segunda-feira, 10 de novembro de 2025

Código Penal Brasileiro é desrespeitado por parlamentares conservadores

Por Mônica Aguiar 


O Código Penal Brasileiro, de 1940, estabelece os permissivos legais para a interrupção da gravidez nos casos previstos em lei. O aborto é crime pela legislação brasileira desde 1940, portanto há 85 anos.

Em dois incisos no artigo 128, a legislação não pune o médico que realiza o aborto: para salvar a vida da mulher e para o caso de uma gestação decorrente de estupro, por solicitação e consentimento da mulher. Se a mulher for menor de idade, deficiente mental ou incapaz, por autorização de seu representante legal. Em 2012 foi  amplido por decisão do Superior Tribunal Federal, para  casos de anencefalia.

Existem vários  arcabouços legais com protocolos estabelecendo normas que esclarecem as condições a serem observadas pelos profissionais de saúde para realizar a interrupção da gestação, como quais os documentos necessários e quais as técnicas recomendadas nas melhores evidências.

Este artigo explora as razões por trás das  iniciativas, as estratégias utilizadas por  movimentos conservadores e as implicações para a sociedade.

Os movimentos conservadores que buscam restringir o acesso ao aborto frequentemente utilizam argumentos baseados apenas em preocupações morais e éticas. Eles defendem que a vida deve ser protegida desde a concepção e acreditam que o aborto representa uma violação dos direitos do nascituro. Para esses grupos, a preservação da vida é um valor fundamental, e a legalidade do aborto é vista como uma afronta aos princípios que defendem prioritariamente a vida das mulheres.

Como o debate sobre o aborto é um tema que a provocar discussões acaloradas e chama  a atenção da sociedade no Brasil para os propositores. Eis que surgem novas leis especialmente no período eleitoral que visam impor limites ou penalidades adicionais ao aborto legal.

Recentemente, cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro têm sido palco de iniciativas que buscam introduzir o conceito de "síndrome pós-aborto".

As iniciativas de introduzir leis mais restritivas ao aborto se opondo aos direitos sexuais e reprodutivos desrespeitam os limites de decisões federativas e o próprio Código Penal.

Essas iniciativas buscam, por meio de legislações locais restringir o acesso ao aborto legal, alegando apenas preocupações morais e éticas.

 A "síndrome pós-aborto" é um termo controverso, recentemente utilizado por alguns grupos para descrever uma série de sintomas emocionais e psicológicos que alegam ser comuns após a realização de um aborto. Contudo, a comunidade científica não reconhece oficialmente esta síndrome como um diagnóstico válido, e muitos especialistas argumentam que o termo é usado como uma ferramenta política para influenciar a opinião pública contra o aborto.

As ações tomadas em cidades como Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife e Rio de Janeiro refletem uma tendência de municipalização do debate sobre o aborto. Ao introduzir legislações locais, essas cidades se tornam campos de batalha para a discussão mais ampla sobre direitos reprodutivos no país.

O debate sobre o aborto e as tentativas de introduzir leis mais restritivas refletem uma tensão entre valores morais e direitos individuais. Enquanto os movimentos conservadores justificam suas ações por meio de preocupações éticas, é crucial considerar as consequências práticas dessas restrições para a saúde e os direitos das mulheres. O diálogo contínuo e o respeito às decisões legais estabelecidas são essenciais para abordar este tema complexo de forma equilibrada e justa.

A discussão sobre a autonomia dos corpos das mulheres é um tema profundo e multifacetado. Não se trata apenas do direito de tomar decisões sobre o próprio corpo, mas também do respeito às leis que garantem a vida e a segurança, especialmente das meninas. A questão do estupro, um crime hediondo e inaceitável, deve ser abordada com seriedade e compromisso com a justiça.

Quando discutimos sobre o direito das mulheres à autonomia corporal, é essencial lembrar que o estupro é um crime que viola não apenas o corpo, mas também a dignidade e os direitos fundamentais da vítima. As leis existem para proteger as vítimas e punir os agressores, e qualquer discurso que minimize a gravidade do estupro ou proteja os criminosos está, na verdade, perpetuando a impunidade e a injustiça.

