenário apresentado reflete um contexto onde a opressão e o medo ainda imperam sobre as mulheres, especialmente aquelas rotuladas injustamente como "bruxas" ou que se destacam por sua singularidade e força. 

Este silêncio das inocentes é uma metáfora poderosa que evidencia o medo de represálias e a insegurança diante de um sistema que deveria proteger, mas que, frequentemente, falha em garantir os direitos básicos das mulheres. 

As recomendações para melhorar essa situação enfatizam a necessidade urgente de fortalecer políticas públicas e iniciativas que promovam a igualdade de gênero, a proteção dos direitos humanos e a criação de espaços seguros onde as vozes femininas possam ser ouvidas e respeitadas. 

Somente através do enfrentamento politico e apoio mútuo será possível transformar este cenário de injustiça em um ambiente verdadeiramente livre para todas. Principalmente livre do medo e de perseguições políticas e das amaras que moldam as vozes
das mulheres.

Espero que gostem da retrospectiva 2024. Feliz 2025! 

POLÍTICA

  • Mulheres recebem 68,2% das ofensas no 2° turno – Padrão de ataques em transmissões de debates se repetiu durante toda a campanha de 2024 .
  • Orçamento Sensível de Gênero(OSG) é debatido em Congresso.
  • Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher da Câmara Federal , com apoio da ONU Mulheres e de entidades da sociedade civil, promoveu pela segunda fez  a campanha anual dos "21 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência contra as Mulheres".
  • Protocolo que estabelece diretrizes para o enfrentamento da violência política contra a mulher é assinado na Câmara dos Deputados.
  • Simpósio "De Olho nas Urnas" e lançamento dos Painéis de Atuação Parlamentar das Mulheres.
  • Procuradoria da Mulher completa 15 anos. (Para alcançar este objetivo, luta pela ampliação da participação feminina na política e nos espaços de poder; estabeleceu parcerias para promoção da autonomia econômica da mulher, além de contribuir diretamente para formulação de políticas públicas integradas para a saúde da mulher).
  • A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 487/24 que estabelece regra para garantir que o nome dado a recém-nascido tenha a concordância da mãe.
  • Primeira mulher inconfidente vai para o 'Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria'.
  • Cota de gênero é descumprida em mais de 700 municípios brasileiros nas Eleições 2024.
  • ONMP lança seu primeiro boletim de notícias (O documento de periodicidade quadrimestral traz iniciativas, eventos e resultados das ações do Observatório Nacional da Mulher na política).
  • As eleições municipais de 2024 foram as que mais registraram candidaturas femininas às prefeituras no Brasil. Por mais que seja um marco importante, ainda está aquém do ideal: isso porque o número representa apenas 15% do total de candidatos ao pleito neste ano. A maioria das eleitas faz parte da ala da extrema direita.
  • O Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) questiona no Supremo Tribunal Federal (STF) uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM) que proíbe a utilização de uma técnica clínica (assistolia fetal) para a interrupção de gestações acima de 22 semanas decorrentes de estupro.

ESPORTES

  • É a primeira vez que a delegação brasileira teve maioria feminina em uma Olimpíada. Dos 277 atletas brasileiros, 153 mulheres eram mulheres, ou 55% do total.
  • Pela primeira vez na história, mulheres trouxeram mais medalhas do que homens em uma edição dos Jogos Olímpicos. Das 20 medalhas que o Brasil trouxe para casa, 12 foram de mulheres.
  • Atletas brasileiras fizeram história nos Jogos Olímpicos e Paralímpicos. O Brasil quebrou recorde com sua maior participação feminina: foram 117 mulheres entre 255 atletas, ou 45,9%.
  • Protagonismo feminino marca participação brasileira nos Jogos Olímpicos Paris 2024.
  • A promoção da equidade de gênero no esporte é  um dos destaques do ano. O Programa de Desenvolvimento do Esporte Feminino (PDEF), criado em 2023, teve uma expansão significativa em 2024.
  • Dentre os quatro multimedalhistas brasileiros dos Jogos de Paris, três são mulheres: Beatriz Souza (ouro na final da categoria +78kg do judô feminino e bronze por equipes) e Larissa Pimenta (bronze na categoria até 52kg do judô feminino e na disputa por equipes), cada uma com duas medalhas, e Rebeca Andrade, com quatro (ouro no solo, duas pratas, no individual geral e no salto e um bronze, na disputa por equipes). Elas foram apenas algumas das atletas que fizeram história na Olimpíada deste ano.

