sexta-feira, 11 de maio de 2018

Lançado Comitê para a Prevenção de Homicídios de Adolescentes no Rio de Janeiro


O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) reuniu 22 instituições públicas, institutos de pesquisa e movimentos sociais para criar o Comitê para a Prevenção de Homicídios de Adolescentes no Rio de Janeiro. A iniciativa foi lançada ontem  (10) e é a segunda do tipo no Brasil, seguindo o exemplo do Ceará.

O lançamento foi marcado pela apresentação de dados alarmantes sobre esses homicídios, além de relatos de jovens negros e de uma mãe que teve o filho assassinado aos 19 anos.
Segundo o Unicef, 335 adolescentes foram assassinados na cidade do Rio de Janeiro em 2016, e 269 deles eram negros. O Brasil é país do mundo que mais mata adolescentes em números absolutos. Em 2015, foram 11.403 assassinatos de pessoas de 10 a 19 anos. O patamar supera todas as mortes desse tipo registradas em todos os países do continente asiático, o que inclui nações em conflito, como a Síria.

A representante do Unicef no Brasil, Florence Bauer, destacou que a situação do país é grave a nível internacional, com o registro de 28 mortes de adolescentes por dia.
"Atualmente, é mais perigoso ser adolescente do que ser adulto no Brasil. A probabilidade de ser assassinado sendo adolescente mais é alta do que sendo adulto", disse. "O Brasil fez muito na redução da mortalidade infantil. Vocês salvaram milhares de vidas a cada ano de crianças que não morreram antes dos seis anos. Agora, elas estão morrendo na adolescência".

O grupo se reunirá com regularidade para estudar o perfil dessas mortes no estado e propor soluções para preveni-las. Participam órgãos como o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Defensoria Pública estadual, três comissões da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, as secretarias estaduais de direitos humanos e segurança pública e a prefeitura do RIo de Janeiro. Pelo lado da sociedade civil, integram o grupo entidades como o Movimento Moleque, o Observatório de Favelas e o Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente.

Ceará
A experiência da Unicef com o comitê do Ceará começou em 2016, quando foi mapeado que Fortaleza era a capital brasileira com a maior letalidade violenta de adolescentes. O trabalho realizado permitiu identificar a trajetória desses adolescentes vitimados, o que evidenciou que, além de negros e pobres, eles também estavam, em muitos casos, afastados da escola há mais de seis meses.
"Isso permite orientar a politica pública. Ficamos sabendo que a escola, além de ser importante para a formação da criança e do adolescente, é uma forma também de proteção", disse Florence, que contou que os dados ajudaram a fortalecer as ações de busca ativas por crianças e adolescentes que estão fora da escola.

Texto e fonte : Agência Brasil 

quinta-feira, 10 de maio de 2018

“Doença mental materna ainda é associada a ser ‘uma mãe ruim”

Foto: Internet
Psicólogos apontam para riscos dos preconceitos em torno dos transtornos como depressão pós-parto. 
Uma em cada cinco mulheres experimenta transtorno do estado de ânimo na gravidez ou maternidade


O reconhecimento do Dia Mundial da Saúde Mental Materna esta sendo organizado por  Associações e organizações de países de todo o mundo para que a primeira quarta-feira de maio de todos os anos seja considerada mais uma data de conscientização .

Uma reivindicação organizada em torno da Global Alliance for Maternal Mental Health um conjunto de  organizações internacionais empenhadas em melhorar a saúde mental e o bem-estar das mulheres e dos seus filhos durante a gravidez e no primeiro ano pós-natal (o “ período perinatal” ) em todo o mundo.

Diantes os estigmas da responsabilidades imputadas as mães, quando surgem  transtornos mentais relacionados à maternidade são diretamente escondido pelas próprias mães, por ser submetidas à crença de que a maternidade só pode trazer consigo sentimentos relacionados de felicidade, paz e ganhos. 

Daí a importância de enfatizar o problema neste Dia das Mães, celebrado no Brasilpróximo domingo, 13 de maio,  data também da abolição da escravatura brasileira.

