segunda-feira, 16 de dezembro de 2019

Brasileiras participam de Curso para Defensores e Defensoras de Direitos Humanos na OEA

Três representantes de entidades da sociedade civil brasileiras, entre eles Nilza Iraci, coordenadora executiva do Geledés – Instituto da Mulher Negra participam do “Curso para Defensores y Defensoras en el uso estratégico del Sistema Interamericano” que acontece entre os dias 09 e 13 de dezembro de 2019, na cidade de Washington-DC, na sede da Comissão Interamericana de Direitos Humanos- CIDH – OEA.
Por Nilza Iraci
Nilza Iraci, coordenadora executiva do Geledés – Instituto da Mulher Negra (Foto: Vinicius Lara)
Eles foram selecionados em meio a 841 postulações, dentre defensores de direitos humanos de todos os países das Américas, consideradas as diversidades de gênero, étnico, racial, de orientação sexual, e atuação política. O curso conta com 30 participantes de 20 diferentes países da América Latina e Central, e tem como objetivo fortalecer a capacidade dos defensores e defensoras de direitos humanos das Américas através do conhecimento do sistema interamericano de Direitos Humanos e dos parâmetros internacionais, a partir de uma perspectiva que reconheça os aportes e desafios da região, além de possibilitar uma troca de conhecimento e experiências sobre a realidade das lutas por direitos humanos das e dos participantes e os desafios apresentados pela conjuntura de retrocesso de direitos no Continente.
Espera-se que as e os participantes se tornem multiplicadores deste curso no seu país e região de maneira a fortalecer e ampliar a capacidade das organizações da sociedade civil de intervir e demandar nestes espaços internacionais.
O curso trata do contexto de proteção de defensores e defensoras de direitos humanos nas Américas, dos Mecanismos de monitoramento, de seguimento, as possibilidades de soluções amistosas, experiências práticas de litigâncias estratégicas no sistema interamericano a partir de petições de casos e medidas cautelares e provisionais, e está sendo desenvolvido a partir de atividades teórico-práticas e estão sendo apresentados, as e ferramentas mecanismos do Sistema Interamericano trabalhando a partir de casos práticos que facilitam o processo de aprendizagem do uso estratégico dos mesmos.
Durante o curso serão apresentados os informes sobre violência e discriminação contra mulheres e meninas na América Latina e no Caribe, sobre políticas públicas, e sobre a atuação da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA diante da demanda da sociedade civil frente à violação de direitos humanos nas Américas.
Do GELEDÉS

segunda-feira, 9 de dezembro de 2019

Miss Universo em resposta fala sobre o racismo , machismo e autoestima

Por Mônica Aguiar 


A candidata sul-africana, Zozibini Tunzi, venceu ontem, domingo dia 08, em Atlanta, nos Estados Unidos, um dos mais tradicionais concursos de beleza do planeta, o Miss Universo 2019. 

Quebrou um jejum de oito anos sem que uma mulher negra ganhasse o título. A última a conquistá-lo foi a angolana Leila Lopes, que recebeu a coroa em uma cerimônia realizada no Brasil em 2011.

A jovem, superou 89 concorrentes e discursou contra o racismo e o machismo .

Entre as três finalistas, estavam também as candidatas do México, que ficou com o terceiro lugar, e Porto Rico.

Com cabelos curtos e naturais, impactou pelo seu discurso , precisão e elegância.  

No final reeditou a história  ao afirmar  : 
"Eu cresci em um mundo onde mulheres como eu, com a minha pele e o meu cabelo, nunca foram consideradas bonitas. 
Já chegou a hora de parar com isso. Eu quero que as crianças olhem para mim e vejam seus rostos refletidos no meu", respondeu Tunzi ao ser questionada sobre qual seria sua atuação caso vencesse.

Durante a competição, a candidata  respondeu a uma pergunta sobre o que ela acha que é a coisa mais importante que as jovens mulheres devem aprender dos dias de hoje.

"Liderança. É algo que falta às mulheres e mulheres jovens há muito tempo. Não porque elas não a desejavam, mas por causa de como a sociedade rotulou como elas deveriam ser”, disse.

Também na fase de perguntas e respostas, a candidata da África do Sul falou sobre questões ambientais:
"Acho que os líderes do futuro podem fazer mais, mas acho que nós como indivíduos também podemos fazer mais. Desde a sexta série eu aprendo que o nosso planeta está morrendo. Depende de nós mantermos a nossa segurança. Vemos crianças protestando e nós, adultos, podemos cooperar". afirmou.

