terça-feira, 5 de setembro de 2017

Portugal : Discriminação racial no acesso ao emprego

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Em dez anos, 20% das queixas à Comissão contra a Discriminação Racial foram sobre situações laborais. Em circunstâncias iguais no emprego, há preferência pelos brancos, mostram estudos. Amélia Costa Injai conta que só foi chamada a entrevista de emprego por não saberem que era negra

De todas as zonas em Portugal continental, o Alentejo é a área geográfica com menor diversidade. Em Reguengos quase não se vêem negros na rua, nem em serviços que impliquem interação com clientes.
Estamos à porta de um supermercado a fazer um curto inquérito a quem passa, saber se as pessoas acham que há uma desvantagem para os negros num país onde existe uma óbvia ausência de representatividade de afrodescendentes em posições de destaque.

Dos doze entrevistados aleatoriamente, de várias idades e de ambos os sexos, praticamente todos identificam a existência de racismo em Portugal. Nove reconhecem que há vantagens em ser branco, e vários associam essa vantagem ao emprego. Justificam: um negro “tem mais dificuldade em arranjar emprego”, “se houver um branco é ele o escolhido”.

Na verdade, as respostas neste breve exercício revelam uma percepção das desigualdades que não foge à realidade dos números: as posições na hierarquia profissional da população portuguesa e dos Países de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) são desiguais. Em 2015 o desemprego era de 33% para os cidadãos de países africanos e de 12,4% para os portugueses.

Não é possível aferir as desigualdades raciais no emprego pois em Portugal não se podem recolher dados étnico-raciais. Por isso, há sociólogos que as aferem através da população PALOP, uma limitação por se associar imigração a uma categoria racial, mas também a única maneira de ter uma aproximação da realidade - mas o Governo está a estudar essa possibilidade.

Por ser negra e portuguesa Amélia Costa Injai, 40 anos, não entraria nas estatísticas do emprego dos PALOP. A sua história é paradigmática do tipo de discriminação pela qual um profissional qualificado passa, desconstruindo o mito de que o racismo desaparece quando a condição socio-econômica é mais alta.

O sotaque
Quando enviou o seu currículo para um banco em Lisboa, Amélia não tinha ainda o apelido guineense do marido, Injai, tinha um nome “tipicamente português”, Costa.
Tempos depois recebeu um telefonema do diretor de recursos humanos para ir a uma entrevista.  Na altura não pôs fotografia no CV, mas especificou que era natural da Guiné-Bissau, com nacionalidade portuguesa. Quando chegou à entrevista, o diretor de recursos humanos olhou para ela e Amélia reparou que ficou surpreso. “Percebi que estava à espera de outra coisa. Foi vincado ele ter ficado surpreso.” A reação “mexeu” com Amélia, mas a conversa “até correu bem”.

Resolveu falar com o diretor sobre o fato de ter “franzido o olho” no momento em que a viu.
Mostrou surpresa, porquê?, perguntou-lhe Amélia.
— A pessoa com quem falei ao telefone e a pessoa que vi não me pareciam a mesma. A Amélia não tem sotaque nenhum, não estava à espera que fosse africana, confessou ele.

Nessa conversa, o diretor acabou “por assumir” que se ela tivesse posto a fotografia no CV provavelmente não a teria chamado para a entrevista.
A verdade é que naquele banco, percebeu depois, havia a política de não contratarem “africanos nem brasileiros”. “Por causa do sotaque”, justificou o chefe.

A desculpa do sotaque foi a maneira de encobrir “o estigma do racismo”, que “nas pessoas com alguma escolaridade são mais disfarçados”, analisa. “Lido melhor com o racismo às claras do que com o camuflado. Muitas vezes as pessoas diziam-me: ‘mas não sou nada racista’. Obviamente que não...” ironiza.

Associação negativa
Há meses, um estudo da Universidade de Sheffield, a partir do Project Implicit, da Universidade de Harvard — que tem um site onde milhares de pessoas participam num teste online que mede atitudes raciais —, mostrou que os europeus brancos associavam mais rapidamente os rostos negros a ideias negativas. Isto é a conclusão dos resultados de testes feitos por cerca de 145 mil europeus brancos, entre 2002 e 2015. O teste online pode ser feito por qualquer pessoa e em qualquer altura (e aconselhamos).

