quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

49% dos Homens Apontam ter Preconceitos Violentos com Mulheres que Participam de Blocos no Carnaval. Afirma Pesquisa

  • Bloco feminista no Rio ironiza o machismo com fantasias e cartazesBloco feminista no Rio ironiza o machismo com fantasias e cartazes
Pesquisa feita pelo Instituto Data Popular como contribuição à campanha Carnaval Sem Assédio, do site Catraca Livre, mostra que a maior parte dos homens ainda é machista em relação à participação de mulheres nos festejos de rua.
A pesquisa foi realizada entre os dias 4 e 12 de janeiro, com 3.500 brasileiros com idade igual ou superior a 16 anos, em 146 municípios.
"O que existe por parte dos homens é uma naturalização do machismo", disse à Agência Brasil, neste sábado (6), o presidente do Instituto Data Popular, Renato Meirelles. De acordo com a sondagem, 61% dos homens abordados afirmaram que uma mulher solteira que vai pular Carnaval não pode reclamar de ser cantada; 49% disseram que bloco de Carnaval não é lugar para mulher "direita"; e 56% consideram que mulheres que usam aplicativos de relacionamento não querem nada sério.
Segundo Meirelles, o homem ainda tem uma visão de que a mulher é propriedade dele e que ela é feliz dessa forma, "como se a mulher tivesse que ser grata pela grosseria dele".
A pesquisa confirma a percepção distorcida do sexo masculino de que a mulher, ao participar de blocos de rua, quer ser assediada. "Isso tem a ver com o processo histórico-cultural no Brasil", disse.
Renato Meirelles lembrou que qualquer tipo de abordagem sem o consentimento da mulher é assédio. E o assédio, além de ser moralmente errado, dependendo do tipo é crime e moralmente não funciona, lembrou.
A sondagem revela também que na percepção de 70% dos homens as mulheres se sentem felizes quando ouvem um assobio, 59% acham que as mulheres ficam felizes quando ouvem uma cantada na rua e 49% acreditam que as mulheres gostam quando são chamadas de gostosa.
O lado feminino do assédio será objeto de outra pesquisa que o Instituto Data Popular divulgará mais adiante.
Fonte: UOL

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Mulheres Negras na Faixa de 50 anos Serão Destaque no Carro da Estácio que Pauta a Inclusão dos Negros

RIO DE JANEIRO - Um carro pautado na inclusão dos negros em festas católicas no Brasil vai trazer 12 mulheres na faixa dos 50 anos como destaques do enredo “Salve Jorge! O guerreiro da fé!”, no desfile da Estácio de Sá. 

Engana-se quem pensa que elas entrarão na Avenida com o corpo pintado ou à mostra. 
A intenção dos carnavalescos Chico Spinoza, Tarcísio Zanon e Amauri Santos é destacar a beleza e a plenitude de cada uma delas em uma faixa etária em que não ganham mais destaque na passarela.

A alegoria “São Jorge em Terras Brasileiras”, que entrará na Avenida com 22 metros de comprimento e 13 metros de altura, foi desenvolvida na intenção de retratar o papel do santo da Capadócia na entrada dos escravos na procissão de Corpus Christi. De acordo com Tarcísio Zanon, Dom João VI escreveu uma carta permitindo a participação dos negros que pertenciam à Irmandade de São Jorge na festa cristã.

A professora do Departamento de História da UFRJ e autora do livro “O Corpo de Deus na América: a festa de Corpus Christi nas cidades da América portuguesa” (Editora Annablume, 2005), Beatriz Catão, afirma não ter conhecimento da carta e diz que a inserção dos negros na procissão é difícil de ser datada.

- Uma representação de negros costumava vir à frente da procissão desde tempos muito remotos. Digo representação, por que nem sempre eram efetivamente negros, mas costumam ser assim representados por músicos, como por exemplo nas aquarelas de Debret do século XIX - comenta ela.

Para o trio responsável pelo enredo, no entanto, a presença das mulheres, todas negras e convidadas especiais de Chico Espinoza, foi idealizada para representar este momento.

- Sou da opinião que as mulheres, depois de uma certa idade, ficam plenas, no momento máximo da beleza. E eu tinha essas mulheres, que já desfilaram comigo anos atrás. 
São mulheres que você não tem que usar o corpo para elas serem algo, elas são negras, lindas e poderosas. 
Precisava da experiência delas para esse enredo e tenho certeza que é a força delas que vai me dar a realidade que eu preciso - coloca ele.

