segunda-feira, 7 de março de 2016

Dia Internacional da Mulher: Oito Motivos Para ser Feminista

As homenagens ao Dia Internacional da Mulher não podem se resumir a comemorações, já que esta é também uma data de luta. Ela foi criada em 1910 num contexto de lutas feministas por melhores condições de vida e de trabalho, além do direito ao voto. Em dezembro de 1977, o Dia Internacional da Mulher foi adotado pelas Nações Unidas para lembrar as conquistas sociais, políticas e econômicas das mulheres.  Ao contrário do que muitos pensam, o feminismo não é o oposto do machismo, de acordo com a a ativista e jornalista Nana Queiroz. O feminismo é um movimento social e político que tem como objetivo conquistar o acesso a direitos iguais entre homens e mulheres, ele existe desde o século XIX.
"Feminismo está dentro de uma ideia bem simples, que é a ideia de que mulheres e homens são seres com dignidade equivalente e merecem direitos, oportunidades e liberdades equivalentes", explica a diretora executiva da revista AzMina. 
Uma mulher morre a cada 90 minutos vítima de feminicídio. Uma em cada três mulheres sofre violência de algum homem ao longo da vida. Entre as 500 maiores empresas do mundo, menos de 5% possuem CEOs mulheres. Por tudo isso e com respeito ao significado da data, o Portal EBC fez uma lista de motivos pelos quais poderíamos ser feministas. 
Resultado de imagem para Brasil é o quinto lugar em assassinato de mulheres1. Brasil é o quinto lugar em assassinato de mulheres
O Brasil ocupa a 5ª posição no ranking global de homicídios de mulheres, entre 83 países elencados pela Organização das Nações Unidas (ONU), atrás apenas de El Salvador, Colômbia, Guatemala e Rússia. Os números constam do estudo "Mapa da Violência 2015: Homicídios de Mulheres no Brasil", realizado pela Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso), a pedido da ONU Mulheres. A estimativa feita pelo Mapa, com base em dados de 2013 do Ministério da Saúde, alerta para o fato de a violência doméstica e familiar ser a principal forma de violência letal praticada contra as mulheres no Brasil. A cada sete homicídios de mulheres, quatro foram praticados por pessoas que tinham relações íntimas de afeto com a vítima. O Mapa da Violência 2015 também mostra que o número de mortes violentas de mulheres negras aumentou 54% em dez anos, passando de 1.864, em 2003, para 2.875, em 2013. No mesmo período, a quantidade anual de homicídios de mulheres brancas diminuiu 9,8%, caindo de 1.747, em 2003, para 1.576, em 2013. Uma pesquisa do Ipea, que avalia a efetividade da Lei Maria da Penha, apontou que a Lei nº 11.340/2004 fez diminuir em cerca de 10% a taxa de homicídios contra mulheres praticados dentro das residências das vítimas.


2. Violência contra a mulher precisa ser combatida 

Violência contra a mulher, macismo, violência doméstica Uma em cada três mulheres no mundo já sofreu violência física ou sexual, cerca de 120 milhões de meninas já foram submetidas a sexo forçado e 133 milhões de mulheres e meninas sofreram mutilação genital, segundo dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Estimativas da ONU revelam que pelo menos 200 milhões de meninas e mulheres no mundo sofreram alguma forma de mutilação genital feminina, em 30 países. No Brasil, de acordo com balanço divulgado pelo Ligue 180, somente no primeiro semestre de 2015, foram feitos 179 relatos de violência contra mulheres por dia, com um total de mais de 32 mil ligações sobre violência contra a mulher. Desse total, mais da metade das ligações, ou 16 mil casos, foram para relatar agressão física, o que representa 92 denúncias por dia. O segundo tipo de violência mais relatado foi o de agressões psicológicas, com aproximadamente 10 mil casos. A perseguição de mulheres, por exemplo, é um tipo de violência que se enquadra nessa classificação. Já o número de relatos de violência sexual alcança aproximadamente sete casos diários nos seis primeiros meses do ano. De acordo com o balanço, em comparação com o mesmo período em 2014, a Central de Atendimento à Mulher registrou aumento de 145,5% das denúncias de cárcere privado e de 65,39% nos casos de estupro.