VIOLÊNCIA CONTRA MULHERES

  • Ex-policiais Ronnie Lessa e Élcio Queiroz foram condenados pelo 4º Tribunal do Júri da Justiça do Rio de Janeiro por ter  assassinado a Vereadora  Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes.
  • Ministra de Igualdade Racial, Anielle Franco denunciou o então ministro dos Direitos Humanos, Silvio Almeida, por importunação sexual, caso que chocou o país e levou outras mulheres a acusarem o advogado, intelectual renomado e referência do movimento antirracista.
  • É dada a alteração da Lei Maria da Penha que assegura o sigilo do nome da vítima em casos de violência doméstica e familiar (Lei nº 14.857/24).
  • Criação de plano de metas para o enfrentamento integrado de violência doméstica e familiar contra a mulher (Lei nº 14.899/24).
  • È criado Cadastro Nacional de Pedófilos e Predadores Sexuais, que permite acesso a nomes e CPFs de condenados em primeira instância por crimes sexuais (Lei nº 15.035/24).
  • Por meio do Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania 2 (Pronasci 2), o MJSP inicia o financiamento da construção de 12 Casas da Mulher Brasileira com recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública.
  • Inauguradas mais tres casas Casas da Mulher Brasileira, totalizando 13 em todo pais.
  • Redução de  5,1% dos casos registrados de feminicidios .
  • MJSP  cria Comitê Nacional de Gestoras dos Entes Federados para dar maior eficácia para a execução do dinheiro do FNSP nas políticas públicas estaduais e distritais e melhorar a administração e a gestão do fundo junto aos entes federados.
  • Treze(13) representantes do governo Lula cedem a pressões políticas morais e  votam contra  a proposta de resolução para atender menores que fazem aborto do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda).
  • Governo Federal  perde no Conanda a votação sobre resolução que detalha procedimentos para casos em que crianças e adolescentes manifestem interesse em realizar o aborto legal e decepciona apoiadoras.
  • A campanha Nem Presa Nem Morta e a ONG Coletivo feminista Sexualidade e Saúde  soltam nota contra a  postura do governo federal na votação da Resolução do CONANDA  .
  • È instituida a Política Nacional de Prevenção e Combate ao Abuso e Exploração Sexual da Criança e do Adolescente e alterado o Código Penal (criando os crimes de bullying e cyberbullying), a Lei dos Crimes Hediondos (para considerar como hediondo os seguintes crimes: Induzir ou auxiliar o suicídio ou a automutilação na internet e redes sociais; sequestrar e/ou manter em cárcere privado a pessoa menor de 18 anos; e traficar crianças ou adolescentes (menores de 18 anos) e o ECA.
  • Crecem dificuldades de acesso aos serviços de proteção para mulheres em situação de violência .
  • Disque 100 já recebeu mais de 580 denúncias de violência política em 2024.
  • O Brasil continua estar entre os paises com maior ranking de população feminina encarcerada. Apesar da Portaria Interministerial nº 210, de 2014, que instituiu a Política Nacional de Atenção às Mulheres em Situação de Privação de Liberdade e Egressas do Sistema Prisional, visando a prevenção de todos os tipos de violência contra mulheres nessa situação, a garantia de direitos ainda está distante da realidade.