Qualquer mulher, independentemente de sua cultura, idade, nível de renda e etnia, está exposta a desenvolver transtornos do humor e de ansiedade perinatal que podem aparecer a qualquer momento da gravidez ou durante o ano seguinte ao parto.

Não por acaso, segundo dados da própria Global Alliance, estima-se que em muitos países até uma de cada cinco novas mães experimenta algum tipo de transtorno do estado de ânimo e ansiedade perinatal (PMAD), uma cifra que aumenta no caso de perdas perinatais. 

"A sociedade existe uma idealização da maternidade junto com um estigma da doença mental materna, associado com ser uma mãe ruim, o que chega a impedir as mulheres que se sentem angustiadas, incapazes, tristes, culpadas ou com medo de comentar isso com sua família ou profissionais de referência”, reflete Isabel Echevarría, psicóloga perinatal e membro do grupo de trabalho de Psicologia da Ordem Oficial de Psicólogos de Madri (COP, na sigla em espanhol), que aderiu a essa iniciativa mundial.

Um tema oculto e minimizado

Para a psicóloga, a problemática da saúde mental materna se ampliou nos últimos anos. Um aumento para o qual, segundo ela, confluem vários motivos: 

“Cada vez se tem mais consciência de sua existência, o que torna mais fácil para os profissionais detectar o problema, elevando assim o número de diagnósticos. Mas é preciso acrescentar que a sociedade em que vivemos dificilmente é compatível com o ritmo biológico da gravidez e da lactância, existindo pouca rede de apoio para as mulheres, que na maioria dos casos se encontram sem um grupo no qual se apoiar e com o qual compartilhar, o que aumenta o nível de estresse e mal-estar”.

 Segundo estimativas, 70% das mulheres escondem ou minimizam seus sintomas, algo que, de acordo com Gabriela González, psicóloga perinatal e coordenadora do grupo de trabalho de Psicologia Perinatal da COP de Madri, poderia ser comparado com a relação que muitas mulheres têm com seu corpo, condicionada pelos modelos e as expectativas sociais: 

“Neste contexto e nesta etapa da vida, pensar a saúde mental leva a uma fratura que não pode ser contida no social, mas tampouco em nível subjetivo, que se evidencia no sofrimento de cada mãe que vê a si mesma como imperfeita, não suficientemente boa ou sem a capacidade necessária para exercer sua função materna de acordo com seus próprios modelos idealizados e, em particular, no que diz respeito a seus desejos, ansiedades e temores”.

O entorno das mães é mais uma circunstância que não contribui com a prevenção e o tratamento do problema. De modo geral, a sociedade ainda está pouco acostumada a lidar com sintomas de tristeza nas mães, quando se espera delas alegria, e demonstra ser incapaz, em muitas ocasiões, de lhe dar o apoio necessário, sendo sempre mais propensa a minimizar os problemas e não lhes dar importância. 

Para a psicóloga perinatal Gabriela González, as conotações negativas e as atitudes do entorno social e familiar diante do estigma da saúde mental “constituem uma barreira pouco permeável no que diz respeito a gerar espaços saudáveis que permitam incorporar essa problemática”. Daí que em muitas ocasiões problemas como a depressão pós-parto sejam vivenciados pelas mães em uma clandestinidade social e cultural, marcada pelo 

“traçado de uma cenografia subjetiva caracterizada pelo segredo, a culpa, a insegurança, a condenação moral, o medo e a solidão”.

Para Cristina Castaño, psicóloga perinatal e membro também do grupo de trabalho da COP de Madri, o fato de as mães não terem a possibilidade de falar sobre o que estão passando e optarem por ocultar 

“não faz com que o problema desapareça”. 

Isso sempre contribui para enraizá-lo e agravá-lo, sobretudo quando se fala de um verdadeiro problema de saúde mental que interfere na vida normal da mulher, em sua capacidade para desenvolver o novo papel de mãe e no estabelecimento do vínculo com seu bebê: 

Se o problema está aí, é importante nomeá-lo para poder intervir quanto antes. Deixar passar o tempo não o fará desaparecer. Pelo contrário, dará origem a mais dificuldades e tornará mais complexa a intervenção”.

