terça-feira, 22 de maio de 2018

ONU Mulheres abre inscrições para grupo assessor da sociedade civil

A ONU Mulheres recebe até 17 de junho candidaturas de representantes de organizações e redes brasileiras para o Grupo Assessor da Sociedade Civil (Brasil).
O grupo é formado por 15 pessoas, sendo oito integrantes das organizações e redes feministas e de mulheres; quatro integrantes das organizações e redes de base da sociedade civil e três especialistas nas áreas temáticas de ONU Mulheres Brasil, que podem ser acadêmicas(os) ou especialistas endossadas(os) por institutos de pesquisa ou organizações e redes de mulheres e feministas. Saiba como se inscrever.
Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU
Mulheres e parte da equipe da entidade.
Foto: ONU Mulheres/Mara Silva
A ONU Mulheres recebe até 17 de junho candidaturas de representantes de organizações e redes da sociedade civil brasileira para o Grupo Assessor da Sociedade Civil (Brasil). São três formas de envio de candidaturas:
1. Preenchimento do formulário online no link: https://goo.gl/forms/d8UnZbagAmNNdl8e2;
2. Envio do formulário em Word (anexo II) acompanhado de CV por e-mail para katia.motta@unwomen.org com o assunto: “Candidatura GASC 2018-2020”, ou;

3. Envio do Formulário em Word (anexo II) acompanhado de CV por correio para o endereço:

ONU MULHERES BRASIL
A/C Katia Motta
Casa da ONU – Complexo Sérgio Vieira de Mello
Módulo II – Prédio Lélia Gonzalez
SEN Quadra 802, Conjunto C Lote 17
CEP 70.800-922
Brasília-DF

ComposiçãoO Grupo Assessor da Sociedade Civil Brasil da ONU Mulheres é formado por 15 pessoas, sendo oito integrantes das organizações e redes feministas e de mulheres; quatro integrantes das organizações e redes de base da sociedade civil e três especialistas nas áreas temáticas de ONU Mulheres Brasil, que podem ser acadêmicas(os) ou especialistas endossadas(os) por institutos de pesquisa ou organizações e redes de mulheres e feministas.

A composição do grupo assessor garante a representação da diversidade das mulheres no Brasil — incluindo diversidade regional — e das perspectivas de desenvolvimento. As(os) integrantes do grupo assessor servirão a título pessoal, de forma voluntária, por um período de dois anos (de julho de 2018 a junho de 2020).

Diálogo com a sociedade civil

Os Grupos Assessores da Sociedade Civil da ONU Mulheres são espaços globais, regionais e nacionais com o propósito de facilitar consultas efetivas, contínuas e estruturadas entre a sociedade civil e a ONU Mulheres.
Trata-se de instâncias para enriquecer o desenvolvimento de políticas e programas com a experiência, as perspectivas e os conhecimentos da sociedade civil; e promover parcerias duradouras entre a ONU Mulheres e a sociedade civil pela igualdade de gênero e o empoderamento das mulheres.
As áreas temáticas da ONU Mulheres no Brasil são: mulheres lideram e participam em processos de decisão em todos os níveis; mulheres, especialmente as mais pobres e excluídas, são empoderadas economicamente e se beneficiam do desenvolvimento; mulheres e meninas vivem livres de violência, paz e segurança; ações humanitárias são influenciadas pela liderança e participação das mulheres; governança e os processos de planejamento refletem compromissos e prioridades para a promoção da igualdade de gênero.
A seleção será conduzida por um comitê formado por integrantes do grupo assessor. O prazo estimado para anúncio do resultado da seleção é junho deste ano.
Fonte e texto:ONUBrasil

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Mostra em Brasília exibe 30 Curtas sobre 'Olhar da Mulher Negra'


Sessões ocorrem todas

as terças, às 20h, na Caixa Cultural. 
Evento promove vários debates.
Entrada gratuita.

