quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Diminui Diferença Entre Jovens Ricos e Pobres que Concluem o Ensino Médio

Em dez anos, Brasil diminui diferença entre jovens mais ricos e mais pobres que concluem o ensino médio. Em 2005, 18,1% dos jovens de 19 anos entre os 25% mais pobres da população concluiam o ensino médio. Entre os 25% mais ricos, a porcentagem chegava a 80,4%, existindo uma diferença de 62,3 pontos percentuais entre os dois grupos.  Em 2014, último dado disponível, o cenário mudou. Entre os mais pobres, 36,8% concluíam o ensino médio e, entre os mais ricos, 84,9%. A diferença entre os dois grupos ficou em 47,8 pontos percentuais. 
Aumenta número de jovens pobres que concluem o ensino médio
Nos últimos dez anos, o Brasil avançou 15,4 pontos percentuais na taxa de conclusão do ensino médio dos jovens de até os 19 anos 
Os dados são de levantamento divulgado hoje (18) pela organização não governamental Todos Pela Educação, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A pesquisa tem como objetivo monitorar a Meta 4 da entidade, que estabelece que 90% ou mais dos jovens brasileiros de 19 anos deverão ter completado o ensino médio até 2022. Essa meta também monitora a conclusão do ensino fundamental até os 16 anos, estabelencendo o objetivo de que 95% dos jovens tenham completado este ciclo escolar até 2022.
“A perspectiva é redução de desigualdades. Esse dado é positivo. O Brasil está aumentando os índices e reduzindo as desigualdades”, diz a superintendente do Todos Pela Educação, Alejandra, Meraz Velasco, que pondera que o país ainda apresenta desigualdades que precisam ser enfrentadas. 

Ensino fundamental
A redução das diferenças entre os mais pobres e mais ricos ocorre também no ensino fundamental.  Em 2005, dos jovens de 16 anos entre os 25% mais pobres da população, 38,8% concluíram o ensino fundamental. Entre os 25% mais ricos, a porcentagem era 90%. A diferença entre os dois grupos era 51,2 pontos percentuais. Em 2014, entre os mais pobres a taxa de conclusão saltou para 62,7% que concluíram o ensino fundamental e, entre os mais ricos, 92,2%, uma diferença de 29,5 pontos percentuais. 
De modo geral, os dados mostram que, nos últimos dez anos, o Brasil avançou 15,4 pontos percentuais na taxa de conclusão do ensino médio dos jovens de até os 19 anos. O percentual de concluintes passou de 41,4% em 2005 para 56,7% em 2014. Em números absolutos, isso significa que, nesse intervalo de tempo, os estudantes concluintes passaram de 1.442.101 para 1.951.586.
No ensino fundamental, a taxa de conclusão cresceu na mesma proporção que o ensino médio: quase 15 pontos percentuais, aumentando de 58,9% em 2005 para 73,7% em 2014. Passou de 2.106.316 concluintes em 2005 para 2.596.218, em 2014.

Desigualdades
Ensino médio
A meta do Todos Pela Educação é que 90% dos jovens de até 19 anos concluam o ensino médio até 2022
No ensino médio, entre os grupos de jovens por raça/cor, o maior avanço registrado na década está entre a população parda, cuja taxa de conclusão aos 19 anos aumentou 19,8 pontos percentuais. Entre os pretos, o crescimento foi 17,1 pontos percentuais, enquanto os brancos apresentam 12,3.
No ensino fundamental, também houve queda na diferença. Entre os pardos, houve um aumento na conclusão da etapa de ensino de 20 pontos percentuais em dez anos. Entre os pretos, 18,2 pontos percentuais e, entre os brancos, 10,7.
Apesar das melhorias, as populações pardas e pretas ainda concentram os maiores percentuais de estudantes que não concluíram as etapas de ensino nas idades monitoradas. No ensino fundamental, em 2014, 82,9% dos brancos haviam concluído com 16 anos a etapa, enquanto  66,4% dos pretos e  67,8% dos pardos atingiram o mesmo patamar. No ensino médio, 66,6% dos brancos com 19 anos concluíram a escola. Entre os pretos o percentual foi  46,9% e, entre os pardos, 50,1%.  
Na avaliação de Alejandra, o país ainda está distante de cumprir, em 2022 a meta estabelecida pela entidade, de que pelo menos 90% dos jovens brasileiros de 19 anos tenham o ensino médio concluído. “Como em outros indicadores de educação, observamos melhorias, destacamos melhorias, mas o Brasil não está melhorando a educação em um ritmo que a gente esperava”, diz.