SAÚDE

  • As ameaças contra os direitos reprodutivos no Brasil (O aborto legal esteve no centro do debate político brasileiro em 2024. O motivo foram ofensivas políticas realizadas ao longo do ano para tentar dificultar o acesso de mulheres, meninas e pessoas que gestam aos serviços especializados do país – ou mesmo acabar com o direito. Vale lembrar: no Brasil, o aborto é legal em casos de gestação decorrente de estupro, de anencefalia fetal ou de risco de vida da mãe).
  • Tramitou na Camara Federal projeto de lei nº 1.904/24, que equipara a pena para quem faz aborto (legal ou não) depois da 22ª semana seja de 20 anos; a mesma de homicídio.
  • Fechamento do serviço de aborto legal do Hospital Municipal e Maternidade da Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo ( referência no Brasil).
  • O Conselho Federal de Medicina (CFM) e o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) promovem ofensivas contra o Aborto Leal e aprova   resolução que determina  a solicitação de  prontuários médicos sigilosos de pacientes dos serviços para fazer uma "fiscalização" do serviço.
  • Sancionada Lei que garante espaços privativos no SUS para mulheres vítimas de violência (Lei nº 14.847/24).
  • È  identificada por Dra.Silvana Santos (biologa), a síndrome de Spoan (acrônimo em inglês para "paraplegia espástica, atrofia óptica e neuropatia") no nordeste do Brasil, uma doença neurodegenerativa genética rara que causa paralisia progressiva.
  • Institui o Certificado Empresa Promotora da Saúde Mental e estabelece os requisitos para a concessão da certificação.
  • Maternidade no Rio realiza segundo parto de pessoa trans por projeto do SUS;
  • Painel da População Negra é lançado pelo Ministério da Saúde(A plataforma – disponibilizada em totens durante o seminário Equidade Étnico-Racial nas Redes de Atenção à Saúde – conta com dados e indicadores sociodemográficos de morbidade e de mortalidade específicos para a população negra.)
  • Norma técnica com esclarecimentos sobre o aborto legal é suspensa após reação negativa da ala conservadora no Congresso;
  • Governo Federal lança o Programa Rede Alyne substituindo  a Rede Cegonha. Destaco os objetivos: -  reduzir a mortalidade materna no Brasil , aumentar o cuidado humanizado e integral para gestantes, parturientes, puérperas e crianças e aumento no repasse para que estados e municípios possam realizar exames pré-natal.
  • É alterada a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (9.394/1996), a fim de garantir regime escolar especial para estudantes – dos ensinos básico e superior – em tratamento de saúde e mães lactantes.
  • STF suspende resolução do CFM que dificulta aborto em gestação decorrente de estupro. O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), suspendeu uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). Na avaliação do ministro, há, na hipótese, indícios de abuso do poder regulamentar por parte do Conselho Federal de Medicina ao limitar a realização de procedimento médico reconhecido e recomendado pela Organização Mundial de Saúde e previsto em lei.
