terça-feira, 7 de julho de 2015

Novas Regras de Incentivo ao Parto Normal Entram em Vigor

Utilização do partograma passa a ser obrigatória para obstetras da rede privada a partir desta segunda-feira (6)


A utilização do partograma – documento gráfico onde são feitos registros de tudo o que acontece durante o trabalho de parto – passa a ser obrigatória para obstetras da rede privada a partir de hoje (6). Anunciado pelo Ministério da Saúde e pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) como uma das medidas de estímulo ao parto normal, a ferramenta será considerada parte integrante no processo de pagamento do parto.
Os planos de saúde tiveram um prazo de 180 dias para orientar seus profissionais sobre o uso do partograma, que registra, por exemplo, a frequência das contrações uterinas, os batimentos cardíacos fetais e a dilatação cervical da gestante. O documento é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 1994.
A Resolução Normativa nº 368, publicada em janeiro deste ano, prevê ainda que as operadoras informem aos beneficiários os percentuais de cirurgias cesarianas e de partos normais de cada hospital e médicos credenciados. As informações devem estar disponíveis no prazo máximo de 15 dias, contados a partir da data de solicitação.
Os planos também serão obrigados a oferecer o cartão da gestante, que contém todas as informações sobre o pré-natal. De posse do documento, qualquer profissional de saúde terá conhecimento de como se deu a gestação, facilitando um melhor atendimento à mulher quando entrar em trabalho de parto.
Com as novas regras, cesarianas marcadas com antecedência e sem indicação médica serão coibidas pelas operadoras. Apenas cesáreas recomendadas – como no caso de gestantes com diabetes não controlada ou com placenta insuficiente – ou cesáreas que se fizerem necessárias durante um trabalho de parto difícil serão reembolsadas pelos planos de saúde.
A elaboração da resolução pela ANS foi feita após consulta pública realizada de outubro a novembro do ano passado. Foram colocadas em consulta duas minutas de normas: uma sobre o direito de acesso à informação pela gestante e uma sobre o cartão da gestante e a utilização do partograma.
Atualmente, 23,7 milhões de mulheres são beneficiárias de planos de assistência médica com atendimento obstétrico no país. O percentual de cesarianas chega a 84% na saúde suplementar e 40% na rede pública.
Dados do Ministério da Saúde indicam que a cesárea sem indicação médica provoca riscos desnecessários à saúde da mulher e do bebê, já que aumenta em 120 vezes a probabilidade de problemas respiratórios para o recém-nascido e triplica o risco de morte da mãe. Cerca de 25% dos óbitos neonatais e 16% dos óbitos infantis no Brasil estão relacionados à prematuridade.
 
Fonte: EBC
Foto : Internet

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Inaugurada Primeira Sala Feminista na Biblioteca Cora Coralina - SP

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A Secretaria Municipal de Políticas para as Mulheres, em parceria com a Secretaria Municipal de Cultura, inaugurou dia (4) a primeira Sala Temática Feminista, que fica na Biblioteca Cora Coralina, no bairro de Guaianases, zona leste da capital paulista. 
Concebida a partir da vocação natural do espaço da biblioteca, que já recebe o nome de uma marcante escritora brasileira, o local agora se propõe a unir essa trajetória, valorizando a luta e as ações do movimento em defesa dos direitos das mulheres, pauta que ainda hoje se mostra relevante e necessária. 
Além de um acervo com mais de mil obras para consultas, estudos e pesquisas, a Biblioteca Temática Feminista Cora Coralina quer se consolidar como um ponto de referência cultural na discussão de gênero e feminismo de São Paulo, a partir de uma programação cultural continuada, com atividades de cinema, música, teatro, literatura, rodas de conversa e oficinas. 
temática feministaSob a curadoria da artista Biba Rigo, uma das salas desta biblioteca que foi inaugurada em 1966, recebeu ambientação com a temática feminista, contando com a participação das mulheres que, a partir de suas próprias histórias, olhares e experiências, participaram de oficinas de artes visuais e garantiram ao local um visual com destaque para o empoderamento das mulheres na apropriação de seu espaço. 