As 12 “mulheres de Chico” são veteranas no meio artístico ou do carnaval. Algumas delas estão retornando à Avenida depois de muitos anos sem participar do desfile. É o caso da ex-modelo Veluma, 62, que ganhou as passarelas internacionais nos anos 1970 e se consagrou como a primeira modelo negra a se destacar no exterior. 

Há doze anos longe da folia profana e próxima do que é sagrado, através do misticismo e de uma devoção a São Jorge herdada da mãe, ela vê esse retorno como uma chance de revisitar as sensações da juventude.

- Todo aquele êxtase volta, aquele frio na barriga. É uma forma de mostrar que o artista não está morto. O carro mostra que estamos inteiras, somos mulheres e temos o corpo bonito - afirma Veluma.

Mônica Santos, 45, é bailarina e está de volta ao carnaval depois de 13 anos. Para ela, o retorno para a Avenida significa a valorização da mulher como um todo:

- O Chico nos valoriza pelo que sabemos interpretar e pela beleza, mas dizendo que continuamos lindas mesmo sem estar com o corpo definido.

O figurino delas representa a participação dos negros nas celebrações católicas, realçando a mistura cultural do Brasil e o sincretismo religioso, uma vez que São Jorge foi incorporado ao Candomblé na figura de Ogum. As vestimentas terão a modelagem europeia do século XIX combinada com a estamparia africana. 

A atriz, jornalista e ex-jogadora de vôlei Lica Oliveira, 51, enxerga nesse contexto a oportunidade de se discutir a história dos negros no Brasil e na África.

- Estamos vivendo um momento de valorização de autoestima do povo negro e das mulheres negras, principalmente.
A mulher negra é a base da pirâmide da sociedade brasileira. Vejo a nossa representatividade nesse carro como referência. Temos um trabalho árduo no sentido de difundir a matriz africana. Estamos cansados de de ouvir a história que escreveram sobre a gente, queremos contar a nossa versão. É o nós por nós - avalia ela.

Nascida em Salvador e moradora do Rio de Janeiro, a cantora Daúde, 52, identifica no carro referências da sua história e da sua formação musical. O desfile, para ela, tem um significado que vai além da representação histórica pura e simplesmente.
- A sensação de estar em cima desse carro tem o significado da palavra altivez, mas sem estar ligada à arrogância. É dignidade.

Um carnaval sem “peladonas”

Este ano, o culto ao corpo perfeito e a exaltação ao nu, tão presentes no carnaval, não entrarão no desfile da Estácio. O carnavalesco Chico Feitoza optou por adequar as fantasias ao enredo “Salve Jorge! O Guerreiro da Fé!”.

- Eu acho que esse enredo, especificamente, pede a mulher vestida. Não é enredo para colocar a nudez. Eu preciso da cara, da experiência que as mulheres têm. Prefiro ter a Estácio vestida do que uma mulher pintada na avenida.

O enredo em homenagem a São Jorge rendeu à Estácio uma conquista importante: depois de reprimir diversos desfiles que traziam figuras cristãs para a festa pagã, a Arquidiocese do Rio de Janeiro deu total apoio ao desfile da escola. 

Para o carnavalesco Tarcísio Zanon, é a segunda vez que São Jorge abre as portas da Igreja para a inclusão.

- Sabemos que ele tem essa capacidade. E agora, pela segunda vez, ele faz uma inclusão, já que estamos tendo o apoio da Igreja Católica. A porta da Igreja se abriu para os negros e agora se abre para o carnaval também.

Fonte e foto: O Globo 

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

Bloco de Carnaval Afro Ilú Obá de Mim faz Homenagem para Elza Soares

SÃO PAULO - Por Mauricio Pestana 

Elza Soares, mulher negra que passou por várias atrocidades que as mulheres negras costumeiramente ainda são submetidas em nossa sociedade. Da violência doméstica a perda de um filho adolescente.