  • Lançada nova estratégia para reduzir mortalidade materna em 25% até 2027. Entre as inovações está a necessidade de um plano integrado entre a maternidade e a Saúde da Família – com qualificação das equipes de Saúde da Família, principal porta de entrada do SUS – e, de forma inédita, a ampliação do Complexo Regulatório do SUS com equipe especializada em obstetrícia.
  • Taxa de cesáreas segue em alta no Brasil . O número de cesarianas no Brasil continua a crescer e se distanciar do patamar recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), de que apenas 15% dos nascimentos sejam não naturais — o percentual estimado de casos em que o procedimento é realmente necessário. No país, aproximadamente 59,7% dos partos realizados no ano passado, incluindo nascimento através de hospital públicos, foram por meio de cesariana, ante 58,1% em 2022. Informações da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).
  • Crescem relatos de violência obstétrica Levantamento aponta que no SUS 45% das mulheres sofrem com a violência obstétrica, já nos hospitais privados são 30%.
ARTE E CULTURA
  •  Cia das Letras e Lilia Schwarcz fecham acordo com mulher negra retratada na capa de livro antirracista.
  • É instituida a  Semana de Valorização de Mulheres que Fizeram História no âmbito das escolas de educação básica, que acontecerá anualmente na segunda semana de março, Mês das Mulheres (Lei nº 14.986).
  • Peça de Abdias Nascimento chega ao Brasil 30 anos depois de publicada nos EUA.
  • Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), na reunião do Conselho Consultivo, reconhecem as Marujadas de São Benedito, no Pará, como  patrimônio cultural do Brasil.
  • Pernambucana ganha prêmio de jornalismo com reportagens sobre alimentação de mulheres negras (Série de reportagens de Adriana Amâncio, no site Gênero e Número, inclui matéria sobre assentada do MST em Paudalho)
  • Saberes e as práticas das Parteiras Tradicionais são reconhecidos como Patrimônio Cultural do Brasil . (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) reconheceu o Ofício do Saberes e Práticas das Parteiras Tradicionais do Brasil como Patrimônio Cultural do País).
TRABALHO
  • É sancionada pelo Presidente Lula a Política Nacional de Cuidados que promove igualdade de gênero, reconhecimento do trabalho de cuidado e apoio às famílias brasileiras (Lei nº 14.673/2024).
  • Aprovado no G20  compromisso com a igualdade de gênero e o empoderamento de mulheres e meninas, por meio de trabalho digno, acesso à tecnologia e aumento de nomeações de mulheres em cargos de governança global.
  • As  mulheres tem maior registro na ocupação de vagas de trabalho formal do que os homens. O crescimento expressivo no saldo feminino de vagas ocupadas no mercado formal gerou uma mudança na composição do saldo total de empregos geral.
  • As mulheres desfrutam de apenas dois terços dos direitos legais concedidos aos homens aponta relatório inovador recém-lançado pelo Grupo Banco Mundial. Embora, segundo as leis em vigor, as mulheres pareçam gozar de cerca de dois terços dos direitos concedidos aos homens.