3. Lugar de mulher é na política

Resultado de imagem para lugar de mulher e na politicaO Brasil tem uma das taxas mais baixas no mundo de presença das mulheres no Congresso Nacional. De acordo com dados da União Interparlamentar, as mulheres no mundo são 22,6% dos representantes do povo no Poder Legislativo. No nosso país elas são apenas 8,6%. De acordo com a organização, de um total de 190 países, o Brasil ocupa a posição de 116º lugar no ranking de representação feminina no Legislativo. Na atual legislatura temos 53 deputadas, o equivalente a 9,9% das cadeiras na Câmara dos Deputados. Já no Senado Federal, com 81 cadeiras, temos 12 mulheres. Com isso, os números brasileiros ficam a baixo da média mundial. Só 10% dos países num mundo com 50% de mulheres são governados por mulheres. Nossos números são inferiores, inclusive, aos do Oriente Médio, que tem uma taxa de representação feminina de 16%.


4. Meninas refugiadas são submetidas a casamentos precoce 

Mafraq – Jordânia – Vista de campo de refugiados Za’atri na Jordânia que vem abrigando centenas de milhares de sírios

De acordo com a ONU, há um aumento alarmante no número de meninas sírias refugiadas na Jordânia sendo forçadas a casamentos precoces. A guerra na Síria está levando refugiados a negociarem o casamento de meninas adolescentes com homens muito mais velhos. O mesmo também é observado no Líbano e no Egito. Entre refugiados sírios, a perpetração e o medo da violência sexual, especialmente contra meninas, são citados como os primeiros motivos para sair da Síria. Em 2014, quase um terço dos casamentos entre refugiados na Jordânia, cerca de 32%, envolvem garotas com menos de 18 anos, de acordo com a Unicef. O índice casamentos com crianças na Síria antes da guerra era de 13%. Os dados consideram apenas as uniões registradas oficialmente.


5. Infanticídio feminino e aborto seletivo são práticas em alguns países 

Em geral, o mundo tem mais homens do que mulheres, mas eles estão mal distribuídos. Segundo mapeamento feito pelo Centro de Pesquisas Pew, com dados da Organização das Nações Unidas (ONU), atualmente existem101,8 homens para cada 100 mulheres. Além disso, o número de habitantes do sexo masculino no planeta está subindo gradualmente desde 1960. Nas nações árabes, assim como países do Norte da África e parte da Ásia, a quantidade de homens é superior à de mulheres. Uma das explicações está relacionada ao infanticídio feminino em alguns países como a China e a Índia. Na China, a política do filho único fez com que fetos femininos fossem abortados com mais frequência, além de estimular a prática do infanticídio de meninas recém-nascidas. Recentemente, o país se viu obrigado a revogar sua política de filho único. O envelhecimento da população, o aborto seletivo e infanticídio feminino foram os motivos. Na Índia, mulheres são forçadas pela família a fazer aborto de bebês quando forem do sexo feminino. O governo do país está preocupado com o desequilíbrio entre sexos. No ano de 2013, entre os mais de 1200 milhões de habitantes da Índia, 54% eram homens. Nos últimos 30 anos, a nação calcula que tenham havido 12 milhões de abortos de meninas. Além do aborto seletivo e infanticídio de meninas, milhares de bebês meninas são abandonadas todos os anos na Índia ao nascer, e infelizmente poucas são resgatadas, deixando o país com 7,1 milhões de meninas a menos que meninos.


6. Igualdade de gêneros ainda é distante na ciência e tecnologia
Resultado de imagem para salario das mulheresSegundo a ONU, ciência e igualdade de gêneros são vitais para alcançar a Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável. Nos últimos 15 anos, a comunidade global tem se esforçado para inspirar e engajar mulheres e meninas nesta área. O último relatório da agência sobre o assunto mostrou que as mulheres representam apenas 28% dos pesquisadores no mundo e a diferença aumenta ainda mais nos escalões mais altos. Infelizmente, elas continuam sendo excluídas de participar plenamente no setor científico. Uma pesquisa feita em 14 países, mostrou que a probabilidade de estudantes do sexo feminino obter um diploma de bacharel, mestrado ou doutorado em ciências ou em áreas correlacionadas é menos da metade do que se comparado aos homens. Com relação à tecnologia, apesar dos avanços, os desafios ainda são muitos e escapam à mera inclusão digital. Um desses desafios é a falta de representatividade do gênero na área. Mais da metade da população (50,1%)brasileira está conectada à rede mundial de computadores, segundo pesquisa de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Para mudar a realidade e a hegemonia masculina no mundo da ciência e tecnologia, vários projetos veem já na inclusão digital um importante mecanismo para apresentar, engajar e aumentar o envolvimento das mulheres com a tecnologia. Alguns exemplos são o Programaria, Py Ladies e Academia Lovelace.