Em seu Instagram nesta segunda-feira (9), afirmou que se sente feliz por poder inspirar meninas que sonham com este título.
"Esta noite uma porta foi aberta e eu não poderia estar mais agradecida por ter sido a pessoa que a atravessou.  Que toda garotinha que testemunhou esse momento acredite para sempre no poder de seus sonhos e que eles possam ver seus rostos refletidos no meu".
Eu orgulhosamente declaro meu nome Zozibini Tunzi, 
Miss Universo 2019!"
Zozibini Tunzi    natural de Tsolo é profissional de Relações Públicas, ativista e tem 26 anos. 
Zozibini é a  terceira miss de seu país a vencer o concurso mundial,  quebra também o jejum de apenas dois anos em sua terra natal.  Antes dela, ocuparam o posto as sul-africanas Demi-Leigh Nel-Peters (2017) e Margaret Gardiner (1978).  


Fontes: MarieClare/ Gauchozh
Fotos: Gauchozh

A primeira super-heroína da Índia é feminista e combate a violência sexual contra meninas

Como escrever um livro sobre tráfico sexual para leitores teens e pré-adolescentes? Esta história em quadrinhos mostra como.




Uma imagem de Priya and The Lost
Ela é a primeira super-heroína de quadrinhos da Índia. Ela cavalga um grande tigre de Bengala, e, em vez de leggings, veste sári ou um salwar kameez, outra roupa tradicional entre as mulheres indianas. Ela também é alguém que sobreviveu a um estupro coletivo e que fez de seu trauma, uma arma.
Priya, a personagem em questão, é surpreendente sob muitos aspectos. Ela inicia sua jornada como um garota camponesa indiana simples, mas em três graphic novels aclamadas pela crítica, combate os demônios do estupro, do ataque com ácido e, mais recentemente, do tráfico sexual. Mas quem imagina decapitações e cenas de vingança sangrentas inspiradas na deusa Kali ― uma das divindades do hinduísmo cuja representação é manchada de sangue, com cobras e um colar de crânios ― pode acabar se decepcionando.
As tramas dos três livros possuem uma nuance crítica: o fato de que rejeitam a dicotomia de bem versus mal vista na maioria das histórias sobre super-heróis. E o modus operandi de Priya é diferente de muitos outros: ela não apenas derrota os vilões como reconhece o sistema sociocultural que os criou. Outro aspecto inovador dos livros: Priya foi uma das primeiras HQs da Índia a usar realidade aumentada. As histórias ganham vida surpreendente quando você scaneia as capas e páginas com o aplicativo chamado Artivive.
Priya foi vista pela primeira vez em Priya’s Shakti, de 2014, publicado contra o pano de fundo do estupro coletivo hediondo cometido em Délhi em dezembro de 2012. Nessa história de origem, somos apresentados a Priya, uma jovem que é humilhada e rejeitada depois de sofrer uma agressão sexual. Em seu desespero, ela pede ajuda aos deuses.
Enquanto o Senhor Shiva quer castigar todos os homens por converter-se em “degenerados”, revogando sua capacidade reprodutiva, a deusa Parvati tem outra ideia: ela envia Priya em uma missão para salvar o mundo, mudando as normas sociais profundamente patriarcais que levam à violência contra as mulheres.

MULHERES TÊM FILHOS MAIS TARDE

Levantamento mostra que na última década diminui a proporção de mães com menos de 30 anos. Maior aumento no número de nascimentos foi de mães com idade entre 35 e 39 anos.
As mulheres brasileiras estão esperando mais tempo para serem mães, priorizando a gestação após os 30 anos de idade. É o que sugerem as Estatísticas do Registro Civil, divulgadas nesta quarta-feira (4) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
De acordo com o levantamento, entre 2008 e 2018, diminuiu o número de mulheres que tiveram filho com menos de 30 anos de idade, enquanto aumentou o daquelas que se tornaram mãe após essa idade. Também diminui a proporção daquelas que têm filhos após os 45 anos.
O levantamento foi feito com base nos registros de nascidos vivos realizados pelos Cartórios de Registro Civil de Pessoas Naturais de todo o país. Os dados consideram as crianças registradas em 2018 – uma pequena proporção desses nascimentos são de pessoas nascidas em anos anteriores, mas que só foram registradas no ano passado.
No período, diminuiu em 16,1% o número de crianças nascidas de mulheres com menos de 30 anos. Em contrapartida, aumentou em 36% o número dos nascimentos para mães entre os 30 e os 44 anos. Na faixa etária acima de 45 anos, diminuiu em 14,9%.
Ainda assim, o IBGE mostra que, no ano passado, 18.231 jovens de menos de 15 anos tiveram filhos no país. Outras 414.866 mulheres tinham entre 15 e 19 anos quando deram à luz. Em 2008, esses números foram de 23.149 e 519.605, respectivamente.
“Tais resultados corroboram as tendências, observadas nos censos demográficos, de redução da taxa de fecundidade das mulheres mais jovens”, destacou o IBGE.
A maior queda na comparação entre os dados de 2008 e 2018 foi observada entre as mulheres que tiveram filho com menos de 15 anos (-28%). Já o maior aumento foi observado no grupo de mulheres com idades entre 35 e 39 anos (56%).
  • Menos de 15 anos: -28%
  • 15 a 19 anos: -26%
  • 20 a 24 anos: -17%
  • 25 a 29 anos: -8%
  • 30 a 34 anos: 26%
  • 35 a 39 anos: 56%
  • 40 a 44 anos: 36%
  • 45 a 49 anos: -11%
  • 50 anos ou mais: -28%