EDUCAÇÃO
  • 60% das inscrições no ENEM são de mulheres.
  • Maioria das pessoas candidatas  inscritas no ENEM se reconhece na cor parda.
  • Contribuições das mulheres para humanidade serão foco de aprendizado nas escolas a Lei 14.986/2024 acrescenta um novo artigo à Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (Lei 9.394/1996) para o ensino dos diversos aspectos femininos na história, na ciência, nas artes e na cultura do Brasil e do mundo.
  • Os novos dados do relatório Education at a Glance 2024, da OCDE, lançam luz sobre uma triste contradição que permeia a realidade educacional e laboral no Brasil: embora meninas tenham um desempenho acadêmico superior ao dos meninos durante o ensino básico, essa vantagem não se traduz em oportunidades no mercado de trabalho.
  • Brasil tem 1,8 milhão de professores na rede pública; 78,8% são mulheres(Dado é do Anuário Brasileiro da Educação Básica 2024).
 
SOCIEDADE
  • A sociedade brasileira se mostrou muito mais aberta a compreender a importância de deixar que mulheres tomem a decisão sobre seguir ou não com a gravidez nos casos já legais no Brasil.
  • BBC divulga sua lista de 100 mulheres inspiradoras e influentes ao redor do mundo em 2024 , entre elas : Ginasta Rebeca Andrade; Lourdes Barreto defensora dos direitos  para as profissionais do sexo no Brasil; A bióloga Silvana Santos atribui sua descoberta pioneira no campo da genética síndrome de Spoan.
  • Mulheres do MST realizam ato em frente a revendedora de armas da Taurus em São Paulo . A ação destacou o aumento do número de feminicídios praticados com armas de fogo no Brasil
  • Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Fazenda publica pela primeira vez,  relatório sobre a distribuição da renda e da riqueza da população nacional com avaliação dos impactos  de questões de gênero .
  • Mulheres enfrentam maior carga de tributação do imposto de renda comparativamente ao sexo masculino, de modo que o IRPF acaba atuando como um instrumento amplificador da desigualdade de gênero", diz o texto.
  • Dados da ONU apontam que mais de 100 milhões de mulheres e meninas poderiam ser tiradas da pobreza se os governos dessem prioridade à educação e ao planejamento familiar, a salários justos e iguais e ampliassem os benefícios sociais.
  • O papel dos afrodescendentes, como grupos quilombolas, para a conservação e uso sustentável da natureza foi oficialmente reconhecido pela primeira vez em um documento da conferência de biodiversidade da ONU (Organização das Nações Unidas).
  • Avanços sociais não chegam na ampla maioria dos lares chefiados por mulheres negras.
  • Combate ao racismo ambiental entra em novo plano climático para o Brasil . OObservatório do Clima, NDC (Contribuição Nacionalmente Determinada) com a participação da sociedade civil, elaborou cinco pilares para que o país alcance suas metas: redução do desmatamento, a quase zero, em todo seu território (limitado a um máximo de 100 mil hectares por ano, a partir de 2030); a recuperação do passivo do Código Florestal de 21 milhões de hectares de cobertura vegetal; o sequestro maciço de carbono no solo pela forte expansão de práticas agropecuárias de baixa emissão; a transição energética para fora dos combustíveis fósseis e a melhoria da gestão de resíduos.
  • Macaé Evaristo(MG), toma posse como Ministra dos Direitos Humanos.  
  • No Brasil, 125 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar.
  • Tarciana Medeiros: a Única Brasileira entre as Mulheres Mais Poderosas do Mundo. Presidente do Banco do Brasil ocupa o 18º lugar no ranking da Forbes, ao lado de grandes líderes empresariais, políticas e artistas.
  • Peritas da ONU alertam sobre as fragilidades das políticas de defesa da mulher no Brasil. É a primeira vez em doze anos, o país está sendo examinado pelo Comitê sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Mulheres (CEDAW). A partir da sessão, o órgão internacional apresentará recomendações ao Brasil.

 

Fontes : Marie Claire / Agência Gov. /.Rádio Agencia/.Woldbank  /.Geledes/ Brasil de Fato /Azmina/ bancodealimentos/ Camara Federal Secretaria da Mulher / Equidadeeducacional/ Forbes/ Pastoral Carceraria/UOL/

segunda-feira, 2 de dezembro de 2024

Violência Contra as Mulheres Negras, práticas racistas e descaso do Estado

 Por Mônica Aguiar

Foto: Mônica Aguiar e sua filha Jessica Carolina 

As variáveis existentes nas práticas racistas representam um grave obstáculo ao exercício de cidadania, perpetuam desigualdade, promovendo prioritariamente a exclusão e o não acesso aos direitos fundamentais  às mulheres negras.

Vários estudos e pesquisas apontam ser o principal alvo de violências e discriminações, tanto no ambiente público quanto no privado a falta de condições financeiras.

Dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), base alimentada por registros de doenças de notificação compulsória ao Sistema Único de Saúde (SUS), apontam que em 2022 mais da metade (55%) das brasileiras vítimas de violência eram negras. Já entre as vítimas de violência sexual, as pretas e pardas foram 62% e as assassinadas, 67%”.

Estudos recentes, também apontam que as desigualdades salariais produzem situações de desigualdades  tanto para mulher negra quanto para seus dependentes.  

A dependência financeira dificulta a ruptura desse ciclo de abuso e limita as possibilidades de busca por proteção, de acesso ao serviço de apoio e até mesmo de deixar esse ambiente violento”.  ( Milene Tomoike, em entrevista à Agencia senado). 