SUS fará transplante de medula óssea em pessoas com doença falciforme

O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o transplante de células-tronco hematopoéticas entre parentes a partir da medula óssea.
Os pacientes que sofrem com doença falciforme têm uma nova opção para o tratamento. O Ministério da Saúde incorporou ao Sistema Único de Saúde (SUS) o transplante de células-tronco hematopoéticas entre parentes a partir da medula óssea. Estudos demonstram que o procedimento permite um aumento de sobrevida de dois anos em 90% dos casos transplantados e em outros casos deixaram de utilizar a morfina para o controle da dor.
A doença falciforme é uma das mais frequentes doenças genéticas no Brasil, atinge sobretudo a população afrodescendente e se caracteriza pela deformidade dos glóbulos vermelhos. Estima-se que 25 mil a 50 mil pessoas tenham a doença no Brasil, que apresenta alta morbidade e mortalidade precoce.
A medida foi publicada nesta quarta-feira (1º) em Diário Oficial da União (Portaria 30), que traz a decisão da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec), que recomendou a incorporação após debater o assunto com especialistas e diversos segmentos da sociedade por meio de consulta pública, com 284 contribuições.
“O Brasil, que já tem o maior sistema público de transplantes do mundo, passa agora a ter também mais alternativa terapêutica para quem têm doença falciforme. O transplante é uma arma a mais para ajudar no combate à doença e no tratamento dessas pessoas”, destaca o coordenador-geral do Sistema Nacional de Transplantes do Ministério da Saúde, Heder Murari Borba.
Para a diretora de programas da Secretaria de Políticas de Ações Afirmativas da SEPPIR, Larissa Borges, a medida é uma conquista e um grande avanço para a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra: “A partir de agora, muitas pessoas que não tinham condição financeira para pagar o transplante poderão ter acesso ao tratamento pelo Sistema Único de Saúde. É uma forma de garantir direitos e também de garantir a vida”.
A partir de publicação da portaria, o Sistema Nacional de Transplantes tem até 180 dias para incluir a doença falciforme em seu regulamento técnico, de forma a garantir o acesso gratuito dos portadores que se encaixarem em critérios definidos.
O procedimento é indicado para pacientes com doença falciforme em uso de hidroxiureia que apresente, pelo menos, uma das seguintes condições: alteração neurológica devido a acidente vascular encefálico, alteração neurológica que persista por mais de 24 horas ou alteração de exame de imagem; doença cerebrovascular associada à doença falciforme; mais de duas crises vasoclusivas (inclusive Síndrome Torácica Aguda) graves no último ano; mais de um episódio de priapismo (ereção involuntária e dolorosa); presença de mais de dois anticorpos em pacientes sob hipertransfusão; ou osteonecrose em mais de uma articulação.
Tratamento
O tratamento é feito com o uso de vacinação e penicilina nos primeiros cinco anos de vida, como profilaxia às infecções, uso regular de ácido fólico, medicamentos para a dor, uso de hidroxiuréia e, em alguns casos, transfusões de sangue de rotina.
No entanto, o uso crônico da transfusão pode ocasionar o desenvolvimento de anticorpos que tornam as transfusões menos eficazes. Assim, o transplante tem sido uma reivindicação do movimento social como uma possibilidade de contribuir com a melhoria da qualidade de vida das pessoas com doença falciforme e até mesmo por se tratar, atualmente, da única possibilidade de cura.
A doença se manifesta, na maioria das vezes, após os seis meses de vida do bebê. O “Teste do Pezinho” nos primeiros dias de vida pode fazer o diagnóstico precoce da doença. Os principais sintomas são: anemia crônica, icterícia (cor amarelada na parte branca dos olhos), mãos e pés inchados e dor intensa nos punhos e tornozelos (frequente até os dois anos de idade), crises de dores em músculos, ossos e articulações.
Expectativa de triplicar número de leitos
No final de 2014, o Ministério da Saúde publicou a Portaria 2.758, que traz medidas que resultarão no aumento do número de leitos para a realização de transplantes de medula óssea até 2016. A expectativa é triplicar os leitos existentes, passando de 88 para 250. A partir de incentivo financeiro, o objetivo é ampliar a capacidade de realização de transplante de medula óssea alogênico (outro doador que não seja o próprio paciente) no País.
A pasta vai investir R$ 240 mil para abertura de cada novo leito ou ampliação dos já existentes. O recurso garante ainda a criação e a melhoria da qualificação da equipe de atendimento, a aquisição de equipamentos e materiais, além de permitir a reforma e/ou construção dos Centros de Transplantes, que hoje somam 27 unidades. Em 2003, eram apenas quatro serviços.
O transplante de medula óssea é um procedimento de alta complexidade. O paciente transplantado praticamente zera toda a capacidade de resposta imunológica, e, por isso, requer infraestrutura hospitalar que atenda requisitos de segurança, como isolamento, e uma equipe multidisciplinar qualificada para garantir o sucesso do procedimento.
Portal Brasil, Ministério da Saúde e Conitec
Foto : Mônica Aguiar 

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Amanha é meu Aniversário !