Nesse estudo de Sheffield, Portugal aparece com um dos índices mais altos de discriminação: tem 4,05 pontos, quando o máximo são 4,5 (num universo de mais de 1800 respostas). Resultados como este vão no mesmo sentido daqueles que aparecem no programa de investigação Atitudes Sociais dos Portugueses, no qual o psicólogo social Jorge Vala participou, e onde os portugueses têm dos mais altos níveis de racismo.

São ainda suportados por estudos de Jorge Vala feitos em Portugal que concluem que, “em igualdade de circunstâncias, as pessoas preferem selecionar uma pessoa branca do que uma pessoa negra para um emprego” .
Os efeitos de preconceitos não se notam apenas nos processos de seleção, mas em diversas interações sociais.

Lamenta que a ausência de negros em lugares de destaque na sociedade portuguesa seja tão óbvia. "Não nos dão sequer oportunidade de nos conhecerem. Os empresários são os responsáveis deste atraso”, critica.

Há várias áreas em que isso se nota, por exemplo, nos media, onde não é comum aparecerem jornalistas negros. Em Portugal, os negros estão no “back office”, nas fábricas, nas cozinhas, nos supermercados, descreve.

Segundo o Censos 2011, há quatro vezes mais portugueses em lugares de representação do poder, de dirigentes ou de gestores, e cinco vezes mais portugueses em atividades intelectuais ou científicas do que cidadãos dos PALOP. Ou seja, 3% versus 0,8% no primeiro caso e 6,1% versus 1,3% no segundo.
Mas a diferença da média de licenciados em três das nacionalidades dos PALOP mais representadas em Portugal (Cabo Verde, Angola e Guiné-Bissau), comparadas com a dos portugueses, é de mais de metade (5% no primeiro caso contra 12% no segundo).

Já em relação às profissões não qualificadas, a ordem inverte-se: há três vezes mais cidadãos dos PALOP nesta categoria (16%) do que portugueses (5%).
As remunerações médias mensais também apresentam grandes diferenças, com uma taxa de discrepância face aos outros trabalhadores de mais de 36% no caso dos são-tomenses e guineenses e de quase 35% no caso dos cabo-verdianos (o valor de referência com o qual são comparados é 912,18 euros mensais).

À procura de Amélia
Amélia Costa Injai
Um dia, uma cliente, a quem Amélia Costa tratava regularmente de assuntos por telefone, foi ao banco entregar flores para lhe agradecer o profissionalismo. “Quando chego à frente dela, ela quase queria levar as flores de volta", conta. "Aquilo até mexeu com o meu colega que estava no balcão. 

Ela acabou por dar as flores com muita dificuldade.” Disse diretamente que não estava à espera que Amélia “fosse..."

"Africana?”, perguntou Amélia.

Amélia acabou por dar as flores aos colegas. “Quantas vezes tinha que ir ao balcão, punha as mãos à frente e a pessoa ainda estava a olhar à procura da Dra. Amélia...”, conta.

No fundo, significa é que “os portugueses não aceitam de forma natural os africanos”, analisa. “Não aceitam nos detalhes, nos pormenores.” 
 “Mas a elite só aceita quando o preto faz a diferença pela positiva”, lamenta.