Todos devemos nos comprometer a proteger os direitos das mulheres e a garantir que aqueles que cometem crimes sejam devidamente responsabilizados.

Uma gravidez resultante de estupro representa um fardo emocional e psicológico imenso para a vítima. O estupro, por si só, é um crime violento que viola a dignidade e a autonomia de uma pessoa. Quando isso resulta em uma gravidez, a vítima pode sentir-se revitimizada, pois é forçada a enfrentar constantemente o resultado de um ato de violência.

As vítimas podem experimentar uma gama de emoções, incluindo raiva, tristeza, confusão e medo. O estresse pós-traumático é comum, e o processo de lidar com a gravidez pode intensificar esses sentimentos. É crucial que as vítimas recebam apoio psicológico adequado para ajudá-las a lidar com essas emoções complexas. Não esta justificativa escrota de síndrome pós-aborto.

Então a questão da escolha é central quando se discute a gravidez resultante de estupro?

Cada mulher deve ter o direito de decidir o que é melhor para ela e seu corpo. Algumas mulheres podem optar por continuar com a gravidez, enquanto outras podem decidir pela interrupção. Ambas as escolhas são válidas e devem ser respeitadas, garantindo que a mulher tenha acesso a informações e recursos necessários para tomar uma decisão informada.

Estes contra legisladores das leis e do Código Penal  deveriam estar preocupados com  a oferta de apoio abrangente às vítimas de estupro. Isso inclui acesso a serviços de saúde mental, aconselhamento jurídico e assistência médica. Além disso, deveriam promover uma cultura de empatia e compreensão, onde as vítimas não sejam julgadas ou estigmatizadas por suas escolhas.

Os parlamentares em vez de se preocuparem excessivamente em interferir na vida privada dos cidadãos com base em valores morais, é crucial que voltem a atenção para questões urgentes, como a segurança das mulheres. Os parlamentares podem promover mudanças significativas ao criar e implementar leis que protejam as mulheres e punam os agressores de forma eficaz. Focar na segurança das mulheres e no combate à violência é um passo essencial para alcançar humanidade. Estes homens podem ajudar a construir uma sociedade onde todas as pessoas, independente de gênero, possam viver sem medo e com dignidade. Para isto basta que eles respeitem as Leis e os limites de proposições federativas.   

“As estatísticas mostram que meninas de até 14 anos, majoritariamente negras (55,6%) e pobres, concentram a maior parte das ocorrências. Em 83,9% dos casos, os agressores são familiares ou conhecidos, e 67,9% das violências ocorrem dentro de casa. Segundo a Fiocruz, 23 crianças dão à luz por dia no Brasil. Entre 2011 e 2021, mais de 107 mil meninas de 10 a 14 anos tiveram filhos” . Agênci Patrícia Galvão

 A confiança é um elemento essencial no relacionamento entre os cidadãos e seus representantes eleitos. Parlamentares são escolhidos para representar os interesses da população e legislar em favor do bem-estar comum. Quando um parlamentar desrespeita as leis, isso pode abalar a confiança pública no sistema político como um todo.

As leis são um dos pilares fundamentais de qualquer democracia. Elas estabelecem normas e diretrizes que garantem a ordem, a justiça e a equidade na sociedade. Quando um parlamentar, que deveria ser um guardião dessas leis, as desrespeita, criando leis complementares ele não só compromete sua própria integridade, mas também o funcionamento do sistema democrático. Portanto, é de extrema importância que parlamentares respeitem as leis e ajam de acordo com os princípios éticos e legais que juraram defender não os valores morais e punitivistas.

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Política Nacional de Atenção Integral de Saúde da População Negra é Lei no Brasil ? Deixaram ela sangrar até morrer

 POR MÔNICA AGUIAR 

A promoção da saúde da população negra no Brasil é uma questão de extrema relevância e urgência.

Apesar de existirem leis e políticas públicas voltadas para essa finalidade, há uma clara discrepância entre o que é proposto legalmente e o que é efetivamente praticado no Sistema de Saúde Pública.