7. Salário de mulheres é 24% menor que homens

Resultado de imagem para salario das mulheresA taxa de desemprego das mulheres é cerca de duas vezes a dos homens, de acordo com relatório da ONU Mulheres. Em todo o mundo, apenas metade das mulheres participa do mercado de trabalho, em comparação a três quartos dos homens Em geral, apenas um quarto das mulheres empregadas está no setor formal. Em regiões em desenvolvimento, até 95% do emprego das mulheres é informal. Elas também ainda "carregam o fardo de trabalho de assistência não remunerado". As disparidades não param por aí, a publicação revela que em todo mundo, as mulheres recebem 24% menos que os homens. As lacunas para mulheres com filhos são ainda maiores. Na França e na Suécia, ao longo de sua vida, uma mulher, em média, pode esperar receber 31% menos que os homens. Estes números chegam 49% na Alemanha e 75% na Turquia, por exemplo. Cerca de 83% dos trabalhadores domésticos em todo o mundo são mulheres e quase metade não tem direito ao salário-mínimo. As diferenças de salários continuam para todas as mulheres, com ou sem filhos, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT). Numa média global, as mulheres ganham o equivalente a 77% dos salários dos homens. E se nenhuma ação for tomada para mudar o quadro, a igualdade de salários só será alcançada em 2086, ou daqui a 71 anos. Em 2013, no Brasil, 4,5% dos homens estavam desempregados contra 7,8% das mulheres. No mesmo ano, 59,4% das mulheres participavam da força de trabalho, contra 80,8% dos homens.

8. Milhões de meninas nunca terão a chance de entrar numa sala de aula

Quase 16 milhões de meninas entre seis e 11 anos de idade nunca terão a chance de aprender a ler ou a escrever. O total é o dobro na comparação com os meninos. Este é o principal dado de um atlas sobre desigualdade de gênero na educação, lançado pela Unesco, em antecipação ao Dia Internacional da Mulher. Os índices mais altos de disparidades são vistos em países árabes, na África Subsaariana e no sul e no oeste da Ásia. Na África Subsaariana, por exemplo, 9,5 milhões de meninas nunca pisarão em uma sala de aula, quase o dobro do total de meninos que não terão essa chance. Mais de 30 milhões de crianças da região já estão fora da escola. Já no sul e no oeste da Ásia, 80% das meninas que não estão na escola nunca terão a oportunidade, comparado com 16% dos meninos. O problema afeta 4 milhões de garotas asiáticas e menos de 1 milhão de garotos.
Por:  Líria Jade   / Fonte: EBC