Por Luiza Garonce, G1 DF

Edição Mônica Aguiar 

Descolonizar o pensamento." Este é o convite que a mostra Cine Curta Brasil faz a Brasília com a exibição de 30 curtas-metragens sobre "o olhar da mulher negra". Na abertura, nesta terça-feira (15), o filme "Marielle Presente", de Yasmin Thayná, presta homenagem à vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, executada em 14 de março.

Na edição intitulada "Visionária", o festival direciona o foco das câmeras para produções protagonizadas por mulheres negras, à frente ou por trás das lentes. As sessões serão exibidas na Caixa Cultural todas as terças-feiras até dia 10 de julho, sempre às 20h. A entrada é gratuita, mas é preciso retirar senha .
Cena do curta-metragem "Marielle Presente", de
Yasmin Thayná (Foto: Al Jazira Español/Divulgação)

O olhar da mulher negra a que o festival faz referência está "voltado para o afeto", segundo a curadora Melina Bomfim. "São olhares muito conectados com a nossa ancestralidade e identidade", disse ao G1. "A gente vai conversar sobre novos imaginários e possibilidades que estão longe do discuros branco e patriarcal."





Para a cineasta Viviane Ferreira, diretora de "O dia de Jerusa", que será exibido na estreia da mostra, esta perspectiva de olhar vai em direção aos lugares onde a mulher negra pode se sentir representada. Viviane é a segunda mulher negra a dirigir sozinha um longa-metragem de ficção no Brasil. A pioneira foi Adélia Sampaio, com o filme "Amor maldito", em 1983.

"As diversas representações de mulheres negras em filmes realizados por pessoas não negras quase sempre trazem um olhar que a gente não consegue se identificar, porque é uma ideia criada sobre nós que não nos contempla", explicou.

A fim de ampliar os debates e reflexões sobre os espaços de ocupação da mulher negra no cinema e no mercado cultural, o Cine Curta Brasil oferece bate-papos com cineastas, artistas e ativistas locais e nacionais, como a professora da Universidade de Brasília (UnB) Edileuza Penha, que pesquisa cinema negro desde 2006.

No dia 22, ela faz uma palestra com o tema "Quem seríamos com acesso a uma educação afrocentrada?". Segundo Edileuza, o cinema negro feminino propõe um olhar de rompimento e tem pautado o afeto como principal elemento, porque "nós, mulheres negras, não somos vistas em nenhum filme romântico".

Na abertura de cada sessão, a mostra exibe um capítulo da série "Afronta", roteirizada, dirigida e produzida pela cineasta negra Juliana Vicente, da Preta Portê Filmes. Os episódios reconstróem a trajetória de formação de personalidades como Carol Conká, Loo Nascimento e Liniker enquanto indivíduos negros.