Eu digo o seguinte: que a vulnerabilidade econômica é um dos muitos fatores que podem contribuir para a violência doméstica de gênero, mas não é o único nem necessariamente o mais determinante. Questões como desigualdade de gênero, normas morais e religiosas, abuso de substâncias e histórico de violência familiar também desempenham papéis significativos.

A dependência financeira, no entanto, torna mais difícil para as vítimas deixarem situações abusivas, reforçando a dinâmica de poder do agressor. O estresse gerado por dificuldades financeiras nos lares de famílias negras pode exacerbar comportamentos agressivos em indivíduos já predispostos à violência.

Portanto, é crucial adotar abordagens multifacetadas que considerem todos esses fatores ao abordar e prevenir a violência doméstica de gênero.

As dificuldades de acesso aos serviços de proteção para mulheres em situação de violência é um problema persistente e, frequentemente impede a interrupção do ciclo de violência.

Muitas vezes, essas barreiras são resultantes de uma combinação de fatores, incluindo a falta de informações claras sobre os serviços disponíveis, a localização geográfica, centralidade dos locais de proteção, a insuficiência de recursos, e o medo de represálias.

Além disso, este formato tradicional de proteção, que pode incluir abrigos temporários e medidas legais, demonstra que não atendem às necessidades individuais, principalmente das mulheres negras.

É urgente mudar este modelo de proteção. É preciso que seja mais inclusivo, adaptáveis e, que considerem as particularidades de cada caso, oferecendo  suporte contínuo e abrangente.

Para isso é preciso incluir serviços de apoio psicológico, acompanhamento jurídico e de saúde, encaminhamento correto aos  programas de reintegração social, trabalho e acesso à habitação. Capacitar plenamente as mulheres a reconstruir suas vidas longe de quem pratica a violência.

A falta de assistência por parte do Estado, os padrões discriminatórios existentes no atendimento e "acolhimento" ao buscar serviços, e o imaginário de que a mulher negra é forte e suporta tudo, são questões profundamente enraizadas que impactam negativamente a vida das mulheres negras.

Essas problemáticas refletem desigualdades históricas e estruturais que perpetuam a exclusão e criam marginalização.

O mito da força sobre-humana da mulher negra não apenas desumaniza, mas também invisibiliza suas necessidades e vulnerabilidades, resultando em uma assistência inadequada e muitas vezes negligentes.

Para enfrentar essas questões, é essencial promover políticas públicas inclusivas e sensíveis que reconheçam e respeitem a diversidades e fatores sociais e territoriais, além de desconstruir estigmas e preconceitos através da educação e do diálogo aberto na sociedade.

Para que a democracia e a cidadania sejam verdadeiramente inclusivas, é essencial que enfrentem o racismo de maneira decidida e abrangente. Isso inclui a implementação de políticas públicas que e assegurem o respeito e reconhecimento dos direitos humanos de todas as mulheres negras.

Essas políticas devem focar em áreas como educação, saúde, habitação e mercado de trabalho, garantindo que todas as mulheres negras tenham acesso igualitário aos recursos e oportunidades.

Além disso, é importante fomentar a representatividade em espaços de poder e decisão, para que as vozes e experiências das mulheres negras sejam ouvidas e valorizadas.

Já o discurso que atribui a responsabilidade da ausência e dos descasos exclusivamente às estruturas pode ser problemático, pois desvia o foco das ações e decisões políticas que moldam essas mesmas estruturas. 

Estruturas sociais e econômicas são, de fato, influenciadas e muitas vezes criadas pela vontade política daqueles que estão no poder. 

Assim, quando se diz que algo é "estrutural", há o risco de se isentar de responsabilidade aqueles que têm o poder de promover mudanças significativas.

 É crucial reconhecer que a transformação dessas estruturas requer comprometimento político e econômico, especialmente no que se refere à justiça social e à equidade racial. 