O que são Deuses ou Deusas segundo a mitologia grega ou nas religiões de matriz africana? São seres providos de poderes especiais nos quais os simples mortais estão distantes de compreender. 
Na mitologia grega eles viviam no Olimpo, um lugar distante onde podiam observar os mortais de cima para baixo. Já nas ancestrais religiões de matrizes africanas, esses Deuses viveram na terra, tinham sentimentos, defeitos e qualidades como qualquer mortal e o que os diferenciavam era a missão de se tornarem orixás protetores de um povo que sofre e clama por justiça há séculos.
Destas duas teorias prefiro ficar com uma terceira: a de que esses deuses e deusas ainda vivem entre nós, disfarçados de artistas, operários ou camponeses e de forma simples ou explosiva, em passagens curtas ou longas, transitam por esse planeta para impactar, deixando suas mensagens para poucos ou para uma multidão. 
Uma dessas deusas disfarçadas de mortal será homenageada nesse carnaval. Mulher negra que passou por várias atrocidades que as mulheres negras costumeiramente ainda são submetidas em nossa sociedade. Da violência doméstica a perda de um filho adolescente. Do convívio com companheiro alcoólatra a solidão de chefiar sozinha uma família quando ainda era jovem. Carregou não uma, mas diversas cruzes e com o poder que só aos deuses e deusas são consagrados, superou a tudo e recentemente ganhou o título de melhor cantora do milênio.
Obrigado Elza Soares por estar entre nós. Parabéns ao bloco afro Ilú Obá De Min, constituído de mulheres guerreiras, por homenagear a Deusa Elza neste carnaval.
Afro Ilú Obá De Min & Elza Soares
Data: 05.02
Local: Praça da República – Centro
Horário: 19h30
Fonte: doladoteca

terça-feira, 2 de fevereiro de 2016

A soprano Pumeza Matshikiza - Thula Baba


Das favelas sul-africanas para o mundo da ópera. A soprano Pumeza Matshikiza cresceu nas favelas da cidade do Cabo, na África do Sul. Hoje, ela canta na Ópera de Estugarda na Alemanha, o seu primeiro álbum foi gravado nos famosos estúdios Abey Road em Londres. Uma vida cheia de reviravoltas que serve de tema ao disco de estreia.

“O disco é uma reflexão sobre a minha viagem pessoal, das favelas da Cidade do Cabo para o mundo da ópera na Europa. Eu e o produtor tínhamos decidido incluir no álbum algumas canções africanas e algumas árias. Mas como sou sul-africana e fui muito influenciada pela música sul-africana acabei por incluir mais canções, especialmente porque é um projeto novo e estávamos a testar novos arranjos com a Orquestra Aurora”, contou a cantora.
A soprano sul-africana frequentou a escola nos últimos anos do Apartheid.
“Quando era jovem sabia que o ambiente em que vivíamos era totalmente louco. Como criança não me sentia em segurança, achava que me faltava algo, havia algo que eu não estava a viver. Frequentei a escola aqui, a Homba Public Primary School onde os professores eram apaixonados por música, claro que as condições de ensino eram más mas conseguimos prosseguir os estudos”, disse Pumeza Matshikiza.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Saiba como agir em caso de assédio sexual