Onde estão os jovens?
Quase um quarto dos jovens de 19 anos não estuda e nem trabalha, segundo o estudo, a chamada  "geração nem nem". A porcentagem têm se mantido mais ou menos constante. Em 2005, eram 23,1% e, em 2013, a porcentagem subiu para 25,7%. Em 2014, houve uma queda, para 24,5% dessa população. Isso significa que 842.217 jovens estão nessa situação no Brasil.
Aos 16 anos, a porcentagem de "nem nem" é menor, era 11,2% em 2005 e caiu para 10,5% em 2014, o que corresponde a 370.633 adolescentes que não estão na escola e nem trabalhando. Mais 244.232 (6,9%) só trabalham. 
“Sem dúvida isso é preocupante e passa pela necessidade de reestruturação do ensino médio. Muito do aumento de quem não frequenta a escola é devido ao desinteresse no ensino médio”, avalia Alejandra. A partir desse ano, o ensino até os 17 anos passa a ser obrigatório no Brasil, como prevê a Emenda Constitucional 59/2009 e o Plano Nacional de Educação (PNE). Para Alejandra, isso deve se refletir nos indicadores futuros.

Mariana Tokarnia - Repórter da Agência Brasil

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Conselho aprova sugestão para inibir violência contra comunicadores no país

por Mariana Jungmann – Repórter da Agência Brasil

O Conselho de Comunicação Social do Congresso Nacional aprovou dia 15/01/16,  uma série de sugestões para inibir a violência contra jornalistas e profissionais de comunicação no país. Uma delas é que seja criado o Observatório da Violência contra Comunicadores, que deverá ser ligado à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.
Resultado de imagem para violencia contra jornalistasOs conselheiros sugerem que o Senado aprove um protocolo de atuação para que as forças policiais evitem a violência contra esse tipo de profissional. Sugerem ainda que sejam aprovados três projetos de lei que já estão em tramitação no Congresso que tratam da segurança de comunicadores, como a obrigatoriedade do uso de equipamentos de segurança em coberturas de risco.
O autor do parecer que recomenda as ações é o conselhoeiro Celso Schoreder. Embora o texto dele seja um pouco mais antigo, o conselheiro citou um relatório recente, de 2015, da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), sobre a violência contra os profissionais de imprensa. Segundo Schoreder, não são apenas repórteres que sofrem violência, mas outros tipos de profissionais de comunciação como cinegrafistas, radialistas e blogueiros.
“A violência extrema, que é o assassinato de jornalistas, diminui, mas aumenta a violência não extrema, ou seja, agressões contra jornalistas nesse tempo. Por outro lado, aumentou também a violência extrema, ou seja, o assassinato de outros comunicadores, como radialistas. Esse ano de 2015 foi um ano em que isso ficou muito claro”, disse, ao recomendar a leitura do relatório aos colegas de conselho.
Schoreder apontou ainda que a violência contra comunicadores no Brasil geralmente está associada a questões políticas, o que, segundo ele, demonstra a incapacidade de setores da política brasileira de lidar com a liberdade de imprensa.
O conselheiro também ressaltou que o Brasil se mantém entre os países com maior violência praticada contra esse tipo de atividade no mundo. Segundo ele, nos últimos 15 anos o país se manteve entre os primeiros nesse ranking, mesmo com outros países como Iêmen e Síria tendo entrado para a lista por causa de guerras civis.
“O Brasil, assim como México e Rússia, são os únicos países que, sem conflitos, estão entre os dez países mais violentos do mundo. Então, parece-me que precisamos de mecanismos urgentes para enfrentar efetivamente esse dado que é alarmante e que insiste, mesmo com os debates, mesmo com as ações muito tênues, em não diminuir”, afirmou.
O Conselho de Comunicação Social é um órgão consultivo do Congresso Nacional e não tem, portanto, poderes para aprovar medidas práticas. No entanto, as recomendações aprovadas pelo conselho são direcionadas às presidências das duas Casas do Congresso para que os assuntos sejam priorizados na forma de novos projetos de lei a serem criados ou na aprovação de matérias que já estejam em tramitação.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Larissa Luz Homenageia a Mulher Negra em Novo Disco

