quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Prefeitura de Morrinhos (GO) é acusada de racismo em prova de concurso público

Por Marcelo Albuquerque 


Curta Mais News teve acesso com exclusividade aos documentos. “Negro parado é suspeito, correndo é ladrão, voando é urubu” e “Negro só tem de gente os dentes”, foram algumas das opções de resposta da prova

Uma prova de conhecimentos gerais do concurso público da Prefeitura de Morrinhos (GO), realizada no último domingo (14/01), provocou reações diversas entre candidatos. Enquanto uns ficaram indignados, outros acharam graça ou ficaram indiferentes. 

O tema da avaliação era “Qual a origem do racismo?”, mas o que chamou a atenção foram as opções de respostas em várias das questões, como: “Negro parado é suspeito, correndo é ladrão, voando é urubu” e “Negro só tem de gente os dentes”. Curta Mais News teve acesso aos documentos com exclusividade.

O candidato Hélio de Araújo Júnior, que concorre a uma das cinco vagas para fiscal de postura do município com outros 580 concurseiros, se sentiu ofendido. O técnico em segurança do trabalho, que também é músico profissional, passou por vários constrangimentos desde que a prova foi distribuída na sala. “Me senti humilhado por ser o único negro em sala, algumas pessoas olhavam para mim quando chegavam na questão rindo ou abaixavam a cabeça desaprovando aquilo", desabafa o candidato. "Falei com a fiscal de sala, ela não podia se manifestar mas acabou indo até a frente e falou que nos dias de hoje as pessoas lutam pelos direitos humanos e que uma pergunta dessas foi no mínimo indiscreta e fora de contexto”, continua.

Junior entrou com processo contra a empresa responsável pelo concurso e contra a Prefeitura de Morrinhos e revela que ainda teve dificuldade de fazer a denúncia. “Foi muito difícil denunciar, você chega num órgão público e as pessoas acham isso normal. O Ministério Público da minha cidade me disse que não viu crime algum nisso”, conta.
Hélio disse ainda, com exclusividade à nossa reportagem, que foi a primeira vez que tomou esse tipo de atitude mas que já foi discriminado outras vezes. “Já passei por várias situações como esta e nunca denunciei nada e dessa vez resolvi agir porque me senti realmente num estado vexatório, você estar sentado em uma sala fazendo um concurso com outras pessoas e uma pergunta desconexa e fora do contexto. Me senti insultado e decidi tomar providências”.

Procurada pela nossa produção, a Prefeitura de Morrinhos chegou a informar que não se manifestaria, mas após a repercussão do caso divulgado com exclusividade pelo Curta Mais News, acabou enviando à nossa redação uma nota oficial. A Prefeitura, por meio da Comissão Organizadora do Concurso Público 01/2017, responsabilizou a Consuplam - empresa responsável pelo certame e pela formulação das questões e aplicação das provas.

Confira a resposta na íntegra:

"A Prefeitura Municipal de Morrinhos, por meio da Comissão Organizadora do Concurso Público 01/2017, vem a público esclarecer que não elaborou a prova que contém a polêmica questão nº 10. Prova aplicada no dia 14 de janeiro último, de conhecimentos gerais sobre: “Qual a origem do racismo?”. A administração do certame Público 01/2017, está sob responsabilidade da Empresa Privada: CONSULPAM - Consultoria Público-Privada, a quem coube a formulação das questões e aplicação das provas. Importante também registrar ainda que os agentes públicos municipais não poderiam ter conhecimento prévio do conteúdo da prova, até por questão de lisura e segurança do concurso, motivo pelo qual não houve como analisar previamente a polêmica assertiva, antes que se tornasse pública.  Inobstante isso, o Município de Morrinhos, através da prefeitura vem lamentar o ocorrido e se solidarizar com as pessoas que se sentiram ofendidas com o conteúdo pejorativo das alternativas à questão de nº10 da prova de conhecimentos gerais, e entendemos que se mostraram inoportunas, infelizes e inconvenientes. A prefeitura de Morrinhos não compactua com nenhuma forma de discriminação, seja direta e indireta, por motivos de cor, raça, gênero, preferência sexual etc. Procuramos sim, promover concretamente políticas públicas de combate aos abusos e ao racismo. A prefeitura de Morrinhos irá diligenciar junto à banca do concurso, visando tomar providências para que medidas sejam tomadas imediatamente em relação ao tema contido na questão nº 10, da prova do concurso público 01/2017".
Tentamos contato com o Instituto Consulpam, que tem sede em Fortaleza (CE), mas até o momento não tivemos retorno.