Andar pelas ruas e ouvir um comentário obsceno sobre o seu corpo é um elogio? Ouvir uma cantada no ambiente de trabalho é algo natural? Ser “encoxada” no transporte público faz mesmo parte da rotina das grandes cidades? A resposta para todas essas perguntas é NÃO. Tudo isso é assédio sexual.
O que é assédio sexual?
O assédio sexual é uma manifestação sensual ou sexual, alheia à vontade da pessoa a quem se dirige. Ou seja, abordagens grosseiras, ofensas e propostas inadequadas que constrangem, humilham, amedrontam. É essencial que qualquer investida sexual tenha o consentimento da outra parte, o que não acontece quando uma mulher leva uma cantada ofensiva.
Porque devemos denunciar o assédio?
Dizer não ao assédio é não aceitar mais que mulheres sejam vistas como objetos sexuais passivos ou como vítimas frágeis do poder dos homens. Dizer não ao assédio é afirmar que as mulheres podem e devem ter controle sobre a própria sexualidade. É mostrar que podemos igualar a voz e o poder da mulher na sociedade, é não submeter as mulheres aos papéis sociais tradicionais.
As consequências - O assédio sexual tem causado impactos sérios e negativos na saúde física e emocional das mulheres. Entre os efeitos negativos relatados pelas vítimas, os mais citados são: ansiedade, depressão, perda ou ganho de peso, dores de cabeça, estresse e distúrbios do sono. Além disso, muitas delas podam sua própria liberdade e seu direito de escolha - deixando de usar uma roupa ou de cruzar uma praça, por exemplo - por medo de sofrer tais abordagens.
A raiz do problema - O que está por trás do assédio não é uma vontade de fazer um elogio. Na verdade, esse comportamento é principalmente uma tentativa de demonstrar poder e intimidar a mulher. E pode acontecer com qualquer tipo de mulher, independente da roupa que ela usa, do local onde ela está, da sua aparência física ou do seu comportamento. Ou seja, a culpa e a responsabilidade pelo assédio é sempre do assediador.
Assédio sexual versus paquera - As cantadas ou os assédios físicos não são uma forma de conhecer pessoas para um relacionamento íntimo. Uma paquera acontece com consentimento de ambas as partes: é uma tentativa legítima de criar uma conexão com alguém que você conhece e estima. Por outro lado, o assédio nunca leva a uma intimidade maior. O sujeito que grita para uma mulher na rua de dentro do seu carro jamais quer ouvir a opinião da outra parte. Ele quer apenas se impor sobre ela. Quem confunde assédio sexual com paquera quer, na verdade, causar confusão justamente para poder continuar a fazer o que quiser sem dor na consciência. Paquera não causa medo e nem angústia. O mais importante é buscar o consentimento e aceitar “não” como resposta.
As roupas das mulheres- É errado achar que uma peça de roupa seja um sinal verde para qualquer tipo de violência sexual, inclusive a verbal. Todos têm o direito de sair de casa da maneira como preferirem, no horário que desejarem e para onde quiserem, sem temer qualquer tipo de abordagem grosseira.
Casas noturnas "Normalmente", as pessoas acreditam que, em casas noturnas, onde o ambiente é mais descontraído, é aceitável assediar as mulheres. Essa ideia precisa mudar. O consentimento deve ser dado de livre e espontânea vontade, antes do ato sexual. É importante lembrarmos que o consentimento não é a ausência de “não” ou o silêncio.
O assédio sexual, segundo a lei - O assédio sexual pode ser configurado como crime, de acordo com o comportamento do assediador. Vejamos:
Assédio sexual: O assédio caracteriza-se por constrangimentos e ameaças com a finalidade de obter favores sexuais feita por alguém de posição superior à vítima. (conforme Art. 216-A.do Código Penal)
Importunação ofensiva ao pudor: é o assédio verbal, quando alguém diz coisas desagradáveis e/ou invasivas (as famosas “cantadas”) ou faz ameaças. Tais condutas também são formas de agressão e devem ser coibidas e denunciadas. (Conforme Art. 61 da Lei nº 3688/1941)
Estupro: tocar as partes íntimas de alguém sem consentimento também pode ser enquadrado como estupro, dentre outros comportamentos. (Conforme Art. 213 do Código Penal: Constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso)
Ato obsceno: é quando alguém pratica uma ação de cunho sexual (como por exemplo, exibe seus genitais) em local público, a fim de constranger ou ameaçar alguém. (Conforme Art. 233 do Código Penal)
O que uma mulher deve fazer quando recebe uma cantada?
Não há um protocolo para essa situação – mesmo porque muitas mulheres afirmam ter medo de sofrer violências piores ao reagir negativamente a uma abordagem.
Denúncias formais
Agir imediatamente em locais públicos: - A vítima de assédio sexual poderá denunciar o ofensor imediatamente, procurando um policial militar mais próximo ou segurança do local, caso esteja em um ambiente privado ou transporte público (exemplo: praças, faculdades, eventos, metrô). A vítima deve identificar o assediador, gravando suas características físicas e trajes, ou até mesmo tirando uma foto deste, que em casos recorrentes, poderá auxiliar as autoridades na identificação do sujeito.
Caso precise de ajuda, você pode procurar:
Delegacias de Defesa da Mulheres 
Disque 180 (Central de Atendimento à Mulher)
Secretarias ou Coordenadorias de Políticas para as Mulheres
Fonte: Defensoria Pública Estado de São Paulo / Fotos : Interne

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