segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Novo fundo criado pelas Nações Unidas beneficiará pessoas com deficiência

Iniciativa, lançada este mês, vai ajudar os países a promover melhorias nas políticas voltadas às pessoas com deficiência

Christopher HerwigAs Nações Unidas, por meio de parceria entre algumas de suas agências, criaram um novo fundo que irá promover os direitos das pessoas com deficiência. A iniciativa visa apoiar os países na melhoria das políticas, na compilação de dados e na prestação de serviços a esse público.
O UN Partnership to Promote the Rights of Persons with Disabilities Fund, lançado este mês, vai facilitar o diálogo entre os governos e as organizações que atendem pessoas com deficiência a fim de estimular uma ação nacional contra a discriminação e a marginalização.
“A constatação de que deficiência e desenvolvimento estão interligados persuadiu os Estados-Membros das Nações Unidas a adotar, em 2006, a Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiências,” disse Rebeca Grynspan, Administradora-Adjunta do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), que atuará como Secretária Técnica do Fundo.
“Esse acordo foi um marco fundamental para o movimento dos direitos das pessoas com deficiência e serviu como um instrumento poderoso, possibilitando o que Kofi Annan chamou de uma ‘nova era’, em que pessoas com necessidades especiais não terão mais que lidar com a discriminação e com atitudes que prevalecem há muito tempo. Esse fundo se apoia na promessa da comunidade internacional de acabar com a exclusão social dessas pessoas”, acrescentou Grysnpan.
Mais de um bilhão de pessoas, ou aproximadamente 15% da população mundial, vivem com algum tipo de deficiência, de acordo com o Relatório Mundial sobre Deficiência publicado no começo do ano pela Organização Mundial da Saúde (OMS) e pelo Banco Mundial.
O governo australiano já contribuiu com aproximadamente US$ 2 milhões, sendo que mais contribuições são esperadas nos próximos meses. No lançamento do fundo em Nova York, representantes da Finlândia, da Suécia e do governo do estado de São Paulo também se comprometeram a contribuir com a iniciativa.
As agências da ONU parceiras no fundo são: a Organização Mundial do Trabalho (OIT), o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUR), o Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (UNDESA), o PNUD, o  Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) e a OMS.

ONU Mulheres seleciona consultoria para organização das ações para o Rio + 20

A ONU Mulheres Brasil e Cone Sul seleciona, até 22 de janeiro, consultoria para das apoio as atividades relacionadas a Conferência Rio + 20. A/O profissional contratado será responsável pelas atividades paralelas a Conferência que serão realizadas pela ONU Mulheres, entre elas, o Fórum de Mulheres Líderes.
A oportunidade exige graduação em Ciências Políticas, Ciências Sociais ou Relações Internacional, Gerenciamento de Negócios entre outros. Pelo menos três anos de experiência progressiva na área de coordenação de eventos ou projetos de cooperação em nível nacional e internacional. Fluência em português e inglês e outros requisitos. Para saber mais informações, consulte o termo de referência http://www.unifem.org.br/sites/700/710/00002182.pdf
 
As pessoas interessadas deverão enviar currículo no formulário
 
e proposta financeira para consultoria, até 22 de janeiro de 2012, para unwomenbra.hr@unwomen.org, com o texto “(name of the candidate) – Rio + 20”, como assunto da mensagem.
 
Fonte : UNIFEM

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Kwanzaa um Natal Afro-americano

 
 