Matéria : CurtaMaisNews 


terça-feira, 16 de janeiro de 2018

Comunidade da Família Atacada, com Frases Racistas no Muro da Própria Casa, Responde com Protestos

por Mônica Aguiar

Foram três meses de ataques sofridos por uma família em Ribeirão das Neves, cidade da região metropolitana de Belo Horizonte. 

 “Senzala”, “voltem para a África” , “negros  imundos." 

No ultimo dia  11, o previsível e último ataque racista escrito contra a família negra:-  “escravos à venda” com seta direcionada para entrada da casa.

É revoltante que esse tipo de manifestação racista aconteça, ainda mais quando se trata de um Estado negro como Minas Gerais, e uma cidade repleta de trabalhadores, a maioria precários, como Ribeirão das Neves, em que 72% da população se auto-declara negra. Fala  Maria Elisa , estudante de Ciências Biológicas na UFMG .

Cansado e temendo pela integridade física da família, Ivan Ferreira que mora com sua esposa Marilene e seus três filhos,  desabafou que até então a polícia da grande BH teria se negado a aceitar a denúncia, e que foi advertido caso apresentasse  um nome que não fosse  culpado, poderia  ser processado por calúnia.

Moradores da rua revoltados alegaram  “ ...que cada mão de tinta aplicada pelo racista significaria  o prenúncio de novo ataque ....”.

De fato aconteceu.  
Ivan, conta que ficaram assustados e apagaram as frases por várias vezes, mas os atos não cessaram. 

Na tentativa de impedir novos ataques, moradores, vizinhos e amigos realizaram um ato dia 13, em apoio a família e contra o racismo repetida vezes sofrido.


Jeanne Cristina, vizinha, ficou indignada com a situação e resolveu organizar uma manifestação pela internet e com os moradores da rua. 

“No início só queríamos demonstrar a nossa indignação com os atos, mas agora descobrimos que ele não está sozinho, e temos certeza que eles são muito amados por todas as pessoas aqui. ”

A manifestação aconteceu com a  presença de dezenas de pessoas de diversos locais, além da presença da  artista e muralista Beá, que promoveu em conjunto com a comunidade modificação das cores do muro, aplicando nova pintura e marcas de mãos sobre as frases racistas. Cartazes e faixas também fizeram parte do protesto . 

Nas redes sociais, o caso ocorrido na cidade de Neves  repercutiu em todo pais, gerando revolta entre internautas e entidades do movimento negro,  que estão indignados e monitorando as ações .

Ivan somente conseguiu registra boletim de ocorrência dia 12, por injúria. 
Em nota, a assessoria de comunicação da polícia civil disse que está apurando a responsabilidade e que iria providenciar perícia no local, para dar início às investigações.

O presidente da Comissão de Promoção da Igualdade Racial da Ordem dos Advogados em Minas, Gilberto Silva Pereira, chama atenção para a forma como o crime foi registrado. Segundo ele, trata-se de um caso evidente de racismo, pois houve ofensa à coletividade, e não de injúria.



Fontes e fotos: midianinja/ R7 /G1
Fotos : arquivo pessoal

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

Lojas são Fechadas após Protestos Contra Racismo

 
A presença de modelos negros em lojas que comercializam roupas é bastante rara, especialmente na sessão infantil 
A marca H&M utilizou uma criança negra para um anúncio em seu site, com estampa no  moletom  extremamente racista. 
O Anuncio causou revolta em vários países. 