Portanto, ao abordar questões que afetam as mulheres negras, é fundamental cobrar responsabilidade daqueles que têm o poder de decisão, promovendo políticas que visem à desconstrução de desigualdades e à promoção as reparações.

A promoção da consciência social e a educação sobre a história e contribuições das mulheres negras são fundamentais para desmantelar preconceitos e construir uma sociedade mais justa e equitativa.

Fonte de dados: Agência Senado/ Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher Negra, 10ª edição da Pesquisa Nacional de Violência contra a Mulher, desenvolvida em parceria com o Observatório da Mulher contra a Violência do Senado.

QUEM É MÔNICA AGUIAR é escritora, jornalista, feminista negra e ativista brasileira. Conhecida por seu blog "Mulher Negra", onde aborda temas como: - Feminismo negro; racismo e discriminação; identidade negra; cultura afro-brasileira; direitos das mulheres negras. Sua trajetória está marcada na representação política partidária, sindical, nos movimentos de mulheres e mulheres negras, além de várias conquistas e feitos em Minas Gerais. 

Jornalista de profissão, tem larga experiência em veículos de comunicação.  É escritora de obras como "Mulheres Negras: Histórias e Resistência" e "Cadernos de Literatura Negra", Ativista do Movimento Negro e Feminismo Negro, palestra em eventos sobre racismo, gênero e educação. 

Criadora do  blog "Mulher Negra" que se tornou um espaço para compartilhar histórias, experiências e reflexões sobre a vida das mulheres negras. O Blog Mulher negra é reconhecido como um dos principais blogs de feminismo negro no Brasil.  Mônica Aguiar é uma voz importante na luta contra o racismo e pela igualdade de gênero no Brasil.


quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Solidariedade às Mulheres Negras que conquistaram o poder!

  Por Mônica Aguiar

Ao analisar as estatísticas, o racismo continua a ser subestimado pelo sistema nativo hierárquico de dominação entre os homens, isto,  independentemente da cor da pele. 

A manifestação deste  sofrimento, é expresso por mulheres negras, em todas as esferas, tanto públicas quanto privadas, independentemente do nível de instrução e classe social. 

Lembrando que a presença das mulheres negras nas esferas de decisão do país, é inversamente desproporcional ao seu tamanho populacional.

Os espaços de decisão democrática, participação social, casas legislativas, governos estaduais e municipais não reproduzem a configuração quantitativa do contingente social da população negra.

Outras variáveis são demonstradas nas diferentes dificuldades enfrentadas quando o assunto é preenchimento de vagas para cargos máximos. 

A meu ver, tema este importante que deve ser abordado com responsabilidade e diplomacia, livre dos valores baseados nas barreiras sistêmicas, históricas e que impedem a população negra de alcançar igualdade de oportunidades.

A afirmação de que a população negra, “não está preparada” é problemática, e, são baseadas em preconceitos e estereótipos injustos.

Esta configuração existente, não garante representação, muito pelo contrário, contribuem com as distorções das metas e determinações estabelecidas como compromissos assumidos, assinados em Tratados, Conversões e Leis de combate ao racismo pelo Brasil.

Na Revisão Periódica Universal da Organização das Nações Unidas (ONU), para analisar   a situação interna de direitos humanos nos Estados-membros da ONU, o Brasil recebeu 246 recomendações para combate ao racismo estrutural existente. Dentre estas, destaca-se a determinação para se construir reforma legislativa específica para fortalecer as medidas contra a discriminação baseada no gênero e na etnia; implementar medidas destinadas a prevenir a violência e a discriminação racial contra a população negra”.

Os poucos avanços que obtivemos, são frutos de muitas batalhas promovida pelo Movimento de mulheres negras brasileiras. 

Já, a maioria dos entraves são frutos da falta de vontade política.