Amélia defende quotas e políticas de incentivo. Diz que a Assembleia da República deveria falar mais sobre o assunto e ter a política de contratar mais negros. “Talvez assim comece a mudar” e os afrodescendentes passem a concorrer a “empregos numa situação de igualdade”, acredita. “Quero que me dêem a oportunidade de provar que eu também posso fazer igual aos brancos.” 
Das 759 queixas recebidas pela Comissão para a igualdade e Contra a Discriminação Racial entre 2005 e 2015, 19,4% eram sobre situações no trabalho.



segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Mães de Prematuro poderá ter Licença maternidade Especial

A Câmara dos Deputados está discutindo a PEC (Proposta de Emenda Constitucional) 181/2015 que pode estender o tempo de licença-maternidade para mães de bebês prematuros. De acordo com a proposta, o tempo de internação do bebê até a alta hospitalar deve ser acrescido à licença de 120 dias da mãe. A PEC limita, no entanto, o tempo total do benefício a 240 dias.
Atualmente, as mães de bebês que nascem prematuros têm licença-maternidade de 120 dias, ou de quatro meses, contados a partir do momento do nascimento. Como muitos prematuros ficam meses internados em UTIs (Unidades de Terapia Intensiva), as mães acabam passando pouco ou nenhum tempo com as crianças em casa, depois de sair do hospital.
Problema de saúde pública
De acordo com o Ministério da Saúde, a cada ano nascem cerca de 340 mil crianças prematuras, ou seja, com menos de 37 semanas de gestação. O número representa 12,4% do total de nascidos vivos no país.
Os bebês prematuros geralmente nascem com baixo peso, dificuldades respiratórias, com a pele fina e musculatura frágil, entre outras características. A sobrevida do bebê depende do tipo de problema enfrentado, que pode ainda resultar em sequelas.
 Em escala global, a cada 30 segundos um bebê morre em decorrência da prematuridade, segundo estudo apoiado pela OMS (Organização Mundial de Saúde).
HISTÓRICO
A proposta de extensão da licença-maternidade já passou pelo Senado e, desde o início deste ano, tem sido debatida em comissão especial na Câmara. Apesar de a PEC ter sido aprovada com facilidade pelos senadores e já ter recebido muito apoio entre os deputados, na Câmara pode ter dificuldades para seguir adiante.
No projeto substitutivo, o relator deu parecer favorável à extensão da licença-maternidade, mas acrescentou mudança polêmica a um artigo constitucional. Pelo texto dele, os direitos constitucionais da dignidade da pessoa humana, da inviolabilidade da vida e igualdade de todos perante a lei devem ser considerados “desde a concepção”.
A expressão reforça a proibição ao aborto no país, assunto que tem sido debatido em outras frentes do poder legislativo, e pelo Judiciário, no sentido da descriminalização.
No projeto, ele apresenta argumentos de juristas que seguem a “linha de proteção à vida” e cita direitos do nascituro previstos no Código Civil e o aborto como crimes contra a pessoa, descritos no Código Penal.
A próxima reunião da comissão especial para análise e votação do parecer está marcada para o dia 13 de setembro. Se o parecer for aprovado pela comissão, será apreciado pelo plenário da Câmara, onde deve receber pelo menos 308 votos favoráveis entre os 513 deputados para ser aprovada.
Fonte: R7

sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Casa de Apoio que Acolhe Pacientes com Doença Falciforme Poderá Fechar em Minas Gerais

por Mônica Aguiar

O Centro de Educação e Apoio Social (CEAPS) em Minas Gerais, que acolhe pacientes com doenças diagnosticadas pelo exame do pezinho, está ameaçado de fechar as portas depois de 24 anos de funcionamento

A casa  é ligada à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e depende do investimento por parte do Governo do Estado de Minas, para  continuar recebendo as famílias que vêm de todas as regiões do estado para tratamento. 

O Centro de Educação e Apoio Social, desenvolve, orienta e acolhe pacientes e familiares, em tratamento de doenças hereditárias na Capital. É composto por uma equipe multiprofissional com acadêmicos de diversas áreas. 

Uma das ações estratégicas e inovadora é o serviço de triagem neonatal, que orienta e acolhe pacientes e familiares que são diagnosticados com patologias triadas no teste do Pezinho, como: -Hipotireoidismo Congênito, Doença Falciforme, Fenilcetonúria, Fibrose Cística, Hiperplasia Adrenal Congênita e Deficiência de Biotinidades.

O acolhimento às famílias triadas pelo programa, é o que faz a diferença na adesão ao tratamento e um bom resultado. Famílias de todo o estado passam o dia no local, para fazer consultas ou exames. 