 
O natal de muitos Afro-americanos é comemorado em 26 de dezembro, nesta data muitos comemoram o Kwanzaa, uma festa que se originou na época do movimento pelos direitos civis na década de 1960. Uma comemoração do patrimônio da Afrohumanidade. Kwanzaa uma palavra africana da língua suaíli idioma banto com o número maior de falantes. Na África tradicional Kwanzaa representa as primeiras colheitas; na América do Norte e Caribe os participantes dessa festa são afrodescendentes.
Esta celebração está a espalhar-se lentamente pelos Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e Caribe e já se podem enviar postais a desejar “Feliz Kwanzaa”. Toda a celebração e os rituais da Kwanzaa foram concebidos após as famosas e terríveis revoltas de Watts, em 1966. Ele buscou em remotas tradições africanas valores que fossem cultivados pelos afro-americanos naqueles terríveis dias de lutas pelos direitos civis, de assassinatos de seus principais líderes e que, não sendo religiosos, pudessem atrair - como atraíram - todas as Igrejas Negras em todo o país e, no futuro, pelo mundo afora. O Kwanzaa foi idealizado por Maulana Karenga, que organizou a Kwanzaa em torno de 5 atividades fundamentais, comuns às celebrações africanas da colheita das primeiras frutas:
  • a reunião da família, de amigos, e da comunidade;
  • a reverência ao criador e à criação, destacadamente a ação de graças e a reafirmação dos compromissos de respeitar o ambiente e "curar" o mundo;
  • a comemoração do passado honrando os antepassados, pelo aprendizado de suas lições e seguindo os exemplos das realizações da história;
  • a renovação dos compromissos com os ideais culturais mais altos da comunidade como a verdade, justiça, respeito às pessoas e à natureza, o cuidado com os vulneráveis e respeito aos anciões;
  • a celebração do "Bem da Vida" que é um conjunto de luta, realização, família, comunidade e cultura.
 
Karenga, diz que, "a Kwanzaa é celebrada através de rituais, diálogos, narrativas, poesia, dança, canto, batucada e outras festividades". O Kwanzaa envolve a reflexão sobre a valorização da comunidade, das crianças e da Vida. Estas atividades devem demonstrar os sete princípios, Nguzo Saba em suaíli:
  1. umoja (unidade)
  2. kujichagulia (autodeterminação)
  3. ujima (trabalho coletivo e responsabilidade)
  4. ujamaa (economia cooperativa)
  5. nia (propósito)
  6. kuumba (criatividade)
  7. imani (fé)
A cada dia uma vela de cor diferente deve ser acesa num altar onde são colocadas frutas frescas, uma espiga de milho por cada criança que houver na casa. Depois de acesa a vela, todos bebem de uma taça comum em reverência aos antepassados, e saúdam com a exclamação “Harambee”, que tanto significa "reúnam todas as coisas" como "vamos fazer juntos". A grande festa é a de 1 de janeiro, quando há muita comida, muita alegria e onde cada criança deve ganhar três presentes que devem ser modestos: um livro, um objeto simbólico e um brinquedo.
Criado como um ritual para a época da colheita e usando a língua suaíli, Kwanzaa dura uma semana, durante o qual os participantes se reúnem com a família e amigos para trocar presentes à luz de uma série de velas pretas, vermelhas e verdes que simbolizam os sete valores básicos dos Afro-americanos vida familiar que é a unidade, autodeterminação trabalho coletivo e responsabilidade, economia cooperativa, propósito criatividade e fé. 
Os dias que antecederam a Kwanzaa são para decorar a casa com enfeites de papel preto, vermelho e verde. Nesta festa se ensina a criança sobre sua cultura e historia. Eles colocam fotografias da atual geração da família. A celebração dura sete dias e termina com uma festa que tem alimentos africanos, e muita música. No final da festa, quando todos tiverem terminado de comer, eles todos se levantam, se comprometam com os sete princípios do Kwanzaa. 
Feliz Kwanzaa! 
Por Hernani Francisco da Silva
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Referências: 
Kwanzaa- Wikipédia, a enciclopédia livre.


Enviado por Zelia Lima - Mulher Negra - militante política, feminista /Zona da Mata -Juiz de Fora

 