Por Mônica Aguiar



Amanha é meu aniversário . Neste dia me darei o direito de descansar. De poder repensar em minhas ações futuras, afinal não é todos os dias que fazemos 50 anos de vida .
São tantas coisas que ja passei que apenas algumas me dão coragem de continuar no caminho que escolhi : - Lutar contra todas as desigualdades. Mas neste momento , mais uma vez, me dou ao direito de dizer não, para muitas coisas. 
Me dou ao direito de fazer qualquer critica que eu quiser e da forma que eu quiser a quem eu achar que mereça . 
Me dou ao direito de ser livre.
Me dou ao direito de continuar sendo diferente, de querer ser representada, de me representar , de não ter tolerância ao racismo velado existe dentro dos partidos políticos. 
 De não aceitar que os oportunistas que acham ser " a bola da vez" brincando de fazer politica com as desigualdades raciais , principalmente com a juventude e com as Mulheres Negras . 

São 50 anos de vida . 

Me dou ao direito de ser criticada e amada com certeza. 

Mas sinceramente , são 50 anos de criticas que não passam de esteriótipos, machistas, preconceituosos, discriminatórios, produzidos para baixar minha alto estima . 
São 50 anos de sobrevivência. 
E eu sobrevivo ! 
Sozinha. 
Por minha conta e risco . 
Cuidando dos meus 06 filhos , sem depender de um centavo de ninguém, além "claro", do produzido pela minha mão de obra, que por sinal continua sendo a mais barata do mercado, a que ainda não tem perfil para muitos para estar e ocupar muitos lugares ou sentar com muitas pessoas. 
Me dou o direito de "dar uma banana" e afirmar: - Estou viva ! 
De cabeça erguida ! 
Sou mulher . Sou negra ! 
Me dou ao direito usar a roupa que  eu quiser , da cor que eu quiser , eu adoro roupas coloridas , colares grandes, turbantes, faixas , chales e tudo que faça eu sentir uma rainha .
Me orgulho de onde estou . 
Me orgulho das minhas amigas e amigos .
Me orgulho dos meus filhos ! 
Me orgulho do meu território .
Da minha origem .
Mas me envergonho a cada dia mais  com o sofrimento do povo negro,  para se manter  de pé , de cabeça erguida neste pais .
Me orgulho de saber separar as coisas mesmo não estando no tempo dos meus 50 anos de vida .

Estudo genético de parte da população do país mostra que ancestrais dos negros brasileiros vieram de regiões diferentes da África

Um dos mais completos estudos genéticos já feitos sobre os ancestrais dos brasileiros mostra que, apesar do predomínio do DNA europeu, até brancos do Sul e Sudeste carregam em seus genes pistas sobre o tráfico negreiro.
Foram estudados voluntários de Salvador (BA), Bambuí (MG) e Pelotas (RS). Mas, com 6.487 participantes e 30 genomas humanos totalmente “lidos”, a pesquisa conseguiu ter uma visão aprofundada dos genomas africanos, indígenas e europeus que se mesclaram para formar a atual população brasileira.
Coordenado por Eduardo Tarazona-Santos, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o estudo saiu na revista científica “PNAS”. Tanto na cidade gaúcha quanto na mineira, mais de três quartos do genoma dos moradores deriva de ancestrais europeus. Só em Salvador a situação é mais equilibrada, com 50,8% de contribuição genética africana e 42,9% europeia.
A desigualdade fica mais clara quando se olha apenas os genes passados pelo lado materno, como os do DNA mitocondrial, o legado das mulheres indígenas e negras é muito mais acentuado. Ou seja, homens europeus frequentemente se casavam com elas, mas mulheres europeias raramente tinham parceiros negros ou indígenas.
As análises de DNA mostram ainda que, apesar da mestiçagem, o que predominou ao longo dos séculos foram as uniões entre pessoas com ancestralidade parecida. “O Brasil nunca teve segregação como os EUA, mas nem por isso a mistura foi totalmente harmônica aqui”, resume Tarazona-Santos.
Para ele, um dos resultados mais interessantes da análise é poder enxergar com clareza a diferença entre as pessoas de origem africana do Nordeste, de um lado, e as do Sul e do Sudeste, de outro. Desse ponto de vista, é quase como se Salvador fosse a capital do Alabama.
Isso porque, na metrópole baiana, cerca de 80% da contribuição genômica negra teria vindo da África Ocidental, proporção que é muito parecida com a vista entre negros dos Estados Unidos.
Por outro lado, as amostras mineira e gaúcha indicam que cerca de 40% dos genes africanos teriam sido legados por gente de Moçambique e áreas vizinhas da África Oriental, do outro lado do continente.
Fonte: Folha de São Paulo 

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