O CEAPS possui infraestrutura física que dispõe de espaços para banho, alimentação e descanso. Também disponibiliza meio de transporte até locais de consultas e exames, além do retorno à rodoviária, quando necessário. Muitas famílias viajam do interior para capital mais de 12 horas para fazer o tratamento . 

É um trabalho realizado em conjunto com os 853 municípios de Minas Gerais, para garantir aos pacientes e seus familiares não apenas o diagnóstico e tratamento, mas também o entendimento sobre as doenças complexas e crônicas diagnosticadas com vistas a autonomia e auto cuidado. 

De acordo com relatos dos pacientes, o atendimento no CEAPS contribui significativamente com acolhimento e tratamento digno e humanizado, se a casa fechar como esta previsto para final de setembro com certeza o tratamento ficará inviabilizado, deixando de atender aproximadamente 120 famílias por semana.  

A falta do recurso é determinante para  muitos pacientes onde o tratamento deve ser realizado  ao longo de toda vida e dependendo da doença, esta  interrupção pode levar a morte.

Segundo a coordenadora do Centro Isabel Pimenta Espínola, desde outubro de 2016, por falta de renovação do convênio de manutenção da Secretaria de Estado de Saúde o local tem sido mantido com recursos próprios. A  gestora do programa precisa decidir em disponibilizar os recursos.

Maria Zenó Soares, presidente da Associação de Pessoas com
Doença Falciforme e Talassemia do Estado de 
Minas Gerais
 Para Maria Zenó Soares, presidente da Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia do Estado de Minas Gerais . 
“ Se fechar esse serviço, podemos ter um número absurdo de óbitos de todas as doenças triadas no teste do pezinho. Faço apelo ao Governador, Secretaria de Saúde e educação, que não deixe o atendimento parar. O serviço fechado é mais um desmonte do SUS e extermínio do povo pobre.
Em geral 95% são negros, 98% são beneficiários do bolsa família e 93% não concluíram o ensino fundamental. Isso significa que as desigualdades sociais são evidentes e, além da conscientização da população nos cuidados com quem sofre com a doença falciforme, são necessários políticas públicas para este grupo da população.

Com intenção de pressionar o Governado de Minas contra o fechamento do CEAPS -Centro de Educação e Apoio Social,  uma carta com abaixo assinado esta sendo divulgada nas redes sociais, solicitando assinaturas de apoio. 
Endereço :    

https://www.change.org/p/abaixo-assinado-contra-o-fechamento-ceaps/fbog/771879463?recruiter=771879463&utm_source=share_petition&utm_medium=facebook&utm_campaign=share_petition&utm_term=share_petition.instant_experiences_enabled


Mais informações  
Maria Zenó - Associação de Pessoas com Doença Falciforme e Talassemia do Estado de Minas Gerais :   991996985  /  zenopresidente@gmail.com

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Professor Negro, Sofre Preconceito em Minas Gerais e Goiás por ter Cabelo Rastafári