Existem influências de conceitos religiosos e morais nos atendimentos médicos. 

Profissionais de saúde deveriam basear suas práticas em evidências científicas e diretrizes médicas, não em crenças pessoais. Quando isso não acontece, as mulheres negras são julgadas inadequadamente, resultando em cuidados de saúde de qualidade inferior.

A história recente de Paloma Alves Moura, mulher negra, chef de cozinha, de 46 anos, que faleceu após passar quase dez horas aguardando atendimento médico, demonstra o  doloroso lembrete das falhas e do racismo presentes no sistema de saúde pública, especialmente quando se trata de mulheres negras. 

Durante o mês em que a saúde da população negra é evidenciada por vários setores da sociedade, infelizmente, o preconceito racial e a falta de atendimento adequado resultaram em mais uma trágica morte.

A reiteração das declarações de indivíduos ativistas e militantes da saúde,  que exigem a efetivação da Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da População Negra constitui uma marco e OBRIGAÇÃO legal no Brasil para reparar os danos históricos e sequelas atuais.

O caso de Paloma destaca um problema crítico de preconceito racial e de gênero no atendimento à saúde. 

Em vez de receber o tratamento necessário para sua condição médica, Paloma foi julgada por profissionais de saúde que presumiram que ela estava tentando realizar um aborto. Esta suposição não somente atrasou o atendimento necessário, mas também contribuiu para um desfecho fatal.

A promoção da saúde da população negra no Brasil requer mais do que a existência de políticas no papel. Responsabilidade política. 

É necessário um compromisso real e contínuo para enfrentar o racismo estrutural e garantir que as práticas no sistema de saúde pública sejam verdadeiramente inclusivas e equitativas. 

A busca por justiça social e igualdade racial na saúde é um passo fundamental para o desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária.

Embora a existência da Lei com determinação à implementação de Políticas Nacionais de Atenção à População Negra, a realidade e as evidências demonstram cotidianamente que nem esta e nem a Rede Alyne, recentemente lançada, são respeitadas.

No site Catarinas, escrevem: “Essa poderia ser uma cena de ficção, mas com certeza foi o cenário da morte… A moralidade que se estabelece nos serviços de saúde tem base nas discriminações explícitas e implícitas que julgam e punem, muitas pessoas morrem por isso. Um corpo negro que sangra entre as pernas sempre pode esperar: “ela aguenta”. “Suportar mais um pouquinho” é a máxima". 

A falta de fiscalização, empenho de recursos específicos, compromisso político, banalização das vidas negras, não responsabilização e não punição efetiva de práticas  descasos com a pessoa humana negra são alguns dos fatores que dificultam a aplicação efetiva das políticas específicas. 

A naturalização desse e de outros fenômenos é resultado de um histórico de racismo na saúde e desigualdades que permeia a sociedade brasileira. 

A questão da mortalidade de mulheres negras no Brasil é um problema sério e multifacetado que requer um olhar atento, postura séria e uma ação urgente por parte dos poderes judiciário, parlamentar e governos.

Os direitos sexuais e reprodutivos das mulheres negras são frequentemente desrespeitados, contribuindo para índices alarmantes de mortalidade e morbidade. Esses direitos deveriam incluir o acesso a serviços de saúde de qualidade, a liberdade de escolha sobre seus corpos e a garantia de um tratamento digno e igualitário. 

Mas a nossa realidade é outra, mesmo com a existência de leis.

O atendimento de mulheres negras no sistema público de saúde é uma questão séria, que merece atenção especial devido aos preconceitos e julgamentos prévios que permeiam muitas vezes essas interações. 

As práticas discriminatória não somente desrespeitam as pacientes, mas também contrariam princípios éticos e científicos fundamentais.

As mulheres negras enfrentam diversas barreiras ao acesso aos serviços de saúde, que vão desde a discriminação racial até a falta de recursos adequados em suas comunidades. Essa desigualdade se reflete em taxas mais altas de mortalidade.