Blogueiras Feministas

O Geledés – Instituto da Mulher Negra foi criado em 30 de abril de 1988. É uma organização política de mulheres negras, que tem por missão institucional a luta contra o racismo e o sexismo além da valorização e promoção das mulheres negras. O Instituto atua em diversas áreas relacionadas a questão racial como: educação, direitos humanos, violência, gênero, comunicação, saúde, políticas públicas e mercado de trabalho. Em todos esses temas, o Geledés desenvolve projetos próprios ou em parceria com outras organizações de defesa dos diretos de cidadania.
Portal Geledés é a face do Instituto da Mulher Negra na internet e uma das melhores fontes atuais sobre a questão racial em língua portuguesa, com notícias diárias sobre racismo, sexismo, consciência negra, cultura e  preconceito no Brasil e no mundo. No portal é possível encontrar diversos artigos sobre a questão racial no Brasil; planos de aula para professores entre outros documentos importantes para consolidar a discussão sobre o racismo e a defesa da cidadania. O Portal Geledés é o espaço de expressão pública das ações realizadas pela organização no passado e no presente e de seus compromissos com a defesa intransigente da cidadania e dos direitos humanos.
Sueli Carneiro - Portal Geledés
Sueli Carneiro, que esteve presente no nosso Encontro Nacional em 2011, é coordenadora executiva do Portal Geledés. Além de filósofa e doutora em Educação pela Universidade de São Paulo. No artigoRaça, cultura e classe no Brasil, Sueli aponta diversas contradições que impregnam o racismo brasileiro:
A fragilidade da democracia racial brasileira evidencia-se também quando se constata a desigualdade nas decisões judiciais: dados coletados em processos criminais em São Paulo atestam que negros e brancos sofrem penas diferentes para os mesmos crimes: processos referentes a roubo qualificado, por exemplo, mostram que 68,8% dos réus negros e 59,4% dos brancos foram condenados. Mesmo entre réus que constituem advogado particular, a diferença persiste: a defensoria particular logrou obter absolvição para 60% dos réus brancos, más apenas 27% dos negros foram absolvidos. Em 480 processos analisados, 27% dos brancos respondiam em liberdade e somente 15% dos negros encontravam-se na mesma situação.
No Estado do Maranhão, onde a população negra representa perto de 80% da população total, encontramos um dos maiores índices de esterilização feminina do país: 75% das mulheres maranhenses em idade reprodutiva estão esterilizadas. Em contrapartida, em Estados de maioria branca, como por exemplo no Rio Grande do Sul, o índice de esterilização de mulheres fica abaixo da média nacional, que é de 44%. Embora a incidência de miomas em mulheres negras seja substancialmente maior em relação às brancas, há uma proporção excessivamente elevada de mulheres negras histerectomizadas: 15,9% contra 3,6% das brancas: úteros desvalorizados, a poucos interessa preservar. Por outro lado, há maior incidência de perdas fetais entre mulheres negras: (17,%), do que entre as brancas, (10%).
A discriminação do negro nos instrumentos didáticos ou pedagógicos é apenas um aspecto da desigualdade no acesso à educação, que se manifesta nos índices superiores apresentados pelos negros quanto a repetência e evasão escolar, e nos índices de analfabetismo e a participação percentual ínfima nos níveis universitários. Articulada com a discriminação no acesso à educação, encontramos no mercado de trabalho a divisão racial do trabalho, encarregada de frear qualquer esforço de mobilidade social para o negro.
Assim sendo, para além da dominação de classes convive-se com a dominação de raça. Se a luta de classes sem trégua que se trava no Brasil tem por sentido estratégico assegurar os privilégios das classes dominantes, a violência racial funciona como mecanismo insubstituível de garantia de todas as posições de mando e de poder no país para o grupo étnico dominante, ou seja, os brancos. O resultado concreto destas práticas sociais é o fato de que os negros estão fora de todas as instâncias de poder da sociedade brasileira.
Portanto, no Brasil desenvolveu-se uma forma muito mais sofisticada, perversa e competente de racismo, através da qual, a intolerância racial mascarou-se em igualdade de direitos no plano legal e concretizou-se na absoluta desigualdade de oportunidades no plano das relações sociais concretas.
O racismo brasileiro está presente em situações cotidianas, mascarado por nossa pretensa falta de conflito. Por isso precisamos repensar nossas próprias atitudes, além de apoiar e divulgar ações de mulheres negras na internet. Dentro do nosso grupo há a busca pela reflexão em relação as mulheres negras e o desejo de buscar sempre o caminho da diversidade.
Charô e Lara Januário, blogueiras no encontro do LuluzinhaCamp em São Paulo/2009. Foto de Lidi Faria no Flickr em CC, alguns direitos reservados.
Outros sites e blogs que trazem a voz da mulher negra para a internet são:
  • Sem Medida, blog de culinária da Lara Januário.
Se você souber de outros blogs e sites sobre mulheres negras indique nos comentários. E participe da nossa Blogagem Coletiva com o tema Dia da Consciência Negra. Dias 20 e 21 de novembro escreva um post no seu blog sobre o tema e nos envie o link. Ele entrará numa lista de posts participantes que será publicada no dia 22/11.