sexta-feira, 4 de março de 2016

Atrizes de Hollywood Criam Produtora Feminista de Filmes

Atrizes de Hollywood criam produtora feminista de filmes“We Do It Together” será uma organização sem fins lucrativos com o objetivo de produzir filmes feitos por mulheres e sobre mulheres, quebrando estereótipos de gênero que são, há décadas, reforçados pelo cinema.
O Oscar 2016, que aconteceu no próximo domingo (28), já ficou marcado como excludente pela falta de negros entre os indicados gerais aos prêmios. No entanto, outra questão foi recentemente posta em debate: a ausência de mulheres na lista dos cotados ao prêmio de melhor direção.
Pensando nisso, um grupos de atrizes como Jessica Chastain, Queen Latifah, Juliette Binoche e Catherine Hardwicke se uniram a produtoras, diretoras e roteiristas famosas de Hollywood para criar o “We Do It Together” (“Nós Fazemos Juntas”, em tradução livre), uma iniciativa sem fins lucrativos, composta majoritariamente por integrantes do sexo feminino e cujo objetivo é possibilitar a produção de filmes por mulheres e sobre o universo feminino, quebrando estereótipos de gênero que são, há décadas, reforçados pelo cinema.
A “We Do It Together” também conta com a diretora brasileira Kátia Lund – que co-dirigiu o filme “Cidade de Deus” ao lado de Fernando Meirelles -, além de personalidades como a atriz Freida Pinto (de “Quem Quer Ser Um Milionário?”), a roteirista e diretora Marielle Heller e a atriz e diretora Amma Asante (de “Belle”).
A produtora Chiara Tilesi, que também integra o time, disse à revista Variety que a organização deve ser apenas um incentivo para que as mulheres na área se sintam mais seguras e livres na produção cinematográfica: “Os filmes sempre tiveram o poder de desafiar a convenção e mudar corações e mentes, e este poder potencial deve ser explorado para desafiar as normas arcaicas relacionadas à mulheres na indústria do entretenimento. Nós sentimos que a melhor forma de tornar isso uma realidade é dar às mulheres do mundo inteiro um jeito concreto de se expressarem, em uma estrutura firme que irá permitir que essas histórias sejam financiadas e distribuídas”.
Segundo Tilesi, o primeiro filme produzido pelo “We Do It Togheter” será lançado em maio, durante o festival de Cannes. Em 29 de fevereiro, a organização também participará de um evento anual da Organização das Nações Unidas chamado Power of Collaboration (Poder da Colaboração), no qual se discutem anualmente temas como a inclusão de minorias e a sustentabilidade.
A discussão proposta pelo “We Do It Togheter” é incômoda e importante porque atinge a base da indústria. De acordo com uma pesquisa do Centro de Estudo das Mulheres na Televisão e no Cinema da Universidade de San Diego, apenas 7% dos 250 filmes hollywoodianos produzidos em 2014 foram dirigidos por mulheres. A porcentagem de roteiristas é apenas um pouco maior, cerca de 11% das grandes produções do ano foram assinadas por mulheres. Os salários também são menores: Jennifer Lawrence, considerada a atriz mais bem paga do mundo, ganha dois terços do salário de Robert Downey Jr., seu correspondente masculino. “Esperamos que, no futuro, não tenhamos a necessidade de um nicho de mercado para financiar filmes feitos por mulheres e sobre mulheres”, resume Tilesi.
Fonte Revista Fórum / CEERT

quarta-feira, 2 de março de 2016

PRAZER E OBJETIFICAÇÃO: OS LIMITES DO MUNDO QUE ODEIA MULHERES

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Ilustração Jordana Andrade
Por Helena Zelic   
  O prazer é uma coisa incrível. É incrível porque amplia, movimenta, completa as pessoas – seja qual prazer for, nas várias esferas da vida. Às vezes, as pessoas passam uma vida inteira sem dar atenção a essa parte bem importante que é o prazer, principalmente as mulheres: com suas duplas, triplas jornadas de trabalho, com o tempo gasto no cuidado exclusivo de outras pessoas, quando é que sobra tempo pra ter prazer na vida?