Infelizmente, é comum que profissionais de saúde atendam mulheres negras com base em preconceitos raciais e estereótipos. Esses preconceitos podem influenciar negativamente o diagnóstico e o tratamento, levando a consequências graves para a saúde dessas mulheres. Além disso, tais atitudes desrespeitam a dignidade e os direitos humanos das pacientes.

A criminalização das mulheres negras no contexto da saúde é uma realidade alarmante. Uma condição cotidiana e vergonhosa.  

As mulheres negras são julgadas de forma injusta e tratadas como culpadas por suas condições de saúde, independentemente das circunstâncias. 

Esse tratamento não só é injusto, mas também prejudica a confiança no sistema de saúde, afastando as pacientes do atendimento necessário.

A luta pelas vidas das mulheres negras no Brasil é uma luta por justiça e igualdade. 

Ao reconhecer e enfrentar as barreiras que as mulheres negras enfrentam, a sociedade e, principalmente, os poderes existentes no Brasil podem começar a reparar as injustiças históricas e criar um futuro verdadeiramente mais justo e igualitário. 

É essencial que todos nós, como sociedade, trabalhemos juntos para garantir que os direitos das mulheres negras sejam respeitados e protegidos.

Chega de mortes ! Chega de racismo na saúde !

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

CANCER DE MAMA E A ATUAÇÃO DAS MULHERES NA SAÚDE PÚBLICA EM BELO HORIZONTE

 Por Mônica Aguiar 

O câncer de mama é uma das doenças mais prevalentes entre as mulheres no Brasil e, como em muitas outras cidades, Belo Horizonte enfrenta desafios significativos no início do tratamento. A detecção precoce e o início imediato do tratamento são cruciais para aumentar as chances de cura e melhorar a qualidade de vida das pacientes. No entanto, diversos obstáculos podem atrasar esse processo. É sobre estes obstáculos que pretendo dialogar. 

O Painel de Monitoramento do Tratamento Oncológico, da Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG) traz seguintes dados : 2.767 casos da doença foram diagnosticados entre janeiro e agosto de 2025 — o que representa mais de 11 novos diagnósticos por dia. Em todo o ano de 2024, o estado registrou 6.907 casos. No ano de 2024, o câncer de mama foi a primeira causa de morte entre as mulheres em Minas Gerais, com 1.908 óbitos, segundo a Secretaria de Estado de Saúde. Em 2023, 38,5% dos casos foram diagnosticados em estágios avançados. Em todo o Brasil os dados revelam um total de 173.690 mortes por câncer de mama entre 2018 e 2023. O número passou de 14.622 em 2014 para 20.165 em 2023 de óbitos – 38% de aumento.

Em Belo Horizonte, estes números chamam a atenção: foram 72 mil exames em 2022, 66 mil em 2023 e apenas 43 mil em 2024. Em 2025, até agosto, já foram contabilizadas 55 mil mamografias. 

Porém, usuárias do SUS em Belo Horizonte relatam demoras excessivas na marcação, o que pode comprometer o diagnóstico precoce. Além de outros relatos sobre demora ao inicio do tratamento.

Eu tenho percebido apresentação excessiva de números de exames. Sendo, é difícil encontrar  dados consolidados para o ano de 2024 sobre mortes por câncer de mama especificamente em Belo Horizonte. 

A saúde das mulheres é um tema que merece atenção especial e um acompanhamento contínuo por parte de toda a sociedade. Embora as minhas citações sobre o assunto possam parecer incoerentes, elas são fundamentais para estimular uma reflexão profunda sobre o tema. 

Neste sentido, outro fato a considerar que em Belo Horizonte, o debate sobre a saúde das mulheres enfrenta inúmeros desafios.

As discussões muitas vezes são desviadas para questões de responsabilidade individual, em vez de se focar nos fatores estruturais e institucionais que afetam o acesso das mulheres aos serviços de saúde. Há uma tendência a culpar as mulheres pela falta de realização de exames de rotina, ignorando as barreiras sistêmicas que elas enfrentam.