Larrisa Luz
por Mariana Gonçalves

A mulher negra, suas conquistas, força, fé, afirmação e estética são os pontos de partida do álbum Território Conquistado, segundo da carreira solo da cantora e atriz Larissa Luz. 
No repertório, uma fusão rítmica - com trap, dubstap, rap e rock,  dentro uma perspectiva afro-brasileira  em forma de samba duro, ijexá e samba reggae. 

O trabalho autoral conta com dez faixas que homenageiam dez personalidades negras, como Elza Soares, que gravou a faixa que dá título ao álbum e trouxe sua voz rasgada e potente para Território Conquistado.
- Essa faixa reflete o sentimento e invasão de sensações que me tomaram durante todo o processo de composição do disco. Tomando posse de mim mesma, conquistando meus espaços internos e externos... ocupando. Estou explosiva! - diz Larissa. - Gravar com Elza foi uma realização e tanta. Ela pra mim é a personificação da resistência. É um trovão, referência máxima, intensidade transbordando e inundando o mundo com poder feminino, força negra e muita verdade.
Outra participação é da baiana Thalma de Freitas, que participa da canção "Mama Chama", em parceria com a cantora Manuella Rodrigues. A música é dedicada à Regina Luz, educadora e mãe de Larissa Luz. 
Outras escritoras negras são evocadas e lembradas no disco, como Carolina de Jesus, que inspira a canção Letras Negras e autora nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que é evocada ao lado das imagens do cinema africano na música "Nollywood". 
Fonte: O Globo


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Carnaval 2016 - Minas Gerais.

Por Mônica Aguiar 

A Escola de Samba Canto da Alvorada deu um belíssimo exemplo de dedicação e representação da cultura Afro mineira, terça feira, 09/02.


Levou para Avenida Afonso Pena homenageado Mauricio Tizumba, um dos mais populares artistas de Minas Gerais e um dos grandes mestres e guardião da cultura afro brasileira . 

Com samba enredo Tizumba Ê, foram 14 alas e 750 integrantes, desfilando ao som dos tambores da bateria comandada por Mestre Linguinha, cantor e compositor que agitou os foliões presentes, fazendo a arquibancada levantar em reverência tamanha precisão e beleza da bateria.


As Alas representando componentes importantes na historia e da sociedade com suas tradições, trouxe também os Orixás, exaltando as religiões de matrizes africanas elemento fundamental da diversidade religiosa em Minas Gerais . 

Muitas personalidades presentes como integrantes e amantes do Canto da Alvorada, uma delas, histórica no movimento negro, Diva Moreira, a primeira Secretária Municipal da extinta Secretaria da Comunidade Negra de Belo Horizonte, desfilou na Ala das Baianas. Cássio Oliveira radialista e locutor na Escola, direção do Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova, além das centenas de pessoas comprometidas e envolvidas diariamente na defesa da cultura negra. Euzinha Mônica Aguiar, fico por aqui, retornado para falar mais a Canto da Alvorada e o resultado em Belo Horizonte nas Minas Gerais.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

