sábado, 2 de março de 2013

Comunidades quilombolas produzem alimentos saudáveis

Foto: Comunidades quilombolas produzem alimentos saudáveis: Lourença vende parte da produção de frutas e verduras por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) / Crédito: MDS 

http://www.secom.gov.br/sobre-a-secom/acoes-e-programas/comunicacao-publica/em-questao-do-dia/copy_of_em-questao-do-dia/comunidades-quilombolas-produzem-alimentos-saudaveisAgricultores de Engenho II, na Chapada dos Veadeiros, em Goiás, evitam agrotóxicos



A produção de alimentos saudáveis é uma das preocupações dos quilombolas de Engenho II, em Cavalcante (GO), na Chapada dos Veadeiros. “A gente evita ao máximo o uso de agrotóxicos nas lavouras”, diz a agricultora familiar Lourença dos Santos Rosa, 42 anos, casada, mãe de cinco filhos e beneficiária do Programa Bolsa Família. 
A assistência técnica e a extensão rural às comunidades quilombolas é uma das ações do Plano Brasil Sem Miséria. Segundo Lourença, o apoio técnico pode ajudá-la a diversificar a lavoura. “A gente precisa de mais cultura. Na época da chuva, por exemplo, as folhagens como alface e couve não se reproduzem e ficamos meses sem ingerir esses alimentos.”
A agricultora quilombola vende parte da produção de frutas e verduras por meio do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS), e outra parte diretamente à comunidade de Cavalcante. A mulher e a família vivem com uma renda mensal de cerca de R$ 500.
Lourença acredita que é possível aumentar o rendimento médio mensal familiar com orientação técnica rural. “Temos muitas bananeiras no quintal, mas não sabemos como cultivá-las de forma certa e sempre perdemos parte da produção. As frutas nascem e amadurecem antes do tempo correto da colheita e depois a planta morre. Com isso, a gente deixa de ganhar muito dinheiro.”
De acordo com ela, a ampliação da assistência social na comunidade quilombola de Engenho II não depende apenas de uma decisão de governo. “Os moradores mais antigos e algumas lideranças comunitárias ainda são muito resistentes em relação às nossas tradições e dificultam muito a chegada de novas informações e benefícios para a comunidade.”
Pecuária - Para que os quilombolas de Engenho II não fiquem restritos à agricultura, a Universidade Federal de Goiás (UFG) incentiva a expansão da pecuária, por meio de projeto coordenado pela professora Clorinda Santos Fioravante. Ela está trabalhando para que a comunidade passe a criar gado da espécie curraleiro. “Além de ser um animal de tração, ele facilita as atividades que demandam mão de obra pesada; o gado servecomo alimento e como moeda de troca local”, assinala Clorinda.
O projeto também incentiva a criação de cabras em Engenho II. Segundo ela, a falta de animais produtores de leite na comunidade causa deficiência de cálcio visível nas crianças.
“É fundamental que os quilombolas recebam assistência técnica rural especializada para produzir de acordo com as políticas de segurança alimentar e nutricional”, acrescenta o técnico da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) Roberto Carvalho, que visitou Engenho II para avaliar as condições da comunidade.

Oficina testa estratégia para busca ativa de famílias quilombolas 
A Paraíba foi escolhida para iniciar um mutirão nacional de busca ativa e atualização cadastral de todas as famílias nas comunidades quilombolas certificadas do país. O objetivo é garantir a inserção no Cadastro Único (CadÚnico) para Programas Sociais e no Bolsa Família do Plano Brasil Sem Miséria do governo federal. “Há um esforço para fazer com que os direitos das comunidades quilombolas de todo o país possam avançar e ganhar visibilidade”, afirma Bárbara Oliveira, diretora de programas da Secretaria de Políticas para Comunidades Tradicionais da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir).
As comunidades quilombolas representam um patrimônio cultural e um símbolo da sociedade brasileira. Estima-se que o Brasil tenha hoje 1,17 milhão de quilombolas e cerca de 214 mil famílias de um total de 1.834comunidades certificadas pela Fundação Cultural Palmares (FCP).
Fonte: SEPPIR
Fonte: Em Destaque

DEBATE SOBRE COTAS

sexta-feira, 1 de março de 2013

Pesquisa revela perfil dos escritores e personagens da literatura brasileira contemporânea