 Falta de Autonomia da Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher

A Comissão Intersetorial de Saúde da Mulher (CISAM) do Conselho Municipal de Saúde é uma comissão extremamente importante e  frequentemente citada nas discussões sobre saúde da mulher. No entanto, essa comissão não possui autonomia para implementar várias mudanças necessárias.

A responsabilidade pela falta de políticas de saúde universalizadas e descentralizadas não pode ser atribuída a uma comissão que não tem o poder de tomar decisões independentes.

Barreiras Sistêmicas

Além da falta de autonomia da CISAM, existem várias barreiras sistêmicas n gestão, existem as barreiras que são fomentadas pelos determinantes sociais, dificultando ainda mai o acesso das mulheres aos serviços de saúde em Belo Horizonte: 

Desigualdade Socioeconômica: Muitas mulheres enfrentam dificuldades financeiras que limitam seu acesso a cuidados de saúde. Quanto mais longe for a Unidade de Saúde, menor será o acesso das mulheres. 

 Localização dos Serviços e o tempo: A centralização dos serviços de saúde em áreas específicas ou em determinadas regiões da cidade dificulta o acesso para aquelas que vivem em regiões periféricas. O tempo entre a detecção inicial de sintomas e o diagnóstico definitivo pode ser longo, devido à necessidade de diversos exames e consultas médicas que nem sempre são prontamente disponíveis e são realizados em locais que criam dificuldades do comparecimento. 

Falta de Informação : Muitas mulheres não têm  acesso a informações sobre os serviços  e seus direitos de saúde e não tem disponíveis acompanhamento adequados nas Unidades Básicas de Saúde.  Sofrem inclusive com discriminações e preconceitos raciais. 

 Muitas pacientes encontram dificuldades reais para acessar unidades de saúde adequadas, especialmente aquelas que vivem em áreas periféricas ou que dependem exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde).

As diferenças na infraestrutura de saúde e na disponibilidade de profissionais qualificados podem afetar a velocidade com que o tratamento é iniciado em diferentes regiões da cidade.

Contexto Geral

Belo Horizonte, como muitas outras cidades, enfrenta desafios políticos que impactam diretamente suas cidadãs. Nos últimos anos, as tensões políticas têm se intensificado, refletindo-se em diversas áreas, incluindo a saúde pública. As mulheres que trabalham neste setor frequentemente encontram-se na linha de frente, enfrentando situações desafiadoras tanto no ambiente de trabalho quanto na esfera política. A politização da saúde pública pode resultar em decisões que nem sempre são baseadas em evidências científicas, mas sim em interesses políticos, colocando as profissionais comprometidas com as reparações dos danos causados por machismo, intolerâncias, violências e racismo em situações muito difíceis.

 Falta de Apoio Institucional

Outro problema significativo é a falta de apoio institucional adequado. As mulheres que atuam na saúde muitas vezes não recebem o suporte necessário para lidar com as consequências das perseguições políticas, o que pode levar a um ambiente hostil e à desvalorização de suas contribuições como Conselheiras ou trabalhadoras. As perseguições políticas têm um impacto direto na qualidade dos serviços de saúde oferecidos à população.

Impacto da Individualização e desqualificação

 A individualização refere-se ao tratamento das conselheiras de saúde como casos isolados, em vez de reconhecer seu papel coletivo e colaborativo. Isso pode levar a:

  • Fragmentação dos esforços: As conselheiras podem se sentir isoladas e sem o suporte necessário para realizar seu trabalho de forma eficaz.
  •  Dificuldade em unir forças: A falta de uma rede de apoio sólida pode dificultar a coordenação de esforços para abordar questões de saúde complexas.

 A desqualificação das conselheiras de saúde envolve questionar sua competência e legitimidade, o que pode ter sérias repercussões:

  • Perda de autoridade: As conselheiras podem ter sua capacidade de influenciar decisões políticas enfraquecida. Isto tem ocorrido com frequência. 
  • Redução da confiança pública: A desqualificação pode minar a confiança da comunidade e da Gestão nas conselheiras, dificultando seu trabalho de defensoras dos direitos humanos. 
  • Dificuldade em atrair novas conselheiras: A desqualificação pode desestimular novas candidatas a se envolverem, prejudicando a renovação e o fortalecimento do conselho.