Nesse sentido, Castaño destaca a importância de “dar um espaço à mulher, acompanhá-la e apoiá-la” para que possa levar adiante seu papel de mãe do melhor modo possível, já que as consequências de não intervir adequadamente ou de não receber os apoios necessários acabam repercutindo em toda a família. 

Repercute tanto na saúde mental de seus membros como no estabelecimento de um vínculo saudável com o bebê, o que pode afetar o desenvolvimento de sua capacidade cognitiva e até dar lugar a problemas de saúde mental”, explica.

Pôr o foco na saúde mental materna

Em alguns hospitais de países como Reino Unido, França e Austrália já existem as chamadas Unidades Mãe-Bebê, nas quais as mães e seus bebês permanecem internados juntos para que as primeiras possam receber seu tratamento sem alterar ou dificultar o estabelecimento do vínculo com os filhos. Um sistema parecido foi colocado em prática de modo pioneiro na Espanha no Hospital Clínic de Barcelona, onde foi criada uma unidade mãe-bebê para atender a mães com transtornos mentais dentro de um espaço terapêutico confortável no qual se garante a continuidade do atendimento da mãe e do bebê e a manutenção do vínculo. Apesar desse grande passo, Cristina Castaño considera que

 “na Espanha a realidade é que ainda não se dá atenção suficiente à saúde mental materna”, como demonstra o fato de que, salvo exceções, esta condição “ainda não está incluída no sistema de saúde”.

Nesse sentido, para a psicóloga seria “muito importante” que a saúde mental materna estivesse incluída “de forma rotineira” tanto no atendimento básico como nos hospitais, como parte do acompanhamento específico da gravidez:

 “Se os psicólogos perinatais pudessem estar presentes desde o princípio poderíamos detectar certos fatores de risco, certos sinais que nos indicam que essa mãe necessita de apoio, e poder intervir e facilitar todo o processo”.

Isabel Echevarría, por sua vez, concorda com a necessidade de criar mais unidades mães-bebê, de incluir nos cursos de preparação para o parto tudo o relacionado com a saúde mental e de ajudar a difundir a imagem real da maternidade. Também destaca a necessidade de destinar mais recursos a esta área “para formar todos os profissionais relacionados com a maternidade sobre a importância de respeitar o ritmo e as necessidades das mulheres e dos recém-nascidos, segundo endossam as pesquisas científicas, recordando que a gravidez não é uma doença, que o corpo da mulher está preparado para gestar, parir e criar, e que os profissionais estão lá para assistir e acompanhar, intervindo somente quando há complicação”.

                         CULTURA PARA AJUDAR A ACABAR COM O ESTIGMA


“As mães não escrevem, estão escritas”, afirmava a professora da Universidade Harvard Susan Rubin Suleiman. E essa ausência do “eu” materno contribuiu para generalizar uma imagem distorcida e idealizada da maternidade, que muitas vezes é um segredo que as mães carregam nas costas quando a realidade vai além de toda a imagem que poderia ter sido criada com a experiência.
Por sorte, livros como The Mother Knot (O nó materno), Jane Lazarre, ou La Femme Gelée (A mulher gelada), de Annie Ernaux, e de romances como No mama, no (Não mamãe, não), de Verity Bargate, contribuíram para normalizar uma maternidade mais vívida e distante do ideal canônico e pôr sobre a mesa sem tabus nem preconceitos a saúde mental materna. Um salto ao qual também se somaram outras disciplinas artísticas. Um exemplo é o da psicóloga e fotógrafa de Oviedo Íris G-Meras, premiada no XIII Encontro Fotográfico de Gijón (Espanha) e ganhadora da bolsa de estudos profissional do Seminário de Fotografia e jornalismo de Albarracín por seu trabalho fotográfico Puerpério, um conjunto de autorretratos da própria maternidade.
“Este projeto surge da necessidade de compartilhar uma experiência neste período complexo da vida, dadas as carências no relato que tradicionalmente nos apresentaram. Para mim contribuiu com muitas coisas em nível profissional, mas acho que o mais bonito surge quando, ao mostrar as imagens, você se conecta com muitas pessoas, homens e mulheres com os quais compartilha experiências. Você reflete e aprende”, diz Íris, que afirma que suas experiências de puerpério foram diferentes com cada um de seus filhos, embora todas tenham tido algo em comum; “Sempre foram experiências muito intensas, profundas e viscerais que, graças a este trabalho, entre outras, muitas outras coisas, acho que estão sendo resolvidas de forma muito positiva”.