Literatura e estatística são campos que raramente se cruzam. Quando o fazem, podem gerar polêmica. É o caso de uma pesquisa coordenada por Regina Dalcastagnè, da Universidade de Brasília (UnB), que pretende traçar um perfil dos escritores e dos personagens da literatura brasileira contemporânea. Os primeiros resultados foram divulgados em publicações acadêmicas, em 2005, com repercussão na imprensa. O debate foi renovado com o lançamento, em 2012, do livro Literatura Brasileira Contemporânea — Um Território Contestado(Editora Horizonte/Editora UERJ, 208 páginas, R$ 45), que disponibiliza os números da pesquisa. Foram lidos 258 romances, publicados de 1990 a 2004, pelas editoras Companhia das Letras, Record e Rocco. A pesquisa revelou que os autores, na maioria, são brancos (93,9%), homens (72,7%), moram no Rio de Janeiro e em São Paulo (47,3% e 21,2%, respectivamente). Esse perfil médio do escritor brasileiro não é exatamente uma surpresa. A pesquisa inova ao dar números para o fenômeno, mostrando a dimensão do abismo que separa a diversidade da sociedade brasileira e sua efetiva presença na literatura. É a confirmação de uma hipótese que já se intuía: o campo literário ainda é um território para poucos. — Achei excessivo o número de autores brancos, comparando com a realidade do país. Claro que sabemos que há uma dificuldade maior para pessoas não brancas participarem de qualquer campo de discurso, mas foi um número que surpreendeu — diz Regina (leia entrevista).  O perfil médio dos escritores se assemelha à representação dos personagens nos romances brasileiros contemporâneos. Eles são, em sua maioria, homens (62,1%) e heterossexuais (81%). As principais ocupações dos personagens masculinos são escritor (8,5%), bandido ou contraventor (7%) e artista (6,3%). As personagens femininas são donas de casa (25,1%), artistas (10,2%) ou não têm ocupação (9,6%). A assimetria prossegue no que diz respeito à cor. Os personagens negros são 7,9% e têm pouca voz: são apenas 5,8% dos protagonistas e 2,7% dos narradores. Os brancos são, em geral, donas de casa (9,8%), artistas (8,5%) ou escritores (6,9%). Os negros são bandidos ou contraventores (20,4%), empregados(as) domésticos(as) (12,2%) ou escravos (9,2%). Enquanto a maioria dos brancos morre, na ficção, por acidente ou doença (60,7%), os negros morrem mais por assassinato (61,1%). A escritora Ana Maria Gonçalves observa: — Teríamos que confrontar esses números com dados reais para saber o quão próximos ou distantes estão da realidade. Mas também é certo que, por ignorância — e uma de suas muitas consequências é o racismo — e/ou costume, características tidas como negativas são muito mais atribuídas a personagens negros — comportamento copiado da vida real — do que a personagens brancos.
O escritor e crítico Sérgio Rodrigues, do blog Todoprosa, contrapõe: — O mérito sociológico do levantamento é evidente, mas esse tipo de análise baseada no perfil sociocultural dos autores, típico dos estudos culturais, tem alcance limitado para dar conta do fenômeno literário. A coisa não é tão simples. Guimarães Rosa era branco, urbano e altamente educado, mas ninguém fez uma melhor tradução literária do sertão profundo.
Pesquisa será replicada no RS - Apesar de pouco expressiva em números, a representação das mulheres na literatura indica uma tendência de crescimento: elas estão sendo mais publicadas por grandes editoras do que antes. Depois de estudar os romances publicados entre 1990 e 2004, a equipe de Regina Dalcastagnè fez o mesmo com romances da época da ditadura, de 1965 a 1979. Das décadas de 1960 e 1970 para as décadas de 1990 e 2000, a proporção de autoras cresceu de 17,4% para 27,3%, uma possível conquista do feminismo que floresceu nesse período. Já a presença de personagens femininos decaiu de 40,7% para 37,8%. No que diz respeito à cor, a proporção de autores brancos cresceu de 93% para 93,9%. A presença de autores nascidos no Rio Grande do Sul passou de 4,7% para 12,7%, possivelmente devido à proliferação de oficinas literárias. Um dos participantes da equipe de Regina, o professor de literatura Ricardo Barberena, da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), realizará uma pesquisa semelhante, com foco nos personagens de romances publicados por editoras gaúchas. Os primeiros números devem ser divulgados neste ano. — Uma de nossas hipóteses é que houve uma mudança para uma prosa mais urbana. A questão espacial será interessante de se pensar — diz Barberena.
Fonte : Racismo Ambiental 

Pajerama

Cinco editais para criadores e produtores negros


MinC e instituições vinculadas prorrogam o prazo de inscrições para até 25 de março

“Atenção você que é negro ou negra, com mais de 18 anos, o Ministério da Cultura tem um convite para você e vale até 
o dia 25 de março. Produtor ou artista que se auto-declara negra ou negro, que trabalha com as linguagens de cinema, de literatura, pesquisa de bibliotecas, de artes visuais, circo, música, dança e teatro, os concursos foram feitos para você.