Programação

22 de maio

  • "Afronta" com Yasmin Thayná (2018, 15min, livre)
  • "Mulheres de barro", de Edileuza Penha de Souza (2014, 26min, livre)
  • "Casca de Baobá", de Mariana Luiza (2014, 11min, livre)
  • Provocações: "Quem seríamos com acesso a uma educação Afrocentrada?", com Edileuza Penha
29 de maio
  • "Afronta" com Loo Nascimento (2018, 15min, livre)
  • "O Rito", de Cintia Lima e Bia Lima (2014, 7min, livre)
  • "El Reflexo", de Everlane Moraes Santos (2016, 3min, livre)
  • "Aurora", de Everlane Moraes Santos (2018, 14 min, livre)
  • Provocações: "Militância estética", com Neggata.
5 de junho
  • "Afronta" com Érica Malunguinho (2018, 13min, livre)
  • "Peripatéticos", de Jéssica Queiroz (2017, 15 min, livre)
  • "O tempo dos Orixás", de Eliciana Nascimento (2016, 21 min, livre)
12 de junho
  • "Afronta" com Liniker (2018, 14min, livre)
  • "O olho e o Zarolho", de Juliana Vicente (2013, 18min, livre)
  • "Monga, retrato de Café", de Everlane Moraes Santos (2017, 13min, livre)
  • Provocações: "O cinema e os afetos", com Luana Ferreira
19 de junho
  • "Afronta" com Dani Ornellas (2018, 13min, livre)
  • "Orum Ayê", de Jamile Corrêa e Cinthia Maria (2016, 13min, livre)
  • "Pety pode tudo", de Anahí Borges (2015, 18min, livre)
  • Provocações: "Escrita catárticas imagens reais", com Tate Nascimento
26 de junho
  • "Afronta" com Karol Conka (2018, 14min, livre)
  • "Nós, Carolinas", do coletivo Nós, mulheres da periferia (2017, 17min, livre)
  • "Kbela", de Yasmin Thayná (2015, 22min, livre)
  • Provocações: "Palavra Poder", com Thábata Lorena
3 de julho
  • "Afronta" com Anelis Assumpção (2018, 14min, livre)
  • "Clausura", de Mariana França (2018, 25 min, 12 anos)
  • "Das raízes às pontas", de Flora Egécia (2016, 20min, livre)
  • "SobreTudo", de Ana Paula Mathias (2018, 6min, livre)
  • Provocações: "Trançando o pensamento", com Calila das Mercês
10 de julho
  • "Afronta" com Ingrid Silva (2018, 13min, livre)
  • "Com os Pés no Chão", de Marise Urbano (2017, 10min, livre)
  • "Rainha", de Sabrina Fidalgo (2016, 31 min, 12 anos)
  • "Tempo de Cura", Ana Paula Mathias (2016, 16min, livre)
  • Provocações: "As novas narrativas corporais negras", com Luara Moreira

Conheça Viviane Ferreira


(Trechos  entrevista  Carta Capital )

Viviane Ferreira, segunda mulher negra a dirigir
um longa-metragem de ficção sozinha no Brasil,
  é autora do filme 'O dia de Jerusa' 
Ativista e diretora de "Um dia com Jerusa" fala sobre memória coletiva e os desafios enfrentados no cenário do audiovisual brasileiro, Viviane Ferreira é a segunda mulher negra brasileira a dirigir um filme de longa metragem. A primeira foi Adélia Sampaio, em 1983, diretora de Amor Maldito. O projeto de Viviane, intitulado Um dia com Jerusa, quebra, portanto, um jejum histórico de falta de participação das mulheres negras como diretoras no cenário do audiovisual brasileiro.

............Qual é a sensação de saber que você é a segunda mulher negra a dirigir um longa de ficção no Brasil?


A sensação de responsabilidade é muito grade, sobretudo, por ter consciência da quantidade de outras histórias, tão boas quanto a minha, que não foram selecionadas. Depois, porque proponho um filme que tem sua fonte criativa na “memória coletiva” da população negra brasileira.
.................
Qual é a importância das ações afirmativas em editais de audiovisual?

É um fato incontestável que a sociedade brasileira vive uma história de profunda desigualdade racial. De mesmo modo, é incontestável a necessidade de esforços do Estado brasileiro para propor políticas reparatórias que visem reduzir esse fosso de desigualdades.
Por isso, os editais curta e longa afirmativos são importantes por serem reveladores de uma demanda reprimida: há pessoas negras sedentas por contar a própria história.............................

Quais os efeitos de tal aliança, em especial, para negros e negras?

VF: Essa aliança produz uma escassez de recursos e oportunidades diante da nossa demanda coletiva reparação. E, consequentemente, adoece os nossos com uma frustração coletiva, diante das dores cotidianas produzidas por essas frustrações. 

Ainda que estejamos organizadas(os) em uma associação, não são os nomes de todos os associados que aparecem entre habilitados ou contemplados em editais de fomento ao audiovisual. Também a seleção para grandes festivais faz com que, cotidianamente, precisemos ter parcimônia e resiliência para gerir a frustração coletiva e distribuir água sobre "fogo amigo", tentando não nos permitir esquecer que tudo isso é efeito do tal "matrimônio perfeito" entre racismo, sexismo e capitalismo, que alimenta a farsa da meritocracia. 