Fontes: globalalliancematernalmental/ Elpais/

terça-feira, 8 de maio de 2018

Demora no diagnóstico de câncer leva à mastectomia em 70% dos casos

O alerta é da Sociedade Brasileira de Mastologia

Por Ludmilla Souza - Repórter da Agência Brasil

A Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM)  alerta que em 70% dos casos de câncer de mama diagnosticados no país a mulher passa por uma mastectomia (remoção total da mama). O principal motivo é que a doença é identificada em estágio avançado. 
Para a sociedade, esse índice está ligado à dificuldade do diagnóstico precoce e demora ao acesso a consultas, exames, biópsia e tratamento. Pesquisas internacionais apontam que se o tumor é descoberto logo no início – com menos de 2 centímetros – as chances de cura podem chegar a 95%, conforme a sociedade.
“Isso é um problema muito ligado à questão econômica com dois problemas básicos: a disponibilidade dos recursos, dos exames, a qualidade dos equipamentos e dos resultados. A limitação do acesso é um problema muito sério no nosso país, as mulheres no SUS [Sistema Único de Saúde] passam por uma verdadeira 'via crucis' que é conseguir consulta num posto de saúde, conseguir um pedido de exame e depois realizá-lo. Com o diagnóstico tardio, a agressividade do tratamento é maior”, disse o presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia, Antônio Frasson.
Para Frasson, a queda na busca pelos exames está relacionada também ao fato de muitos brasileiros estarem sem emprego ou terem perdido a cobertura de plano de saúde.
“Quando a gente observa o número de mulheres que vem fazendo exames, esse número, em vez de aumentar, vem caindo. Isso é muito ligado à questão econômica, questão da falta de recursos, estamos falando isso no sistema público e no sistema privado. Com a crise, muita gente perdeu o acesso, o convênio”.
De acordo com o Ministério da Saúde, estados e municípios têm autonomia para organizar a rede de atendimento "e o tempo para realizar diagnóstico depende da organização e regulação desses serviços". "Em 2017, foram realizados no SUS 4,04 milhões de mamografias de rastreamento, sendo 2,6 milhões na faixa etária prioritária preconizada pela Organização Mundial da Saúde, que são mulheres de 50 a 69 anos.  Além disso, também houve aumento de 100% dos valores repassados para exames essenciais para o diagnóstico e para a decisão médica do tratamento dessa doença".  Conforme a pasta, o repasse de recursos federais para tratamento passou de R$ 2,2 bilhões em 2010 para R$ 4,6 bilhões em 2017.

Cirurgias menos invasivas

Foto : Internet 
Com intuito de preservar as mamas, médicos têm adotado técnicas que permitem, por meio de um acesso pequeno (pela borda da aréola e mamilo ou pelo sulco mamário) fazer a retirada dos tumores, com menor risco de complicações e melhores resultados estéticos.
De acordo com o mastologista, incisões escondidas podem ser feitas na retirada total da mama ou quando é retirado somente o tumor com margem livre. Esse tipo de cirurgia evita que a mulher tenha o estigma de uma cirurgia radical, com cicatrizes no meio do seio.
“A pessoa faz cirurgia, e pode fazer radioterapia, quimioterapia ou hormonioterapia. A associação das múltiplas terapias faz com que um tratamento exclusivo seja menos utilizado e isso ajuda muito no avanço das técnicas cirúrgicas, fazendo com que o tratamento cirúrgico passe praticamente desapercebido”.
Durante a Jornada Brasileira de Oncoplástica, ocorrida em São Paulo no mês passado, profissionais da área focaram na qualificação de técnicas cirúrgicas de reconstrução mamária. “Durante o evento, especialistas internacionais e nacionais realizaram as cirurgias em um hospital e as imagens foram transmitidas ao vivo para uma plateia de médicos que puderam participar discutindo as melhores opções”, disse Frasson.
A dona de casa Ruth Pereira Waiteman foi uma das pacientes. Há dois anos, ela passou pela mastectomia da mama esquerda, em seguida, colocou a prótese, fez quimioterapia e radioterapia. Após a retirada, surgiram nódulos na mama direta, o que a levou a retirar a glândula mamária direita. A reconstrução das duas mamas, segundo ela, foi um presente de aniversário, ao ter sido feita no dia 20 de abril, quando completou 65 anos. “Fiz a reconstrução porque acho que ainda me sinto nova, sou ativa e isso fez muito bem. Não é totalmente pela estética, mas é pelo meu conforto e meu bem-estar. Sinto que fechei um ciclo, foi um presente”