Saiba sobre os projetos aqui no site do MinC. Tire as suas dúvidas e deixe as suas perguntas. Nós vamos esclarecer. São prêmios profissionais, no total de R$ 9 milhões,  garantidos nas cinco regiões do país, numa política de reparação histórica do Governo Dilma. Uma parceria do  Ministério da Cultura e da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial – Seppir”.
O chamamento do Ministério da Cultura enfatiza a importância dos editais voltados aos produtores e criadores negros e para o fato de que eles tiveram o prazo de inscrições prorrogado, oferecendo mais chance de participação.
Os editais são de responsabilidade da Secretaria do Audiovisual (SAv) e de duas instituições vinculadas ao MinC: Fundação Biblioteca Nacional (FBN) e Fundação Nacional de Artes (Funarte),  em parceria com a Fundação Cultural Palmares (FCP) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), da Presidência da República.
O objetivo dos processos seletivos é proporcionar aos produtores e artistas negros oportunidade de acesso a condições e meios de produção artística, conforme estabelecido pelo Plano Nacional de Cultura (Lei 12.343/2010) e pelo Estatuto da Igualdade Racial (Lei 12.288/2010). Foram lançados no dia 20 de novembro de 2012, em São Paulo.
Curta-Afirmativo –
ALTERAÇÕES FORAM  INSERIDAS NESSE EDITAL – ACESSE O NOVO LINK
Realizado pela Secretaria do Audiovisual, o Edital de Apoio para Curta-Metragem – Curta Afirmativo: Protagonismo da Juventude Negra na Produção Audiovisual é voltado para o fomento de seis obras audiovisuais de curta-metragem inéditas, produzidas ou dirigidas por jovens negros de 18 a 29 anos e com duração entre 10 e 15 minutos. Cada curta terá o investimento de R$ 100 mil.
As produções deverão apresentar temática livre, podendo ser ficção ou documentário, com a possibilidade de utilização de técnicas de animação. A avaliação será baseada em critérios variados, como caráter inovador da obra; qualidade do roteiro; plano de distribuição e amplitude do acesso; além de exequibilidade orçamentária. As inscrições serão realizadas por meio do sistema Salicweb.
Mais informações: concurso.sav@cultura.gov.br
Arte Negra
A cargo da Fundação Nacional de Artes está o Prêmio Funarte de Arte Negra. Serão selecionados trinta e três projetos nas áreas de artes visuais, circo, dança, música, teatro e preservação da memória que contemplem a diversidade de expressões artísticas. Serão quatro prêmios nos valores de R$ 200 mil; 12 prêmios de R$ 150 mil; e 17 prêmios de R$ 100 mil.
Os trabalhos serão avaliados por uma comissão de seleção composta por 12 membros, indicados pela Funarte e pela Seppirl. O material de inscrição deverá ser enviado por Sedex, em envelope único, para: Rua da Imprensa, 16 – 6º andar/ Setor de Protocolo – Castelo – Rio de Janeiro – RJ – CEP 20030-120, conforme instruções previstas no Edital.
FBN: Autores Negros
Três editais estão abertos na área da Fundação Biblioteca Nacional.  Um deles é o Edital de Apoio à Coedição de Livros de Autores Negros, cujas inscrições, diferencialmente da dos demais, serão encerradas no dia 30 de abril.
O objetivo é a formação de parcerias para o desenvolvimento de projetos editoriais sob a forma de coedição, com vistas à produção de publicações de autores brasileiros negros, na forma de livros, em meio impresso e/ou digital. A finalidade dos trabalhos é a de divulgar, valorizar, apoiar e ampliar a cultura brasileira dos afrodescendentes, em geral, e dar maior acessibilidade à sua produção cultural, artística, literária e científica.
Pesquisadores negros
Outra seleção aberta no setor da FBN é o Edital de Apoio a Pesquisadores Negros, cujo Aviso de Prorrogação das inscrições para 25 de março foi publicado nesta quinta-feira, 17 de janeiro, no Diário Oficial da União (seção 3, página 15).
O objetivo é a seleção de projetos de pesquisa para concessão de bolsas, propostos por pesquisadores e pesquisadoras negras, visando incentivar a produção de trabalhos originais, em território brasileiro, em qualquer uma das áreas e subáreas do conhecimento definidas pelo CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico).
Serão concedidas até 23 bolsas, com desembolso mensal, por um período de um ano para pesquisadores negros brasileiros, natos ou naturalizados.
Pontos de Leitura
Também está aberto o Edital de Seleção de Projeto para Implantação de 27 Pontos de Cultura Negra, do qual poderão participar da seleção instituições públicas ou privadas sem fins lucrativos cuja  finalidade se relacione diretamente às características dos programas e ações das quais irão concorrer.
O edital se propõe a selecionar um projeto que tenha como objetivo a implantação de 27 pontos de leitura em entidades privadas sem fins lucrativos selecionadas por edital público e desenvolvimento de atividades de mediação de leitura, criação literária, publicação, seleção de acervo e pesquisa, por entidades da sociedade civil que tratem de ações voltadas para a preservação da cultura negra e ações afirmativas de combate ao racismo no país.
Os proponentes deverão inscrever suas propostas no portal de convênios/ Siconv

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