Morte de negros por homicídio subiu 23,4% em oito anos

por Daiane Souza

A taxa de mortalidade de negros por homicídio no Brasil registrou aumento de 23,4% em 2010 em relação a 2002. A informação faz parte do Mapa da Violência 2012: os novos padrões da violência no Brasil realizado pelo Instituto Sangari e divulgado esta semana pelo Ministério da Justiça. Em um recorte feito por raça e cor, o estudo mostra que enquanto pessoas brancas são cada vez menos vítimas de homicídios, as ocorrências registram cada vez mais o crescimento dos assassinatos contra negros.
Segundo o Mapa, em 2002, o número de vítimas negras era de 26.952. Em 2006, o índice foi de 29.925 e de 33.264, em 2010.  Destas, 15.008 mortes foram registras na Região Nordeste somente no último ano, onde 1.846 aconteceram em Alagoas e 1.699 Paraíba, os estados com os maiores índices do país. Os quantitativos dessa população entre os anos estudados foram obtidos a partir de projeções realizadas pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) e pelo Instituto Brasileiro de Geografia (IBGE).
Em relação aos brancos, as taxas representaram queda na última década, de 18.852 para 13.668. O número de vítimas que era de 20,6 em cada 100 brancos, em 2002, passou a ser de 15,0 o que representa uma queda da ordem de 27,5%.

Intencionalidade – Nos últimos 30 anos, 1.091.125 pessoas foram vítimas de morte por agressão propositada no país. De acordo com Julio Waiselfisz, diretor de pesquisas do Instituto Sangari, o estudo comparou os dados aos maiores conflitos internacionais do último século. “Comprovamos que no Brasil, sem conflitos de qualquer ordem, mata-se mais gente que muitos conflitos armados no mundo. É como se, só por homicídios, tivéssemos matado a mesma população vítima da Bomba Atômica”, explica.
Para Eloi Ferreira de Araujo, presidente da Fundação Cultural Palmares, a situação é grave, pois os dados tratam de uma situação específica de mortalidade onde as principais vítimas são negras e jovens. “Os dados mostram a necessidade de ações emergenciais por parte do Estado. Não podemos deixar que esses números continuem crescendo”, afirma. “A juventude negra precisa de igualdade de direitos e oportunidades para mudar, sair desta condição de vulnerabilidade”, ressaltou.

Lógica homicida – Em entrevista coletiva na terça-feira, 14 de dezembro, Waiselfisz apresentou uma nova realidade em relação a lógica da violência homicida no Brasil. Segundo ele, os padrões de mortes violentas mudaram radicalmente nos últimos dez anos “A violência era previsível. Hoje os homicídios surpreendem aos pesquisadores com fatos inesperados”, ressaltou o especialista.
Waiselfisz comenta que há poucos anos era possível saber o que aconteceria no ano seguinte, em que estados e em que locais seriam registrados acréscimos de violência. Com as mudanças detectadas por meio do Mapa atual, será necessário que o Estado pense novas políticas para o combate à violência e a redução do índice de mortes propositadas. Uma das mudanças na lógica homicida foi que este tipo de violência, que era centrado nos grandes pólos urbanos, passou a migrar para o interior dos estados.
Em números absolutos, os homicídios documentados pelo Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM/MS) passou de 45.360 para 49.932 entre os anos de 2000 a 2010. Enquanto as capitais registraram queda no número de assassinatos – 32339 para 28797 – as regiões de interior apontaram o crescimento de 8.114 homicídios no número de casos. O dado que em 2000 era de 3.021 mortes passou para 21.135 registradas em 2010.

Fonte : Fundação Palmares

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