Espera pela cirurgia

Enquanto Ruth comemora, muitas mulheres ainda esperam pela cirurgia de reconstrução, como a faxineira Aparecida de Fátima de Souza Augusto, de 49 anos.
Em 2016, ela passou por uma mastectomia do seio esquerdo, no Instituto Nacional de Câncer (Inca), no Rio de Janeiro. Desde outubro do ano passado, está apta para a reconstrução, mas o procedimento deve levar ainda pelo menos dois anos para ocorrer. “Já estou livre do câncer, fui bem tratada no Inca, mas acho que demora muito. Daqui a dois anos ainda, é muito tempo, poderia ser mais ágil”, lamenta.
Embora já tenha se acostumado com a situação, passar pela reconstrução será importante para auto estima. “Hoje já estou mais acostumada a não ter o seio, mas acho muito difícil”.
A lei que prevê reconstrução mamária imediatamente após mastectomia completou cinco anos em abril. A Lei 12.802 prevê que pacientes submetidas a mastectomia têm o direito de realizar a reconstrução mamária por meio do Sistema Único de Saúde (SUS) imediatamente após a retirada do tumor. A SBM afirma que apenas 20% das 92,5 mil mulheres que retiraram as mamas entre os anos de 2008 e 2015 passaram pelo procedimento de reconstrução. De acordo com a instituição, a reconstrução mamária imediata é viável em cerca de 90% dos casos.
Em nota, o Ministério da Saúde informou que "segundo a mesma lei, quando não houver indicação clínica para realização dos dois procedimentos ao mesmo tempo, a paciente será encaminhada para acompanhamento e terá garantida a realização da cirurgia após alcançar as condições clínicas necessárias. Sendo assim, cabe à equipe médica responsável pela paciente avaliar se é possível realizar os dois procedimentos no mesmo ato cirúrgico. A decisão é tomada com base em diversos fatores, como a condição da área afetada para evitar infecção ou rejeição da prótese e a vontade da própria paciente. Em alguns casos, é necessária a radioterapia ou quimioterapia antes da reconstrução mamária ser realizada".
Conforme o ministério, em 2013, foram feitas 11.931 cirurgias de mastectomia e 3.411 de reconstrução mamária no SUS. Em 2017, dados preliminares, foram 10.186 mastectomias e 3.413 reconstruções mamárias. Os investimentos federais para a reconstrução mamária passaram de R$ 2,21 milhões, em 2013, para R$ 2,39 milhões no ano passado. 
Há também desconhecimento das mulheres sobre a legislação. Pesquisa da Federação Brasileira de Instituições Filantrópicas de Apoio à Saúde da Mama (Femama), em parceria com o Hospital Moinhos de Vento, de Porto Alegre (RS), a Johnson & Johnson Medical Devices e o instituto Ideafix mostrou que de 468 mulheres entrevistadas apenas 27,6% disseram conhecer bem a lei. Conforme a pesquisa, 74,8% das entrevistadas que trataram o câncer no sistema privado fizeram a cirurgia de reconstrução mamária e 53,4% das pacientes do sistema público passaram pelo procedimento.
“Imediata ou não, a cirurgia de reconstrução é um direito de toda paciente de câncer de mama que passou por mastectomia durante o tratamento da doença. Esse direito deve ser exigido junto ao SUS e aos planos de saúde e discutido com o médico antes da realização da cirurgia ou a qualquer momento após o procedimento de retirada do tumor, no caso de uma reconstrução tardia”, disse a presidente da Femama, Maira Caleffi.