A marca de roupas sueca Hennes & Mauritz (H&M) fechou temporariamente suas lojas na África do Sul, como consequência dos protestos registrados nesse país contra um agasalho tachado de racista, que a empresa tinha retirado do catálogo após a polêmica suscitada por essa peça. 

Nas ações de protesto registradas no sábado (13) nem empregados nem clientes ficaram feridos, segundo afirmou a H&M através da sua conta no Twitter, mas, apesar disso, a empresa optou por fechar temporariamente os estabelecimentos por considerar prioritário garantir a segurança das pessoas. A mensagem acrescenta que as lojas serão reabertas assim que se restabeleça a segurança. 

No sábado aconteceram ações de protesto em seis lojas da rede em Joanesburgo e outros pontos das províncias de Gauteng, aparentemente impulsionados pelo grupo esquerdista Economic Freedom Fighters (EFF), segundo informações do portal sul-africano "News24".

Os protestos seguem à indignação causada no mundo todo por uma campanha da marca, em que se mostrava um menino negro vestindo um agasalho com a frase 'the coolest monkey in the junlge' ('o macaco mais legal da selva').

A rede sueca retirou o agasalho do seu catálogo e pediu desculpas, em meio a críticas surgidas nas redes sociais e também entre figuras do esporte, como o jogador de basquete americano LeBron James.

O artista canadense Abel Tesfaye, líder do projeto musical The Weeknd, também decidiu romper sua colaboração com a empresa sueca em protesto pelo anúncio. 

O porta-voz dos EFF, Mbuyiseni Ndlozi, declarou  que o pedido de desculpa era muito pouco e veio muito tarde. "O tempo de pedir desculpas por racismo acabou; tem de haver consequências para o racismo contra os negro, ponto final. Afirmou o porta-voz dos manifestantes.

A H&M não comentou os ataques. Em sua página sul-africana na internet, a marca apenas  reproduz o pedido de desculpas. 
"Nossa posição é simples, nós cometemos um erro e lamentamos profundamente", diz a nota oficial. 
A polícia informou que monitora os protestos, mas que não prendeu ninguém. 

Fontes: Uol/G1/hypeness



quinta-feira, 11 de janeiro de 2018

Hattie McDaniel, primeira mulher negra a vencer um Oscar, vai ganhar cinebiografia