Com tudo isso, para me manter atenta, atuante e reflexiva para colaborar com as minhas e os meus na elaboração de estratégias que contemplem um número cada vez maior de sonhos, subjetividades e construções simbólicas negras no setor audiovisual, é preciso dormir e acordar lembrando de como sonhava, ainda guria no Coqueiro Grande, em cima do pé de cajueiro, em fazer filmes pela primeira vez. .................



terça-feira, 15 de maio de 2018

A nova força de elite de África formada por mulheres


 Por Mônica Aguiar
Foto:Afrobrasileiros
É o primeiro grupo de tropas de choque ambiental com atenção ao desenvolvimento comunitário . 
O empoderamento das mulheres está no cerne do programa chamado Akashinga, o que significa os valentes, lutam contra o comércio ilegal de marfim.

Trinta e seis mulheres realizaram o treinamento, apenas três abandonaram. Uma estimativa surpresa para o Treinador  Damien Mander:

......“Modeladas em nosso treinamento de forças especiais, .... muito mais difíceis do que qualquer treinamento que fazemos com homens",  ..... Apenas três abandonaram. Não podia acreditar."

Damien Mander é o fundador da iniciativa Akashinga, é  australiano e militar, que se parece muito em casa no centro de um scrum de rugby.  Mander foi inspirado pela história dos Black Mambas, a primeira unidade feminina, anti-caça furtiva, desarmada do mundo, que trabalha perto do Parque Nacional Kruger da África do Sul.

Fotografia: Artista / Adrian Steirn
para Alliance Earth
 Desde o primeiro dia do treinamento feminino, Damien Mander percebeu  que as mulheres eram o elo perdido para iniciativas bem sucedidas de conservação e combate à caça furtiva. "Transformamos uma necessidade de segurança em um programa comunitário", disse ele. Em apenas cinco meses, de acordo com Mander, este projeto piloto já está colocando mais dinheiro por mês na comunidade local do que a caça ao troféu por ano.

Muitas das mulheres da equipe são mães e sobreviventes de vários tipos de abusos. Para Nyaradzo Hoto, se tornar uma guarda florestal lhe deu não apenas a chance de proteger animais, como também a oportunidade de realizar seu próprio potencial.

Esta linha de frente não são apenas patrulheiras de caça regulares, são a nova força de elite sentem a vontade para demostrar a importância do projeto, e a importância da presença das mulheres: 
Fotografia: Artista / Adrian Steirn
para Alliance Earth
“Meu ex-marido costumava me explorar”, diz Hoto. “O casamento foi difícil porque via todos os meus sonhos e objetivos serem despedaçados. Só quero provar que nenhum trabalho é só para homens. Espero já ter provado.”

Já Mazliru comprou um pequeno terreno com seus salários como guarda-redes de campo. "Eu não preciso de um homem na minha vida para pagar o minhas contas e de meu filho", diz ela, com brilho nos olhos.   
Esta é carregada com segurança e competência por Vimbai Kumire. 
“Este trabalho não é só para homens”, diz ela, “mas para todo mundo que é forte 
e está em forma.”      


Fontes de pesquisa e trechos : Afrobrasileiros/ Theguardian/fmgideoesdocanaa/UOL/EBC

segunda-feira, 14 de maio de 2018

Wanuri Kahiu corre risco de ser presa após rodar ‘Rafiki’, uma história de amor lésbico proibida pela censura em seu país

A diretora Wanuri Kahiu (à direita) com as atrizes
quenianas Sheila Munyiva (à esquerda) e Samantha
Mugatsia  EFE

CINEMA -

Wanuri Kahiu (Nairóbi, 1980) corre o risco de ser condenada a uma longa pena de prisão, mas nem isso a faz perder o sorriso. “Estou muito feliz de estar aqui”, diz ela do terraço de um hotel ao lado da Croisette. Seu segundo longa-metragem, Rafiki, acaba de estrear no Festival de Cannes, onde foi exibido na seção paralela Um Certo Olhar, transformando-se no primeiro filme queniano selecionado na história do concurso. 