Desigualdade social impede fim da hanseníase na América Latina -"Mulheres mais suscetíveis"

Condições de moradia, baixa renda e falta de organização no setor de saúde estão entre os principais fatores, aponta estudo da USP

Reprodução BLOG Mulher Negra 
Por  04/05/18

Entre os desafios para a erradicação da hanseníase no Brasil, pesquisadores da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto (EERP) da USP encontraram desigualdades sociais, como baixas condições de moradia, de renda e educação precária. Esses determinantes sociais aparecem relacionados a casos de hanseníase detectados na tríplice fronteira Brasil, Argentina e Paraguai, região sul.
A análise foi feita a partir do diagnóstico de 840 pacientes, com idade entre 15 e 59 anos, atendidos entre 2003 e 2015 no serviço de saúde da cidade de Foz do Iguaçu, Paraná. A região fronteiriça recebe grande fluxo de migrações dos países vizinhos, sendo os dados relativos somente aos doentes que passaram por atendimento brasileiro. “Infelizmente não tivemos acesso aos dados de Paraguai e Argentina, pois estes países não apresentam os dados informatizados e são de difícil acesso, até mesmo pelo sistema de saúde ser diferente do existente no Brasil”, relata o professor Ricardo Arcêncio, um dos autores de estudo.
Mesmo assim, os pesquisadores acreditam que essas informações ajudem a explicar o mapa da hanseníase na região. Às condições sociais, soma-se a importação de doentes argentinos e paraguaios que vêm ao Brasil em busca de cuidados médicos.
O professor da USP afirma que esses pacientes utilizam as unidades de atendimento do lado brasileiro, tanto do serviço público quanto do privado, porque o Brasil é “o único país da América Latina com um sistema nacional de saúde”. No Paraguai, por exemplo, “somente 50% da população possui saneamento básico e aquele país tem o pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da América do Sul”.

Mulheres mais suscetíveis e baixa escolaridade

Esta pesquisa não observou diferença significativa na incidência da hanseníase quanto ao sexo, mas outros estudos já demonstram que pode ocorrer aumento da incidência da hanseníase em mulher. Arcêncio comenta que, devido à estigmatização da doença, a vergonha em procurar ajuda médica por parte dos homens (que em geral já acessam menos o serviço de saúde) poderia explicar o maior número de diagnósticos em mulheres e, consequentemente, de notificações de casos novos.
Outro fator que pode ser considerado nesta questão é o do convívio familiar. “Na maioria das famílias a mulher tem a função de cuidadora, dona do lar e o contato com os moradores do domicílio é direto e prolongado”, lembra o professor. 
Entre os motivos para o estigma, o pesquisador cita medo da rejeição da família, dos amigos, das pessoas do seu ciclo social; medo de contaminar outras pessoas, o que acarreta o diagnóstico tardio; as incapacidades e o aumento da cadeia de transmissão da doença. Falar abertamente sobre a doença no cotidiano dos territórios – seja por profissionais de saúde e líderes comunitários ou pela educação popular – é um recurso para superar o problema.
A baixa escolaridade também aparece no estudo como fator relevante. Dos pacientes diagnosticados, 60% possuem ensino fundamental incompleto, o que impacta em oportunidades para uma condição de vida melhor e, consequentemente, maior vulnerabilidade para a hanseníase. Arcêncio argumenta que a escolaridade é componente importante nos processos saúde-doença de forma geral. Menor escolaridade tende a menores oportunidades sociais e vulnerabilidade “não somente à hanseníase mas também a outras doenças negligenciadas”.
Apesar do estudo evidenciar relação muito forte da hanseníase com os determinantes sociais ou com “as iniquidades”, o professor lembra que “todos, independente de classe social, estão vulneráveis à hanseníase”.