Por Matheus Monteiro
Segundo Pedro Barbosa, clínica se recusou a utilizar seu cabelo em exame toxicológico para renovação da CNH de categoria profissional
O professor de Ciências Sociais na Universidade Federal de Goiás (UFG) Pedro Barbosa, militante do movimento negro,   denunciou ao Ministério Público de Goiás (MP-GO) que sofreu preconceito ao tentar realizar exame toxicológico em um laboratório de Goiânia.
Como sua carteira nacional de habilitação (CNH) é da categoria D, ele tem que realizar exame toxicológico, que alerta para o uso de drogas. 
Em entrevista ao Jornal Opção, Pedro disse que sua habilitação é de Minas Gerais, onde ele realizou a primeira tentativa para o exame.
“Estava de férias em Uberlândia e, ao fazer o teste, avisei que meu cabelo é natural. No dia de entrega do resultado, me ligaram para avisar que eu teria que repetir o exame por ter cabelo sintético, o que não é verdade”, disse o professor.
Já em Goiânia, onde reside e trabalha, Pedro foi orientado a procurar a mesma rede de laboratórios onde tinha realizado o primeiro teste para repetir a coleta. “Fui na última segunda-feira (21/8) e logo me disseram que a coleta não podia ser feita”, afirmou.
“Procurei então pela médica do laboratório que afirmou que não tinha autorização para fazer coleta em cabelo rastafári”, acrescentou. Segundo ele, a profissional não deu justificativa para o impedimento.
Incomodado, então, Pedro prestou queixa ao Ministério Público alegando preconceito. Segundo ele, uma investigação foi aberta, solicitando justificativa do laboratório, que tem sede em São Paulo, mas até o momento nenhuma resposta foi dada.
Jornal Opção tentou contato com o laboratório acusado, mas, por conta do horário de funcionamento, não obtivemos resposta.
Após publicação da matéria, a empresa Psychemedics, que pega o material coletado pelos laboratórios credenciados, explicou que “no caso do doador apresentar “dreads”, apliques e ou extensões tais como “mega hair” não há como realizar a análise do mesmo, uma vez que além dele não ser desembaraçado, muitas vezes está trançado junto com outros materiais tais como cabelos artificiais ou de terceiros, colas, etc.”
Veja a nota na íntegra:
Para a análise toxicológica por amostra de cabelo, é necessário que o doador possua cabelo ainda preso ao couro cabeludo livre de quaisquer substâncias e desembaraçado, que possua o comprimento mínimo de 3,0 a 3,9 cm de comprimento.
No caso do doador apresentar “dreads”, apliques e ou extensões tais como “mega hair” não há como realizar a análise do mesmo, uma vez que além dele não ser desembaraçado, muitas vezes está trançado junto com outros materiais tais como cabelos artificiais ou de terceiros, colas, etc.
Dessa forma, não há como efetuar a análise de cabelo cuja origem não se pode atestar (pode ter cabelos artificiais ou de terceiros dentro da trança, aplique, “mega hair”).
Contudo, não há qualquer impedimento para que o doador se submeta a análise de pelo corpóreo, desde que o mesmo tenha um comprimento mínimo de 2 cm e obtenha um laudo de exame toxicológico que também atenderá as exigências do Denatran.



Fonte:Opção
 Foto: Face Pedro Barbosa

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Professores protestam após boneca negra ser retirada por pastor em escola de Vitória

Caso foi registrado no início do mês, quando pastor afirmou que bonecas negras de projeto da escola eram "símbolo de macumba"

Professores, estudantes e representantes de movimentos sociais e culturais fizeram um protesto na manhã desta quinta-feira (24), em Vitória, contra o racismo, e especificamente contra o pastor que ordenou a retirada de um painel com bonecas negras feitas por alunos de Centro Municipal de Ensino Infantil (Cmei) Professora Cida Barreto. A passeata aconteceu pelas ruas de Jardim da Penha.

O caso aconteceu no início do mês de agosto, quando o pastor João Brito, da Igreja Evangélica Batista de Vitória, pediu que um painel com bonecas negras feitas por crianças fosse retirado da creche. Segundo o religioso, a boneca era “símbolo de macumba por se originar de uma religião africana”.

O painel havia sido confeccionado por uma professora que dá aulas sobre a cultura do povo africano e também sobre a cultura afro-brasileira. O projeto chama Abayomi e faz parte do programa institucional da escola “Diversidade”, que trata da questão étnica-racial.

"O protesto é questão de solidariedade à professora que sofreu uma questão racista, preconceituosa dentro de uma escola da prefeitura que é locada dentro de uma igreja", ressaltou Dimitri Barreto, diretor do Sindicato dos Trabalhores em Educação Pública do Espírito Santo.

A secretária de Educação do município, Adriana Sperandio, disse que, como a prefeitura paga para utilizar o espaço, não pode haver interferência nas atividades escolares. Adriana afirmou que se reunir com o pastor para tratar do assunto.

"Estamos aqui para afirmar e garantir que o trabalho pedagógico será desenvolvido na íntegra naquela unidade de ensino e em todas as outras do município de Vitória", concluiu

Fonte: G1 ES


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