Hattie McDaniel, a primeira mulher negra a  vencer um Oscar, vai ganhar uma cinebiografia sobre sua trajetória. 
Ainda sem elenco e data de estreia, longa será produzido por Alysia Allen e Aaron Magnani
Filha de um casal ex-escravos, recebeu a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante em 1940 por seu papel como Mommy em "E o Vento Levou". A produtora Alysia Allen obteve os direitos de filme para a biografia de Jill Watts "Hattie McDaniel: Black Ambition, White Hollywood" e produzirá o longa com Aaron Magnani. Atualmente, os produtores estão procurando o roteirista certo para adaptar o livro para as telonas; não há data prevista de estreia nem nomes para o elenco.
A mais nova de 13 irmãos e nascida em 10 de junho de 1895, em Wichita, no Estado do Kansas, a atriz começou sua carreira como uma performer de Vaudeville (antigo gênero de entretenimento de variedades predominante nos EUA e Canadá do fim do século XIX) e como uma das primeiras afrodescendentes a trabalhar em rádio.
 Em 1910, ela foi a única pessoa negra a participar do evento Women's Christian Temperance Movement, no qual a ganhou uma medalha de ouro por recitar um poema que ela mesma escrevera, "Convict Joe". Em 1925, começou a cantar na KOA, uma estação de rádio em Denver, e seu trabalho como musicista a levou a gravar várias canções, das quais a maioria ela mesma tinha composto, foi uma das primeiras mulheres afro-americanas a cantar no rádio. 
Em 1931, Hattie se mudou para Los Angeles ao lado dos irmãos Sam, Etta e Orlena. Quando não conseguia papel em filmes, trabalhava como empregada doméstica. Sam trabalhava num programa de rádio chamado "The Optimistic Do-Nut Hour", no qual conseguiu uma participação para a caçula da família. Depois disso, sua carreira deslanchou e ela se tornou extremamente popular, virando uma estrela. No início dos anos 30, conseguiu vários papéis em diversos filmes, no entanto, seu nome não era creditado em grande parte. Ela apareceu em inúmeras produções desta década e tornou-se mais conhecida por sua participação em "E o Vento Levou", dirigido Victor Fleming, como Mammy.
Sua atuação lhe rendeu uma distinção no mais cobiçado prêmio do cinema. “Este é um dos momentos mais felizes da minha vida. Espero sinceramente ser sempre motivo de orgulho para a minha raça e para a indústria do cinema”, agradeceu, emocionada, ao pegar sua estatueta. 
Para receber seu prêmio,  os organizadores do Oscar tiveram que pedir uma autorização especial para que McDaniel pudesse comparecer ao evento, pois o edifício onde a cerimônia ocorreu não permitia a entrada de pessoas negras.
Este foi apenas um de seus 74 personagens vividos nas telonas, os quais eram sobretudo criada, serva ou empregada. Após os estereótipos e durante uma época de graves obstáculos raciais, Hattie é creditada como responsável por abrir os olhos de Hollywood para criar papéis mais multidimensionais para a comunidade negra.
A artista morreu aos 57 anos de idade, no hospital da Casa para os Artistas de Cinema e Televisão, em 26 de outubro de 1952, vítima de um câncer de mama. Em seu testamento, ela deixou seus pedidos finais, conforme relatado na biografia: "Eu desejo um caixão branco e uma mortalha branca, gardênias brancas no meu cabelo e nas minhas mãos, juntamente com uma manta branca de gardênia e um travesseiro de rosas vermelhas. Eu também desejo ser enterrada no Cemitério de Hollywood".
Fonte : Correio do Povo   / Complementações e informações:  Mônica Aguiar / Foto : Foto: Academia de Artes e Ciências Cinematográficas / Divulgação / CP

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Conduta Racista Coloca Mulher em Detenção

Uma mulher foi detida e levada para a Central de Flagrantes do Iguatemi, em Salvador, na tarde deste sábado (6), suspeita de racismo, após se recusar a ser atendida por uma funcionária negra, em uma delicatessen localizada no bairro da Pituba.

Segundo  o estabelecimento  a cliente acusada de injúria racial falou no local que não queria ser atendida no buffet por funcionários negros. Outra cliente interviu, partiu em defesa do grupo de funcionários e chamou a polícia.

Ainda em nota, a delicatessen repudiou o ato racista da cliente. "Reforçamos nossa extrema ojeriza a qualquer tipo de atitude preconceituosa. Há mais de 10 anos, desde a sua inauguração, que o staff da Bonjour é formado, em sua grande maioria, de trabalhadores negros - dos quais a Bonjour tem muito orgulho em tê-los em sua equipe. Repudiamos a atitude e esperamos que a mesma não se repita: seja ela em qualquer outra circunstância".
A mulher foi  apresentada na Central de Flagrantes, onde a ocorrência foi registrada e somente liberada  após audiência de custódia, neste domingo (7). A informação foi divulgada pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA).

Como é ré primária  a liberdade provisória da suspeita foi concedida. De acordo com a decisão da juíza Luciana Amorim, a defesa alegou que a mulher sofre de transtorno mental de natureza incurável.

A decisão da juíza Luciana Amorim determinou que a mulher não poderá mudar de residência sem permissão da autoridade processante e deve comparecer todas as vezes que for intimada para atos do inquérito e da instrução criminal, sob pena de revogação da liberdade.

A suspeita também deve apresentar, em no máximo 60 dias, um laudo médico psiquiátrico a respeito da sanidade mental dela. Ela também não poderá ausentar-se da própria residência por mais de 30 dias, sem comunicar o local onde será encontrada.
Caso haja descumprimento das obrigações impostas pela juíza, a mulher poderá ter a prisão preventiva decretada. A suspeita estava detida na Central de Flagrantes desde a tarde de sábado (6).




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