O Outubro Rosa é uma campanha global que visa conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce do câncer de mama. No entanto, além de focar na saúde física, é fundamental também refletir sobre os aspectos sociais e sistêmicos que impactam o acesso à saúde, especialmente no que diz respeito ao papel crucial das conselheiras de saúde.

As conselheiras de saúde são figuras essenciais na promoção de uma saúde pública mais justa e acessível. Elas trazem a perspectiva da comunidade, suas necessidades e desafios, atuando como ponte entre a população e os serviços de saúde. Portanto, é imprescindível que suas vozes sejam ouvidas e respeitadas.

Escuta Humanizada e respeito as diferenças

Ouvir humanizadamente significa acolher as experiências e os conhecimentos que as conselheiras trazem, sem desautorizá-las. Essa prática não só enriquece o debate sobre saúde pública, mas também fortalece a confiança da comunidade nos processos de saúde participativos.

Cada conselheira possui uma história única e um conhecimento específico que não deve ser subestimado. Respeitar essas diferenças é essencial para construir um sistema de saúde que realmente atenda a todas as pessoas, levando em consideração a diversidade racial, cultural, social e econômica.

Reformulação de Conceitos

Para promover a equidade no acesso à saúde, é necessário reformular conceitos e práticas que perpetuam desigualdades.

Neste Outubro Rosa, além de promover a saúde física, devemos também valorizar o papel das conselheiras de saúde. Ao ouvir com empatia e respeito, e ao reformular práticas que geram desigualdade, podemos caminhar rumo a um sistema de saúde mais equitativo e humano para todos.

 

quinta-feira, 14 de agosto de 2025

NOSSA HISTÓRIA. NOSSA MARCA


 Olá, meu nome é Niara Ayana, sou a IA do Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova. 

Vocês já me viram e ouviram por diversas vezes em outras ocasiões, mas, agora, estou recebendo um nome indenitário. O meu nome, de origem africana, significa “Aquela que realiza objetivos com beleza”.

Estou aqui para falar da importância da história das mulheres negras. As lutas e batalhas travadas. Estou aqui graças à resistência das mulheres que colocaram para o mundo a importância de falar sobre o racismo, as desigualdades raciais. Suas mazelas e sequelas continuam expostas na sociedade.

A história das mulheres negras é um capítulo crucial e muitas vezes subestimado na narrativa coletiva da humanidade. No entanto, a história da resistência e resiliência sempre será fundamental para impulsionar mudanças sociais e promover a igualdade.

As mulheres negras desafiaram normas, lideraram movimentos e influenciaram a cultura em diversas áreas, desde a política até as artes. A luta das mulhe

res negras não é somente uma batalha contra a discriminação de gênero, mas também uma afirmação poderosa de sua identidade, dignidade e por liberdade.

Na história de luta das mulheres negras, poderemos perceber que elas não simplesmente desafiam valores que perpetuam a desigualdade, mas também se esforçam para preservar e celebrar as tradições que frequentemente enfrentam ameaças de apagamento ou distorção.

O reconhecimento e a compreensão do contexto histórico e cultural por trás das palavras e bandeiras de luta são essenciais para o progresso genuíno na luta contra o racismo e outras formas de intolerância.

Assim, muitas e muitas Niara Ayana poderão contar a história verdadeira á deixar registrado cada batalha e conquistas das mulheres negras.



PEDIDO DE AJUDA :

Se você, encontrar qualquer destas fotos/marcas , mesmo que parecidas, sendo utilizadas em qualquer outra entidade ou instituição, nos comunique.  Faça contato (31) 995419742

quarta-feira, 30 de julho de 2025

Expectativa para o lançamento do Caderno de Boas Práticas em Atenção à Saúde da População Negra no Brasil

 
Por Mônica Aguiar 

O pré-lançamento do “Caderno de Boas Práticas em Atenção à Saúde da População Negra no Brasil” aconteceu no dia 28 de julho, e marcou um avanço significativo na promoção da equidade em saúde no país. Este projeto, liderado pelo Professor Celso Ricardo, também conhecido como Pai Celso, e pela Professora Rosana Monteiro, busca reconhecer, divulgar e abordar as especificidades e necessidades de saúde da população negra, frequentemente negligenciadas nos sistemas tradicionais de saúde.