Para o prazer sexual, temos um impasse nos dias de hoje. A dificuldade de atingi-lo em sua plenitude, em um mundo androcêntrico, ou seja, focado na vida e nas experiências dos homens, muito pouco sobra para nós. São muitas as mulheres que afirmam nunca terem chegado a um orgasmo, mesmo tendo vida sexual ativa – várias delas já até sendo casadas! É um mundo que nos limita, nos reprime sexualmente, nos impõe a heterossexualidade como a única possibilidade, moraliza nossos corpos e nossas atitudes, nos julga a partir da forma como lidamos com o nosso prazer, nos divide entre santas e putas – quando na verdade não queremos cair em nenhum dos dois estereótipos, que nada dizem respeito ao que somos ou queremos ser.
Ao mesmo tempo, existe um movimento reverso rolando, na direção oposta, para o qual precisamos ficar muito atentas: na tentativa de fugir desse buraco da ausência do prazer, muitas decidem se jogar com tudo em formas de se relacionar que parecem mais livres e cheias de aventuras, mas que continuam, de uma forma mascarada de libertária, sendo focadas exclusivamente no prazer do cara. Não adianta fazer muito sexo se esse sexo nem dá prazer, nem liberta, nem altera na profundidade a lógica tradicional do jogo. Muito melhor do que isso é prezar e buscar relações que sejam prazerosas, nos garantam o respeito aos nossos corpos, às nossas vivências e aos nossos limites, não nos impeça de priorizar o cuidado e a sabedoria sobre nós mesmas – mesmo que isso envolva muito sexo, é claro. Às vezes, essas relações podem ser casuais, de uma noite só, às vezes em um relacionamento, às vezes sozinha mesmo, e às vezes pode nem acontecer nada (a gente nem sempre sente tesão e tudo bem).
Além disso, é importante falar sobre como reverberam esses debates, quebras e mudanças. O discurso que une, de forma responsável, o prazer, a sexualidade, a autonomia e a liberdade, está cada vez mais forte entre meninas e mulheres – muito por causa do trabalho de formiguinha das feministas do Brasil todo, nas redes, ruas, escolas, ocupações, etc. Isso diz respeito não apenas ao prazer individual, mas a uma liberdade coletiva das mulheres de mudar os limites tradicionais de lidar com o corpo e o sexo, mas também de decidir sobre a maternidade, acabar com a violência e com as mortes de mulheres causadas pela possessividade de seus “companheiros” e mudar por completo a forma como o mundo hoje se organiza: a desigualdade.
A partir da repercussão e da força do que mostram as feministas, também muitas empresas que não têm nada a ver com a gente modelam seus discursos para se adequar aos tempos que mudam e, assim, não diminuírem suas vendas. De que adianta, para nós, que revistas pornô, que retratam mulheres como objetos sexuais, traga modelos um pouco menos fora da realidade, se a função daquela revista é exibir os corpos femininos para ampliar o prazer masculino e manter em alta o olhar que nos objetifica? Esse é só um exemplo, mas existem muitos outros circulando por aí nos últimos tempos. As mulheres continuam sendo hipersexualizadas na publicidade, na mídia, nas produções culturais diversas, e essa hipersexualização não tem como ser boa para a liberdade que queremos alcançar, ela existe apenas para valorizar o prazer masculino. Vale lembrar que a indústria do sexo, que gerencia a indústria pornográfica e a prostituição, ainda é uma das que mais movimenta dinheiro pelo mundo todo. O produto é quase sempre o acesso ao corpo das mulheres e o cliente é quase sempre homem. É essa a liberdade que queremos? A liberdade de sermos usadas, jogadas fora quando for a hora, de podermos fazer com nossos corpos não o que quisermos, mas o que deseja a cultura machista e o prazer masculino?
Se queremos ser livres, que seja por nós e pelas outras, pelo nosso direito de levar uma vida que valha a pena ser vivida, pela liberdade de decidir sobre o corpo, o desejo, o sexo e o futuro que são nossos sem as imposições dos homens que nos rodeiam ou das indústrias que tentam nos engolir.
Fonte:Capitolina

terça-feira, 1 de março de 2016

Luiza Bairros receberá Diploma Bertha Lutz no Senado Federal

Luiza_bairros-tv-brasilA ex-ministra da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR) e ativista histórica do movimento negro brasileiro, Luiza Bairros é uma das homenageadas da 15ª edição da premiação do Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz e receberá no dia Internacional da Mulher (8), ás 11h, no plenário do Senado Federal o Diploma Bertha Lutz em reconhecimento a sua importante contribuição na defesa dos direitos das mulheres e das questões de gênero no país.
Este ano, além da ex-ministra Luiza Bairros receberão a honraria à ex-ministra Ellen Gracie Northfleet, primeira mulher a integrar e presidir o Supremo Tribunal Federal; à cirurgiã-dentista Lucia Regina Antony, ex-vereadora em Manaus, líder feminista, fundadora e ex-presidente do Comitê de Mulheres da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da União de Mulheres de Manaus; e à escritora Lya Luft.
O Diploma Mulher-Cidadã Bertha Lutz foi instituído pela Resolução nº 2, de 2011, em homenagem à ex-Deputada Federal Bertha Maria Júlia Lutz, líder na luta pelos direitos políticos das mulheres, que se empenhou pela aprovação da legislação visando a igualdade salarial para as mulheres, a licença de três meses para a gestante e a redução da jornada de trabalho, então de 13 horas diárias.
Conheça um pouco da trajetória política de Luiza Helena de Bairros:
Natural de Porto Alegre, é graduada em Administração Pública e de Empresas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). É mestre em Ciências Sociais pela Universidade Federal da Bahia (UFBA) e doutora em Sociologia pela Universidade de Michigan. Mora em Salvador desde 1979, onde atuou em diversos movimentos sociais, com destaque para o Movimento Negro Unificado (MNU). Trabalhou em programas das Nações Unidas contra o racismo em 2001 e em 2005. Foi titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Social da Bahia e ministra-chefe da Secretaria de Políticas Públicas da Igualdade Racial, de 2011 a 2014. Trabalha e milita em defesa das questões de raça e gênero.
Fontes : Instituto Odara

Roda de Conversa- Dia Internacional da Mulher


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