Mais nascimentos

De acordo com o IBGE, em 2018 foram registrados 2.899.851 nascimentos ocorridos no ano, 3,6% a mais que em 2008. Na comparação com 2017 também foi observada alta, de 1%.
O aumento entre 2017 e 2018, segundo o IBGE, foi puxado pelos nascimentos registrados nas regiões Nordeste (2,6%), Norte (2,3%) e Centro-Oeste (2%). No Sudeste e no Sul foram observadas quedas no número de nascimentos, respectivamente de -0,4% e -0,1%.
Entre os estados, o destaque ficou com Roraima, que registrou aumento de 13,4% no número de nascimentos. No Mato Grosso, segundo no ranking, a alta foi de 8,4%.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2019

Quanta Dor !


Por Mônica Aguiar

O que causa mais dor entre as pessoas, verdadeiramente cidadãs de bem no Brasil?

O que provoca angústia e desalentos nas pessoas que lutam cotidianamente pela sobrevivência dos seus?

As respostas estão postas nos semblantes de milhões das brasileiras que caminham nas  manhãs em busca de trabalho, cumprindo uma rotina cruel e desalentada.

As que seguem seu caminho ao trabalho, a única certeza, são trinta dias para receber um salário que mal dá para pagar as contas de água, luz, comprar o gás e pagar o aluguel.

Café da manhã, só o café. Pão com margarina, pouco sobra dinheiro.

- O leite com o preço que tá, melhor não comprar fruta, a casula precisa do leite para tomar.  

Alimentação em dia, nem se falam mais.

- Melhor não reclamar!

Termina conversas dentro de coletivos públicos entre pessoas que as vezes não se conhecem mais querem e precisam desabafar.

Uma caminhada rumo a única possibilidade de trabalho, com coração em dor.

As forças vem da consciência e responsabilidade com a prole que necessita comer, estudar e morar.

- Uma coisa ou outra?

- Não. As duas juntas. Tudo junto e misturado!

Ameaçam um sorriso entre o canto do rosto suado, marcado pelos reflexos dos problemas do dia a dia.

Entre olhares distante, ecoa pensamentos em suspiros do medo de ter que deixar os filhos sozinhos para trabalhar.

Entre o total silencio uma única frase imortaliza a conversa:

- Não é fácil!

Em um breve momento, o rosto já cansado pela manhã, escondem lágrimas nas mangas das blusas surradas pelos excessos de lavagem.

O frio d’alma sobressai no aroma do suor. Cada uma com sua dor, clamando por paz.

Entre caminho e caminhadas, notícias chegam que filhos se vão para nunca mais voltar.

- O que eu fiz meu Deus para merecer tanta dor?

Pergunta a mãe desalentada por ter que reconhecer seu filho cruelmente assassinado pela polícia.

- Que pena dura é esta!

Em liberdade limitada, muito vigiada, por poderosos que julgam e condenam por morar em uma comunidade pobre e negra. 
Donos de um poder que não exigiu o voto democrático. 
Criminalizam, julgam e estabelecem no mesmo momento como pena a  morte .

Os gritos de dor ficam sufocados diante as mais variáveis justificativas entoadas de Corporações que mantém as regras falidas que sustentam a violência extrema e a segregação.

Quem saberá mensurar o tamanho desta dor?

Três dias para respirar, diminuir choro e clamor, retornar em passos lentos no mesmo caminho rumo a sobrevivência dos outros que ficaram em casa, refém de um Estado que deveria resguardar a vida, dar escola, lazer, cultura e ajudar a alimentar.

Milhares de olhares tristes já pairam no rosto do povo que é considerado o mais felizes do mundo.

Os lírios começam a murchar.

Tão covardes são estes que acreditam que ceifar vidas de inocentes garantem o exemplo para manutenção da moral e bons costumes que os filhos deles não praticam.

_ Para onde eu vou, onde vou morar, por que meus filhos?

Outros Lírios, gritaram ... Juntas vamos gritar


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