A Dor dos Esteriótipos pós Carnaval

Angela Batista, 22 anos, ativista da causa negraTodos os anos, milhares de foliões curtem o Carnaval por todo o país ostentando as mais diferentes e criativas fantasias. Mas há uma delas que invariavelmente desagrada a ativista sul-mato-grossense Angela Batista, de 22 anos.
"Pense duas vezes antes de pintar o rosto de preto ou colocar um blackpower", diz ela. "É depreciativo, é desrespeitoso e é racista", acrescenta Angela, que não economiza palavras para criticar o que classifica como uma "ofensa pessoal".
Angela, que é professora de português e literatura, ganhou visibilidade nas redes sociais após escrever um artigo em que critica o uso de adereços ou fantasias durante o Carnaval que, em sua opinião, desmerecem a luta do movimento negro. E ela não abre espaço para concessões.
"Não adianta dizer que se trata de uma homenagem. Quem faz blackface ou põe um blackpower está debochando de todo um povo. Se a escolha foi consciente ou não, não importa. Na dúvida, não me desrespeite."
A polêmica também ganhou força recentemente após uma foto circular nas redes sociais de um casal de jovens brancos fantasiado de Aladdin e Jasmine, com o filho negro nos ombros vestido de Abu, o macaco de estimação e um dos melhores amigos do personagem.
No ano passado, a BBC Brasil publicou reportagem sobre a reação ao bloco 'Domésticas de Luxo', de Juiz de Fora (MG), formado por homens com rostos pintados de preto.
De sua casa em Campo Grande (MS), Angela Batista deu o seguinte depoimento à BBC Brasil:
"Desde pequena, assim como milhões de negros desse país, sempre fui vítima de racismo. São tantos episódios que já perdi as contas. Só quem nasceu negro sabe. Na escola, me chamavam de 'preta fedida', 'carvão', 'petróleo'. Certa vez, quando era bem pequena, uma professora perguntou em sala de aula o que gostaríamos de ser quando crescêssemos. No meu imaginário pueril, respondi: 'princesa'. Ela rebateu: 'Não existe princesa negra'. Passei a alisar meu cabelo."
"Eu chorava escondido. Mas hoje não choro mais. Me assumo do jeito que eu sou. E decidi militar ativamente no movimento negro. Durante as minhas aulas, tento empoderar e politizar meus alunos o máximo possível. E por isso não consigo entender o que passa na cabeça de algumas pessoas que teimam em colocar um 'blackpower' ou pintar o rosto de preto durante o Carnaval. É depreciativo, é desrespeitoso e é racista. E não se trata de uma homenagem, mas uma ofensa, a mim e a milhões de negros que lutam diariamente para combater o preconceito nesse país ainda tão cindido."
"Não sou contra o Carnaval. E entendo que por trás de muitas fantasias exista uma crítica, política ou social. Mas não cabe aos brancos determinar o limite do que é tolerável ou não. Se eu ou algum negro levantamos esse questionamento, é porque algo ali nos incomoda. E não se trata de autovitimização. Estão sequestrando o nosso protagonismo. Em outras palavras, se sou quem sofre o preconceito, não deveria ter voz sobre o que considero um ato de racismo? Devemos escutar o ofensor em vez do ofendido?"
"O blackface, por exemplo, era uma prática teatral em que atores pintavam o rosto de preto para representar os africanos de forma exagerada, reforçando estereótipos. Já o blackpower é para mim um ato de resistência. É a forma como eu assumo as minhas características diante da sociedade. Considero a suposta 'brincadeira' nos dois casos como de extremo mau gosto. É triste se ver estereotipado como uma alegoria de Carnaval. Isso diminui a nossa luta."
"Decidi escrever um desabafo no meu Facebook depois de um colega de trabalho me enviar uma mensagem em que me perguntava se eu ficaria incomodada se ele saísse fantasiado 'de Angela' no Carnaval. Em suas palavras: com o rosto pintado de preto, blackpower e tatuagem. Achei estranho e ofensivo. Não quero ser retratada de forma debochada. Eu sou um ser humano e mereço ser tratada como tal."
"Infelizmente, o Brasil é um país ainda muito racista. E a sociedade parece não estar aberta à discussão. É mais fácil querer desqualificar meu argumento, ora me tachando de vitimista, ora de xiita."
"Por isso, eu convido todos à autorreflexão. Todo mundo quer curtir o Carnaval, mas será que não vale a pena pensar um pouco antes de sair com uma fantasia que possa ofender alguém?"
Fontes: BBC Brasil em Londres/ Uol 

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