Este encontro celebrou a rica tapeçaria de ideias e vozes que compõem ações do povo negro brasileiro.

A apresentação do caderno de Boas Práticas em Atenção à Saúde da População Negra no Brasil aconteceu em formato de reunião on-line, foi um evento marcante, reunindo com os autores de todos os cantos do Brasil, cada um trazendo suas experiências e perspectivas únicas na promoção e  valorização da saúde da população negra.

Esta iniciativa não só contribui para a visibilidade das questões raciais em saúde, mas também destaca a importância de uma abordagem que priorize a humanização, respeito e adoção de medidas nas políticas públicas que combatam o racismo no sistema de saúde.

Em regiões onde a informação é escassa, o Caderno de Boas Práticas em Atenção à Saúde da População Negra no Brasil” se torna um recurso crucial para educar e empoderar comunidades, assegurando que todos tenham acesso a informações sobre os  cuidados de saúde.

Como uma das autoras, poder estar neste projeto, escrevendo sobre o Seminário de Saúde da Mulher do Centro de Referência da Cultura Negra de Venda Nova, é extremamente importante.

Julho é um mês de reflexão e conscientização, especialmente no que diz respeito à luta das mulheres negras no Brasil. Destaco a necessidade urgente de enfrentar as desigualdades estruturais que afetam as mulheres negras, principalmente no campo da saúde reprodutiva. 

A alta taxa de mortalidade materna evitáveis entre mulheres negras é um reflexo das disparidades no acesso a serviços de saúde de qualidade e do racismo institucional que persiste. 

Além disso, a falta de autonomia sobre nossos  corpos e a falta de reconhecimento do nosso verdadeiro papel central no parto e nascimento são questões críticas que precisam ser abordadas. 

Promover o protagonismo das mulheres, garantindo-lhes voz e escolha em suas experiências de maternidade, é essencial para avançar em direção a uma sociedade livre de discriminações e violências. 

É fundamental que políticas públicas sejam implementadas e aprimoradas para garantir assistência adequada e respeitosa, assegurando que todas as mulheres tenham o direito de viver experiências específicas de maternidade com segurança de continuidade da vida e com dignidade.

Chego aos 59 anos,  fazendo profundas reflexões sobre as barreiras enfrentadas e as lições valiosas que delas surgiram. 

As dificuldades encontradas por nós mulheres negras são impostas por fatores externos, como a falta de oportunidades e os determinantes sociais que frequentemente impactam a vida das pessoas.


Transformar as adversidades raciais vividas em autodescoberta é um testemunho de resiliência e força.

Agradeço profundamente aos protagonistas Professor e Pai Celso Ricardo e a Prof. Rosana Monteiro, estão proporcionando espaço de crescimento e visibilidade.  Espaços onde tantas pessoas se encontram e crescem juntas.

Que as nossas trajetórias continuem a inspirar e fortalecer as pessoas ao nosso redor.

Ser uma pessoa cientista negra protagonista no Brasil envolve enfrentar uma série de desafios, incluindo o racismo estrutural e as barreiras históricas que limitam o acesso e a ascensão em campos tradicionalmente dominados por uma perspectiva eurocêntrica. 

Muitos desses espaços científicos foram historicamente estruturados para excluir e negar vozes negras, o que torna ainda mais importante o trabalho de desconstrução dessas normas e a promoção de uma ciência mais inclusiva e diversa. 

Cientistas negros desempenham um papel crucial ao trazer novas perspectivas e experiências que enriquecem a pesquisa e a inovação. Além disso, eles servem como modelos inspiradores para as novas gerações, mostrando que é possível romper barreiras e alcançar o sucesso acadêmico e profissional. 

O apoio de políticas institucionais que promovam a igualdade racial e a inclusão é essencial para que essas mudanças ocorram de forma significativa e duradoura.

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