É uma honra, embora muito mais agridoce do que o bom humor da diretora deixe entrever. No Quênia, o longa acaba de ser proibido pelo comitê de classificação de filmes, que decidiu impedir que essa história de amor lésbico chegasse às salas de cinema por considerar que “legitima a homossexualidade”, cuja prática é punida pela lei do país com até 14 anos de prisão. 

A que se arrisca agora a jovem cineasta? “No momento, a que me prendam. Dizem que mandamos um roteiro falso a esse comitê, o que não é verdade. De qualquer forma, terei de ir a julgamento para demonstrar isso”, conforma-se.

Na verdade, Kahiu não é militante de nenhuma causa. Nega que haja qualquer provocação em seu projeto. “Só adaptamos um livro que já contava essa história”, afirma a cineasta, que se inspirou em Jambula Tree, um romance da ugandense Monica Arac de Nyeko. No filme, Kahiu reinterpreta a história de Romeu e Julieta colocando duas mulheres no centro de seu relato: Kena e Ziki, pertencentes a duas famílias rivais em eleições locais.

 “Parece-me importante contar histórias de amor que ocorram na África, porque não costumamos ver africanos que se apaixonam no cinema”, afirma. 

A última vez que Kahiu viu um casal africano se beijando diante das câmeras foi em um vídeo de prevenção em relação ao HIV. Para acabar com essa dinâmica, Kahiu fundou em 2010, juntamente com outros artistas, músicos e estilistas, a plataforma AfroBubbleGum, que defende o surgimento de “uma arte frívola”. 

No contexto africano, a futilidade pode ser quase uma arma política. “Somos contra esses estereótipos que nos definem como um continente deprimido e doente. Também somos modernos, cosmopolitas e estamos cheios de amor”, recorda a cineasta, decidida a pôr fim à “imagem distorcida que o mundo tem dos africanos”.

Para colocar essa teoria em prática, decidiu filmar Rafiki, que significa “amiga”. A proibição lançou luz sobre um filme pequeno, colorido e delicado, muito frágil para carregar tanto peso nas costas. 

Suas duas protagonistas fazem parte de mundos distintos, um muito mais próspero e hedonista que o outro, mas ambos dentro de uma sociedade que responderá com uma brutalidade unânime a esse amor florescente. 

Apesar de certos pontos fracos, é na descrição dessa violência desumana que Kahiu demonstra ter garra. Também na crítica à opressão psicológica, mais obscura, mas igualmente sádica, que o grupo social exerce sobre as garotas por meio de fofocas e sermões homofóbicos, mecanismos de controle para impedir que brote qualquer dissidência. Se há algo que possa justificar a polêmica causada pelo filme, é esse retrato mordaz, não sua história de amor.

Na verdade, a reação no Quênia não foi branca ou negra. Quando Cannes anunciou sua seleção, as autoridades do país reagiram com uma surpreendente alegria. O ministro da Cultura felicitou a diretora pelas redes sociais e o próprio presidente do comitê de censura, Ezekiel Mutua, definiu-a em um programa de rádio como “uma das personalidades mais interessantes do cinema queniano”. 

Dez dias depois, em um mudança inesperada, decidiu proibir o filme. “Fez isso porque eu não quis mudar o final. Ele achou que não havia suficiente arrependimento [no final]”, explica Kahiu, insinuando que lhe propuseram casar uma das garotas com um homem. 