Hanseníase

A hanseníase, também conhecida como lepra, é uma doença infecciosa, crônica e incapacitante que afeta o sistema nervoso central e causa graves neuropatias que geram deformidades e incapacidades físicas. Pode ser transmitida pelas gotículas de saliva no ar presente na respiração e se manifesta  principalmente em países em desenvolvimento, como o Brasil.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2015 o País ocupava o segundo lugar em número de ocorrências, com uma taxa de 14,6 casos por 100 mil habitantes. Por esses números e por não ter atingido a meta da OMS de um caso por 10 mil habitantes, o Brasil é considerado prioritário para o controle da hanseníase.
Ainda segundo a OMS, a detecção de casos novos, no estado do Paraná e no Brasil, vem caindo a uma taxa anual de 4%. Entretanto, os pesquisadores da EERP questionam se esses resultados demonstram real diminuição ou refletem as subnotificações, pelas dificuldades no acesso aos serviços de saúde. Arcêncio lembra que há poucos estudos no Brasil com esse enfoque, e que os resultados das análises que apresenta agora objetivam ajudar no planejamento de ações de erradicação da hanseníase, principalmente nas regiões da tríplice fronteira.
O estudo faz parte do doutorado da professora Ivaneliza Simionato de Assis, em andamento na EERP, com orientação do professor Ricardo Arcêncio. Também estão no artigo Social determinants, their relationship with leprosy risk and temporal trends in a tri-border region in Latin America, publicado na edição de abril da revista Plos One Neglected Tropical Disease. Ao lado de Arcêncio e Ivaneliza, assinam a publicação os pesquisadores Marcos Augusto Moraes Arcoverde, Antônio Carlos Viera Ramos, Luana Seles Alves, Thais Zamboni Berra, Luiz Henrique Arroyo, Ana Angélica Rêgo de Queiroz, Danielle Talita dos Santos, Aylana de Souza Belchior, Josilene Dália Alves, Flávia Meneguetti Pieri, Reinaldo Antônio Silva Sobrinho e Ione Carvalho Pinto.

Estratégia Global de Hanseníase

A OMS e a Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) criaram a Estratégia Global de Hanseníase 2016-2020, com diretrizes para ações que detectem precocemente a enfermidade e para fornecer tratamento imediato para prevenir e reduzir a transmissão. A estratégia foi apresentada em Palmas, Tocantins, em outubro de 2017, na primeira Conferência Livre de Vigilância em Saúde, que teve como foco a hanseníase.
O tratamento da hanseníase no Brasil é gratuito e realizado na Atenção Básica do Sistema Único de Saúde (SUS). Denominado Poliquimioterapia (PQT), consiste na associação de dois ou mais antibióticos, de acordo com a classificação operacional da doença em paucibacilar e multibacilar. O tratamento completo é extremamente importante, pois diminui a carga bacilar e diminui a cadeia de transmissão da doença, bem como previne a resistência medicamentosa.
Joice Soares, de Ribeirão Preto

quinta-feira, 3 de maio de 2018

Funcionário do Facebook é demitido após perseguir mulheres online

Vários jornais noticiaram que o Facebook confirmou dia  (1) a demissão de um funcionário acusado de abusar de seus privilégios para perseguir mulheres dentro da própria rede social. As informações de acordo com jornais as informações são da NBC. O engenheiro de software, cujo nome não foi divulgado, estaria se aproveitando de seu poder de "vasculhar" livremente o banco de dados do serviço para encontrar perfis de mulheres cadastradas no Tinder e assediá-las através do Messenger.

Quem denunciou tal situação perturbadora pela primeira vez foi Jackie Stokes, fundadora da empresa de segurança Spyglass Security. 
Na segunda-feira (30), Jackie publicou uma série de tweets afirmando ter evidências de tais perseguições e até mesmo divulgou uma captura de tela na qual uma mulher (igualmente não-identificada) é assediada pelo funcionário, que se auto-descreve como um "perseguidor profissional".

"Eu também tento adivinhar quem são os hackers na vida real… Então sou um perseguidor profissional. E, por força do hábito, eu tenho que dizer que você é difícil de encontrar", afirma o empregado. Como resposta, ele recebe o seguinte questionamento: "Então é isso que você tá fazendo agora mesmo? Tentando me perseguir na internet?". A captura de tela não exibe o desenrolar da conversa.

À NBC, Alex Stamos, diretor técnico de segurança do Facebook, afirmou que a empresa está investigando o caso com urgência.

Fontes: Terra/calnalch/oficinanet/olhardigital/eexpornews/Uol

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