É preciso analisar todas as camadas econômicas e sociais da população negra. Considerar os números apontados nas pesquisas como dados relevantes e não um simples recorte para desenvolver medidas paliativas de transferência de rendas, sem a preocupação política em garantir os direitos fundamentais com acesso igualitário, livre de burocracias e entraves raciais.

A falta de consideração as Leis direcionadas ao desenvolvimento de políticas públicas, antirrepublicanismo, aversão aos valores que formulam a democracia, o negacionismo e, a falta de ações reparatórias,  são características encontradas em vários setores, sejam privados, seguimentos políticos e ordenamentos no Brasil. Dá esquerda a direita, entre brancos e negros.

Ainda existem rejeições e preconceitos quando o assunto é mulher negra.

Essas rejeições se manifestam de várias formas, desde o racismo explícito até o racismo estrutural e institucionalizado.

O fato de negar os problemas enfrentados por todas as mulheres negras, negar as sequelas existentes, de imaginar que falar da mulher negra é vitimismo, é a “mais pura” demonstração que existem resquícios fortes, de valores escravocratas estruturados entre as relações humana.

A violência sofrida cotidianamente por mulheres negras é uma questão complexa, se manifesta de diversas formas, independente da classe social dos agressores. 

Essas agressões são frequentemente agravadas pela interseção do racismo e do machismo e necessidade de domínio sobre os nossos pensamentos e corpos.  

Falar da mulher negra no Brasil é falar de uma história de exclusão, onde as variáveis existentes no sexismo, no racismo tornaram se naturalmente estruturantes. 

Causa desconfortos. 

Existem diferentes graus de resistências, inclusive entre a população negra. A ampla maioria da população brasileira acreditam na existência da democracia racial.

As sobreposições de preconceitos resultam em experiências de violência únicas e, muitas vezes mais severas. 

A hipersexualização de mulheres negras pode levar a um aumento de assédios e agressões sexuais. 

Além disso, estereótipos raciais negativos justificam e minimizam a violência sofrida, tanto na mente dos agressores quanto na sociedade em geral.

Homens independentes das etnias/raças e classes sociais podem perpetuar essa violência, embora as formas e os contextos possam variar. 

Homens de classes mais altas podem usar seu poder econômico e social para controlar e abusar de mulheres negras. Independentemente,  o resultado é um ciclo contínuo de opressão e violência que contribuem com a perpetuação das desigualdades.

É crucial combater a violência sofrida.

Quem sabe, incluir políticas de educação para a igualdade de raça, no sistema de justiça que proteja verdadeiramente as vítimas e responsabilize os agressores? 

Manifestações públicas ideológicas, ódio racial, calorosas controversas contrários a conceitos históricos e científicos.

É preciso criar mecanismos que dê condições verdadeiras ao exercício da cidadania, com oportunidades, igualdade, equidade, reparando os danos causados pela escravidão.

Realmente devo concordar que está no momento para construir novas pautas. Porém, nunca deixar de reconhecer o papel histórico das mulheres negras na construção e organização das estruturas econômica, cientifica, social, de justiça e política, na sociedade brasileira. Mesmo estás sendo poucas. 

A invisibilidade constrói retrocessos . 

Tenham a certeza de minha solidariedade com as mulheres negras que enfrentam desafios ao buscar posições de poder e que sofrem abusos, violências psicológicas e sexuais.

É fundamental reconhecer a coragem dessas mulheres que, apesar das adversidades, continuam lutando por direitos e por um espaço onde possam exercer plenamente suas capacidades e talentos. 

Violência alguma deve ser tolerada e, em nenhuma circunstância. 

Todas as pessoas tem a responsabilidade de apoiar e proteger as vítimas, além de trabalhar para a erradicação desses comportamentos.

O caminho para um mundo mais inclusivo e respeitoso é longo, mas, cada gesto de solidariedade e, cada voz que se levanta contra a opressão, fazem a diferença.

Saudemos a vida, a resistência e luta das mulheres negras! 

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