O escândalo, somado à abertura de um processo judicial sobre a descriminalização do sexo homossexual no Quênia, conseguiu suscitar um debate nacional sobre a questão. “Graças a este filme, estamos falando de homossexualidade, mas também dos direitos do artista e da liberdade de expressão”, afirma a diretora, uma fervorosa defensora da jovem Constituição de seu país, aprovada em 2010 com o objetivo de democratizar suas instituições.

Aos 16 anos, Kahiu já tinha certeza de que se dedicaria ao cinema. Sua família não apoiou sua decisão, mas ela não guarda rancor. 

É difícil ser pais de uma artista na África”, relativiza. 

Depois de cursar administração de empresas em Londres, foi para a Califórnia estudar direção de cinema. Seus pais, uma pediatra e um empresário, ainda não viram Rafiki
“Eles ficaram chateados por um membro do Governo ter dito que o filme é obsceno. Não viram o filme porque é ilegal vê-lo”, resume Kahiu. 

Seu paradoxo é que agora ela terá de se esforçar para que ninguém veja seu filme, para não acabar na prisão. “Vamos nos assegurar de que ele esteja bloqueado no território queniano. Devemos demonstrar que obedecemos a lei”, afirma. “Peço que ninguém a pirateie. Que ninguém a veja em streaming. Que ninguém procure um link, porque colocaria em perigo minha liberdade e minha vida”, acrescenta. “Tenho dois filhos pequenos, que certamente preferem que sua mãe fique em casa.” 

Parece surgir então uma ponta de tristeza, mas só por uma fração de segundo.

 “Não me arrependo. Não posso lamentar ter feito este filme, porque ele honra a esperança e o amor”, afirma Kahiu, antes de se despedir com uma pergunta retórica e perturbadora. “Que direito humano é mais importante que o de amar?”

Fonte:Elpais/poliarquia


Diretor de Pantera Negra deseja fazer spin-off centrado nas mulheres de Wakanda

CINEMA 

 Por Katiúscia Vianna 

Nova princesa queridinha da galera, Letitia Wright já topou a ideia!

....."As mulheres de Pantera Negra podem ser consideradas até mais importantes que os homens presentes na aventura".....

Pantera Negra deu um show de representatividade como o primeiro filme de um super-herói negro da Marvel. Porém, não parou por aí... Também é um grande exemplo de 
empoderamento feminino, ao trazer personagens fortes como Nakia (Lupita Nyong'o), Shuri (Letitia Wright) e as integrantes do Dora Milaje, exercito feminino líderado por Okoye (Danai Gurira). Logo, já tem uma torcida para ver essas moças ganhando suas próprias aventuras nas telonas.
Durante entrevista para a imprensa durante o Festival de Cannes, o diretor Ryan Coogler demonstrou ter muito interesse em comandar um spin-off focado nas mulheres poderosas de Wakanda: "Ia ser maravilhoso se aparecer essa oportunidade. Eles fizeram isso nos quadrinhos. Essas atrizes poderiam carregar seus próprios filmes facilmente. Eu veria com certeza!"
No bate-papo, o cineasta também aproveitou para ressaltar como as mulheres de Pantera Negra podem ser consideradas até mais importantes que os homens presentes na aventura: "Tem toda uma parte do longa onde T'Challa (Chadwick Boseman) desaparece e você segue os passos das mulheres. Essa é uma das minhas partes favoritas e eu não esperava isso."
Obviamente, tal ideia já virou um dos assuntos mais comentados nas redes sociais e ganhou apoio de muitas pessoas, inclusive Letitia Wright. Através de um post no twitter, a intérprete de Shuri afirmou "Estou pronta, grande irmão!"
Ainda em exibição em alguns cinemas brasileiros meses após seu lançamento, Pantera Negra já arrecadou mais de US$ 1.3 bilhões nas bilheterias mundiais. Ao mesmo tempo, Chadwick Boseman, Danai Gurira e Letitia Wright também marcam presença em Vingadores: Guerra Infinita - que está quebrando recordes por aí.
Fonte: adorocinema

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